Skip to main content

O País – A verdade como notícia

De longe, é a categoria com mais candidatos: o Canto. No total, são 141 crianças que tentam a sua sorte no Matxikitxiki, em Maputo.

Na verdade, o processo de apuramento para a categoria de Canto, neste dia inaugural do MOZKIDS Talents, começou no fim da manhã de hoje e uma dezena de futuros cantores aguarda a sua vez. A expectativa dos concorrentes e, sobretudo, dos pais e encarregados de educação é enorme, afinal as vagas são 10 para tantos inscritos.

Enquanto o júri avalia os menores, os que já fizeram a sua parte vão brincando aos pula-pula ou jogam voleibol.

A última categoria em disputa, ainda esta tarde, será Dança.

 

Junho é o mês da criança. A pensar nos pequenos, o Grupo SOICO lançou, esta manhã, em Maputo, a primeira edição do MOZKIDS Talents, um concurso direcionado às crianças com objectivo de as inserir no universo artístico e prepará-las para a vida.

O evento conta com parceria do BancABC. E, para que as "flores que nunca murcham" participem, haverá, amanhã, no Matxikitxiki, na zona Costa do Sol, um casting aberto às categorias de Música, Poesia, Teatro e Instrumentos.

 

Fosse vivo, José Craveirinha teria completado 96 anos de idade no passado dia 28 de Maio. Entretanto, lá vão 15 anos sem o poeta-mor da literatura moçambicana. Então, declamadores, artistas, alunos secundários e o público em geral juntaram-se, ontem à noite, para celebrar a obra de quem cantou Moçambique com palavras que pintam afectos e emoções.

O sarau intitulado “José Craveirinha entre a lírica e o poema manifestatário: o eco e as ressonâncias” aconteceu na sede da Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo, num ambiente amistoso, no qual, não se podendo ressuscitar o homem, louvou-se o melhor que se sabe da sua pena. E foi assim: aos “bate e sai” ouviu-se títulos das diversas obras do “velhote”, por exemplo, Karingana ua Karingana, Cela 1, Xigubo e Maria. Entre os declamadores, esses que dizem poesia como quem sobe a um altar, estiveram Guilherme Mussane, Leo Cote, Venâncio Calisto e um trio de amigos cujos versos ofuscaram os nomes. A Fundação Fernando Leite Couto foi um altar e a poesia a canonização de um poeta que, como poucos, descobriu a nação antes mesmo de existir. Craveirinha: J. C., J. Cravo, Mário Vieira ou Abílio Cossa, tudo numa só voz, com ou sem pseudónimos, o consenso na arte da versificação tão bem lembrada na capital do país.

Na Fundação, do primeiro autor africano distinguido com o Camões, o maior prémio literário de língua portuguesa, ouviu-se, entre expectativas e advinhas, poemas como “Grito negro”, “Quero ser tambor”, “Civilização”, “Karingana ua Karingana”, “Subida”, “Reza, Maria” ou “As saborosas tangerinas de Inhambane”, numa alta performance de Leo Cote. Enquanto declamou Craveirinha, o poeta com dois livros publicados tornou-se actor, gesticulando e vibrando a cada força revelada pela palavra: “É sempre uma honra declamar um poeta que não só foi importante para a história política e social como também foi para a história literária. Por isso criou discípulos, casos de Sangare Okapi, Rogério Manjate e, mesmo antes, Luís Carlos Patraquim”, convicção de Leo Cote.

O recital de poesia de ontem serviu e muito para lembrar, como se fosse possível esquecer, que José Craveirinha deixou uma fortuna em espólio literário, com essa capacidade de fazer da sua cultura rhonga ou algarvia um pretexto para conquistar a universalidade.

Além de Cote, quem também se rendeu, com palavras próprias, ao poeta-mor, foi Guilherme Mussane: “Craveirinha é aquele homem que esteve no chão daquilo que nós consideramos vaticínios infalíveis. É de Craveirinha e de outros autores da sua geração que nasceram as ideias que iluminaram a gesta libertadora deste país. Então, celebrar José Craveirinha é olhar para a história e ver de onde nós viemos”. Concordando com essas palavras, Venâncio Calisto, que, esta semana, encenou a peça (Des)mascarado, com Lucrécia Paco e Rita Couto, depois de declamar, acrescentou: “Todos nós que acabamos entrando para arte passamos por José Craveirinha. É um poeta muito forte, profundo e actual”. No entanto, a actualidade, aos olhos dos mais novos, “rejeita-o”. Por isso, não se está a explorar Craveirinha “porque o sistema tem problemas, que o impede de divulgar a literatura e os autores moçambicanos, dentro e fora do país. Não temos livros de Craveirinha a preço acessíveis e muitos dos seus livros não estão no mercado”, Leo Cote.

Além dos poemas do herói da Mafalala, no sarau foram declamados textos de Rui Nogar, Noémia de Sousa e do poeta cubano Nicolás Guillen.

José Craveirinha nasceu na então Lourenço Marques e morreu no dia 6 de Fevereiro de 2003, em Joanesburgo, na África do Sul.

 

A Casa da Cultura da cidade de Maputo, antes Casa da Cultura do Alto-maé, completou 40 anos de existência no passado mês de Fevereiro. Porque nunca é tarde para comemorar, a celebração das quatro décadas vai acontecer nesta semana, nos dias 31 deste mês e 2 de Junho, no edifício daquela instituição.

Dança, teatro, exposição de artesanato, pintura, e, claro, música moçambicana, tocada e cantada por alguns dos músicos que muito fazem pela cultura nacional, estarão presentes na avenida que vai ser fechada para acolher o show.

Wazimbo, Xidimingwana, António Marcos, Fernando Luís, Hortêncio Langa, Yolanda Kakana, são alguns dos artistas que se farão presentes, no segundo dia do evento.

E porque a cultura não é só sentida pelos ouvidos, mas vista, percebida e apreciada pelos olhos, a arte estará presente no dia da abertura das celebrações com nomes de Noel Langa, João Timba, Bata, Jorge Dias, Mankeu, Manhiça, Kheto, Abdul Satar, Idasse Tembe, Marcos Pfuka, Ndlozi e Mwandu.

A Casa da Cultura tem como principal objectivo a formação de artistas nas mais diversas actividades relacionadas à arte, desde música, dança, teatro e pintura, como explica o Director da Casa da Cultura da Cidade de Maputo, Jorge Langa: “O objectivo principal das casas da cultura pelo Governo, é, fundamentalmente, o ensino de iniciação artística, ou seja, constitui tarefa da casa da cultura ensinar as crianças, adolescentes, jovens e adultos, a arte”.

Jorge Langa acrescenta ainda que “procuramos ensinar não só o que a pessoa quer aprender, mas o que ela precisa saber. Não basta aprender a tocar uma guitarra, é preciso também tocar um piano ou até mesmo uma timbila. É importante, como músico, ter conhecimento da teoria que gere a música, entender as notas musicais, dominar mais de um instrumento, nós procuramos ensinar a teoria e a prática. Na dança acontece o mesmo, não nos focamos somente em um estilo de dança, mas em todos os possíveis, desde as danças tradicionais às contemporâneas. A Casa da Cultura forma, com o objectivo de criar futuros profissionais da arte, contribuindo assim para o desenvolvimento da cultura em Moçambique.

Questionado sobre como tem sido manter a casa da cultura, Langa assume que “é um grande desafio. Pela nossa vocação, somos uma instituição que lida com pessoas das mais diversas faixas etárias, por exemplo, actualmente, temos um trabalhado com meninos de rua, tentando criar e descobrir neles o gosto pela arte, mas, infelizmente, os mesmos têm, algumas vezes, comportamentos atípicos e acabam por partir e estragar os objectos, danificando tanto os bens como a instituição. Assim, temos que nos preocupar com situações que, normalmente, não deveriam ocorrer, mas este é só um exemplo dos desafios que enfrentamos para manter a instituição”.

Para Jorge Langa, o maior êxito vivido pela Casa da Cultura foi na época em que todos os eventos culturais eram ali planificados.

Actualmente, a Casa da Cultura da Cidade de Maputo desempenha actividades como: formação de músicos, dançarinos, actores, pintores, produção de festivais, saraus e concursos.

Para além da Casa da Cultura da Cidade de Maputo, existem casas da cultura provinciais, em Tete, Manica e Niassa, constituindo plano do governo a criação de mais casas da cultura em todas as províncias do país.

 

Os Reis do Rompimento Primeira Liga (RRPL) estão de volta a Moçambique pela segunda vez, para, com o Rapódromo, fazer viajar mentes dos amantes do rap, desta vez, no Parque da Marginal, neste sábado, a partir das 15 horas.

Que se segurem os cérebros e preparem-se as bocas, porque barras directamente de Moçambique, Angola e Portugal serão lançadas a todos.

Questionado sobre o que o evento tem de especial este ano, o CEO da RRPL Fly Squad diz que “Este ano tem de especial a presença de artistas que não estiveram cá no evento passado, nomeadamente, o Paizão, o Brazzah e o Salomão. Temos também a presença do rapper português que já vem batalhando connosco há alguns anos, El Sayed, trouxemos novamente o Tanay Z”. Fly não quis dar muitos detalhes pois, como todos sabem, “este é maior espectáculo de batalhas de rap, portanto, há sempre uma novidade que nunca é anunciada antes do evento, então podemos esperar o melhor”, disse.

Já os Gladiadores dizem estar preparados para acabar com os adversários, como é o caso de Brazzah, que garante, “Para este evento, trago bomba, se o meu adversário não vier forte, será totalmente humilhado na sua terra”.

Epaitxoss One diz ter gostado do adversário, mas sem dizer especificamente que armas tem preparadas para esta batalha, avança: “Para este evento, trago boas rimas, a ideia é mesmo entreter o pessoal, gostei do adversário que me foi dado, pois aprecio seu trabalho já há um tempo. Por outro lado, seu adversário, Salomão Rei, aproveitou a deixa de Epaitxoss para deixar bem claro que: “Se o meu adversário fosse fraco eu nem viria, o Epaitxoss One é um nigga muito forte”.

Já o veterano, Tanay Z, confessa não ter preparado nada de novo, mas confia no trabalho que vem desempenhando.

Esta é a terceira vez que a RRPL e o Rapódromo batalham, tendo a primeira batalha sido em 2016 em Angola.

Para o “RRPL vs Rapódromo 2018”, estão previstas batalhas de: Kadabra Mc vs Paizão; 16 Cenas vs El Sayed; Tanay Z vs Trovoada; Salomão Rei vs Epaitxoss One; e Sugaya vs Brazzah.

 

Dino Miranda colhe “Xiluva” no jardim da música

O cheiro e a beleza das flores continuam a “inspirar” e muito os artistas nacionais. Que o diga Dino Miranda: produtor, compositor, guitarrista, enfim, músico que, para o seu segundo álbum, escolheu o título Xiluva (flor em língua portuguesa).

O novo disco de Dino Miranda é uma compilação de 12 músicas, das quais quatro fizeram parte do single Baby eu te quero, lançado pelo autor lá vão três anos. São os casos de “Cantemos para mulher” (com Stewart Sukuma), “Baby eu te quero” (que intitula o single), “Deusa” (com Jimmy Dludlu) e “Viver e ser feliz”. Além destas, no disco Miranda existem mais oito: “Love on the mountain”, “Moçambique”, “Xiluva”, “Ontem a noite”, “Maria Joana”, “País tropical”, “A vida é bela” (Com Choppa Margarida) e “Marrabenta”, premiada na categoria de World Music no concurso anual International Songwriting Competition – 2016 (ISC), realizado nos Estados Unidos da América.

Os temas do novo trabalho de Dino Miranda, em geral, procuram enaltecer a importância do amor num mundo tão conturbado. É por acreditar no poder do amor que o músico faz desse sentimento um objecto para ser cantado. A primeira música do disco, “Love on the mountain”, com coros de Alcinda Guerane, é um exemplo do que o artista almeja para si e para o mundo: o amor no coração das pessoas. Afinal, de acordo com o autor, a maior preocupação neste disco foi sempre torná-lo algo cheio de humanismo. Para chegar a esse estágio, Dino Miranda convidou Stewart Sukuma para juntos cantarem a mulher, como alicerce e pilar de qualquer sociedade. E porque o patriotismo também se revela na dimensão artística, o guitarrista dedicou uma música do CD ao seu país, “uma criança que tem um sonho, deixem-na construir”, segundo a composição do terceiro som.

Xiluva é um pouco da reflexão do que tem sido a trajectória de Dino Miranda, ao nível pessoal. É a sua forma de ver a sociedade moçambicana.

Ao contrário do primeiro disco do autor, Moya wa kaya, que seguiu o percurso África do Sul-Moçambique, este Xiluva foi produzido no seu estúdio, cá no país, de onde deverá sair para conquistar o mundo. Aliás, tal evento já iniciou. No início do mês, o compositor participou, pela primeira vez, no Festival Internacional de Artes de Harare (HIFA), um evento anual, criado em 1999, que acontece durante seis dias, com música, teatro, dança, circo, performance de rua, moda e artes visuais. Foi naquele festival que, a nível internacional, Dino Miranda lançou o seu Xiluva. Agora, falta no país, o que deverá acontecer no segundo semestre, entre finais de Julho e início de Agosto. Enquanto a data prevista não chega, a promoção já começou, e, pelo menos, com uma convicção: “Acredito que nós, os artistas, temos a capacidade de inspirar as pessoas e as levantar a partir das nossas experiências pessoais. Então, neste CD, também tenho música feita com intenção de estimular quem a ouve, sempre que o desânimo se apropria da pessoa”.

Depois de Dino Miranda ter começado com a produção do álbum no seu estúdio, a parte com banda teve, desde cedo, a contribuição de Hélder Gonzaga e Stélio Zoe, bem como Texito Langa e Frank Paco. Tudo foi feito durante dois anos, sem nenhum apoio financeiro. Mesmo assim, é um álbum no qual o músico procurou garantir um nível elevado de qualidade, daí a participação de autores como Jimmy Dludlu, Orlando Venhereque, Samito Tembe, John Hassan e Thapelo Motshegwe. “Mas não foi fácil. Para ter esse todo leque de artistas envolve um custo para grandes produções, portanto, elevados”. E porque o investimento dificilmente pode se traduzir em vendas, no país, do disco, Miranda espera, para sua realização, que seja acarinhado, inclusive, internacionalmente.

Além de produzir suas próprias músicas, o Director da Miramundo Produções também produz as de outros artistas. Por exemplo, a esta altura, está a produzir o disco de Salimo Muhamed, a 90% de execução. O álbum foi gravado no estúdio de Miranda, e conta com colaborações de Hortêncio Langa. “Este é um disco de uma referência da música moçambicana, de alguém com muita energia para trazer coisas novas. São os discos o que nos move, com a pretensão de deixar o nosso contributo artístico para o país”.

As 12 músicas que compõem Xiluva foram retiradas de um universo com cerca de 20. Oito ficaram de fora.  O disco será lançado no país em Julho ou Agosto.

 

Na sua essência, esta é uma celebração da cultura africana com várias manifestações artísticas, como exposições e concertos. Nesta estreia, o evento conta com a presença de 30 artistas contemporâneos, músicos e performers d’o berço da humanidade. Dois desses artistas são fotógrafos moçambicanos: Filipe Branquinho e Mauro Pinto.

De acordo com Branquinho, a sua participação é uma boa oportunidade de divulgar o trabalho fora de Moçambique e ao lado de grandes nomes da arte contemporânea africana, por exemplo, do fotógrafo maliano Malick Sidibé, uma das influências no seu trabalho. Ora, defende Filipe Branquinho, “estas iniciativas são de enorme prestígio e ajudam na circulação internacional e a colocar o nosso trabalho nos grandes mercados das artes. É também uma oportunidade para fazer contactos com jornalistas, curadores, galeristas, colecionadores, etc…, que abrem novas portas e ajudam a dar continuidade na divulgação e circulação do trabalho fora de Moçambique”.

Ao festival, o fotógrafo moçambicano levou um novo projecto, intitulado “Lipiko”. São duas obras de grande formato, técnica mista, nas quais, pela primeira vez, mistura fotografia e desenho. Na série, Branquinho usa a sátira para fazer uma reflexão sobre aspectos da actualidade nacional, procurando, de forma cômica, questionar valores. É “uma ponte entre a tradição e o presente, algo como de onde viemos, onde estamos e para onde vamos”.

Nas obras em causa, o fotógrafo utiliza as máscaras de mapiko, mas não é um trabalho sobre povo makonde, é uma apropriação das máscaras, daí o título “Lipiko”, “que é o personagem central ou a máscara no ritual do mapiko e que na minha opinião são bastante expressivas para representar a actualidade das cidades moçambicanas, desde as elites, o estado de vigia, o desamparo e outras questões do cotidiano”.

Branquinho entende que o Festival Évora África é uma janela aberta sobre o continente africano e que vai permitir conhecer alguns aspectos das culturas locais.

E porque Moçambique tem estado presente neste tipo de iniciativas, desde Ricardo Rangel a Mário Macilau, incluindo José Cabral, Branquinho vê nesta permanência algo importante na afirmação do país com enorme tradição fotográfica e nas artes em geral. “A nível pessoal é divulgar um novo projecto num cenário completamente diferente de onde foi produzido e consolidar o meu trabalho como artista. É mais fácil entrar nestes circuitos que permanecer neles, há sempre uma grande procura sobre novos nomes”.

Um dos objectivos do festival é celebrar novas expressões artísticas urbanas e as suas influências sobre a cultura portuguesa.

Além de Moçambique, também participam África do Sul, Burquina Faso, Costa do Marfim, Madagáscar, Mali, Senegal e, claro, Portugal.

 

A 8ª edição do AZGO lá se foi há uma semana. No entanto, os ecos da iniciativa da Khuzula devem ainda sobressaltar a memória de quem esteve no Campus da UEM, no dia 19, para ver a performance de artistas nacionais e do estrangeiro.

A propósito do estrangeiro, uma das cantoras que de lá veio foi Sara Tavares. Depois de ter actuado mais uma vez em Maputo, a cantora que já venceu um tumor no cérebro disse que festivais como AZGO são muito pertinentes por conseguirem mover a indústria musical. Por isso, há necessidade de afirmar todos os actores dos diversos estilos de música. Na óptica de Tavares, o festival cresceu: “neste regresso, noto que há muitos melhoramentos e que o AZGO continua sendo um festival cheio de boa onda e pessoas simpáticas. Há é que se investir ao nível logístico. Por exemplo, no nosso caso, tivemos vários problemas técnicos, levamos tempo a chegar ao palco, onde me senti no direito de me demorar mais um pouco. Tive a manhã inteira à espera de fazer um ensaio. Não aconteceu e estava a horas. Penso que se pode ter um cartaz mais pequeno e investir em formação e workshops de logística e de aspectos técnicos, porque eu também vou para escola aprender a tocar guitarra”.

Durante a sua participação nesta edição do festival, a autora de Balancê afirmou que tentou dar tudo de si. No entanto, “em uma hora de concerto é difícil dar o que as pessoas querem e tudo o que eu também quero. Nesses casos, tem que se encontrar um ponto de acordo, entre o repertório antigo e o novo, que eu também quero oferecer”.

Mas, o que Sara Tavares espera do AZGO?

Espero que o AZGO tenha eco, que seja uma planta que entre pela terra dentro, crie pequenos projectos e faça alguma diferença, e que não seja um evento ilha, dentro de uma cidade, de um país. Espero que o AZGO crie sonhos dentro de cada pessoa.

Foi simpático ter cantado “Bom feeling” em Moçambique. Foi uma forma de homenagear a cultura moçambicana, considerando que essa música tem partes em rhonga, ditas por um moçambicano?

Nada a ver. Quando fiz essa música para o disco Balancê, há muitos anos, na altura inspirei-me num músico moçambicano que vive em Portugal: o André Cabaço. Nesse período eu andava muito com o Costa Neto e André Cabaço. Adoro o dedilhar dele, tanto que o tentava copiar. Foi nesse contexto que surge esta música, a partir do dedilhar de guitarra de André Cabaço. No final da gravação da canção, convidei-lhe para dar o seu contributo, tocando baixo e fazendo umas coisas com a voz. Ele optou por umas brincadeiras em rhonga no final da canção, fazendo um repentismo. O Cabaço fez essas brincadeiras na música e eu reproduzo em palco.

“Bom feeling” é uma música estimulante. Faz música pensando no efeito terapêutico?

No dia em que eu agarrei a guitarra e fiz este tema eu estava com uma cara muito feia. Olhei-me ao espelho e vi uma cara horrível e com uma energia mesmo má. Então, escrevi o tema como um lift me up. O efeito da música foi para mim mesma. Um cantor, antes de curar aos outros, deve curar-se a si mesmo. Fiz a música como um acto de cura e como uma espécie de piada para mim mesma.

“Brincar de casamento” é uma das suas músicas, digamos, recentes. Por que brincar com uma coisa tão séria: o casamento?

Brincar é uma coisa muito séria. Não se brinca à toa e brincar faz as pessoas sorrirem. E fazer as pessoas sorrirem é uma coisa muito especial. O sorriso é uma flor na cara de uma pessoa e fazer uma pessoa sorrir é difícil.

É uma cantora que investe muito no jogo metafórico nas suas composições. Há alguma explicação?

Não é algo muito consciente. São as ferramentas que eu tenho e que aprendi dos cantores que oiço, dos amigos com os quais componho e dos colegas de trabalho. É assim que vou aprendendo. Não fui a nenhuma escola de composição e não me considero uma grande compositora. Os grandes compositores são os Eugénio Tavares, os Ary dos Santos, os Fany Mpfumos… eu ainda sou uma bebé.

Perfil
Sara Tavares nasceu a 1 de Fevereiro de 1978, em Lisboa (Portugal), mas é em Cabo Verde, país que conheceu com cerca de 21 anos de idade, que mais gosta de tocar. É autora de Mi ma bô, Balancê, Xinti e Fitxadu. Por causa de um tumor benigno no cérebro, teve que se afastar da musica por longos sete anos. Quando era menina, Sara quis ser cantora e futebolista. Venceu a arte.

 

A União Europeia (UE) decidiu investir no desenvolvimento do cinema nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e em Timor Leste. Por isso, em 2017, financiou residência artística a seis jovens realizadores. Como culminar da residência, seis curta-metragens foram exibidas na Fortaleza de Maputo, na noite de sexta-feira. 

Na verdade, o processo que começou com o lançamento de um concurso para jovens realizadores dos PALOP e Timor Leste contou com 87 candidaturas. Desse universo, o júri seleccionou um projecto de cada país e os seis realizadores estiveram em Maputo durante 12 dias para uma oficina, na qual tiveram oportunidade de desenvolver suas ideias. 
Este programa é uma iniciativa da União Europeia para comemorar os 25 anos de colaboração entre aquela entidade, os PALOP e Timor Leste. Nesse sentido, os seis projectos tiveram um financiamento de 9 mil euros.

Sobre a iniciativa, Sven Kuehn Von Burgsdorff, Embaixador da União Europeia em Moçambique, disse que os documentários fazem muito sentido para a população moçambicana porque, assim, “podem comparar as suas realidades com as de Cabo Verde, Guiné Bissau ou Timor Leste. E esperamos que os jovens realizadores comecem a falar entre si, num intercâmbio artístico e intelectual para poderem crescer juntamente. É importante que os jovens realizadores mostrem as suas actividades artísticas. Sem o apoio da UE não teriam tal oportunidade”.
Na organização deste projecto de curtas-metragens esteve envolvida Diana Manhiça, quem considera: “Esta foi a oportunidade para a maioria dos realizadores filmarem a sua primeira curta-metragem, que foram exibidas em diversos festivais, em Moçambique, Cabo Verde, Bélgica, Brasil e Portugal, e que estão a concorrer a prémios”. 

Quando os jovens realizadores estiveram em Maputo, tiveram aulas – de produção, guião, realização, montagem, fotografia e som – com Sol de Carvalho, João Ribeiro, Licínio Azevedo, Orlando Mesquita e António Cabrita. 

O objectivo do projecto, esclareceu Sol de Carvalho, não é fazer filmes de grandíssima qualidade, mas pôr jovens a poderem trabalhar
Quem perdeu a exibição das curtas, na Fortaleza de Maputo, terá a oportunidade de as ver na Stv e na televisão pública. 

+ LIDAS

Siga nos