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No âmbito da celebração do Dia Internacional dos Museus, que se comemora anualmente a 18 de Maio, realizar-se-á uma apresentação subordinada ao tema “Conservação e restauro do mural de Malangatana no Museu de História Natural: Intervenção e critérios”. O evento está marcado para esta quinta-feira, pelas 15h, no Museu de História Natural, em Maputo.

A apresentação estará a cargo da conservadora Teresa Rodrigues, que dá continuidade aos trabalhos de conservação e restauro que decorrem actualmente no Mural ‘O Homem e a Natureza’, dos quais é responsável. A sessão contará com a participação de Mariana Camarate, também conservadora.

No Museu de História Natural haverá uma oportunidade para os estudantes de artes visuais e interessados na área da preservação do património poderem conhecer e debater questões sobre a técnica de execução, estado de conservação, fases e critérios de intervenção do mural em questão.

O Camões – Centro Cultural Português em Maputo apoia esta iniciativa e os trabalhos de conservação e restauro do mural ‘O Homem e a Natureza’.

 

O livro de Dany Wambire, A mulher sobressalente, lançado no início do mês no Brasil, já foi lançado em Maputo. A apresentar a obra, no Centro Cultural Brasil-Moçambique, a escolhida foi a professora universitária Egna Sidumo.

A apresentação do livro poderia seguir uma sequência comum: introdução, desenvolvimento e fim, mas a académica quis fazer diferente.

O livro é composto por 10 contos, um deles intitulado A mulher sobressalente, mas antes de chegar à ela (mulher sobressalente), Sidumo passou pela “Página 23, que na verdade, vai ser o pontapé de saída daquilo que o livro traz, sobre as várias vivências, através das temáticas. “(…) É por si caro leitor que se revelou este segredo, mesmo sabendo que João pode voltar a beber quando este conto lhe chegar às mãos e aos olhos”. Foi com esta passagem, extraída do último parágrafo do texto “O Bêbado corrigível”, que a académica começou a apresentação da obra.

Na viagem feita à “mulher sobressalente”, chegou-se a estória da “Melissa”, que, devido as más condições de vida que passava, certo dia viu na religião uma forma de se sobressair, achando que se filiando a uma igreja poderia ter algum benefício material. A questão trazida neste conto é real aos olhos de Egna, já que, o que guiava aquela personagem não era a honestidade nem a fé, mas sim o interesse, deturpando a própria educação que dava a seus filhos. Entre o “bêbado corrigível”, e “Melissa”, chegou-se também ao “Analista drogado”, que conta a história de um homem com um alto sentido de crítica social, mas porque tudo o que falava era verdade, e incomodava aos corruptos, hipócritas e maus carácteres existentes na sociedade, passou a ser olhado como inimigo, vendo assim a sua vida destruída pelos poderosos, acabando por se desgraçar e falecer no mundo das drogas.

 Entre bêbados, drogados, crentes e injustiçados, finalmente a mulher sobressalente chegou, esta que não passava de uma menina do campo. “É a história sobre como a mulher é vista como uma peça, a história de uma menina cujos sonhos foram penhorados, pelo seu pai, mãe e irmã, ou seja, este conto gira em torno de uma família que decide que seus problemas devem ser resolvidos por uma menina inocente ”, disse Sidumo.

Para além dos contos mencionados, no livro encontram-se também “O conselho da enfermeira”, “O linchamento dos dólares”, “O filho do camponês”, “Casal de brincadeira”, entre outros.

A obra traz a reflexão sobre assuntos relacionados ao álcool, drogas, crenças, e as mais diversas adversidades do dia-a-dia na sociedade.

Esta é a quarta obra de Dany Wambire, que vai se juntar às anteriores três: A adubada fecundidade e outros contos, O curandeiro contratado pelo meu edil e Quem manda na selva.

A Kongoloti Records está a organizar um concerto de música acústica, para dia 6 do próximo mês, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, em Maputo.

Trata-se do show do músico Deltino Guerreiro, que na semana finda realizou um outro, na Fundação Fernando Leite Couto, também em Maputo.

O evento vai contar com a participação de alguns artistas renomados na música moçambicana, como Stewart Sukuma e Azagaia.

O artista vai apresentar músicas do seu álbum, intitulado “Eparaka”, e uma música nova que fará parte do segundo álbum, a ser lançado em 2019.

Deltino Guerreiro canta profissionalmente desde 2015, depois de ter sido lançado pela Kongoloti Records. Já ganhou prémios em dois anos consecutivos na categoria de Artista Revelação e Melhor Voz no Ngoma Moçambique (2015 & 2016). Para além da música “Sonho”, que retrata o desejo de todo mundo querer ser rico, com colaboração da cantora Joss Stone, cantora e compositora inglesa de soul e R&B e actriz, vencedora de vários Brit Awards e de um Grammy Award.

 

Mbate Pedro volta a participar num encontro literário no estrangeiro. Quinta-feira, entre 18h e 20h, o poeta e editor da Cavalo do Mar vai conversar sobre “Livro e tecnologia” na segunda edição do Festival Luso-Afro-Brasileiro (FESTLAB), em Luanda (Angola).

Tal como o nome do festival sugere, este é um evento que junta autores africanos, europeus e brasileiros para, no caso do painel do artista moçambicano, discutir: (i) a criação de uma rede de agentes culturais e recursos electrónicos literários na CPLP; (ii) tecnologia como aliada aos meios tradicionais de criação literária contemporânea e (iii) novas perspectivas de difusão literária.

Mesmo sem ser a primeira vez que Mbate Pedro vai participar numa sessão de género, longe disso, o autor de Vácuos está expectante porque, como tem dito, faltam encontros com escritores e académicos em África. Conforme explica o poeta, é mais fácil encontrar-se com outros autores africanos em Portugal ou no Brasil do que num país africano. Aliás, este será o primeiro encontro de Mbate Pedro com escritores de língua portuguesa num país africano que não seja o seu.

Mbate acredita que o FESTLAB será uma oportunidade de os participantes pensarem na circulação do livro e no mercado editorial ainda contraído. “No meu caso, por exemplo, interessa-me saber o que Angola e Cabo Verde estão a fazer para formar novos leitores. Estava a faltar esta coisa de festivais serem mais inclusivos ao nível do nosso continente. Uma literatura que se quer saudável deve ter este tipo de encontros”.

A partir das discussões no FESTLAB, o poeta prevê que autores dos países envolvidos e as suas obras possam ser mais conhecidas a nível continental. Aliado a isso… “é possível que o festival influencie a criação de desenho de política de livros mais a ver com a realidade africana. E, não menos importante, pode ser que Portugal e Brasil prestem mais atenção para a literatura feita África”.

Não obstante, o editor da Cavalo do Mar é a favor de um incentivo às editoras que teima em não surgir. Mbate entende que, se o Ministério da Cultura e Turismo quiser que os autores moçambicanos sejam conhecidos em Angola ou Brasil deve criar incentivos financeiros para as editoras estrangeiras concorrerem para publicar obras nacionais nos países onde se encontram, como acontece em outras realidades.  

Enquanto o incentivo literário ministerial não aparece, Mbate conta que os autores nacionais vão fazendo o que podem de modo a divulgarem novos talentos. Nesse aspecto, “Ungulani Ba Ka Khosa desempenha um papel importante, quando está fora do país. Ele sempre fala de novos autores, tem levado nossos livros sempre que possível e tem influenciado ao nosso favor como Secretário-Geral da AEMO. A maneira como Ungulani fala de nós em festivais literários no estrangeiro ajuda-nos muito na inserção”.

O FESTLAB decorre de 15 a 18 deste mês, com o lema “Fazer, falar, viver”.

Três países numa mesa

Dois autores vão conversar com Mbate Pedro na mesa literária “Livro e tecnologia” na capital angolana. São os casos de Felipe Fortuna e Orlando Piedade. O primeiro é brasileiro. É poeta, ensaísta, diplomata e mestre em Literatura Brasileira. Tem 15 livros publicados. O segundo orador do painel de Mbate Pedro é são-tomense. É prémio literário Francisco José Tenreiro 2015. O último romance de Piedade narra a história de crianças judias enviadas, em 1493, para povoar São Tomé e Príncipe.

Sobre Mbate Pedro já se sabe. É poeta e editor da Cavalo do Mar. Com Debaixo do Silêncio que Arde foi distinguido com o Prémio BCI (para o melhor livro do ano publicado em Moçambique) e com uma menção honrosa do Prémio Glória de Sant’Anna (Portugal).

O FESTLAB é organizado pelo Centro Cultural Brasil-Angola e pela Embaixada do Brasil em Luanda. O festival tem a curadoria de José Luís Mendonça e Nídia Klein.  

O principal objetivo da segunda edição do festival, que, ano passado, contou com a participação de Ungulani Ba Ka Khosa, é o de celebrar a Língua Portuguesa em suas variantes, por meio de debates com especialistas, escritores e público em geral sobre questões lusófonas actuais.

 

 

 

O grupo Girassol, em coordenação com a Companhia JGM-João Garcia Miguel, de Portugal, vai adaptar o texto de Mia Couto para o teatro. Trata-se de “Mar me quer”, que, em peça, será apresentada no segundo dia da 15ª edição do Festival Internacional Teatro de Inverno (FITI, no Cine-teatro Gil Vicente, em Maputo.

O FITI inicia sábado e tem duração de um mês.  
A JGM está no país pela segunda vez. A primeira foi ano passando, quando adaptou “Nós matamos o Cão-Tinhoso”, de Luís Bernardo Honwana. E voltou para junto do grupo Girassol participar desta edição. “Em Portugal, o trabalho de Mia é conhecido, e isto vai ajudar a criar laços com espaços teatrais no nosso país, por forma a trazer pessoas interessadas à peça”, disse João Garcia Miguel, o Director da JGM, acrescentando: “escolhemos Mia Couto com a esperança de que nos abra uma porta mais rápida para chegarmos ao Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau e mais países falantes da língua portuguesa. Este tipo de projecto precisa circular para poder sobreviver. Acreditamos que nem todos conhecem este texto, e esta é também uma forma de o divulgar e tornar conhecida a escrita moçambicana”.

De acordo com Joaquim Matável, Director do Girassol, a sua relação com a JGM iniciou ano passado, quando esta companhia participou da 14ª edição da FITI”.
Além disso, “a escolha recaiu sobre ‘Mar me quer’ por causa da relação que temos com o mar. Moçambique está banhado pelo oceano Índico do Norte ao Sul”, explicou Matável.

De acordo com Joaquim Matável, o diferencial desta adaptação à moda moçambicana é a performance, a união do movimento do corpo e a riqueza textual num só conjunto.

Com esta iniciativa, cria-se a possibilidade de união entre grupos pequenos de teatro a grandes companhias
“É possível que grupos pequenos como o nosso mantenha relações com grandes companhias, com encenadores renomados como João Garcia Miguel”, reiterou Joaquim Matável.

A peça será interpretada por actores da companhia Girassol, de grupos de teatro amadores e estudantes de teatro da Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane, trazendo como diferencial a dança corporal e muita performance.

Pretende-se que o projecto iniciado em Moçambique chegue a Portugal, Brasil e a outros países africanos falantes da língua portuguesa. Pois vai contribuir para criar maior aproximação entre as culturas e em especial os artistas.

 

 

O maior concurso de música coral do país já vem na quarta gala da sua nona edição. Neste domingo, restaram 19 grupos de um total de 30 que este ano entraram para o concurso a fim de ser vencedor do grande prémio.

Exploração máxima das potencialidades vocais, com recurso a dança e por vezes com instrumentos clássicos ou tradicionais, 22 grupos passaram pelo palco do auditório municipal, Carlos Tembe, na Matola, ontem, naquela que foi a quarta gala da nona edição do concurso FestCoros.

E por que se trata de um concurso, durante as suas performances os grupos deram o melhor de si para não só agradar o júri e o público, mas também para angariar votos e permanecer na disputa do almejado primeiro lugar. Houve aqueles que conseguiram 10 em todas classificações e outros nem por isso, sendo que o cinco foi a nota mais baixa.

E nesta semana, quem ficou em primeiro lugar foi o grupo coral IPM PEPANE. “Nós já tínhamos ficado na berlinda duas vezes consecutivas”, lembra a representante do grupo, Angélica Nhare.
Aliás, os três grupos mais votados da semana, querem continuar em posições cimeiras até ao fim do concurso.

Mas o dia não foi de alegrias para todos. Três grupos foram eliminados. A falta de entendimento entre os membros do grupo é apontado como uma das causas.

“Esta semana nos desentendemos e isso afectou o nosso desempenho. Penso que foi por isso que fomos eliminados”, disse o representante de um dos grupos, Pedro Comé.

O corpo de júri mostrou-se satisfeito com o que viu, mas recomenda mais trabalho aos grupos que seguem para a quinta gala.

Todas as galas da nona edição FestCoros é convidado um grupo coral para fazer uma actuação e encorajar os conconrrentes. E este domingo foi a vez da banda Rejoice. A nona edição do FestCoros arrancou com 30 grupos, sendo que actualmente seguem no concurso 19 grupos que disputam o prémio máximo de 250 mil meticais, apoio de gravação de um CD e um show gravado e exibido pela STV. O segundo classificado irá ganhar 150 mil e o terceiro posicionado terá o prémio de 50 mil meticais. Nesta edição também será premiado o grupo melhor trajado.
 

 

Depois de ter estado no Brasil, o escritor Dany Wambire volta à casa para lançar o livro intitulado “A mulher sobressalente”, no Centro Cultural Brasil-Moçambique. A cerimónia está marada para 18h30, amanhã, em Maputo.

A obra resulta da experiência que o autor tem tido no Brasil ao participar, desde o ano passado, do Festival Literário Internacional de Poços de Caldas – Flipoços.

“Em 2017, tive a primeira experiência de internacionalização das minhas obras ao participar do festival. Este ano voltei ao Brasil para fazer o lançamento do livro ‘A mulher sobressalente’. Comecei a escrevê-lo ano passado, depois de ter feito parte de uma delegação de escritores moçambicanos que participou da 12ª edição do Flipoços”, explicou Wambire.

De acordo com o autor, a colectânea de contos é uma homenagem às mulheres. Bem dito, as estórias têm uma forte presença feminina. Desde os sucessos, fracassos, os desafios que a mulher enfrenta no seu quotidiano.

“Eu sou órfão de pais. Fiquei por muito tempo sob cuidados de mulheres. Muitos ensinamentos foram-me dados por mulheres, por isso senti a necessidade de as destacar e valoriza-las no livro. Quis lançar a obra no mês de Abril, que é o mês da mulher, mas por questões editoriais não foi possível”, revelou Wambire.

Dany Wambire prevê o lançamento de outro livro para o segundo semestre desde ano, igualmente no Brasil. O autor acredita que a leitura dos livros que trouxe do Brasil mudou a sua maneira de ver o mundo, a sua personalidade, e, acima de tudo, melhorou a sua escrita.

O livro será apresentado pela professora universitária Egna Sidumo.

No Brasil, “A mulher sobressalente” foi publicada sob a chancela da editora Malê. Em Moçambique, o livro de contos é publicado pela editora Fundza, que está situada na Beira, onde vive.

 

A obra “Ku Ringhisa”, que inaugurou a 2ª série da 5ª Temporada de Música Clássica, igualmente, encerrou o Xiquitsi. “Ku Ringhisa” foi executado pelo aluno do Xiquitsi, Estevão Chissano.

A composição foi interpretada no primeiro e último concerto, pela violinista japonesa Maya Egashira. Para o autor, a experiência constituiu um grande desafio pois, “esta obra é a manifestação das minhas origens e a intenção era mostrar um pouco do que é de Moçambique a nível de criação musical para outros cantos do mundo, usando a professora Maya Egashira que é virtuosa no que faz”.

Esta série de concertos de Maio juntou os instrumentistas internacionais Maya Egashira, Peter Martens, Luis Magalhães, David Juritz, Pedro Muñoz, Juan Rivas, Ainoã Cruz, estes dois últimos professores convidados do Xiquitsi.

Para além dos concertos, houve uma exposição de pintura alusiva aos cinco anos do Xiquitsi, do artista e também designer gráfico Titos Pelembe.

 

Lucílio Manjate já lançou o seu mais recente trabalho literário, intitulado “A triste história de Barcolino”.

No dia do lançamento, a sala do Camões esteve cheia, os espectadores estavam de olhos e ouvidos bem atentos, para antes da leitura profunda feita em casa, poderem perceber do que se trata o livro.

Normalmente, as acções falam mais do que qualquer palavra, e essa foi a perspectiva que guiou o resumo de “A triste história de Barcolino, o homem que não sabia morrer”, encenada por um grupo de sete actores.

Ao som da música “É doce morrer no mar”, começaram a encenação. No total, cinco actores, desempenhando o papel de vizinhos de Barcolino, o próprio Barcolino e sua esposa.

Terminada a encenação, a conversa começou, envolvendo o autor e os jornalistas Francisco Manjate e Leonel Matusse.

Ainda na onda da encenação, Leonel Matusse, traz uma reflexão sobre a obra, afirmando que a impressão que se tem ao ler o livro é de que Barcolino é um morto vivo: “No livro, ‘A triste história de Barcolino’, o protagonista é um morto não morto, não é propriamente um fantasma embora se trate de uma assombração em carne e osso, a morte volta a estar presente numa obra de Lucílio Manjate e a ocupar um papel central na narrativa”. Nesta senda, o jornalista Francisco Manjate, acrescenta e questiona o porquê de Lucílio ter a dor como seu principal tema de escrita, já que se sente com destaque em obras como “Silêncios do narrador; “A legítima dor de dona Sebastião” e “Rabhia”. Eis que o autor responde: “Confesso que nunca parei para pensar e sistematizar, o porquê da dor, eu acho que eu aprendi esta dor lendo outros autores, como o Ungulani. Eu não sei se a vida teria sentido sem a dor, se calhar estou preso à dor, mas creio que seja uma dor saudável, uma dor que nos faz andar, acho que aprendi essa gramática da dor da arte, como resultado da tentativa de exorcizar, ou saber lidar com as dores, que neste caso é a morte, digamos que estou a apropriar-me de um legado moçambicano”, disse Manjate.

 “A triste história de Barcolino” está agora disponível nas livrarias nacionais.
 

 

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