O País – A verdade como notícia

O Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário, recebeu, esta tarde, no seu Gabinete, em Maputo, a Bang Entretenimento. Acompanhado de vários outros cantores, o grupo apresentou ao PM o projecto Âncora, que consistes em promover o que a "nova" vaga de autores na área musical tem feito.

Do projecto, segundo Bang, sairão 30 músicas e 30 vídeo-clips. Desse universo, 12 títulos já estão lançados.

 

“Sombra dos sonhos” é o título da colectiva que junta obras da autora marroquina, Imane Idrissi, e da coreana Mi Sook Park. A exposição será inaugurada esta quarta-feira, às 18h, na sede da Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo.

Como o título indica, o conteúdo das obras, a serem expostas até 30 deste mês, sugere precisamente situações de sonhos que permitem interpretações infinitas, as quais, na percepção de Imane Idrissi, no final dependem do olhar, do ângulo e da imaginação de cada pessoa. Propositado ou não, a colectiva possui obras com sombras, que criam a confusão que mescla os sonhos com o real, acredita a artista plástica a viver no país lá vão bons anos: “esta exposição é justamente algo fora do tempo, fora do espaço, suspenso entre o real e o sonho”.

Nas obras que Imane KI leva à colectiva encontra-se uma tela com imagem de uma mulher acorrentada. O título da pintura é "Sofrimento", na qual a artista plástica tentou transcrever todo o sofrimento que pesa sobre uma pessoa, no caso uma mulher. Quanto às correntes? “É uma metáfora de qualquer tipo de constrangimento que nos faz prisioneiros e que acabam nos sufocando; que nos privam de toda a liberdade. E é por isso que há pessoas que não gostam daquela pintura, por aquilo que representa. Mas a arte, sendo uma forma de expressão, não se limita a expressar só a beleza e a alegria, também pode evocar sujeitos tristes e sombrios”.

Em "Sofrimento", de Imane Idrissi, não falta essa subalternização à mulher, afinal até ao séc. XIX, “mesmo na França ‘o país dos direitos humanos’, as mulheres não foram autorizados a usar calças ou votar, e não tinham direito de ter uma conta bancária”.

Além de provocar com propostas que conduzem a uma reflexão sobre a condição da mulher e a liberdade do ser humano, Imani KI mostra-se altruísta nesta colectiva. Por isso, pintou “A caminhada”, que pretende sugerir a escolha de um percurso, escolhido por uma determinada pessoa, sua decisão e determinação.

O que motiva, essencialmente, esta colectiva é a necessidade de as artistas sonharem, “porque o sonho é livre, sonhar não custa nada e faz-nos muito bem. No sonho não existe regras, nem limites nem restrições, nós somos o roteirista de nossa própria história, podemos moldá-la como quisermos e quantas vezes quisermos. Nos sonhos somos o mestre do nosso destino”, proferiu Imane KI.

Ainda na exposição, há crítica a essa cegueira provocada pela ambição causada pelo dinheiro

A exposição “Sombra dos sonhos” possui 24 obras, das quais 18 pertencem a Imane Idrissi, quem investe numa mistura de técnica, com óleo sobre tela, colagem, tecidos e acrílicos.

 

A BDQ Concertos volta à carga, com mais um grande evento de música. Depois de, em Março, ter realizado o segundo volume de Noite de Guitarra, que contou com a participação de Jimmy Dludlu, Richard Bona, Ernie Smith e Albino Mbie, desta vez, a promotora de espectáculos aposta na banda norte-americana The Whispers, para um concerto a realizar-se no dia 24 de Setembro, às 20 horas, no Campus da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo.

A BDQ decidiu trazer mais uma consagrada banda do funk – em 2016 trouxe Kool & The Gang – como forma de dar uma oportunidade aos apreciadores daquele género musical de disfrutar da arte feita por uma das mais importantes bandas de todos os tempos.

Esta será a primeira vez da banda norte-americana em Maputo. E, de acordo com Belmiro Quive, da BDQ Concertos, “é sempre bom quando o país recebe bandas deste nível. Estamos ansiosos e a ansiedade envolve o facto de sabermos que, nesta vinda, a mais valia está na possibilidade de nos deliciarmos de boa música através duma banda homogênea, pois The Whispers toca há mais de 40 anos e há muita experiência para bebermos no próximo show, tanto artistas como os fãs”.

A vinda dos The Whispers não é nada algo ocasional. Longe disso. A banda foi escolhida dentro de um rigor da BDQ, que consiste em manter os seus seguidores. “Temos um público-alvo. Temos seguidores da BDQ Concertos, que admiram o nosso perfil de espectáculo. É nesse pormenor que sempre pensamos, quando escolhemos um determinado artista para actuar na nossa plataforma”, disse Quive, lembrando que a plataforma está além do universo artístico nacional. Afinal, desde o início do projecto que consiste em trazer monstros da música estrangeira ao país e, com isso, colocar Maputo na rota dos grandes concertos internacionais, os espectáculos da BDQ sempre tiveram visitantes de diversos países da SADC. “Hoje dizemos em viva voz que o show não é pensado apenas para Moçambique até porque os The Whispers vem directamente da Califórnia para Maputo. Não irão actuar em nenhum país vizinho. Vem para actuar na casa dos moçambicanos. Moçambicanos estes que estão sempre de portas abertas a receber visitas”, realçou Belmiro Quive, garantido que o show dos The Whispers será de primeira classe, com muito som, muita luz, muito funk e muitos amantes de funk, fazendo-se do evento uma verdadeira festa em forma de espectáculo.

Ao mesmo tempo que a banda da Califórnia tornou-se conhecida pelos seus funks, não deixou de cultivar músicas serenas ou com enorme teor amoroso. Por exemplo, “And the beat goes on”,

“I’m gonna make you my wife” e “Keep on lovin’ me”. E ao tocar amor, a banda dos states é atenta ao efeito taciturno que desse sentimento também advém. Por isso tocou “My illusions”, com um teor catártico, o qual permite fazer da expressão um recurso para não deixar o tecto do amor desabar. Com recurso ao perdão, quando necessário. Exemplo disso é o tema “Tamia”.

Em cada espectáculo que tem organizado, a BDQ Concertos faz questão de juntar, no mesmo palco, artistas nacionais e estrangeiros. A ideia da organização é sempre pôr a identidade artístico-cultural moçambicana nos concertos de dimensão internacional a acontecer em Maputo. Para Setembro, a autora convidada é Lyshannie, mesmo porque desse contacto entre os músicos de cá e de outras origens “resultam parcerias, troca de experiência e, acima de tudo, a exaltação da nossa identidade musical”, assim entende Belmiro Quive.

Ao longo dos cinco anos de exercício, a BDQ Concertos trouxe ao país autores como George Benson, Billy Ocean, Marcus Miller, Norman Brown e Gerald Albright.

Como convidado ao espectáculo de Setembro também estará DJ Sérgio Butler.

A banda numa perspectiva biográfica

The Whispers é uma banda norte-americana criada em Los Angels, na Califórnia, nos Estados Unidos de América. A banda foi criada há 55 anos e, ao longo das décadas, produziu êxitos que a permitiu ser uma das principais vozes românticas de sua geração.

Igualmente, a banda é conhecida pelo seu trabalho de caridade, apoiando jovens e agências de luta contra o cancro.

No seu espólio musical, The Whispers possui sete álbuns de ouro, dois álbuns de platina, American Music Award Nominees, Regional Grammy Governors Award. A banda é autora de obras como Planets of life, Bingo, One for the Money, Happy holidays to you, In the mood, Dr. Love ou Thankful.

 

Depois de grandes exibições dos 14 grupos corais que actuaram no palco do auditório Municipal Carlos Tembe, antigo Cinema 700, na Matola, onde cada um tentava arrancar os quarenta pontos do corpo de júri, ficou-se a saber que o Coral Ebenezer foi o mais votado da semana, lugar que há três galas era ocupado pelo Coral IPM Pepane.

Para a grande final da melhor competição de canto coral do país, seguem ainda os corais IPM Pepane, LENMED Hospital Privado de Maputo, TPM, Wunanga, Hush, Evangelho, Branch of Jesus.

Não seguem para a grande final por insuficiência de votos, os corais Assembleia de Deus Internacional e Betsaida.

Pode-se considerar que esta foi a melhor gala de todas, tendo em conta a pontuação máxima que o júri dava aos grupos corais.

O prémio máximo é de 250 mil meticais, apoio de uma gravação de CD e um concerto produzido pelo STV, o segundo lugar terá o prémio de 150 mil meticais e o terceiro lugar terá 50 mil meticais.

Nesta edição tem ainda o prémio de 50 mil meticais da rubrica indumentária, exclusivamente para o grupo mais bem vestido.

 

A festa do 1 de Junho está longe de chegar ao fim. Esta manhã, crianças entre seis e 12 anos de idade subiram ao palco para demonstrar os talentos que possuem. É MOZKIDS Talents, evento da SOICO com parceria do BancABC.

A primeira categoria aberta ao casting foi Poesia. Nesta, várias crianças declamaram poemas conhecidos, e outros nem por isso. Das propostas apresentadas, o júri apurou as de seis declamadores. Os terceiros melhores classificados foram: Khensani, Helton e Paula.

Depois de poesia, chegou a vez do Teatro. Nesta categoria, foram apurados três meninos, mas o grande destaque foi para Shelton, que actuou num monólogo, criticando a violência doméstica.

Neste momento, o júri está a apurar os meninos que passam para a fase seguinte, na categoria de Instrumentos. Enquanto isso, pais e encarregados se educação não param de chegar com o interesse de inscrever os seus filhos.

 

De longe, é a categoria com mais candidatos: o Canto. No total, são 141 crianças que tentam a sua sorte no Matxikitxiki, em Maputo.

Na verdade, o processo de apuramento para a categoria de Canto, neste dia inaugural do MOZKIDS Talents, começou no fim da manhã de hoje e uma dezena de futuros cantores aguarda a sua vez. A expectativa dos concorrentes e, sobretudo, dos pais e encarregados de educação é enorme, afinal as vagas são 10 para tantos inscritos.

Enquanto o júri avalia os menores, os que já fizeram a sua parte vão brincando aos pula-pula ou jogam voleibol.

A última categoria em disputa, ainda esta tarde, será Dança.

 

Junho é o mês da criança. A pensar nos pequenos, o Grupo SOICO lançou, esta manhã, em Maputo, a primeira edição do MOZKIDS Talents, um concurso direcionado às crianças com objectivo de as inserir no universo artístico e prepará-las para a vida.

O evento conta com parceria do BancABC. E, para que as "flores que nunca murcham" participem, haverá, amanhã, no Matxikitxiki, na zona Costa do Sol, um casting aberto às categorias de Música, Poesia, Teatro e Instrumentos.

 

Fosse vivo, José Craveirinha teria completado 96 anos de idade no passado dia 28 de Maio. Entretanto, lá vão 15 anos sem o poeta-mor da literatura moçambicana. Então, declamadores, artistas, alunos secundários e o público em geral juntaram-se, ontem à noite, para celebrar a obra de quem cantou Moçambique com palavras que pintam afectos e emoções.

O sarau intitulado “José Craveirinha entre a lírica e o poema manifestatário: o eco e as ressonâncias” aconteceu na sede da Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo, num ambiente amistoso, no qual, não se podendo ressuscitar o homem, louvou-se o melhor que se sabe da sua pena. E foi assim: aos “bate e sai” ouviu-se títulos das diversas obras do “velhote”, por exemplo, Karingana ua Karingana, Cela 1, Xigubo e Maria. Entre os declamadores, esses que dizem poesia como quem sobe a um altar, estiveram Guilherme Mussane, Leo Cote, Venâncio Calisto e um trio de amigos cujos versos ofuscaram os nomes. A Fundação Fernando Leite Couto foi um altar e a poesia a canonização de um poeta que, como poucos, descobriu a nação antes mesmo de existir. Craveirinha: J. C., J. Cravo, Mário Vieira ou Abílio Cossa, tudo numa só voz, com ou sem pseudónimos, o consenso na arte da versificação tão bem lembrada na capital do país.

Na Fundação, do primeiro autor africano distinguido com o Camões, o maior prémio literário de língua portuguesa, ouviu-se, entre expectativas e advinhas, poemas como “Grito negro”, “Quero ser tambor”, “Civilização”, “Karingana ua Karingana”, “Subida”, “Reza, Maria” ou “As saborosas tangerinas de Inhambane”, numa alta performance de Leo Cote. Enquanto declamou Craveirinha, o poeta com dois livros publicados tornou-se actor, gesticulando e vibrando a cada força revelada pela palavra: “É sempre uma honra declamar um poeta que não só foi importante para a história política e social como também foi para a história literária. Por isso criou discípulos, casos de Sangare Okapi, Rogério Manjate e, mesmo antes, Luís Carlos Patraquim”, convicção de Leo Cote.

O recital de poesia de ontem serviu e muito para lembrar, como se fosse possível esquecer, que José Craveirinha deixou uma fortuna em espólio literário, com essa capacidade de fazer da sua cultura rhonga ou algarvia um pretexto para conquistar a universalidade.

Além de Cote, quem também se rendeu, com palavras próprias, ao poeta-mor, foi Guilherme Mussane: “Craveirinha é aquele homem que esteve no chão daquilo que nós consideramos vaticínios infalíveis. É de Craveirinha e de outros autores da sua geração que nasceram as ideias que iluminaram a gesta libertadora deste país. Então, celebrar José Craveirinha é olhar para a história e ver de onde nós viemos”. Concordando com essas palavras, Venâncio Calisto, que, esta semana, encenou a peça (Des)mascarado, com Lucrécia Paco e Rita Couto, depois de declamar, acrescentou: “Todos nós que acabamos entrando para arte passamos por José Craveirinha. É um poeta muito forte, profundo e actual”. No entanto, a actualidade, aos olhos dos mais novos, “rejeita-o”. Por isso, não se está a explorar Craveirinha “porque o sistema tem problemas, que o impede de divulgar a literatura e os autores moçambicanos, dentro e fora do país. Não temos livros de Craveirinha a preço acessíveis e muitos dos seus livros não estão no mercado”, Leo Cote.

Além dos poemas do herói da Mafalala, no sarau foram declamados textos de Rui Nogar, Noémia de Sousa e do poeta cubano Nicolás Guillen.

José Craveirinha nasceu na então Lourenço Marques e morreu no dia 6 de Fevereiro de 2003, em Joanesburgo, na África do Sul.

 

A Casa da Cultura da cidade de Maputo, antes Casa da Cultura do Alto-maé, completou 40 anos de existência no passado mês de Fevereiro. Porque nunca é tarde para comemorar, a celebração das quatro décadas vai acontecer nesta semana, nos dias 31 deste mês e 2 de Junho, no edifício daquela instituição.

Dança, teatro, exposição de artesanato, pintura, e, claro, música moçambicana, tocada e cantada por alguns dos músicos que muito fazem pela cultura nacional, estarão presentes na avenida que vai ser fechada para acolher o show.

Wazimbo, Xidimingwana, António Marcos, Fernando Luís, Hortêncio Langa, Yolanda Kakana, são alguns dos artistas que se farão presentes, no segundo dia do evento.

E porque a cultura não é só sentida pelos ouvidos, mas vista, percebida e apreciada pelos olhos, a arte estará presente no dia da abertura das celebrações com nomes de Noel Langa, João Timba, Bata, Jorge Dias, Mankeu, Manhiça, Kheto, Abdul Satar, Idasse Tembe, Marcos Pfuka, Ndlozi e Mwandu.

A Casa da Cultura tem como principal objectivo a formação de artistas nas mais diversas actividades relacionadas à arte, desde música, dança, teatro e pintura, como explica o Director da Casa da Cultura da Cidade de Maputo, Jorge Langa: “O objectivo principal das casas da cultura pelo Governo, é, fundamentalmente, o ensino de iniciação artística, ou seja, constitui tarefa da casa da cultura ensinar as crianças, adolescentes, jovens e adultos, a arte”.

Jorge Langa acrescenta ainda que “procuramos ensinar não só o que a pessoa quer aprender, mas o que ela precisa saber. Não basta aprender a tocar uma guitarra, é preciso também tocar um piano ou até mesmo uma timbila. É importante, como músico, ter conhecimento da teoria que gere a música, entender as notas musicais, dominar mais de um instrumento, nós procuramos ensinar a teoria e a prática. Na dança acontece o mesmo, não nos focamos somente em um estilo de dança, mas em todos os possíveis, desde as danças tradicionais às contemporâneas. A Casa da Cultura forma, com o objectivo de criar futuros profissionais da arte, contribuindo assim para o desenvolvimento da cultura em Moçambique.

Questionado sobre como tem sido manter a casa da cultura, Langa assume que “é um grande desafio. Pela nossa vocação, somos uma instituição que lida com pessoas das mais diversas faixas etárias, por exemplo, actualmente, temos um trabalhado com meninos de rua, tentando criar e descobrir neles o gosto pela arte, mas, infelizmente, os mesmos têm, algumas vezes, comportamentos atípicos e acabam por partir e estragar os objectos, danificando tanto os bens como a instituição. Assim, temos que nos preocupar com situações que, normalmente, não deveriam ocorrer, mas este é só um exemplo dos desafios que enfrentamos para manter a instituição”.

Para Jorge Langa, o maior êxito vivido pela Casa da Cultura foi na época em que todos os eventos culturais eram ali planificados.

Actualmente, a Casa da Cultura da Cidade de Maputo desempenha actividades como: formação de músicos, dançarinos, actores, pintores, produção de festivais, saraus e concursos.

Para além da Casa da Cultura da Cidade de Maputo, existem casas da cultura provinciais, em Tete, Manica e Niassa, constituindo plano do governo a criação de mais casas da cultura em todas as províncias do país.

 

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