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O País – A verdade como notícia

O músico moçambicano, Michael do Rosário, vai lançar esta terça-feira a música e o vídeo clipe do seu novo single “Jessica”.

A música conta com a participação de vários artistas como os moçambicanos Stélio Zoé e Nelton Miranda, e dos Estados Unidos Mark G e Cleudir Cardoso.

O músico canta “Jessica” em chuabo, língua da sua terra natal, Quelimane. Jessica retrata a história de uma mulher moçambicana esbelta e apreciado por todos, Para além da beleza, ela é respeitosa, doce e madura o que faz com que Do Rosário revela-se a ela como futuro esposo, lê-se no comunicado enviado à nossa redacção.

De recordar que no início da produção desta música, a produtora, Frends Studios recebeu a visita do Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, que presenciou ao vivo, pelo menos, à captação de bateria e outros instrumentos.

Durante a cerimónia de lançamento será analisado o estágio actual da música moçambicana.

A oficina “Dzongo – técnicas básicas para esculpir em madeira” é para iniciantes e será ministrado pelo escultor Hermínio Nhantumbo, no dia 15 de setembro, em Cuiabá, Brasil.

O artista conduzirá os alunos a despertar habilidades para dar forma à madeira. Ao final, cada participante levará o fruto de seu trabalho. “É a tarefa de reciclar e dar uma destinação útil à madeira”, explica o escultor.

Convidado pela presidente do Instituto de Mulheres Negras de Mato Grosso (Imune), Antonieta Luísa Costa, o escultor Hermínio Luís Nhantumbo vai para Cuiabá ensinar a arte de entalhar e esculpir a madeira transformando-a em belas estátuas e esculturas para o povo de quilombos. A acção tem parceria do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) que é movida pelo intuito de ensinar os habitantes dos quilombos (designados de “quilombolas) mais uma forma de economicamente se auto-sustentar e chamar a atenção para a falta de apoio a essas comunidades. O escultor já fez oficinas na comunidade Mata Cavalo, em Nossa Senhora do Livramento, e ainda ministrará aulas em quilombos de Santo António do Leverger, Poconé e Barra do Brugres.

“Nós que somos escultores não queremos contribuir para a devastação da natureza. Nós queremos preservar a natureza. Precisamos do meio ambiente. O meio ambiente faz bem para o mundo. Sabemos que agora temos problemas climáticos e temos que combater. Então, a madeira que usamos é aquela que seca e perda sua vida depois de anos”, disse o escultor.

Antonieta Costa, a presidente do Instituto de Mulheres Negras de Mato Grosso (Imune), disse que: “É interessante que o Hermínio também tem obras voltadas para as mulheres negras, e por que chama atenção? Porque ainda impera o machismo e isso não é nós quem estamos dizendo, são as pesquisas. As pesquisas apontam que as mulheres negras da região Centro, Oeste são as que se encontram em piores estados de exclusão e a gente também precisa fomentar as políticas públicas para elas. E nessa oficina a gente não só ensina escultura, mas também trabalha a identidade. O Hermínio é muito bom para discutir isso”, finalizou.

A oficina básica para esculpir em madeira tem o apoio cultural do Teatro do Cerrado Zulmira Canavarros. Para a diretora do espaço cênico, Daniella Paula Oliveira, estimular tal iniciativa “é uma grande alegria”. “Estamos sempre disponíveis para firmar parcerias de incentivo à cultura, especialmente com foco em manter o maior número de equipamentos culturais abertos à sociedade. E é nossa meta transpor as paredes do Teatro Zulmira e levar as artes para todo lugar”, afirmou a directora.

Natural da cidade de Matola, Hermínio se interessou pelas artes plásticas em 2010 e teve como professor um dos grandes escultores jovens, Alex Simões Ferreira, conhecido como Alexandria, assassinado em 2013 por populares.

 

 

 

 

Há um Barrigudo por se conhecer em Moçambique: bem redondinho, daí ser alvo de muita troça num dos textos de Hélder Muteia. Na verdade, “Barrigudo” intitula o conto inaugural do novo livro do membro fundador da Charrua. A obra em causa, O barrigudo e outros contos, será lançada às 17h da próxima quinta-feira, no Auditório do BCI, em Maputo, e, segundo o autor, oferece uma visão diferente do mundo.

Os textos mais antigos desta colectânea de Muteia foram escritos há mais ou menos trinta anos, no entanto o livro inclui ainda contos produzidos na década de 90 e no princípio de 2000. Em geral, as histórias do autor reflectem não apenas a realidade da ocasião em que foram escritas, mas também as diversas facetas que o autor foi assumindo no momento em que as escreveu. Talvez por isso, explica o escritor: “Cada conto no livro tem a sua personalidade, mensagem e sugestão emotiva, porque em cada texto procuro sugerir várias emoções que terminam com uma emoção maior. Neste livro há textos virados para o amor, para o quotidiano e para o cidadão comum, com uma linguagem simples. Assim, é difícil encontrar um denominador comum”.

Ao longo das três décadas de entrega à literatura, Hélder Muteia publicou quatro obras literárias, o que não é de todo muito. Para que não haja qualquer equívoco, o escritor e poeta reitera o seu compromisso com a literatura, garantindo que continua a escrever com o mesmo entusiasmo. “O que tem falhado um pouco é a actividade de publicação. Tenho muita coisa escrita e decidi que, a partir de agora, vou começar a publicar mais. O meu percurso teve várias curvas e contracurvas, teve momentos em que participei da vida política, teve momentos em que estive mais no associativismo literário, na Charrua e na Associação dos Escritores em geral. Algumas dessas curvas e contracurvas impediram-me a actividade editorial. Mas, desde já, prometo que passo a publicar pelo menos um livro por ano, para compensar o tempo em que, digamos, estive um pouco no matope da história, do ponto de vista literário”. E o escritor diz mais: “Se em algum momento falhei no compromisso com a escrita, que fique vincado que agora vou acertar o passo com os meus leitores”.

O primeiro texto do livro, “O barrigudo”, foi escrito em memória das vítimas do bombardeamento do Apartheid, na Matola.

Desenvolvimento da literatura depende de políticas claras

Reflectindo sobre o nível de produção literária no país, Hélder Muteia não duvida de que as letras moçambicanas estão a evoluir. “Temos uma história que passou por poesia de combate, em que a Charrua contribuiu para a sua ruptura, abrindo um leque para que a nossa literatura ficasse mais surpreendente. Hoje temos uma nova geração de autores, que traz sugestões interessantes de se ler, o que revela que a literatura moçambicana vai continuar a avançar”.

Ainda assim, é preciso que algumas coisas aconteçam no que diz respeito à consolidação das políticas de apoio à cultura e à literatura. Bem dito, Muteia entende que Moçambique necessita de políticas claras para que se fomente o hábito de leitura, afinal sem leitores não há escritores e sem ambos a sociedade perde a consciência colectiva, que, de certa forma, fica maltratada quando não se partilham valores culturais: “Moçambique vale-se muito da sua diversidade cultural e grande parte dessa diversidade reflecte-se melhor através da literatura. Então, é necessário que esta arte prevaleça e os leitores compreendam as mensagens que são transmitidas por via dos livros. As políticas que promovem a leitura começam sempre na escola e até mesmo na educação pré-primária. Tenho a experiência de trabalhar em alguns países, como a Nigéria, com uma política de promoção da leitura que acontece de forma dinâmica e moderna. Por isso, ao nível das escolas nigerianas, nota-se que há uma sede pela leitura, pelo conhecimento e de percorrer as páginas dos livros e dos jornais. Isso não vem por acaso, depende de políticas claras. Nisso o Estado tem responsabilidade de, através de políticas, promover o que é bom e reprimir o que é mau”.

O barrigudo e outros contos será apresentado por António Barros.

O Centro Cultural Franco-Moçambicano acolhe no seu auditório, o lançamento do livro "Ilha de Moçambique. Uma herança ambígua", de Séverine Cachat, na próxima quarta-feira, 05 de Setembro, às 17h.

O evento enquadra-se nas comemorações do bicentenário em Setembro de 2018 do bicentenário Ilha de Moçambique, e é organizado pela Embaixada de França, em parceria com a Associação Franco-Moçambicano de Ciências Humanas e Sociais (AFRAMO) e a editora Alcance.

Séverine Cachat  é antropóloga e Directora da Casa das Culturas do Mundo (Maison des Cultures du Monde) e do Centro Francês do Património Cultural Imaterial.

Segundo um comunicado do CCFM, enviado à nossa redacção, este é o sexto livro da série "Olhares cruzados França-Moçambique" lançado em 2015 pela Embaixada de França em Moçambique, em parceria com o AFRAMO que visa publicar as obras de pesquisadores franceses e moçambicanos sobre Moçambique e o Oceano Indico, no contexto de projectos colectivos ou pessoais.

Séverine Cachat  vai efectuar uma digressão de promoção do livro por Moçambique, onde dará várias palestras, começando pela Ilha no dia 03 de Setembro de 2018, na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Unilurio, em seguida em Nampula na Universidade Pedagógica, no dia 4 de Setembro e por fim no CCFM de Maputo, em 5 de Setembro de 2018.

Cá estamos novamente. Testemunhamos a dura de ser músico num país onde parece que a arte só serve para divertir e não fazer viver. Com quantas interrogações pode-se escrever o manual de dúvidas sobre o ser músico em nosso país. Parece que os da “velha guarda” são esquecidos e guardados numa velha mala de memórias amargas. A lista é enorme dos músicos que morreram sem nenhum amparo ou intensidade da alegria que nos proporcionaram com as suas músicas.

Chorou-se muito, na última sexta-feira, quando o caixão descia. Era um caixão que carregava o corpo de Zeca Murrasse. Era pesado porque tinha um duplo peso: corpo desfeito de morte e pobreza alimentada de esquecimento. Chorou-se muito no Cemitério de Michafutene, distrito de Marracuene, província de Maputo. Parecia que as lágrimas queriam inundar as ruas onde Zeca Murrasse navegava como uma folha arrastada pelo vento.

Era manhã de final de Agosto quando Zeca descia para o subsolo da terra; era final de Agosto e fim de Zeca Murrasse. Teve caixão porque houve quem deu o que tinha. Nas redes sociais grupos de admiradores partilhavam o contacto da Tia Joana, irmã do Zeca, e transferiam em diversas vias moedas para ajudar na partida final do músico.

Nos anos 90, aquando da criação da Banda Halakhavuma, Zeca Murrasse, foi escolhido como vocalista principal. Que vocalista principal? Nos últimos dias, Zeca, era vocalista das ruas da cidade de Maputo. Algemado de sujidade, com o cabelo alisado por falta de pente, carregando sacos cheios de “loucura” era assim que podia ser encontrado. A música “Mamana wa Murrasse” encenou-se na sua vida. Triste realidade. Cantou uma música triste e a música por sua vez cantou a sua vida triste.

E a estupidez pode falar mais alto e perguntar a nossa insensatez: “quem morreu? Um louco qualquer ou um músico?”. É verdade que morreu um músico, mas um lugar vazio vai ficar nas ruas da cidade. Zeca Murrasse cantou com outros monstros como Filipe Nhassavele, João Bata e Diniz Magaia. E o caixão desceu no Cemitério de Michafutene. E os choros trovejavam no meio de tudo isso. Desceu o caixão carregado pelo corpo de Zeca. Os pés de Zeca, aqueles que tatuavam passos em todos cantos da cidade, estavam ali parados, congelados pela morte e sem nenhum movimento mínimo. E desceu o caixão. Miguel Torga já dizia “a maior desgraça que pode acontecer a um artista é começar pela literatura, em vez de começar pela vida” e aconteceu uma desgraça inversa a Zeca Murrasse: começou pela música e não pela vida. Zeca Murrasse. Zeca.

 

Depois de ser apresentada no Centro Cultural Português, Camões, Maputo de 11 de Abril a 1 de Junho, a Exposição Moçambique-José Cabral chega à província de Sofala, concretamente na Beira.

A exposição estará patente no Camões – Centro Cultural Português, Pólo da Beira, onde ficará patente até dia 5 de Outubro, de segunda a sexta-feira, das 08h00 às 18h00, conforme um comunicado da instituição, enviado à nossa redacção.

A Exposição é uma apresentação antológica inédita do trabalho do fotógrafo moçambicano José Cabral que resulta de uma parceria entre o Camões – Centro Cultural Português em Maputo e a Associação Kulungwana.

 Com curadoria de Filipe Branquinho e Alexandre Pomar, a exposição Moçambique-José Cabral reúne um conjunto alargado de fotografias, entre provas de autor e novas impressões, que foram apresentadas em dois espaços da cidade de Maputo, nomeadamente o Camões e a Galeria da Associação Kulungwana.

A exposição é acompanhada do livro Moçambique-José Cabral, uma edição bilingue (português/inglês), que reúne mais de 100 fotografias de José Cabral e inclui textos do coordenador e de Drew Thompson (Estados Unidos da América).

 

“Mulheres com câmaras” é um workshop organizado pela cineasta e produtora audiovisual Samira Vera-Cruz, de Cabo Verde e Ariadine Zampaulo, cineasta e argumentista, brasileira, com duração de dois dias, em Maputo. O encontro cingiu-se em apresentar e debater sobre o que é ser mulher audiovisual e os desafios de ser uma profissional inserida numa área que é dominada pelos indivíduos do sexo masculino.

A conversa fixou-se em muitos momentos como exemplos de iniciativas positivas de mulheres ao redor do mundo, que estão a buscar melhorias na forma como a Mulher é representada nos produtos audiovisuais.

“Em alguns momentos fui colocada para fazer trabalhos considerados subalternos, enquanto sabia operar uma câmara, mas por ser mulher havia um cepticismo por parte das outras pessoas que trabalhavam comigo” disse Aridiane.

A iniciativa visa reflectir e articular a questão das mulheres no audiovisual na realidade moçambicana, valorizando a presença feminina neste seguimento e na sociedade. De acordo com Aleixo, cineasta e participante do workshop, é importante que as pessoas tenham uma “educação cultural, porque esta parte de casa, não é como a formal que só se tem depois de alguns anos de vida”, é nessa educação cultural que as mulheres aprendem que podem fazer o que quiserem, na área que for interessante para elas.

Para Samira Vera-Cruz, é importante unir mulheres que estão a trabalhar no mundo audiovisual, “talvez juntas possam se posicionar” e não se deixar intimidar pelo preconceito e demonstrar abordagens próprias nas artes visuais.

Em paralelo à programação do encontro, houve uma componente prática de análise de vídeos em curta-metragem e debate em torno dos mesmos. O que permitiu a oportunidade para levantar o debate sobre a posição da mulher no mundo.

A Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) lança a Iniciativa Ovedekula-Fundo de Literatura e Leitura, uma iniciativa que visa impulsionar o desenvolvimento de hábitos de leitura.

O objectivo da iniciativa é de implementar estratégias viradas à elevação dos níveis de leitura junto das camadas estudantis, materializando um conjunto de medidas destinadas a promover o alargamento e aprofundamento dos hábitos de leitura.

O secretário-geral da AEMO, Ungulani Ba Ka Khosa, disse que a iniciativa Ovedekula é uma ferramenta importante de transformação social, pois despertará em muitas crianças e jovens o interesse pela leitura.

Ungulani acrescenta, ainda, que com a iniciativa estão previstas criações de núcleos escolares de leitura, reedição e promoção de clássicos da literatura moçambicana

Segundo Ungulani, ao propiciar o contacto com diferentes géneros literários, no seio das camadas infanto-juvenis, com particular incidência nas escolas públicas, a Iniciativa Ovedekula pretende ainda “influenciar a sociedade para adopção de hábitos de leitura, contribuindo deste modo para a melhoria do rendimento escolar e elevação do nível de cultura e de cidadania da juventude moçambicana”, frisou.
 Literatura, Ovedekula, AEMO

Uma colectânea de livros do Prémio Camões 2013 será lançada, em breve, na língua de Xi Jinping.

O livro clássico da literatura moçambicana, “Terra Sonâmbula”, estará brevemente disponível em mandarim, língua falada por 1,4 biliões de pessoas na China, após os entendimentos nesse sentido entre o autor, Mia Couto e as várias entidades responsáveis pelo trabalho de publicação. No mesmo bornal, estão também contempladas as obras do prolífero escritor moçambicano “A Confissão da Leoa” e “Jerusalém” que vão trazer, aos chineses amantes da literatura, uma amostra da realidade sociocultural de Moçambique, através da ficção literária.

Na sua recente visita à China, que foi também a primeira ao país asiático, para discutir os vários aspectos relativos ao processo de publicação de livros, Mia Couto manteve um breve contacto deixou ficar as impressões sobre a ligação entre Moçambique e a China mas, desta feita, através do universo literário.

“Acho que a literatura é um bom princípio para mostrar que Moçambique é mais do que esse estereótipo, essa construção que a gente faz sobre o outro. A literatura fala de pessoas concretas, da diversidade que há em Moçambique, porque nós somos um país. Claro que não se compara com o tamanho da China, mas sendo um país que é muito longo, alberga várias etnias, várias culturas, várias línguas e Moçambique é tudo isso”, disse Mia Couto.

A escolha das obras, segundo o autor, foi da editora em parceria com o agente literário, que quiseram estabelecer uma simbiose entre os romances mais actuais, neste caso “Jerusalém” e “A Confissão da Leoa”, mas sem deixar de fora o clássico “Terra Sonambula”, com 224 páginas, publicado em 1992 e reeditado em 2006.

O livro “Terra Sonambula” está nesta colectânea porque, segundo afirmou o autor, constitui um marco no seu percurso literário, porquanto é o mais traduzido e mais premiado, daí o interesse da parte chinesa que o romance sirva de pilar neste intercâmbio.

O autor de “Terra Sonambula” disse ainda que já estão em processo de tradução para a subsequente publicação a trilogia sobre Ngungunhana, imperador que governou a região sul do país até ao fim do século XIX, e será também publicada uma história para crianças, em livro ainda por editar.

 

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