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O País – A verdade como notícia

Documentário de Chico Carneiro e Catarina Simão retrata a vida de Carlos Jambo com referência a algumas fotografias marcantes do antigo fotógrafo-guerrilheiro. 

O auditório do Centro Cultural Franco-Moçambicano, na cidade de Maputo, foi o local escolhido para a exibição do documentário de Chico Carneiro e Catarina Simão. A sessão promocional do filme realizou-se a dias e contou com uma conversa entre aquele realizador brasileiro, a viver no país lá vão mais de 35 anos, e os espectadores, que, publicamente, reconheceram terem-se identificado com o conceito e história do filme.

O documentário tem como protagonista Carlos Jambo, antigo fotógrafo guerrilheiro que, ainda jovem, foi para Tanzânia, onde teve a formação político-militar, com a intenção de fazer a luta armada de libertação nacional. Na Tanzânia, Jambo tornou-se fotógrafo e, nessa condição, documentou parte da luta armada de libertação nacional nas zonas libertadas: Cabo Delgado, Niassa e Tete. Mais tarde, o fotógrafo-guerrilheiro aprendeu a fazer vídeo, passando a ser operador de câmara de Samora Machel até à queda do avião Tupolov 134, em Mbuzini, África do Sul, onde o primeiro presidente moçambicano morreu em 1986. Jambo foi um dos sobreviventes desse acidente.

Com este filme, que recupera espaços simbólicos como Mueda, personagens e factos históricos como o Acordo de Nkomati, Chico Carneiro pretende contribuir para a preservação da memória colectiva dos moçambicanos. E o cineasta acrescenta: “Mais do que preencher uma lacuna, ao nível da memória, penso que o filme dá-nos a possibilidade de discutir as diversas versões da história de Moçambique. Em geral, a história é feita pela versão do vencedor, mas há que considerar várias versões que também complementam a história, versões que precisam ser vistas, revistas e conferidas. O filme tem uma forte contribuição para dar nesse aspecto”.

Chico Carneiro, depois da exibição do filme, já em conversa com os espectadores no Franco-Moçambicano, chamou atenção para o facto de a história de Moçambique, em grande parte oral, estar a perder-se à medida que as pessoas que combateram o regime colonial português estão a morrer. Ora, mesmo a história registada, garante Carneiro, também está a perder-se. Nisso o cineasta referiu-se ao estado de deterioração do material em vídeo arquivado na e pela televisão pública. O mesmo acontece com o material que contém imagens únicas sobre Samora Machel, conservado, quer dizer, armazenado no Arquivo Histórico de Moçambique. O material em causa, por não se ter dado a devida atenção, segundo Carneiro, está perdido porque, actualmente, já nem se encontram máquinas capazes de reconhecer os formatos ultrapassados usados durante a filmagem. E Carneiro ainda deixou um reparo sobre filmes que não são produzidos no país. “Por exemplo, não conheço nenhum filme feito sobre a história do destacamento feminino e sobre a importância do contributo das mulheres na consolidação da luta armada de libertação de Moçambique”.

A produção de Djambo foi orçada em 50 mil euros, cerca de 3 600 000 meticais, e insere-se num programa da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP), que, pelo terceiro ano, lançou um financiamento para produção de documentários, o que, inclusive, permite o filme Djambo ser exibido em nove países.

O projecto de Chico Carneiro e Catarina Simão começou a ser produzido em 2016, tendo sido filmado em três semanas, com muitas viagens feitas de carro pelo país, mesmo com essa intenção de reconstruir momentos da vida de um homem que em si é parte da história de Moçambique.

O filme “Na linha da frente: Os Fiscais do Parque Nacional da Gorongosa” ganhou o prémio “Sol de Ouro”, como melhor documentário no Festival Internacional de Cinema do Meio Ambiente (FICMA), em Barcelona. O filme conta uma história inspiradora, com uma mensagem sobre como proteger os parques e reservas nacionais de Moçambique.

A advogada especializada em direitos animais e membro do júri do FICMA 2018, Anna Mulà, explicou que o rigor da encenação, no filme, direciona o espectador para o grave problema da caça furtiva e o seu impacto na conservação das espécies.

“O foco dos realizadores em relação às vidas das pessoas que estão "na linha de frente" para lutar contra esse tráfico ilegal, faz com que o espectador se possa aproximar das suas histórias e compartilhar, com muita generosidade, um final brilhante, com a destruição das armadilhas, que fará com que tudo adquira significado e valor”, explicou Mulà.

O filme será exibido no Centro Cultural Franco-Moçambicano, no dia 13 de Novembro, durante o Festival de Cinema de Maputo.

O Cine Teatro Gil Vicente acolhe a última temporada de música clássica Xiquitsi 2018. O evento será realizado pela Associação para o Desenvolvimento Cultural, Kulungwana. O evento inclui actuações de orquestra e coro Xiquitsi, que vai partilhar o palco com vários astros da música e cultura moçambicana.

A organização do projecto procurou, durante cinco anos, massificar a música clássica no país, com projectos de integração social. Este ano o projecto homenageia o maestro venezuelano, José António Abreu, mentor do El-Sistema, projecto que inspira o Xiquitsi.

A directora artística do Xiquitsi, Kika Materula, disse que os cinco anos do projecto foram de muitos desafios, dificuldades e conquistas.
 “Hoje, o Xiquitsi é um sonho tornado realidade e que só tem sido possível devido a vários apoios de carácter institucional, empresas privadas e contribuições individuais”, disse.

A actual Temporada do Xiquitsi, que chega ao fim, decorre sob o lema “Cinco anos, cinco Séries”, pelo facto deste ser o quinto ano de existência do projecto.

O evento que será realizado no dia 16 de Novembro conta com a participação dos irmãos Willy e Aníbal, Yolanda Kakana, Wazimbo, Mingas, Stewart Sukuma, as instrumentistas Iliane Simão e Adenilda Munguambe, sob direcção do ilustre maestro Peruano David Claudio.

A Associação Literária Kulemba apresentou em Nhamatanda “À volta da fogueira”, trata-se de uma antologia de contos tradicionais escritos por alunos do ensino primário. O livro é composto por um total de 20 contos.

Dos cerca de 1700 contos escritos pelos alunos, 20 foram antologiados pelos activistas da associação Kulemba, que foram apresentados durante o encerramento do 3º Concurso de Redacção de Contos Tradicionais .

Na ocasião, Dany Wambire destacou a importância do livro e do concurso em si, tendo afirmado que se trata de um livro escrito pelos alunos e para eles mesmos, sendo usado na sala de aula como material de leitura.

 “Os adultos diziam que as crianças não sabem nada, não são honestas, não têm amor pelo trabalho, não ouvem aos mais velhos. Então, através de um programa como este, nós na Kulemba decidimos mostrar aos adultos que as crianças sabem alguma coisa. Pedimos aos mais velhos que contassem histórias para as crianças escreverem. Hoje temos este livro” – explicou Wambire.

Coube ao administrador de Nhamatanda, Tomé José, dirigir a cerimónia de encerramento do certame, o mesmo mostrou-se satisfeito com a iniciativa e disse que a acção da Kulemba é mais uma prova de que com a força de vontade tudo é possível.

“É preciso lermos muito para ganharmos o conhecimento e também podermos escrever”.

O grande prémio do concurso foi ganho por Anguista Tomás, aluna da Escola Primária Completa de Nharichonga, tendo recebido das mãos do Administrador do Distrito, um computador laptop, pasta, livros infanto-juvenis, diploma de mérito, camiseta distintiva e cinco exemplares da antologia “À volta da fogueira” com as 20 melhores histórias escritas pelos alunos de Nhamatanda.

Associação Literária Kulemba é uma agremiação sem fins-lucrativos sedeada na cidade da Beira, com o objectivo de fomentar a leitura em todas as camadas sociais, através de concurso de redacção de contos tradicionais, oficinas de leitura, edição da Revista Soletras, entres outras actividades.

Para celebrar o mês da Consciência Negra, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) realiza uma série de actividades em Novembro. São conferências, seminários, rodas de conversa, oficinas, exposições e apresentações culturais, em vários campi da universidade e também fora dela.

Entre os destaques da programação estão o IV Simpósio de Literatura Negra Ibero-Americana, incluindo uma mesa sobre literatura infantil de temática africana e afro-brasileira, e um seminário sobre a presença negra no Paraná, que acontecerá de 21 a 23 de Novembro.

A UFPR também receberá, para palestras e conferências, da escritora moçambicana Paulina Chiziane e o professor de filosofia, ensaísta e crítico Dionísio Bahule. Haverá ainda lançamentos de livros, mesas redondas, sarau e, no dia 18, uma homenagem aos 110 anos da umbanda. No dia 24, acontecerá o evento “Pensando a universidade para a população negra e construção de um calendário de actividades para 2019.

O Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de Novembro, foi instituído oficialmente pela lei nº 12.519, de 10 de Novembro de 2011. A data faz referência à morte de Zumbi, o então líder do Quilombo dos Palmares – situado entre os Estados de Alagoas e Pernambuco, na região Nordeste do Brasil.

Zumbi foi morto em 1695, na referida data, por bandeirantes liderados por Domingos Jorge Velho. A data de sua morte, descoberta por historiadores no início da década de 1970, motivou membros do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial, em um congresso realizado em 1978, no contexto da Ditadura Militar Brasileira, a elegerem a figura de Zumbi como um símbolo da luta e resistência dos negros escravizados no Brasil, bem como da luta por direitos que seus descendentes reivindicam.

Refira-se que a autora do Sétimo Juramento já foi condecorada pelo Brasil, através do Centro Cultural Brasil-Moçambique, com o diploma de ordem do Cruzeiro do Sul. Trata-se de uma ordem constituída logo após a independência do Brasil e que invoca uma estrela lá do Brasil.

 

 

É apresentado, nesta segunda-feira, na Arena das Artes, Brasil, o monólogo Nos tempos de Ngungunhana; trata-se de uma representação de Klemente Tsamba adaptada da obra de Ungulani Ba Ka Khosa.

Nos tempos de Gungunhana é uma peça de teatro baseada na tradição oral, onde um único elemento se desdobra em vários personagens para, com a cumplicidade do público, retratar alguns episódios mágicos paralelos à vida do célebre rei tribal moçambicano Gungunhana.

O texto da peça é em parte uma recolha dos relatos de “Ualalapi”, obra premiada do escritor moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa, condecorado pelo estado português com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, pelo seu contributo para a divulgação da literatura e da cultura moçambicana, e da língua portuguesa, internacionalmente. Nos tempos de Gungunhana é um conjunto de histórias dentro de uma história, uma obra que parte de um tempo histórico e de uma
cultura particular para depois seguir numa viagem universalista e sem fronteiras.

A apresentação será feita no âmbito da programação das 20 atracções culturais, como espectáculos teatrais, performances e oficinas gratuitas serão realizadas em Maringá. A programação vai até 18 de Novembro e faz parte da 3ª edição da “Só em Cena – Mostra de Solos e Monólogos”, que neste ano traz atracções regionais e internacionais de Moçambique e Angola.

A abertura da programação na última sexta-feira será com o espectáculo “Calango deu – os causos da dona Zaninha”. Durante a mostra, serão apresentadas quatro performances de Maringá e 10 espectáculos de cidades como Londrina, Canoas (RS), Porto Alegre (RS), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Goiânia (GO), Natal (RN) e Moçambique e Portugal. Haverá duas apresentações culturais acompanhadas por interpretes  de libras.

Além dos espectáculos, serão realizadas duas oficinas, lançamento de livro, acção formativa e bate-papo após as apresentações. A ideia do projecto organizado pelo grupo “2 Coelhos Comunicação e Cultura” é aumentar a oferta de opções culturais na cidade e promover o diálogo entre os artistas locais e convidados.

A curadora da mostra de solos e monólogos, Rachel Coelho, disse que a organização procurou trazer a diversidade regional e geográfica nesta edição do evento. “A gente está bem feliz de poder dar continuidade para esse projecto, que já teve duas edições incríveis, sempre em Novembro”.

Esta apresentação era suposto que acontecesse, na sexta-feira, dia 09, no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), o evento "Génesis Live – concerto coreográfico"; mas devido às comemorações do Dia da Cidade, na Praça da Independência, acabou sendo adiado.

 "Génesis Live – concerto coreográfico" de Allan e Ídio Chichava vai ser apresentado no mesmo local no dia 07 de Dezembro, as 19h. O mesmo contará com a participação da Banda Dugê, Case Buyakah, JR New Joint e Edna Jaime.

O espectáculo caracteriza-se pelo rap de intervenção social e motivacional, materializado pelo micro do rapper Allan. Este projecto evoca um conceito espacial bastante revolucionário na performance hip-hop, observando sempre o conceito bíblico de família, escrito no livro de Génesis, contextualizando uma história cheia de altos e baixos, que são temperaturas que anunciam um espectáculo com um estado de tempo agitado.

 

 

 

A dois dias das celebrações dos 131 anos, a cidade de Maputo recebeu ontem um presente de aniversário: o livro que revive o dia-a-dia da periferia da antiga Lourenço Marques. A história é contada pela vovó Nely Nyaka.

Alguém se lembra da antiga Lourenço Marques? Ou como era a vida nos seus subúrbios? Para os mais novos, viajar nas histórias de vida da periferia da Grande Cidade poderá ser revelador. Para os mais velhos, ler Mahanyela será uma viagem ao passado.

Mahanyela é a obra através da qual a Nely Nhaka revive o dia-a-dia dos bairros periféricos da antiga Lourenço Marques, a partir dos anos vinte do século passado.

Apesar do brilho da obra, a filha que traduziu de ronga para português os cenários desenhados pela mãe, revelou que não foi fácil radiografar a antiga Lourenço Marques. Afinal, vovô Nely, como é carinhosamente tratada, já tem uma idade avançada e há memórias que lhe escapam.           

Sempre bem-humorada, a autora não quis alongar-se, até porque o livro certamente falará por si. Vovô Nely limitou-se a agradecer.

Quem também agradece é a literatura moçambicana que ganha uma obra que se distingue pelo posicionamento da autora como mulher, mãe, esposa e dona de casa.

Mas “a vida na periferia da grande cidade” traz mais do que uma perspectiva feminista, ela rebusca valores perdidos.

Com 98 anos de idade, Vovô Nely entra no mundo das letras com a “Mahanyela: a vida na periferia da grande cidade”.

Em forma de concerto, a banda integrada por brasileiros e moçambicanos vai homenagear,  no CCBM, dois autores da Música Popular Brasileira.

Há concerto, nesta sexta-feira, no Centro Cultural Brasil Moçambique (CCBM). Quando os ponteiros do relógio atingirem 19h, a Banda Mistura Fina vai apresentar-se com um "Tributo a Alcione e Alexandre Pires”, cantores brasileiros.

A ideia desta homenagem musical surge porque, de acordo com Beatriz Megessane, integrante da banda, durante as apresentações de Mistura Fina, os membros notaram que o público constituído por moçambicanos e brasileiros residentes no país pediam muito as músicas de Alcione e Alexandre Pires, e, portanto: “Isto nos sinalizou o grande carinho que o público em geral tem por estes cantores, daí a ideia do tributo”. Assim sendo, com o concerto, garante a brasileira, o público que for ao CCBM irá ganhar momentos de descontração, alegria, e a oportunidade de ouvir alguns dos maiores sucessos daqueles autores da Música Popular Brasileira.

O espectáculo de logo à noite será essencialmente de música, é certo, mas não só, afinal outras manifestações artísticas, como dança e interpretação, serão convocadas. De igual modo, Expedito Araújo, actor brasileiro, contará algumas curiosidades da vida de Alcione e Pires.

Além de cantar músicas dos homegeados, a Banda Mistura Fina vai interpretar temas musicais de outros cantores brasileiros bem conhecidos pelo público moçambicano, num espectáculo que vai durar perto de hora e meia, pensado para um auditório diversificado: jovens, adultos, velhos, empresários e donas de casa.

Mas por que tributar aqueles autores brasileiros em Moçambique? Beatriz Megessane responde: “É uma forma de homenagear a obra destes cantores em vida,  e também presentear ao público com os maiores sucessos dos seus ídolos”.

Fora o concerto desta noite, Mistura Fina já actuou em várias circunstâncias em Maputo, principalmente, como no Restaurante Mar na Brasa, para onde tem ido uma vez em cada dois meses, Restaurante Marítimo, Casa da Maria, CCBM, Winer lovers, Soul Gourmet, em Pretória, na Embaixada do Brasil, Escola Portuguesa e Bar e Bar.

Neste tributo duplo, a banda tem como convidado especial, além de Expedito Araújo, actualmente radicado em Maputo, o músico moçambicano Jesse Malunguissa: “A escolha dos dois se deu porque Expedito já conhecíamos de trabalhos como actor reconhecido no eixo Rio/São Paulo, e Jesse porque possui muita afinidade com a música brasileira e aqui em Moçambique tivemos algumas oportunidades de ver os dois juntos actuando neste formato de música e história em tributos que juntos realizaram a nomes como Djavan, Tim Maia  e Jorge Vercílio”.

AS MISTURAS DE UMA BANDA FINA

A Banda Mistura Fina foi fundada em Outubro de 2014, na cidade de Maputo, num evento que resultou do encontro dos músicos brasileiros: Claudinho, Josias, Sebastian e Bia. A banda também conta com dois moçambicanos: Mauro Paulo, professor de teclado, arranjador e tecladista, e Sílio Gonçalves, baterista.

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