O País – A verdade como notícia

É amanha que Tchakaze vai apresentar-se em concerto "Txukela", no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM). Trata-se de um concerto que vai trazer ao público aquilo que constitui o álbum que tem o mesmo nome.

Numa tradução livre podemos dizer que "Txukela" é o nome que carrega o açúcar por cá. E como será servida por uma voz podemos, ainda, dizer que é o açúcar da melodia ou do timbre. Talvez, foi assim que Tchakaze pensou o concerto.

Este concerto, "Txukela", é no fundo um pré-lançamento do primeiro álbum que carrega o mesmo nome. A artista objectiva publicar o álbum próximo ano, em Janeiro. Enquanto o álbum não chega Tchakaze achou melhor servir-nos com a sua voz reduzidas porções desse açúcar. O Tchukela é um concerto que anuncia o álbum. Este concerto vai trazer ao público aquilo que vai constituir o álbum. Alguns temas que farão parte do concerto estão no álbum. Devo dizer que ao participar do concerto pode-se ter, depois, uma mínima ideia do álbum", segredo-nos a cantora, intérprete e compositora.

O concerto terá a participação especial dos músicos Deltino Guerreiro, Aniano Tamele e do poeta/declamador Tchaka Waka Bantu. São diversas gerações que estarão num só palco. Deltino e Tchaka participarão do concerto com a mesma força e talento que emprestaram no registo de alguns números que compõem esse álbum. Sobre o filho de Zeburani, Aniano Tamele, Tchakaze diz: "o Aniano vem para representar as influências da minha infância. E musico que me inspirou e continua inspirando-me. Por outro lado é uma forma de coloca-lo a representar a geração dos mais velhos".

A curiosidade levou-nos a questionar a artista sobre o conteúdo que faz parte do álbum a ser lançado em Janeiro. "No álbum há uma fusão de diversos estilos musicais, uma espécie de afro-fusão. Não fujo daquilo que é o meu característico: o Afro. Mas temos Pandza, Marrabenta; em suma posso dizer que é uma colecção de estilos tradicionais de Moçambique".

De nome verdadeiro Teresa Rangel Semende, Tchakaze nasceu em Maio de 1990. Natural de Maputo, cresceu no bairro de Malhazine. Sempre gostou de cantar e foi destaque em grupos de canto na Igreja Metodista Unida, onde é crente. Aos 17 anos, pela primeira vez, teve o privilégio de subir a um palco como corista do músico Peny Peny, na companhia das irmãs Belita e Domingas juntamente com a banda Omba Mô. Permaneceu com esta banda algum tempo, fazendo coros para vários artistas moçambicanos até que começou a profissionalizar sua carreira. Esse sonho começa na banda Tangalane, onde era vocalista principal até fins de 2010. Em 2014, entra para Indústria de Bom Som (IBS), onde grava sua primeira música a solo “Nkata”. Logo em seguida lança a música “Donguissa”, que lhe valeu dois prémios: Melhor canção pela 99FM e Revelação Feminina no Ngoma.

 

Foi lançado, hoje, no Camões – Centro Cultural Português, o livro “Em Busca do Mar Certo” de Cri Essencia. Trata-se, na verdade, de um livro que já está na prateleira pública, todavia em outra língua, Inglês; "In Search Of An Accepting Sea" foi apresentado a dois anos na Casa de Moçambique em UK. E desta vez veio com a estampa da língua portuguesa e chama-se “Em Busca do Mar Certo”.

A ansiedade era muito visível no aspecto dos participantes da cerimónia. Todos tinham já visto o livro, em Inglês, e aguardando-o com muita ansia e curiosidade na língua portuguesa. Aliás, em algumas linhas fica-se com a impressão de se estar perante uma obra biografia; aquilo que se chama auto-ficção.

Neste livro questões como feitiçaria (moçambicana e africana), conflitos familiares são colocadas frente-a-frente com outras realidades do mundo. Esses são apenas alguns problemas retratados de vários. Todavia, o aspecto que pode bem resumir a maior parte do livro é o de choque cultural. É um livro que procura entender levantar perguntas e inquietações sobre como as pessoas reagem quando colocadas num universo diferente do seu.

Este livro, outrossim, segundo a autora, descreve o percurso de uma mulher ilegal mas com boa conduta idónea, que após a morte da mãe, ainda que sem dinheiro para continuar com os estudos, decidiu não voltar para Moçambique. Preferiu navegar por marés desconhecidas, em busca do pico mais alto da existência. Sabia que voltar para casa era um dado adquirido, mas tencionava adiar tal regresso, para que não tivesse de se confrontar com o irmão, na luta pela herança que a mãe deixara.

A autora disse no acto do lançamento que o livro “fala de uma estudante que se chama Paula que passa por Portugal, Holanda e tantos países. Trata de problemas familiares que essa estudante teve no seu país de origem (Moçambique) antes de viajar. São problemas ligados à sua mãe, uma comerciante informal no início da abertura do mercado nos noventa”.

Por seu lado, o apresentador do livro, Cristiano Matsinhe (docente da Universidade Eduardo Mondlane), começou a sua intervenção mostrando preferência pela capa inglês, porque a versão portuguesa parecia-se mais com uma obra infanto-juvenil.

“Este livro cabe a todos e pode ser lido por diversas gerações. Vale pela possibilidade ser atrativo por várias gerações. É preciso uma grande dose de ousadia e confiança para escrever uma obra quase semi-biográfica no auge da carreira estudantil”.

Cri Essencia, segundo o Cristiano, conta a sua história. Cri Essencia nasceu em Maputo e estudou na Escola Secundária Francisco Manyanga. Jurista pela Universidade de Lisboa e realizou um Mestrado pela University of Groningen. Atualmente vive e trabalha em Londres.

 

Não se trata de um concurso qualquer, é o Oceanos, um dos mais prestigiados prémios literários de língua portuguesa. E os livros dos dois autores com Moçambique no Coração também não são quaisquer. Logo se vê, afinal são finalistas naquele prémio literário aberto aos autores da CPLP, no Brasil. Ambos os livros de poesia, O deus restante, de Luís Carlos Patraquim, e Vácuos, de Mbate Pedro, editados pela Cavalo do Mar, na colecção Filhos do Vento, estão, com efeito, entre os 10 finalistas do prémio de literatura, anunciou, ontem, o júri.

As obras literárias O deus restante e Vácuos destacaram-se de um total de 1364 livros escritos em português e provenientes de vários cantos do mundo. Daquele universo de livros, o júri, constituído por autores e críticos de literatura de Angola, Brasil e Portugal rendeu-se a 10 propostas, das quais cinco atinentes à categoria de poesia, quatro à categoria de romance e uma à categoria de contos.

Para Mbate Pedro, o facto de os dois livros fazerem parte da fase final do Prémio Oceanos representa o reconhecimento poético-literário do bom momento que a literatura moçambicana está a travessar nos últimos anos, com poesia de qualidade escrita por poetas como Sangare Okapi ou Andes Chivangue, “devedores de uma geração que nos antecede, casos de Luís Carlos Patraquim, Eduardo White e Armando Artur”. E, como editor da Cavalo do Mar? “É uma luz no fundo do túnel para uma editora pequena, com dificuldades de sobreviver num ambiente hostil. A venda do livro tem reduzido no país e a Cavalo teve que sair do espaço que alugava por questões financeiras”.

O deus restante e Vácuos são os únicos livros de autores africanos que fazem parte do top 10 do Oceanos deste ano. Aliás, desde que o prémio foi instituído, lembra Mbate Pedro, “esta é a primeira vez que chegam à final daquele prémio literários escritores africanos”.

 A lista dos 10 finalistas do Oceanos inclui ainda cinco autores brasileiros e três portugueses.

O Prémio Oceanos de literatura foi instituído há 15 anos, na altura, designava-se Prémio Portugal Telecom de Literatura. A partir de 2015, o concurso ganhou um novo nome.

O grande vencedor do Prémio Oceanos será anunciado no dia 7 de Dezembro e será laureado com um montante correspondente a 1 500 000 meticais, a mesma quantia que Ungulani Ba Ka Khosa encaixou com a distinção Prémio José Craveirinha 2018, na passada sexta-feira, numa cerimónia realizada na vila do Songo, em Tete.  

 

Depois de Ungulani Ba Ka Khosa, Brasil, através da sua embaixada, condecorou, uma vez mais, o músico Stewart Sukuma.

A Medalha da Legião Paranaense do Expedicionário foi colocada, como forma de reconhecimento, a Stewart Sukuma pelo Embaixador do Brasil, Rodrigo Baena Soares. Trata-se de um reconhecimento que mostra que Brasil “curva-se” à produção musical do músico moçambicano. O principal pretexto dessa condecoração aponta que Sukuma é agente artístico que transmite valores culturais de Moçambique ao mundo.

“Constitui para mim uma verdadeira honra transmitir valores culturais de Moçambique ao mundo”, disse Sukuma. A condecoração teve lugar no passado dia 23 do mês em curso.

Stewart Sukuma realizou um espectáculo com interpretações ao seu estilo de diversos artistas e temas brasileiros, no Centro Cultural Brasil-Moçambique, no passado dia 25 de Outubro. A apresentação foi aberta ao público e constituiu um momento único para reviver os grandes célebres da Música Popular Brasileira – MPB.

Luís Pereira, conhecido como Stewart Sukuma é um cantor moçambicano. Seu nome artístico – Stewart Sukuma – significa ‘Levantar’ em Zulu e ‘Empurrar’ em suaíli. Nasceu em 1963, em Cuamba, província do Niassa em Moçambique . Vindo de uma família modesta, ele logo percebeu sua paixão pela música e em 1977 ele mudou-se para a capital Maputo, onde aprendeu a tocar violão, percussão e piano. Em 1982 ele juntou-se a um grupo de música como vocalista.

Em 1983 ele gravou uma canção para a estação de rádio nacional – Rádio Moçambique – e no mesmo ano foi agraciado com o prêmio nacional de melhor artista revelação. Suas músicas começaram a passar com frequência na rádio, e ele se tornou o “cantor do povo”. Ele eventualmente trabalhado com a banda Orquestra Marrabenta Star. Mais tarde ele mudou-se para a África do Sul, onde ele lançou seu álbum Afrikiti em 1995.

Além da Orquestra Marrabenta Star fez parte de vários projectos e bandas entre eles, Alambique como percussionista/vocal, Mbila como vocalista e Formação 82 como percussionista/vocal. Em 1998, Sukuma mudou-se para Boston, Massachusetts, onde ingressou na Berklee College of Music sendo o primeiro moçambicano a entrar nessa instituição.

Stewart já dividiu o palco com vários outros grandes artistas africanos como Angellique Kidjo, Ibrahim Abdullah, Oumou Sangare e Hugh Masekela . Desde 2009 tem digressões pela Europa e América Latina, apresentando em festivais como o Festival da Quaresma na Eslovénia, o Festival Kasumama na Áustria, o Festival der Kulturen na Alemanha, Tom de Festa e World Music festival em Portugal. No Brasil ele actuou no Itaú Cultural em São Paulo e no Flimar em Maceió. Na África do Sul participou do Cape Town International Jazz Festival.

Ele ganhou o prêmio Ngoma em 1983 e logo se tornou um dos cantores mais tocados nas rádios nacionais de Moçambique, sendo descrito como "o vocalista masculino mais popular de Moçambique. Suas obras principais incluem canções como Felisminha, Xitchuketa Marrabenta, Sumanga, cantadas em línguas que incluem o Português, Inglês, suaíli e Echwabo.

Refira-se que num passado muito recente, a embaixada do Brasil "curvou-se" ao escritor do "Ualalapi" com a Ordem de Rio Branco. Uma insígnia, considerada uma das mais importantes condecorações do Brasil.

 

"Sebastião Alba visto por mim" é o título do livro de Cheina, Jorge Manuel Carneiro Gonçalves, irmão de Sebastião Alba que foi lançado recentemente em Maputo.

"…como Jesus, Nazareno, era amigo de pescadores, peço-lhe, nestes dias, que aplaque os ventos da minha alma" assim escreveu Sebastião em "Ventos da Minha Alma". E os ventos da alma de Sebastião Alba foram aplacadas, não por Jesus Cristo, mas pelo seu irmão, Cheina. Aliás, Alba era um dos "nossos Deuses" como bem o disse José Craveirinha.

Foi a 14 de Outubro do ano 2000 que Sebastião Alba perdeu a vida na sua terra natal, Braga. Terra que lhe viu a nascer em 1940 e como forma de recordar os 18 anos sem Alba, Jorge Manuel Carneiro Gonçalves, ou simplesmente Cheina, irmão de Sebastião Alba, decidiu compilar em livros o Sebastião Alba que conheceu; e como forma de rotular essa intenção chamou o livro de "Sebastião Alba visto por mim". Trata-se de um livro que procura esclarecer pequenos equívocos que foram enraizados antes e depois da morte de Sebastião Alba.

A apresentação do livro esteve a cargo do escritor Suleimane Cassamo. Cassamo destacou a importância que Alba tem nas linhas da literatura nacional e lusófona. Para Cassamo, Sebastião Alba é um autor que deve ser sempre estudado, visto que influenciou uma boa parte de poetas e escritores que temos hoje em dia como referências da nossa produção literária.

"Sebastião Alba visto por mim" reúne textos que dizem respeito alguns episódios da vida de Sebastião Alba, como poeta, irmão e amigo desde a sua infância até a sua morte. "Nestes apontamentos, tenho tentado aproximar-me o mais possível, de alguns estados de espírito de Sebastião Alba. Porém, tenho a certeza que se fossem escritos pelo nosso irmão António Carneiro Gonçalves e os não assinasse, ninguém saberia qual dos dois, os teria elaborado. Esta a grande dor que nos vai a todos no coração, desde 20 de Janeiro de 1974" disse Cheina.

"Um dos grandiosos deuses humildes da palavra", foi assim como José Craveirinha se referiu a figura de Sebastião Alba. O Ritmo do Presságio, A Noite Dividida são obras destacadas e com diversas edições de Sebastião Alba. Alba faleceu com 60 anos depois de ser sido atropelado numa rodovia em Braga. "Esquecido" na morgue, apesar de ter nos bolsos vários documentos de identificação. A irmã localiza-o quase três dias depois do acidente. Deixou um bilhete dirigido ao irmão: "Se um dia encontrarem o teu irmão Dinis, o espólio será fácil de verificar: dois sapatos, a roupa do corpo e alguns papéis que a polícia não entenderá ".

O autor do livro, Cheina, nasceu em 1942 em Trás-os-Montes, Portugal e cresceu em Tete. Piloto reformado da aviação civil.

 

O poema “Sugar a tempestade da infância” do poeta M. P. Bonde ficou em segundo lugar no Prémio Escriba da Poesia 2018. O poema faz parte de um projecto, poético, já terminado intitulado “Se eu pudesse agora e sempre produzir alvoradas”. “Ensaios Poéticos” foi o conjunto de textos que lançou o poeta às prateleiras literárias nacionais. Depois veio o livro “A descrição das sombras” – Prémio Literário Fernando Leite Couto.

“A minha participação neste concurso visava procurar uma maior visibilidade do meu trabalho visto que a literatura não tem fronteiras. Sendo de um país periférico a nossa inserção no sistema literário passa também por participar em antologias e concursos literários organizados em países falantes de Português”, disse o Poeta.

Por outro lado, o autor de “A descrição das sombras” refere que talvez essa distinção, nas terras de Vinícius de Moraes, possa ser um estímulo para conseguir uma boa distribuição e muitos leitores dentro do espaço literário brasileiro e não só. “O Brasil nos últimos anos tem tido preocupação com a literatura feita em África e neste sentido, achei importante participar deste concurso”.

Sobre a poesia de Bonde, o poeta moçambicano Luís Carlos Patraquim disse: “a poesia de Bonde tem como patrono um poeta lírico, delicado e luminoso e universal, que pegue no cajado nodoso do pastoreio dos gados de deus e lhes alime as farpas e as aguce se necessário e lentamente, por uma vida longa, ao menos contemple o ouro alquímico”.

O concurso é organizado pela Prefeitura do Município de Piracicaba, por meio da SemacTur (Secretaria Municipal da Ação Cultural e Turismo) e Biblioteca Pública Municipal “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto” do Estado de São Paulo.

O Prémio Escriba é um concurso literário de projecção que recebe trabalhos em português vindos de todo o Brasil e também de outros países, notadamente Portugal, Angola, Moçambique, Estados Unidos, Japão, entre outros. O Prémio teve sua primeira edição em 1990, na modalidade Poesias. Em 1997, foi instituída a edição para Contos, e, a partir de então, os dois géneros passaram a se alternar a cada ano. Em 2011, foi criado o Prêmio Escriba de Crónicas, completando o anseio da Organização e dos Participantes de abarcar mais amplamente os géneros literários. Dessa forma, alternando anualmente Poesias, Contos e Crônicas, o Escriba chega, em 2018, com o 14º Prêmio Escriba de Poesia, a sua 26ª edição.

M.P.Bonde nasceu a 12 de Janeiro de 1980 em Maputo. Foi membro do projecto (JoAC) Jovens e Amigos da Cultura entre 2003-2004. Em 2004 é convidado para fazer parte do grupo Arrabenta Xithokozelo onde animam as noites de poesia e música no Modaskavulu do Teatro Avenida. Tem textos publicados na colectânea Arqueologia da Palavra, e em revistas electrónicas.

 

A Galeria Kulungwana acolheu, na sexta-feira, o lançamento de um projecto que visa imortalizar os artistas e figuras nacionais. O primeiro escolhido, pelo projecto, é o fotojornalista moçambicano: Ricardo Rangel.

Entre o jazz, a fotografia e conversa foi celebrado Ricardo Rangel na galeria Kulungwana; aliás, a noite foi denominada "a lente e o jazz". Rangel foi celebrado no âmbito do lançamento do projecto onde Stewart Sukuma é mentor.

O projecto visa imortalizar e divulgar os feitos de artistas que se dedicaram à arte e cultura moçambicana.

É importante revalorizar a cultura e as artes nacionais e uma das formas é rescrever a trajectória dos homens que fizeram e deram suas vidas às artes e culturas, disse Sukuma.

E como o dia era de Ricardo Rangel, João Costa ou simplesmente Funcho, sublinhou o espaço especial que a obra do seu antigo colega das lentes ocupa nas linhas da história do fotojornalismo nacional.

Rangel além de ser um homem que vivia entre lentes, era um devoto de jazz. E para conciliar a fotografia exposta no Kulungwana com o jazz, o Malhangalene Jazz Quartet animou a noite.

 

Sérgio Muiambo vai apresentar o seu primeiro CD "Moringane", em concerto, no dia 27 de Outubro, no Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlane (UEM). Trata-se de uma obra rica em ritmos, com destaque para o afro-jazz.

Uma mensagem musical que mergulha e se recompõe no multilinguístico e no multi-rítmico; assim pode ser classificado o "Moringane" de Sérgio Muiambo. Um CD que, depois da pré-venda, será colocado na prateleira pública, no dia 27 do mês em curso, no Centro Cultural da UEM.

Sérgio Muiambo quer transformar esse concerto em um verdadeiro momento de interlace de ritmos, línguas e novas possibilidades musicais.

"Moringane" é um CD que surge da mão dum artista multifacetado. Esse CD é Também um registo histórico, em formas de notas, que conta o percurso artístico de Sérgio Muiambo. De bailarino ao canto e do canto ao CD.

O concerto de apresentação de "Moringane" contará com a participação especial de Zoco Dimande, Wazimbo, SG e Tchakaze. O mesmo conta com 15 faixas musicais.

 

25 mil dólares é taco. E o valor não se estima calculando o que pode comprar, mas, neste caso, pelo simbolismo que transporta. Foi esta a ideia que Ungulani Ba Ka Khosa transmitiu ao auditório que aderiu à cerimónia na qual foi laureado Prémio José Craveirinha 2018, realizada na vila do Songo, no distrito de Cahora Bassa, em Tete, na última sexta-feira.

Visivelmente emocionado quando a Mestre-de-Cerimónias pronunciou seu pseudónimo, convidando-lhe para ir receber o cheque gigante, com aqueles números tão sedutores quando acompanhados das letrinhas mágicas USD, o escritor levantou-se com prontidão, virou-se para o público – maioritariamente constituído por alunos da escola secundária trajados de uniforme verde e branco –, levantou bem hirtos os braços como se festejasse um golo decisivo, que os mambas nunca marcam, e sorriu, como se gritasse: “o taco é meu. É meu e agora é que aqueles dois quartos que estou a construir com a minha mulher em Marracuene finalmente terminam”. O que até aí era uma cerimónia formal, com protocolos, foi transformado por Ungulani num encontro de amigos, gerando gargalhadas acompanhadas de palmas espontâneas.

Foi naquele ambiente que Ungulani Ba Ka Khosa recebeu o reconhecimento por, de acordo com os membros do Júri, constituído por Gilberto Matusse (presidente), Fátima Mendonça, Manuel Tomé, Armando Artur e Artur Bernardo (vogais), inspirar novos autores moçambicanos, que, inclusive, adoptam a forma de escrita do autor recém-laureado. Paralelamente a esse feito, a decisão de premiar Ungulani prendeu-se ao facto do escritor ter: co-fundado a revista Charrua, que contribuiu para robustecer a literatura e cultura moçambicanas, com a sugestão de um novo modelo de escrita; desempenhado funções de relevo, com impacto no país, como guionista no Instituto Nacional do Cinema, Secretário-Geral na AEMO e director no Instituto Nacional do Livro e do Disco. Na percepção dos membros do Júri, igualmente, Khosa, contribui para o crescimento da literatura e cultura moçambicanas através de intervenções e edições da sua obra no estrangeiro e por ter escrito um dos melhores livros africanos do séc. XX.

Momentos depois de receber o Prémio José Craveirinha, o escritor não se deixou levar por falsas humildades. Foi directo ao afirmar que já previa obter tal reconhecimento, pois, segundo suas próprias palavras, de todos que a HCB pagou a passagem para participarem da cerimónia, não viu um candidato tão favorito quanto ele. Mesmo sem ninguém ter-lhe dito alguma coisa, confiante, Ungulani ligou para Salomé, a esposa, e adiantou que o prémio seria seu. Previsão acertada, o autor de Ualalapi somou mais um reconhecimento literário nesses mais de 30 anos de dedicação à escrita.

MAIOR PRÉMIO LITERÁRIO DO PAÍS

O Prémio José Craveirinha foi instituído em 2003. Desse ano até 2007, o prémio distinguiu o melhor livro do ano. A partir de 2009, foi remodelado, passando, desde então, a laurear a carreira de um escritor, poeta ou ensaísta moçambicano cujo impacto da sua obra seja acentuado para o enriquecimento da arte literária e cultura moçambicanas.

Ungulani Ba Ka Khosa é o sexto autor a ser atribuído o prémio carreira que já conquistou em 2007, quando se distinguiu o livro Os sobreviventes da noite. Antes de Ungulani, venceram o prémio carreira Fátima Mendonça (2016), Luís Bernardo Honwana (2014), Lília Momplé (2012), Calane da Silva (2011) e Aldino Muianga (2009).

O Prémio José Craveirinha é uma iniciativa criada pela AEMO com patrocínio exclusivo da HCB. Com esta premiação, Ungulani Ba Ka Khosa leva para casa cerca de 1 500 000 meticais.

 

FEIRA DO LIVRO DO SONGO

A cerimónia de premiação de Ungulani Ba Kh Khosa coincidiu com a abertura da sétima edição da Feira do Livro do Songo, igualmente patrocinada pela HCB, empresa que subsidia o preço do livro em 30%, para que as comunidades e mais potenciais leitores possam conseguir pagar. O evento teve intervenção do Governador de Tete, Paulo Auade, quem considerou: “É de grande orgulho para a nossa província, quando, uma empresa de prestígio internacional, como é HCB, patrocina eventos culturais que são já uma referência a nível nacional e internacional. A Feira do Livro do Songo é uma oportunidade para os residentes desta parcela do país conhecerem de perto e interagirem com grandes nomes da literatura moçambicana”.

O principal orador na cerimónia foi Filimone Meigos, quem colocou a importância da leitura no mesmo nível que o da alimentação, pois, para o poeta, enquanto os alimentos satisfazem o organismo, a leitura enriquece a alma. E Nataniel Ngomane, presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa, parceiro da HCB nesta iniciativa, frisou: “Se nós lermos o bastante, vamos crescer bem e buscar melhores soluções para os problemas que afectam o país”.

 

UNGULANI BA KA KHOSA

Prémio José Craveirinha 2018

Um escritor, meus amigos, nunca pensem que tem dinheiro. Mas temos uma coisa: a paixão de escrever. E vocês, acima de tudo, vocês estudantes que têm sempre a paixão de escrever, não pensem que são melhores ou piores que os outros. Não. Todos nós somos como qualquer um. Ser escritor é paciência; ser escritor é encontrar-se. Tenho 61 anos, não tenho nada, mas há uma coisa, sou recebido por governadores. Recebem-me e recebem-me como gente.

PEDRO COUTO

PCA da HCB

O Prémio José Craveirinha é o maior de literatura nacional e um dos maiores dos países de língua oficial portuguesa. O mesmo foi instituído visando impulsionar e alargar a criação e produção literária de qualidade, distinguindo escritores nacionais que se evidenciam pelo seu mérito na concretização desse desiderato. Agradeço à Associação dos Escritores Moçambicanos por se associar à HCB, mantendo vivo o Prémio de Literatura José Craveirinha.

 

CARLOS PARADONA

Secretário-Geral da AEMO

A HCB e a AEMO, com este Prémio José Craveirinha, colhem os frutos que dignificam as nossas artes e o país em geral. Com a instituição desde galardão, os escritores moçambicanos alcançaram maior respeitabilidade nos diversos quadrantes do mundo, porque não passa despercebido do plano internacional. Este prémio foi instituído para fazer jus à dimensão do nosso poeta-mor e queremos enaltecer o comprometido da HCB com a nossa literatura.

 

GILBERTO MATUSSE
Presidente do Júri

Os membros do Júri deliberaram atribuir, por unanimidade, o Prémio José Craveirinha, edição 2018, ao escritor Ungulani Ba Ka Khosa. A decisão do Júri fundamenta-se no seguinte: o escritor, desde o lançamento da sua primeira obra, tem-se assumido como uma voz emblematicamente comprometida com trabalho original e ousado que ano após ano apresenta aos diferentes tipos de leitores inovações nos planos estético-literário, linguístico, filosófico e histórico.

 

 

 

 

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