O País – A verdade como notícia

Escritor publica livro a pensar na promoção da escrita de autores moçambicanos. A cerimónia de lançamento, que terá o Presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa como apresentador, vai realizar-se no Auditória do BCI.

Amanhã à tarde, quando forem 17h, Juvenal Bucuane vai lançar o segundo volume da trilogia Arresto de vozes (ou cúmulo discursivo literário). Enquanto no primeiro livro, lançando ano passado, Bucuane publicou textos de outros autores sobre a sua obra, neste segundo volume resolveu compilar seus prefácios, ensaios e intervenções feitas por si nas cerimónias de lançamento de livro, algumas nunca publicadas. O livro é constituído por três capítulos, dos quais um é dedicado ao período em que o autor exerceu a função de Secretário-Geral da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO).

Juvenal Bucuane decidiu publicar em livro textos sobre obras de outros autores moçambicanos, neste Arresto de vozes, por julgar que tal acto é didático. “Nós sabemos como é que anda a nossa literatura em termos de publicação das recepções dos livros dos nossos escritores. Há muitos textos que são lidos apenas nas cerimónias de lançamento. Depois disso, são várias vezes esquecidos. Não se fala mais do livro. É o problema da crítica literária. Então, decidi levar os textos sobre os livros que escrevi aos leitores para evitar esse esquecimento”. Segundo entende Bucuane, os moçambicanos teimam em perder a memória literária, o que julga derivar da perda do sentido de orientação. Assim, a sociedade torna-se mais consumista do ponto de vista comercial. E acrescenta: “Coisas espirituais, que envolvem a leitura, como discutir a literatura estão muito longe das pessoas. Penso que a nossa sociedade desviou-se um pouco do hábito de leitura, onde descobrimos outras formas de vida”.

Para que o livro chegue a mais pessoas no país, de acordo com o escritor, é preciso que incida mais nos alunos secundários, “porque notamos que há muitos casos de jovens que vão à universidade com défice de conhecimento que se busca nos livros. O ministério da educação deve ocupar-se dessa tarefa. Só assim podemos reverter a situação do défice de leitura, sem grande pressão”.

Deste segundo volume do Arresto de vozes, Juvenal Bucuane espera que mais leitores conheçam as obras dos autores moçambicanos, pelo menos dos que são retratados na obra. Afirmou: “Penso que este é um bom ponto de partida para as instituições que ensinam literatura”.

A cerimónia do lançamento do segundo volume de Arresto de vozes (ou cúmulo discursivo literário) realizar-se-á no Auditório do BCI, na cidade de Maputo. Nataniel Ngomane será o apresentador do livro.

Licínio Azevedo foi o convidado, na tarde desta quarta-feira pela revista Literatas para falar da sua experiência como jornalista e cineasta. O convite foi no âmbito da exposição Pensar Futuro organizado pela revista Literatas.

O Centro Cultural Moçambicano-Alemão (CCMA) foi o local onde jornalistas, estudantes e diversos actores sociais conversaram com o director do Comboio de Sal e Açúcar. Simples no falar, dono de uma memória fina, exacta e, acima de tudo, concisa nas datas e acontecimentos: assim se mostrou o cineasta. Esta conversa foi pensada dentro da exposição Pensar Futuro. Aliás, Azevedo ocupou páginas da edição especial da revista Literatas.

Antes de "esconder" o rosto e a voz por detrás das telas, Azevedo foi jornalista que se dedicava a contar estórias e histórias da América Latina e do Mundo inteiro. Isto serviu de pretexto para accionar a conversa com o cineasta. "Eu antes de fazer cinema fui jornalista no Brasil. Conheci muitos países da América Latina por conta da profissão de jornalista. Fiz uma transição do jornalismo para o documentário e assim cheguei à ficção. Considero-me um filho do jornalismo. Muitos escritores americanos que admirava muito tinham passado pelo jornalismo. E assim segui. Era encantado pelo jornalismo americano". Assim confirmou o cineasta.

O momento serviu para reflectir, em paralelo, a situação da sétima arte a nível nacional. Para Azevedo tinha que se dar muito valor ao cinema, pois essa arte consegue levar a cultura de qualquer país para o palco do mundo. "Em moçambique o problema dramático e trágico é a inexistência de fundos para o cinema. Temos jovens que querem fazer cinema, jovens formados, todavia acabam não tendo muito sucesso para iniciar por falta de fundos. Mas é também um problema de muitos países do Mundo, expecto os Estados Unidos. Por essa dificuldade fazemos três a quatro filmes em cada três anos. E isso é muito pouco". A falta de financiamentos aos filmes acaba condicionando a sua produção e isso leva o cineasta a dizer que já não pode discutir tanto a questão da falta de críticos de cinema: "Por falta de uma produção massiva não podemos falar de críticos de cinema. Os críticos existem onde há produção de filmes com frequência. É preciso que se façam filmes para se ter críticos. Se fazemos um filme por ano que crítica teremos?"

Por sua vez o director da revista Literatas, Eduardo Quive, disse haver necessidade de sempre aproximar artistas e coloca-los a pensar. A pensar sobretudo o futuro da arte e a arte do futuro.

"O objectivo é colocar o público a dialogar com aquele que muitas vezes tem ficado muito distante: o cineasta. E deste modo pretendemos criar um espaço de conversação entre Licínio Azevedo e jornalistas. É uma forma de celebrar os seis anos do Literatas e criando este espaço de diálogo. Licínio é um artista com um pensamento sobre o país, tem memória sobre o mesmo, isso pode ser visto em seus filmes e livros. Em linhas gerais pretendemos pensar a arte do amanha a partir de hoje".

Licínio Azevedo nasceu em 1951 em Porto Alegre, Brasil. É um realizador e escritor brasileiro. Radicado em Moçambique desde 1975, é um dos fundadores da empresa moçambicana de produção de cinema Ébano Multimédia e produtor de vários longas-metragens e documentários No INC (Instituto Nacional de Cinema de Moçambique), participou em experiências de Ruy Guerra e de Jean-Luc Godard. Os seus diversos documentários foram premiados em todo o mundo. A sua primeira ficção (média-metragem) O Grande Bazar foi apresentada em inúmeros festivais.

A Colheita Do Diabo (1988), Marracuene (1990), Adeus RDA (1992), A Árvore dos Antepassados (1994), A Guerra da Água (1996), Tchuma Tchato (1997), A Ilha dos Espíritos (2010), Virgem Margarida (2012) e Comboio de Sal e Açúcar são algumas produções desse cineasta.

Desde o dia 16 de Outubro, está aberta a exposição de capas da 10ª edição da revista Literatas. A mesma, está patente no CCMA até dia 31 de Outubro e é aberta ao público.

 

 

Mais uma vez, Mia Couto é levado ao teatro. No caso, por via de um texto dramatúrgico adaptado por Joaquim Matavel, do Girassol. Assim, na versão daquele grupo teatral, Mar me quer é uma peça em que Zeca Perpétuo dedica-se a conquistar o amor da sua vida, Luarmina, numa relação que se constrói à beira mar.

O espetáculo teatral está em exibição no Teatro Avenida, na cidade de Maputo, desde dia 13 e o mesmo foi preparado durante três semanas, das quais a primeira foi dedicada ao texto e as outras duas ao cenário materializado com técnicas apreendidas da companhia de teatro João Garcia Miguel de Portugal.

Na versão do grupo Girassol, Mar me quer foi estreada no Circuito Internacional de Teatro de Luanda, em Angola. E, este mês, eis que se criou a oportunidade de apresentar ao público moçambicano.

A encenação do espectáculo teatral coube a Joaquim Matavel, mentor do Festival Internacional Teatro de Inverno, e explica a razão da preferência: “Nós pegamos nesta história de um dos nossos grandes escritores por ter a ver com o amor. Nós precisamos de nos amar cada vez mais. Além disso, esta é uma história que nos aproxima ao mar, a nós, os moçambicanos, que somos banhado pelo oceano Índico. Sentimos que de uma ou de outra forma esta peça narra a história de cada moçambicano na relação que se tem com os antepassados”.

A representar o papel de Zeca Perpétuo está, na peça, o actor Horácio Mazuze, quem considera que o espectáculo do Girassol leva ao palco uma mensagem boa de ser partilhada, “numa história bonita e que reflecte muito o amor, a compaixão e amizade comum”.

Se, por um lado, o amor está sempre no ar, por outro, há um personagem determinante na aproximação de Zeca Perpétuo e Luarmina: Avô Celestiano, o conselheiro que aparece para dar luz ao sentimento que o neto tem por Luarmina. Celestiano é o personagem de Rafael Vilanculos na peça que, na sua percepção, justifica ter sido produzida porque “Mia Couto é um escritor de dimensão internacional, com uma escrita muito funcional nos palcos, quer dizer, é muito mais fácil adaptar obras de Mia Couto para o teatro do que qualquer outro escritor moçambicano”.

A última exibição do espectáculo teatral Mar me quer está marcada para próximo sábado, às 18:30h, no Teatro Avenida, em Maputo. 

 

Sol nascente é a nova aposta da Stv para o horário nobre. A telenovela brasileira estreia depois do Jornal da Noite.

A força do querer, telenovela brasileira realizada por Glória Perez e exibida pela Stv, terminou sexta-feira. No entanto, os telespectadores daquele canal televisivo têm razões para continuarem atentos à televisão, não fosse esta segunda-feira haver uma estreia de Sol nascente, nova telenovela que vai entreter e educar os moçambicanos ao longo dos 120 episódios.

 

Sol nascente, da rede Globo, é uma história de amizade, na qual Mário (Bruno Gagliasso) e Alice (Giovanna Antonelli) crescem juntos e, desde a infância, são muito cúmplices. A amizade das famílias a que pertencem os dois personagens começa há mais de cinquenta anos. Apesar das diferenças culturais, os dois clãs familiares ajudam-se muito à chegada ao Brasil e ao longo da vida.

No enredo, o japonês Kazuo Tanaka (Luís Melo), pai de criação de Alice, e os italianos Gaetano de Angeli (Francisco Cuoco) e Geppina de Angeli (Aracy Balabanian), pais de Vittorio (Marcello Novaes) e avós de Mário, estabelecem-se numa sofisticada cidade turística, com praias paradisíacas, música, juventude e muito romance. Nessa atmosfera, Mário e Alice sempre passam férias juntos, com direito a muitos mergulhos. Quando a amiga perde a mãe, ainda criança, é Mário quem mais a ampara. O bom humor e o companheirismo do Bello, como Alice acostuma-se a chamá-lo, são importantíssimos para que ela supere o momento mais difícil de sua vida. Mas o tempo passa e, enquanto Alice se torna uma mulher objectiva e racional, Mário ainda carrega a imaturidade dos tempos da adolescência. Ainda assim, e apesar da diferença de idade, a parceria entre os dois só aumenta ao longo dos anos, e a amizade permanece sólida.

 

Não obstante, tudo muda, quando Alice afasta-se por dois anos para estudar no Japão. Mário percebe então um sentimento antes desconhecido, uma inesperada paixão pela amiga de infância. E, para conquistar a mulher que descobre ter sempre amado, ele vai precisar provar ser o homem dos sonhos dela, terá que amadurecer e transmitir-lhe segurança.

No entanto, Alice logo encontra a estabilidade emocional que tanto valoriza na figura do manipulador Cesar (Rafael Cardoso), que ela conhece no Japão. Hábil e estrategista, ele é o que se pode chamar de lobo em pele de cordeiro. O rapaz vê em Alice o alvo perfeito. Ela se encanta pelo seu jeito atencioso, determinado e maduro, e os dois começam um relacionamento. Quando retornam ao Brasil, Cesar está pronto para, com a ajuda da avó, a inescrupulosa dona Sinhá (Laura Cardoso), casar com Alice e apossar-se da empresa de pescados dos Tanaka. Mas seus motivos não são apenas financeiros, há também desejo de vingança. Um segredo do passado entre as famílias Tanaka e Cardoso será revelado no tempo certo.

Portanto, Sol Nascente, telenovela que hoje estreia na Stv, depois do Jornal da Noite, narra a improvável história de amor entre um homem e uma mulher de temperamentos opostos ligados por uma forte amizade de infância; de duas famílias de culturas bem distintas unidas por uma cumplicidade que atravessa gerações; e de uma cidade que inspira paixões, convidando visitantes e moradores a desfrutar o melhor da vida.

 

 

O pequeno escritor é o título que Júlio Silva escolheu para o seu décimo filme, concebido a pensar nos amantes da literatura moçambicana. Essencialmente, a longa-metragem retrata a paixão de uma criança pelo livro, uma criança que vai crescendo com a paixão de declamar poesia, sempre agarrada aos livros moçambicanos. Em causa está um menino humilde, que, por não poder comprar uma obra sequer, anda de casa em casa para as obter, pedindo-as. Essa paixão da criança passa a despertar interesse dos estudantes, que a procuram por reconhecer nela um mestre da poesia moçambicana.

De modo a ter no filme o maior número de livros possível, nesta tentativa de tributar a literatura e os autores nacionais Júlio Silva conta com a colaboração de alguns poetas e escritores, que lhe enviam os seus originais. O realizador adianta: “Este filme é uma aula sobre a literatura e, em particular, sobre a poesia moçambicana, com jovens que têm capacidade de declamar. Espero que este filme e disco circulem pelas escolas do país, de modo que as crianças comecem a interessar-se pela literatura, com informação sobre os nossos escritores”.

O pequeno escritor está a ser rodado nos arredores de Maputo e em Gaza, em ambientes pelo realizador/escritor considerados pobres, pois com isso pretende demostrar que a literatura não é uma arte elitista.

Paralelamente ao filme produzido pela Associação Cultural Mozbeat, Júlio Silva vai lançar, em breve, um livro, o sexto na conta pessoal, o qual leva o título As palhotas dos meus contos. A colectânea de sete narrativas retrata tudo aquilo que o autor observava nos casebres onde dormia ao longo do território nacional, quando se encontrava a fazer trabalhos de pesquisa ou a rodar filmes. Na obra, Silva aglutina o que absorveu das populações e das circunstâncias em forma de ficção. “A força do povo é oral e eu simplesmente escutava e, depois, quando ia às palhotas a fim de descansar, escrevia para não esquecer de vários momentos. Isso faz com que eu beba muito de várias culturas do país, o que me permite que escreva contos que, depois, levo-os ao cinema, como aconteceu com filme Xikwembu, Correntes da Zambézia, Montanha misteriosa e Lágrimas”.

Esta é forma encontrada por Júlio Silva para levar aos moçambicanos e aos estrangeiros o que caracteriza a cultura moçambicana, os sonhos do povo, os mitos, as crenças, as forças, as fraquezas e inspiração constante sobre a natureza. 

O estilista moçambicano Nivaldo Thierry foi o único estilista africano a representar o continente no Macau Fashion Week. A semana de moda de Macau é um dos grandes eventos desta natureza a nível mundial, daí ser, segundo Thierry, extremamente difícil para um moçambicano ou africano em geral participar.

Thierry diz que foi uma experiência excepcional expor suas criações naquele canto do mundo, na qual concilia a sua internacionalização ao intercâmbio com designers, modelos e equipa de produção.

“Como artista moçambicano, participar nesta semana de moda em Macau foi uma grande honra. Fiquei muito feliz quando recebi o convite e mais feliz ainda quando, ao chegar, a organização disse-me que já havia ouvido falar de mim e que já me queria no evento há algum tempo. Do mesmo modo, sentí-me com uma grande responsabilidade estar a representar o meu país neste que é um dos grandes eventos de moda. Eles estão mil anos adiantados em relação a Moçambique. Então, nos cinco dias em Macau aprendí muito”, disse Thierry.

O evento destina-se a principais marcas de moda de luxo e estilos de vida. Além de desfiles em ambientes incríveis, a organização realiza iniciativas destinadas à indústria da moda e ao público em geral.

O Macau Fashion Week teve lugar em simultâneo com a Feira Internacional de Macau, onde Moçambique também se faz representar por uma delegação encabeçada pelo Ministro da Indústria e Comércio Ragendra de Sousa e outras figuras das artes moçambicanas. Na Feira, o país tem a oportunidade de divulgar as suas potencialidades, juntando entidades como a Câmara de Comércio de Moçambique, APIEX, IPEME, entre outros expositores, lê-se no comunicado .

O jovem estilista moçambicano, tem sido a grande promessa da moda nacional contemporânea, representando Moçambique em eventos com grande destaque a nível internacional.
 

Falar de Marrabenta e não mencionar o seu nome pode constituir, para alguns, um pecado musical. Toca desde miúdo, aliás, conversa com a viola desde que conhece o mundo.

Xidiminguana vai apresentar-se, nesta sexta-feira, através de um concerto ao vivo, na Fundação Fernando Leite Couto, pelas 18h. Trata-se de um concerto que vai colocar o exímio músico em contacto com seus admiradores, amigos, colegas e seguidores. Espera-se que este concerto seja uma verdadeira oportunidade de festa para cantar as célebres canções que marcaram os primeiros passos desse monstro nacional.

Talvez a última que Xidiminguana levantou o público ao passo foi na abertura do VIII Festival Marrabenta, ano passado, na Praça da Independência; onde com o agrupamento  Makwaela dos TPM, Orquestra Djambo, Pedro Ben, Stewart Sukuma, Dilon Ndjindje, Mabessa, Liloca, Roberto Isaías e Mr Bow mostraram o peso que música moçambicana tem quando cantada por cada um.

Conversando com a sua viola e contando estórias através da sua música, o artista ganhou destaque no panorama artístico nacional. Em 1954 chegou à então cidade de Lourenço Marques (Maputo) e conseguiu o seu primeiro trabalho como empregado doméstico, seguido do trabalho nos Caminhos de Ferro de Moçambique até 1996.

Uns colocam Xidiminguana na lista da velha guarda, todavia ele define-se, simplesmente como artista moçambicano que ultrapassa qualquer fronteira temporal e rítmico.

Domingos Honwana, mais conhecido por Xidiminguana, nasceu na província de Gaza, na localidade de Vuthu do distrito de Bilene, a 03 de Agosto de 1936. Filho de pais camponeses, apascentou gado na infância, tal como muitas crianças da sua zona. Em 1949, Xidiminguana aprendeu a tocar a sua primeira viola feita de lata e fios de pesca e no mesmo ano consegue comprar uma guitarra “com um saco de milho de 50Kg”, conta o artista.

Apresentadora de televisão representa o papel de Avó Dezanove na nova longa-metragem do realizador moçambicano. O filme é adaptado do livro de Ondjaki

No backstage do novo filme de João Ribeiro, ainda no processo de produção, O País encontrou uma actriz que não contracenava há mais de 10 anos. A sua última aventura foi na telenovela da TVI, rodada em Moçambique, A joia de África. Com efeito, eis que este ano João Ribeiro resolve convidá-la para assumir um papel importante em Avó Dezanove e o segredo do soviético. Chama-se Anabela Adrianopoulos, apresentadora de televisão que, agora, confessa já há muito ter sentido vontade de voltar às gravações porque, justifica, “representar é uma coisa que fiz quando criança e adolescente, no Txova Xitaduma”. Por essa razão, a actriz confessa que adorou o convite de fazer parte do filme de Ribeiro, mesmo porque é apreciadora da escrita do escritor angolano Ondjaki.

Tendo-se apercebido que a segunda longa-metragem do realizador moçambicano é uma adaptação do livro com o mesmo título de Ondjaki, Anabela, que já tinha lido a obra, foi lá fazer o casting, todavia sem muita esperança em ficar com o papel principal. Após ter sido apurada e atribuída um dos papéis principais, Avó Dezanove, esse é o seu personagem, ficou com uma sensação de não querer fazer mais nada. E além disso, “foi bom reencontrar Ana Magaia, que é uma grande referência nossa nesta área, e o Filimone Meigos, um actor completamente desviado para academia. E ser dirigida por João Ribeiro, contracenar com actores como Dimitry Bogomolov e Flávio Bouraqui, que mais posso querer?”.  

Segundo entende Anabela Adrianopoulos, Avó Dezanove e o segredo do soviético é um filme com um humanismo que fascina, e, por via do personagem que representa, viajou pelo tempo: “o meu personagem devolveu-me aos anos 80, uma época de muito idealismo. Foi maravilhoso fazer um flashback do que vivemos naquela altura e o que as relações humanas provocaram. O regresso ao passado causado pelo filme faz-nos ter a vontade de resgatar os valores que deixamos para trás. Este filme mexeu comigo como pessoa, por causa desse regresso a um passado de grandes sonhos”.

Um dos momentos que marcou Anabela durante a gravação do filme aconteceu logo na primeira cena, rodada no cemitério encerrado, nas esquinas entre Eduardo Mondlane e Karl Marx. “Ali fiquei tocada. É um local histórico e temos ali gente grande das artes e letras moçambicanas enterradas. Aquele abandono é chocante. Acho que, às vezes, nós, os moçambicanos, não sabemos o que temos em mãos”, finalizou, adiando as lágrimas que poderiam jorrar.

 

 

O Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM) acolhe, este sábado a partir das 18h, a final da primeira edição de Batalha de Poesia Falada em Moçambique (Moz Slam). A batalha de poesia é uma prática em torno da palavra que tem na sua base várias regras que envolvem a performance e poesia original dos seus participantes.

A Moz Slam iniciou no Centro Cultural Brasil Moçambique onde a cada apresentação eram selecionados dois vencedores. A final de poesia será disputada por 12 finalistas que serão julgados por membros selecionados da plateia ou por uma comissão de jurados formado por cinco pessoas.

Não existe um estilo ou tema adequado para a apresentação, os participantes podem ser criativos expressando-se em várias linguagens possíveis que variam com a diversidade de cada um.

O evento tem por objectivo atrair poetas, espectadores e escritores que, muitas vezes, têm pouca intimidade com a poesia tradicional.

O vencedor do Moz Slam para além de receber prémios simbólicos irá representar Moçambique no Mundial de Poesia falada em Paris.

São convidados deste evento, a poetisa Enia Lipanga, a rapper Iveth e o DJ Nandele.

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