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O País – A verdade como notícia

Uma delegação cultural cubana encontra-se em Maputo para uma série de eventos artístico-culturais que incluem espectáculos musicais, palestras e visitas a algumas zonas de interesse turístico da província de Maputo. Segundo uma nota do Ministério da Cultura e Turismo, as actividades enquadram-se na semana cultural Moçambique – Cuba, cuja abertura formal foi feita pelo Ministro da Cultura e Turismo, Silva Dunduro, hoje,  no Auditório do BCI na capital do País.

Para abertura, estão agendados três concertos, dois dos quais para hoje, sendo o primeiro no edifício-sede do BCI e no Hotel Glória. Amanhã, haverá um espectáculo no Centro de Conferências Joaquim Chissano, aberto para o público em geral.

A celebração da Semana Cultural vai contar com a actuação de artistas moçambicanos e cubanos, como é caso das bandas Nochukuru, 1ª Esperanz, Cuche Jazz Quartet, Duo de Dança e as cantoras Idalivia Bahule e Melita Matsinhe, com destaque para Michel Herrera e Moreira Chonguiça.

Segundo o Director Nacional das Indústrias Culturais e Criativas do Ministério da Cultura e Turismo, Roberto Dove, este acontecimento, que junta fazedores das  artes  e cultura dos dois países, servirá para fortalecer os laços de amizades e a criação de modelos para o desenvolvimento das aréas artistico-culturais.

Paulo Diaz, o embaixador de Cuba em Moçambique, disse que esta iniciativa visa perpetuar e estreitar os laços de amizade entre os dois países que resulta das históricas relações de amizade e fraternidade estabelecidas entre Moçambique e Cuba há longa data, fortificadas e expandidas em 1975 com a proclamação da Independência Nacional.

 

 

O programa “Conversa para Enganar o Tempo”, a realizar-se dia 19, às 18 horas, no Centro Cultural Brasil-Moçambique (CCBM), na cidade de Maputo, recebe o poeta Armando Artur, um dos vencedores do Prémio BCI de Literatura 2019, referente ao melhor livro do ano passado publicado em Moçambique.

O autor de “A reivenção do ser e a dor da pedra” e outros nove livros, com mais de 30 anos carreira estará numa conversa “informal” sobre a poesia e a arte na próxima terça-feira, com acesso livre.

Além de poeta e membro fundador da Geração Charrua, autores da primeira revista literária de Moçambique pós-independência, Armando Artur foi Ministro da Cultura. No seu repertório literário constam livros como “A Quintessência do Ser” (2004), “No Coração da Noite” (2007) e  “As Falas do Poeta” (2012

No próximo dia 30, o Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa vai realizar mais uma feira de leitura. Desta vez, na Escola Secundária da Manhiça, na vila daquele distrito da província de Maputo. O evento inclui actividades com recurso à encenação de contos, projecção de filmes, palestras com alunos do ensino secundário e pintura inspirada nos contos que serão lidos.

Prevista para 300 crianças, a feira de leitura vai iniciar às 9 horas, devendo terminar às 16h. E com o Fundo Bibliográfico, estará a Associação Quiloa, que integra antigos estudantes da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), e que fundou o programa “Quintal de literatura e outras artes”, na cidade da Matola. O objectivo é sempre mesmo, fazer da literatura um modo de vida para os mais novos. Por isso as duas entidades juntaram-se organizaram a feira copara cinco escolas da Manhiça, duas secundárias e três primárias.

Paralelamente à feira de leitura, na Manhiça haverá uma de livros, que estarão à venda com 30 % de desconto, em coordenação com as livrarias.

Para motivar as crianças, o Fundo Bibliográfico decidiu promover alguns concursos, de leitura e de teatro, com premiações.

Próximo mês, a feira será no distrito da Massinga, Inhambane, na sua terceira edição. O evento está marcado para 23 de Abril, data que coincide com o Dia do Livro.

Neste primeiro trimestre do ano, o Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa já realizou três feiras de livro, em parceria com a Textos Editores: em Lichinga (Niassa) e Gurué (Zambézia), de 27 de Fevereiro a 3 deste mês, e Ribaué (Nampula), de 8 a 12. Ainda neste 2019, a instituição governamental já ofereceu cerca de 4500 livros a escolas de Cabo Delgado, Niassa, Zambézia, Tete e Manica. Os livros foram cedidos às escolas por intermédio do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano. O Fundo também ofereceu livros a bibliotecas provinciais e distritais. À Escola Unidade 10, no bairro Chamanculo, na cidade de Maputo, ofereceu 300 livros, o que se enquadra no projecto Biblioteca Modelo, ainda em desenvolvimento naquela escola.

 

 

As fronteiras nacionais começam a ficar pequenas para Gran’Mah, afinal a banda está a impor-se em África. Vagarosamente. Com a paciência de quem sabe que correr, de facto, não é chegar.

Nos próximos meses, o agrupamento viaja para realizar quatro concertos em três países africanos. O primeiro espectáculo está marcado para 24 de Maio, na cidade sul-africana de Durban. Na data seguinte, 25, que coincide com o Dia de África, os artistas vão subir o palco do Basslin Festival, em Constitution Hill, Joanesburgo, onde, nesta edição, a figura de cartaz são os nigerianos Asa e Mr. Eazi, e que inclui, igualmente, actuação da cantora Isabel Novella, que se prepara para lançar o seu segundo álbum solo, Metarmophosis, próximo mês. E não se fica por aí. No dia 26 de Maio a banda moçambicana vai actuar num outro grande evento musical da região: o MTN Bushfire, no eSwatini, o novo nome da Swazilândia, e, finalmente, a 8 de Junho, será a vez do Sakifo Music Festival, nas Ilhas Reunião.

Diante destes convites todos, mesmo sem se esquecerem da pequena digressão já feita em Portugal e nos Estados Unidos, os integrantes da banda sentem-se honrados porque, pela primeira vez, podem representar Moçambique numa digressão que lhes vai expor ao mundo. Segundo acredita Miguel Wilson, baterista dos Gran’Mah, a banda está finalmente a ser reconhecida ao mais alto nível, o que lhes motiva e excita: “vamos honrar a bandeira e a cultura moçambicanas lá fora, numa rota muito conhecida mundialmente. Quem toca nestes festivais tem a possibilidade de tocar noutros festivais pelo mundo fora. Este circuito de festivais são plataformas importantes para catapultar a banda para outros mercados, como os europeus e americanos”. Do mesmo modo, o baterista realça que, depois de actuarem nos quatro palcos previstos, cada integrante da banda vai regressar ao país com um portfólio mais rico e apreciável.

À parte o reconhecimento colectivo e pessoal, o impacto que Miguel Wilson antevê da actuação internacional tem que ver com a oportunidade. Para o baterista, num contexto em que existe muitos lobbies na música moçambicana, espera que a digressão dê aos instrumentistas Gran’Mah a possibilidade de, por exemplo, acompanharem vocalistas que vêm ao país sem banda, pois as preferências giram, excessivamente, em torno das mesmas pessoas.  “Não quero questionar a qualidade de ninguém, entre os eleitos para sempre actuarem com músicos de fora no país, que até são talentosos, mas os lobbies na música impendem que haja variação de instrumentistas. Temos muito talento em Moçambique que não é dado oportunidade. Então, espero que, também, esta experiência no estrangeiro nos enriqueça de tal modo que esse quadro selectivo altere logo”.

Antes de partir para o estrangeiro, a banda Gran’Mah encontra-se a gravar o seu segundo disco, em formato EP, porque entende que não se justifica fazer um álbum com 10 ou 12 músicas. A pretensão é aproveitar a digressão para apresentar música de dois discos ao público dos festivais em que vão participar. E as do álbum de estreia serão tocadas com uma roupagem diferente da habitual. Depois, o novo disco, cujo título e número de músicas ainda não deve ser do conhecimento público, regressará a Moçambique para uma apresentação oficial em concerto (em breve terá primeiro single e vídeo-clip).

Dos quatro palcos que vai pisar, a banda moçambicana está mais ansiosa em tocar no Sakifo Music Festival, Ilhas Reunião, porque vão actuar ao lado de grandes nomes da música e porque lá vão estrear-se.

Olhando para trás, Miguel Wilson lembra que a banda nunca antes pensou na possibilidade de ser convidada para digressões por África, depois do primeiro álbum lançado, intitulado Gran’Mah. Nunca pensaram fazer música para ganhar dinheiro, mas há sempre um “mas”: “as pessoas começam a gostar do que fazemos, apoiando-nos, e aí já não temos como fugir da responsabilidade.”

Finalizando, um dos sonhos dos Gran’Mah é tocar do Rovuma ao Maputo. Da cidade de Tete e da Beira não falta interesse, más condições logísticas. Então, vão trabalhando, convictos de que qualquer dia o sonho torna-se realidade.

A primeira edição da “Francofolia” escala o Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), na cidade de Maputo. A iniciativa da Embaixada da França e parceiros insere-se na Semana da Francofonia 2019, e vai realizar-se sábado, entre 17h e 23h.

De acordo com uma nota do Franco-Moçambicano, o evento é dirigido a um público diverso e multicultural, e pretende fazer convergir as culturas francófonas num evento musical. “Além da presença do músico Naâman (revelação do reggae francês) e os moçambicanos Ras Skunk e Dub Rui, esta edição irá ainda acolher um "buffet" com gastronomia de várias embaixadas parceiras do evento”, anuncia a organização.

A propósito dos artistas convidados a participar na presente edição, Naâman, revelação do reggae francês dos últimos anos, lançou em Outono de 2017 o seu terceiro álbum, Beyond. Nesta nova obra, o autor vai mais longe nas suas aspirações musicais do que ele propôs anteriormente. Além das vibrações do reggae e do Hip-Hop, mergulha no Soul, passa pela música latina, pousa nos ritmos caribenhos. Com o artista francês, no palco do CCFM estará o moçambicano Ras Skunk, considerado um dos mais promissores cantores de reggae no país, tendo apresentado recentemente o seu álbum de estreia Born in Africa, com a produção da Kongoloti Records. “A sua voz peculiar e sentido melódico fazem de Ras Skunk um dos artistas mais originais do panorama musical de Maputo”, segundo entende o CCFM. Skunk iniciou sua carreira em 1999. Influenciado pelo seu crescimento espiritual, cedo se interessou pelo movimento Rastafari. Começou a frequentar a Igreja Zion para saber mais sobre Jah, opressão negra, suas raízes e como a música poderia salvar e libertar os oprimidos. Isso o encorajou a cantar reggae na esperança de curar os corações do movimento negro e encorajar a paz, o amor e a libertação entre todas as Nações.

Ainda no princípio de tarde de sábado até a noite dentro, o moçambicano Dub Rui, DJ e baixista dos famosos 340ml, fará os interlúdios ao ritmo do Reggae.

 

 

Diaz Santana é um dos artistas moçambicanos que se encontra a trabalhar para uma empresa de dublagem, na China. Naquele país asiático, o actor já cumpriu oito meses de trabalho, dublando séries televisivas e desenhos animados que, mais tarde, serão exibidos, fundamentalmente, nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). Enquanto as produções não são disponibilizadas ao público, Santana vai trabalhando com alguns dos seus compatriotas e com vários chineses na capital Pequim, o que considera rara e grande oportunidade. “Não é fácil furar o mercado chinês, seja em área for, porque a China tem de tudo e do melhor. Perguntamo-nos sempre o que podemos oferecer a China que aquele país não tenha. Para conquistar o mercado deles, temos de possuir um grande diferencial. Portanto, fazer parte dos primeiros artistas moçambicanos a trabalhar no mercado chinês é muito gratificante”.  

Para Diaz Santana ter a oportunidade de ir a China, teve de passar por um casting realizado ano passado, na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), na capital do país. O concurso durou três dias, em jeito de eliminatórias. Assim, foram sendo eliminadas centenas de concorrentes. No total, apenas seis pessoas foram apuradas, entre elas o actor do grupo Lareira Artes, dos mais internacionais em Moçambique.

Mas como é fazer dublagem numa realidade bem diferente da moçambicana, como é a chinesa? A resposta surge na primeira pessoa: “A barreira inicial é a alimentação e o mandarim. Depois, a intensidade com que os chineses trabalham. Eles trabalham muito, não fazem de contas”. Ainda assim, Santana não se sentiu desgastado porque já estava preparado para o desafio. Mesmo porque meses antes desta aventura pelo país de Mo Yan, Nobel da Literatura de 2012, esteve em Macau, sempre pela mesma causa: a arte. Na altura, o grupo de Lareira Artes levou a peça A cavaqueira do poste, encenada por Elliot Alex. “Portanto, para mim foi relativamente fácil a integração também porque já colhi várias experiências de dublagem no Brasil, além de Moçambique”.

Inicialmente, Diaz Santana ficou um pouco chocado com o avanço tecnológico dos chineses, que obriga o actor a ser versátil durante as gravações, sujeitando-se a desempenhar trabalho de três pessoas, com ferramentas de qualidade e exigência à mistura. Outrossim, o actor confesssa: “se não tivesse viajado para China e lá ter trabalhado esses oito meses, não teria a velocidade que hoje possuo, pois lá exige-se mais as metas, com muita rigorosidade, pouco importa o tempo e o horário de trabalho”.

Uma das coisas boas que Santana destaca de Pequim é o facto de a empresa para qual trabalha não fechar, a qualquer altura, se assim o preferir, o actor pode gravar. E há ainda a segurança. Muito boa, que lhe permite sair do estúdio às 0 horas e caminhar 15 minutos sossegado até a casa.   

Além de moçambicanos, Maria Atália, José Magagule, Dany Ripanga, Nádia Cris e Cíntia das Rosas, na empresa para qual Diaz Santana trabalha há actores de países como Tanzania, Nigéria, Costa do Marfim, Portugal, Brasil e França.

Ainda esta semana, Diaz Santana viaja novamente a China, para cumprir mais uma etapa nas gravações. Depois disso, regressa à Pátria Amada e aos palcos, num espectáculo que vai reunir um elenco de luxo.

 

O TRAJECTO

Diaz Santana nasceu em Maputo. É formado em Comunicação Social (Jornalismo) pela Escola de Jornalismo de Maputo. Em 2001, foi convidado a integrar o projecto musical francófono para novos talentos, que culminou com uma digressão pela Bélgica, França e Burquina Faso. Em 2012, o actor participou na série mexicana El Caminhante, no Brasil. No ano seguinte, foi convidado a integrar no grupo brasileiro Blem Blem Blem, apresentando-se em São Paulo e Porto Alegre. Nos finais de 2014, foi consagrado pela imprensa brasileira como um dos sete actores negros que fazem diferença nas artes no Brasil. A eleição aconteceu na cidade de São Paulo, quando o actor participava com o seu grupo de teatro, Lareira Artes, pela quarta vez consecutiva no Circuito de Teatro em Português, a convite do Dragão 7, grupo organizador do evento. Lareira Artes participou nesse festival com a sua então recente criação: A Nova Aragem, uma co-produção com o grupo português Chão de Oliva, com texto de Sérgio Mabombo e encenação do português João de Mello Alvim. Lareira Artes foi fundado nos finais de 2010, por Diaz Santana e Sérgio Mabombo, actor que se encontra doente desde ano passado, na sequência de um AVC que lhe impede de falar. O último espectáculo de Lareira Artes é intitulado Recados de lá, estreado no Brasil ano passado.

A Feira do Livro de Leipzig deste ano, a realizar-se de 21 a 24 deste mês, terá dois autores moçambicanos, Mbate Pedro e Lucílio Manjate, os quais viajam para Alemanha interessados em conquistar novos leitores num mercado excitante como é o daquela região da europa. Os dois artistas estreiam-se na presente edição de Leipzig no dia 21, e, juntos, farão parte de um debate subordinado ao tema “Geracao XXI – Literatura de Moçambique hoje”, com o tradutor alemão Michael Kegler, no Pavilhão 4, no stand português, na verdade, a convite da Embaixada de Portugal na Alemanha. Naquele stand, estarão disponíveis mais de 300 títulos literários, em edições portuguesa, alemã e moçambicana.

Ainda na tarde do dia 21, Mbate Pedro fará parte da “Conversa com editores do universo de língua portuguesa e alemã”, em que com os seus colegas de painel, Zeferino Coelho (Portugal), Stefan Weidle (Alemanha), Lucien Leitess (Suíça), com moderação de Markus Sahr, vai procurar responder à pergunta: “O que distingue o trabalho dos editores? Exemplos de Portugal, da Alemanha, Suíça, e Moçambique”.

No dia seguinte, 22, Lucílio Manjate volta à carga para intervir no painel “Uma África de Língua Portuguesa?”. O painel inclui José Eduardo Agualusa (Angola) e Zeferino Coelho (Portugal), com moderação de Michael Kegler, que também fará leituras de excertos dos livros A Triste História de Barcolino e Vácuos, da autoria de Lucílio Manjate e Mbate, Pedro, respectivamente, e Margrit Klingler-Clavijo.

A representar a língua portuguesa na Feira do Livro de Leipzig, estarão, igualmente, autores de Portugal (país convidado de honra da Feira do Livro de Leipzig na edição do próximo ano), como João Luís Barreto Guimarães, Afonso Cruz, Ana Margarida de Carvalho e Joana Bértholo.

Com efeito, a participação dos autores moçambicanos na Feira de Leipzig deste mês resulta da parceria entre a Embaixada de Portugal na Alemanha, o Camões – Centro Cultural Português em Berlim e a editora Cavalo do Mar, que, recentemente, teve dois autores a partilhar o prémio BCI de literatura para melhor livro do ano passado: Armando Artur e Álvaro Taruma.

Nesta edição da Feira do Livro de Leipzig, Mbate Pedro pretende concretizar o interesse de fazer com que a sua poesia ascenda a outros tipos de leitores, além da língua portuguesa. “Estou à procura de editores alemães para autores moçambicanos, de pequenas editoras no princípio, porque sei que estas estão interessadas em conhecer bons escritores e poetas africanos sem aquele estereótipo de que o escritor africano tem que escrever exótico para ser reconhecido”, afirmou o editor da Cavalo do Mar, revelando de seguida que na Alemanha será publicada uma antologia de poesia e prosa de autores moçambicanos, traduzida por Michael Kegler, que já traduziu autores como Agualusa, Paulina Chiziane e Luiz Ruffato para alemão.

Segundo entende Mbate Pedro, a Alemanha é o maior mercado de tradução. Assim, uma vez lá, Moçambique ganha visibilidade numa grande montra do mundo, com sistema literário que funciona muitíssimo bem. Entretanto, essa visibilidade só se pode consolidar se, para o poeta e editor, os autores moçambicanos participarem regularmente nos festivais literários, com alternância. “Não devem ser os mesmos autores a representar o país nos festivais. E há que investirmos cada vez mais em encontros realizados em África”.

Entre os 16 ou 17 títulos que a Cavalo do Mar leva a Leipzig, portanto, consta A triste história de Barcolino, de Lucílio Manjate. Para este escritor, estar numa das feiras mais concorridas da Alemanha e da Europa é precioso para apresentar o seu trabalho. “Há uma produção da nossa literatura que precisa ser mostrada ao mundo. E, neste caso, temos dois lados da criação moçambicana que estão representados na feira. Mbate e eu estamos com alguma propriedade que nos pode permitir criar condições para que os outros escritores moçambicanos possam ter este tipo de oportunidade. Mbate está a editar autores com 30 anos de carreira e os que estão ainda a começar. Tem conhecimento e legitimidade. Do meu lado, estou a desenvolver trabalhos que me dão segurança de falar do que está a ser produzido por diferentes gerações”. Por isso, acredita Lucílio Manjate, ele e Mbate Pedro têm argumentos para convencer o mundo, ao referirem-se ao que está sendo produzido em Moçambique.  

Finalizando, ambos os autores destacam que feiras do livro são eventos cruciais para os artistas porque coloca-os em contacto com outros interesses editoriais. Além disso, acrescentam que já é altura de os poetas e escritores moçambicanos pararem de se preocupar apenas com o espaço nacional. “Precisamos de ganhar asas. Os nossos editores devem sempre encontrar mecanismo para colocar autores nas rotas dos festivais internacionais. Temos autores que já não cabem nas nossas fronteiras nacionais. Temos que existir fora. Os mecenas e as empresas devem juntar-se aos programas literários, subsidiando autores. Só quem produz sabe o quão importante é estar com Agualusa e trocar sensibilidades. Actualiza-nos no ponto de vista de produção para sabermos o que está ser produzido fora. O autor não vive só do seu quintal”, lembrou Lucílio Manjate.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Amanhã será dia de exibição de mais um filme do realizador sueco Ingmar Bergman, no Teatro Avenida, na cidade de Maputo. Como nas anteriores ocasiões, a sessão cinematográfica está marcada para 18 horas e, novamente, será gratuita.

Depois de, semana passada, ter sido exibido o filme Sorrisos de uma noite de verão, de Ingamr Bergman, logo à noite de amanhã será projectado mais um clássico de um dos maiores realizadores do século passado, intitulado O sétimo selo. Nesta longa-metragem, um recém-chegado de uma longínqua cruzada, um cavaleiro é surpreendido pela morte perto de casa. Nisso, resolve apostar tudo num jogo de xadrez, numa meditação sobre a vida e a morte.

Portanto, numa atmosfera apocalíptica, a longa-metragem de Bergman retrata a Idade Média. Na história, está patente a preocupação do director sueco em buscar no passado questões ainda presentes no mundo contemporâneo. O filme foi lançado em 1956, período em que os traumas da Segunda Guerra Mundial e da bomba atómica ainda marcavam a vida dos europeus.

O sétimo selo tem duração de 96 minutos, e, como é habitual, depois da projecção, seguir-se-á um debate sobre o filme com o escritor português António Cabrita.

 

 

A temporada de Sol nascente, com a talentosa Giovanna Antonelli como protagonista, chegou ao fim. Por isso, a Stv foi buscar mais uma telenovela ao Brasil, certamente, com o mesmo propósito de entreter e educar os seus telespectadores. Desta vez, o título da produção da Globo tem qualquer coisa de misteriosa e, se quisermos, de onírico: O outro lado do paraíso, com estreia marcada para logo a seguir ao Jornal da Noite desta segunda-feira.

Com uma centena de capítulos, a telenovela de Walcyr Carrasco, com Direção-artística de Mauro Mendonça Filho e Direção-geral de André Felipe Binder, O outro lado do paraíso retrata várias histórias, nas quais entrecruzam-se percalços e eventos premeditados para fazer do amor algo perdedor. Entre os percalços, encontram-se a ganância desmesurada, as artimanhas e a indiferença que condena a inocente Clara (Bianca Bin), uma das personagens-chave da história, à solidão. Na trama, Clara, neta de Josafá (Lima Duarte) entrega-se à paixão por Gael (Sérgio Guizé), um homem bem humorado, mas de temperamento explosivo, herdeiro de uma família rica de Palmas. A atracção entre os dois é imediata, mas acompanhada de muitos acontecimentos maus para Clara, quem sofre pelo temperamento do marido.    

No entanto, influenciada pela sogra, Sophia (Marieta Severo), Clara vê-se na condição de o ter de perdoar e ser compreensiva muitas vezes. O que Clara não sabe é que por trás de tanto carinho da sogra esconde-se o interesse financeiro de Sophia pelas terras do avô, onde é descoberta uma mina de esmeraldas. A certa altura da telenovela, a ambiciosa Sophia faz de tudo para conseguir o que deseja e tece um plano maquiavélico contra a nora Clara, que é internada numa clínica psiquiátrica por 10 anos, longe de tudo e de todos, inclusive do próprio filho. Para se livrar dessa condição, a personagem vai contar com ajuda do amigo Renato (Rafael Cardoso), que, na telenovela Sol nascente, desempenhou o papel de César, um ambicioso que se perde nos corredores do crime.

N’O outro lado do paraíso, Renato é decisivo para o segundo período da trama. É ele um grande aliado de Clara, quando a personagem decidi dar uma reviravolta na sua vida, ao sair da clínica para reencontrar o filho e ver seus algozes pagarem por tudo o que a fizeram. Também por isso, esta telenovela é uma história de justiça, de acertos e motivação, por via da qual o telespectador é sempre convidado a acreditar em si e nas várias possibilidades de vitória que a vida proporciona.

Além de Lima Duarte e Renato Cardoso, outros actores bem conhecidos pelo público moçambicano na telenovela são Glória Pires, mulher de Henrique (Emílio de Mello), mãe de Adriana (Lara Cariello/Júlia Dalavia). Mora no Rio de Janeiro com a família. Mas ao cair numa trama do sogro, Natanael (Juca de Oliveira), é obrigada a forjar a própria morte e a afastar-se de todos que ama; Thiago Fragoso, um advogado, neto de Nathalia Timberg e aliado de Clara; Laura Cardoso, a actriz de 91 anos, que, em Sol nascente, interpreta o papel de avó de César, Dona Sinhá, entre outros.

É esta a história e o elenco intrigante que, a partir de logo à noite de segunda-feira, vai fazer companhia aos telespectadores da Stv nos próximos meses.

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