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O País – A verdade como notícia

O galo que não cantou é o pretexto que leva Alex Dau ao Brasil, em época de carnaval. Mas não é para dançar ou mascarar-se. O escritor está na terra do samba até ao final do mês para promover o seu mais recente livro de contos, publicado naquele país sob a chancela da editora Nandyala.

As actividades de promoção de O galo que não cantou estão distribuídas pelas cidades de Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, onde foi programada uma oficina de escrita criativa da “Fábrica de Textos”.

Ainda naquele ponto da América Latina, Alex Dau deverá participar nas cerimónias de apresentação da edição brasileira da colectânea  de contos que junta  autores moçambicanos e brasileiros, sete de cada país. O título do livro em causa é Do Índico e do Atlântico: contos brasileiros e moçambicanos, co-organizado por Vagner Amaro e Dany Wambire. Alex Dau participa com o texto “Menina Teresinha”, na antologia apadrinhada por Mia Couto. A história de Dau tem como protagonista uma rapariga com 15 anos de idade, que enfrenta vários desafios para cuidar do pai doente.

A colectânea Do Índico e do Atlântico: contos brasileiros e moçambicanos será igualmente publicada pela Fundza, na cidade de Maputo, numa pretensão de se contribuir para a promoção da literatura moçambicana no Brasil, e, também, divulgar em Moçambique a literatura de alguns autores da literatura brasileira contemporânea.

Além de escritor, Alex Dau é produtor cultural, videomaker e activista sócio-ambiental. Tem textos espalhados pela imprensa nacional e estrangeira. À semelhança d’O galo que não cantou, é autor de Reclusos do tempo, Heróis de palmo e meio e Habitante do inóspito. Como videomaker tem realizado filmes documentários com cunho identitário moçambicano. A sua estadia no Brasil também abrangerá actividades ligadas à sétima arte.

 

 

Foi a figura do ano para categoria do teatro, em 2018, vencendo, por isso, um dos prémios Artes e Cultura, instituído pela Associação Kulungwana. Neste princípio de 2019, Venâncio Calisto volta a ter uma razão para continuar a fazer da arte do palco um modo de vida, afinal, recebeu um convite para estagiar na Companhia de Teatro da Rainha, na cidade Caldas da Rainha, em Portugal, durante dois meses, Maio e Junho.

Ao artista, o convite foi feito por Fernando Mora Ramos, director daquela companhia portuguesa que, ano passado, esteve em Maputo para orientar um workshop de escrita e encenação em teatro, destinado aos estudantes da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em particular, e ao público em geral. Na verdade, Calisto nem participou no workshop em causa, pois, na altura, montava o espectáculo de “Opera Mwango e Mwanga a partir de Bastien und Bastienne”, de W. A. Mozart. Ainda assim, sempre teve a oportunidade de se encontrar com o director português e com ele debater sobre vários assuntos. Foi nesse encontro que surgiu a ideia de Venâncio Calisto e Fernando Mora Ramos colaborarem em outras ocasiões e latitudes. Calhou logo a possibilidade do encenador moçambicano ir a Caldas da Rainha, numa ocasião em que o grupo local estará a montar o espectáculo A cidade dos pássaros, adaptado de As aves, de Aristófanes, por Bernard Chartreux.

O espectáculo retrata a problemática da democracia, num dialogo com contemporaneidade, e será apresentado ao ar livre, devendo Venâncio Calisto participar na montagem como assistente de encenação e actor.

A permaneça do encenador em Portugal será suportada pela Companhia de Teatro da Rainha. No entanto, a passagem de partida e de regresso está na responsabilidade de Calisto. Por isso teve de arranjar apoio para o efeito, que logo conseguiu da Associação Kulungwana. Resolvido o assunto da passagem, faltam agora arranjar valores para custear outras despesas quotidianas da viagem. Aí a resposta deverá advir de outras instituições, as quais já receberam pedidos por escritos do artista.  

Esta viagem é, para Venâncio Calisto, uma oportunidade de interagir com uma nova realidade teatral. “É uma forma de me abrir para o mundo, conhecer mais coisas da companhia portuguesa e de outras que lá estarão. E é também uma forma de fazer conhecer o meu trabalho e da juventude moçambicana. Vou lá para representar a nova geração de actores e encenadores moçambicanos, sempre na perspectiva de, no regresso, partilhar experiências internamente”. E o artista formado pela ECA acrescenta: “É importante termos este tipo de viagens porque amplia os nossos horizontes. Quanto mais rica for a nossa experiência e mais amplo for o horizonte, mais qualidade terá o nosso trabalho e mais sensível ficaremos. O contacto com outros artistas e outras formas de fazer arte enriquece o nosso trabalho. Nós necessitamos muito desse tipo de oportunidade no país porque a arte é um espaço de diálogos. Eu acredito que vou adquirir uma nova forma e perspectivas de fazer teatro em Portugal”.  

Segundo percebe o Prémio Artes e Cultura 2018, actualmente, em Moçambique é raro os artistas terem a oportunidade de estagiar no exterior. “Nas décadas de 90, os nossos actores tinham mais possibilidades. De uns anos para cá, é cada vez mais difícil, até porque já não temos tradição de companhia, estamos mais individualizados e, sem estarmos afiliados a alguma companhia, as oportunidades dificilmente aparecem. Por causa da falta de oportunidade de viajar, o contacto entre os nossos artistas e de outros países de língua oficial portuguesa é fraco. É necessário termos mais espectáculos de cabo-verdianos ou são-tomenses cá como os nossos naqueles países. Nós não sabemos o que está sendo feito noutras partes de África e eles também quase que não sabem nada de nós”.

Como forma de se alterar o quadro acima, uma das sugestões de Calisto é criar-se um incentivo para os artistas que facilite a aquisição do visto de viagem nas circunstâncias que pretendam deslocar-se por questões culturais. Enquanto isso não acontece, o encenador vai-se preocupando em garantir que as condições logísticas estejam todas garantidas. Todo o apoio é bem-vindo.

 

O PERCURSO

Venâncio Calisto nasceu a 8 de Julho de 1993, em Maputo. É Licenciado em Teatro pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane, e trabalha como Assistente Estagiário das disciplinas de Encenação e Dramaturgia na mesma instituição. É encenador e activista cultural. Fundador e director dos grupos de teatro Katchoro e (In)versos, faz parte do Movimento Literário Kuphaluxa. É locutor de rádio e membro da Plataforma ECArte. Participou do festival Yesu Luso – 2017 no Brasil com “Qual é a sentença: a mulher que matou a diferença?”, texto e encenação de sua autoria. Além de distinguido com o Prémio de Artes e Cultura da Mozal – 2018 na Categoria de Teatro, venceu o Primeiro Lugar do Prémio “Ponte que liga vidas/ Maputo – Katembe” na categoria de Poesia promovido pelo Centro Cultural Moçambicano Alemão (CCMA) – 2018. Encenou as seguintes peças: “(Des)mascarado”, “As Visitas do Dr. Valdez” – adaptado do original de João Paulo Borges Coelho – 2017; “A Crise” ou os infantis: “Natal, um presente misterioso”, “Leão: o rei que só queria brincar” e “O Resgate da Princesinha”.

 

 

Até dia 22 deste mês, os actores ou encenadores que queiram participar na segunda edição do Festival de Teatro Cenas Curtas, evento realizado pela Fundação Fernando Leite Couto, têm a possibilidade de se inscrever gratuitamente. Para o efeito, as associações culturais, os grupos de teatro (amadores e profissionais) e artistas individuais devem, no acto da inscrição, na sede daquela fundação na cidade de Maputo, submeter um texto com máximo de uma página A4, contendo a ficha técnica e a sinopse de cena.

Porque é de cenas curtas de que se trata, a peça submetida deve conter até oito minutos de duração, com um elenco constituído por três pessoas no máximo. De acordo com os requisitos divulgados pela Fundação Fernando Leite Couto, as cenas devem ser originais ou feitas a partir de uma adaptação de texto/ autor já existente. “Se for este o caso, o autor ou texto deverá ser devidamente mencionado na ficha técnica”, avança a organização.

Um dos propósitos desta segunda edição do Festival de Teatro Cenas Curta é estimular a criatividade dos participantes, bem à imagem do ano passado, altura em que se estreou a iniciativa. Assim sendo, há um conjunto de elementos que deverão ser incluídos nas cenas curtas, de modo a garantir a autenticidade e, igualmente, criar o que os organizadores consideram elo comum entre as apresentações. Os elementos propostos pela Fundação Fernando Leite Couto incluem adereços: mala e colher de pau; e as palavras: lixo e luxo.

Cumpridos todos os requisitos acima apontados, seguir-se-á, no dia 30 deste mês, a sessão de selecção dos candidatos, o que será confiada a um júri constituído por cinco profissionais do teatro e de outras áreas. A selecção será feita depois do júri avaliar as cenas apresentadas. Portanto, os critérios de avaliação serão os seguintes: qualidade técnica e artística das cenas, excelência técnica e artística da direcção e dramaturgia, qualidade da produção, adequação da montagem à proposta dos requisitos e o modo como os adereços e as palavras são criativamente incluídos.

Ano passado, houve 33 candidaturas para edição inaugural do Festival de Teatro Cenas Curtas, das quais foram seleccionados 15 grupos.

 

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em todos os anos a 8 de Março, não vai passar em branco, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, na cidade de Maputo. Afinal, a fim de tributar o “eu feminino”, símbolo da natalidade e de tantas outras realidades, a Banda Kakana protagoniza o concerto designado “Quem disse as mulheres não podem fazer uma serenata?”. Para o efeito, foram convidadas várias artistas, as quais vão subir ao palco a partir das 20h30 da próxima sexta-feira. São os casos de Anita Macuácua, Assa Matusse, Catarina Domingues, Énia Lipanga, Gigliola Zacara, Idálvia Bahule, Onésia Muholove, Regina dos Santos, Rhodália Silvestre, Sizaquel Matlhombe, Tchakaze e Xixel Langa.

 

Segundo uma do Franco-Moçambicano, o concerto inserido na semana da mulher é uma iniciativa da Embaixada da França em Moçambique e parceiros, traduzindo o interesse da Banda Kakana, com as 12 convidadas a partilhar o mesmo palco, homenagear todas mulheres do mundo, em especial a mulher moçambicana, enquanto exemplo de luta e determinação: “desde as mães camponesas até às executivas, cada uma tem seu papel para o desenvolvimento do país”.

Esta não será a primeira que a Banda Kakana demonstra preocupação pela condição das mulheres, aliás, o próprio comunicado do Franco-Moçambicano faz referência ao facto de, desde o lançamento do seu primeiro álbum, Serenata, o grupo sempre ter composto temas que as diz respeito. À imagem do primeiro álbum, no segundo, Juntos, a banda abordou assuntos como violência baseada no género. Exemplo disso são as músicas "Nicarate" e "Sohura", do primeiro CD, e, no segundo, as músicas "Nkata", "Xingombeleni" e "Mariane". A música “Serenata”, a qual intitula o primeiro álbum da banda, revela o potencial da Mulher e é simultaneamente um apelo à igualdade de género, avança a nota do Franco-Moçambicano.

 

 

No âmbito da iniciativa Tertúlias Itinerantes, o Camões – Centro Cultural Português em Maputo acolheu semana passada, uma sessão deste ciclo de conferências subordinada ao tema “As relações inter-étnicas e os interstícios das manifestações de sociabilidade”.

A tertúlia foi dinamizada pelo investigador moçambicano Isaú Menezes e pretende constituir uma reflexão sobre o convívio multi-cultural e cosmopolita que é característico à cidade da Beira e a forma como este convívio propiciou a criatividade cultural das suas gentes, num horizonte que vai de 1972 a 2015.

A reflexão teve como objectivo analisar as diferenças étnico-culturais sob ponto de vista linguístico, artístico e social e a influência que estas tiveram para a criatividade cultural na cidade da Beira.

O IV Ciclo das Tertúlias Itinerantes traz a Maputo reflexões de investigadores de Moçambique, Portugal e Brasil sobre dinâmicas interculturais no mundo global. Este trabalho, que tem sido coordenado pelos investigadores Sara Laisse (Universidade Politécnica), Eduardo Lichuge (Universidade Eduardo Mondlane) e Lurdes Macedo (Universidade do Minho, Portugal) desde 2016, surgiu da constatação de que a perspectiva clássica das ciências sociais – que nos ofereceu um quadro interpretativo do mundo baseado na diferenciação da Humanidade em categorias como a religião, a etnia, a cultura ou a nacionalidade – necessita de ser repensada na contemporaneidade.

Cada uma das tertúlias procura dar um contributo para a construção de novas perspectivas, capazes de nos ajudar a interpretar uma nova realidade social na qual as trocas, as partilhas e as interdependências são cada vez mais determinantes na promoção do diálogo e do desenvolvimento.

Em 2016, 2017 e 2018 o grupo coordenou e realizou três ciclos intitulados “Fluxos de comunicação intercultural no espaço de língua portuguesa: debater o desconhecimento mútuo no contexto da era global, sob a designação de “Tertúlias Itinerantes”, na cidade de Maputo. Os eventos foram realizados de forma descentralizada em vários equipamentos e instituições culturais.

Segundo os investigadores, a ideia de coordenar e realizar este tipo de sessão surgiu a partir da observação da experiência da crise da contemporaneidade e dos riscos a ela associados como, por exemplo, as alterações climáticas, ou mais recentemente o recrudescimento dos nacionalismos, factos que “nos remetem para uma ideia essencial?.

Os ciclos de tertúlias já apresentados e os que futuramente virão tomam em consideração a opinião de autores tão consagrados como Wieviorka, Beck ou Canclini, que propõem que a construção de novos instrumentos interpretativos da realidade devem gravitar em torno da comunicação intercultural.

Por esta razao, o grupo tem realizado reflexões conjuntas e participadas sobre a relação entre “nós” e os “outros”. “

 

 

 

 

 

A última longa-metragem de Licínio Azevedo, Comboio de sal e açúcar, foi projectada para novos públicos, nos Estados Unidos. A iniciativa de levar o filme do realizador moçambicano a América foi da Embaixada da República de Moçambique em Washington DC, em colaboração com a Organização Não Governamental local do ramo das artes e cultura, World Artists Experiences, sediada em Anápolis – Estado de Maryland.
 
A primeira sessão de exibição do filme aconteceu no dia 15 de Fevereiro, no Museu Nacional de Arte Africana, em Washington DC. Para o efeito, Carlos dos Santos, Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República de Moçambique nos EUA procedeu à apresentação do filme e interagiu com o público presente ao evento na sessão de perguntas e respostas que se seguiu à exibição do filme, segundo uma nota da Embaixada moçambicana naquele país.
 
Outros locais escolhidos para a exibição de Comboio de sal e açúcar nos EUA foram o Teatro Municipal de Anápolis e Salisbury University, em Análopis, 25 de Fevereiro; Allegany College em Cumberland – Maryland, 26 de Fevereiro; Center for High Education, California – Maryland, 27 de Fevereiro; e na Towson University, Baltimore, 1 de Março.
 
A exibição do filme moçambicano mais badalado dos últimos anos nos Estados Unidos teve como objectivo a promoção da arte e cultura nacional naquele país, o que comove Licínio Azevedo, pois “é de grande satisfação saber que o nosso filme serve aos interesses do País, do ponto de vista cultural e também para as relações internacionais, que serve para divulgar de uma maneira positiva a imagem do nosso país, a sua realidade, a história recente, e também a nossa produção”.
 
Segundo entende o realizador, o interesse da Embaixada de Moçambique nos EUA por Comboio de sal e açúcar deixa claro que o filme tem qualidade “e que o cinema não deve apoiar-se no maniqueísmo simplista, o bem e o mal, dois campos separados, opostos”.
 
De igual modo, a decisão de exibir um filme moçambicano no estrangeiro é sempre oportuna para Azevedo, o que deve ser acompanhada de maior participação nos festivais internacionais e exibição mais ampla possível no espaço nacional.
 
Comboio de sal e açúcar é uma longa-metragem com 92 minutos, de 2016. Co-produzido por Portugal, Moçambique, França, Brasil e África do Sul, conquistou as seguintes distinções: Prémio Boccalini de Ouro, dos Críticos Italianos de Cinema – Festival de Locarno, Suiça, 2016;  Tanit de Ouro para Melhor Longa-metragem de ficção – 28a Jornadas Cinematográficas de Cartago (JCC )  – Tunísia, 2017; Prémio de Melhor Imagem – JCC, Tunísia, 2017; Prémio da Federação Internacional da Crítica de Cinema – JCC, 2017, Tunísia; Prémio da Crítica Cinematográfica Africana – JCC, Tunísia, 2017; Prémio de Melhor Realizador – 20o Festival do Cinema Africano de  Khouribga, Marrocos, 2017; Prémio para Melhor Guião – 20o Festival  do Cinema Africano de  Khouribga, Marrocos, 2017; Prémio de Melhor Realizador – 38a Festival Internacional de Cinema do Cairo; Prémio de Melhor Realizador – 26a PAFF, Los Angeles, 2018; Prémio de Melhor Longa-metragem de ficção – Festival de Cinema de Johannesburg, 2017; Prémio da Academia Sotigui para Melhor Jovem Actriz Africana – Melanie de Vales Rafael, Ouagadougou, 2018; Prémio Novo Talento – 11a Edição de Prémio para Actores de Cinema da Fundação GDA – Matamba Joaquim, Portugal, 2018.
 

Mais uma longa-metragem de Ingmar Bergman será exibida, às 18 horas de amanhã, no Teatro Avenida, na cidade de Maputo. O ciclo de cinema sobre o realizador sueco, cujo início teve há três semanas, conta com apoio da Embaixada da Suécia em Moçambique, que tem promovido a obra cinematográfica de um dos grandes realizadores do século passado, várias vezes premiado nos Óscares.

Para amanhã, o filme em exibição é intitulado Sorrisos de uma noite de verão, de 1955, com 105 minutos.  
 
Segundo o Cinecartaz do Público, com base na peça do britânico William Shakespeare "A Midsummer Night's Dream", Bergman mostra em Sorrisos de uma noite de verão uma faceta pouco conhecida do público, combinando situações perfeitamente hilariantes com um registo trágico e intenso.

Tendo como cenário a transição do século XIX para o século XX, a longa-metragem a ser exibida logo à noite narra a história de Frederick, um homem com um filho adulto, que casa em segundas núpcias com uma mulher ingénua, com a qual nunca consuma o casamento. Frederick sacia as suas vaidades sexuais com Desiree, uma actriz que tem diversos amantes, e o inevitável acontece: ambos são apanhados em flagrante por Malcolm, um conde que sustenta a actriz a troco dos seus favores. O filme serviu de inspiração à obra de Woody Allen Comédia de uma noite de verão.

Sorrisos de uma noite de verão será exibido no Teatro Avenida depois de, nas primeiras semanas, ter-se levado ao público outros dois filmes de Bergman, designadamente "Fanny e Alexandre" e “Mónica e o desejo”.  As entradas para o ciclo de cinema, que acontece todas terças-feiras, são gratuitas.  

 

A festa do Carnaval já começa a movimentar vários grupos da província de Manica. Este Sábado foi a vez da vila Municipal de Sussundenga onde o grupo New dance sagrou-se o principal vencedor daquela  manifestação cultural

Representação, dança mas muita dança, desde a tradicional a contemporânea foram as principais  formas encontradas por nove grupos de carnaval na vila de Sussundenga para demonstrarem o seu talento na cultura.

O evento é apadrinhado pelo conselho municipal local que, na pessoa da presidente Lídia Nicoadala diz que vai continuar a apoiar iniciativas de género.

“Para nós representa a preservação da cultura moçambicana, estamos a celebrar a quarta edição do carnaval”, disse Nicoadala

Na ocasião, os representantes dos grupos New Dance e Hard dance Family não esconderam a sua satisfação por terem conquistado o primeiro e segundo lugar, respectivamente.

Refira-se que os vencedores das fases distritais irão disputar, próximo mês a fase provincial do Carnaval a qual terá lugar na cidade de Chimoio, onde o primeiro classificado deverá amealhar o valor de 100 mil meticais.
 

Divulgar os autores moçambicanos no Brasil e os brasileiros em Moçambique. Este é um dos objectivos da nova obra literária, Do Índico e do Atlântico: contos brasileiros e moçambicanos, a ser lançada a 3 de Abril, no Centro Cultural Brasil-Moçambique, na cidade de Maputo.  

Constituída por 139 páginas, o livro contém textos de 14 autores, sete de cada país. De Moçambique, fazem parte da antologia, com os respectivos textos, Mia Couto (“Rosalinda, a nenhuma”), Lília Momplé (“Stress”), Alex Dau (“Menina Teresinha”), Diogo Araújo Vaz (“Apocalipse”), Dany Wambire (“A mulher sobressalente”), Carlos dos Santos (“O ilusionista”) e Daniel da Costa (“A flauta do Oriente”). Do outro lado do oceano, integram, Conceição Evaristo (“Os pés do dançarino”), Marcelo Moutinho (“Oxê”), João Anzanello Carrascoza (“Dias raros”), Rafael Gallo (“Corte”), Eliana Alves Cruz (“Noite sem lua”), Cristiane Sobral (“223784”) e Miguel Sanches Neto (“Sabor”)

Do Índico e do Atlântico: contos brasileiros e moçambicanos é uma iniciativa de Dany Wambire, quem co-organiza o livro com o editor brasileiro Vagner Amaro. Por parte do autor moçambicano, coube a selecção de escritores nacionais, sendo que o brasileiro fez o mesmo em relação ao seu país. Entre os critérios, vincou a preocupação de incluir na antologia autores ainda em ascensão dos dois países, dando-lhes a oportunidade de conquistar público diversificado, sob a alçada de autores já consagrados. Além disso, os organizadores quiseram garantir que o livro fosse algo equilibrado no que aos géneros diz respeito. A ideia era ter o mesmo número de textos de homens e mulheres. Não foi possível, mas lá estão as autoras.
 
O texto inaugural do livro, “Rosalinda, a nenhuma”, é assinado por Mia Couto, de acordo com Dany Wambire, o padrinho deste Do Índico e do Atlântico: contos brasileiros e moçambicanos, que vai contribuir para reverter o desconhecimento do que é produzido no Brasil, pelos moçambicanos, e do que é produzido em Moçambique, pelos brasileiros.
 
Com uma tiragem inicial de 500 exemplares, esta proposta literária terá publicação da Fundza, editora sediada na cidade da Beira. No país de Carlos Drummond de Andrade, o livro sai nos finais de Março, pela chancela da Malê, editora que tem publicados dois títulos de Dany Wambire: A adubada fecundidade e outros contos e A mulher sobressalente.
 
PERFIL DOS AUTORES
Mia Couto (1955). Estreou-se na literatura com um livro de poesia, Raiz de orvalho, publicado em 1983. Recebeu diversos prémios, entre os quais Camões, em 2013.  No conto Rosalinda, a nenhuma, o autor narra de forma metafórica uma história de amor póstumo, mas também de busca pela identidade.
 
Diogo Araújo Vaz (1978). Estreou-se na literatura com Contos de Guicalango (2010) ? Prémio Minerva Central 100 anos e Maria Odete de Jesus.  Em Apocalipse, o autor narra a actuação do homem no mundo, o antropocentrismo e a necessidade de se buscar um sentido, uma invenção para explicar as desmedidas humanas em relação à natureza.
 
Carlos dos Santos (1962).  Formado em Psicologia e Pedagogia.  Estreou-se com o romance de ficção científica A quinta dimensão (2006).  No conto “O ilusionista”, Carlos dos Santos apresenta uma experiência com o fantástico quando uma menina vai até o galinheiro buscar ovos para a mãe.
 
Lília Momplé (1935). Foi secretária-geral da AEMO. Estreou-se com o livro Ninguém matou Suhura (contos, 1988); na sua obra também se destacam Neighbours (romance, 1996) e Os olhos da cobra verde (contos, 1997).   Em “Stress”, um professor comete um crime quando é interrompido de assistir a televisão; uma vizinha testemunha o assassinato.
 
Daniel da Costa (1966). Escritor, professor, jornalista e diplomata. Estreou-se em 2003 com uma colectânea de crónicas, Xingondo.  Em “A flauta do Oriente”, o velho Saguate consegue domar a sua dor com o recurso a uma flauta importada da Índia.
 
Dany Wambire (1989). Estreou-se em 2013, com o livro A adubada fecundidade e outros contos.  É director da revista Soletras. Em “A mulher sobressalente”, Wambire apresenta a tensão entre tradição e contemporaneidade, quando uma mulher precisa retornar para sua aldeia, obedecendo às ordens de seu pai.
 
Alex Dau (1972).  Estreou-se em 2004, com a obra Reclusos no tempo. Em “Menina Teresinha”, Alex Dau apresenta a história de uma menina de 15 anos de idade e seus pequenos desafios para cuidar do pai que tanto ama.
            
Eliana Alves Cruz (1966).  Pós-graduada em Comunicação Empresarial.  Venceu o concurso de romances da Fundação Cultural Palmares/MINC em 2015, com o livro Água de barrela. Em “Noite sem lua”, a autora apresenta as angústias de Marilene diante de uma sociedade que discrimina a sua cor.
 
Cristiane Sobral (1974). Escritora, dramaturga e actriz. Estreou-se na literatura em 2010, com o livro de poemas Não vou mais lavar os pratos. No conto “223784”, a escritora narra uma relação de afecto e cumplicidade entre pai e filha.  A relação é afectada pelo relacionamento amoroso inter-racial da filha.
 
Rafael Gallo (1981).  autor do romance Rebentar (2015), livro vencedor do Prémio São Paulo de Literatura e de Réveillon e outros dias (2012), livro vencedor do Prémio Sesc de Literatura. Em “Corte”, Rafael Gallo conta a história da relação de uma avó com a sua neta afrodescendente.
 
Miguel Sanches Neto (1965).   É escritor, professor universitário e crítico literário.  Estreou-se com o romance Chove sobre a minha infância (2000).  Em “Sabor”, o escritor narra as experiências de três meninos quando testemunham duas cenas de morte.
 
Marcelo Moutinho (1972).  Estreou-se com o livro de contos Memória dos barcos (2001).  Oxê é um machado de dois gumes, no candomblé é chamado de machado de Xangô. O conto “Oxê”, de Marcelo Moutinho, passa-se na histórica derrota do Brasil para Alemanha no Mundial de futebol de 2014, sob a perspectiva de um segurança apaixonado.
 
João Anzanello Carrascoza (1962).  É escritor e professor universitário.  Estreou-se com o livro Hotel Solidão (1994).  No conto “Dias raros”, Carrascoza narra a visita de um menino à sua avó e as descobertas que surgem da relação de afecto que se instaura entre eles.
 
Conceição Evaristo (1946).  Estreou-se com o romance Ponciá Vicêncio (2003).  No conto “Os pés do dançarino”, apresenta a história de Davenir, exímio dançarino, e a necessidade de um reencontro com sua ancestralidade.

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