O País – A verdade como notícia

Durante os primeiros anos a seguir a independência nacional, no país, levou-se muito em consideração a ideia de que o cinema é o reflexo dos povos, instrumento de aproximação e conexão.

Como que a ter em conta este raciocínio, os suecos organizam a 42ª edição do Göteborg Film Festival, evento que exibe 450 filmes de 83 países e que movimenta cerca de 160 mil pessoas de todo o mundo, incluindo Moçambique.

Uma dessas pessoas que participa da edição 2019 da iniciativa sueca é Ronny Fritsche, cujos créditos residem no facto de ter sido distinguido com “Sustainable Production Champion Award”, o mesmo que Prémio Excelência em Produção Sustentável, pela Vancounver International Film de Canadá.

Para aquele Produtor da Zentropa Sweden, é cada vez mais necessário que o cinema exerça o seu papel na questão da consciencialização ambiental de forma clara e inequívoca, de modo que os filmes ajudem a solucionar a crise climática que afecta a humanidade.  

Segundo a percepção de Fritsche, quando a indústria cinematográfica conta histórias tratando de questões ambientais, trata principalmente de filmes sobre desastres, apocalipse ou pós-apocalipse, muitos deles ambientados num mundo de ficção científica.

No entanto, avança, essa não é a melhor maneira de comunicar o desafio climático ao público, pois o desastre é apresentado como algo improvável, algo que apenas é possível ser observado no cinema e não na realidade, daí os filmes com cariz ambiental não tornarem, muitas vezes, a humanidade responsável pelo desastre reportado.

Num contexto em que a humanidade está a enfrentar grandes alterações climáticas, Ronny Fritsche entende que os padrões de vida e comportamentos culturais de mais de 7,5 bilhões de pessoas precisam mudar. “É um grande desafio de comunicação e eu acho que precisamos dos filmes para gerenciar isso.

Eu dificilmente acho que a política e a pesquisa sozinhas farão o trabalho! Eu acho que o filme hoje é uma oportunidade não utilizada para ajudar a resolver a crise climática.

Com as histórias, podemos afectar o nosso futuro. O poder mágico do filme de usar sentimentos para afectar o coração das pessoas é muito mais forte do que os números e estatísticas da pesquisa”, afirmou o produtor acrescentando que com os filmes, os artistas têm a oportunidade de atingir milhões de pessoas ao mesmo tempo.

E porque o planeta precisa de ser respeitado e acarinhado, o desenvolvimento sustentável em consideração a área ambiental é urgente para a sociedade e também para a indústria cinematográfica.

Por isso, Fritsche sugere que se inicie o desenvolvimento sustentável da produção cinematográfica já. E informa: “Caso você ainda não tenha reflectido sobre como nossa indústria realmente coloca ênfase no planeta, posso dizer que quase todas as acções no processo de filme têm uma consequência de carbono.

Ao produzir filmes, fazemos o mesmo que os indivíduos privados, mas fazemos mais intensamente.

 Nós consumimos, comemos alimentos, viajamos, usamos energia, queimamos combustíveis fósseis e produzimos resíduos.

A pergunta mais comum que eu recebo quando digo que trabalho com filmes verdes é: ‘Qual é a coisa menos amigável ambientalmente para o cinema?’ E isso depende de qual filme, mas a resposta mais plausível é viagem aérea e transporte”.

Dito isto, o produtor defende que a produção cinematográfica é provavelmente a forma de cultura ambientalmente mais stressante que é feita.

Para sustentar a sua posição cita o estudo realizado em 2006, pela UCLA, o qual descobriu que o sector de entretenimento é o segundo maior poluidor em Los Angeles (LA), atrás da indústria do petróleo.

“O acto de filmar coloca pressão no meio ambiente, por isso é importante começar a trabalhar com métodos mais ecologicamente correctos agora, para que um dia possamos produzir nossos filmes sem stressar o planeta”.

Mesmo sem ter uma fama ao nível dos Estados Unidos ou Bélgica, a Suécia é um bom país para se escolher uma produção cinematográfica ecologicamente correcta.
Tal ocorre porque o país tem um sistema muito bem desenvolvido para resíduos, boas fontes de energia e o impacto da produção de alimentos é baixo.

Mas e o que é necessário para que a indústria cinematográfica se torne mais sustentável?

“Precisamos de líderes e financiadores que assumam a responsabilidade e sejam dedicados ao meio ambiente.Todo mundo precisa de um chefe que diga quais políticas devemos seguir. Uma equipe de filmagem precisa de um produtor que administre o trabalho ambiental, e um produtor, por sua vez, precisa de demandas impostas a eles. Essas demandas devem vir dos financistas do filme, dos fundos do filme e dos institutos”.

Ronny Fritsche é produtor sueco e tem desenvolvido relatórios sobre cinema e apresentando palestras em festivais como de Cannes, de Tromsø e Gotemburgo.

A sua produção mais recente é “Wasted”, feita com uma grande consciência ambiental. Em outubro do ano passado foi premiado com o “Sustainable Production Champion Award” no Vancouver International Film Festival pelo seu trabalho.

 

Afinal, Vasco Massingue o primeiro moçambicano que vai fazer parte da maior companhia de circo do mundo, também participa do Italia’s Got Talent, e até foi apurado para a segunda fase, na qual saberá se vai a final daqui a um mês.

Depois de demonstrar o que sabe fazer (nas alturas) como riguer, montando instrumentos para que ocorram espetáculos de circo com a maior segurança possível, Vasco Massingue, mostra que tem mais “truques nas mangas”.

O jovem de 32 anos formado como artista de circo contemporâneo surge (uma vez mais), com “estrondo” na Itália, e porque não no mundo, como sendo um dos 15 apurados na primeira fase do concurso italiano chamado Italia’s Got Talent.

E foi preciso muito talento para deixar para trás os cerca de dois mil candidatos que com o mesmo objectivo, “perfumaram com o ar da sua graça” quele palco italiano, mas que por razões diversas o júri preteriu da sua presença nas semifinais, a ser realizada dentro de um mês.

Mas para chegar até as semifinais, foi determinante a performance que Amos, como é carinhosamente tratado.

A “dança dos plásticos” é inspirada no drama da lixeira de Hulene, e chama atenção a necessidade de se reciclar o lixo, e principalmente o plástico, como forma de preservar o meio ambiente.

Sem pronunciar uma palavra, Amós disse tudo que o mundo precisa de ouvir, apenas balançando o seu corpo com movimentos rítmicos e acrobacias com plásticos azuis a mistura.  

Embalados pelo ritmo de Amós, o júri, que até quis ficar calado anuindo a passagem do rapaz para as semifinais, estava completamente rendido a performance de Amós. “Amós tu és um grande artista, e o que mostraste hoje não é uma simples performance, é uma autêntica obra de arte”, disse um dos júris.

Um outro júri, com lagrimas na face, relembrou “que este é um problema que não é apenas de Moçambique, mas de todo o mundo”, e concluiu que “o espetáculo de Amós mostra que devemos pensar no que estamos a fazer com mundo”, aludindo a necessidade de preservar o meio ambiente.

METARO A CAPITAL EUROPEIA DA CULTURA 2019
Para além de malabarista, Vasco Massingue também e riguer. Aqui, a partir de Março, ele será o primeiro moçambicano a fazer parte do maior Circo do Mundo, o Cirque Du Soleil, sediado no Canadá.

O jovem artista vai trabalhar somente na parte técnica, onde entre outras actividades, vai montar liras, tecidos acrobáticos e trapézios.

Antes do contracto entrar em vigor, o jovem vai trabalhar como riguer em Matera, Itália, durante um dos maiores eventos culturais da Europa, as festividades de exaltação da capital da cultura deste ano.

Independentemente da arte, Vasco Massingue sonha um dia trazer para o (seu) país, a arte de fazer circo, uma actividade que como se sabe, ainda não existe no país.

 

 

A Friends studios assinou um memorando de entendimento com a Escola de Comunicação e Artes (ECA) da UEM visando fortalecer parcerias entre as partes na capacitação e formação de estudantes nas áreas de Sonoplastia, Luminotecnia, gestão de estúdios de gravação reprodução e edição de Música.

Ciente dos grandes desafios enfrentados na formação, a friends Studios formalizou esta sexta-feira através de um memorando de entendimento o compromisso de orientar estágios e apoiar os estudantes da Escola de comunicação e artes da UEM de modo a consolidarem os conhecimentos ao longo dos cursos.

Coube ao director da escola de comunicação e artes da UEM, João Miguel, explicar de que forma esta parceria será feita tendo em conta os três grandes pilares da instituição e da sua nova gestão.

Criado, em 2016, a friends Studios, um centro de produção musical, já abraçou várias iniciativas no âmbito do fortalecimento da indústria cultural, sendo esta a primeira vez a cooperar com a escola de comunicação e artes da UEM.
 

A partir de Março, o acrobático e malabarista Amós será o primeiro moçambicano a fazer parte do maior Circo do Mundo, o Cirque Du Soleil, sediado no Canadá. O jovem artista vai trabalhar somente na parte técnica, onde entre outras actividades, vai montar liras, tecidos acrobáticos e trapézios.

É para este espetáculo acrobático que se formou inicialmente Amós na Escola de Circo de Vertigo, na Itália, como artista especializado em acrobacias e malabarismo.

Mas devido a diversos factores como oportunidade e talento, o jovem, nascido em Ressano Garcia, na província de Maputo, preferiu especializar-se na montagem de liras, trapézios e tecidos acrobáticos, uma actividade denominada tecnicamente por riguer.

A viver na Itália, o desempenho de Amós como riguer levou-o a assinar com a maior companhia de circo do mundo, o Cirque Du Soleil, fundado em 1984 por dois artistas de rua.

O contrato em nada impede de continuar a sonhar em montar, pela primeira vez na história moçambicana, uma escola e um circo.

Amós, de nome oficial Vasco Massinge, tem 32 anos, frequentou escolas da província de Maputo e Beira, antes de rumar para Suíça, e de seguida para Itália. Para além da Itália, trabalhou na Correia, na Colômbia, Tunísia e Alemanha.

 

Uma doença calou a voz rouca, firme e determinada de Oliver Mtukudzi, músico e guitarrista que há muito deixou de pertencer apenas ao povo zimbabwiano. A um ataque de diabete fulminante, Tuku, como também é conhecido, cedeu à morte ontem à tarde, segundo o jornal sul-africano The Sun, na Avenues Clinic, na cidade onde nasceu, Harare, capital do Zimbabwe. Aquela enfermidade vinha desgastando uma das grandes referências da arte shona há alguns meses. Nisso, Mtukudzi lutou até onde pôde, mesmo débil, e, sem o calor electrizante que várias vezes aqueceu o público moçambicano, aos 66 anos de idade partiu, deixando para traz um imenso espólio musical.

Além da música, Oliver Mtukudzi abraçou várias causas socias de carácter altruísta, como activista dos direitos humanos e embaixador da Boa Vontade da UNICEF para a Região da África Austral. Foi generoso, humilde e não media esforços para manter intercâmbios musicais com outros artistas. Aliás, Tuku gravou um tema com Stewart Sukuma, “Guardians of the light”, para o álbum Os sete pecados capitais do autor moçambicano. Com aquele tema publicado em disco em 2014, os dois artistas procuraram contribuir para aumentar a consciencialização sobre os direitos da criança. “Guardians of the light” mereceu um vídeo-clip que somou mais de 73 mil visualizações no YouTube. “Durante as gravações, o Oliver foi muito espontâneo e tudo decorreu de uma forma muito intuitiva e natural. É uma honra enorme ter a voz inconfundível do Oliver perpetuada numa música que me diz muito. Ficamos amigos e ligados para sempre”, garante Stewart Sukuma.

Por Roberto Chitsondzo, Oliver Mtukudzi é descrito como um músico que se preocupou pelo bem-estar das pessoas, não medindo esforços nesse sentido. Para o promotor de espectáculos Belmiro Quive, quem organizou o último concerto do artista zimbabwiano na cidade de Maputo, a 29 de Novembro de 2017, a morte de Tuku é uma perda física, pois tudo o que ele fez de melhor vai perdurar por longos anos.
Oliver Mtukudzi nasceu a 22 de Setembro de 1952. Começou a sua carreira nos anos 70, tendo criado o estilo Tuku Music, baptizado com o seu próprio nome. Desde então, apresentou-se mundialmente. É autor de vários álbuns, ao todo 67, como Ndipeiwo Zano (1978), África (1980), Shoko (1990), Neria (2001) ou Tsimba Itsoka (2007). Foi actor, homem interventivo, desertou, mas sempre com Zimbabwe no peito. Defendia a revitalização das línguas africanas com garras, e, com efeito, o shona sempre foi dos principais veículos de expressão. Uma das suas frases que fica aqui imortalizada é extraída no tema “Neria”: “Não deixe o seu coração amargurado”

STEWART SUKUMA
Músico

Estou deveras sentido com o desaparecimento de um colega, amigo e grande ser humano. O Oliver era um músico extraordinário e também um activista social de coração grande. Uma enorme perda para a cultura musical africana, mas igualmente uma figura que permanecerá para sempre presente através das obras que nos deixou. O Oliver era um músico do mundo, não só de África. Quando convidei o Oliver para participar no tema “Guardians of the light”, do meu álbum Sete pecados, a resposta positiva foi imediata.

ROBERTO CHITSONDZO
Músico

Conheci Oliver Mtukudzi em 1980. Na altura, fui a Pemba com um grupo de professores de Inhambane. Lá havia um grupo zimbabwiano que ele integrava. Mais tarde, começamos a ouvir Mtukudzi e participamos em festivais juntos. É uma perda grande para os zimbabwianos e para os fazedores da música africana. Ele era aquele levantava alto a bandeira do Zimbabwe. Perdemos como África Austral. Vinha cá frequentemente e não escolhia pessoas com quem cantar. Gostava de lutar pela saúde dos demais. A última vez que partilhamos palco foi no AZGO.

MOREIRA CHONGUIÇA
Saxofonista

Hoje é um dia triste, não só para o Zimbabwe, mas para África e para o mundo em geral. Tive o privilégio de ser amigo de Oliver Mtukudzi. Foi-me um grande mentor, um exemplo de persistência, consistência e sustentabilidade. A última vez que estive com ele foi há um ano, no funeral de Hugh Masekela. Ele tocou no Soweto. É grande perda. Estamos a ver músicos sábios a morrer, pessoas que contribuíram para a libertação de muitos movimentos africanos, que cantaram para o povo. É dia triste, grande perda. Por isso, é altura de repensar a cultura, temos de documentar informação sobre ele.

BELMIRO QUIVE
Promotor BDQ Concertos

A morte de Oliver Mtukudzi colhe-me de surpresa. Um artista muito querido em Moçambique e que tive o privilégio de promover naquela que foi a última aparição em Moçambique, a 29 de Novembro de 2017, quando trabalhei com ele no Standart Bank Acácias Jazz. É uma perda irreparável para a cultura africana, pois a sua música, voz e dança do Tuku, como carinhosamente chamávamos, jamais será ouvida ao vivo. No entanto, ele deixa um legado imensurável da sua vasta discografia que jamais será esquecida. Que Deus lhe dê o eterno descanso.

PAULO CHIBANGA
Promotor Festival AZGO

Para mim, a morte de Oliver Mtukudzi tem muitos significados. Como africano, amante da música, ele era das nossas maiores estrelas. A notícia da sua morte é triste para os nossos irmãos do Zimbabwe. Como artista tive oportunidade de partilhar palco com ele, em vários momentos. Uma vez participei no seu aniversário de 50 anos, no Zimbabwe, numa homenagem local. Lá estive com Stewart Sukuma. Ele foi um ser muito bondoso para todos e tinha trabalho social muito importante. Esta notícia veio como torrencial na nossa ideia de o homenagear. Estamos tristes.

Mais de 25 estrelas africanas participaram do Coke Studio Africa 2019, das quais cinco são moçambicanos, Trata-se dos artistas Laylizzy, Lourena Nhate, Shellsy Baronet, Messias Maricoa e Valter Artistico.

Laylizzy, considerado um dos artistas urbanos e mais talentosos do hip hop, fará sua estreia ao lado da cantora ugandesa, Fik Fameica, com suas colaborações produzidas pelo superastro da Tanzânia Lizer. Os dois já lançaram uma faixa original de R & B/ hip hop “Deck The Halls”.

Shellsy Baronet que participa pela segunda vez do Coke Studio Africa vai apresentar-se ao lado do rei da Tanzânia R & B Jux.

A dona dos hits “Nita Famba na Wena”, “A Wu Hembi” ", e Na Mbonga Papa", Lourena Nhate, fará a sua estreia no Coke Studio com o cantor etíope, Abush Zeleke, numa produção do ugandes Daddy Andre.

O Melhor Artista Africano no Afrika Awards, Messias Maricoa, que também foi indicado ao prémio MTV pelo Listener's Choice Award, faz a sua estreia no Coke Studio ao lado do artista zimbabweano Winky D.
 
Uma das estrelas que fez sua estréia no segmento Big Break este ano é a estrela em ascensão rápida Valter Artistico. Com sucessos como "Marandza", "Chefe do Quarteirão" e "Nandzzicado". Ele estará trabalhando com Rudeboy (Nigéria) e Khaligraph Jones (Quênia) no Coke Studio Africa 2019 com o par sendo produzido pelo produtor queniano Magic Mike.
 
Este é o quarto ano que artistas moçambicanos participam do Coke Studio Africa. Já participaram nas edições anteriores os artistas Dama Do Bling, Neyma, Lizha James, Liloca, Mr. Bow e Shellsy que participa pela segunda vez.

O Coke Studio Africa 2019 vai contar com artistas de vários países da região subsariana, incluindo Quénia, Tanzânia, Uganda, Etiópia, Zâmbia e Nigéria.
 

Um grupo de Jovens liderados pelo crítico literário Nataniel Ngomane criou um clube do livro em Maputo. O grupo encontra-se uma vez por semana para sentar e ler obras ao gosto do membro escolhido.
 
As árvores abanavam e zumbiam ao ritmo do vento, ao mesmo tempo que criavam uma sombra suficiente para mais de 100 pessoas no parque dos poetas, na cidade da Matola Província de Maputo.
 
Sentadas, concentradas, mas completamente tomadas pelos caminhos que cada livro leva o leitor a seguir, o grupo de quase trinta pessoas destacava-se das demais pessoas no coração do “Central Park”.
 
Ali os corpos estavam imobilizados, as almas voavam ao ritmo do Niketche, as vozes adormecidas gritavam e os flamingos voam eternamente, sem armas, sem guerra e sem barulho dos subúrbios por onde passou Meledina quando descrita por Aldino Muianga, mas tudo era intensamente vivido através da leitura.
 
“O nosso sonho é que se possa ler do Rovuma ao Maputo, do Zumbo ao Índico” idealiza o crítico literário Nataniel Ngomane, que acrescenta que “o nosso país está a precisar de ler”.     
 
A necessidade é geral, mas a sectores chave da sociedade, que podiam com relativa rapidez registar melhorias significativas com a leitura. “Uma das formas de melhorar a qualidade do ensino é colocar as nossas crianças a começar a ler muito cedo” disse, acrescentando que “esta é uma forma de exercitar os seus neurónios”.
 
A viagem pelas obras nacionais e não só é o culminar de um processo iniciado pouco depois da exposição da língua portuguesa, onde um grupo de sete pessoas decidiu manter os encontros.
 
Para o efeito, “sugeriu-se que a criação de um clube de livros” que consiste em “um grupo de pessoas que gostam de ler, que iriam se encontrar uma vez por semana e ler conjuntamente” explica.
 
A ideia colheu consenso e definiu-se que “os encontros deviam ser feitos em lugares públicos para que fossem vistos por outras pessoas que quisessem também fazer parte do grupo” conclui.
 
No clube criado, os gostos são diversificados, afinal, como diz a célebre frase do jornalista Carlos Cardozo, eternizada em várias obras literárias e não só, não se pode colocar algemas nas palavras e, nós acrescentamos, nem nos gostos literários.
 
Isso tendo em conta a conceito desenvolvido por este grupo de amantes da leitura, que abrem espaço para todos, ou seja, “a pessoa é que escolhe que género de livro pode ler ou que já está a ler, e vem ler connosco” explica Amad Balamad, um dos mentores da iniciativa.
 
Depois da leitura, os membros fazem uma roda para partilhar e colher experiencias de os outros membros do clube, criando uma “pontinha” de curiosidade sobre o livro, afinal “a leitura também é viciante” diz a poetiza Énia Lipanga.
Ela é também uma das escritoras emergentes do país, e defende que o clube de livros recentemente criado é a prova de que a tendência de leitura é crescente, pese embora persistam desafios.
“Apesar da existência de um grupo que diga que os jovens não lê, eu acho que de uns anos para cá as pessoas tem lido mais, as pessoas tem comprado mais livros” diz a poetiza e escritora.
 
Os desafios segundo ela, tem que ver com “o facto de os livros estarem muito caros”, sendo que a alternativa a falta de dinheiro, ela propõe, “é que sejam utilizados livros eletrónicos, que podem ser acedidos através de um telefone”, aliás “este clube tem, total abertura para este tipo de leitura”.
 
O clube do livro já tem cerca de trinta membros e colabora com dois clubes idênticos que se encontram nas terras de Bolsonaro, Brasil, que são coordenados (um deles) por Maria Toledo, e outro por Merces Parentes.
 
Com estes clubes, Ngomane e “companhia” já sonham em fazer uma leitura sincronizada através do Skype, apesar da diferença em termos de fuso horários. “Vamos encontrar um meio-termo para materializar este sonho” garantiu Ngomane.

O Director Nacional dos Serviços Penitenciários, Domingos Chame, lança o livro intitulado “O contributo da segurança para o desenvolvimento”. Quelimane foi o palco do lançamento da obra.

O livro de 128 páginas divididos em seis capítulos aborda aspectos transnacionais no que diz respeito a segurança . O autor da obra diz que não foi fácil escrever devido a escassez de bibliografias em português. Liberdade, segurança, economia, evolução das sociedades são dentre vários temas que a obra aborda.

Em Quelimane local onde fez o lançamento do livro pela primeira vez este sábado, O autor explicou por suas palavras a importância da segurança e liberdade nas diversas sociedades no mundo sobretudo em Moçambique.

"Este livro espero que traga contributo para todos nós porque a questão da segurança é tema actual. Uma sociedade segura é naturalmente aquela que tem condições para alcançar o desenvolvimento” disse.

Chame é natural do distrito de Angoche província de Nampula. Trabalhou por quatro anos na província da Zambézia como director da PIC actual SERNIC.

Augusta há-de ser uma figura atrevida, afinal, no seu esplendor, segurou Matias Damásio pelo braço de modo a não esquecer o caminho que vai dar a Maputo, onde, em Março, tem programados dois espectáculos musicais. Sendo nome de uma rapariga, na verdade, Augusta também é o título do mais recente álbum do cantor angolano, lançado ano passado.

Neste retorno à Pérola do Índico, o artista mangolé vai, portanto, apresentar a sua nova obra discográfica, que, uma vez mais, foi bem recebida pelos amantes do ritmo tropical e quizomba no país.

A primeira actuação de Matias Damásio na Pátria Amada, neste 2019, está marcada para 1 de Março, a qual irá realizar-se num jantar de gala para 700 pessoas, aberto ao público em geral, embora parte dos ingressos esteja reservado para os patrocinadores e parceiros da iniciativa. O evento está para o Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano.

Ainda a 1 de Março, toda a sessão em que Damásio será figura central terá duração de 3:30 horas, devendo iniciar com o jantar às 20 horas. Às 21:30, o músico irá subir ao palco para uma actuação de 90 minutos. Logo, hora e meia depois, às 23 horas, termina o concerto do angolano, mas não a sua intervenção. Depois das músicas cantadas, a agenda inclui ainda uma sessão fotográfica com o músico e um momento de assinatura de autógrafos ao som do DJ Sérgio Butler.

No dia seguinte, 2 de Março, haverá mais Damásio, entretanto num outro local: Campus Universitário da Universidade Eduardo Mondlane. Nesse dia, o espectáculo musical vai durar cinco horas de tempo, devendo iniciar às 19 horas e terminar à meia-noite.  

Além de Matias Damásio, ao palco montado na Universidade Eduardo Mondlane também irão artistas nacionais convidados, casos de Mimae, Júlia Duarte, Abuchamo Munhoto, Twenty Fingers, Mr Bow e DJ Supman. Do estrangeiro, Cef terá igualmente a oportunidade de promover o seu trabalho.

Quer o concerto do dia 1 quer o do dia 2 de Março surgem de uma parceria com a MOSAIK Comunicações, inserindo-se, com efeito, numa nova plataforma de eventos que a BDQ-Concertos abraça de ora em diante. Ou seja, se antes a BDQ habitou ao público moçambicano e estrangeiro a organizar shows musicais com lendas como George Benson, Billy Ocean, Norman Brown, Richard Bona, Jimmy Dludlu ou Lira, nos próximos tempos vai abranger mais amantes da música em geral, com a promoção de espectáculos com autores que cultivam, por exemplo, a quizomba.

De acordo com Belmiro Quive, da BDQ Concertos, os artistas convidados para o espectáculo de Março não foram escolhidos apenas por fazer ritmos semelhantes a Matias Damásio: “seleccionamo-lhes por acharmos que estão ao nível deste show. Temos muitos bons artistas. Infelizmente, não podíamos levar a todos. Fez-se uma selecção que se enquadrasse dentro do nosso programa, que tem como objectivo não cansar o público, proporcionar música de qualidade e melhor gestão do mesmo público”. Ainda assim, Quive garante que a BDQ Concertos não está a mudar de perfil de espectáculos, mais sim a abrir uma nova plataforma de eventos de massa, na qual, no caso, Matias Damásio enquadra-se perfeitamente, daí a pré-venda dos ingressos estar a registar muita adesão, depois de iniciada a 15 de Dezembro. “Oportunamente, iremos anunciar mais um concerto para 2019 neste segmento”, promete Belmiro Quive.

O concerto do dia 2 de Março está concebido para cinco mil pessoas, que terão a oportunidade de ouvir as músicas sintetizadas no esbelto corpo da Augusta e dos álbuns anteriores. Mais uma particularidade: “os artistas moçambicanos irão actuar num modelo de cocktail! Todos irão actuar ao vivo com uma banda local num conceito que queremos surpreender o público, daí que não vou revelar mais nada. Fica a surpresa” e o suspense de Belmiro Quive, quem acredita que o espectáculo vai trazer um novo paradigma para o público do segmento em causa. E a promessa de sempre? “Os que conhecem a BDQ Concertos sabem que a pontualidade é a nossa marca. Será um evento cultural que vai pautar pela pontualidade (hora para começar e hora para terminar). Faremos uma melhor gestão do público. Som e luz de qualidade ao nível do evento. Se no dia 1 de Março Damásio vai subir ao palco às 21:30h, já no dia 2 de Março, na UEM, vai subir às 22:30h. Isto significa que não vai ser necessário amanhecer para ver o Damásio a actuar”.

E porque a BDQ Concertos realça estar sempre preocupada com a boa organização, apela que o público compre os ingressos a tempo, mesmo porque as entradas são limitadas. “Assim evitamos transtornos de última hora. Agradecer aos meus patrocinadores e parceiros pelo apoio directo e indirecto que tem estado a dar para o sucesso deste evento”.

SOBRE AUGUSTA, A RAPARIGA QUE É CD

O álbum discográfico de Matias Damásio, Augusta, a ser apresentado em Maputo, é constituído por 12 músicas, as quais totalizam 47 minutos. Entre os títulos, encontram-se temas como “Chaves”, “Teu olhar”, “Juro por tudo”, “Só para te abraçar (com Pérola)”, “Alma gémea”, “Nada mudou” e, claro, "Voltei com ela". À imagem do que caracteriza os álbuns anteriores de Matias Damásio, Augusta investe no romântico, com sonoridades ora feitas ao estilo galanteador ora preenchidas por uma profunda melancolia. Portanto, o amor é o princípio e o fim de um autor que se vai engrandecendo na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

 

 

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