O País – A verdade como notícia

A abertura da exposição aconteceu no dia 11 e a obra da artista moçambicana estará patente no Centro de Artes e Espectáculo, na Figueira da Foz, até a 04 de Junho.

“Quero falar’t” mar é um projecto com trabalhos datados de 18 de Julho de 2016, nos quais Suzy Bila procura entender no seu processo criativo a genealogia dos problemas actuais e as respectivas condições ontolo?gicas, com vista a incorporar, transformar e confrontar num jogo de metamorfose.

“A natureza que nos acolhe esta? no seu limiar, leva o seu tempo para fazer eco no nosso corpo, porque estamos absorvidos na nossa intimidade. Mas quando estivermos infinitamente em simbiose, partilharemos o silêncio, de quem ja? chora, nesse instante, escutaremos o seu apelo. Como um segredo”, afirma Suzy Bila, quando se refere à exposição, defendendo que e? imperioso repensar-se o processo interno de construção, olhar-se o outro, o seu contexto e dele projectar-se um conhecimento mútuo.

Segundo entende a artista moçambicana residente em Portugal, actualmente, o mundo vive ao ritmo das grandes inovac?o?es tecnolo?gicas, o que contribui para se gerar sociedades complexas de interesses pluralistas antropogénicos e cada vez mais inumanas. Assim, no dia?logo com o outro que Suzy Bila estabelece por via das artes plásticas, é sua convicção, “encontraremos novas formas de escutar e significar o mundo, como seres conscientes dos seus problemas reais, criando mundos dentro de outros sustenta?veis”.

Maria Suzete Bila nasceu a 23 de Agosto de 1974, na cidade de Maputo. Em 1998, frequenta curso de Pintura no Centro de Arte e Comunicação Visual (Ar.co), onde permaneceu cinco anos. No encontro com obras de outros autores, liberta-se de algumas influências tradicionais do país de origem e cria a sua identidade artística. Em 2018/19, é Doutorada em Educação e Arte, num doutoramento conjunto entre a Universidade do Porto e a Universidade de Lisboa. A sua dissertação esboçou-se sobre as melhores estratégias para motivar a descoberta de arte na educação pré-escolar, “Como motivar a descoberta de arte na creche”, e levou-a a intervir com estratégias inovadoras na creche.

Suzy Bila é autora das seguintes individuais: “Nua e crua” (CCBM, Maputo, 2019), “A (R)MA O TEMPO” (Casa Museu Bissaya Barreto, 2015), “NÃO-SEI-QUÊ” (Galeria MAKALA, Lisboa, 2011), “REFLEXOS” (Centro Cultural Portuguêsês, Maputo, 2007), entre outras.

 

 

Os filmes etnográficos da antropóloga Margot Dias vão lançar a 4ª Edição do Festival Raiz, um evento que pretende prover a diversidade cultural enraizada em Moçambique promover ainda a valorização e reflexão em torno do património sociocultural moçambicano, reflectindo, igualmente sobre a tradição e suas transformações.

Este evento que marca o lançamento da programação a caminho do Festival Raiz 2019, vai realizar-se esta quinta-feira, às 18h30, no espaço 16Neto, em Maputo, com a mostra de importantes filmes para a compreensão de aspectos identitários do povo makonde, desde a sua emblemática actividade artesanal aos sistemas de parentescos.

A obra etnográfica de Margot Dias, realizada em Angola e Moçambique entre 1956 e 1961, no contexto das “Missões de estudos das minorias étnicas do ultramar português”, dirigida pelo antropólogo português Jorge Dias, seu marido, é considerada uma das primeiras utilizações do filme etnográfico no âmbito da antropologia portuguesa.

Ao lado do marido, Margot Dias, acompanhou os estudos que resultaram na publicação de quatro volumes de “Os Macondes de Moçambique” onde trouxe uma abordagem sobre o que considerou “tecnologias tradicionais”, referindo-se à cerâmica e cestaria, mas também uma análise aos ritos de iniciação.

Foi nesse contexto que Margot Dias, segundo o testemunho da própria, decidiu filmar os encontros e cerimónias como instrumento de apoio e auxílio à futura etnografia escrita, à semelhança do que sucedeu com os registos sonoros, destinados ao estudo da música e da língua.

De nacionalidade alemã, Margot Dias nasceu a 4 de Junho de 1908 em Nuremberga e viria a perder a vida em aos 93 anos em Oeiras, Portugal. Tinha diploma do Curso Superior de Música da Academia Nacional de Música em Munique.

 

Fotojornalismo é importante quando a fotografia transmite fielmente a realidade.

O filósofo e professor, Dionísio Bahule, estreou-se esta terça-feira como escritor, com o lançamento do livro "Fotojornalismo ou A Gramática das Sensações". Uma obra onde o estreante aborda com profundidade a sua visão sobre o fotojornalismo, dissecando sobre a história do fotojornalismo no mundo desde o surgimento da mesma no século 19 até a actualidade.

Bahule, não tem dúvidas que o seu livro vai servir de instrumento para que os amantes de fotojornalismo compreendam a área em que escolheram. Em entrevista ao jornal O País, o escritor disse que a imagem fala muito mais que palavras e complementa aquilo que o jornalista ou quem tirou a fotografia vai dizer.

"Quando nós pensamos em fotojornalismo, pensamos na conjugação entre a imagem e apalavra. Mas para se chegar até aqui temos que voltar ao século 19 com o surgimento da fotografia e do cinema. E eu volto um pouco antes de Cristo que é onde para mim começa a problematização sobre a verdade com duas grandes figuras, a primeira que é Protágoras e a segunda Gorjes. O primeiro diz que a verdade é relativa, ele nega a universalização da verdade quando diz que o homem é a medida de todas as coisas. E o segundo vai dizer que não existe a verdade, porque quem vê uma coisa e depois pretende reproduzir verbalmente ele nunca e jamais saberá dizer fielmente o que ele viu, ou vai acrescentar ou vai suprimir. Portanto este é o pretexto sobre o qual o fotojornalismo vai surgindo, e é isso que eu quero trazer", disse o escritor.

Dionísio diz que o fotojornalismo tem a função de dar credibilidade ao facto, tornando assim o leitor um sujeito activo.

"O fotojornalismo é este pretexto de buscar a verdade no sentido objectivo, afinal de contas quando a fotografia surge ela rompe com as artes plásticas, porque até às vanguardas europeias, as artes plásticas eram tidas como aquelas que visavam trazer a superfície uma verdade imagética e realística, mas quando a fotografia surge, ela quebra com a obsessão das artes plásticas como aquilo que vai buscar o retrato fiel", acrescentou Bahule.

O escritor reprova o conceito de sensacionalismo e espectacularização dos factos no fotojornalismo. Bahule diz que o objectivo principal do fotojornalismo é trazer uma conjugação fiel, objectiva, lógica e epistémica entre a verdade enquanto lugar imagético, e a verdade enquanto um lugar de discurso.

 

 

 

Logo à noite, o Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros da Noruega, Jens Frølich Holte, de visita oficial a Moçambique, vai participar, com a direcção do Teatro Avenida, de uma sessão cultural, quando forem 18h00. O evento vai realizar-se no espaço Sabura – Centro Cultural – Escola e Museu de Teatro, na cidade de Maputo.

Nesta vinda à capital moçambicana, o chefe da diplomacia norueguesa vai inteirar-se das actividades artísticas e culturais em geral que são levadas a cabo pelo Teatro Avenida, quer na cidade de Maputo, quer ao longo do território nacional, com especial apoio da Noruega. Para o efeito, Manuela Soeiro, Directora do Teatro Avenida, fará uma dissertação abrangente sobre a cooperação Moçambique-Noruega em vários campos ao longo de três décadas de parceria entre os dois estados.

De igual modo, o encontro entre o Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros da Noruega e a direcção do Teatro Avenida, num compromisso de caris artístico-cultural, vai servir para se apontar os passos que aquele país da Europa do Norte tem dado no processo de garantir o desenvolvimento no domínio económico, político, social e cultural, internamente e no mundo.

A cooperação entre Moçambique e Noruega não é algo novo. Depois da proclamação da independência nacional, de Oslo vieram apoios para artistas e grupos nacionais. O Teatro Avenida, por exemplo, produziu diversas peças a apelar à protecção dos moçambicanos, logo a seguir a guerra que assolou o país, recorrendo-se a peças que versavam sobre o perigo das minas, com apoio da Noruega. Através do projecto “Moçambique, Quero-te” adaptado da obra de Gulamo Khan, o Teatro Avenida produziu a peça teatral “Vestir a Terra” em 10 línguas bantu, permitindo deste modo que a mensagem chegasse a todo o País.

Actualmente, a continuidade dos projectos do Teatro Avenida tem na Noruega um dos principais parceiros.

 

A cidade de Maputo acolhe a partir do dia 27 de Maio até 01 de Junho a segunda edição de Encontro de Culturas. O evento vai reunir artistas de vários países com objectivo de promover diversas manifestações culturais.

Durante uma semana, os artistas vão exibir peças teatrais, filmes e haverá exposição de gastronomia, pintura e obras literárias. O programa inclui ainda debates sobre as diversas manifestações culturais e espetáculos musicais.

O Ministério da Cultura e Turismo, organizador do evento, avança que já se inscreveram, até ao momento, 13 países e espera que o número venha a aumentar.

O Segundo Encontro de Culturas vai decorrer sob o lema: “A cultura Unindo Nações, promovendo a paz e o desenvolvimento socio-económico”.

 

Entre os dias 24 de Maio e 23 de Junho realizar-se-á 16ª edição do FITI – Festival Internacional Teatro de Inverno, com a participação de 25 grupos de teatro.

O evento organizado pela Associação Cultural Girassol vai acontecer todas as sextas, sábados e domingos a partir das 18.30h, no Cine Teatro Gil Vicente, Centro Cultural Brasil-Moçambique, Teatro Avenida e Centro do Teatro do Oprimido. A Edição do FITI deste ano será constituída por três agendas: FITI Teatro, FITI Papu Kultura e FITI Homenagens.

Além dos grupos de teatro nacionais, no FITI Teatro irão desfilar grupos convidados de Angola, África do Sul, ESwathini, Portugal, Espanha e Brasil. De acordo com a organização, à semelhança da edição passada, personalidades do teatro que se destacam na sua promoção e divulgação serão homenageados.

A presente edição do Festival Internacional Teatro de Inverno é de carácter demonstrativo, tendo como objectivo a divulgação do produto artístico dos grupos, a troca de experiências e a capacitação dos actores.

O FITI – Festival Internacional Teatro de Inverno é uma iniciativa da Associação Cultural Girassol que teve o seu início em 2004 com o objectivo de apoiar os grupos amadores de teatro através da divulgação do seu trabalho artístico, associativismo cultural e formação de actores, tendo inicialmente sido de carácter competitivo.

Um balanço à edição do passado ano de 2018, indica que o Festival Teatro de Inverno movimentou cerca de 250 artistas entre actores, actrizes, dançarinos e músicos, tendo registado uma assistência de pouco mais 3.000 pessoas que durante quatro finais de semana afluíram aos locais de realização dos espectáculos.

 

Está agendado para esta sexta-feira, às 20h30, no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), em Maputo, o lançamento do novo álbum de Isabel Novella, num espectáculo que vai juntar artistas de Moçambique, Ilha Reunião e Quénia. Na verdade, o evento vai marcar a abertura oficial do Festival Azgo, segundo a nota do CCFM, num espírito de “boas-vindas” para o público.

Do Quénia, vem a banda Maia and the Big Sky, um colectivo de música de Nairobi liderada pela cantora e compositora Maia. Maia and the Big Sky já se apresentou em vários festivais de renome pelo mundo fora, apresentando-se sempre com o seu som e espírito de alta energia. Sua música magnética em inglês e kiswahili tece vários ritmos africanos com soul e folk, criando uma familiaridade e calor que transcende os continentes.

Para completar o trio que estará em palco, da Ilha Reunião vem Lindigo, uma formação de jovens músicos, cheios de energia e orgulhosos da sua herança malgaxe. A música de Lindigo é um verdadeiro convite para viajar pelo coração da Ilha da Reunião através da Ilha Grande e da inevitável África, até às costas da índia, influências musicais que se fundem para desvendar o ritmo tradicional Maloya hipnotisante e irresistível.

Nesta quinta-feira, artistas, gestores, pesquisadores e comunidade académica de áreas sociais e académicas, juntam-se, na Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane, para reflectir “arte e cidadania” no seminário Azgo Dialogar, no âmbito da 9ª edição do Festival AZGO.

Discutir a arte como uma possibilidade transversal dos processos de ensino-aprendizagem, que naverdade funcionam como um tipo de prática pedagógica de sensibilização dos indivíduos sobre os processos socioculturais é o ponto de partida e que ditou a escolha do tema “Arte e Cidadania”

 

 

“Também os brancos sabem dançar” é o título do primeiro romance do músico e escritor angolano Kalaf Epalanga a ser apresentado esta quinta-feira, às 18h, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo. Na cerimónia de apresentação, caberá ao poeta Mbate Pedro a tarefa de apresentador de um livro publicado sob a chancela da editora Caminho (grupo Leya).

Em geral, o livro retrata a história de um músico angolano que, sem passaporte válido, dirige-se de autocarro da cidade sueca de Gutemburgo para Oslo, a capital da Noruega, onde vai actuar com a sua banda no festival OYA. Nisso o artista é detido por tentativa de imigração ilegal e conduzido à esquadra da polícia para interrogatório.

Aflito perante a iminência de perder o concerto, interroga-se: “como vou explicar a estes polícias noruegueses que, apesar do meu aspecto pouco comum por estas paragens, não sou mais que um pacífico músico angolano em digressão? Conseguirei explicar-lhes quem são os Buraka Som Sistema? Falo-lhes da cena musical de Lisboa? De como nasceu o Kuduro num musseque de Luanda? Eles irão perceber?”. À volta disto gira a história do livro de Kalaf Epalanga.

De acordo com a nota do Camões, a apresentação do livro “Também os brancos sabem dançar” decorre no âmbito da 9ª edição do festival AZGO.

Kalaf Epalanga nasceu em Benguela, Angola, em 1978. “Também os Brancos Sabem Dançar” é o seu primeiro romance. Publicou os livros de crónicas, “O Angolano Que Comprou Lisboa (Por Metade do Preço)” e “Estórias de Amor para Meninos de Cor”. Foi cronista do jornal Público e da Rede Angola. Escreve para a GQ Portugal e é membro da banda Buraka Som Sistema. Actualmente, vive em Berlim.
 

 

Chamam-se, agora, Dire Straits Experience e são liderados por Chris White e Terence Reis, este natural de Lourenço Marques (Maputo). A banda britânica que tocou corações de muitos moçambicanos nas décadas 80 e 90 vem à capital do país para dois concertos, nos dias 11 e 12 de Outubro. O primeiro será numa gala no Salão Multiuso do Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, às 20h, e, o segundo, no Campus da Universidade Eduardo Mondlane, às 19h. 

Na cidade de Maputo, Dire Straits Experience vai aterrar quatro dias depois de um concerto na Filândia, e, na capital moçambicana, a actuação terá 90 minutos dedicados aos sucessos do passado da banda, entre os quais as músicas “Brothers in arms”, "Sultans of Swing", "Lady Writer", "Your Latest Trick", "Romeo and Juliet", "Why Worry", "So Far Away", "Money for Nothing", "Walk of Life" e "Tunnel of Love". 

AO contrário do concerto inaugural, o do dia 12 contará com a presença dos músicos nacionais Mingas, Stewart Sukuma e Banda Kakana.

Para a organização do espectáculo, trazer Dire Straits Experience constitui uma oportunidade que não deviam desperdiçar. “Esta será a primeira vez que vamos apostar no ritmo. Quando soubemos que haviam condições para os convidar a vir actuar em Moçambique, logo que foi possível agarramos a oportunidade porque sabemos que com a vinda deles vamos proporcionar momentos incríveis aos apreciadores da boa música deles”, afirmou Belmiro Quive da BDQ Concertos, sublinhando que da banda não vem Mark Knofler porque desintegrou-se para levar uma carreira a solo há mais de duas décadas. Os restantes membros de Dire Straits Experience estarão na cidade das acácias para um concerto inesquecível. Garante. E Quive não fica por aí. Confessou que para sua equipa é uma honra poder produzir o espectáculo para um público que tanto precisa de bons concertos. Por isso mesmo, comprometemo-nos em seguir a linhagem qualitativa da sua produtora. 

Porque a vinda de Dire Straits Experience suscita novidade, uma das que a BDQ preparou para o concerto de gala no Salão Multiuso do Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano tem que ver com o facto de: “Pela primeira vez, teremos sistema de reserva de lugares, na gala, e quem comprar os ingressos mais cedo, vai assistir ao espectáculo a partir de lugares privilegiados. Agora, no dia 12, quem comprar mais cedo terá melhores descontos”.

Inicialmente, a BDQ Concertos queria trazer Michael Bolton, este ano. Entretanto, o espectáculo deste músico fica adiado para o primeiro trimestre de 2020. De acordo com uma nota da organização do espectáculo, “o adiamento resulta do facto de ter registado uma grande pressão pública para a realização de um segundo espectáculo mais acessível como é apanágio da produtora”. Além disso, questões de agenda e aspectos técnicos ditaram o adiamento do espectáculo para próximo ano.

Enquanto não chega a vez de Michael Bolton, Dire Straits Experience virá a Maputo depois de uma digressão com mais de 45 espetáculos na Europa.  

+ LIDAS

Siga nos