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“As crianças são o futuro da nossa cultura e são o verdadeiro e principal alvo do trabalho que estamos a desenvolver no Xiquitsi”. Estas palavras da Directora Artística do Xiquitsi foram ditas com convicção, depois do derradeiro concerto da série inaugural. Segundo Kika Materula, o Xiquitsi está a trabalhar neste momento com as mais variadas instituições, com patrocinadores e com todos que apoiam o projecto de modo que a criança continue sendo a lufada de ar fresco, a esperança e o futuro das artes e da cultura no país e no mundo. Por isso mesmo, no último domingo, a Temporada de Música Clássica de Maputo levou ao Teatro Avenida, na capital do país, um concerto dedicado a pais e filhos, o qual iniciou às 16 horas, mesmo para que as crianças pudessem viver os acordes de música clássica numa hora que lhes favorecesse.

A pensar em chegar sempre às crianças, no passado dia 10, o Xiquitsi foi a Nampula. Naquela província, especificamente na Ilha de Moçambique, os artistas da Temporada de Música Clássica de Maputo visitaram escolas primárias, dedicando-se a fazer uma introdução à música. “Este é o nosso caminho, é a nossa vontade de crescer e de fazer chegar a música e cultura nas mais variadas crianças do nosso país”, afirmou Kika Materula. 
No derradeiro concerto da série inaugural, houve uma conjugação da música e arte (desenho) em tempo real. A respeito da iniciativa, Materula afirma: “A música está ligada às mais variadas artes, e, prova disso, é a ópera, o género musical mais completo conhecido por todos nós. O desenho levámo-lo de modo a ajudar para uma melhor compreensão. A obra que é interpretada, as quatro Estações do Vivald, só é possível interpretá-la em Moçambique e no Xiquitsi devido à capacidade e capacitação que nós temos vindo a desenvolver com os nossos alunos”, garantiu a Directora Artística do projecto, sublinhando: “O desenho em tempo real foi um grande sucesso para o nosso público. Vimos crianças, jovens, adultos a tentar perceber um pouco aquilo que é o desenho em tempo real”. 

A primeira série da sexta Temporada de Música Clássica realizou-se entre 8 e 12 deste mês. Pela primeira vez, o evento realizou um concerto fora de Maputo, sendo que a obra “Moya”, de Estevão Chissano, teve estreia nacional. 
 

Joaquín Torre é um dos convidados à sexta edição da Temporada de Música Clássica. Para o artista, o Xiquitsi é um projecto fantástico, mais do que pela música, pelos valores que transmite aos jovens, o que acontece com muita paixão e projecção internacional.

Segundo entende Torre, o Xiquitsi é uma forma de fazer da música um factor de integração social. “Poucas vezes temos observado um projecto assim desta natureza, que é qualquer coisa de milagrosa. Gostaria de felicitar Kika Materula, que tem uma força enorme e tem sabido dedicar-se ao Xiquitsi dia e noite”, afirmou o músico.

Uma das coisas que agrada Joaquín Torre na Temporada de Música Clássica de Maputo é o facto de o projecto incluir um concerto para pais e filhos, o que é importante porque a educação de música clássica e de arte em geral começa desde pequeno: “esta é uma maneira de introduzir as crianças no universo das artes. Estou muito feliz por fazer parte desta iniciativa nesta primeira semana da Temporada de Música Clássica de Maputo. Nestes dias, tenho observado que os mais jovens, que na verdade são também da minha idade, na música a idade não conta muito, mas a causa comum, entregam-se com muita dedicação e disciplina enormes nos ensaios. Sinceramente, é um prazer partilhar música com eles, um diálogo que, mais do que trabalho, tem sido um desfrute prazeroso”.

Para Torre, igualmente, a música é partilha e aprendizagem. Já não é só o ritmo, são as experiências, as viagens. Os instrumentos são apenas ferramentas de transmissão desses conhecimentos.

Joaquín Torre nasceu em Madrid, em 2000, dentro de uma família de músicos. Inicia os seus estudos de violino aos quatro anos com o professor Sergio Castro e de 2014 a 2018 frequenta a Escola Superior de Música Rainha Sofia na classe dos profs. Em 2018, ganha o primeiro prémio no “Mundi Talent Awards”, e em 2012 é segundo prémio no X Concurso Internacional de “Violinos pela Paz”.

Recebeu várias bolsas de estudo de instituições de renome como a Juventudes Musicales de Madrid, Cleveland Institute of Music, Heifetz International Music Insitute, Bowdoin International Music Festival, Fundación Albéniz, Comunidad de Madrid, e a Asociación de Intérpretes y Ejecutantes. Participou em numerosos concertos de norte a sul de Espanha, bem como Londres, Festival ArtDialog de Suíça, Bowdoin Musik Festival, Heifetz International Music Festival entre outros. É membro titular da Orquestra Jovem Gustav Mahler desde 2016 com quem realizou tournées pelas salas mais importantes da Europa. Torre é um dos convidados para a próxima série do Xiquitsi.

 

Dois artistas, uma causa: tributar uma das vozes literárias mais importantes de Moçambique. Expedito Araújo e Melanie de Vales vão, na noite de hoje, quando forem 18h30, dedicar uma sessão artística a Paulina Chiziane, autora de livros como Balada de amor ao vento, Niketche, O sétimo juramento e Ventos do apocalipse.

O evento será realizado no Centro Cultural Brasil-Moçambique, na cidade de Maputo, e, de acordo com Expedito Araújo, vai acontecer em formato litero-musical, com momentos de narração de histórias. Os dois actores que já trabalharam juntos antes, no mesmo Centro Cultural, interpretarão um trecho da obra literária Niketche.

A sessão desta noite inclui ainda leitura e música através da voz de Melanie de Vales para narrar um grande e precioso conto moçambicano. Criado na linguagem teatral, o recital objectiva contar a história tanto para aqueles que não conhecem a obra de Paulina Chiziane, mas também para aqueles que já leram o livro.

O evento terá como convidado especial o actor Rivaldo Munguambe e contará com a presença da escritora.  

 

 

Lançado na segunda-feira na Beira, o livro que retrata as batalhas de Dhlakama é intitulado “Afonso Dhlakama, a longa luta em defesa da democracia”. É da autoria do escritor e jornalista Adelino Timóteo e tem 260 páginas

A obra retrata o percurso da vida política de Afonso Dhlakama, antigo presidente da Renamo, que faleceu em Maio do ano passado.

No livro, Adelino Timóteo traz algumas alguns pontos sobre histórias de Moçambique, nomeadamente o processo da democratização do país, com destaque ao conflito armado entre a Renamo e o Governo, que durou 16 anos, cuja assinatura do acordo de paz foi em Outubro de 1992.

Segundo Adelino Timóteo, o propósito deste livro é fornecer e esclarecer às novas gerações a verdadeira história da guerra civil em Moçambique.

"Em Moçambique procura-se guardar segredos de forma infantil e injustificável sobre a guerra civil. Afonso Dhlakama sempre lutou pela implantação da democracia e bem-estar social e houve razões muito fortes para pegar em armas e lutar contra o Governo do dia”, justifica o escritor, para depois acrescentar que “infelizmente a verdade sobre a chamada guerra civil está sendo escondida, pelo menos aqui no nosso país, desde que terminou a guerra em 1992. É uma atitude que na minha opinião contribui para definhar a nossa história. A nova geração e até aqueles que viveram a guerra precisam saber toda a verdade para que todos juntos possamos evitar trilhar caminhos que nos levem a outro conflito. Noutros países e de forma particular na Europa, sabe-se tudo sobre a luta pela democracia liderada por Afonso Dhlakama. Para nós é um segredo, porquê? O livro vem desmistificar parte desta história", explicou Adelino Timóteo.
O autor pretende, segundo explicou, ver a sua obra contribuir na formação política e social da juventude e entende que a actual história sobre a guerra civil conhecida pelos moçambicanos já devia ser desconstruída.

O lançamento da obra contou com a presença de vários membros da Renamo, que dizem se sentir encorajados a continuarem firmes na luta pelos ideias sempre defendidos pelo seu antigo líder, tal como vem indicado no livro, nomeadamente a defesa da democracia e igualdade social.

O presidente do MDM e do Conselho Autárquico da Beira, Daviz Simango, entende que o livro em referência vem defender aquilo que foram os ideais de Afonso Dhlakama na luta pela democracia, daí a edilidade ter financiado a elaboração da obra.
"O Conselho Municipal vai continuar a apoiar iniciativas que visem contribuir para a robustez da nossa democracia. Obrigado Adelino e continue a escrever histórias verídicas do nosso país e a ajudar a abrir caminhos para as novas gerações para que estas possam compreender o nosso passado e depois poderem construírem um futuro mais robusto democraticamente", referiu Simango.

 

Stewart Sukuma é um dos convidados para a presente edição do Azgo Dialogar, o seminário de reflexão sobre a indústria criativa e cultural do Festival Azgo, marcado para dias 16 e 17 de Maio, na Escola de Arte e Comunicação da Universidade Eduardo Modlane (ECA-UEM).

Sukuma irá debater o tema “Música e cidadania: movimento cívico de divulgação eleitoral” no Azgo Dialogar, que neste ano tem como propósito geral reflectir em torno de “Arte e Cidadania”.

Aconvite do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE), desde as primeiras eleições presidenciais e legislativas (1994) até aos dias de hoje, Sukuma tem um papel activo no campo cívico, na promoção da cidadania e da democracia assumindo a produção e organização das campanhas cívicas do recenseamento eleitoral e do direito ao voto, levadas a cabo pelo STAE.

Sukuma irá partilhar a sua visão e o seu conhecimento junto de um público composto essencialmente pela comunidade académica e artistas. No Festival Azgo, o músico vai actuar no dia 18, no Tributo a Oliver Mtukudzi, e no dia 19 de Maio, com a sua Banda Nkhuvu, no campinho da Mafalala, no âmbito da promoção da cidadania.

 

Azgo continua a envolver crianças

O Azgozito, programa do Festival Azgo para a infância, que se aplica a arte-educação, envolvendo alunos do ensino primário, neste mês, não fugirá à regra e o festival dos pequenos vai acontecer na manhã do dia 18, no Campus da UEM, em Maputo.

Trata-se de um reconhecimento do Festival Azgo da importância de envolver as crianças nas artes desde a mais tenra idade, inspirando-as para mentes criativas e para que não fiquem por fora deste grande evento.

As crianças e alunos têm a oportunidade de praticar actividades com os músicos que actuam no Festival Azgo e artistas visuais de Moçambique, numa zona específica, preparada para que se sintam acomodadas e à vontade para brincar, aprender e interagir, com actividades que chamam à sua consciência para questões ambientais, da valorização do património cultural e do conhecimento no geral.

O Azgozito acontece, assim, através de mini-concertos, oficinas criativas em percussão, canto, criação de maquetes, criação de livros, fotografia, afro dance, teatro e criação de instrumentos. E, tal como no Azgo, a música é um dos fortes do Azgozito. Nesse sentido, um dos principais convidados é o músico Fernando Luís, conhecido intérprete de música para infância, bastante memorizado na história cultural do país.

O evento contará ainda com os concertos da Orquestra da Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane e do colectivo Amatuwetwe. Os espectáculos não param na música, haverá ainda espaço para a apresentação das Marionetas Gigantes, Acro Dance, Pernas de Pau e Balé.

O Azgozito tem-se destacado ao envolver alunos de escolas públicas e privadas da capital, além das crianças de Maputo, com acesso gratuito. Aliás, prova do seu crescimento, foi a sua realização, em 2018, pela primeira vez, na província de Nampula.

 

32 participantes juntam-se para discutir à volta da arte literária na capital do país. Durante três dias, a Cavalo do Mar leva o livro à celebração com autores africanos, europeus e latino-americanos. O festival arranca às 15 horas desta terça-feira.

Este ano, o Camões – Centro Cultural Português, na cidade de Maputo, é o local escolhido para o Festival de Literatura Resiliência, na sua terceira edição. O programa organizado pela editora Cavalo do Mar realiza-se sob o lema “Mobilidade e criação artística na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)”, e junta escritores de várias gerações e países, académicos, críticos literários, jornalistas, livreiros, editores e músicos, totalizando 32 participantes.

Nesta terceira edição, à imagem das outras duas, o Resiliência terá mesas redondas, nas quais serão discutidas questões associadas à língua portuguesa, à literatura, à circulação das obras ao nível da CPLP, além de discussões sobre cultura de leitura, lançamentos e feiras do livro.

Quanto aos debates, nesta terça-feira, o primeiro irá discutir “Políticas e caminhos das literaturas de língua portuguesa”, tendo como oradores a brasileira Carmen Tindó Secco, pesquisadora de Literaturas Africanas, e o jornalista e poeta angolano José Luís Mendonça, sob moderação da professora universitária Conceição Siopa. A seguir, discutir-se-á “O futuro da língua portuguesa”, nas vozes M.P. Bonde, Pedro Pereira Lopes (Moçambique) e Valter Hugo Mãe e Carlos Reis (Portugal), sob moderação do director do “Camões” no país, João Pignatelli.

A série de lançamentos de livros começa esta terça, com “Outras fronteiras”, de Ana Mafalda Leite, sob a chancela da editora Cavalo do Mar. Amanhã, a conversa volta com Domingos Carlos Pedro (Domi Chirongo), Secretário-Geral da Associação Moçambicana dos Autores (SOMAS) e o icónico médico Hélder Martins, a discutir “Os direitos de autores”, com a moderação do jornalista Elton Pila. Na sequência, os escritores moçambicanos Énia Lipanga e Luís Carlos Patraquim – o homenageado desta edição – e Valter Hugo Mãe debatem “Tendências da actual poesia em língua portuguesa”, com a moderação do escritor António Cabrita.

A série de mesas redondas prossegue com o tema “Circulação de bens culturais e mobilidade dos escritores na CPLP”, que terá como oradores Carlos Paradona, Secretário-Geral da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), o escritor Rogério Manjate, sob moderação de Cristovão Seneta. Serão ainda lançados os livros “O céu não sabe dançar sozinho” (Cavalo do Mar), de uma das vozes significativas da literatura angolana, Ondjaki e “Angola me diz ainda” do incontornável escritor palanca, José Luís Mendonça.

Para quinta-feira, estão previstas as discussões sobre “o cânone literário em Angola e Moçambique: questionamentos”. Esta mesa será composta pela poetisa e pesquisadora de literatura, a luso-moçambicana Ana Mafalda Leite, pela académica moçambicana Sara Jona, José Mendonça e pela, igualmente pesquisadora, a brasileira Vanessa Pinheiro, com a moderação de Alberto Mate.

“A prática narrativa em Angola e Moçambique e os caminhos da transnacionalidade” é o tema que irá reunir os escritores moçambicanos Chakil Abobacar, Lucílio Manjate, Virgília Ferrão, com o jornalista José dos Remédios a moderar.  

Este festival conta ainda, durante os três dias, com duas actividades paralelas, nomeadamente, uma oficina de escrita criativa e uma visita guiada ao mítico bairro da Mafalala. Segundo a organização, O Resiliência 3 decorre, propositadamente, no mês de África, da língua portuguesa e da celebração do nonagésimo sétimo aniversário do nascimento de José Craveirinha.

Desde 2018 que a Editora Cavalo do Mar tem vindo a organizar o Festival de Literatura Resiliência, com vista a promover o livro, a leitura e a incentivar uma maior circulação das obras dos autores moçambicanos, dentro e fora do país, contribuindo assim para a edificação de um sistema literário resiliente.

A presente edição deste encontro das letras é apoiada pelos governos moçambicano e português.

 

 

Deveria ter sido lançada a 3 de Abril, mas, por causa dos danos causados pelo Ciclone Idai, no Centro do país, os organizadores do livro, que vivem na cidade da Beira, tiveram que adiar cerimónia de lançamento para 9 deste mês, sempre no Centro Cultural Brasil-Moçambique, na cidade de Maputo, a partir das 18 horas. Assim, a colectânea “Do Índico e do Atlântico: contos brasileiros e moçambicanos” terá apresentação de Nataniel Ngomane, Presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa.

“Do Índico e do Atlântico: contos brasileiros e moçambicanos” reúne textos de sete escritores nacionais e do Brasil. A história da sua produção começa com um convite feito pelo escritor e editor Dany Wambire ao editor Vagner Amaro, da Malê Edições, para edição conjunta de um livro que ajudasse na promoção da literatura moçambicana no Brasil, e, igualmente, promovesse em Moçambique a literatura de alguns dos principais autores contemporâneos do Brasil.

Deste modo, foram seleccionados para fazer parte do livro os contos moçambicanos de Mia Couto (Rosalinda, a nenhuma), Lília Momplé (Stress), Alex Dau (Menina Teresinha), Diogo Araújo Vaz (Apocalipse), Dany Wambire (A mulher sobressalente), Carlos dos Santos (O ilusionista) e Daniel da Costa (A flauta do Oriente) e os contos brasileiros de Conceição Evaristo (Os pés do dançarino), Marcelo Moutinho (Oxê), João Anzanello Carrascoza (Dias raros), Rafael Gallo (Corte), Eliana Alves Cruz (Noite sem lua), Cristiane Sobral (223784) e Miguel Sanches Neto (Sabor).

Para Mia Couto, visivelmente feliz por integrar “um colectivo de gente mais jovem”, uma antologia “é quase sempre o melhor meio de começar junto de um mercado distante”. Pelo facto de se fazer uma selecção de autores, continua o escritor, pode-se, de uma única vez, “projectar nomes diversos com tendências literárias diferentes.”

A apresentação da colectânea na cidade de Maputo enquadra-se nas celebrações da Semana da Língua Portuguesa, que iniciou este domingo.

 

Na aldeia dos crocodilos, de Adelino Timóteo; O caçador de ossos, de Carlos dos Santos; Leona, a filha do silêncio, de Marcelo Panguana; e O pátio das sombras, de Mia Couto. Estes são os quatro livros infanto-juvenis de autores moçambicanos, publicados pela editora Kapulana no Brasil, que mereceram a indicação “Altamente Recomendável”, na categoria “Literatura em Língua Portuguesa”. O reconhecimento foi feito pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), no Brasil, e é atinente aos livros publicados ano passado.

 

A indicação “Altamente Recomendável” a Na aldeia dos crocodilos surpreendeu Adelino Timóteo, pois nunca algo de género tinha-lhe acontecido no estrangeiro. “E por ser um infanto-juvenil, faz deste reconhecimento mais especial. Penso que tal aconteceu porque, de alguma forma, trato, no meu livro, um tema que, sendo sobre Moçambique, também tem que ver com Brasil e com a América Latina em geral: o realismo mágico, que caracteriza os grandes mestres de quem aprendi”.

 

Para Marcelo Panguana, este reconhecimento quer dizer que, de sua parte, tem realizado um trabalho delicado. E, em geral, a distinção demonstra que há qualidade literária em Moçambique. “Estamos a produzir uma literatura surpreendente, com escritores ao nível de vários autores de fora. Agora, o que precisamos é de internacionalização a acontecer através de reconhecimento desta natureza. Portanto, estamos a crescer e espero que esta distinção incentive-nos a escrever cada vez melhor”.

Ao contrário de Timóteo e Panguana, Carlos dos Santos tem uma percepção diferente sobre a indicação “Altamente Recomendável” a Na aldeia dos crocodilos; O caçador de ossos; Leona, a filha do silêncio; e O pátio das sombras. A questão daquele autor é: por que o reconhecimento aos livros em causa acontece apenas agora. E adianta: “as instituições moçambicanas ligadas ao livro deveriam ocupar-se mais em promover as obras literárias no estrangeiro, porque está visto que a nossa literatura é apreciada fora. Alguns dos quatro livros agora considerados “Altamente Recomendável”, no Brasil, inclusive O caçador de ossos, foram adoptados pelo Plano Nacional de Leitura de Portugal. Portanto, esta do Brasil é uma segunda distinção. Se o Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa e entidades moçambicanas ligadas à literatura se ocupassem em promover o livro, teríamos mais autores nacionais apreciados pelo mundo fora”, afirmou este domingo Carlos dos Santos.    

Os quatro livros infanto-juvenis foram publicados na colecção brasileira “Contos de Moçambique”, da editora Kapulana, e, cá no país, chegaram às livrarias pela Escola Portuguesa.

Agora com o selo “Altamente Recomendável”, Na aldeia dos crocodilos, O caçador de ossos, Leona, a filha do silêncio e O pátio das sombras concorrem ao Prémio FNLIJ, cujos vencedores serão anunciados até próximo mês.

 

 

 

 

Os negros brasileiros devem saber que têm origem nas civilizações africanas, incluindo Moçambique. A posição é da escritora brasileira, Nilma Gomes, que em livro lançado em Maputo desafia os pesquisadores moçambicanos a construírem uma moçambicanidade afro-brasileira.

No âmbito da cooperação institucional e académica entre a Universidade Pedagógica de Maputo e universidades brasileiras, a UP acolheu o lançamento da obra, “Movimento Negro Educador”, da professora e pesquisadora brasileira, Nilma Lino Gomes.

Trata- se de uma obra que mostra a influência que os movimentos negros tiveram na luta contra o racismo e as desigualdades sociais.

Segundo a autora, é importante que os negros brasileiros saibam que tem origem em várias civilizações africanas e moçambique é um deles. Dai que desafia os pesquisadores moçambicanos a construírem uma moçambicanidade afro-brasileira.

Entretanto, as lutas alcançadas contra as desigualdades sociais e o racismo no Brasil enfrentam agora um momento de tensão. É que, na visão da autora, as propostas apresentadas pelo actual governo de Jair Bolsonaro são um verdadeiro retrocesso as lutas da população negra.

Docente na Universidade Federal de Minas Gerais do Brasil, Nilma Lino Gomes foi Ministra da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos no governo de Dilma Rousseff e igualmente primeira mulher negra brasileira, a ser nomeada reitora de uma universidade pública no Brasil.

 

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