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O País – A verdade como notícia

Esteve na cidade de Maputo e participou na terceira edição do Festival de Literatura Resiliência. Na capital do país, Carlos Reis encontrou-se com escritores, estudantes universitários e editores numa semana que coincidiu com as celebrações do Dia da Língua Portuguesa. Por isso, nesta entrevista, o professor, teórico e crítico literário fala de como a literatura e a língua portuguesa são elementos importantes na projecção da CPLP no mundo. De igual modo, o estudioso português explica o que os países membros daquela comunidade precisam fazer para caminharem em conjunto e aí beneficiarem os autores e leitores em geral. Nisso, Carlos Reis não deixa de se referir ao que considera um problema fundamental da CPLP.  

Comecemos com o Resiliência. O que lhe levou a fazer parte da 3ª edição do Festival de Literatura?

Já tinha estado em Maputo e na Ilha de Moçambique. Gostei de Moçambique e as pessoas que me convidaram para o Resiliência, do lado da embaixada portuguesa, são pessoas que estimo. Certamente, iam-me convidar para uma coisa boa e bonita. Portanto, já por aí, foi uma boa razão para aceitar o convite. Depois, há uma outra razão, que tem a ver com o conteúdo em discussão. É um desafio participar nas celebrações da língua portuguesa num país que não seja Portugal. E ainda em Moçambique, onde a cena linguística é variada, diversa e até complexa. Portanto, esta foi uma boa razão para se pensar como o português convive em relação de alguma harmonia nesse cenário linguístico. Deste ponto de vista, a minha experiência foi muito interessante até mesmo no debate que tive com estudantes da Universidade Pedagógica e da Universidade Eduardo Mondlane.

Durante o festival, dirigiu uma conferência com o título “Malhas que o cânone tece: a língua portuguesa em contexto de diversidade”. Qual é a sua mensagem?

A primeira parte do título é uma paráfrase de um verso de Fernando Pessoa: “Malhas que o império tece”. Isto é, aquilo que era até algumas décadas um cânone literário único, do português de Portugal, hoje não pode ser encarado assim. Nós herdamos alguma coisa dessa ideia do cânone como algo único que hoje contrariamos. A minha mensagem é que temos de encarar com naturalidade o facto de os países que falam português, embora não só português, poderem ter cânones literários próprios. Devemos encarar sem nenhum receio, sem nenhum trauma por usarmos a palavra cânone, que não é propriamente uma imposição. Quanto à segunda parte do tema, que é aquela sobre a qual julgo ser importante mandar mensagens claras, tem a ver com o conhecimento da diversidade, ou seja, em Portugal e no Brasil entendemo-nos todos falando português, apesar de algumas variantes. Nos outros países, que são ainda recentes, a situação já não é a mesma devido à convivência do português com outros idiomas, o que deve ser encarado como uma vantagem, como mais-valia e não como um conflito entre línguas. Uma importa uma coisa da outra e a outra retribui. Só pode ser mais vantajoso para as pessoas falarem mais de uma língua. A convivência do português com outras línguas contribui para o seu enriquecimento. Evidentemente, essa convivência tem de ter em conta a autonomia de cada língua. Isto significa que a vigência de idiomas que convivem não pode dispensar instrumentos de regulação (gramáticas, dicionário, prontuários e etc.) para que nós nos entendamos.

Nesse sentido, aceita que é cada vez necessário que os portugueses conheçam melhor a cultura moçambicana e os moçambicanos a brasileira e por aí em diante?

Absolutamente. E essa é uma coisa que tenho dito e escrito. Não por estar aqui. Os portugueses devem deixar de se julgar os donos da língua. Isso atrapalha muito. É preciso que os portuguese entendam que a língua portuguesa, hoje, é um vasto condomínio com condóminos. Então as pessoas têm que se entender porque são donas da mesma coisa. Condóminos significa isso: senhores com os outros.

Que futuro antevê para língua portuguesa?

Essa é uma questão mais complexa, que a divido em dois domínios. Uma coisa é o futuro da língua dentro do universo de língua portuguesa, pluricontinental e plurilinguístico. Outra coisa, que não está separada desta, é sabermos o destino do português como língua internacional que deve ser. A primeira parte da questão pode ter resposta através do conceito cooperação. Trabalhar em conjunto tendo a ideia de que a diversidade é um valor, que as identidades são diferentes e que não se hostilizam, e que as línguas, a expressão é de Mia Couto, fecundam-se mutuamente. Agora, fora do universo de língua portuguesa, aí o português só tem vantagem em afirmar-se como idioma internacional. Isso significa ser língua de trabalho em instituições internacionais, ser língua de ensino regular em grandes países como Estados Unidos ou França, ser uma língua por onde passam várias literaturas importantes. Essa internacionalização da língua não é só uma questão de brio, é uma questão política e de poder, até económico. Isto não tem nada de opressivo com o outro. Tem que o poder da língua vai acompanhado com o poder económico, cultural, social, político e etc. Nesses tabuleiros decide-se muita coisa.

As várias literaturas escritas em português estão a conseguir exprimir a diversidade cultural dos membros da CPLP?

A literatura, aí, vai a reboque da internacionalização da língua. Uma coisa sem outra não existe. Por isso também é importante que os nossos países, no capítulo da cooperação, promovam a tradução das obras e a presença em grandes cenários. Em Outubro do ano passado, estive na Feira Internacional do Livro de Guadalajara, a maior da América Latina – Portugal foi país convidado e levou alguns escritores africanos –, e apercebi-me do quão importante é fazer chegar a literatura portuguesa a um evento frequentado por centenas de milhares de pessoas, sobretudo jovens, pois assim os leitores e escritores ficam clientes da literatura e da língua portuguesa. Acho que os países da CPLP deveriam apostar muito nesse tabuleiro porque daí vêm outras coisas.

Os autores que escrevem em português precisam de ser traduzidos para se tornarem conhecidos internacionalmente?

Precisam ser traduzidos e não precisam. Mas a tradução é o preço que se tem de pagar pelo facto de o português ainda não ter essa projecção internacional que por ventura já deveria ter. Embora não seja falado por toda a gente, o português é uma língua de oito países. Deste ponto de vista, a língua tem de reclamar a sua importância, pois, com todo o respeito, línguas como alemão, italiano, etc., não têm a nossa história.  

Como é que a CPLP pode unir-se de modo que a literatura saia a ganhar?

Continuo optimista em relação ao papel que a CPLP desempenha e tem de desempenhar, embora, por vezes, acho que não dá muita atenção ou não consegue resolver um problema (que também é de diplomacia) que é fundamental: a questão das assimetrias. Se olharmos e compararmos o PIB do Brasil com o de Portugal e São Tomé e Príncipe, com todo o respeito por estes três países que um deles é o meu, as diferenças são brutais. Isto significa que, em matérias de cooperação, não podemos todos dar o mesmo na mesma proporção. Até porque estamos em estados diferentes de desenvolvimento histórico. Enquanto não for resolvida sem preconceitos esta questão das diferenças e assimetrias, é muito difícil. E há a questão da descontinuidade. É preciso viajar muito para falarmos português fora dos nossos países. Com o espanhol, por exemplo, já não se passa a mesma coisa. Essas descontinuidades são um desafio, se quisermos, uma contrariedade que é preciso sabermos resolver. Exemplo, com a edição de livros, a circulação de artistas e a cooperação cultural. Tudo isto que fomenta o conhecimento de uns pelos outros e vice-versa.

A mobilidade…

É extremamente importante. Sem isso não é possível nos conhecermos melhor. E a CPLP deve disseminar e desvanecer os preconceitos que ainda existem, não sejamos inocentes quanto a isso, percebendo que podemos ser uma força colectiva, de entre ajudas.

Já agora, acha que o séc. XXI vai produzir escritores, teóricos e gente interessada por literatura de língua portuguesa como o séc. XX produziu?

Vai produzir de forma diferente, com linguagens e suportes diferentes. Por exemplo, se consultarmos jornais portugueses dos meados do séc. XX, vamos encontrar secções com quatro páginas sobre crítica literária. Isso já não se encontra porque hoje a literatura também convive com o cinema e com a televisão, algo que não existia naquela altura. Nada contra isso.

É estudioso muito atento à obra de Eça de Queirós e de José Saramago. Que estes autores têm de especial para si?

O Eça tem a graça, a ironia, o olhar crítico, o humor, que muitas vezes falta em Portugal, e o conhecimento extraordinário de Portugal e dos portugueses. Isto é notável num homem que viveu quase toda a sua vida no estrangeiro, porque era cônsul e diplomata. Eça viu Portugal de fora para dentro, com uma perspicácia e agudeza, às vezes, com sarcasmo que o tornam até hoje um autor agradável de ler. O Saramago é outro assunto, é um escritor que viveu aquilo que no Brasil chamam a virada do século. Repensou a história de outra forma, repensou temas, traumas, vícios e defeitos do modo do ser humano com uma força e uma agudeza extraordinária. Alguns romances do Saramago, como Ensaio sobre a cegueira, são murros no estômago. Nós, às vezes, precisamos disso para vermos como é o mundo em que vivemos: cruel, injusto. O Saramago é um alerta nesse sentido. Não é um autor cómico o fácil de ler, mas é um autor que é necessário ler.

Sobre o que lhe falta escrever?

Vou fazer aqui uma confidência. Acho que nunca disse isto, e, como ninguém nos ouve… Tenho cada vez mais desejo, não concretizarei, de escrever certas experiências da minha vida. Não porque sejam importantes ou porque eu seja importante, mas porque tive a sorte de viver, como as pessoas da minha geração, dois regimes políticos, em dois seculos diferentes, de ter visto muita transformação, espero ver outras ainda, e, portanto, ter constituído um capital de experiência.

Sugestões artísticas para os leitores do jornal O País?

Sugiro a exposição Os Mabundas, dos irmãos Mabundas; A máquina de fazer espanhóis, de Valter Hugo Mãe; e Os Maias, de Eça de Queirós.

Perfil

Carlos Reis é professor e ensaísta português. Nasceu em 1950 e doutorou-se em 1983. É autor de uma vasta obra e tem sido convidado a dar aulas em diversas universidades. Entre várias distinções, Reis é doutor honoris causa pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, onde lecionou por diversas vezes.  

 

Quatro autores moçambicanos foram finalistas da edição deste ano do Prémio Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), no Brasil: Adelino Timóteo, Carlos dos Santos, Marcelo Panguana e Mia Couto. Destes, a ventura calhou a Mia Couto, cujo livro premiado, na categoria Literatura em Língua Portuguesa, é O pátio das sombras, com ilustrações de Malangatana.

O pátio das sombras, último livro da colecção “Contos de Moçambique”, é a história de um menino que vive com a família em uma aldeia. Um dia, a avó se nega a ir até à plantação, pois diz estar cansada. Durante o trabalho, a família escuta ruídos de festa vindos da aldeia, e todos se perguntam se a avó tinha visitantes. O menino vai ver, mas encontra a avó sozinha. O acontecimento se repete, deixando o menino cada vez mais confuso, até que a avó lhe dá explicações ensinando-lhe uma linda lição sobre a vida e a morte.

Além deste prémio, recentemente, a FNLIJ atribuiu o selo “Altamente Recomendável” aos quatro livros publicados ano passado pela editora Kapulana no Brasil: Na aldeia dos crocodilos, de Adelino Timóteo e Ilustrações de Silva Dunduro, O caçador de ossos, de Carlos dos Santos e esculturas de Emanuel Lipanga, Leona, a filha do silêncio, de Marcelo Panguana e ilustrações de Luís Cardoso e O pátio das sombras, de Mia Couto e ilustrações de Malangatana.

A série “Contos de Moçambique” nasceu de um projecto de colaboração entre a “Escola Portuguesa de Moçambique” e a “Fundació Contes pel Món”, de Barcelona, Espanha. Em 2015, a editora Kapulana fez uma parceria com a “Escola Portuguesa de Moçambique” para publicar no Brasil a colecção, com o objectivo de apresentar ao leitor brasileiro uma amostra da cultura moçambicana. A série é composta por 10 volumes de contos da tradição oral de Moçambique.

 

 

10ª edição do Festcoros, sete grupos na final. A grande ventura, já se previa no Cine Scala, coube ao grupo coral Polifonia, vencedor do concurso realizado pela Stv em parceria com a Mozal. Em virtude de ter sido o primeiro classificado, Polifonia encaixou 250 mil meticais, numa gala deveras concorrida.

A segunda classificação foi conquistada pelo grupo coral da PRM, tendo, por isso, sido distinguido com 150 mil meticais. E não se ficou por aí. Esta edição laureou mais dois grupos com 50 mil meticais. O primeiro, Juventude da Betsaid, completou o pódio ao ocupar a terceira classificação. O outro grupo, da Escola Superior de Jornalismo, ficou com o prémio de Melhor Indumentária.

Já em quarto, quinto, sexto e sétimo lugar ficaram, respectivamente, os grupos: Escola Superior de Jornalismo, Siloé, Unidos em Cristo e Missão do Continente Africano.

Na derradeira gala desta 10ª edição do concurso foram, igualmente, distinguidos os membros do júri, com uma certificação de honra atribuída pela organização. A razão tem que ver com o facto de Hortêncio Langa, Isabel Mabota, Arão Litsure e Teresa Chiziane contribuírem para o fortalecimento dos grupos que há 10 edições têm participado no maior concurso de canto coral do país. Para o júri, o tributo prestado na gala final não só foi oportuno como foi revestido de muito simbolismo.

Além dos grupos finalistas, a gala que decorreu na tarde deste domingo, no Cine Scala, na cidade de Maputo, foi iluminada com actuações de grupos e cantores convidados, como é o caso do coral Wunanga, a quem coube abrir o espectáculo. Wunanga apostou em ecoar ao auditório o tema “África”, mesmo a condizer com o dia do continente, celebrado na véspera.

À semelhança de Wunanga estiveram também como convidado Coral da Polícia Municipal, dos TPM e os Madjaha Ya Kutsaka. Este, constituído por rapazes apenas, conciliou o canto coral com a dança tradicional Xigubo, do sul do país.

Quanto aos cantores, pisaram o palco do Festcoros Helena Rosa, Nordino Chambal, Humberto Luís e Marllen. A “Preta Negra” interpretou dois temas, o suficiente para deixar os concorrentes e os espectadores todos misturados, a cantarem numa só voz. Ou grito. Seja como for, lá se ouviu qualquer coisa como “Taratara” e parece que Marllen não se se importou com a desafinação. Ou afinação. Lá cantaram todos, no espectáculo que teve a presença do representante da Mozal, o parceiro da iniciativa da Stv. Para Mateus Mosse, o Festcoros é um espaço de união, de valorização e promoção da cultura moçambicana, daí a satisfação da sua instituição em contribuir para que mais grupos corais se fortaleçam com momentos de troca de conhecimento.

Portanto, passadas quatro horas, a última gala da 10ª edição do Festcoros, transmitida em directo pela Stv, chegou ao fim, tendo o grupo coral Polifonia como grande vencedor. Nem mais: “Glória aos vencedores e honra aos vencidos”.

Na próxima terça-feira, Juvenal Bucuane vai receber um galardão que lhe reconhece o título Poeta do Ano 2019, pelo Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora (CEMD), e um diploma de Membro Honorário da organização, em Lisboa, Portugal. 

Segundo o CEMD, Juvenal Bucuane é o poeta do ano porque possui vasta obra publicada e de qualidade indiscutível, daí ter obtido consenso na escolha. Assim, o poeta e escritor receberá o galardão no próximo Encontro de Escritores Moçambicanos na Diáspora (EEMD) que decorrerá na capital portuguesa próxima semana.

O reconhecimento do CEMD a Juvenal Bucuane acontece um mês depois do autor ter lançado mais um título de poesia, no caso, em homenagem à esposa, pela editora Cavalo do Mar. Entretanto, além de Meu mar, último livro seu, Bucuane é autor de duas dezenas livros, tais como, na poesia: A raiz e o canto (1984), Requiem: com os olhos secos (1987), Segredos da alma (1989), Limbo verde (1992), Marco zero (2004), Epicentro (2005), O fundo pardo das coisas (2015), Meu mar (2018); e na prosa: Xefina (1989), Kumbeza (1997), A denúncia (2003), Sal da terra: histórias do nosso chão (2005), Zevo, O Miliciano (e outros contos) (2009), Crendice ou crença – quando os manes ancestrais se tornam deuses (2012).

O CEMD é uma associação sem fins lucrativos, sem qualquer orientação política, étnica, cultural ou religiosa. Com sede em Portugal, a associação pretende promover internacionalmente a literatura moçambicana no estrangeiro.

A cerimónia de distinção de Juvenal Bucuane, um dos nomes da Charrua, deverá realizar-se no Centro Cultural Galego.

 

A abertura da exposição aconteceu no dia 11 e a obra da artista moçambicana estará patente no Centro de Artes e Espectáculo, na Figueira da Foz, até a 04 de Junho.

“Quero falar’t” mar é um projecto com trabalhos datados de 18 de Julho de 2016, nos quais Suzy Bila procura entender no seu processo criativo a genealogia dos problemas actuais e as respectivas condições ontolo?gicas, com vista a incorporar, transformar e confrontar num jogo de metamorfose.

“A natureza que nos acolhe esta? no seu limiar, leva o seu tempo para fazer eco no nosso corpo, porque estamos absorvidos na nossa intimidade. Mas quando estivermos infinitamente em simbiose, partilharemos o silêncio, de quem ja? chora, nesse instante, escutaremos o seu apelo. Como um segredo”, afirma Suzy Bila, quando se refere à exposição, defendendo que e? imperioso repensar-se o processo interno de construção, olhar-se o outro, o seu contexto e dele projectar-se um conhecimento mútuo.

Segundo entende a artista moçambicana residente em Portugal, actualmente, o mundo vive ao ritmo das grandes inovac?o?es tecnolo?gicas, o que contribui para se gerar sociedades complexas de interesses pluralistas antropogénicos e cada vez mais inumanas. Assim, no dia?logo com o outro que Suzy Bila estabelece por via das artes plásticas, é sua convicção, “encontraremos novas formas de escutar e significar o mundo, como seres conscientes dos seus problemas reais, criando mundos dentro de outros sustenta?veis”.

Maria Suzete Bila nasceu a 23 de Agosto de 1974, na cidade de Maputo. Em 1998, frequenta curso de Pintura no Centro de Arte e Comunicação Visual (Ar.co), onde permaneceu cinco anos. No encontro com obras de outros autores, liberta-se de algumas influências tradicionais do país de origem e cria a sua identidade artística. Em 2018/19, é Doutorada em Educação e Arte, num doutoramento conjunto entre a Universidade do Porto e a Universidade de Lisboa. A sua dissertação esboçou-se sobre as melhores estratégias para motivar a descoberta de arte na educação pré-escolar, “Como motivar a descoberta de arte na creche”, e levou-a a intervir com estratégias inovadoras na creche.

Suzy Bila é autora das seguintes individuais: “Nua e crua” (CCBM, Maputo, 2019), “A (R)MA O TEMPO” (Casa Museu Bissaya Barreto, 2015), “NÃO-SEI-QUÊ” (Galeria MAKALA, Lisboa, 2011), “REFLEXOS” (Centro Cultural Portuguêsês, Maputo, 2007), entre outras.

 

 

Os filmes etnográficos da antropóloga Margot Dias vão lançar a 4ª Edição do Festival Raiz, um evento que pretende prover a diversidade cultural enraizada em Moçambique promover ainda a valorização e reflexão em torno do património sociocultural moçambicano, reflectindo, igualmente sobre a tradição e suas transformações.

Este evento que marca o lançamento da programação a caminho do Festival Raiz 2019, vai realizar-se esta quinta-feira, às 18h30, no espaço 16Neto, em Maputo, com a mostra de importantes filmes para a compreensão de aspectos identitários do povo makonde, desde a sua emblemática actividade artesanal aos sistemas de parentescos.

A obra etnográfica de Margot Dias, realizada em Angola e Moçambique entre 1956 e 1961, no contexto das “Missões de estudos das minorias étnicas do ultramar português”, dirigida pelo antropólogo português Jorge Dias, seu marido, é considerada uma das primeiras utilizações do filme etnográfico no âmbito da antropologia portuguesa.

Ao lado do marido, Margot Dias, acompanhou os estudos que resultaram na publicação de quatro volumes de “Os Macondes de Moçambique” onde trouxe uma abordagem sobre o que considerou “tecnologias tradicionais”, referindo-se à cerâmica e cestaria, mas também uma análise aos ritos de iniciação.

Foi nesse contexto que Margot Dias, segundo o testemunho da própria, decidiu filmar os encontros e cerimónias como instrumento de apoio e auxílio à futura etnografia escrita, à semelhança do que sucedeu com os registos sonoros, destinados ao estudo da música e da língua.

De nacionalidade alemã, Margot Dias nasceu a 4 de Junho de 1908 em Nuremberga e viria a perder a vida em aos 93 anos em Oeiras, Portugal. Tinha diploma do Curso Superior de Música da Academia Nacional de Música em Munique.

 

Fotojornalismo é importante quando a fotografia transmite fielmente a realidade.

O filósofo e professor, Dionísio Bahule, estreou-se esta terça-feira como escritor, com o lançamento do livro "Fotojornalismo ou A Gramática das Sensações". Uma obra onde o estreante aborda com profundidade a sua visão sobre o fotojornalismo, dissecando sobre a história do fotojornalismo no mundo desde o surgimento da mesma no século 19 até a actualidade.

Bahule, não tem dúvidas que o seu livro vai servir de instrumento para que os amantes de fotojornalismo compreendam a área em que escolheram. Em entrevista ao jornal O País, o escritor disse que a imagem fala muito mais que palavras e complementa aquilo que o jornalista ou quem tirou a fotografia vai dizer.

"Quando nós pensamos em fotojornalismo, pensamos na conjugação entre a imagem e apalavra. Mas para se chegar até aqui temos que voltar ao século 19 com o surgimento da fotografia e do cinema. E eu volto um pouco antes de Cristo que é onde para mim começa a problematização sobre a verdade com duas grandes figuras, a primeira que é Protágoras e a segunda Gorjes. O primeiro diz que a verdade é relativa, ele nega a universalização da verdade quando diz que o homem é a medida de todas as coisas. E o segundo vai dizer que não existe a verdade, porque quem vê uma coisa e depois pretende reproduzir verbalmente ele nunca e jamais saberá dizer fielmente o que ele viu, ou vai acrescentar ou vai suprimir. Portanto este é o pretexto sobre o qual o fotojornalismo vai surgindo, e é isso que eu quero trazer", disse o escritor.

Dionísio diz que o fotojornalismo tem a função de dar credibilidade ao facto, tornando assim o leitor um sujeito activo.

"O fotojornalismo é este pretexto de buscar a verdade no sentido objectivo, afinal de contas quando a fotografia surge ela rompe com as artes plásticas, porque até às vanguardas europeias, as artes plásticas eram tidas como aquelas que visavam trazer a superfície uma verdade imagética e realística, mas quando a fotografia surge, ela quebra com a obsessão das artes plásticas como aquilo que vai buscar o retrato fiel", acrescentou Bahule.

O escritor reprova o conceito de sensacionalismo e espectacularização dos factos no fotojornalismo. Bahule diz que o objectivo principal do fotojornalismo é trazer uma conjugação fiel, objectiva, lógica e epistémica entre a verdade enquanto lugar imagético, e a verdade enquanto um lugar de discurso.

 

 

 

Logo à noite, o Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros da Noruega, Jens Frølich Holte, de visita oficial a Moçambique, vai participar, com a direcção do Teatro Avenida, de uma sessão cultural, quando forem 18h00. O evento vai realizar-se no espaço Sabura – Centro Cultural – Escola e Museu de Teatro, na cidade de Maputo.

Nesta vinda à capital moçambicana, o chefe da diplomacia norueguesa vai inteirar-se das actividades artísticas e culturais em geral que são levadas a cabo pelo Teatro Avenida, quer na cidade de Maputo, quer ao longo do território nacional, com especial apoio da Noruega. Para o efeito, Manuela Soeiro, Directora do Teatro Avenida, fará uma dissertação abrangente sobre a cooperação Moçambique-Noruega em vários campos ao longo de três décadas de parceria entre os dois estados.

De igual modo, o encontro entre o Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros da Noruega e a direcção do Teatro Avenida, num compromisso de caris artístico-cultural, vai servir para se apontar os passos que aquele país da Europa do Norte tem dado no processo de garantir o desenvolvimento no domínio económico, político, social e cultural, internamente e no mundo.

A cooperação entre Moçambique e Noruega não é algo novo. Depois da proclamação da independência nacional, de Oslo vieram apoios para artistas e grupos nacionais. O Teatro Avenida, por exemplo, produziu diversas peças a apelar à protecção dos moçambicanos, logo a seguir a guerra que assolou o país, recorrendo-se a peças que versavam sobre o perigo das minas, com apoio da Noruega. Através do projecto “Moçambique, Quero-te” adaptado da obra de Gulamo Khan, o Teatro Avenida produziu a peça teatral “Vestir a Terra” em 10 línguas bantu, permitindo deste modo que a mensagem chegasse a todo o País.

Actualmente, a continuidade dos projectos do Teatro Avenida tem na Noruega um dos principais parceiros.

 

A cidade de Maputo acolhe a partir do dia 27 de Maio até 01 de Junho a segunda edição de Encontro de Culturas. O evento vai reunir artistas de vários países com objectivo de promover diversas manifestações culturais.

Durante uma semana, os artistas vão exibir peças teatrais, filmes e haverá exposição de gastronomia, pintura e obras literárias. O programa inclui ainda debates sobre as diversas manifestações culturais e espetáculos musicais.

O Ministério da Cultura e Turismo, organizador do evento, avança que já se inscreveram, até ao momento, 13 países e espera que o número venha a aumentar.

O Segundo Encontro de Culturas vai decorrer sob o lema: “A cultura Unindo Nações, promovendo a paz e o desenvolvimento socio-económico”.

 

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