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Nos próximos dias 15 e 16, a Associação Kulemba vai realizar, na Universidade Zambeze, cidade da Beira, a terceira edição do Festival do Livro Infantil (FLIK 2019), um evento anual que visa criar diálogo entre autores da literatura infanto-juvenil e os leitores.

A edição deste ano do evento vai decorrer sob o lema “Livro também sara feridas”, mesmo a condizer com o contexto que se vive na capital de Sofala, em que as marcas de destruição do ciclone Idai estão bem visíveis.

Como tem acontecido nas edições anteriores, nesta terceira a organização vai reunir no mesmo espaço artistas e apreciadores de diversas artes, tais como o teatro, a música, narração de histórias e declamação de poesia. E, durante o festival, serão apresentados dois livros infanto-juvenis: “Elefante Tendai e os primos hipopótamos”, de Eliana N’Zualo, e “O luminoso voo das palavras”, de Mauro Brito, editados pela Editorial Fundza e Kuvaninga Cartão d’Arte, respectivamente.

Além dos lançamentos, uma das grandes novidades desta edição do FLIK será a realização de oficinas de produção de livros artesanais à base de papelão reciclado, actividade a ser desenvolvida em parceria com a editora Kuvaninga Cartão d’Arte, coordenada por Elcídio Bila. A actividade deverá abranger mais de 160 crianças. Particular destaque nas edições do FLIK dá-se aos saraus poéticos que têm sido realizados por crianças formadas nas Oficinas de Leitura da Kulemba em toda a província de Sofala. Essas crianças esmeram-se na declamação de poemas de sua autoria e de outros escritores nacionais.

Segundo a organizacao, prevê-se também uma mesa redonda com os meninos vencedores das três edições do concurso de redacção de contos tradicionais, nomeadamente, Natasha Celeste Daniel Macuácua, Michael Marcos Raposo e Anguista Tomás. 

O concurso de leitura, interpretação e declamação volta a fazer parte do FLIK. Participarão neste concurso alunos de aproximadamente 30 escolas primárias, com o objectivo de incentivar o gosto pela leitura nesta camada.

Na presente edição do FLIK, que conta com o apoio da Universidade Zambeze, Direcção Provincial de Educação e Desenvolvimento Humano de Sofala, Editorial Fundza e Colégio La Salle, serão expostos perto de 40 títulos de obras infanto-juvenis, com destaque para os publicados pela Escola Portuguesa de Moçambique.

 

 

Cerca de seis países incluindo Moçambique, participam do Festival Internacional Teatro de Inverno que decorre na cidade de Maputo, desde o dia 25 de Maio. A produção do evento lamenta o facto de participarem mais grupos estrangeiros que locais.

O Festival Internacional Teatro de Inverno vai já na sua décima sexta edição este ano, com vários desafios, mas que não interferem no intercâmbio dos diversos grupos de teatro que vão passeando a sua classe.

Noé Ngaga é representante de um grupo teatral angolano que participa pela primeira vez com uma peça que fala sobre o alambamento, ou seja lobolo.
Já o grupo moçambicano Skendja participa pela sexta vez.
 
A produção do evento lamenta a fraca participação de grupos teatrais moçambicanos.

Moçambique, Angola, Portugal, África do Sul, Espanha e Brasil são os países representados no FITI, que decorre na cidade de Maputo desde 25 de Maio. O evento termina a 17 de Junho.

Evento decorre desde 25 de Maio em Maputo com mais grupos estrangeiros que moçambicanos.

Fogo de grandes proporções deixa danificado as instalações da casa provincial da cultura. O fogo que começou por volta das 20 horas consumiu gabinetes, instalação eléctrica, aparelho de ar condicionado e diversos equipamentos. Não há vítimas humanas.

Luto, tristeza e angústia é como os fazedores das artes descrevem o nível de destruição causada pelo incêndio que ocorreu nesta quarta-feira. Não se conhece ainda a origem do incêndio mas o quadro eléctrico ficou completamente destruído.

“A cultura moçambicana está de luto, aqui haviam muitas obras guardadas. É um sentimento de tristeza e angústia olhar para casa da cultura no estado em que está, este é um património cultural de Moçambique e sobretudo da Zambézia”, lamentaram os fazedores das artes da Zambézia.

O fogo também atingiu o centro social da casa da Cultura.

Esta quinta-feira, uma conversa do poeta Amosse Mucavele inaugura o ciclo de debates no stand das bibliotecas da capital portuguesa, na 89ª edição Feira do Livro de Lisboa.

A programação envolve autores de diversas nacionalidades, entre os quais Afonso Cruz, Mário de Carvalho, Sérgio Godinho, António Carlos Cortez, Miguel Esteves Cardoso, João Barrento, e Frederico Lourenço (Portugal), Richard Zimler (EUA), José Eduardo Agualusa (Angola), Jerónimo Pizarro (Colômbia), Luís Sepúlveda (Chile).

Na 89.ª edição Feira do Livro de Lisboa estarão representadas mais de 20 editoras, a maioria portuguesas.

A Feira contará com a presença de Mucavele num evento dedicado à literatura moçambicana, criação e mobilidade literária, da iniciativa e com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa.

Além da Feira do Livro, Amosse Mucavele participou em vários eventos tais como: Semana da África na Universidade Nova de Lisboa, dia 14, onde debateu sobre “Memória Colonial e a Desconstrução de Narrativas” com Ana Maria Martinho e Gisela Casimiro. No dia 24, proferiu uma palestra subordinada ao tema “Poéticas e Narrativas da Cidade” na Livraria Tigre de Papel.

Na companhia do poeta angolano Lopito Feijoo, o poeta vai participar de uma conversa com estudantes africanos em Lisboa, sobre “Literatura Africana: percepção e representação”, na Casa Mocambo, dia 29.

Amosse Mucavele, encontra-se actualmente em Lisboa com uma Bolsa de Residência Literária do Camões-Centro Cultural Português em Maputo e da Câmara Municipal de Lisboa

Viajou para Portugal há dias, e, na capital portuguesa, recebeu o galardão que lhe distingue escritor do ano e o diploma de membro honorário do Círculo dos Escritores Moçambicanos na Diáspora (CEMD), das mãos do presidente daquela instituição: Delmar Gonçalves.

A cerimónia realizada no princípio da noite de terça-feira contou com a presença de escritores, académicos, membros do CEMD, amigos e familiares de Juvenal Bucuane.

Conforme o anúncio, a distinção do poeta e escritor realizou-se no Centro Cultural Galego, em Lisboa.

Para o autor, o reconhecimento é a premiação do talento artístico, particularmente, literário dos moçambicanos. “Faz com que eu perceba que afinal, de algum lado, os meus passos como escritor e poeta são observados com alguma minúcia”.

Do acto, Juvenal Bucuane espera um grande impacto, uma grande revolução da maneira de ser e de estar na literatura, “que, aliás, já iniciou, a avaliar pela aproximação de certas personalidades de relevo no mundo das letras e de outras áreas afins que, desde logo, se abriram para interagir comigo”, afirma o poeta.

Ainda na terça-feira, Juvenal Bucuane apresentou uma comunicação subordinada ao tema: “Literatura e cultura moçambicana”.

Esteve na cidade de Maputo e participou na terceira edição do Festival de Literatura Resiliência. Na capital do país, Carlos Reis encontrou-se com escritores, estudantes universitários e editores numa semana que coincidiu com as celebrações do Dia da Língua Portuguesa. Por isso, nesta entrevista, o professor, teórico e crítico literário fala de como a literatura e a língua portuguesa são elementos importantes na projecção da CPLP no mundo. De igual modo, o estudioso português explica o que os países membros daquela comunidade precisam fazer para caminharem em conjunto e aí beneficiarem os autores e leitores em geral. Nisso, Carlos Reis não deixa de se referir ao que considera um problema fundamental da CPLP.  

Comecemos com o Resiliência. O que lhe levou a fazer parte da 3ª edição do Festival de Literatura?

Já tinha estado em Maputo e na Ilha de Moçambique. Gostei de Moçambique e as pessoas que me convidaram para o Resiliência, do lado da embaixada portuguesa, são pessoas que estimo. Certamente, iam-me convidar para uma coisa boa e bonita. Portanto, já por aí, foi uma boa razão para aceitar o convite. Depois, há uma outra razão, que tem a ver com o conteúdo em discussão. É um desafio participar nas celebrações da língua portuguesa num país que não seja Portugal. E ainda em Moçambique, onde a cena linguística é variada, diversa e até complexa. Portanto, esta foi uma boa razão para se pensar como o português convive em relação de alguma harmonia nesse cenário linguístico. Deste ponto de vista, a minha experiência foi muito interessante até mesmo no debate que tive com estudantes da Universidade Pedagógica e da Universidade Eduardo Mondlane.

Durante o festival, dirigiu uma conferência com o título “Malhas que o cânone tece: a língua portuguesa em contexto de diversidade”. Qual é a sua mensagem?

A primeira parte do título é uma paráfrase de um verso de Fernando Pessoa: “Malhas que o império tece”. Isto é, aquilo que era até algumas décadas um cânone literário único, do português de Portugal, hoje não pode ser encarado assim. Nós herdamos alguma coisa dessa ideia do cânone como algo único que hoje contrariamos. A minha mensagem é que temos de encarar com naturalidade o facto de os países que falam português, embora não só português, poderem ter cânones literários próprios. Devemos encarar sem nenhum receio, sem nenhum trauma por usarmos a palavra cânone, que não é propriamente uma imposição. Quanto à segunda parte do tema, que é aquela sobre a qual julgo ser importante mandar mensagens claras, tem a ver com o conhecimento da diversidade, ou seja, em Portugal e no Brasil entendemo-nos todos falando português, apesar de algumas variantes. Nos outros países, que são ainda recentes, a situação já não é a mesma devido à convivência do português com outros idiomas, o que deve ser encarado como uma vantagem, como mais-valia e não como um conflito entre línguas. Uma importa uma coisa da outra e a outra retribui. Só pode ser mais vantajoso para as pessoas falarem mais de uma língua. A convivência do português com outras línguas contribui para o seu enriquecimento. Evidentemente, essa convivência tem de ter em conta a autonomia de cada língua. Isto significa que a vigência de idiomas que convivem não pode dispensar instrumentos de regulação (gramáticas, dicionário, prontuários e etc.) para que nós nos entendamos.

Nesse sentido, aceita que é cada vez necessário que os portugueses conheçam melhor a cultura moçambicana e os moçambicanos a brasileira e por aí em diante?

Absolutamente. E essa é uma coisa que tenho dito e escrito. Não por estar aqui. Os portugueses devem deixar de se julgar os donos da língua. Isso atrapalha muito. É preciso que os portuguese entendam que a língua portuguesa, hoje, é um vasto condomínio com condóminos. Então as pessoas têm que se entender porque são donas da mesma coisa. Condóminos significa isso: senhores com os outros.

Que futuro antevê para língua portuguesa?

Essa é uma questão mais complexa, que a divido em dois domínios. Uma coisa é o futuro da língua dentro do universo de língua portuguesa, pluricontinental e plurilinguístico. Outra coisa, que não está separada desta, é sabermos o destino do português como língua internacional que deve ser. A primeira parte da questão pode ter resposta através do conceito cooperação. Trabalhar em conjunto tendo a ideia de que a diversidade é um valor, que as identidades são diferentes e que não se hostilizam, e que as línguas, a expressão é de Mia Couto, fecundam-se mutuamente. Agora, fora do universo de língua portuguesa, aí o português só tem vantagem em afirmar-se como idioma internacional. Isso significa ser língua de trabalho em instituições internacionais, ser língua de ensino regular em grandes países como Estados Unidos ou França, ser uma língua por onde passam várias literaturas importantes. Essa internacionalização da língua não é só uma questão de brio, é uma questão política e de poder, até económico. Isto não tem nada de opressivo com o outro. Tem que o poder da língua vai acompanhado com o poder económico, cultural, social, político e etc. Nesses tabuleiros decide-se muita coisa.

As várias literaturas escritas em português estão a conseguir exprimir a diversidade cultural dos membros da CPLP?

A literatura, aí, vai a reboque da internacionalização da língua. Uma coisa sem outra não existe. Por isso também é importante que os nossos países, no capítulo da cooperação, promovam a tradução das obras e a presença em grandes cenários. Em Outubro do ano passado, estive na Feira Internacional do Livro de Guadalajara, a maior da América Latina – Portugal foi país convidado e levou alguns escritores africanos –, e apercebi-me do quão importante é fazer chegar a literatura portuguesa a um evento frequentado por centenas de milhares de pessoas, sobretudo jovens, pois assim os leitores e escritores ficam clientes da literatura e da língua portuguesa. Acho que os países da CPLP deveriam apostar muito nesse tabuleiro porque daí vêm outras coisas.

Os autores que escrevem em português precisam de ser traduzidos para se tornarem conhecidos internacionalmente?

Precisam ser traduzidos e não precisam. Mas a tradução é o preço que se tem de pagar pelo facto de o português ainda não ter essa projecção internacional que por ventura já deveria ter. Embora não seja falado por toda a gente, o português é uma língua de oito países. Deste ponto de vista, a língua tem de reclamar a sua importância, pois, com todo o respeito, línguas como alemão, italiano, etc., não têm a nossa história.  

Como é que a CPLP pode unir-se de modo que a literatura saia a ganhar?

Continuo optimista em relação ao papel que a CPLP desempenha e tem de desempenhar, embora, por vezes, acho que não dá muita atenção ou não consegue resolver um problema (que também é de diplomacia) que é fundamental: a questão das assimetrias. Se olharmos e compararmos o PIB do Brasil com o de Portugal e São Tomé e Príncipe, com todo o respeito por estes três países que um deles é o meu, as diferenças são brutais. Isto significa que, em matérias de cooperação, não podemos todos dar o mesmo na mesma proporção. Até porque estamos em estados diferentes de desenvolvimento histórico. Enquanto não for resolvida sem preconceitos esta questão das diferenças e assimetrias, é muito difícil. E há a questão da descontinuidade. É preciso viajar muito para falarmos português fora dos nossos países. Com o espanhol, por exemplo, já não se passa a mesma coisa. Essas descontinuidades são um desafio, se quisermos, uma contrariedade que é preciso sabermos resolver. Exemplo, com a edição de livros, a circulação de artistas e a cooperação cultural. Tudo isto que fomenta o conhecimento de uns pelos outros e vice-versa.

A mobilidade…

É extremamente importante. Sem isso não é possível nos conhecermos melhor. E a CPLP deve disseminar e desvanecer os preconceitos que ainda existem, não sejamos inocentes quanto a isso, percebendo que podemos ser uma força colectiva, de entre ajudas.

Já agora, acha que o séc. XXI vai produzir escritores, teóricos e gente interessada por literatura de língua portuguesa como o séc. XX produziu?

Vai produzir de forma diferente, com linguagens e suportes diferentes. Por exemplo, se consultarmos jornais portugueses dos meados do séc. XX, vamos encontrar secções com quatro páginas sobre crítica literária. Isso já não se encontra porque hoje a literatura também convive com o cinema e com a televisão, algo que não existia naquela altura. Nada contra isso.

É estudioso muito atento à obra de Eça de Queirós e de José Saramago. Que estes autores têm de especial para si?

O Eça tem a graça, a ironia, o olhar crítico, o humor, que muitas vezes falta em Portugal, e o conhecimento extraordinário de Portugal e dos portugueses. Isto é notável num homem que viveu quase toda a sua vida no estrangeiro, porque era cônsul e diplomata. Eça viu Portugal de fora para dentro, com uma perspicácia e agudeza, às vezes, com sarcasmo que o tornam até hoje um autor agradável de ler. O Saramago é outro assunto, é um escritor que viveu aquilo que no Brasil chamam a virada do século. Repensou a história de outra forma, repensou temas, traumas, vícios e defeitos do modo do ser humano com uma força e uma agudeza extraordinária. Alguns romances do Saramago, como Ensaio sobre a cegueira, são murros no estômago. Nós, às vezes, precisamos disso para vermos como é o mundo em que vivemos: cruel, injusto. O Saramago é um alerta nesse sentido. Não é um autor cómico o fácil de ler, mas é um autor que é necessário ler.

Sobre o que lhe falta escrever?

Vou fazer aqui uma confidência. Acho que nunca disse isto, e, como ninguém nos ouve… Tenho cada vez mais desejo, não concretizarei, de escrever certas experiências da minha vida. Não porque sejam importantes ou porque eu seja importante, mas porque tive a sorte de viver, como as pessoas da minha geração, dois regimes políticos, em dois seculos diferentes, de ter visto muita transformação, espero ver outras ainda, e, portanto, ter constituído um capital de experiência.

Sugestões artísticas para os leitores do jornal O País?

Sugiro a exposição Os Mabundas, dos irmãos Mabundas; A máquina de fazer espanhóis, de Valter Hugo Mãe; e Os Maias, de Eça de Queirós.

Perfil

Carlos Reis é professor e ensaísta português. Nasceu em 1950 e doutorou-se em 1983. É autor de uma vasta obra e tem sido convidado a dar aulas em diversas universidades. Entre várias distinções, Reis é doutor honoris causa pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, onde lecionou por diversas vezes.  

 

Quatro autores moçambicanos foram finalistas da edição deste ano do Prémio Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), no Brasil: Adelino Timóteo, Carlos dos Santos, Marcelo Panguana e Mia Couto. Destes, a ventura calhou a Mia Couto, cujo livro premiado, na categoria Literatura em Língua Portuguesa, é O pátio das sombras, com ilustrações de Malangatana.

O pátio das sombras, último livro da colecção “Contos de Moçambique”, é a história de um menino que vive com a família em uma aldeia. Um dia, a avó se nega a ir até à plantação, pois diz estar cansada. Durante o trabalho, a família escuta ruídos de festa vindos da aldeia, e todos se perguntam se a avó tinha visitantes. O menino vai ver, mas encontra a avó sozinha. O acontecimento se repete, deixando o menino cada vez mais confuso, até que a avó lhe dá explicações ensinando-lhe uma linda lição sobre a vida e a morte.

Além deste prémio, recentemente, a FNLIJ atribuiu o selo “Altamente Recomendável” aos quatro livros publicados ano passado pela editora Kapulana no Brasil: Na aldeia dos crocodilos, de Adelino Timóteo e Ilustrações de Silva Dunduro, O caçador de ossos, de Carlos dos Santos e esculturas de Emanuel Lipanga, Leona, a filha do silêncio, de Marcelo Panguana e ilustrações de Luís Cardoso e O pátio das sombras, de Mia Couto e ilustrações de Malangatana.

A série “Contos de Moçambique” nasceu de um projecto de colaboração entre a “Escola Portuguesa de Moçambique” e a “Fundació Contes pel Món”, de Barcelona, Espanha. Em 2015, a editora Kapulana fez uma parceria com a “Escola Portuguesa de Moçambique” para publicar no Brasil a colecção, com o objectivo de apresentar ao leitor brasileiro uma amostra da cultura moçambicana. A série é composta por 10 volumes de contos da tradição oral de Moçambique.

 

 

10ª edição do Festcoros, sete grupos na final. A grande ventura, já se previa no Cine Scala, coube ao grupo coral Polifonia, vencedor do concurso realizado pela Stv em parceria com a Mozal. Em virtude de ter sido o primeiro classificado, Polifonia encaixou 250 mil meticais, numa gala deveras concorrida.

A segunda classificação foi conquistada pelo grupo coral da PRM, tendo, por isso, sido distinguido com 150 mil meticais. E não se ficou por aí. Esta edição laureou mais dois grupos com 50 mil meticais. O primeiro, Juventude da Betsaid, completou o pódio ao ocupar a terceira classificação. O outro grupo, da Escola Superior de Jornalismo, ficou com o prémio de Melhor Indumentária.

Já em quarto, quinto, sexto e sétimo lugar ficaram, respectivamente, os grupos: Escola Superior de Jornalismo, Siloé, Unidos em Cristo e Missão do Continente Africano.

Na derradeira gala desta 10ª edição do concurso foram, igualmente, distinguidos os membros do júri, com uma certificação de honra atribuída pela organização. A razão tem que ver com o facto de Hortêncio Langa, Isabel Mabota, Arão Litsure e Teresa Chiziane contribuírem para o fortalecimento dos grupos que há 10 edições têm participado no maior concurso de canto coral do país. Para o júri, o tributo prestado na gala final não só foi oportuno como foi revestido de muito simbolismo.

Além dos grupos finalistas, a gala que decorreu na tarde deste domingo, no Cine Scala, na cidade de Maputo, foi iluminada com actuações de grupos e cantores convidados, como é o caso do coral Wunanga, a quem coube abrir o espectáculo. Wunanga apostou em ecoar ao auditório o tema “África”, mesmo a condizer com o dia do continente, celebrado na véspera.

À semelhança de Wunanga estiveram também como convidado Coral da Polícia Municipal, dos TPM e os Madjaha Ya Kutsaka. Este, constituído por rapazes apenas, conciliou o canto coral com a dança tradicional Xigubo, do sul do país.

Quanto aos cantores, pisaram o palco do Festcoros Helena Rosa, Nordino Chambal, Humberto Luís e Marllen. A “Preta Negra” interpretou dois temas, o suficiente para deixar os concorrentes e os espectadores todos misturados, a cantarem numa só voz. Ou grito. Seja como for, lá se ouviu qualquer coisa como “Taratara” e parece que Marllen não se se importou com a desafinação. Ou afinação. Lá cantaram todos, no espectáculo que teve a presença do representante da Mozal, o parceiro da iniciativa da Stv. Para Mateus Mosse, o Festcoros é um espaço de união, de valorização e promoção da cultura moçambicana, daí a satisfação da sua instituição em contribuir para que mais grupos corais se fortaleçam com momentos de troca de conhecimento.

Portanto, passadas quatro horas, a última gala da 10ª edição do Festcoros, transmitida em directo pela Stv, chegou ao fim, tendo o grupo coral Polifonia como grande vencedor. Nem mais: “Glória aos vencedores e honra aos vencidos”.

Na próxima terça-feira, Juvenal Bucuane vai receber um galardão que lhe reconhece o título Poeta do Ano 2019, pelo Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora (CEMD), e um diploma de Membro Honorário da organização, em Lisboa, Portugal. 

Segundo o CEMD, Juvenal Bucuane é o poeta do ano porque possui vasta obra publicada e de qualidade indiscutível, daí ter obtido consenso na escolha. Assim, o poeta e escritor receberá o galardão no próximo Encontro de Escritores Moçambicanos na Diáspora (EEMD) que decorrerá na capital portuguesa próxima semana.

O reconhecimento do CEMD a Juvenal Bucuane acontece um mês depois do autor ter lançado mais um título de poesia, no caso, em homenagem à esposa, pela editora Cavalo do Mar. Entretanto, além de Meu mar, último livro seu, Bucuane é autor de duas dezenas livros, tais como, na poesia: A raiz e o canto (1984), Requiem: com os olhos secos (1987), Segredos da alma (1989), Limbo verde (1992), Marco zero (2004), Epicentro (2005), O fundo pardo das coisas (2015), Meu mar (2018); e na prosa: Xefina (1989), Kumbeza (1997), A denúncia (2003), Sal da terra: histórias do nosso chão (2005), Zevo, O Miliciano (e outros contos) (2009), Crendice ou crença – quando os manes ancestrais se tornam deuses (2012).

O CEMD é uma associação sem fins lucrativos, sem qualquer orientação política, étnica, cultural ou religiosa. Com sede em Portugal, a associação pretende promover internacionalmente a literatura moçambicana no estrangeiro.

A cerimónia de distinção de Juvenal Bucuane, um dos nomes da Charrua, deverá realizar-se no Centro Cultural Galego.

 

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