O País – A verdade como notícia

Inaugurada semana passada, a exposição de Luís Santos, conceptualmente, retrata a relação do Homem com a natureza e do Homem consigo mesmo. A partir do título da individual, o autor insinua que a humanidade já esqueceu-se do contacto mais cru com a natureza. Esta acepção encaixa-se nas preferências do artista plástico, que explica: “Eu gosto de criar algo que desperte um certo interesse visual. A componente estética é importante nesse sentido. Mas, mais do que isso, as peças devem fazer um sentido muito específico. Penso que aqui também trago um conjunto de coisas que podem significar outras coisas”.

A ideia da individual Aquilo que o corpo já esqueceu surge depois de Luís Santos ter exposto uma colectiva com a mulher, ano passado. Nessa altura, Santos apercebeu-se que nunca tinha exposto uma individual a sério. Logo, a partir de Fevereiro, começou a preparar a mostra que está aberta gratuitamente ao público no Franco.

A propósito de mulher, Luís Santos confiou a curadoria da sua exposição à sua esposa, Sara Carneiro, que considera: “Esta exposição retrata os interesses estéticos do Luís, que têm a ver com como ele constrói as obras, as suas influências da arquitectura, do designer, da escultura e das técnicas dos vários materiais. Ele também traz essa nossa relação com a natureza porque cada vez mais está a abrir-se um fosso e afastamento entre aquilo que nós somos, fazemos e aquilo que a natureza criou para ser. Há um bocadinho deste chamamento de termos de voltar para trás e recordar aquilo que o corpo já esqueceu. No fundo é um acto de procurarmos a nossa essência”.

Aquilo que o corpo já esqueceu pode ser visitada de segunda-feira a sábado. Às segundas, das 12h às 19h; de terça a sexta, entre às 10h e às 19h; e, aos sábados, das 10 às 14h.

 

 

É pela segunda vez que o Centro Cultural Moçambicano-Alemão (CCMA) abre espaço para a criação e aperfeiçoamento de ideias de negócio digitais. Na primeira fase, participaram mais de 30 jovens, onde os projectos vencedores foram Dezaine, 3009 e CulArte, respectivamente.

Alguns representantes de projectos anteriores estiveram no evento de abertura do Createc 2.0, na semana passada. Mélio Tinga, representando o Dezaine – uma aplicação móvel para publicação, leitura, interacc?a?o e partilha de conteúdos sobre design e comunicação, baseada em Moçambique – falou sobre o seu projecto e convidou aos presentes para se candidatarem.

A Directora do CCMA, Konstanze Kampfer, disse que o Createc foi desenhado para fomentar o empreendedorismo e a criação de startups inovadoras e sustentáveis na indústria criativa.

“Pretendemos criar oportunidades para que haja encontros e sinergias entre os criadores e os seus clientes. Existem empresas alemães, tal como a empresa SAP, que estão interessados em apoiar a ideia de formar jovens talentosos no uso de tecnologias modernas no âmbito da indústrias criativa”, afirmou.

A metodologia que vai ser usada no evento é o Design Thinking, por isso estão envolvidos no projecto o Flow Group, que na cerimónia foi representada por Uitnei Chamusso e Mozdevs, representado por Aly Hassane. Chamusso e Mozdevs dizem-se orgulhosos por se juntarem ao projecto e são unânimes em afirmar que será um sucesso.

Para o Createc 2.0 são elegíveis jovens entre 18 e 40 anos, com principal destaque para mulheres. E uma forma de incentivar a participação feminina é através de pagamento de um subsídio.

“Incentivamos a participação de mulheres no projecto, por esta razão é importante que as mulheres registem seus filhos (0 – 16 anos de idade) para que recebam posteriormente um subsídio para cuidar das crianças durante a participação nos eventos do Createc 2.0, cada mãe (independente do número dos filhos recebe um subsídio no valor de 600 MT por dia e para o programa completo equivalente a sete dias receberão 4200 mts)”, lê-se no documento de candidatura disponibilizado durante a cerimónia.

O grupo-alvo é constituído principalmente por especialistas em TIC, estudantes (técnicos de negócios, mas também de outras disciplinas), agora também cada vez mais empreendedores. Além de um interesse em TIC, espera-se uma experiência empresarial inicial. As mulheres jovens devem ser mais envolvidas do que na primeira fase.

As equipas têm de possuir três membros, e é muito importante que se identifique o membro representante da equipa.

Essencialmente, o projecto engloba as seguintes actividades: Bootcamp e Hackathon, 18 à 20 de Outubro de 2019; Coaching (Desenvolvimento de MVCs/ Protótipos, aprendizagem de métodos de apresentação para investidores), 15 e 26 de Novembro e Pitch  para empresas convidadas, 28 de Novembro, 2019.

O Bootcamp, Coaching e Pitch contará com facilitadores da Flow Group Mozambique, Mozdevz e Standard Bank que conduzirão o processo de aprendizagem dos participantes. O Projecto Createc 2.0 é financiado pela Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) – Expert TS.

Os participantes sairão do Bootcamp com produtos e estratégias de negócio melhorados e terão a oportunidade de melhorar durante um período de 4 semanas, para depois apresentarem, em formato de pitch, no evento final do dia 28 de Novembro de 2019  a uma audiência de empresários e investidores.

O preço de participação é de 300 meticais reembolsáveis, ou seja, serão devolvidos na condição de o participante ter estado presente em todos os dias obrigatórios.  

Até quinta-feira (10), jovens empreendedores, criativos e de outras áreas têm a oportunidade de inscrever os seus projectos com impacto digital. A inscrição que iniciou no dia 1 de Outubro é feita através do presente link: https://bit.ly/2p1nLhz.

A mostra de Santimano, com curadoria de Filipe Branquinho, resulta de um percurso iniciado em 1995, aquando da sua exposição de fotografias de viagem por Goa, Rajastham e Mumbai. Segundo a nota da Kulungwana, este projecto é resultado da sua longa história pessoal com a Índia, Moçambique e Suécia, onde reside.

“Com descendência indiana por parte do pai, influência portuguesa, nacionalidade da mãe, a sua moçambicanidade de raiz, constituiu família na Suécia onde reside desde a sua saída de Moçambique, assumindo assim uma identidade quadrangular que não deixa de influenciar o seu olhar fotográfico, tornando-o um viajante interessado nas sociedades resultantes de migrações e multiculturais, num esforço inclusivo do Outro e do estranho”, acrescenta a nota Kulungwana: “É desta forma de olhar que Sérgio pretende captar o ‘legado’ da Índia, destacando as principais contribuições estéticas e éticas deste país para o resto do mundo, nomeadamente através de Mahatma Gandhi, Satyajit Ray, Rabindranath Tagore (primeiro prémio Nobel não-europeu), Ravi Shankar e, obviamente, Raghubir Singh, que nos inspiram a todos nós com os ideais de não-violência, de paz, humanidade e espiritualismo, contribuindo significativamente para a história do mundo”.

 

Para a organização, o trajecto pessoal e profissional de Sérgio Santimano resulta num projecto que constitui um exemplo da multiculturalidade que concorre para o conhecimento intercultural no espaço cultural global.

 Santimano nasceu em Moçambique em 1956.  Viveu em Goa, em Colvá, a aldeia do pai, durante 1960/61. A sua carreira fotográfica foi centrada no país de origem, Moçambique, a partir de 1979 e durante a guerra civil até 1988, altura em que se muda para a Suécia, onde trabalhou e estudou fotografia documental e fotojornalismo.

Terminada a guerra civil no país, em 1992, começa a trabalhar como ‘freelancer’, documentando as consequências da guerra e a reconstrução de Moçambique. Desde 1997, Santimano trabalhou no norte de Moçambique, de que resultaram várias séries de trabalhos como “Cabo Delgado-Uma história fotográfica de África” e “Terra incógnita”, sobre a província do Niassa.
 

 

Uma peça teatral que resulta do diálogo entre A noite dos visitantes, do dramaturgo alemão Peter Weiss, e Babalaze das hienas, de José Craveirinha. Esta é a proposta que o encenador Fernando Mora Ramos vai levar ao palco do Centro Cultural Universitário da Universidade Eduardo Mondlane, na cidade de Maputo.

Intitulado A noite das hienas, o exercício/espectáculo a ser exibido às 18 horas dos dias 18 e 19 resulta de uma colaboração entre o Teatro da Rainha, de Portugal, e a Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM). A colaboração em causa já tem dois anos. Inclusive, a montagem desta peça teatral acontece depois de Fernando Mora Ramos, o director do Teatro da Rainha, ter orientado, ano passado, em Maputo, um workshop de encenação e dramaturgia aos estudantes da ECA.

Essencialmente, A noite das hienas, na primeira apresentação, terá 50 minutos. A história da peça cujo principal espaço é uma palhota, gira em torno das circunstâncias por que passa uma família camponesa humilde. A certa altura da trama, a palhota dos camponeses é assaltada por dois homens “predadores” (um de cada vez) que vão retirar à família o que ela tem e o que não tem, com violência que causa alguns assassínios. Nisso, dois miúdos, vítima da ambição dos “predadores”, têm de aprender a sobreviver sozinhos.

Como assistente de encenação d’A noite das hienas está Venâncio Calisto, que, muito recentemente, actuou no espectáculo A cidade dos pássaros, do Teatro da Rainha, em Portugal. Portanto, esta é a segunda vez, este ano, que Calisto trabalha com Mora Ramos, artista que passou a infância e parte significativa da adolescência cá no país, onde se iniciou na arte dramática, no Teatro dos Estudantes Universitários de Moçambique.

Referindo-se a esta nova oportunidade de colaborar com o director do Teatro da Rainha, Venâncio Calisto afirma: “É sempre uma honra trabalhar com o Fernando, porque com ele aprendemos muito. O Fernando é uma escola do teatro. Esta, para mim, é uma oportunidade de aprender bastante. Quanto mais puder colaborar com ele, melhor ainda”.

Desta vez, para o actor e encenador formado na ECA, a experiência é ainda especial porque a colaboração com Mora Ramos acontece cá no país, onde possui mais possibilidades de criar a ponte com outros actores e intervenientes do teatro.

Nesta peça teatral, adianta Fernando Mora Ramos, as hienas representam todos aqueles que são predadores ou que agem como tal; aqueles que se aproveitam da ingenuidade da maior parte da população desprotegida, entregue à sua própria sorte.

Integram no elenco de d’A noite das hienas os seguintes actores: Castigo dos Santos, Fernando Macamo, Josefina Massango, Maria Clotilde, Samuel Nhamatate e Venâncio Calisto. Os figurinos e a cenografia foram confiados a Sara Machado.   

 

Morreu, no passdo dia 1,  aos 92 anos de idade, o músico e saxofonista Chico da Conceição, vítima de doença.

Chico da Conceição perdeu a vida justamente no dia internacional da música no Hospital Central de Maputo (HCM), para onde foi evacuado e deu entrada pelas 10:00 horas, vindo a perder a vida meia hora depois.

De nome completo Francisco João da Conceição, o saxofonista apesentava uma saúde débil já há dois anos, situação que tendia a melhorara nas últimas duas semanas. Entretanto, na manhã de terça-feira a família foi surpreendida com o agravamento do seu estado de saúde e foi imediatamente evacuado para o HCM.

Nsta quinta-feira os restos mortais de Chico da Conceição foram a enterrar na Cidade de Inhambane, sua terra natal, numa cerimónia que contou com a presença de amigos e familiares do músico e do governo provincial, na pessoa do Governador Daniel Chapo.

O saxofonista tem deficiência visual desde 1975, mas ainda assim não vergou e fez ecoar o seu nome e o da sua província pelo mundo inteiro. Nasceu a 14 de Junho de 1927, na cidade de Inhambane, sendo ele o 3º de quatro filhos do casal João António da Conceição e Domingas Liberato Quinhas.

Chico da Conceição dedicou mais de 70 anos da sua vida à musica tendo por isso sido reconhecido por dois chefes de Estado moçambicanos. Em 1985 foi condecorado com a Ordem Samora Moisés Machel, em reconhecimento ao seu contributo na área da música. No ano 2014, pelas mãos do antigo Presidente da República, Armando Guebuza, foi atribuído a medalha de Ouro.

Em 1944, Chico da Conceição se muda para trabalhar em Vilankulo e no ano seguinte cria o primeiro conjunto musical denominado “Chico

Conceição”, que abrilhantava os bailes da Circunscrição. A partir daí vários agrupamentos foram criados pelo músico, sempre com classificação de topo. E 1948, no seu regresso a Inhambane, mais agrupamentos foram formados sempre focalizado em duas vertentes – satisfazer desde classes mais humildes às mais favorecidas actuando de forma contínua em todas as localidades da Província de Inhambane.

Chico da Conceição contribuiu para elevar esta área de saber e de actuação, transformando-a num veículo concorrente para a mobilização da sociedade face aos desafios de Moçambique e de Inhambane em particular. Notabilizou-se em grandes festividades realizados no então clube de Inhambane, com entidades locais, em tardes dançantes abrilhantadas pelo agrupamento “Melodiä”, ia mostrando o seu talento dado por Deus surpreendendo as multidões e marcando os corações de todos os presentes.

Desde cedo o saxofone tornou-se a paixão do Chico da Conceição, um namoro que iniciou em 1950, tendo iniciado com Sax Alto e permanecendo posteriormente com o Sax Tenor.

A nivel da provincia de Inhamabne, amigos e familiares recebram a noticia com profundo pesar e consternação. É para muitos um acontecimento que deixou toda a comunidade cultural de Inhambane em particular e moçambicana no geral sob forte consternação.

Em mensagem apresentada no velório do saxofonista, o Governador de Inhamabne referiu que o saxofonista notabilizou-se através da interpretação de músicas variadas e carregadas de elevado sentido de humanismo, transmitindo a realidade e o quotidiano de Inhambane e de Moçambique em geral. Desta forma, nas suas actuações, exibiu-se com universalidade e contribuiu para a promoção da identidade cultural da “terra de boa gente”, de Moçambique além fronteira, consubstanciada através da sua versatilidade artística.

“Menina do bairro”. De lá… onde falta “tudo”, menos a esperança… o sonho. Na verdade, aquele é o título de uma das músicas do álbum de estreia de Assa Matusse, intitulado + Eu. De igual modo, o título foi o escolhido para o concerto de logo à noite desta quinta-feira, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, na cidade onde abundam várias acácias.

A apresentação de Assa Matusse, essa “menina do bairro” que já pertence ao mundo, vai iniciar às 20h30 e deverá durar uma hora e quarenta minutos. Ao Franco, a cantora de afro/jazz e outras coisas vai levar, maioritariamente, temas de + Eu. Todavia, porque há um álbum a ser lançado próximo ano, igualmente, Assa Matusse vai interpretar algumas músicas novas, mesmo como quem prepara o público para o que está aí a caminho.

Quanto à performance, a “menina do bairro” promete o habitual, mas com muitas novidades. Uma delas será a fusão dos seus temas do álbum mais + Eu com marrabenta. A pretensão é reverenciar o ritmo que lhe diz tanto. Portanto, quem já viu os concertos da artista há-de notar que as músicas conhecidas ganharam um novo arranjo.

No concerto de amanhã, eventualmente o último grande que Assa Matusse faz alicerçada ao primeiro disco, haverá duas convidadas. A primeira é Duduzile Makhoba, uma cantora que representa a amizade que dura há sete anos. “Conhecemo-nos por aí em 2012. Daí em diante mantemos contacto. Ela está a crescer muito na África do Sul, acompanhando, inclusive, grandes nomes da música daquele país. É uma grande cantora”, garantiu Assa.

A segunda convidada para o concerto “Menina do bairro” é de casa, e muito bem conhecida: Mingas. Nada ao acaso. Para Assa, Mingas é a personificação de uma diva. “A Mingas representa muito para mim. Ainda criança, fiz muitas interpretações das músicas dela”. E ambas já cantaram juntas num evento da UNICEF. Na altura Assa era adolescente. “Quis reviver esse passado”. Assim, as cantoras farão dueto em duas músicas: uma da “menina do bairro” e a outra de Mingas.  

Com efeito, a esta altura, Assa Matusse considera-se feliz pela recepção do público ao + Eu. “O álbum deu-me mais visibilidade, ainda que algumas pessoas não tenham compreendido muito bem o meu verdeiro estilo. É normal, no primeiro disco estamos ainda em descobertas”.

O espectáculo no Franco (cuja banda é composta por Stélio Mondlane, bateria; Válter Mabas, guitarra; Nicolau Cauaneque, piano; Nelton Miranda, baixo) acontece depois de Assa Matusse ter feito uma digressão pela Europa (Noruega, Portugal e Espanha), que durou 37 dias.

 

 

 

 

A Fundação Fernando Leite Couto inaugura, no dia 9, a exposição “500 anos do sorriso de Mona Lisa”, que  faz parte de um conjunto de actividades de celebração da obra de Leonardo da Vinci, um dos maiores autores ligados à arte e ao conhecimento.

A abertura da exposição vai acontecer às 18h, com jovens artistas multifacetados, como Luís Santos, Aderson Luís, Sérgio Macaite, Rolf Alafo e Egídio Leonardo, tendo como curadoras Sara Carneiro e Yolanda Couto.

Segundo Fernando Amado Couto, Administrador daquela fundação, citado na nota sobre o evento, “iniciativas de muito maior relevo aconteceram e continuam a acontecer em diversas cidades do mundo. E fazemo-lo, não só como reconhecimento de uma figura considerada como um dos maiores génios da história da humanidade, mas também como forma de dar a conhecer ao público alguns aspectos da sua incomensurável obra. Dentro das limitações e capacidades humanas e financeiras desta instituição, realizamos uma exposição alusiva à sua vida e obra. Convidamos alguns artistas moçambicanos a expor alguns trabalhos enquadrados nesta temática, como forma de afirmação do valor universal da cultura”.

As actividades deste mês, realça a organização, ultrapassam as telas, assumindo o carácter de performance a ser apresentada no dia 25. “Rascunhos” é uma performance que está nesse momento em construção numa residência artística que tem Rogério Manjate como encenador, Domingos Bié e Sufaida Moyane na interpretação. Não obstante, duas oficinas de desenho serão orientadas, uma por Luís Santos e outra por Sara Carneiro, remetendo os participantes às técnicas usadas no Renascimento e por Leonardo da Vinci.

À volta da célebre obra “Mona Lisa”, uma oficina de poesia será orientada por Celso Muianga e um de prosa estará a cargo do escritor Pedro Pereira Lopes, com o nome “Na pele de Da Vinci”. No dia 23, uma Tertúlia à volta do Renascimento e de Leonardo da Vinci irá juntar o arquitecto Júlio Carrilho e o escritor António Cabrita, que serão conduzidos por Sara Carneiro.

 

 

 

Aos três jovens músicos projectados pela iniciativa da Associação Kulungwana, as bolsas foram atribuídas no âmbito do projecto PROCULTURA, financiado pela União Europeia, co-financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e pelo Camões, IP (gestor do projecto), depois de terem sidos aprovados em alguns testes.

Segundo entende a Directora-Artística do Xiquitsi, a atribuição das bolsas para os três alunos “é mais uma prova dos resultados de que estamos no bom caminho, é mais uma prova de que o Xiquitsi veio para mudar o cenário musical moçambicano e para isso vamos continuar a lutar, trabalhar com estes e outros alunos que estão a crescer musicalmente dia após dia”, afirmou Kika Materula numa nota de imprensa do projecto que dirige.

E Materula não se ficou por aí: “esta é também mais uma forma para que os nossos patrocinadores, aqueles que nos apoiam, possam ver e orgulhar-se do investimento que tem vindo a fazer desde 2013, aquando da fundação deste projecto, um dos mais novos de Moçambique”.

Florêncio Manhique, Kledy Alfainho e Márcia Massicame beneficiaram-se das bolsas da PROCULTURA, uma acção do Programa indicativo Multianual PALOP – Timor-Leste e União Europeia. Esta acção é enquadrada pelos princípios do consenso Europeu em matéria de desenvolvimento (O nosso mundo, a nossa dignidade, o nosso futuro), nomeadamente, pelo reconhecimento de que a cultura favorece “a inclusão social, a liberdade de expressão, a formação da identidade, o empoderamento civil e a prevenção de conflitos” e pela intenção da União Europeia e de seus Estados membros de fomentar a Economia e as políticas culturais quando estas contribuem para alcançar o desenvolvimento sustentável.

De acordo com os três alunos, as bolsas que acabam de adquirir vão permitir-lhes aprofundar os seus estudos, num país com muita qualidade e tradição no que concerne ao ensino de música e artes em geral. Márcia Massicame espera desenvolver habilidades até aqui apreendidas no projecto Xiquitsi. Para a jovem cantora erudita, Portugal é um país com elevado nível curricular.

Por isso mesmo: “acredito que irei desenvolver melhor a nível técnico profissional”, afirma a cantora na nota do Xiquitsi.

Quanto a Kledy Alfainho, há algum tempo que aguardava por uma oportunidade desta natureza, de ir estudar para o estrangeiro, pois, segundo entende a instrumentista que toca viola de arco, seria muito mais difícil elevar o seu nível de conhecimento musical em Moçambique.

Por fim, Florêncio Manhique deseja crescer como instrumentista em Portugal. “Vou para um país onde a música clássica é parte da cultura do povo. Penso que isso irá influenciar muito no meu aprendizado e na minha formação”.

Florêncio Manhique nasceu 1990. Este ano, actuou como solista na Temporada de Música Clássica de Maputo (1ª Série). Através do Xiquitsi participou em vários festivais como o Stellenbosch International Chambre Music Festival (África do Sul), Festival Internacional de Música da Primavera de Viseu (Portugal). Estagiou na Orquestra do Projecto Neojiba (Brasil) e participou no Festival Regional do ISCED (Brasil). Foi 2º lugar no Prémio Melhor Aluno do Projecto Xiquitsi (2017), onde dois anos antes começou a leccionar violoncelo como monitor. O instrumento que toca é violoncelo.

Kledy Alfainho nasceu em 1993. No âmbito do projecto Xiquitsi, participou em vários festivais em Portugal e África do Sul. Esteve no SICOF (Seoul International Comunity Orchestra Festival), na Coreia do Sul, como membro da SICO 2017 (Seoul International Comunity Orchestra), seleccionada em concurso internacional. É membro e co-fundadora do quarteto de cordas Acapella, que tem feito actuações em eventos públicos, privados, incluindo eventos do Estado.

Márcia Massicame nasceu em 1995. Integrou o projecto Xiquitsi em 2014, onde dois anos depois exerceu a função de monitora. Tem experiência em Trabalho com Coro Xiquitsi e já interpretou várias peças como Coro dos Escravos Hebreus de Verdi, Ave verum, e Adiemus de Karl Jekins, Halleluia de Handel, Cantique de Jean Racine. Participou na Temporada do Xiquitsi 2019 e fez o Papel de Opinião Pública na ópera Órfeu nos Infernos de Jacques Offenbach. No Xiquitsi actua como soprano.

 

 

 

 

A 30 de Setembro de cada ano, o mundo celebra o Dia Internacional da Tradução. Desta vez, no país, a editora Trinta Zero Nove vai comemorar a efeméride com a apresentação de três títulos, designadamente: A perseverança, de Raymond Antrobus; Eu não tenho medo, de Niccoló Ammaniti; e No oco do mundo, colecção de contos traduzidos no Concurso de Tradução Literária 2015 – 2018.

A cerimónia de apresentação dos três livros vai acontecer esta segunda-feira, às 17 horas, no Auditório do BCI, na cidade de Maputo. Além da disponibilização oficial das obras literárias aos leitores, igualmente, a cerimónia vai servir para a organização entregar aos vencedores os Prémios da 5ª Edição do Concurso de Tradução Literária.

No evento da editora Trinta Zero Nove, haverá leitura encenada do conto ‘No oco do mundo’, pelo grupo teatral 'Otheya', que fará uma interpretação em língua de sinais moçambicana, além dos habituais discursos sobre os livros e, no caso, sobre a nova editora nacional.

Ora, a efeméride da Tradução foi instituída pela UNESCO, em 1991, no dia de São Jerónimo, tradutor da primeira versão da Bíblia em Latim (a ‘vulgata’) e santo patrono dos tradutores, realça a editora Trinta Zero Nove, acrescentando: “A data constitui uma oportunidade para os profissionais da tradução encontrarem-se para debater e divulgarem a sua actividade e para conviverem com colegas e clientes”. O propósito é sempre o de mostrar a importância da tradução na preservação das línguas indígenas num mundo cada vez mais globalizado. “Em Moçambique, o Dia Internacional da Tradução é celebrado desde 2010, ano em que se deram os primeiros passos para a constituição da Associação de Tradutores e Intérpretes Moçambicanos”, avança a nota da editora.

Com efeito, inserido nas festividades do Dia Internacional da Tradução, foi organizada a 5ª Edição do Concurso de Tradução Literária – promovido pela S M Traduções, E.I. e a Editora Trinta Zero Nove. O concurso tem como objecto a tradução das línguas alemã, espanhola, francesa, inglesa e italiana para a portuguesa. O objectivo do mesmo é estimular tradutores iniciantes ou potenciais à prática tradutora ao premiar os três melhores textos com valores monetários, livros e diplomas e os melhores cinco participantes com a publicação das suas traduções na colectânea ‘O salvador do mundo’, com lançamento previsto para 30 de Setembro de 2020.

De igual modo, o concurso incluiu também uma oficina de tradução literária, realizada entre 7 e 28 de Fevereiro de 2017, onde os concorrentes vencedores das edições 2015 a 2018 tiveram a oportunidade de trocar ideias e receber tutoria de Sandra Tamele, tradutora de ‘Io Non Ho Paura’, de Niccolò Ammaniti, para a língua portuguesa. O resultado é a colectânea de contos ‘No oco do mundo’.

 

Editora Zero Nove e Compromisso com a tradução

A editora Trinta Zero Nove foi fundada ano passado e é a primeira editora vocacionada para publicação de tradução literária em Moçambique. Ficou em 2º  lugar no Prémio da Incubadora CREATEC (Indústria Criativa e Negócios Digitais) e é parceira da Worldreader, ONG internacional que disponibiliza tecnologia de baixo custo para promoção de um futuro onde todos possam ser leitores e ter acesso à literatura. Tem como missão criar e empoderar uma geração de leitores globais e actuais em Moçambique através da tradução e publicação, em formatos inovadores, inclusivos e a preço acessível, de narrativas actuais de autores de renome de todo o mundo, com particular foco nas jovens escritoras.

Portanto, a visão é a de enriquecer bibliotecas particulares com narrativas actuais, premiadas e inspiradoras para empoderar jovens, particularmente mulheres, para fomentar a emergência da autoria feminina em Moçambique. Tem os seguintes títulos: Eu não tenho medo, de Niccolò Ammaniti (Itália); Sem gentileza, de Futhi Ntshinguila (África do Sul); A Perseverança, de Raymond Antrobus (Reino Unido); O homem que matou o Apartheid; de Harris Dousemetzis (África do Sul); Líquida, de Anna Felder (Suíça), entre outros.

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