O País – A verdade como notícia

“Hoyo-hoyo maxaca”. O título resume uma narrativa musical preenchida de positivismo e feita para o povo moçambicano. Mesmo num momento difícil como tem sido este de COVID-19, Liloca decidiu trazer uma mensagem que sensibiliza a celebração em família, afinal as pessoas não devem deixar-se levar pelas más circunstâncias.

Além disso, falando do novo single, hoje, na cidade de Maputo, a cantora da Bawito Music lembrou: “Temos esta quadra festiva. É preciso aproveitarmos transmitir aquela alegria que é habitual do povo moçambicano. Nós somos um povo alegre, energético”.

O novo single de Liloca, ao mesmo tempo que é dançante e alegre, propõe-se abordar o amor ao próximo, pois, para a cantora, é muito importante lembrar as pessoas que a família deve estar sempre em primeiro lugar e acima de tudo.

“Hoyo-hoyo maxaca” é a primeira música de Liloca cuja composição foi feita por Mr. Bow. “É tão bom e especial falar disso. Normalmente, Mr. Bow sempre trabalha comigo em estúdio, ele faz arranjos nas minhas músicas”. Desta vez, Bow fez a composição toda, claro, o autor do Story of my life não desvalorizou nenhuma recomendação conceptual de Liloca. De igual modo, a “Boss Lady” trabalhou com Kadú na produção, Nelson Tivane nos coros e Djivas esteve na guitarra. “É um produto que foi feito com muito amor por esta grande team, para o povo moçambicano”. Reforçou.

O novo single de Liloca já tem um vídeo-clip, realizado por CRBOY, que vai estrear esta noite, quando forem 21 horas. Durante as gravações do vídeo-clip, houve divisão de equipas, devido à nova ordem. “Esta música é 100% fim-de-ano, 100% família e penso que é o princípio de festas felizes para todos. A família toda é bem-vinda para escutar, dançar e deixar-se vibrar nesta quadra festiva”.

Esta sexta-feira é dia de inauguração da exposição Memento viveri, na Fundação Fernando Leite Couto (FFLC), na cidade de Maputo. Com a colecção constituída por 14 máscaras bordadas, Maqueleva conjura uma lembrança para as gerações futuras.

Segundo a nota de imprensa da FFLC, “concebida numa altura em que as taxas de infecção da COVID-19 ainda não atingiram o seu pico em Moçambique, esta colecção regista não só a ansiedade da vivência presente como também a obstinada esperança que é necessária para que a vida continue. Desde as faces emaciadas e uma boca aterrorizada em meio-grito, aos amantes (ou amigos, ou parentes) que se distanciam fisicamente ainda que unidos pelo seu amor mútuo, nestes traços captura-se o presente em que vivemos”.

Para FFLC, outro tema facilmente discernível é o colectivo, a noção de que estamos todos juntos neste barco, independentemente das nossas diferenças individuais claramente desenhadas numa das máscaras: o vírus não vê caras, nem corações.

A nota avança que o colectivo é ainda retratado como uma massa homogénea de rostos indistintos, uma vez acompanhada pelo slogan Fight the Power, que incentiva a resistência contra a propagação do vírus. Há também o Don´t be Good, Be Great, que é simultaneamente um apelo e um imperativo. Um apelo a que, como um dever para com o colectivo, cada um de nós esteja à altura da ocasião e faça além do necessário para ultrapassar este tempo difícil. E um imperativo para que, como um dever para connosco próprios, cada um de nós aproveite este acontecimento único e potencialmente letal, para reflectir sobre o que estamos realmente aqui para fazer nesta vida, e fazê-lo bem.

Na colecção, as máscaras de linho origamasks são da designer local Iria Marina (usando um padrão “open-source”) e proporcionam o fundo ideal para o traço único de Maqueleva, com a sua linha contínua. Os masters em papel foram reproduzidos como bordados em tecido, que deverão durar tanto tempo quanto as máscaras em si, conforme observa a nota da FFLC. “Desta forma, as máscaras tornam-se arte e artefacto: algo a ser exibido, algo a ser usado, e algo que ao ser usado é exibido. A sua utilidade como artigo de protecção permanece, ao mesmo tempo que transforma cada usuário numa micro galeria de arte, levando esses registos quotidianos de desespero e de esperança para o futuro, até que eles deixem de ser necessários e tornem-se, simplesmente, memória corporizada deste tempo em que tivemos que nos lembrar de continuar a viver”.

A exposição tem curadoria de M. Gabriela Carrilho Aragão.

O autor

Celso Yok Chan, “Maqueleva”, é um artista moçambicano que trabalha principalmente com aguarela e caneta de ponta fina. O seu trabalho envolve o esboçar de forma livre sem remover a caneta do papel para assegurar a continuidade do design e da inspiração. A sua arte reflecte temas da actualidade, desigualdade e mudança social. Ele traça várias peças de uma só vez, e pinta-as somente depois. Grande parte da sua inspiração vem de estímulos visuais, incluindo pessoas e lugares em Maputo, Nova Iorque e Londres.

 

 

O Ministério da Cultura e Turismo e a Associação Para o Desenvolvimento Cultural – Kulungwana, assinam, esta sexta-feira, às 10h, no auditório do Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (INICC), um memorando de entendimento que visa a materialização do Projecto CANTATE, a ser implementado pela Kulungwana com co-financiamento da Comissão Europeia nas províncias de Nampula, Cabo Delgado e Niassa, a partir de Janeiro de 2021.

De acordo com o Ministério da Cultura e Turismo, o projecto terá a duração de cinco anos e, entre vários objectivos, destaca-se a promoção de iniciativas de carácter educativo e formativo no campo da divulgação e consolidação da cultura nacional.

O memorando de entendimento vai estabelecer a cooperação entre as partes, no domínio das artes e da cultura, com vista a contribuir para o florescimento dum movimento sociocultural mais activo e interventivo. O instrumento será assinado pelo Director do INICC, Ivan Bonde e pela Directora Executiva da Kulungwana, Henny Matos.

Depois de muitas incertezas sobre a realização do tradicional Festival de Tofo, em Inhambane, o governo provincial diz que a XVI edição do evento vai acontecer no próximo dia 12 de Dezembro, na praia da Barra. Mas, devido às restrições impostas pela COVID-19, desta vez, a festa do turismo em Inhambane terá um novo formato.

O Festival não terá presença do público, que sempre afluiu ao local. Nesta edição, o evento será transmitido pela televisão e pelas redes sociais. Serão ao todo 15 músicos, sendo 14 locais e um de fora da província, que vão brilhar no palco da XVI edição do Festival de Tofo.

E porque o festival não é só música, a venda de outros atractivos turísticos da “Terra da boa gente” também vai acontecer. Simão Mavimbe, Porta-voz do Governo de Inhambane, disse ao “O Pais” que, durante o dia da realização do festival, haverá espaço para exibição de vídeos promocionais de outros produtos turísticos de Inhambane: históricos ou culturais.

Para a realização da XVI edição do Festival de Tofo, foram aplicados pouco mais de 3 milhões de meticais.

Mélio Tinga é o grande vencedor do Prémio Literário Imprensa Nacional/ Eugénio Lisboa. Com a distinção, o escritor encaixa 5 mil euros, cerca de 430 mil meticais.

 

Sentado numa cadeira branca, com a perna cruzada, na biblioteca da Fundação Fernando Leite Couto, na cidade de Maputo, Mélio Tinga conteve a emoção, mas não a satisfação. Naturalmente, o escritor ficou feliz com o prémio e sente que alguma coisa agradável, de facto, aconteceu-lhe num ano muito conturbado. Para o autor de O voo dos fantasmas e d’a engenharia da morte, 2020 está a terminar de feição, afinal, o Prémio Literário Imprensa Nacional/ Eugénio Lisboa por si conquistado é sempre um reconhecimento de um trabalho.

Nas suas primeiras palavras, depois de consumada a distinção literária da sua obra, Mélio Tinga referiu que um prémio como Eugénio Lisboa funciona como oxigénio, que o ajuda a respirar. A propósito de respirar, o escritor quase ficou sem ar, quando recebeu a boa nova do Camões. Uma chamada: tri, tri, tri; tri, tri, tri. Mélio Tinga levou a mão ao bolso e, como é óbvio, lá viu no ecrã do telemóvel um número que não deve ser escrito aqui. “Alô”. E lá foi a conversa… o escritor ficou a saber que era o quarto autor a vencer o Prémio Literário Imprensa Nacional/ Eugénio Lisboa, depois Sérgio Raimundo, Aurélio Furdela e Pedro Pereira Lopes. Logo a seguir, o ficcionista parou. A boa nova do Camões foi impactante. De repente, nem para onde ia soube. Os ponteiros do relógio marcavam 14h48. Localização? Perto do Hospital Central de Maputo. A caminhar. Ao lado do autor, as velhas árvores com cheiro à urina. “Fiquei parado. Acho que não estou treinado para saber reagir assim de imediato a um prémio que, além do valor monetário, tem um valor muito significativo para mim, como autor. Acho que os prémios ajudam-nos a medir para onde é que nós vamos. Funcionam como faróis. Ajudam-nos a medir e a dar-nos um retorno sobre a nossa caminhada. Tenho a sorte de perceber que o caminho é esse… O importante, agora, é dar continuidade…”

Nesta edição do Prémio Literário Imprensa Nacional/ Eugénio Lisboa, Mélio Tinga distinguiu-se com o romance Marizza, na história, nome de uma jovem poeta que tem uma relação com um escritor. A história toda acontece nos tempos actuais, em que o telemóvel, o computador, a internet e a cidade estão presentes. Na narrativa, também está presente a vida desse escritor, a sua participação em colóquios e a sua actividade como presidente do júri de um concurso literário. Estes são cenários recriados, em que Tinga tentou ir à busca do quotidiano de um escritor, retratando as suas dificuldades, os seus relacionamentos e os desafios que a vida impõe.

Mélio Tinga começou a escrever o seu romance em Março, na altura de Estado de Emergência em Moçambique. Nesse mesmo período, o escritor lançou-se ao desafio de escrever dois livros: um romance e uma novela. Marriza precisou de seis semanas para ficar pronto. Claro, depois seguiu-se o trabalho de revisão e coisas dos género.

Mélio Tinga já publicou dois livros de contos e promete continuar a escrevê-los. E esclarece. “Eu sempre escrevi textos longos, que não serviam para nada. Acho que o conto é importante para os autores que pretendem fazer textos mais longos, como espécie de uma escola para treinar a técnica narrativa. Por isso, para mim, o conto continuará a ser importante. O facto de ter vencido este prémio, com um romance, não significa que vou abandonar o conto, que, para mim, é mais exigente em termos técnicos, de gestão do tempo, do espaço limitado e das personagens reduzidas. Isso exige que o autor tenha essa capacidade de gestão. Quando conseguimos manipular todos esses elementos no conto, de alguma forma, torna-se mais fácil a transição para o romance. Depois disso, o que se exige na escrita do romance é fôlego, e não inspiração que termina em um parágrafo”.

A terminar a conversa com o jornalista, ainda com a perna cruzada, e com o semblante sisudo, Mélio Tinga sublinhou que o reconhecimento público do seu exercício literário pode permitir que as pessoas conheçam o seu trabalho. “Esse é o grande ganho dos prémios. Abrem portas e janelas para que as pessoas, por curiosidade ou interesse, procurem os nossos trabalhos”

A voz do júri

Nesta edição, o júri do Prémio Literário Imprensa Nacional/ Eugénio Lisboa foi constituído por Mbate Pedro (presidente), Sara Jona Laisse e Paula Mendes. O trio decidiu por Marizza, de Mélio Tinga, não por ela ter olhos bonitos ou ancas sedutoras. O que é que é isso, caro leitor? O júri, de acordo com informação oficial, reconheceu Tinga por causa da “criatividade com que o autor aborda um assunto do quotidiano e à qualidade e inovação estética da obra, numa narrativa coesa e coerente, na qual a forma se sobrepõe ao conteúdo. Destaca-se nesta obra, a qualidade literária de uma escrita permeada por notáveis registos poéticos. Marizza ajuda-nos a reflectir sobre o lugar da literatura e da cultura nos tempos modernos”.

Num universo de 42 trabalhos submetidos ao concurso literário, houve menção honrosa para o texto Eva, de Léo Cote.

Um excerto do romance laureado de Mélio Tinga

“Senti emergir do fundo das vísceras algo doloroso e túrgido. Uma sensação de focas a chapinhar no centro do lago. Estava pálido, como neve. Tremia com exageros. Ouvir aquela voz aguda, partia-me os ossos de modo indolente. Tinha a mão suada, o celular ao ouvido parecia em brasa, como se fosse causar uma inesperada explosão. A partir desse dia passei a crer na força do azar e a desconfiar do canto dos pardais”.

 

 

De Lisboa chegam novidades. Os músicos Selma Uamusse  e Stewart Sukuma  estão entre os diversos artistas convidados pela Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) AIDGLOBAL – Acção e Integração para o Desenvolvimento Global, de origem portuguesa e com delegação no Chibuto, para a gravação do seu hino Para quem depois vier.

De acordo com a AIDGLOBAL, os artistas moçambicanos juntam-se aos portugueses Ana Laíns, Carla Pires, Carlos Moisés, Célia Leiria, Cherry, Duarte, Joana Amendoeira, Paulo de Carvalho, Rodrigo Costa Félix, Rogério Charraz, Sebastião Antunes & Quadrilha, Silvana Peres e Marta Pereira da Costa para, a uma só voz, destacarem a importância da Educação, com enfoque nas áreas da Literacia e Cidadania Activa, os pilares da missão da AIDGLOBAL.

Para quem depois vier foi escrito e composto pelo cantor e autor Sebastião Antunes e é lançado no momento de celebração do 15º aniversário da ONGD. “Este Hino simboliza tão bem o nosso trabalho, representa 15 anos a contar histórias com finais felizes, investindo dia-após-dia numa Educação de Qualidade, através da implementação dos nossos projectos, em Portugal e em Moçambique, porque acreditamos que a Mudança acontece pela Educação”, afirma Susana Damasceno, Fundadora e Presidente da Direcção da AIDGLOBAL.

Segundo Stewart Sukuma, citado pela AIDGLOBAL, “é muito importante que a solidariedade faça parte do nosso ADN”. Referindo John Donne, o autor afirma ainda que “nenhum homem é uma ilha isolada, cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra. Se um torrão é arrastado para o mar, a Europa, África, América, ficam diminuídas, como se fossem um promontório, como se fossem a casa dos teus amigos ou a tua própria. A morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do género humano. E, por isso, não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.” Para o artista, “foi um prazer colaborar com outros artistas tão valiosos, para uma causa tão nobre como a Educação. Agradeço à AIDGLOBAL o convite e a oportunidade. Juntos vamos mais longe”.   

 Na mesma nota da AIDGLOBAL, Selma Uamusse expressou: “os meus sinceros parabéns à AIDGLOBAL pelos 15 teimosos anos a acreditar que a Mudança vem através da Educação e em particular por trazerem este lema para o meu país, Moçambique. É uma grande alegria poder celebrar convosco a extensão do direito à Educação a todos, para que realmente o mundo seja cada vez menos desigual e para que as oportunidades e o acesso a este bem precioso, a Educação e Literacia, possam estar ao alcance de todos. Khanimambo pelo vosso amor, empenho e dedicação. Kulungwana!”.  

 Às 19h de dia 4 de dezembro, 21h de Moçambique, o tema  será divulgado, a partir do canal oficial de YouTube de Sebastião Antunes, “Para quem depois vier”, estará disponível nas redes sociais e Website da AIDGLOBAL e nas plataformas de streaming, sendo que por cada visualização ou audição do Hino, há um valor que reverte a favor da AIDGLOBAL para a concretização dos seus projectos em Portugal e em Moçambique, como a ampliação da Rede de Bibliotecas Escolares do Distrito do Chibuto; a criação e implementação de Escolinhas para a 1ª Infância em contextos rurais na Província de Gaza; a elaboração de recursos pedagógicos para docentes; a capacitação de professores na área da Educação e da Cidadania Activa e a sensibilização e mobilização dos jovens para o voto.

Para lançar o Hino “Para quem depois vier”, a AIDGLOBAL gravou um vídeoclipe em Portugal Continental, na Região Autónoma da Madeira – na Ilha Porto Santo, onde abriu uma delegação em 2018, e em Moçambique – Maputo e Chibuto, distrito em que se localiza a sua delegação desde 2009.

 

O evento está marcado para quinta-feira. Quando forem 18 horas, a escritora e poetisa Énia Lipanga vai realizar, na Fundação Fernando Leite Couto, cidade de Maputo, a quarta edição do Sarau Cultural Incluarte.

A edição desta semana, segundo a Tindziva, irá contar com a participação de artistas e activistas sociais, como Abdil Juma, Negro, Sizaquel Matlombe, Rafael Bata, Beatriz Majope e Mirrely Timbane.

O Incluarte de Énia Lipanga é um movimento de activistas que, através de recital de poesia, teatro e música, pretende consciencializar os promotores de eventos sobre a necessidade de inclusão em eventos públicos e espectáculos, destacando a importância do braille e das línguas de sinais na construção de uma sociedade cada vez mais para todos.

A ideia desta representação artística, avança a Tindziva, surge em Junho do ano passado, num contexto em que as pessoas com deficiência têm enfrentado diversos desafios para aceder aos recintos de espectáculos e compreender as mensagens por detrás das manifestações artísticas. Este ano, pela segunda vez, o sarau coincide com a celebração do Dia Internacional das Pessoas Com Deficiência (PcD), a 3 de Dezembro, por isso, para além das apresentações em palco, o público que acorrer à Fundação Fernando Leite Couto terá a oportunidade de adquirir a colectânea de poesia, intitulada Sonolência e alguns rabiscos, em tinta e braille, da autoria de Énia Lipanga, lançado no dia 4 de Janeiro.

 

Filme de João Ribeiro é Melhor Longa de Ficção na sétima edição do Plateau – Festival Internacional de Cinema da Praia, em Cabo Verde.

 

Este foi um ano adverso para o filme Avó Dezanove e o segredo do soviético, que teve a sua estreia internacional e nacional há mais ou menos sete meses. Não podendo estar em sala, devido ao encerramento dos cinemas, poucos o puderam ver e própria promoção da ficção moçambicana ficou “comprometida”. Ainda assim, neste finalzinho de ano, João Ribeiro recebeu uma boa notícia, domingo à noite, afinal o seu filme foi laureado Melhor Longa de Ficção na sétima edição do Plateau – Festival Internacional de Cinema da Praia, capital cabo-verdiana.

Referindo-se à distinção, o realizador afirmou que “é sempre bom quando um filme recebe um prémio, independentemente do tipo de festival e de onde se realiza. É sempre um reconhecimento pelo nosso trabalho. Por isso, é um prazer receber o prémio”, sobretudo num ano difícil como tem sido este 2020. E sublinhou: “os filmes são feitos para as salas e os festivais mudaram muito a sua dinâmica. Há uma diferença na apresentação dos conteúdos e tem sido um bocado mais difícil para a vida do filme. Esperamos que para o ano a coisa mude e que o filme possa voltar às salas e continuar a fazer os seus circuitos de festivais”.

A distinção de Avó Dezanove e o segredo do soviético é, para João Ribeiro, uma excelente notícia porque, assim, as pessoas interessam-se mais. “Isso é bom para a arte e para o cinema moçambicano, que nós fazemos tão poucos filmes”. De igual modo, o realizador explicou que os festivais de cinema andam emparelhados, de modo que, quando um filme é premiado num determinado evento, consegue argumentos para ver aumentar a sua visibilidade em eventos cinematográficos dentro e fora do país.

Mesmo devido às condicionantes causadas pela COVID-19, João Ribeiro ainda não tem data para colocar a sua longa-metragem nas salas comerciais, pois isso não depende (apenas) do produtor do filme, mas dos que o exibem. “Nós temos pouca força nesse sentido. Os proprietários das salas de cinema é que têm de se aproximar aos produtores e adquirirem os seus filmes. Obviamente que nós também fazemos a nossa parte, inclusive falando com eles. Mas a última palavra é sempre de quem tem a sala”.

Enquanto as salas comerciais não recebem Avó Dezanove e o segredo do soviético, o público tem algumas oportunidades de ver o filme no Centro Cultural Franco-Moçambicano, na cidade de Maputo. Primeiro, às 10h30 do próximo sábado, numa sessão gratuita para crianças. Já os mais velhos poderão ver o filme em duas sessões cobráveis marcadas para as 18 horas de segunda-feira e terça-feira. Sobre levar o filme às pessoas, recorrendo ao espaço de um centro cultural, Ribeiro esclareceu: “o nosso cinema não está à procura de receitas, mas de contar uma história. Cinema em África tem a sua forma de estar, a sua dinâmica e forma de ser”.

No entendimento de João Ribeiro, os prémios podem ajudar a conseguir mais apoio do sector público e privado no país, porque chamam atenção. “Quando se ganha um prémio, há sempre um movimento à volta disso e esse movimento pode ser aproveitado nesse sentido. Se um trabalho é premiado, as entidades que o apoiam também se sentem reconhecidas”.

No Plateau – Festival Internacional de Cinema da Praia, em Cabo Verde, foram distinguidos mais filmes, entre os quais Mia Couto: sou autor do meu nome, de Solveig Nordlund (Portugal), Prémio Especial do Júri. Igualmente, o evento cabo-verdiano reconheceu Luís Humberto: o olhar possível, de Mariana Costa e Rafael Lobo (Brasil), Prémio Melhor Curta Documentário; Neguinho/Blackie, de Marçal Vianna (Brasil), Prémio Melhor Curta Ficção; e Manuel D’Novas – coração de poeta, de Neu Lopes (Cabo Verde), Prémio Melhor Longa Documental.

O júri do festival foi constituído por Pedro José-Marcellino, Suely Neves e Patrícia Silva.

O Plateau – Festival Internacional de Cinema da Praia é um evento realizado anualmente na capital cabo-verdiana, em finais de Novembro. O mesmo pretende promover o cinema local, regional e dos PALOP, democratizando o acesso ao cinema, com sessões públicas nos diferentes bairros da Praia.

 

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