O País – A verdade como notícia

Livro de poesia de Ben Jone será lançado numa cerimónia a realizar-se às 16 horas desta segunda-feira, na capital de Cabo Delgado.

 

O mar é algo especial para Ben Jone. Por isso, ao escrever o seu livro de poesia, o autor não evitou representá-lo em verso. A ser lançado esta segunda-feira, a partir das 16 horas, no Hotel Raphael, na cidade de Pemba, a obra literária, para o autor, é um registo de memórias, conjunturas e identidades pessoais e colectivas, captadas, igualmente, do meio social onde o poeta se insere.

O mar e as almas errantes, na verdade, é um livro iniciado há uns bons anos, escrito de forma intermitente. Entretanto, apenas foi finalizado este ano. Na percepção de Ben Jone, os poemas do seu segundo livro reflectem o passado, o presente e até procuram perspectivar o futuro, face à realidade que o próprio país se encontra.

Sobre o que os leitores irão encontrar na leitura, o poeta adverte que, além de poesia, O mar e as almas errantes é uma espécie de guia turístico, no qual o mar está muito presente. “Eu tenho uma relação muito forte com o mar. Para mim, tem um significado importante. Nunca posso sair ou voltar a Pemba sem ir ao mar”. E o poeta esclarece o que o faz vibrar na escrita: “Gosto de trabalhar e produzir o texto mais com alma, do que com a teoria ou a técnica. Com uma dose de estética, invisto na alma”.

Na cerimónia de lançamento, o livro publicado sob a chancela da editora Fundza será apresentado por Yolanda Almeida, Directora Provincial da Cultura e Turismo em Cabo Delgado. No mesmo evento, haverá uma sessão musical com banda e recital de poesia.

Ben Jone nasceu em Pemba, em 1986. É mestre em Língua e Literatura Portuguesa e docente da Universidade Rovuma. Tem vindo a participar em diferentes eventos científicos. Publicou a um destino novo, em 2016, seu primeiro livro em prosa, Prémio do Concurso Literário do Banco de Moçambique, alusivo ao 45º Aniversário da sua criação.

 

 

 

 

 

O autor da trilogia As areias do imperador sente-se feliz por ser o primeiro africano a vencer o Prémio Literário Jan Michalski. Mia Couto reagiu esta quinta-feira, no distrito de Dondo.

 

Mia Couto reagiu à sua mais recente distinção a partir do distrito de Dondo, em Sofala, ali bem perto da sua cidade natal. Como que procurando palavras, afinal fugidias, o escritor confessou que não tinha a consciência da importância do prémio literário, dizemos nós, com nome difícil de pronunciar: Jan Michalski.

Consumado o reconhecimento, posteriormente, o escritor procurou ver referências e quem já tinha sido antes laureado com o prémio literário Jan Michalski, ao mesmo tempo que se informou sobre os concorrentes. Aí percebeu a relevância e mais alguma coisa. “De facto, são nomes da literatura mundial, nomes que eu admiro e que venero. Portanto, sinto-me muito feliz. Sendo a primeira vez que um escritor africano ou de língua portuguesa vence o prémio, acho que tenho razão para me sentir feliz”. De seguida, Mia voltou a sublinhar que não escreve por causa dos prémios. “Pobre do escritor que anda atrás de prémios. Mas, se eles acontecem, é verdade que são importantes. É um estímulo”.

No distrito de Dondo, Mia Couto participava, na qualidade de membro do júri, na cerimónia de entrega de prémios a jovens criativos, nas áreas de empreendedorismo, inovação artística e inovação tecnológica, dirigida pelo Presidente da República. Durante o evento, Filipe Nyusi não deixou de se referir à distinção do escritor. “Com esta conquista que não é sua ou da sua família próxima, a literatura moçambicana atinge, mais uma vez, o topo universal. Dissemos que seremos dos maiores produtores de gás, mas, afinal, também somos dos maiores produtores do conhecimento da literatura ao nível do mundo. Mia Couto habituou-nos a esta graciosidade. Por isso, estamos bastantes orgulhosos”.

A trilogia As areias do imperador foi a que permitiu, em Paris, o reconhecimento a Mia Couto pela organização do prémio instituído há 10 anos.

 

 

Mais uma edição do Mozambique Fashion Week (MFW). O evento de moda arranca hoje e vai realizar-se até dia 12, na cidade de Maputo.

De acordo com a organização, o MFW aparece com uma nova roupagem numa lógica digital, sem, no entanto, descurar a sua essência analógica, apresentando-se como um ecossistema sustentável para talentos criativos e marcas moçambicanas, permitindo que prosperem na comunidade global.

Assim, os dias 9 (hoje) e 10 serão dedicados aos Young Designers, num alinhamento composto pelas marcas e estilistas Sibelle Tomo, Jay The Seeress, Nércia Chande, Galleno, Silvia Fashion Designer, Candy Munguambe, Chandaliar, Emília Alina, Mabenna, Xibonecana, Zaveta Del Art e Adecoal Wear, Marrabentas, Angel Design, Ricardina Adelino, Uzuri Creations e Baco Baco. O dia 11 será dedicado a apresentações sob o lema “Africanicidade” e “Malangatana”.

Já o último dia do evento, a passarela acolherá apresentações de renomados estilistas e já conceituados na moda nacional, Isis Bruno, Nivaldo Thierry e Omar Adelino.

Entretanto, devido às restrições impostas pela COVID-19, o acesso aos desfiles será somente por convite, sendo que o público poderá acompanhar o desfile a que for convidado. Ora, os amantes da moda poderão acompanhar o melhor da Moda Moçambicana, através das plataformas digitais do MFW.

Segundo Vasco Rocha, Director-Executivo da DDB Moçambique, agência que organiza o evento, citado no comunicado, o MFW consolidou-se como um factor de desenvolvimento, considerando o envolvimento de vários sectores de actividade.

“Música, artes plásticas e gastronomia são subsectores da economia que se vão evidenciar com mais força nesta nova era, que mantém o compromisso com causas sociais. Aliás, o MFW é hoje reconhecido como pioneiro na consciencialização do cancro da mama e dos direitos LGBT. O MFW é igualmente um acérrimo combatente contra os casamentos precoces, violência doméstica, cancro de pele e exploração infantil”, avança a nota de imprensa.

Ao fim de 16 anos existência, “o MFW tem hoje um enorme orgulho por ter contribuído para o surgimento de uma indústria de moda, formando, lançando e promovendo várias marcas e estilistas que hoje são uma referência na moda nacional e internacional, designadamente: Taibo Bacar, Shaazia Adam, Nivaldo Thierry e Omar Adelino”.

 

 

 

O escritor Mia Couto venceu o prémio literário Jan Michalski com a trilogia “As Areias do Imperador”, na sua tradução para a língua francesa e publicado pela editora francesa Editions Metaillé e na sua tradução para o inglês publicada nos Estados Unidos e na Inglaterra. A mesma obra foi publicada em português em Moçambique, Portugal e no Brasil.

Segundo um comunicado enviado para “O País”, o anúncio do prémio Michalski foi realizado esta manhã em Paris, numa cerimónia em que foram lidos extractos do livro e o autor dirigiu uma mensagem de agradecimento transmitida por via da internet.

Para o mesmo prémio que consagra os géneros da literatura, estavam nomeados autores mundialmente consagrados provenientes da França, Bélgica, Rússia, Ucrânia, Inglaterra, Estados Unidos, Polónia, Noruega, Vietnam e Portugal. Couto era o único autor africano. O outro candidato de língua portuguesa que figurava na lista de candidatos era o conhecido neurocientista António Damásio.

Explicando a razão da escolha, segundo a nota de imprensa, o júri referiu “a qualidade excepcional da escrita de Mia Couto, o modo como subtilmente mistura oralidade, e narrativa, cartas, fábulas, lendas, sonhos e crenças que, no conjunto, nos transportam para a realidade histórica de Moçambique colonial nos finais do século 19. Sem nenhum traço de maniqueísmo, o autor desenha com mestria o retrato de sedutores personagens que enfrentam a desumanidade da Guerra”.

Para o júri “o romance de Mia Couto é, ao mesmo tempo, uma saga histórica e uma narrativa encantadora, um poderoso retrato de uma fascinante mulher, uma história de amor e humanidade. Com um idioma inventivo que é renovado pela terra africana e inspirado na sua singular poesia, o autor moçambicano questiona crenças, cria pontes entre mundos e apaga fronteiras numa meditação universal sobre a alteridade.”

O prémio Jan Michaski foi instituído em 2010 e, em onze edições, esta é a primeira vez que um escritor africano foi premiado. Há dois anos a escritora vencedora foi Olga Tokarczuk que, meses depois, veio a ganhar o Prémio Nobel de Literatura.

O rapper Duas Caras lança o seu primeiro álbum a solo dia 19 deste mês, entre 11 e 17 horas, na Pizza Hut, baixa da cidade de Maputo.

 

Quando nasceu, o bisavô paterno de Duas Caras baptizou-o com um nome. Alguém advinha qual é? Nem mais, Djundava. Durante muitos anos, o rapper recusou o seu nome tradicional, por o julgar feio. Curiosamente, com cerca de 12 anos de idade, ficou gravemente doente e a família levou-o à casa de uma curandeira, que o perguntou se gostava ou não do nome Djundava. O menino, nessa altura sem duas caras, foi sincero e disse a verdade.

Ao longo da temporada que ficou internado em casa da curandeira, para curar a doença de que padecia, Duas Caras ouviu-a dizer que deveria gostar do nome dado pelo bisavô, porque o protegia de todos os males. Os anos passaram e, nesse processo de descobrimento da sua identidade africana, Kara Boss aprendeu a aceitar o seu nome, e, agora, assume-o publicamente, usando-o para intitular o seu tão aguardando álbum de estreia.

Gravado sob a chancela da GM Record, o primeiro disco a solo de Duas Caras é uma viagem pela interioridade e pelas experiências vivenciais do artista. Mas isso não faz do disco algo exclusivamente pessoal. Ao mesmo tempo, Djundava pode ser a história de tantas outras pessoas, que podem se rever nas mensagens apresentadas nas músicas. Com o álbum, a ser lançado depois de Duditos way (EP) e Tondje Mcee (single), a maior pretensão é clara: “conseguir tocar, fundamentalmente, no coração das pessoas. Neste álbum envolvi-me de uma forma muito emocional. Em algumas músicas, no processo de composição, cheguei a tirar lágrimas e algumas pessoas que ouviram as músicas passaram pela mesma situação. Tocar o coração das pessoas é o que me interessa mais do que qualquer outra coisa”.

A ideia de produzir este seu primeiro álbum começou com a música ‘Gueime’, já com meio milhão de visualizações no YouTube. “Isso já é um número razoável para as minhas expectativas. Eu não sabia como é que as pessoas iriam reagir àquela música. Sempre quis experimentar coisas, então resolvi arriscar. Quando vi que ‘Gueime’ estava com muitas visualizações, isso me deu um estalo. Achei que, se calhar, aquele era o caminho que devia seguir. Preferi não seguir tendências, mas focar-me em mim mesmo e fazer aquilo que tenho absorvido ao longo dos anos”.

Assim, Djundava foi gravado em um mês e todas as instrumentais foram feitas do zero. “Eu ia ao estúdio com uma melodia na cabeça, e como estou num processo de aprender a tocar guitarra… o produtor replicava”. Então, o rapper foi-se divertindo enquanto gravava. Aliás, esclareceu Duas Caras, “quando estou em estúdio, não me sinto a trabalhar. Pelo contrário, divirto-me”.

Reconhecendo a pressão sobre a responsabilidade de lançar um álbum, Duas decidiu avançar mesmo assumindo que pode desiludir algumas pessoas, porque não vai muito ao encontro das expectativas daqueles que são os mais conservadores do Hip-Hop. “E, por isso, tenho algum tipo de insegurança pelo menos nesse aspecto”. Ainda assim, Duas Caras acredita que fez um bom trabalho.

 

Um renascimento africano?

Duas Caras considera que, de alguma forma, os rappers, principalmente, são muito “aculturados”. “As nossas referências, quando comecei, eram Snoop Dogg, Dr. Dre, mas, depois de 20 anos a estudar o jogo, e essas mesmas referências, e, agora, com o advento da Internet, fiz uma longa pesquisa e descobri que, afinal de contas, nós também precisamos de nossas próprias referências ao nível africano. Precisamos de projectar a nossa imagem como africanos e não uma réplica de americanos. A minha mensagem, neste momento, é mais des-americanizar ou des-ocidentalizar… e procurar referências africanas. Precisamos de resgatar a nossa africanidade e isso é uma das minhas apostas para os próximos anos”.

O álbum de Duas Caras foi gravado em um mês, sempre no espírito de fazer das músicas produto para toda a gente, independentemente de gostarem ou não do Hip-Hop. “Em termos demográficos, o Hip-Hop tem muitas limitações. Eu não sei dizer em números quantos consumidores do Hip-Hop, dito tradicional, temos, mas creio que seja um número bastante reduzido. Evidentemente, isso complica a vida de um artista que se quer projectar para muito mais longe e quer atingir mais pessoas. Em termos rítmicos, procurei trazer um produto em que as pessoas se possam identificar. Procurei misturar ritmos. A base é Hip-Hop, mas com elementos africanos. Sente-se isso na batida”.

Controlando minuciosamente o discurso de modo a não revelar surpresas antecipadas, Duas Caras evitou falar do número de músicas e das colaborações. No dia 19, entre 11 e 17 horas, na Pizza Hut, baixa da cidade de Maputo, tudo será partilhado.

 

O autor Falso Poeta irá lançar, quinta-feira, às 18 horas, a sua terceira obra literária. Intitulada A outra dor, a obra reflecte, segundo a comunicação autor, “a experiência da incompletude como base para a completude.

Em A outra dor, Falso Poeta desfaz-se de Os dialetos do amor, sua primeira obra literária (2019), e explica os contornos que suturam as dores do amor, para, no final, celebrar a alegria de amar mesmo que partindo para uma outra existência longe do uivar nocturno das lembranças do amor que se foi.

No novo livro do autor, encontram-se linhas que convidam o leitor a um eterno recomeço, uma partida desapegada da saudade e com a sensação de nunca voltar, sensação essa que no fundo vai sendo, de forma intemporal, a ponte que liga a dor ao próprio amor, um amor esculpido no silêncio do desejo de nunca mais voltar.

“Prefaciada por Susan Nash, especialista em literatura, artes performativas e professora da universidade de Oklahoma nos Estados Unidos, a obra se deixa fluir por entre as mãos, sendo um alimento necessário para o amor”, avança a nota de imprensa.

 

 

A informação é avançada pelo próprio Centro Cultural Português em Maputo. Às 18h de quinta-feira, haverá a inauguração da 1ª edição da Bienal Internacional de Maputo – Habitantes do Desenho, uma mostra colectiva de 13 artistas plásticos de Moçambique, Portugal e Brasil. A cerimónia será realizada institucionalmente, com transmissão em directo pelas redes sociais e a exposição abrirá as portas ao público no dia 11, às 11h.

Segundo lembra a nota de imprensa do Camões, a nível nacional já se realizaram anteriormente duas edições da exposição Habitantes do Desenho, em 2013 e 1016, mas, pela primeira vez, a iniciativa toma o formato de Bienal, abrindo as portas ao contexto internacional e apresentando uma selecção de  mais de 50 obras inéditas de desenho da autoria de: Carmen, Engrácia Cardoso (PT), Famós, Ídasse, Luciana Hess (BR), Luís Cardoso, Luís Santos, Mendonça, Mudaulane, Neto, Samuel Djive, Silva Dunduro e Walter Zan.

A nota avança ainda que o objectivo da reunião de talento e criatividade é homenagear o desenho enquanto prática artística de representação e conhecimento do mundo, revelando-se como base de trabalho comum de qualquer um dos artistas selecionados.

O projeto da exposição Bienal Internacional de Maputo – Habitantes do Desenho conta com o patrocínio do BCI, com o apoio do Atelier Hoya, da Layout e da Moldarte e estará patente em Maputo desde dia 11 de Dezembro a 13 de Fevereiro de 2021, de segunda a sábado, entre as 11h00 e as 17h00.

Como é habitual nestes dias, a cerimónia de inauguração será reservada a um número restrito de convidados e respeitará todas as medidas adequadas de higiene e segurança.

 

 

 

A Ministra da Cultura e Turismo foi convidada a actuar no concerto de fim-de-ano da Temporada de Música Clássica de Maputo – Xquitsi. A sessão vai realizar-se às 18 horas de sábado, na Galeria do Porto de Maputo.

 

Conforme a recomendação do Presidente da República, a Ministra da Cultura e Turismo não abandou a música e tão-pouco os palcos. 11 meses depois da nomeação para integrar o Governo, Eldevina Materula ou, para quem preferir, Kika Matereula, vai apresentar-se no concerto de fim ano da Temporada de Música Clássica de Maputo – Xiquitsi.

Esta edição do programa musical terá a particularidade de contar com dois alunos do Xiquitsi que estudam na Escola Superior de Música de Lisboa, em Portugal, nomeadamente, Florêncio Manhique (Violoncelo) e Kledy Alfainho (Viola d’arco). Ambos regressam à cidade de Maputo para se juntarem aos colegas. Assim, os instrumentistas vão tocar pela primeira vez na condição de solista na Temporada de Música Clássica de Maputo.

De acordo com Eldevina Materula, este é um momento muito particular porque, quando o Xiquitsi foi criado, uma das pretensões da Associação Kulungwana foi reverter a favor dos moçambicanos a elevada participação de 99% de solistas estrangeiros convidados. “O nosso propósito foi o de aumentar o número de solistas moçambicanos. Estamos a conseguir ao longo de muitos anos de trabalho”.

Para Eldevina Materula, o concerto de fim-de-ano da Temporada de Música Clássica será muito especial, até porque, desta vez, actua na qualidade de convidada. “Eu confesso que estou muito emocionada. Este ano vou pisar o palco pela primeira vez e vamos trazer algumas surpresas com certeza”.

Porque o concerto acontece num contexto muito particular, os acordes do Xiquitsi irão levar ao público que vai acompanhar a sessão, no local ou através da página Facebook do Xiquitsi, uma mensagem de esperança. E o concerto será muito pedagógico. “Vamos mostrar que é possível juntar tantos músicos no palco e prevenirmo-nos da pandemia da COVID-19”. Reforçou a Ministra da Cultura e Turismo: “Estamos muito atentos a esta questão. Infelizmente, nos últimos tempos, temos observado, com muito desagrado, muitas infracções no âmbito da prevenção da COVID-19. Queríamos apelar, neste período de festas, e este concerto é de final de ano, para manterem a prevenção da pandemia da COVID-19. Que não nos esqueçamos que esta pandemia continua a devastar vários países do mundo. Nós, felizmente, e devido às medidas tomadas por Sua Excelência o Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, aquando da declaração do primeiro Estado de Emergência, hoje, somos dos países menos afectados. Queremos assim continuar. Para tal, temos de contar com a colaboração de todos”.

O concerto de fim-de-ano do Xiquitsi conta com Direcção Musical de Eldevina Materula. Já a Direcção Coral foi confiada à portuguesa Ágata Rica, que tem colaborado com a Temporada de Música Clássica de Maputo. Outra professora que integra o elenco é a japonesa Maya Egashira.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A ensaísta e professora universitária vai lançar, às 18 horas de terça-feira, numa sessão transmitida na página Facebook do Camões, a obra Entre margens: diálogo intercultural e outros textos.

 

Uma tentativa de estabelecer diálogos entre as culturas moçambicanas e, por vezes, entre estas e a portuguesa. É assim que Sara Jona Laisse descreve o seu novo livro. Intitulado Entre margens: diálogo intercultural e outros textos, a obra da ensaísta apresenta reflexões sobre rituais, numa perspectiva de, a partir do seu significado, símbolos e funções, analisar que diálogos é que se pode estabelecer entre as culturas envolvidas.

Fundamentalmente, para Sara Jona Laisse, que este ano integrou o júri no concurso Prémio INCM/ Eugénio Lisboa, o objectivo do livro é sempre o de demonstrar que os Homens têm a mesma essência e que não existe, nem necessidade, nem critérios científicos válidos para se estabelecer subalternidade entre umas culturas e outras. Os modos de fazer podem variar, adianta a autora, mas vezes sem conta os símbolos e as funções destes, têm o mesmo significado.

Para a ensaísta, embora o livro seja um conjunto de cónicas, “são textos fundamentados num modelo de análise de culturas de Geertz, cujo cerne é explicar e interpretar a cultura, a partir da perspectiva dos seus fazedores ou sujeitos nativos. Têm sido as explicações e interpretações dos nativos que utilizo e faço o sempre aplicando o princípio do relativismo cultural”.

Entre margens é um livro com dois cadernos, constituídos por textos publicados entre 2019 e este ano, nos jornais Sete Margens, O País e Notícias.

O livro de Sara Jona Laisse conta com um prefácio da brasileira Vanessa Riambau Pinheiro, que se dedica ao estudo da Literatura Moçambicana há anos. Para a professora de Literaturas Africanas da Universidade Federal da Paraíba, no Brasil, as crónicas do livro “revelam a multifacetada cultura moçambicana, através da perspectiva notável de uma interlocutora lúcida que analisa os factos de forma endógena sem por isso deixar que se lhe abale a capacidade crítica”

Entre margens: diálogo intercultural e outros textos, com posfácio assinado pela escritora Ana Mafalda Leite, será lançado numa sessão online, terça-feira, às 18 horas, na página Facebook do Camões. Como apresentador da obra lançada pela gala-gala edições estará Cristiano Matsinhe. A moderação da sessão foi confiada ao poeta Eduardo Quive.

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