O País – A verdade como notícia

O actor e encenador Venâncio Calisto estreia a sua primeira criação em Portugal e publica, em livro, a sua primeira peça de teatro, na companhia das actrizes Marina Campanatti e Vânia Luz, do Brasil e Cabo Verde, respectivamente.

“O alguidar que chora ou a história das pedras que falam” é fruto de um processo colaborativo entre o encenador e as actrizes iniciado em Julho deste ano, na Casa Mocambo, em Lisboa, onde foi apresentado, em Setembro, o primeiro resultado do projecto, no formato de leitura encenada.

De acordo com a nota de Calisto, construído a partir de improvisações, discussões e troca de impressões artísticas e pessoais “O alguidar que chora ou a história das pedras que falam” é um questionamento sobre o silenciamento e todo tipo de opressões, tendo a figura da mulher como a metáfora da luta por um mundo mais humano.

A dramaturgia do espectáculo, adianta Calisto, dialoga uma série de referências teatrais, desde as formas tradicionais africanas (performance ritual), passando pela comédia dell’arte e as correntes do teatro contemporâneo. O discurso cénico explora a diversidade cultural que caracteriza o elenco, o que resulta numa polifonia sonora e visual, um convite para uma mágica viagem pelo diverso e rico território lusófono.

A música, composta e tocada em cena pela actriz Marina Campanatti em parceria com os músicos moçambicanos Rita Couto e Nandele Maguni combina ritmos tradicionais moçambicanos com os do Brasil e música ecletrónica, sublinhando assim a viagem temporal e espacial que serve de chão para esta história em que as pedras, finalmente, falam.

 

Quando forem 16:30 horas desta quinta-feira, o livro As formigas e o açúcar da dona Leonor, da autoria do escritor Miguel Ouana, ilustrado por Cleide Conga, será apresentado aos leitores. O evento de lançamento da obra terá lugar na livraria infanto-juvenil Sequoia, no bairro Sommerschield, na cidade de Maputo.

De acordo com o comunicado de imprensa disponibilizado pela editora Fundza, o livro constituído por 30 páginas conta como as pequenas formigas se unem para fazer as grandes tarefas, como o transporte de grãos de açúcar para se alimentarem.

As formigas e o açúcar da dona Leonor é o primeiro livro que Miguel Ouana publica pela Fundza. Os outros livros infanto-juvenis publicados pelo autor são A vingança dos bichos (2006), A cor da água (2009), Os animais falam? (2012), O sol, a lua e o mar (2012), Laura e os peixes (2013) e A micaia migrante (2015).

Miguel Ouana nasceu a 2 de Janeiro de 1958, em Maputo. Licenciou-se em Ensino de Português. Foi Director Editorial da Diname – Distribuidora Nacional de Material Escolar e, actualmente, desempenha a função de Director-Adjunto da Imprensa Universitária da Universidade Eduardo Mondlane.

Na semana passada, a Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, participou na edição 2020 do Mozambique Fashion Week. No evento, a governante disse que a modernização tecnológica e o incentivo aos sectores das indústrias da moda, bem como da música, da dança, do teatro, do espectáculo, do audiovisual e do cinema, do livro, das artes plásticas, do artesanato, do design, da gastronomia, dos instrumentos musicais e do turismo, constituem prioridades do Governo na dinamização do sector, para alavancar as indústrias culturais e criativas em Moçambique.

Citada numa nota de imprensa do Ministério que dirige, Eldevina Materula teceu as considerações na noite de lançamento da marca de roupa baseada no traço do pintor Malangatana, fruto da parceria entre a DDB e a Fundação Malangatana.

Em relação ao MFW 2020, a governante disse que “enche-nos de orgulho por reconhecermos que esta é uma das formas de internacionalização das artes e da cultura ao serviço da promoção da paz, da concórdia e da tolerância que sempre caracterizou a unidade dos moçambicanos na diversidade cultural. O MFW revela o quão a DDB está comprometida com a causa das artes e de combinação dos objectivos comuns do Governo de Moçambique”, avança a nota de imprensa.

A 16ª edição do MFW realizou-se entre 9 e 12 deste mês, na cidade de Maputo.

O professor universitário e ensaísta lançou o seu mais recente livro esta terça-feira, no Auditório do BCI, na cidade de Maputo.

 

O mais recente livro de Francisco Noa é uma selecção de artigos que o autor vem escrevendo há sete anos, publicados principalmente no estrangeiro. Alguns desses textos têm a ver com a participação do professor universitário e ensaísta em congressos científicos e em conferências. “Como faço, de tempos em tempos, reúno os artigos para os transformar em objecto, onde as pessoas possam ter acesso…”.

O livro de Noa está dividido em três partes. A primeira é “Travessias”. Ali, o autor apresenta artigos com temáticas muito díspares, assentes na crítica social. A segunda parte é sobre “Literatura” e saiu em livro no Brasil, com o título Uns e outros na literatura moçambicana (Kapulana, 2016). Ora, Francisco Noa decidiu incluir essa parte neste Além do túnel para que os moçambicanos pudessem ler os textos. Já a última parte é sobre “Educação”, principalmente sobre o ensino superior, “que é a área onde eu trabalho e onde me movo mais ou menos bem”. Nessa parte, o professor universitário e ensaísta faz uma série de reflexões sobre a situação do ensino superior em Moçambique e, especialmente, reflecte sobre a relação entre aquele ensino (no país) e o mundo, destacando as tendências globais.

A temática transversal dos artigos seleccionados para o livro é a questão da mudança, a que ocorre, a que deveria ocorrer e a que vai necessariamente acontecer. Para Noa, a sociedade moçambicana não está à leste destas mudanças todas. “Nós não temos nenhuma possibilidade de nos dissociarmos dessa relação com o mundo”. A prova disso é a COVID-19, que, apesar de tenebrosa, acabou por unir os países, de tal forma que todos os cidadãos do mundo enfrentam o mesmo problema, o que cria uma sintonia para lidarem com o sofrimento nos processos de superação.

O livro de Noa, constituído por 288 páginas, foi apresentado por Cristiano Matsinhe, para quem Além do túnel é rico e complexo, abordando diferentes dimensões, desde identidades e interculturalidade. “O livro tem uma proposta pragmática sobre a implementação de políticas, sobretudo na área de educação. Nesse sentido, é um absolutamente transversal”.

O poeta moçambicano Alerto Bia é o segundo classificado da edição deste ano do Prémio Literatura e Fechadura, no Brasil. Por isso, o autor será editado em livro naquele país.

 

A organização do terceiro Prémio Literatura e Fechadura divulgou a lista dos vencedores do concurso internacional. Entre os três autores classificados, encontra-se Alerto Bia, em segundo, residente na cidade de Lichinga.

O poeta moçambicano destacou-se num universo de 192 trabalhos literários submetidos ao concurso, assinados por autores no Brasil, em Moçambique, em Portugal, na Argentina, na Itália e no Japão. Com efeito, a obra distinguida de Alerto Bia é O desassossego por dentro, um conjunto de 49 poemas inéditos.

Reagindo ao prémio, Alerto Bia afirmou que “uma distinção tem sempre essa pluma de espanto. Significa-me, portanto, esta distinção, que as palavras já refulgem, começam a dar rebentos. E isto irá servir-me para impulsionar o escopro da palavra e consolidar-me a escrita, sobretudo mostrar de forma inequívoca a vitalidade da literatura moçambicana”.

O Prémio Literatura e Fechadura é uma iniciativa da revista digital Literatura e Fechadura, dedicada à promoção da arte literária e da cultura em geral, tendo como curador o poeta brasileiro Jean Narciso Bispo Moura.

Os primeiros classificados do terceiro Prémio Literatura e Fechadura foram os brasileiros: Clei Souza, com o texto Não espera colheita quem semeia pássaros; e Paulo Rodrigues, com o texto Cinelândia. A terceira e última posição foi ocupada por Marcos Samuel Costa, com o título Próximo verão.

Por ter alcançado a segunda posição no concurso Literatura e Fechadura, o livro de Alerto Bia será editado no Brasil, pela editora Folheando.

 

O perfil do poeta

Alerto Bia nasceu a 02 de Março, na Província de Inhambane, e está Associado ao Clube de Escritores, Poetas e Amigos do Niassa (CEPAN). Sonhar é ressuscitar marcou a sua estreia em livro. Em 2017, publicou Sombras cálidas, sob a chancela da Editora do Carmo, Brasil. Possui uma publicação dispersa de textos em prosa e poesia neste jornal, na Revista Literatas e no Blogue Mbenga. Ano passado, foi distinguido em 4º Lugar no IV Concurso Internacional de Poesia – Prémio Cecília Meireles. Vive há 11 anos em Lichinga, Niassa.

 

 

 

 

 

 

A longa-metragem de João Ribeiro conquistou dois galardões no Kisima Music & Film Awards 2020, no Quénia: Prémio de Melhor Realizador de África, para João Ribeiro, e Prémio Melhor Actriz Secundária, para Ana Magaia.

 

Um ano incrível para Avó Dezanove e o segredo do soviético, de João Ribeiro. Quando 2020 começou, logo a seguir a estreia internacional e nacional, as coisas complicaram-se e o filme já não pôde ser exibido em sala. Péssimo para as expectativas do realizador, dos actores e de todos os técnicos que integraram a equipa de produção. Todavia, 2020 está longe de ser um ano a esquecer para a longa-metragem moçambicana.

Duas semanas depois de vencer o Prémio Melhor Longa de Ficção na sétima edição do Plateau – Festival Internacional de Cinema da Praia, em Cabo Verde, o filme de João Ribeiro volta a trazer reconhecimentos a Moçambique. Desta vez, em dose dupla. Na cerimónia realizada hoje, no Quénia, a longa Avó Dezanove e o segredo do soviético foi laureada no Kisima Music & Film Awards 2020 com o Prémio de Melhor Realizador de África, para João Ribeiro, e Melhor Actriz Secundária, para Ana Magaia.

De acordo com João Ribeiro, a cerimónia realizada no Quénia trouxe boas surpresas, “num ano difícil”, lembrou. “Sinto-me orgulhoso por ter trabalhado com crianças que fizeram um filme pela primeira. Felizmente, correu muito bem. Tivemos uma boa história e conseguimos colocar na tela o que se pretendia”.

Ainda assim, confessou, esta noite, João Ribeiro, não esperava que este ano pudesse ser tão bom para o seu filme, até porque os critérios dos festivais foram alterados. Antes, focados em projecções em sala, agora os festivais privilegiam sessões online, o que exige dos realizadores a capacidade de adaptação ao novo formato. Mudanças à parte, João Ribeiro entende que a dupla premiação no Quénia é uma óptima forma de terminar o ano e começar um outro. E repetiu: “Eu gostei muito de ter feito este filme com crianças. Na verdade, eu fui o maestro e elas foram a orquestra”.

Em relação à premiação a Ana Magaia, João Ribeiro disse que a actriz fez um papel relativamente pequeno, mas muito relevante. No filme, Ana Magaia é avó (Catarina) de uma das personagens. “A Ana teve um papel difícil, e ter alcançado essa visibilidade é importante. É uma actiz de reconhecido valor e com muita experiencia”.

A boa notícia para o cinema moçambicano chega num dia em que, de forma inédita, a selecção nacional de Sub 20 conquistou o torneiro da COSAFA, na África do Sul. Nunca antes tinha acontecido. E quando parecia que o dia estava resolvido, nem mais, eis que lá da terra de Jomo Kenyatta chega um ar fresco para minimizar os efeitos do rigoroso verão. Portanto, três troféus para o país num só dia. Um presente de Natal antecipado?

Nesta edição do Kisima Music & Film Awards 2020, na verdade, o filme Avó Dezanove e o segredo do soviético esteve nomeado em cinco categorias, designadamente: Melhor Filme, Melhor Realizador (João Ribeiro), Melhor Produtor (Luís Galvão Teles, António Júnior e João Ribeiro), Melhor Actor Principal (Keanu dos Santos) e Melhor Actriz Secundária (Ana Magaia). Depois da indicação do júri, composto por 10 personalidades do mundo das artes e da cultura, a votação aberta ao público foi feita online.

 

 

 

 

O pintor PMourana, com mais de 40 anos de carreira artística, tem levado a cabo um projecto que visa “humanizar” a sua actividade. Por isso, neste contexto de pandemia, o artista lidera um projecto de pintura de telas com a temática associada à prevenção do Coronavírus.

A proposta de Mourana, segundo uma nota de imprensa, é fazer das obras um instrumento para sensibilizar as pessoas no sentido de continuarem a observar as medidas de prevenção da COVID-19 recomendadas pelas entidades sanitárias, bem como a pautarem por comportamentos socialmente responsáveis, de modo a travarem a propagação da doença e a mitigar os seus efeitos.

Através da pintura, PMourana pretende, igualmente, imortalizar este momento, apesar de representar uma das piores fases da humanidade. “São momentos que não devem ser esquecidos. Daqui a 100 anos, por exemplo, vão saber que, em 2019, o mundo foi assolado por esta doença”, afirma o artista em comunicado de imprensa.

A iniciativa de PMourana é fruto de uma parceria com a Tmcel, e, acredita, constitui uma oportunidade para continuar a sustentar a sua criatividade. “É um estímulo à arte e ao artista. O momento é difícil, mas a arte não deve parar, e o papel do artista é de produzir. Sem parcerias deste género, o artista não tem como criar, principalmente nas actuais condições”.

Os quadros pintados por Mourana, neste projecto, deverão ser oferecidos, posteriormente, a algumas instituições.

 

 

Rapper e actor norte-americano, Skyzoo, gravou em Maputo, recentemente, o vídeo-clip da música “Forever in a day”, uma das que compoem o álbum In celebration of US. Para o artista que tem colaborado com autores como Jill Scott, Lloyd Banks, Tyrese, Dr. Dre, Apollo Brown, Jadakiss, Talib Kweli, John Legend e 9th Wonder, Moçambique possui potencialidades turísticas incríveis.

 

A partir dos Estados Unidos de América, o rapper Skyzoo confessou que Moçambique é um país especial, quer do ponto de vista cultural, quer do ponto de vista de potencialidades turísticas. Daí ter optado em gravar o vídeo-cilp da música “Forever in a day” na cidade de Maputo, finalizado mês passado, o qual evidencia zonas turísticas da capital do país.

“Eu amo Moçambique, eu amo Maputo, eu amo estar lá. Sempre que vou, há um restaurante que me esqueci do nome, mas o meu imão Simba e eu fomos lá. Ele apenas me levou até lá. É um belo SPA, um optimo lugar, uma terra maravilhosa! Todos os lugares onde fui são simplesmente bonitos. O melhor hotel onde já estive, foi em Moçambique”, disse Skyzoo num vídeo enviado à nossa redacção.

Realizado por Ângelo Sitoe, nome civil do artista A2Njando, o vídeo-clip de Skyzoo, “Forever in a day”, é o título da sexta música do álbum In celebration of US. Lançado há dois anos, o trabalho discográfico do norte-americano é constituído por 15 temas. Essencialmente, a música do rapper americano traz uma mensagem de superação, como quem aconselha aos ouvintes a investir em tudo de si nas coisas que fazem. A composição optimista sempre procura enaltecer a moral de quem eventualmente duvida das suas qualidades.

Segundo o rapper, o vídeo realizadoo por A2Njando estava guardado num cofre escondido. “Fico feliz por ter lançado o vídeo. Sinto-me absolutamente honrado e privilegiado por ter filmado em Moçambique. Não sei o que muitos músicos e artistas americanos vão dizer ao saberem que fiz um vídeo musical em Maputo, em Moçambique, e coisas desse género. Por isso, é incrível, foi um momento incrível”.

 

 

 

Livro de poesia de Ben Jone será lançado numa cerimónia a realizar-se às 16 horas desta segunda-feira, na capital de Cabo Delgado.

 

O mar é algo especial para Ben Jone. Por isso, ao escrever o seu livro de poesia, o autor não evitou representá-lo em verso. A ser lançado esta segunda-feira, a partir das 16 horas, no Hotel Raphael, na cidade de Pemba, a obra literária, para o autor, é um registo de memórias, conjunturas e identidades pessoais e colectivas, captadas, igualmente, do meio social onde o poeta se insere.

O mar e as almas errantes, na verdade, é um livro iniciado há uns bons anos, escrito de forma intermitente. Entretanto, apenas foi finalizado este ano. Na percepção de Ben Jone, os poemas do seu segundo livro reflectem o passado, o presente e até procuram perspectivar o futuro, face à realidade que o próprio país se encontra.

Sobre o que os leitores irão encontrar na leitura, o poeta adverte que, além de poesia, O mar e as almas errantes é uma espécie de guia turístico, no qual o mar está muito presente. “Eu tenho uma relação muito forte com o mar. Para mim, tem um significado importante. Nunca posso sair ou voltar a Pemba sem ir ao mar”. E o poeta esclarece o que o faz vibrar na escrita: “Gosto de trabalhar e produzir o texto mais com alma, do que com a teoria ou a técnica. Com uma dose de estética, invisto na alma”.

Na cerimónia de lançamento, o livro publicado sob a chancela da editora Fundza será apresentado por Yolanda Almeida, Directora Provincial da Cultura e Turismo em Cabo Delgado. No mesmo evento, haverá uma sessão musical com banda e recital de poesia.

Ben Jone nasceu em Pemba, em 1986. É mestre em Língua e Literatura Portuguesa e docente da Universidade Rovuma. Tem vindo a participar em diferentes eventos científicos. Publicou a um destino novo, em 2016, seu primeiro livro em prosa, Prémio do Concurso Literário do Banco de Moçambique, alusivo ao 45º Aniversário da sua criação.

 

 

 

 

 

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