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O País – A verdade como notícia

A plataforma Makobo, em parceria com a Associação dos Pequenos Empresários Turísticos da Ilha de Moçambique, lançou a campanha Coração Solidário Ilha de Moçambique para ajudar a reconstruir aquela parcela de Nampula, afectada pelo Ciclone Gombe.

Há duas semanas, o Ciclone Tropical Gombe deixou marcas de destruição no Norte do país. Esse não foi o primeiro e, provavelmente, não é o último evento natural a criar sequelas ao longo do território nacional. Se em 2019 o Idai destrui sobretudo a Cidade da Beira, desta vez, Gombe dizimou a Ilha de Moçambique.

Segundo disse Soraia Abdula, em representação da plataforma Makobo, durante o ciclone, 2223 casas ficaram completamente destruídas, 1438 casas parcialmente destruídas e mais de 7 mil pessoas foram afectadas. “O que ciclones como Gombe, Ana, Idai fazem é destapar a situação precária em que vive a maioria dos moçambicanos neste país e expor a fragilidade de Moçambique, enquanto nação e enquanto sociedade. Devemos e podemos fazer mais”.

E a propósito de fazer mais, na voz de Soraia Abdula, aquele verbo tem muita acção. Tanto que, um dia depois do ciclone Gombe, foi lançada pela plataforma Makobo, em parceria com a Associação dos Pequenos Empresários Turísticos da Ilha de Moçambique, Apetur, a campanha Coração Solidário Ilha de Moçambique. A intenção de reconstruir os estragos causados pelo Gombe não ficaram por aí. Quatro dias depois, começaram a ser servidas refeições aos pacientes internados no Hospital da Ilha de Moçambique.

Às pessoas mais carenciadas, a plataforma Makobo distribuiu lonas, mas, segundo disse Soraia Abdula, ainda falta tudo. “As necessidades são muitas e as prioridades são urgentes e é preciso pensar agora e a longo prazo. Por isso queríamos aproveitar para reforçar a campanha Coração Solidário Ilha de Moçambique para as necessidade básicas e imediatas, de produtos alimentícios, medicamentos, materiais de construção e lançar o movimento Turismo de Reconstrução idealizado pelos operadores turísticos da Ilha de Moçambique que querem mostrar ao resto do país e ao mundo que a Ilha é de todos nós”.

Conforme defendeu Soraia Abdula, uma das formas de ajudar na reconstrução da Ilha de Moçambique é visitá-la, pois o turismo não só dinamiza a economia local, mas parte do valor da estadia será destinada à reconstrução das casas tradicionais de Macuti.

Soraia Abdula referiu-se ao projecto de apoio à Ilha de Moçambique durante o lançamento das comemorações dos 40 anos de carreira de Stewart Sukuma, esta quarta-feira, na sede do Moza Banco, em Maputo.

Ungulani ba ka Khosa referiu-se ao grande problema imposto pela negação da diferença no encontro moderado pelo poeta Mbate Pedro, esta quinta-feira, na Cidade de Maputo.

 

A guerra é sempre um flagelo sobre um povo. A frase até pode parecer exacta, em termos sintáticos, porém, ao nível semântico, encerra uma carga incompreensível para quem nunca sofreu a pressão de obuses. Ungulani ba ka Khosa (1955), que nasceu em Sofala, viveu na Zambézia, no Niassa, enfim, em todas as regiões do país, sabe e compreende perfeitamente o que significa a frase “A guerra é sempre um flagelo sobre um povo”. Por isso mesmo, na sessão literária desta quinta-feira, realizada no Business Lounge by Nedbank, na Cidade de Maputo, ainda acrescentou, quando questionado como interpreta o terrorismo em Cabo Delgado. Para o escritor, o conflito armado, os ataques terroristas ou seja lá qual for o substantivo usado para dizer ‘guerra’, é o chamado grande feitiço que está entranhado entre os moçambicanos. “O grande mal que temos enfrentado desde a independência é a dificuldade de aceitar o outro. Esta negação da diferença faz com que os conflitos não cessem de crescer. E este conflito que vivemos hoje é um conflito extremamente grave”.

Reconhecendo a gravidade da violência imposta pelas armas, Ungulani permitiu a reedição de Os sobreviventes da noite, pela Cavalo do Mar, pois, actualmente, ainda se assiste à utilização de crianças numa guerra que o escritor considera fratricida, que se torna caótica e empobrece Moçambique.

Na sessão designada “Mbate à conversa com Ungulani ba ka Khosa”, enquanto assinava autógrafos, o escritor confessou estar entusiasmado pelo gesto do Nedbank. Afinal, o banco sempre adquiriu 50 exemplares do seu Os sobreviventes da noite para oferecer ao público presente na sessão. “Acho que esta iniciativa do Nedbank, de acolher escritores, é uma actividade complementar, uma iniciativa louvável, que se deve estender a outras instituições. Este gesto de disponibilizar o livro a outros leitores, por parte de outras instituições, devia ter essa obrigação moral”.

Essa introdução, na verdade, serviu de mote para o que o escritor diria de seguida. Melhor dizendo, Ungulani aproveitou a sessão para pensar o ensino nacional. Primeiro, disse que a Educação enfrenta grandes carências e dificuldades em Moçambique. “Das mais de 10 mil escolas, contam-se as que têm uma biblioteca em condições. Agora, nós queremos quadros e, ao querermos quadros de qualidade, e que possam enfrentar a realidade que se avizinha e esta que vivemos hoje, necessariamente, o livro é importante para que possamos crescer”.

Ungulani acredita que ao nível individual e colectivo os moçambicanos podem contribuir para minimizar as grandes dificuldades existentes no sector da Educação no país. A acção pode iniciar com o apetrechamento de uma e, depois, de algumas bibliotecas escolares. Isso é tão necessário porque pode favorecer o presente e o futuro do país.

Por fim, o escritor criticou o que se pode entender por indiferença na implementação da política do livro. “Temos uma política aprovada em 2011, mas ficou no papel, como várias outras políticas deste país, que ficam no papel. Quer dizer, a operacionalização dessa política ficou por terra. Não temos nada de concreto no sentido de a fazer avançar. Portanto, somos especialistas em aprovar políticas, mas a nossa ignorância é confrangedora no sentido da aplicação dessas políticas”.

Falando no final da sessão, o poeta e editor Mbate Pedro explicou que a ideia das sessões é aproximar os escritores aos leitores, rompendo com qualquer distância que possa ser, já agora, confrangedora.

 

O escritor angolano, José Eduardo Agualusa, defendeu, esta quarta-feira, na sede do Moza Banco, em Maputo, que a Ilha de Moçambique precisa de voltar a ter turistas para ultrapassar o momento difícil que enfrenta.

 

Gombe é o nome do ciclone que, recentemente, afectou o Norte do país. Quanto o fenómeno natural chegou à costa de Nampula, José Eduardo Agualusa encontrava-se na Ilha de Moçambique, onde vive. “Estava lá nessa noite do ciclone. Foi pior do que imaginávamos que seria. Por outro lado, não foi tão mau quanto se previa do início”, lembrou o escritor angolano, esta quarta-feira, acrescentando que foi uma tragédia muito grande, sobretudo para as famílias mais carenciadas da Ilha.

Considerando a situação das populações que passam por dificuldades, José Eduardo Agualusa resolveu chamar atenção para a necessidade de se voltar a ter turismo na Ilha de Moçambique, porque aquele lugar e boa parte das pessoas que lá moram dependem do turismo.

Num contexto em que o turismo nacional perdeu muita gente no Norte do país, devido ao terrorismo e ao impacto negativo da COVID-19, Agualusa adiantou que tem visto a Ilha a cair e as pessoas a sofrerem mais. De seguida, avisou: “Se não  ajudarmos, pode ser uma machadada à Ilha. E a forma de ajudar é visitando a Ilha, fazendo turismo”.

Na óptica do escritor angolano, em primeiro lugar, é preciso que os moçambicanos descubram a pérola e o território extraordinário, carregado de história, que é a Ilha de Moçambique. “Conheci a Ilha, primeiro, através da poesia, porque é uma ilha de poetas. Luís Vaz de Camões viveu lá dois anos e, talvez, tenha terminado Os lusíadas na Ilha. Bocage também lá viveu. Depois, há uma série de autores moçambicanos, desde Craveirinha, Mia a Nelson Saúte, que escreveram na Ilha ou sobre a Ilha. Praticamente, todos os poetas moçambicanos proeminentes escreveram na Ilha ou para Ilha”.

Além de convidar os moçambicanos a visitarem a Ilha de Moçambique, Agualusa fez o mesmo em relação a todos cidadãos estrangeiros, afinal, a Ilha é um Património Mundial da Humanidade pela UNESCO.

Agualusa referiu-se à urgência de a Ilha de Moçambique voltar a receber turistas esta quarta-feira, no lançamento das comemorações dos 40 anos de carreira de Stewart Sukuma, na Cidade de Maputo. Na sessão, leu um poema dedicado, claro está, à Ilha de Moçambique.

Stewart Sukuma vai comemorar 40 anos de percurso musical com vários espectáculos ao longo do ano. O lançamento das festividades foi feito esta quarta-feira, na Cidade de Maputo.

Em 1982, Stewart Sukuma tinha 19 anos de idade. Nessa altura, o cantor e compositor chegara a Maputo haviam cinco anos. Na capital do país inspirou-se em vários “mestres”, como Hortêncio Langa, antes de pegar o microfone para interpretar as suas próprias cancões. Quando a coragem não lhe desiludiu, então, em 1982, deu por si a caminhar num percurso que, agora, dura há 40 anos.

Para o autor de hits como “Sumanga”, “Olumwengo”, “Tingalava”, “Moçambique”, “Material world”, “Why” ou “Felizminha” é difícil explicar o que são os 40 anos de carreira. Stewart Sukuma ira completar 59 anos de idade no próximo dia 25 deste mês de Março. Quase a vida toda, usou a palavra para expressar sentimentos seus e de um povo. No entanto, faltam-lhe palavras quando tem de olhar para trás e pensar no que foi feito por si. Por isso mesmo, na cerimónia de lançamento das celebrações dos 40 anos de percurso musical, realizada na sede do Moza Banco, em Maputo, mais do que pensar ao pormenor sobre os significados de uma escolha, o músico partilhou algumas convicções. “Tenho a certeza de que foram 40 anos de descobertas e lutas permanentes, porque, quando comecei a cantar, não havia indústria musical em Moçambique”.

Realmente, os tempos eram difíceis. Os mais velhos, por exemplo, lembram-se de que a década de 80 foi do “se não fosse eu”, ou seja, do repolho e do carapau. Mesmo assim, Sukuma esqueceu a fome e, segundo transpareceu esta quarta-feira, fez da música uma espécie de alimento para sua e para a alma de muitos moçambicanos. Nesse percurso, claro, houve amigos experientes que o ajudaram tanto. Por exemplo? “Pessoas como Aurélio Le Bon, com mais experiência, levaram-nos a projectos mais sérios”.

Mais do que olhar para o passado com nostalgia, com efeito, Stewart quer perspectivar o futuro. Na primeira pessoa: “Quero encarar estes 40 anos como o início de uma nova fase, do que vem a seguir; quero continuar a fazer música, a entregar o meu coração ao povo moçambicano, a promover este país ao nível nacional e internacionalmente, e a mostrar que há um coração muito grande na juventude deste país”, disse o homem da Felizminha, para, logo a seguir, reconhecer implicitamente que já não é tão novo assim: “Quero partilhar a aprendizagem destes últimos anos com todos os jovens que estejam interessados”.

No entanto, quem não foi à boleia de Stewart Sukuma, na cerimónia, foi José Eduardo Agualusa. Para o escritor angolano, o músico tem uma juventude que dá inveja. “Quero cumprimentar o Stewart. É extraordinária esta coisa de fazer 40 anos de carreira num corpinho de 30. Não entendo como isso é possível e é de dar inveja. Acompanho-o há 30 anos e somos amigos há 20. Já escrevi letras para as suas cancões e espero continuar a escrever. Temos projectos para frente. Além da tua juventude, da tua música, ainda mais importante é a tua generosidade, és uma pessoa boa e é um enorme privilégio ser teu amigo”.

A representar o Moza, instituição com a qual o músico colabora, esteve o PCE, Manuel Soares. “Para Moza Banco, é um grande privilégio estar aqui para assinalar o lançamento das comemorações dos 40 anos de carreira de Stewart Sukuma, que é compositor, activista social, actor e, qualquer dia, vou convidar para ser bancário também”.

Segundo lembrou Soares, Stewart Sukuma é multifacetado e talentoso homem das artes e da cultura. Por causa disso, “para nós, é uma honra tê-lo como embaixador, uma figura com história e percurso indelével no panorama cultural nacional, com valores que difunde a nível nacional e além-fronteiras”.

As comemorações dos 40 anos de percurso artístico de Stewar Sukuma irão realizar-se ao longo de várias cidades nacionais, claro, com espectáculos, a partir de Junho até ao final do ano. Gaza, Inhambane, Tete e Cabo Delgado já estão na agenda dos locais que o músico irá visitar para, uma vez mais, cantar Moçambique.

 

 

 

 

A primeira série de concertos da Temporada de Música Clássica – Xiquitsi, organizada pela Associação Kulungwana, realiza-se, nos dias 24 e 25 deste mês. A abertura da temporada, com efeito, será às 19h desta quinta-feira, no Teatro Avenida, na Cidade de Maputo.

Segundo Xiquitsi, para o primeiro dia da série inaugural de concertos estão programadas obras emblemáticas, que serão interpretadas pelos instrumentistas Josef Spacek – violino, Miroslav Sekera – piano, Maya Egashira – viola d´arco, e Ensemble Xiquitsi.

Quanto ao segundo dia, avança a nota de imprensa do Xiquitsi, a noite clássica será protagonizada pelos instrumentistas Raquel Cravino – violino, Ekaterina James – violino, Ainoã Cruz – violino, Moisés Cossa – violino, Maya Egashira – viola d’arco, David Pinoit – violoncelo, Mariechen Meyer – contrabaixo, Paulo Pacheco – piano, e Ensemble Xiquitsi.

Quer isto dizer que, na abertura, a Temporada de Música Clássica – Xiquitsi vai “proporcionar duas noites memoráveis e alimentar os amantes da música erudita como tem sempre feito”, garante a organização, acrescentando: “Desde a sua criação, o Xiquitsi é palco marcante de inserção social, aprendizagem e socialização, onde crianças, adolescentes e jovens iniciam o percurso no mundo da música. Este percurso tem sido possível com a colaboração de artistas de vários países, como África do Sul, Alemanha, Argentina, Brasil, China, Espanha, Finlândia, França, Inglaterra, Israel, Japão, Noruega, Portugal, Suécia, Uruguai e Venezuela, que ajudam a tornar o projecto bastante versátil”.

Ao palco do Xiquitsi, ao longo das temporadas, subiram vários autores nacionais. Entre eles, os irmãos Willy e Aníbal, Banda Kakana, Gabriel Chiau, Hortêncio Langa, Deltino Guerreiro, Stewart Sukuma, Dilon Djindji, Xixel Langa e Lenna Bahule, na última temporada.

“No mesmo espírito criativo, Xiquitsi orquestrou músicas de grandes escritores moçambicanos e de língua portuguesa, nomeadamente, Paulina Chiziane e Mia Couto, e usou a voz de Calane da Silva para cantar poesia”, lê-se na nota de imprensa.

 

 

Os membros da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) irão eleger a nova direcção da agremiação no próximo dia 2 de Abril.

 

Esta é a segunda tentativa. No passado dia 5 de Março, a Assembleia-Geral da AEMO não conseguiu reunir consensos necessários para a eleição da nova direcção da agremiação. Duas semanas depois da reunião longa e tensa, o secretariado em exercício emitiu um comunicado de imprensa em que avança uma nova data para a realização das eleições. Afinal, segundo acrescentou, esta terça-feira, o actual Secretário-Geral, Carlos Paradona, candidato à sua própria sucessão, estão ultrapassadas as questões que dividiam as duas listas concorrentes.

Uma questão que contribuiu para a interrupção da Assembleia-Geral da AEMO, no princípio do mês, foi a apresentação da lista da admissão de novos 40 membros da agremiação. A lista de Lucílio Manjate pediu que o secretariado em exercício provasse, com recurso a uma acta, que se cumpriram os requisitos exigidos para admissão dos membros em causa. Não havendo essa acta, o Presidente da Mesa da Assembleia, Filimone Meigos, marcou um encontro com o específico objectivo de resolver o impasse entre as partes envolvidas no processo eleitoral.

A fim de garantir a realização das eleições de forma pacífica e transparente, a reunião aconteceu no passado dia 9 de Março, numa quarta-feira. Na sessão estiveram os representantes das duas listas concorrentes, a Comissão de Verificação constituída em Assembleia-Geral e a Comissão Eleitoral da AEMO, que, segundo uma nota de imprensa partilhada esta terça-feira, chegaram à seguinte conclusão: “A Associação dos Escritores Moçambicanos, em face a lista de admissão de “40 novos membros”, vem a público esclarecer que teve lugar no passado dia 9 de Março corrente, uma reunião da Comissão de Verificação constituída em Assembleia-Geral e a Comissão Eleitoral da AEMO, tendo estas concluído não haver quaisquer indícios tendentes a viciação do processo eleitoral da agremiação”.

Se, por um lado, Lucílio Manjate reconhece que no encontro do dia 9 de Março definiu-se uma nova data para as eleições, por outro, distanciou-se, com espanto, esta terça-feira, de um eventual consenso em relação à decisão tomada sobre a admissão de novos 32 membros da AEMO, que afinal não são 40. “Em primeiro lugar, penso que, a fazer-se um comunicado de imprensa, este deve ser emitido pela Comissão Ad Hoc criada para a verificação do processo de adesão dos 40 novos supostos membros. Tanto é que a mesma Comissão ainda está a trabalhar. Fico espantado com um Comunicado emitido pelo actual Secretariado pois, ao ignorarem a Comissão Ad Hoc, emitindo um comunicado unilateralmente e faltando grosseiramente à verdade, mancham todo o trabalho já realizado pela mesma Comissão e coloca em causa a continuidade dos trabalhos, cuja retomada foi marcada para o dia 2 de Abril”.
E o escritor acrescenta: “Ficou provado e foi dito na reunião do dia 9, que, dos 40 candidatos a membros – que afinal eram 35 – somente 3 tinham condições para serem admitidos. Ficou igualmente dito que todos teriam até 3 dias antes da retomada dos trabalhos para entregarem os documentos em falta”.

Sobre a questão “40 novos membros”, a AEMO reconhece a falha em comunicado: “Concluída a análise do dossier das candidaturas e da lista apresentada pelo secretariado em exercício, constatou-se que, por lapso de digitalização, apenas ocorreu repetição de certos nomes, em número de cinco, ajuntando-se a este erro, simples falhas de preenchimento das fichas de candidatura, por parte de alguns dos 35 escritores candidatos a categoria de membro efectivo, que ora dispõem de um prazo de até 3 dias antes do dia da votação para a correcção das respectivas faltas”.

Para Lucílio Manjate, a atitude do actual secretariado, “mais uma vez, apresenta indícios de tentativa de fraude eleitoral. Isto porque não é possível que o secretariado apresente uma lista final quando a Comissão Ad Hoc ainda está a trabalhar na produção da mesma”.

Seja como for, os escritores voltam a reunir-se no dia 2 de Abril, com a renovada missão de eleger os novos órgãos directivos.

 

 

 

 

Moçambique participa na 35º edição da Surajkund International Crafts Mela 2022 (Feira Internacional de Artesanato Mela), que decorre de 19 de Março a 04 de Abril, em Faridabad, Haryana, na Índia.

O país é representado, no evento, por 10 artistas, sendo dois artesãos (Eduardo Elissane e Carlitos Buana), quatro músicos dos Massukos (Simão Fontes, Feliciano dos Santos, Merce Combe, Chaibo Gemusse), uma actriz (Cândida Bila) e três bailarinos (Alexandra Jamisse, Luís Sala, José Jalane), cobrindo Maputo, Sofala e Niassa.

Nas suas apresentações, os Massukos vão explorar sons acústicos dos seus quatro álbuns, enquanto a actriz e os bailarinos levam uma obra baptizada pelo nome “Moçambique, eu te quero”. Os artesãos, a grande atracção, deverão explorar as potencialidades que o espaço oferece em termos de negócios. A feira Internacional faz um casamento perfeito entre o artesanato e o turismo.

Um dia antes da sua partida para a Índia, os bailarinos reuniram num encontro híbrido com a ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, onde a governante recomendou à delegação a esmerar-se para orgulhar o povo moçambicano.

“Estou feliz por esta representatividade. A nossa luta é descentralizar e estamos já a trabalhar nessa linha. É por isso que levamos a esta feira internacional artistas representativos do norte, sul e centro do país. Esse é o nosso cometimento. Estejam com espírito aberto, aprendam e ensinem. Estaremos atentos à vossa prestação e estamos certos de que vão levantar a nossa bandeira”, afirmou Materula.

Os artistas, em “uníssono”, assumiram a responsabilidade de representar Moçambique com dignidade. A delegação moçambicana que está a representar Moçambique integra três oficiais do Ministério da Cultura e Turismo, e é chefiada pelo Assessor da Ministra da Cultura e Turismo para a Área da Cultura, Tiago Langa, sendo os outros quadros Cândida Mata e Ernesto Xerinda.

Surajkund International Crafts Mela 2022 mostra a riqueza e a diversidade do artesanato e é a maior feira de artesanato do mundo. O evento é organizado anualmente pelo Departamento de Turismo de Haryana, em Surajkund, Índia. O evento acolhe artistas e turistas de mais de 20 países, incluindo Sul da Ásia, África e Europa, que participam activamente para tornar esta feira um evento de sucesso.

Com vista a reflectir sobre os desafios e oportunidades na implementação do Plano de Reconstrução de Cabo Delgado (PRCD), representantes do Governo provincial e diferentes actores políticos, sociedade civil, religiosos, académicos e parceiros reúnem-se na quarta-feira , na cidade de Pemba.

A mesa-redonda, subordinada ao tema “Contribuição das Organizações da Sociedade Civil (OCS) na implementação do Plano de Reconstrução de Cabo Delgado – desafios e oportunidades na implementação do plano de reconstrução” visa, essencialmente, sensibilizar os diferentes actores envolvidos na implementação do plano, da necessidade do engajamento activo da sociedade civil e das lideranças comunitárias para redução dos riscos de falhas na implementação do mesmo.

“Com o debate, espera-se que sejam identificados os principais desafios e oportunidades para as organizações da sociedade civil, de modo a que possam dar o seu contributo para uma melhor implementação do PRCD, e, por essa via, reflectir-se sobre os possíveis caminhos para remoção de barreiras identificadas na sua implementação”, refere o comunicado conjunto do Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD) e do Fórum das Organizações da Sociedade Civil de Cabo Delgado (FOCADE) que promovem a iniciativa.

Os organizadores entendem que um engajamento deficiente das Organizações da Sociedade Civil e das Lideranças Comunitárias na implementação do PRCD pode eventualmente comprometer os resultados, visto que estes assumem um papel relevante na promoção da paz e reconciliação, ajuda humanitária, no reforço à prestação de serviços às comunidades, bem como na monitoria da implementação do plano.

Assim, espera-se que, no encontro, sejam identificados os principais desafios e oportunidades para que as organizações da sociedade civil possam dar o seu contributo para uma melhor implementação do plano, e, por essa via, reflectir-se sobre os possíveis caminhos para remoção de barreiras na sua implementação.

Mulalene foi o artista plástico convidado a inaugurar a temporada de oficinas de pintura e produção de livros alternativos da Kuvaninga, editora moçambicana que se dedica à edição de livros com capas de cartão reaproveitado.

De acordo com Kuvaninga, a oficina que decorreu na Estação 8, espaço que se projecta a tertúlias culturais no Bairro Chiango, em Maputo, tinha como propósito a produção de capas para o mais recente livro de Dionísio Bahule, intitulado Tabuleiro Semiótico [ou] O cálculo da raiz quadrada. A obra irá dar o pontapé de saída às festividades dos 10 anos da Kuvaninga, que se resumem em lançamentos de livros, oficinas, feiras, concursos e mesas redondas durante 10 meses, entre Março e Dezembro, em vários pontos do país.

Numa primeira fase, Mulalene vai produzir 150 obras em duas semanas, ou seja, até 27 de Março. Mais do que pintar, Mulalane imprime uma nova técnica na produção dos livros, rompendo com a tradicional técnica usada pela Kuvaninga. No primeiro dia de trabalho, Mulalene foi coadjuvado por Joss, pintor e fundador da editora, por e Nhochi, menor que se interessa pela arte da pintura.

Quanto ao Tabuleiro Semiótico [ou] O cálculo da raiz quadrada”, é uma obra em que Bahule cruza várias disciplinas do saber – Filosofia, Literatura, Arte, Semiótica e Estética – à procura de construir um pensamento crítico contextualizado à nossa realidade, sem os cânones ocidentais, como também abrir novos atalhos para edificá-los.

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