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O País – A verdade como notícia

Maya Ângela Macuácua, com o romance Diamantes pretos em meio a cristais; Geremias José Mendoso, com o livro de contos Quando os mochos piam; Fernanda Vitorino do Rosário Mualeia João, com o romance Amor em tempos incertos; Wasquete Jasse Fernando, com a novela Noites de desassossego; e Adelino Albano Luís, com o livro de contos Estórias trazidas pela ventania, são os cinco finalistas do Prémio Literário Fernando Leite Couto. O grande vencedor, segundo informa uma publicação da organização do concurso, será anunciado esta segunda-feira, às 18 horas, na Fundação Fernando Leite Couto, Cidade de Maputo.

 Para a presente edição, o prémio literário foi dedicado à prosa (romance, novela, conto e crónicas). “Em 2018, o júri decidiu não atribuir o prémio, pois nenhum dos candidatos reunia os requisitos de qualidade exigidos como critérios de premiação. A nossa expectativa, nesta segunda edição, dedicada à prosa, é que o desfecho seja diferente e possamos galardoar e imprimir um novo prosador para a galeria de jovens autores moçambicanos”, le-se na nota de imprensa da Fundação Fernando Leite Couto.

O grande vencedor do prémio literário receberá 150 mil meticais, oferecido pelo Moza Banco, e será, igualmente, patrocinado pela instituição bancária a impressão do original submetido a concurso, além de participar de uma residência artística e do Festival do Fólio, em Portugal, suportado pela Câmara Municipal de Óbidos.

O grupo Comedy Box foi criado recentemente, por três comediantes, nomeadamente, Júlio Chico, Celso Fernando e RJYuran. O trio, com efeito, lançou-se ao desafio de organizar “Noites de recital e humor”, na Cidade de Maputo.

Assim, o primeiro espectáculo de stand up comedy do grupo está marcado para às 18 horas do dia 21 deste mês, no Café e Bar Gil Vicente. Nesse dia, irão subir ao palco os humoristas Júlio Chico, Celso Fernando, Abel Bartolomeu e os poetas Neide Sigaúque e Chicassula. Portanto, além de humor, o público que irá ao Gil Vicente poderá ouvir poesia.

Já o segundo espectáculo está marcado para 4 de Maio, no Cine Teatro Gilberto Mendes, igualmente na Cidade de Maputo, às 18h30. Em princípio, a sessão durará quatro horas, devendo contar com actuações dos humoristas Meneses, Macandza, Celso Fernando, Júlio Chico e as poetisas Neide Sigaúque e Fisherwoman.

Com “Noites de recital e humor”, o objectivo do grupo Comedy Box é promover o stand up comedy e a poesia, permitindo à nova vaga de artistas conectar-se com o público através da arte de palco. Em termos colectivos, no Gil Vicente será a primeira vez que o grupo irá apresentar-se em público. Noutras ocasiões, sempre foi individualmente.

O Comedy Box é um grupo que investe no stand up comedy porque lhes permite activar alegria nas pessoas. “Isso é importante porque permite descontrair a mente, relaxar e permite às pessoas ter qualidade de vida”, acrescentou, esta quinta-feira, RJYuran, um dos membros do Comedy Box: “O grupo explora essencialmente assuntos da sociedade e aquilo que nos envolve”.

Os comediantes do Comedy Box contam com apoio de +258 Comedians.

As obras literárias Museu da revolução, de João Paulo Borges Coelho, e Rabhia, de Lucílio Manjate, serão lançadas próximo mês, em São Paulo. As duas obras literárias chegarão aos leitores pela editora Kapulana.

 

Os livros Museu da revolução, de João Paulo Borges Coelho, e Rabhia, de Lucílio Manjate, serão lançados durante a quarta Feira do Livro da UNESP. Sob a chancela da Editora Kapulana, ambas as obras literárias chegam ao Brasil depois de terem sido publicadas em Portugal e em Moçambique.

Reagindo a esta oportunidade de alcançar os leitores brasileiros pela terceira vez, depois de O jovem caçador e a velha dentuça (2016) e A triste história de Barcolino, o homem que não sabia morrer (2017), sempre pela Kapulana, Lucílio Manjate afirmou que a sua obra Rabhia leva um pouco do pulsar da realidade moçambicana à América Latina. Segundo reforçou, há uma marca da literatura moçambicana que a sua escrita carrega para o Brasil, tendo como base que é herdeiro de autores como Ungulani ba ka Khosa, Mia Couto e Aníbal Aleluia.

De igual modo, Manjate considera que esta terceira publicação de um título seu pela Kapulana transparece a sua consolidação como escritor, lembrando que Rabhia foi editado, pela primeira vez, em Portugal por ter sido laureado Prémio Literário Eduardo Costley-White (2017). “Eu espero que o leitor brasileiro possa encontrar em Rabhia uma forma particular de Lucílio Manjate fazer uma incursão pela narrativa policial, que é um género que tenho estado a abraçar. Sinto que em nós, moçambicanos, há uma nova gramática do policial e eu espero que o leitor brasileiro possa encontrar essa outra gramática do policial à moçambicana ou à africana”, afirmou Lucílio Manjate, esta quinta-feira, na Cidade de Maputo.

O policial é promovido no Brasil, pela Kapulana, “como uma história que começa com a descoberta do corpo de Rabhia, uma prostituta. Quem vai investigar o crime é Sthoe, detective excêntrico que já actuou em outros livros de Lucílio Manjate. A trama parece simples, comum, semelhante à maior parte das histórias policiais. No entanto, somente a partir dos relatos de testemunhas e investigadores, é que o retrato de Rabhia é construído, ao mesmo tempo que o da Cidade de Maputo, capital de Moçambique”.

Quanto a Museu da revolução, a Kapulana escreve o seguinte:  “O protagonista de Museu da Revolução é um país: Moçambique. Nessa obra de ficção, João Paulo Borges Coelho nos mostra personagens diversas que participam da história de Moçambique. Em uma viagem em uma van – um Hiace antigo – várias pessoas se conhecem e percorrem caminhos em Moçambique à procura de sua história e de sua identidade. Nesse retrato contemporâneo do país africano da África Austral, o leitor não só é convidado a participar de uma viagem no tempo desde os tempos da luta de libertação, mas também a fazer um percurso geográfico por vários outros países que se relacionam com Moçambique de diversas formas”.

A propósito do seu romance, numa entrevista cedida a este jornal, a 7 de Dezembro de 2021, João Paulo Borges Coelho afirmou o seguinte: “Eu olho para o romance como uma caixa de onde vamos tirando coisas que nos interessam, vendo como essas coisas encaixam umas nas outras. E essas coisas têm a ver com temas que queremos explorar, com aspectos da nossa vida e etc. Nesse sentido, o romance é uma descoberta para o leitor, mas antes foi uma descoberta para o autor, que tem uns dias mais difíceis e outros dias mais fáceis. Por exemplo, este romance, eu não diria que tem um tema, mas vários temas que se cruzam e que se encaixam. E todos os temas têm a ver com a nossa vida recente”.

Além de Museu da revolução, de João Paulo Borges Coelho, e Rabhia, de Lucílio Manjate, a editora Kapulana também irá lançar, sempre em Maio, o livro Jaime Bunda, agente secreto, do escritor angolano Pepetela.

 

 

 

Por Nataniel Ngomane

 

Minha mãe:

Trago a resina das velhas árvores

da floresta nas minhas veias…

(José Craveirinha, “Mãe”, em Karingana ua Karingana)

 

Embora lançado no ano passado, não poderia haver melhor altura para rabiscar algo sobre History in a frame (2021), o mais recente álbum duplo de Jimmy Dludlu. Como sugere o título, trata-se de um conjunto de imagens sonoras que, reconstituindo uma longa e profunda História, a partir de diversos ângulos, apresenta-se sob a forma total de dezoito faixas musicais – nove em cada disco – inspiradas em grandes personalidades femininas. Essas faixas desfiam histórias sobre e dedicadas à mulher de um modo geral, mas não só, e à mulher moçambicana em especial. Daí a ideia de esta poder ser a melhor ocasião para aqui se reunirem alguns traços desse álbum e partilhá-los.

Talvez não fosse preciso lembrar que o mês de Março, que há pouco terminou, acolhe o Dia Internacional da Mulher. Mas já está lembrado. Abril, mês agora em curso, é especialmente marcado pelo Dia da Mulher Moçambicana. A culminar essa sequência, o folheto da capa do álbum mais recente de Jimmy apresenta vinte e uma dedicatórias a igual número de mulheres, sobre as quais se faz uma brevíssima abordagem, além da variedade temática que esse álbum oferece, incidindo de modo singular sobre a figura materna – no sentido mais amplo. Dessa óptica, de facto, não poderia haver melhor momento para dizer algo sobre esse álbum, que não fosse este.

 

As dedicatórias

A primeira dedicatória no folheto do álbum vai para a Rainha Abibi Achivandjela. Bibi Acivaangila I ou Aluusi Apitingombe, de nome próprio – de acordo com Manuel Vene (2018: 11) –, nasceu no actual território de Moçambique, na província do Niassa. De prisioneira de guerra, escrava e serva, chegou à grande figura histórica que reinou na região do hoje distrito de Majuuni, no Niassa. Isso, entre os finais do século XIX e princípios do XX. Já elevada a Rainha, Acivaangila I contribuiu para o engrandecimento do Estado de Mataaka em termos políticos, geográficos, económicos e demográficos, e resistiu grandemente à penetração colonial portuguesa na região sob seu reinado. Não por acaso, os seus feitos foram reconhecidos publicamente no X Festival Nacional de Cultura, em 2018, na cidade de Lichinga, festival a ela dedicado e em sua homenagem.

Janet Mondlane, Graça Machel e Lurdes Mutola são, entre outras, algumas das mulheres brilhantes para as quais este álbum é dedicado. Entre elas ainda se destacam Josina Machel, Noémia de Sousa, Bertina Lopes, entre outras. Winnie Mandela, Adelaide Tambo, Albertina Sisulu, Maria da Luz Guebuza e Isaura Nyusi não ficam de fora, sendo também contempladas. Nota particular, todavia, tal como no caso de Acivaangila I, vai para a dedicatória feita à escritora, ensaísta e música Paulina Chiziane, vencedora do Prémio Camões 2021, um dos mais prestigiados galardões atribuídos nas literaturas em língua portuguesa.

Com percurso literário sinuoso desde a publicação do seu primeiro romance, Balada de amor ao vento (1990), até à outorga daquela distinção – percurso, não poucas vezes, marcado por altibaixos em torno da qualidade da sua escrita, e não só, sobretudo no seu país –, ao ganhar esse prémio, Chiziane tornou-se na primeira mulher africana – e primeira negra – a ser laureada por tamanha distinção. Isso, num universo de trinta e três (33) premiações em que apenas sete (7) mulheres foram contempladas. Ela inclusa. Esse feito não contribuiu somente para colocar Chiziane ao lado dessas outras grandes mulheres batalhadoras da África Austral, mas também ao lado dos grandes nomes da literatura moçambicana e das literaturas em língua portuguesa. Em reconhecimento a esse trabalho, aos seus feitos, Jimmy faz essa dedicatória à Paulina Chiziane num álbum que, coincidentemente, veio a público no mesmo mês em que a autora moçambicana foi agraciada. É como se Jimmy tivesse previsto esse desfecho. Mas não, não previu: simplesmente, o seu olho artístico acompanhava atentamente as batalhas dessa outra grande mulher, Paulina Chiziane, tendo, por isso, decidido homenageá-la. A preparação e os acabamentos desse álbum recente de Jimmy, incluindo a inserção das dedicatórias, remontam, de facto, os anos 2019 e 2020.

A fechar o espaço das dedicatórias – e, diga-se, com chave de ouro -, o folheto apresenta-nos um poema de Malaika Dludlu, filha de Jimmy. Em muito poucas palavras, o poema traz-nos à memória o longo percurso histórico dos povos africanos, das origens à actualidade, passando pelas desumanas práticas da escravatura e violência colonial. Felizmente, superadas. Enquanto nos lembra de onde viemos, numa quase perspectiva materna, deixa no ar a ideia de que a nossa história deveria (ou deverá?) dar forma ao futuro, para o qual temos força para criá-lo. Afinal, a nossa história, o nosso futuro e a nossa esperança, afirma Malaika, estão dentro de nós! Habitam-nos. E é precisamente por aí que somos conduzidos no interior deste mais recente álbum de Jimmy Dludlu.

 

As temáticas

Essa breve incursão pelas dedicatórias à mulher, associadas à lavra feminina dos dezoito (18) versos do poema ora referenciado, explicam em parte porque a presença da mulher é retomada amiúde nas diversas faixas do álbum, directa ou indirectamente. É um álbum que não celebra apenas a mulher; mas, através dela, também os seus feitos, as suas realizações. Suas inspirações e aspirações. Assim se explica a evocação premente – logo na primeira faixa, “Tara Tara”, original da moçambicana Marllen Preta Negra – de se dever cuidar devidamente do homem e da mulher. Não apenas do homem, como se soe ouvir por aí. Aliás, o enfoque da letra de Marllen, mais completa, é apenas a mulher, sinal do quão tem sido ignorada, posta de lado. Já na composição de Jimmy, subjacente, está a ideia de que tanto o homem quanto a mulher têm o seu papel a desempenhar na sociedade. Na longa estrada da vida – transmite a faixa de Jimmy –, o homem e a mulher se complementam, assim se revalorizando alegremente o papel da mulher, socialmente.

Associado a essa perspectiva, está o segundo tema, “Matue Tue”, pinçado das profundezas das práticas socioculturais dos bairros suburbanos de Lourenço Marques, agora Maputo, entre as inúmeras brincadeiras de crianças, em particular meninas. Em roda, e cadenciadamente, elas batem as palmas, repetindo o refrão, tal como nessa segunda faixa. Enquanto isso, duas delas – também cadenciadamente – vão circulando no interior da roda, como se de adversárias se tratassem para, de seguida, ao som do refrão, estancarem e, frente a frente, balançarem freneticamente o corpo, com as mãos sobre os ombros, executando uma ligeira dança e olhando-se frontalmente. Sempre ao som do refrão. Por fim, dando-se a mão direita – ou a esquerda –, executam uma veloz dança circular, rodopiando rápida e em correria sobre si mesmas, ao ritmo compassado e cada vez mais forte do refrão e das palmas, com cada uma puxando pela outra para o seu lado, sem se largarem! Pesem embora os movimentos em sentidos opostos, a união forte das mãos, bem apertadas uma na outra – muitas vezes, até, presas nos antebraços –, não quebra a unidade das intervenientes. Tal é a imagem da união transmitida por essa brincadeira de meninas e recuperada nessa segunda faixa, apesar da adversidade dos movimentos secundados pelas execuções instrumentais, no álbum, com solos vários de guitarra, palmas e vozes, solos de piano, mas sem nenhuma quebra da harmonia.

Por se tratar de uma brincadeira de meninas, entre meninas, e apenas entre elas, fica no ar a ideia de essa brincadeira se tratar de uma herança de outras pessoas do sexo feminino, de outras mulheres: as mães. Metaforicamente, desde logo, aí também se capta, no essencial, a ideia da transmissão e recepção de valores de ordem sociocultural, e não só, de mães para filhas e destas – também um dia feitas mães – para os filhos, e assim sucessivamente, aspectos que se configuram na herança aí representada por uma simples brincadeira de há muitos anos. Tal é o caminho, de um outro ângulo, que aponta para a necessária relevância do resgate da ancestralidade como tópico merecedor de profunda reflexão, desafio que nos impõe o álbum de Jimmy. E, como se não bastasse, essa reflexão volta a ser tema na sexta faixa, “Mamana Wanga”, composição do saudoso Maestro Justino Chemane (1923-2004).

Sufocado pela ausência da mãe, o Maestro pergunta por ela, projectando, dessa forma, não somente a ideia da grande falta que faz o amor de mãe, como também a sua importância no amparo afectivo, aconchego dos filhos e filhas, sobretudo em momentos difíceis, para sossegar inquietações e saudades.

No álbum de Jimmy, o início dessa faixa é marcado por uma doce e suave melodia nostálgica, com arrastados acordes de piano. Representação apropriada para a saudade, essa breve introdução é depois subitamente quebrada pela força com que a saudade se abate sobre o indivíduo, aí já representada por uma regular e crescente irrupção rítmica da bateria e de precisos acordes da guitarra baixo – como se estes quisessem mostrar o quão grave é esse sentimento. E, por via da voz feminina de Edna Mondlane, aí se clama pela figura materna para sossegar as inquietações que assolam a alma… À vista disso, a composição e a letra do Maestro Chemane – e todas as outras vozes que imploram pela presença ausente da figura materna –, ecoam nos ouvidos e nas memórias dos mais velhos, assim se retomando a ideia da transmissão e recepção de valores socioculturais próprios, sobretudo quando ausentes ou sinalizam essa ausência:

 

Mamana wanga akwine (Onde está a minha mãe?)

A ta teka mbilu yanga (Para tomar o meu coração)

Mamana wanga akwine (Onde está a minha mãe?)

A ta teka mbilu yanga (Para tomar o meu coração)

 

A ta susa a mazengu (Para extrair as inquietações)

Lawa mangani mbilu yanga (Que afligem o meu coração)

A ta susa a mazengu (Para extrair as inquietações)

Lawa mangani mbilu yanga (Que afligem o meu coração)

 

Pode-se imaginar, a partir daí, o desespero e as trevas que invadem, se apossam e revolvem o íntimo das crianças abandonadas, que crescem sem mãe; das adolescentes que caem nas malhas da maternidade precoce e suas implicações, sem o amparo e a orientação das mães; e muito mais. Embora nessa faixa de Jimmy se apresentem apenas quatro versos, por questões, certamente, ligadas ao plano de produção, a letra original, do Maestro, apresenta mais dois versos que evocam os antepassados, esses de quem se descende, em clara alusão às origens e conhecimento dos mais velhos. A estes atribuem,  esses outros versos do Maestro, a afirmação segundo a qual o coração de uma pessoa é um mundo. Dessa outra perspectiva, somos reenviados ao conteúdo daqueles outros versos, de Malaika Dludlu, sobre “a nossa história, o nosso futuro e a nossa esperança [que] estão dentro de nós”. E ainda se poderia acrescentar: desde as origens!

 

A va khali va hlayile (Os mais velhos já disseram)

Mbilu ya mhunu i tiku (O coração de uma pessoa é um mundo)

 

E quem melhor que as mães – afinal, de onde viemos – para limpar do nosso coração, e não só, as malezas da nossa história, do nosso futuro e da nossa esperança?

E os cruzamentos temáticos

Como sugerido, esse álbum aborda outros temas além desse central, em torno da mulher. Ainda assim, esta permanece à volta, como se de sombra fresca e revigorante se tratasse – quer do ponto de vista metafórico quanto metonímico –, como o fazem na vida real as mães, atentas ao que se passa com e ao redor dos(as) filhos(as).

A humanidade, por exemplo, cujas origens são atribuídas ao continente africano, enquanto seu berço, é outro dos temas abordados nesse álbum. É sabido que, por cá, abundam crenças religiosas diversas, umbilicais; todavia, muitas delas estão sufocadas – e quase desaparecidas – por religiões outras e suas gentes, estranhas às realidades locais, mas dominantes. Donde a importância do resgate da africanidade aí sugerida, das suas raízes, ainda que cruzada com outras realidades culturais, como a busca e o resgate da insubstituível figura materna que nos traz ao mundo e, junto com outras, nos mostra os caminhos a seguir, com indisfarçável orgulho.

Exemplo dessa linha de pensamento é-nos parcialmente oferecida em “Lulama”, a oitava faixa. Na base de um cântico zione, essa faixa reivindica, de certa forma, crenças de base autóctone, pesem embora as suas origens americanas, que nos reenviam para o cristianismo. Donde a sua parcialidade. Abstraindo-se, contudo, dessas outras origens, percebe-se a ênfase profunda do olhar para trás – isto é, para dentro –, para as origens próprias, moçambicanas, que têm tido, em particular, um peso considerável na cura de inúmeras doenças com base na medicina tradicional local, um dos principais eixos das práticas ziones, além da crença cristã. As origens externas estão lá, sim. Sobretudo a cristandade. Mas o que reverbera é o brado pelo resgate da ancestralidade africana, suas raízes. Curiosamente, em tradução livre, “Lulama” significa “endireite-se”.

Na mesma linha de “Lulama”, encontramos, de certo modo, “Black & Proud”, a sétima faixa do primeiro disco. Inspirada, por um lado, na música de James Brown “Say It Loud ~ I’m Black & I’m Proud”, um dos cantores americanos mais influentes do século XX, e, por outro, no brutal assassinato de George Floyd e acontecimentos subsequentes em todo o mundo, essa outra faixa reivindica a valorização das origens e suas diferenças, sobretudo do humanismo assente na auto-confiança negra e capacidade de enfrentar o mundo: “I am black and proud”. Com todas as conotações e preconceitos que o preto carrega: sou preto e com orgulho. Apesar das adversidades. E aí se recupera a metáfora daquela brincadeira de infância, “Matue Tue”: a adversidade dos movimentos das meninas não quebra, de modo algum, a forte união das suas mãos. Tudo isso, quer em “Lulama” quanto em “Black & Proud”, sob o ritmo de uma mistura de sonoridades tradicionais moçambicanas, sul-africanas, solos afro-jazz e cânticos religiosos.

Mas mergulho profundo, mesmo, na tradição local, nesse álbum, ocorre – entre outras – em “Ngalanga Jazz”, a última faixa do primeiro disco. Aí é sugerido um olhar sobre a importância e necessidade da aquisição e absorção das práticas culturais locais. Com bases do blues soul, inspiradas de Aretha Franklin, a rainha do soul music, percebe-se nesse tema a forte presença do Ngalanga cruzado com a timbila, ambos das terras chopes de Inharrime, distrito da província de Inhambane, e com o jazz, supostamente herdado das Américas, mas cujas origens são de facto africanas, da Mãe África celebrada por poetas como José Craveirinha e Noémia de Sousa. Na mesma linha dessa fusão, está “Mr. Gove”, também numa mistura de Ngalanga e jazz – a sexta faixa do segundo disco –, numa merecida homenagem a Carlos Gove, uma das maiores referências dos baixistas moçambicanos que, não por acaso, tem como suporte de base a guitarra baixo.

O mesmo sucede com “Mediterranean Crossing”, a sétima faixa do mesmo disco, assente no M´ganda, ritmo de uma dança tradicional do Lago Niassa, na província com o mesmo nome, que critica as travessias fatais que acontecem no mar mediterrâneo, em busca de melhores condições de vida mas, resultando, não poucas vezes, em mortes. Essa música questiona se haverá alguma esperança de melhorar essas vidas. Alguma luz no fundo do túnel? A resposta é-nos dada, de certa maneira, por “In to the light”, a faixa seguinte, e a partir da qual se pode levantar a poeira – em “Levanta Poeira” –, conforme sugere a última faixa. Aí faz-se alusão à dança das crianças sobre a areia, levantando literalmente poeira e, simultaneamente, alegria. Tudo numa mistura de ritmos e estilos, desde o dominante afro-jazz, típico de Jimmy Dludlu, passando pelos ritmos tradicionais retrabalhados pela sua exímia guitarra, e não só, até aos tradicionais locais, como o Ngalanga e o M´ganda.

Nessas misturas não faltam travessias oceânicas, como a homenagem que se faz à Miriam Makheba, em “The Click Song”, uma das figuras com que Jimmy trabalhou e aprendeu bastante, ou Bob Marley, o rei do reggae, cuja composição, “Get up, Stand up”, abre o segundo disco do álbum para, precisamente, chamar atenção para a necessidade de nos erguermos e andarmos para a frente, com moral sã, coração limpo e verticalidade, por forma a darmos sentido à vida, à família, aos pais, à África. Sem medo, mas com verdade. Tal como nos ensinaram, nos ensinam e seguirão nos ensinando sempre as nossas mães, algumas das quais aqui homenageadas, neste mais recente álbum de Jimmy Dludlu. Como quem diz Africa, get up and stand up!

 

Notas bibliográfica:

 

Vene, Manuel. Liderança Feminina no Estado Mataaka: Mitos e Poderes da Rainha

           Acivaanjila de Majuuni (Séc. XIX-XX). Lichinga: 2018.

 

 

 

We Know Our Why é o nome do grupo de Hip-Hop que se vai apresentar ao público, a partir das 17h30 de sexta-feira, no Café Bar Gil Vicente, na Cidade de Maputo.

O espectáculo musical, na verdade, não só servirá para o grupo se dar a conhecer. Igualmente, a dupla Rubish Man e Cóngio Lírico irá promover as músicas que irão compor o álbum de estreia, que será lançado em Setembro.

Sendo We Know Our Why um grupo de Hip-Hop, o evento será caracterizado por esse ritmo em harmonia com Reggae e Afro/Jazz. Para o efeito, foram convidados ao espectáculo autores como Kay Real, Lalah Mahigo, Jazz P, DJ Buddha e Hélder Leonel. Para o grupo, tal alinhamento transparece o que o álbum com o mesmo nome, We Know Our Why, é em termos de ritmo musicais.

O grupo We Know Our Why, criado ano passado, irá actuar durante 40 minutos, interpretando oito das 12 faixas do disco, entre às 21h10 e às 21h50.

We Know Our Why é um grupo de Hip-Hop underground, que investe mais na questão do ser africano, resgatando o que considera raízes africanas. O grupo rima em inglês, mas com inspiração no Reggae e Afro/Jazz.

 

A cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) realizou-se esta quarta-feira, na Cidade de Maputo. Filimone Meigos preside a Mesa da Assembleia, Carlos Paradona dirige o secretariado e Luís Cezerilo preside o Conselho Fiscal.

Os novos órgãos directivos da Associação dos Escritores Moçambicanos tomaram posse esta quarta-feira, na sede da agremiação em Maputo. Na sessão, coube, primeiro, ao escritor Juvenal Bucuane, na qualidade de membro presente mais antigo da AEMO, orientar a tomada de posse do Presidente da Mesa da Assembleia, Filimone Meigos. Depois disso, o poeta dirigiu-se aos confrades para confirmar o escritor Carlos Paradona como Secretário-Geral da associação.

No seu discurso de tomada de posse, Carlos Paradona referiu-se a necessidade de preservar uma AEMO de todos e para todos os escritores. E ainda justificou por que decidiu concorrer à renovação do seu mandato: “Não resisti à tentação de transcorrer parte das realizações conquistadas nos últimos três anos. Concretamente, exemplificando, a requalificação e a valorização das nossas instalações, as acções de âmbito social em benefício dos nossos associados. Concretamente, alocação de terrenos aos membros, o garante da inscrição na segurança social ou a vacinação privilegiada contra a COVID-19, fora outras acções da valorização da nossa literatura”. Entre tais accoes, Paradona destacou as sessões No gume da palavra, a edição e tradução de obras de autores moçambicanos no estrangeiro.

Ainda no seu discurso de tomada de posse, Carlos Paradona afirmou que a AEMO tem um registo de mais de 100 autores como membros efectivos. Entretanto, desse universo, menos de duas dezenas participam na vida associativa. Por isso mesmo, “como continuidade do nosso trabalho realizado no último triénio, propomo-nos a juntar esta grande família de escritores filiados à AEMO, que, por razões várias, parte dos seus membros tem-se apartado do convívio literário”.

O Secretário-Geral da AEMO sublinhou que o novo secretariado pretende abrir uma nova página na nossa vida associativa, buscando a valorização de cada membro em função da sua obra literária, desencorajando todo e qualquer acto que induz a uma perniciosa competição entre os escritores, “pois entendemos a literatura como um edifício onde cada componente é de suma importância para a diversificação e enriquecimento conjunto da nossa vasta bibliografia. Para nós, o que vale é o mérito literário”.

Na sessão desta quarta-feira, Filimone Meigos, na qualidade de Presidente da Mesa da Assembleia, defendeu a necessidade de os escritores discutir uma agenda que continua a ser comum. “Temos de discutir mais sobre a noção de crescimento que queremos para AEMO. Pois, de contrário, vamos continuar com a Lista A ou com a Lista B. Não me parece que isso seja a solução para AEMO. A AEMO é uma única lista, a AEMO é uma confraria. Por isso, somos confreiras e confrades. A confraria, normalmente, é caracterizada pelo facto de perseguir objectivos comuns. A mim me parece, e estou convicto disso, que continuamos a ter esses objectivos comuns, que é, basicamente, expandir a literatura”.

Com a tomada de posse desta quarta-feira, a Mesa da Assembleia-Geral passa a ser composta por Filimone Meigos (Presidente), Fernando Manuel (Vice-Presidente), Helga Languana (Relator). Já o secretariado é composto por Carlos Paradona (Secretário-Geral), Pedro Muiambo (Secretário-Geral-Adjunto), Alex Dau (Vogal para Programas e Finanças), Solange Macie (Vogal para Assuntos de Género), Deusa de África (Vogal para Extensão Territorial Sul), Francelino Wilson (Vogal para Extensão Territorial Centro), Manecas Cândido de Azevedo (Vogal para Extensão Territorial Norte) e Delmar Gonçalves (Vogal para Relações Exteriores). Por fim, no Conselho Fiscal estão Luís Cezerilo (Presidente), Sangare Okapi (Vice-Presidente) e Lídia Mathe (Relator).

E porque neste 2022 celebras-se os 100 anos do aniversário natalício de Craveirinha, Carlos Paradona anunciou que a 27 de Maio será conhecido o novo Prémio José Craveirinha de Literatura.

Por: Marcelo Panguana

A escrita deste texto representou para mim um enorme sacrifício, ou para ser mais preciso, um enorme sofrimento. Cada palavra significava o remover das dores duma ferida que tentava cicatrizar com a indiscutível terapia do tempo. No entanto, cada palavra significava um acto de cura, porque se tornava necessário enfrentar a dor para poder amainá-la. Dizia, alguém muito próximo, que se sentia bastante desolada por não ter conseguido verter uma lágrima desde que soube da viagem sem regresso do Hortêncio Langa. E isso martirizava-a. Sufocava-a. Porque a dor que habitara no seu peito nâo lhe permitia nenhum sossego. Talvez porque esse alguém, tal como eu, ainda não aceitou o facto de que Hortêncio Langa se afastou definitivamente de todos nós.

Reparem que digo que Hortêncio Langa se “afastou”. Recuso-me a utilizar nesta breve elegia a palavra “morte”. Porque na verdade o Hortêncio não morreu, apenas decidiu emigrar para uma outra dimensão existencial. Continuo a pensar que somente  morrem os que não são recordados, sobre os quais os escribas não debitam nenhuma palavra. Apenas morrem os que sobre eles não se verte nenhuma lágrima. Sobre os quais recai um silêncio maior que o próprio silêncio. Hortencio Langa pertence, felizmente, aos homens que nunca serão votados ao esquecimento porque o legado que nos deixou é demasiado marcante, uma espécie de ode a arte de um homem que agregou todas as artes sobre si, compositor, letrista, cantor, arranjista, escritor, pintor.  Hortêncio Langa não morreu porque nós, todos os dias, nos recordamos dele, porque todas vezes que é homenageado, ele ressuscita. Muito mais que as virtudes artísticas do Hortêncio Langa, há esse outro lado de profundo humanismo que o identificava. Era militante para todas as causas, abria o seu peito para acolher os que precisavam, afogava as mágoas dos que lhe batiam a porta, ostentando sempre o seu sorriso calmo. Nunca se exaltava. Em nenhuma circunstância levantava a voz. Nunca o vi apontando o dedo para quem quer que fosse. O silêncio e a serenidade das suas palavras constituiam a sua arma de persuasão e sedução. Era um homem simples. Ao contrário de tantos outros, que ao menor sopro de fama e popularidade levantam exageradamente os ombros, Hortêncio Langa detestava a arrogância e a vulgaridade. Amava a expontaneidade e o prazer da vida que ele perseguia intensamente, como se soubesse que o destino, com a sua voracidade, encurtava-lhe cada dia que passava a vida. Partilhei com ele momentos sublimes, extraordinários, momentos de alegria, beleza e arrebatamento. E também de sonhos, porque, como dizia o trovador Zeca Afonso, “o sonho é que comanda a vida”, e Hortêncio Langa sonhava, por exemplo, em trazer novas sonoridades que fossem capazes de enriquecer o nosso sistema musical, porque ele, sempre fez parte das pessoas que “fazem o caminho para que as outras o percorram”, como dizia o poeta Valter Hugo.

Quando o seu talento ofereceu-lhe oportunidades para abandonar a Pátria e explorar o seu talento em outros continentes, ele decidiu permanecer aqui. Sentia-se ligado a Moçambique pelo nascimento, pela sua vida e pelo seu trabalho. E valeu a pena ter permanecido aqui connosco, pelas canções geniais que criou, pelos quadros que pintou, pelos livros que escreveu. Era um sonhador, mas antes disso, um fazedor. Por isso, no auge dos seus setenta anos, nunca considerou afastar-se da sua arte. Não era capaz. A arte ensinara-lhe a ser solidário. O amor que apregoava na sua escrita, na sua pintura, nas suas letras, não representava apenas uma simples utopia, mas a forma mais perfeita de se existir. Talvez por isso, nunca conheci alguém que não gostasse dele, e se existia, esse alguém não sabia, com certeza,  gostar de si próprio.

Fico por aqui, para não repetir o que já outros disseram, além disso, quando as elegias são longas, deixam de o ser e passam a ser relatórios. Resta-me apenas dizer que as palavras verdadeiras e definitivas sobre o meu amigo e padrinho Hortêncio Langa, ainda estão a ser escritas por outras mãos. Porque há tantas coisas para se escrever sobre este artista genial, sobre esse homem íntegro, sobre esse cidadão de causas justas, e que venham o mais depressa possível essas palavras, para preencher o nosso vazio.

Nossa voz é o título da exposição colectiva inaugurada esta terça-feira, na sala de exposições do Centro Cultural Moçambicano-Alemão, na Cidade de Maputo. A mostra junta obras de sete artistas moçambicanas.

O mês de Abril é sempre uma oportunidade para vários moçambicanos pensarem sobre a condição da mulher, em vários aspectos. Essa reflexão, na verdade, não começa e nem termina em Abril, mas, a estas alturas do ano, parece que há algo especial. Por isso mesmo, sete mulheres, nomeadamente, Aline Nobre, Huwana Rubi, Nália Agostinho, Lica Sebastião, Faira Beatriz, Nelsa Guambe e Carina Capitini juntaram-se para projectar o que consideram ser Nossa voz.

Mais do que um título de exposição colectiva, Nossa voz pretende ser uma espécie de missão, pois, ao longo dos anos, as artistas moçambicanas perceberam que, no país, as mulheres criativas não têm as mesmas oportunidades que os homens que também criam imaginários. Até nas artes, em particular, nas plásticas, há sempre “ismos” e “reticências” a separar o que o talento devia unir.
Assim, na sala de exposições do Centro Cultural Moçambicano-Alemão, na Cidade de Maputo, além de cores, telas e imagens, a colectiva Nossa voz vai, igualmente, funcinando como um grito colectivo no combate à subalternização das mulheres artistas. “Às vezes, estamos em algumas exposições, mas, quando as pessoas descobrem que quem pintou uma determinada tela foi uma mulher, aparece um certo tipo de exclusão”, afirmou Huwna Rubi, acrescentando que esse problema nota-se, inclusive, na forma como os artistas homens vêem as produções ou as capacidades femininas.

Concordando com Huwana Rubi, Aline Nobre foi sintética ao defender o que pretendem: “Queremos os mesmos espaços que os homens ocupam. Queremos que a nossa voz, as nossas cores e as nossas mensagens sejam transmitidas da mesma foma”. Para o efeito, acrescentou Faira Beatriz: “Queremos encorajar a mulher a falar da sua própria emancipacao. As artes dão-nos essa possibilidade”.

De acordo com Carolin Brugger, a Directora do Centro Cultural Moçambicano-Alemão, a exposição Nossa voz sugere muitas interpretações. Daí que sinta uma necessidade de acrescentar mais alguma coisa ao título, em jeito de provocação: “Gostaria de dar um subtítulo à exposição, que é ‘irmandade’, irmandade no sentido de solidariedade entre mulheres e na necessidade de cooperacao”.

A luta na conquista dos meus direitos para as mulheres artistas é longa e a sociedade moçambicana, segundo entendem as expositoras, deve participar no processo.
A colectiva Nossa voz pode ser visitada na sala de exposições do Centro Cultural Moçambicano-Alemao até 3 de Junho.

Nos dias 29 e 30 de Setembro, a Faculdade de Letras e Humanidades da Universidade Licungo (UniLicungo), sedeada na Cidade da Beira, irá realizar um simpósio sobre Terra sonâmbula, de Mia Couto. Os interessados em participar podem submeter candidaturas.

Em 1992, Mia Couto publicou o seu primeiro romance, Terra sonâmbula, e, com efeito, a obra literária destacou-se em Moçambique, em África e no mundo. Reconhecendo a importância do livro na ficcionalização de uma certa realidade e, igualmente, na preservação da memória colectiva moçambicana, a Faculdade de Letras e Humanidades da Universidade Licungo (UniLicungo), está a preparar um simpósio sobre Terra sonâmbula, previsto para acontecer nos dias 29 e 30 de Setembro.

O evento que pretende celebrar a escrita de Mia Couto irá acontecer de forma híbrida, ou seja, virtual e presencial, a partir da sede da Faculdade de Letras e Humanidades, na Cidade da Beira. “Como uma instituição preocupada com a pesquisa, consideramos importante celebrar este momento que traduz a mudança de paradigma de produção literária, através da emancipação das artes e da própria literatura”, disse, esta segunda-feira, António Domingos Braço, Director da Faculdade de Letras e Humanidades da UniLicungo.

Com o simpósio dedicado ao livro Terra sonâmbula, a organização pretende “potencializar o momento e criar uma celebração”. Por isso, todos os investigadores e estudantes de graduação e pós-graduação estão convidados a submeter propostas para o simpósio.

As actividades do simpósio incluem conferências, comunicações, debates e lançamentos de livros sobre Terra sonâmbula. Entre os participantes, esperam-se pesquisadores de Moçambique, Angola, Cabo Verde, Portugal, Brasil e Espanha. “Serão dois dias de intenso debate científico e compartilhamento de aspectos ligados à arte e à própria questão das culturas”, garantiu o Director da Faculdade de Letras e Humanidades da UniLicungo.

Enquanto o simpósio não arranca, os interessados, primeiro, deverão submeter um resumo da proposta de apresentação, até 4 de Julho, através de e-mail disponibilizado pela Faculdade de Letras e Humanidades da UniLicungo. A fase seguinte será da notificação dos resumos aprovados, até 29 de Julho. A terceira fase será do período de inscrição, até 5 de Agosto. A quarta etapa será da inscrição sem comunicação, até 31 de Agosto. Por fim, a submissão do texto final, que será publicado em livro em 2023, deverá ser feita até 30 de Dezembro de 2022.

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