A lógica de enfraquecer para melhor negociar!

“Kumangala inga kuteta, quer dizer, meter queixa primeiro, não é julgar”, provérbio chope. Na traquinice infantil, quando nos apercebíamos que cometemos um erro, corríamos à mamã ou ao papá para anteciparmos a queixa sobre algo que sabíamos de antemão que seria nos desfavorável, quando a mamã ou o papá procedesse ao “julgamento” e concluísse que […]
Os Dez Homens de Fátima
O homem Um abriu a braguilha. Soltou a arma do crime. Arregaçou o capuz do prepúcio. Descontraiu os músculos da bexiga, em permissão aos líquidos rebeldes, e deu aquele suspiro profundo, de alívio. Um veículo atravessou a rua de tráfego morto àquela hora. Fiapos de luz dos faróis indiscretos reluziram no arco da urina que […]
E Mapswancolo que comia gato?
O dia acordou cinzento e esquivo. Uma Chuva tímida cai sob o corpo de Lisboa, daquelas que não molha a ninguém de uma só vez, mas cai o dia todo. Há mais neblina que céu, menos chuva que nuvem. A cidade, brumosa, se mostra para poucos galanteios. O sol pujante dos dias de Primavera descansa […]
A Muery de Armando Artur
O amor não é a coisa: é a doação Luandino Vieira Muery, elegia em Si maior. É o segundo título de Armando Artur lançado pela Cavalo do Mar, essa editora moçambicana que em pouco tempo muito tem feito pela arte literária. O primeiro foi A reinvenção do ser e a dor da pedra, um dos […]
Sobre a ontologia do juiz: o poder da consciência e a consciência do poder
Resumo Nesta comunicação procuro estabelecer nexos entre o conceito de ontologia e a a acção do juiz. Partindo do pressuposto de que o conceito de ontologia faz referência a coisas que nos fazem seres comuns, problematizo a acção do juiz, vis a vis a acção dos cidadãos que somos numa mesma República. Concluo que tanto […]
Os salamaleques de um pedinte
A luz do Sol, vinda de um céu azul límpido, reluzia. O frio, afoito, exercia o seu domínio sobre a cidade. Era manhã de um domingo de Janeiro. No penúltimo degrau que dava acesso à varanda da igreja, sentado, um homem de cabelo branco fazia anotações num maço de papéis. De vez em quando parava […]
Algumas vozes femininas na poesia moçambicana do século XXI (cont.)
Entre luas & sonho: Melita Matsinhe e Sónia Sultuane Melita Matsinhe: o fogo lunar do poema Melita Matsinhe é natural de Inhambane, historiadora e musicóloga de formação, é pianista e cantora, além de gestora de programas de Artes e Cultura. Ignição dos Sonhos (Fundação Fernando Leite Couto, 2017) é o seu […]
Sumiço de recintos desportivos um assunto para a PGR?
Os imensos espaços vazios em que se jogava à bola e se fazia atletismo a todo o momento, na Cidade de Maputo, foram ocupados por prédios e dumba-nengues. A prioridade era o afã dos negócios aos mais variados níveis, em associação de algumas das direcções dos clubes com as edilidades, nos “business”. Se nos detivermos […]
A “nudez” de Suzy Bila
Uma lágrima que desce pelo rosto torturado dum oprimido, brilha que mil sóis. Eduardo Paixão 11 telas constituem a exposição Nua e crua, de Suzy Bila, patente no Centro Cultural Brasil-Moçambique (CCBM), na cidade de Maputo. Mais do que o número de obras, estampadas em telas “gigantes”, a individual da moçambicana residente em Portugal […]
Os protestos
“Há quem tenha medo que o medo acabe” Mia Couto O que de substancial se pode aprender dos jovens sudaneses e argelinos que recentemente recorreram a manifestações para dizer basta aos regimes ditatoriais com mais de duas décadas no poder? Ou que as eleições são impotentes para mudar governos em democracias precárias como as de […]
