Um visitar o chapa-cem no metro de Lisboa
Reconstruo esta memória, sentado a comer amendoim torrado que me chegou de Maputo, num dos assentos do metro de Lisboa. O metro tem como destino a Baixa-Chiado, lá onde todos se juntam e tudo acontece. Todas as vezes que embarco numa viagem no metro desta cidade, onde todos os mundos se encontram, lembro-me das vozes, […]
Literatura e cultura moçambicanas
Introdução Sobre literatura A literatura moçambicana teve e tem vários estudiosos e teóricos. Por questão de economia de tempo, apenas destacarei Fátima Mendonça, docente da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane. No seu livro intitulado: Literatura moçambicana – a história e as escritas, publicado pela Faculdade de Letras e Núcleo Editorial […]
Tete – o lugar de Ana Mafalda Leite
Ao Cremildo Nota e Romeu Artur, Tete também é nosso lugar. Não saber de si é viver. Saber mal de si é pensar. Bernardo Soares “Como se a manhã do tempo despertasse”, “Poemas de Moatize”, “Outras fronteiras: fragmentos de narrativas” – igualmente título da obra – e “O Índico em Marrakesh”. Estas são […]
A volta daquele ministro…
O homem abriu a porta. Uma esteira de ar fresco beijou aquele ambiente colonizado pelo álcool e cigarro. O casaco cinzento que oprimia a barriga do homem não a impediu de ser a primeira a atravessar a porta. O bar já estava às moscas, apenas os bêbados de todas as horas teimavam em ficar. As […]
A lógica de enfraquecer para melhor negociar!

“Kumangala inga kuteta, quer dizer, meter queixa primeiro, não é julgar”, provérbio chope. Na traquinice infantil, quando nos apercebíamos que cometemos um erro, corríamos à mamã ou ao papá para anteciparmos a queixa sobre algo que sabíamos de antemão que seria nos desfavorável, quando a mamã ou o papá procedesse ao “julgamento” e concluísse que […]
Os Dez Homens de Fátima
O homem Um abriu a braguilha. Soltou a arma do crime. Arregaçou o capuz do prepúcio. Descontraiu os músculos da bexiga, em permissão aos líquidos rebeldes, e deu aquele suspiro profundo, de alívio. Um veículo atravessou a rua de tráfego morto àquela hora. Fiapos de luz dos faróis indiscretos reluziram no arco da urina que […]
E Mapswancolo que comia gato?
O dia acordou cinzento e esquivo. Uma Chuva tímida cai sob o corpo de Lisboa, daquelas que não molha a ninguém de uma só vez, mas cai o dia todo. Há mais neblina que céu, menos chuva que nuvem. A cidade, brumosa, se mostra para poucos galanteios. O sol pujante dos dias de Primavera descansa […]
A Muery de Armando Artur
O amor não é a coisa: é a doação Luandino Vieira Muery, elegia em Si maior. É o segundo título de Armando Artur lançado pela Cavalo do Mar, essa editora moçambicana que em pouco tempo muito tem feito pela arte literária. O primeiro foi A reinvenção do ser e a dor da pedra, um dos […]
Sobre a ontologia do juiz: o poder da consciência e a consciência do poder
Resumo Nesta comunicação procuro estabelecer nexos entre o conceito de ontologia e a a acção do juiz. Partindo do pressuposto de que o conceito de ontologia faz referência a coisas que nos fazem seres comuns, problematizo a acção do juiz, vis a vis a acção dos cidadãos que somos numa mesma República. Concluo que tanto […]
Os salamaleques de um pedinte
A luz do Sol, vinda de um céu azul límpido, reluzia. O frio, afoito, exercia o seu domínio sobre a cidade. Era manhã de um domingo de Janeiro. No penúltimo degrau que dava acesso à varanda da igreja, sentado, um homem de cabelo branco fazia anotações num maço de papéis. De vez em quando parava […]
