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Uthui aponta fragilidades na protecção dos moçambicanos vítimas de xenofobia na RAS

A onda de violência contra estrangeiros na África do Sul continua a preocupar Moçambique, numa altura em que pelo menos nove cidadãos moçambicanos perderam a vida em episódios associados à xenofobia. Enquanto decorre o repatriamento de centenas de pessoas, especialistas alertam para a recorrência do fenómeno e para a necessidade de uma resposta mais firme dos dois Estados.

Durante uma análise sobre a situação, no espaço de comentários  com Rogério Uthui considerou que os ataques contra cidadãos de outros países africanos não configuram apenas actos de xenofobia, mas sim de “afrofobia”, uma vez que as vítimas são maioritariamente africanos negros.

Segundo o académico, os episódios de violência têm ocorrido de forma cíclica desde 2008, com novos surtos registados em 2015, 2019 e agora em 2026. Para Uthui, a origem do problema está associada às profundas desigualdades sociais existentes na África do Sul, onde grande parte da população continua sem acesso a oportunidades económicas, apesar do fim do apartheid.

“O primeiro diferente que os sul-africanos pobres encontram são outros africanos igualmente pobres que vivem ao seu lado. Acabam por transformá-los em alvo das suas frustrações”, explicou.

O comentador apontou ainda críticas à actuação das autoridades sul-africanas, considerando que a resposta tem sido insuficiente para travar a violência. Na sua visão, a polícia sul-africana tem demonstrado complacência perante os ataques, permitindo a actuação de grupos que promovem a expulsão de estrangeiros.

Entre os movimentos citados está o Dudula, uma organização que defende a retirada de imigrantes da África do Sul e que tem sido associada ao aumento do discurso hostil contra estrangeiros.

Além das críticas dirigidas às autoridades sul-africanas, Uthui manifestou preocupação com a postura do Estado moçambicano, que classificou como excessivamente cautelosa perante os ataques sofridos pelos seus cidadãos.

Para o académico, a diplomacia moçambicana tem evitado confrontar de forma mais directa Pretória, apesar das mortes e dos prejuízos sofridos pelos moçambicanos residentes naquele país.

“Quando cidadãos de outros países são vítimas de violência no exterior, normalmente surgem fortes reacções diplomáticas. No caso de Moçambique, essa firmeza não tem sido evidente”, observou.

A violência contra estrangeiros já levou o Governo moçambicano a iniciar operações de repatriamento de cidadãos que manifestaram interesse em regressar ao país. Estima-se que cerca de mil moçambicanos possam ser repatriados nas próximas semanas.

 

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