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O País – A verdade como notícia

A Rede Viária de Moçambique (REVIMO) disse ontem que a cobrança nas quatro portagens da Estrada Circular de Maputo é irreversível e que os fundos serão usados para a manutenção periódica, mas a decisão é contestada pelos automobilistas daquela via.

Uma das portagens da “Circular” localiza-se no bairro Costa do Sol, pela qual se prevê que atravessem 13 mil viaturas de diferentes classes por dia. Raúl Malate e Carlos Mondlane, dois automobilistas que passam diariamente por aquela infra-estrutura, não concordam com as taxas cobradas.

“Eu acho isso anormal, porque passo mais de uma vez pela mesma portagem e, mesmo assim, vou pagar em cada vez, o que me será sufocante”, disse Malate, cuja opinião é partilhada por Mondlane: “a taxa está muito elevada para nós que passamos por aqui todos os dias. Pagar 40 Meticais é um pouco complicado, por isso sugiro que os carros ligeiros paguem 20 Meticais”.

A REVIMO, concessionária da Estrada Circular de Maputo, alega que a cobrança daquelas taxas nas quatro portagens visa garantir a manutenção e reabilitação daquela via.

“Daqui a mais dois ou três anos, a estrada já terá cinco anos e vai precisar de uma intervenção de vulto, que se chama manutenção periódica. Então, a REVIMO necessita de mobilizar recursos para garantir esse ciclo. Fora isso, há que recordar que, daqui a 15 anos, haverá uma reconstrução da estrutura e da camada de pavimento a partir da base”, justifica Ângelo Lichanga, PCA da REVIMO.

Prevê-se que pela portagem de Kumbeza passem 26 mil viaturas por dia, oito mil carros pela da Matola Gare e dois mil automóveis pela de Zintave.

Um total de 2.049 pessoas recuperaram-se da infecção pela COVID-19, nas províncias de Maputo, Niassa, Inhambane, Zambézia, Manica, Cabo Delgado e na cidade de Maputo, elevando o total para 215.417.

O número de óbitos causados pelo mesmo vírus também subiu para 2.174, após a morte de um cidadão moçambicano de 60 anos de idade, no dia 27 de Janeiro último, na capital do país.

Ainda hoje, o Ministério da Saúde anunciou, em comunicado de imprensa, 122 novos contágios, resultantes de 2.831 amostras suspeitas testadas em todo país, em 24 horas, período em que a taxa de positividade foi de 4.31%.

“Dos novos casos, 120 são de nacionalidade moçambicana e dois são estrangeiros. Cinquenta e seis são do sexo feminino (45.90%), e sessenta e seis (66) casos, são do sexo masculino (54.09%)”, acrescenta a Saúde.

Desde a eclosão do Coronavírus, 223.949 pessoas foram infectadas no país e dessas, 6.354 continuam com o vírus no organismo.

Além de infecções, três pacientes foram hospitalizados, dois dos quais na cidade de Maputo, e oito tiveram alta clínica. Assim, existem 56 doentes a receberem cuidados médicos em diferentes unidades sanitárias do país.

Albano Carige, presidente do Conselho Municipal da Beira, foi notificado pela PGR, na passada quinta-feira, para “esclarecer” sobre a autorização da retirada da areia da praia na costa da cidade da Beira, por conta da previsão da passagem da tempestade “ANA”, para que os munícipes reforçassem a cobertura das suas casas.

A notificação da Procuradoria, que “O País” teve acesso, refere que “a retirada da areia se verificou por quase toda a zona costeira, desde a praia dos veleiros até a do Estoril, onde os munícipes desacompanhados de autoridade competente, retiravam a areia sem obedecer os trâmites legais. Das acções levadas a cabo pelos cidadãos, denota-se claramente que colocaram em causa o ecossistema”.

O documento acrescenta, ainda, que qualquer actividade na zona costeira deve ser precedida de um estudo de impacto ambiental, com vista a não colocar em causa o ecossistema.

O Conselho Municipal da Beira, através do seu Gabinete Jurídico, confirmou a notificação e referiu que a autorização dada pelo presidente do Município foi muito restrita, ou seja, apenas no desaguadouro das palmeiras, segundo disse Kantedza Ntini, chefe do referido gabinete, que citou as palavras da Albano Carige: “os estudos ambientais recomendam a retirada de cerca de um milhão de metros cúbicos de areia por ano, neste local, sob risco das areias impedirem a circular das águas do continente para o mar, facto que poderá contribuir para provocar inundações descontroladas e com elas as doenças de origem hídrica e podemos até correr o risco da cidade da Beira desaparecer. Portanto, no nosso entender o ambiente não foi prejudicado neste local”.

Contudo, para não incorrer ao crime de desobediência, o Município da Beira garantiu que nesta terça-feira irá remeter o esclarecimento à Procuradoria sobre o assunto em causa e que partilhará publicamente o documento.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, que falava, hoje, na cerimónia de abertura do ano judicial 2022, apontou para o restabelecimento da vida social em regiões afectadas pelo terrorismo como prioridade, uma vez que a população está a regressar para as suas zonas de origem.

Como ponto de partida, o Chefe do Executivo moçambicano diz haver necessidade de se reconstruir as instituições públicas destruídas como escolas, hospitais, procuradorias, tribunais, entre outras, para garantir o fornecimento dos serviços públicos nas zonas afetadas pelo terrorismo.

O terrorismo no norte do país já causou a morte de mais de 2 mil pessoas e forçou a deslocação de mais de 820 mil cidadãos.

“Para além de perdas humanas, acção dos terroristas contribui para a destruição de infraestruturas socio-económicas, património público e privado, causando uma quebra nos níveis de produção, caracterizada pelo encerramento de unidades produtivas e, consequentemente, o aumento do desemprego e retrocesso dos níveis de bem-estar social”, acrescentou Filipe Nyusi.

Falando sobre o Judiciário, que neste ano actua sob lema: “Juntos no combate ao Terrorismo e Crimes Conexos”, o Presidente da República lamentou a destruição das instituições e residências do sector de Justiça em Cabo Delgado, assim como o deslocamento forçado de juízes para outros pontos do país. Sobre esta questão, Nyusi disse ser do interesse do Executivo que os tribunais e procuradorias sejam reerguidos.

Durante a sua intervenção, o governante apelou à necessidade de todo o país estar unido na luta contra o terrorismo, porque este mal “afeta o executivo, legislativo e o judiciário, as instituições religiosas, as instituições do ensino, as empresas e a cada um dos cidadãos”.

Ainda sobre o combate à criminalidade, Filipe Nyusi apelou ainda ao empreendimento de esforços para combater outros tipos de crimes, como tráfico de drogas, branqueamento de capitais, corrupção, entre outros.

A Procuradora-Geral da República, Beatriz Buchili, apelou hoje para o maior controlo do sistema financeiro, com destaque para as carteiras móveis, por serem veículos recorridos por criminosos para financiar o crime organizado no país. A magistrada falava na cerimónia de abertura do ano judicial 2022.

Para além das carteiras móveis, Beatriz Buchili aponta para a entrada ilegal de estrangeiros no país, esquemas de corrupção, pilhagem de recursos minerais e florestais como factores que concorrem para o financiamento do terrorismo e outros crimes conexos.

Face aos desafios impostos pelo crime organizado, a Procuradora-Geral da República sugere o apetrechamento do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SENIC), em meios humanos e técnicos para uma investigação plena e tempestiva, à altura dos actuais desafios, bem como o controlo do sistema financeiro moçambicano.

Ainda na sua intervenção, a magistrada alertou para a necessidade de todas as forças vivas da sociedade moçambicana e internacionais intervirem para colmatar o crime organizado.

“O combate ao crime organizado é dever de todos nós moçambicanos e também da comunidade internacional”, disse Beatriz Buchili .

Para o presente ano judicial, o Ministério Público garantiu que está a empreender esforços para restabelecer o funcionamento das suas delegações nas zonas destruídas pelo terrorismo e garantir a observância dos direitos humanos nos estabelecimentos penitenciários.

O fraco conhecimento dos mecanismos e medo de represálias fazem com que os alunos, nas escolas da cidade e província de Maputo, não denunciem os actos de assédio e abuso sexual de que têm sido vítimas, muitas vezes protagonizada pelos professores e outros funcionários.

O assédio e abuso sexual têm sido uma prática comum nas escolas, onde as raparigas constituem as maiores vítimas. Esses actos têm sido praticados muitas vezes pelos professores e outros funcionários administrativos. Ainda assim, há casos em que o assédio sexual envolve os próprios alunos.

O fraco conhecimento sobre os mecanismos de denúncia leva os alunos a não procurarem pela ajuda, em caso de sofrerem assédio ou abuso sexual. Com vista a mudar o actual quadro, algumas escolas têm reforçado os regulamentos internos sobre matérias relacionadas com a violência sexual.

Apesar de, na Escola Secundária Unidade 2, não haver registo de nenhum caso, a direcção da escola não tem cruzado os braços. Com o efeito, está a ser implementada neste estabelecimento de ensino, em parceria com o Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), um programa visando munir os alunos sobre os mecanismos de denúncia, em caso de assédio sexual.

O director-adjunto da Escola Secundária Unidade 2, Ambrósio Sibiua, entende que, neste estabelecimento de ensino, não há motivos para os alunos reclamarem a falta de conhecimento desses mecanismos, pois a direcção da escola tem envidado esforço para que os mesmos se mantenham informados.

“Nós temos, na nossa escola, privilegiado os temas transversais, em que em cada aula os professores devem dedicar alguns minutos para abordarem matérias sobre violência doméstica”, explica

Ainda assim, reconhece que ainda há muitos desafios. Por isso, garante que a direcção da escola continuará a envidar esforços nesse sentido, até porque, segundo Ambrósio Sibiua, esse mal retarda a vida das raparigas.

FRACA DENÚNCIA PREOCUPA A GAFMVV                                   

O Gabinete de Atendimento à Família e Menores Vítimas de Violência (GAFMVV) tem recebido poucas denúncias relacionadas com assédio e abuso sexual da rapariga nas escolas.

Para Júlio Vinho, agente de Atendimento do Gabinete de Atendimento à Família e Menores Vítimas de Violência (GAFMVV), a fraca denúncia constitui uma enorme preocupação, daí que entende que o assédio sexual deve ser combatido de uma forma conjunta, entre a sociedade, as escolas e a Polícia.

“São raros os casos relacionados com o assédio sexual que chegam ao gabinete. Temos recebido, com muita frequência, casos de violência física”, nota Vinho. O mesmo entende que o assédio e abuso sexual têm contribuído negativamente para o desenvolvimento da rapariga. De igual modo, contribui para a desistência escolar, bem assim para as gravidezes precoces.

O Gabinete de Atendimento à Família e Menores Vítimas de Violência, que, no ano passado, registou 10 denúncias de assédio sexual nas escolas, envolvendo professores e outros funcionários, tem estado a disseminar a informação sobre os mecanismos de denúncia nos estabelecimentos de ensino.

MEDO RETRAI AS ALUNAS

O medo de represálias dentro das suas escolas por parte dos perpetradores dos actos de assédio e abuso sexual, com destaque para os professores, faz com que as vítimas não denunciem. As alunas revelam que, muitas vezes, têm sido alvos de ameaças.

“Há professores que prometem reprovar as alunas que não cedem”, diz uma das alunas que não quis ser identificada.

O mesmo sentimento é corroborado por uma outra aluna, que também não quis ser identificada. Para ela, apesar de reconhecer que, na sua escola não se tem abordado com frequência a matéria de assédio, tem conhecimento dos passos que deve dar, em caso de ser vítima.

O estudo do MEPT, a mesma afirma que foi pouco divulgado. Explica que a responsabilidade deve ser individual, pelo que é preciso que os alunos invistam na busca de informação sobre a problemática do assédio a abuso sexual contra a rapariga nas escolas.

MEPT CRIA MECANISMO MULTISSECTORIAL

Segundo o estudo do Movimento de Educação para Todos (MEPT) realizado em 2019, em 30 escolas secundárias públicas seleccionadas, sendo 17 em sete distritos da província de Maputo e 13 em cinco distritos Municipais da Cidade de Maputo, em Moçambique apesar de existir um quadro jurídico de normas nacionais e internacionais, há ainda uma fraqueza dos mecanismos jurídicos na resposta à ocorrência de assédio ou violência sexual contra menores.

Isabel da Silva, Directora Executiva do MEPT, explica que do estudo chegou-se à conclusão de que a maior parte dos alunos têm informação em relação à existência do assédio sexual nas escolas. Contudo, segundo explica, não têm informação em relação aos mecanismos que possam ser usados para fazerem a denúncia, em caso sofrerem esse tipo de violência.

Como resultado desse estudo, foi criado um mecanismo multissectorial de prevenção e combate à violência ao nível das escolas. Para Isabel da Silva, o referido mecanismo veio trazer respostas de algumas lacunas existentes nas escolas.

O estudo do MEPT revela que o assédio sexual nas escolas provoca o abandono dos alunos das escolas, gravidez indesejada, permite o casamento prematuro, traz risco na saúde sexual, bem como faz perder a auto estima das vítimas. A respeito da opinião sobre a eficácia da forma como é combatido o assédio sexual na escola, o estudo revela que 38,7 por cento disse que o combate era eficaz, enquanto 48,5 por cento respondeu que não era eficaz.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, dirige hoje, o acto solene de abertura do ano judicial – 2022, sob o lema “Juntos no Combate ao Terrorismo e Crimes Conexos”. A anteceder a abertura do ano judicial, o Chefe do Estado irá inaugurar o edifício do Tribunal Judicial do Distrito de Ka-Tembe, construído no âmbito da Iniciativa Presidencial “Um Distrito, Um Edifício Condigno para Tribunal”.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê temperatura quente  para esta terça -feira, com possibilidade de queda de chuvas acompanhadas de trovoadas em algumas urbes do país.

Em graus Celsius, as cidades da Beira, Chimoio, Tete e Quelimane  têm  temperaturas máximas de 30,29,33 e 32 e mínimas de 24, 19, 25 e 25 graus Celsius, respectivamente.

Para as cidades de Maputo,  Xai-Xai  e Inhambane e Vilankulo prevêem-se máxima de 31, 32, 31 e 30 e mínimas de 23, 22, 23 e 22 graus, respectivamente.

Em Pemba, Lichinga e Nampula esperam-se máximas de 32, 30 e 24 e mínimas de 25, 24 e  16 graus, respectivamente.

Mais um líder do grupo de terroristas foi abatido sábado, no norte do país, pelas Forças de Defesa e Segurança e do Ruanda, revelou o comandante-geral da PRM, Bernardino Rafael, que diz ainda que é momento para acelerar o combate, porque os insurgentes estão fragilizados e esfomeados.

“Estão fragilizados e é neste momento que temos que acelerar cada vez mais. Estão com fome, sede e de luto pelos seus dirigentes, eu dizia sete deles, estamos a falar de Muhamudo, Rajabo, Kassimo, que, em menos de 60 dias, perderam a vida, sem contar os próprios operacionais. Isso significa que estamos num bom caminho no combate ao terrorismo”, referiu Bernardino Rafael.

O último líder insurgente abatido é estrangeiro. “Esse líder, Tohine Muhidine, um tanzaniano, já era procurado pelas Forças de Defesa e Segurança. Dirigiu operação em Mocímboa da Praia e raptou aquelas duas irmãs brasileiras, numa das comunidades aqui, em Mocímboa”, disse Rafael.

Bernardino Rafael falava, no domingo, durante uma parada militar no distrito de Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado, região Norte do país.

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