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O País – A verdade como notícia

O caso sobre o desvio de fundos equivalentes a mais de 113 milhões de Meticais na Direcção do Trabalho Migratório começou a ser julgado hoje. A antiga ministra do Trabalho, Helena Taipo, é a principal implicada e ouviu, do banco dos réus, a acusação.

Helena Taipo chegou cedo e aguardou numa viatura escoltada pelo seu filho. Uma escolta que continuou até à sala de julgamento, mas cessou poucos minutos depois.

A antiga ministra do Trabalho estava ali, sentada, num espaço reservado aos réus. Não foi sozinha, outras 10 pessoas completam a lista de réus no processo 51/2019.

E o que a leva ali é o desvio de fundos, da Direcção do Trabalho Migratório, fruto de contribuições de trabalhadores moçambicanos na África do Sul, de 2014 a 2015. O montante envolvido é de 113 milhões de Meticais.

Segundo o Ministério Público, o esquema funcionava assim:

Helena Taipo estava no topo. Era ela quem avalizava e ordenava pagamentos ilegais. É acusada de peculato, abuso de confiança e participação económica em negócio.

Abaixo da antiga ministra aparecem três nomes.

Anastácia Zita, à data dos factos titular da Direcção do Trabalho Migratório. É tida como autora material e moral do esquema, acusada de peculato, abuso de confiança e participação económica em negócio.

José Mondlane, director de Finanças na Direcção do Trabalho Migratório. Também é considerado autor moral e material da teia criminosa. Pesam, igualmente, sobre si as acusações de peculato, abuso de confiança e participação económica em negócio.

E Pedro Taimo, na altura, o rosto dos trabalhadores dentro da Direcção do Trabalho Migratório, é acusado de peculato, abuso de confiança e participação económica em negócio.

São estes quatro nomes que controlavam as taxas pagas pelas empresas sul-africanas às autoridades moçambicanas pela contratação da mão-de-obra nacional, a conta na qual eram depositados valores para futuras pensões e a dos salários não reclamados.

Em 2014, decidiram tirar vantagens ilícitas do dinheiro dos trabalhadores. Para não chamar atenção, quando decidiram delapidar os recursos, falsificaram contratos e gastaram outra parte em festas e presentes.

O pontapé de saída foi dado por Helena Taipo, em 2014. Simulou o pagamento de seis milhões de Meticais para a realização de um evento fictício. Neste exercício, contou com a facilitação do réu Baltazar Mungoi, acusado de falsificação.

Depois gastou outros cinco milhões para erguer uma casa para a sua filha em Muaivire, em Nampula. Na altura, justificou que o dinheiro era destinado à construção de um Bloco Técnico do IFPELAC, em Malema.

É aqui onde entram os réus Sheng Zhang, dono da empresa de construção e Dalila Lalgy, gestora da empresa, que aceitaram facilitar o esquema e, por isso, são acusados de peculato e falsificação de documentos.

Taipo autorizou ainda a saída de 21 milhões de Meticais para finalidades incógnitas ao processo, justificando, de forma fraudulenta, aquisição de motobomba e insumos agrícolas. Para esta jogada, teria contado com a ajuda de Hermenegildo Nhantave, funcionário do Ministério da Agricultura, que teria recebido 375 mil Meticais pelo trabalho. Nhantave responde por peculato.

Em outras transferências, Helena Taipo financiou festas, gastou 700 mil com cabazes e comprou 50 bicicletas para distribuir em Nampula.

Por perto sempre esteve Sidónio Manuel, afecto ao gabinete da antiga ministra do Trabalho. Teria rendido a si mais de 200 mil Meticais. No processo, é também acusado de peculato.

Por sua vez, Anastácia Zita, José Mondlane e Pedro Taimo ordenaram também vários pagamentos em valores que variaram de 14 mil Meticais a 12 milhões de Meticais. O Ministério Público não tem clareza do uso do dinheiro, mas tem extractos que mostram que o mesmo foi enviado para a Mine Labor Xai-Xai e Minas Filiadas.

Alfredo Mungoi usou parte do dinheiro para um almoço de confraternização no Dia dos Trabalhadores, em 2015. Outra pessoa beneficiada pela suposta fraude, não tendo sido especificado de que forma, é Elsa Jonas, que perdeu a vida.

Todas as transferências correspondentes ao valor de 113 milhões de Meticais foram feitas de Abril de 2014 a Maio de 2015.

O Ministério Público pede indemnização no mesmo valor com os juros associados. A audição da antiga ministra está agendada para o dia 24 do corrente mês.

No primeiro dia do Julgamento, não estiveram dois réus – Sheng Zhang e Dalila Lalgy –, que residem em Nampula.

Passam três anos após o maior ciclone na história do país ter devastado a região Centro, com maior incidência na cidade da Beira, onde houve inúmeros afectados, mortes e destruição quase total. Não obstante o tempo, as tristes recordações continuam no seio dos beirenses e as marcas da destruição ainda estão bem patentes.

Foi na noite de 14 para 15 de Março de 2019 que a região Centro do país, particularmente a cidade da Beira, foi atingida por um forte ciclone de categoria 3, denominado Idai, que devastou, feriu e matou cerca de seiscentas pessoas.

O Idai foi o ciclone tropical mais forte a atingir Moçambique, com ventos acima de 200 quilómetros por hora, que provocou cerca de 600 mortos e destruições de diversas infra-estruturas e perda de vários bens e culturas. O fenómeno fustigou, igualmente, os vizinhos Malawi e Zimbabwe.

Apesar de os beirenses se terem recomposto rapidamente, por meios próprios e com o apoio de terceiras pessoas, três anos depois, as marcas destruidoras do Idai ainda estão bem patentes nalguns pontos do Chiveve, tanto a nível da população em geral, assim como nas instituições do Estado e privados, pois há quem ainda não tenha conseguido recompor o que foi destruído, facto agravado pela passagem de dois outros ciclones, nomeadamente o Chalane em Dezembro de 2020 e Eloise em Janeiro de 2021.

Por ocasião da passagem dos três anos, foi organizada, na Beira, uma marcha, que passou por algumas artérias e foi desaguar no memorial erguido em 2020 para homenagear as vítimas do referido ciclone. No local, os beirenses recordaram o trauma vivido naquela noite e afirmaram que sempre que as previsões apontam para a entrada de um ciclone no canal de Moçambique, a angústia e tensão tomam conta de si.

“É impossível esquecer aquela noite e os dias subsequentes. Ninguém tinha noção do que um ciclone pode fazer e acredite que todas as recomendações dadas pelas autoridades não foram tomadas em consideração a 100 por cento. Aliás, posso até afirmar, com segurança, que mesmo os que emitem os alertas não tinham noção do que é um ciclone com ventos como aqueles. Se oficialmente se falava de cerca 220 quilómetros, nós que enfrentamos os ventos sentimos que a velocidade estava muito acima; vimos casas, muros, tectos e contentores a serem arrastados como papéis. Portanto, ainda estamos traumatizados”, afirmou José Gonçalves, residente na cidade da Beira.

Uma outra munícipe, Fânia Vasco, pediu ao Governo para procurar meios no sentido de apoiar as famílias mais necessitadas a reconstruir as suas casas, porque “passados três anos, há munícipes que ainda não conseguiram repor as suas coberturas, total ou parcialmente e, sempre que chove, os seus bens molham”.

O Arcebispo da Beira exortou os beirenses a reinventarem-se para conviver com estes fenómenos, porque o desafio é muito grande para o Governo.

“Está claro que o Governo não tem capacidade para construir casas para todos. Eu acho que deve haver uma educação nas comunidades para que as pessoas, na base dos seus poucos recursos financeiros, possam construir casas cada vez mais resilientes. O Idai veio mudar a nossa forma de viver. Ele veio mudar a nossa cultura. Mais do que celebrar os três anos, temos que aprender a ser resilientes”, exortou Dalla Zuanna.

O edil da Beira quer ver os munícipes cada vez mais robustos a enfrentarem os ciclones e explicou que há cidades que anualmente são fustigadas por ciclones “e estão de pé e nós temos que enfrentar estes fenómenos sem receio e, para tal, temos que estar unidos na resiliência e afirmar que venha o que vier estamos aqui de pés firmes”.

A secretária de Estado mostrou-se preocupada com o nível de recuperação que, de uma forma geral, varia de 30 a 50 por cento no meio das instituições do Estado, mas destaca união e resiliência. “A luta continua com a colaboração de todos. Não podemos ficar abalados, porque sabemos que, a cada evento climático desta natureza, as pessoas ficam desmotivadas, mas o mais importante é aprendermos com cada evento e olharmos para o futuro com a maior esperança e segurança”.

Os residentes do Distrito Municipal Katembe, na Cidade de Maputo, insistem na redução das tarifas praticadas na portagem sobre a ponte Maputo-Katembe, porque, segundo argumentam, são sufocantes. 

A luta para a redução das tarifas cobradas na portagem começou em 2018, quando o Governo anunciou o início da cobrança.

Os moradores de Katembe consideram os valores em vigor, que variam de 160 a 1200 Meticais, em função da classe da viatura, sufocantes e desajustadas à realidade socioeconómica.

Os mesmos explicam ainda que os valores são proibitivos para os cidadãos de renda baixa ou com dificuldades financeiras.

Em mais uma tentativa de pressionar as autoridades a responder com satisfação ao apelo, um grupo de moradores submeteu, esta terça-feira, através dos seus representantes, mais uma petição à Empresa Rede Viária de Moçambique (REVIMO).

“Neste momento, estamos a pagar 160 Meticais por cada viagem num carro ligeiro, o nosso pedido é que a taxa seja de 40 Meticais como é o caso da portagem da Matola e as que estão na estrada Circular de Maputo”, disse Efraime Tembe em representação de um grupo de trezentos cidadãos que assinaram mais uma petição.

Apesar de terem submetidos várias petições a diversas instituições e entidades, para estes peticionários não há espaço para desistência. “A esperança é a última coisa a morrer. Acreditamos que a REVIMO, sendo uma empresa privada, vai acautelar nossas preocupações, pois imaginamos que a mesma sabe o que é ganhar e o que é perder. Temos fé e esperança que tudo vai correr bem”, concluiu a fonte.

O Presidente do Conselho de Administração da REVIMO disse à nossa equipa de reportagem que já há trabalhos em curso, com vista a reduzir os preços praticados, um trabalho que está a ser desenvolvido em coordenação com o Município de Maputo e o Governo Central.

Ângelo Lichanga garante que, até ao fim do semestre em curso, a REVIMO vai enviar as propostas de redução das taxas ao Governo que tem a competência para definir as taxas de portagens.

Os agentes infiltrados nas instituições de lei e ordem devem ser expurgados, para haver eficácia no combate ao crime organizado, defende a Procuradora-Geral da República, secundada pela ministra do Interior, que sugere a modernização do Serviço Nacional de Investigação Criminal para flexibilizar a resposta à criminalidade.

Os praticantes do crime organizado, principalmente dos raptos, do terrorismo e do tráfico de drogas, tendem a ser mais arrojados no país. Para as instituições que têm como função garantir a segurança e a ordem públicas e combater infracções à lei, urge adoptar medidas que garantam as respostas que o cidadão exige.

Para a Procuradora-Geral da República, Beatriz Buchili, há necessidade de uma vigilância interna para expurgar possíveis infiltrados.

“Como temos vindo a reflectir, o criminoso, para atingir os seus fins e cobrir os seus actos perante as autoridades, infiltra-se nas instituições para melhor controlo das investigações que são efectuadas. Este é o modus operandi de toda a criminalidade organizada”, disse a Procuradora, durante a sua intervenção.

A gestora mostrou-se preocupada com a situação de infiltrados no seio da Polícia de Investigação Criminal, por isso aponta este como um dos principais pontos para o combate aos crimes.

“Estamos preocupados com a infiltração dos criminosos no nosso seio. Não podemos continuar a ter casos de assaltos à mão armada, raptos, violações, perpetradas por alguns indivíduos que ingressam no SERNIC”.

Para tal, instou à instituição que defina novos critérios de selecção de quadros, verificação interna, por forma a ter uma Polícia mais actuante, mas a mão dura da PGR não pára por aqui.

“Preocupa-nos ainda, quando recebemos participações nos Conselhos Superiores das Magistraturas, do envolvimento de alguns magistrados na promoção e soltura sem fundamento legal de indivíduos já com cadastro criminosos, perpetradores de raptos, tráfico de droga entre outros”.

Quem comunga da mesma ideia é a ministra do Interior, Arsénia Massingue, que apela para a modernização técnica, tecnológica e capacitação constante do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), de modo a ser mais actuante.

“A modernização deste serviço, igualmente nos insta a cultivar a integridade institucional que tem como ponto de partida o factor humano. A integridade carrega consigo também os pressupostos da honestidade, moralidade, ética, deontologia, justeza, o proceder correcto em todas as circunstâncias e o primado da legalidade”, disse.

Massingue exigiu a cada agente o cultivo de conhecimento, profissionalismo e busca permanente de novas abordagens e técnicas de investigação.

“Relativamente aos raptos, facto que bastante nos preocupa, perante os casos registados no presente trimestre, revela-se a necessidade de uma atenção contínua e redobrada e tomada de medidas específicas visando reforçar a segurança e tranquilidade públicas”, referiu-se.

Por sua vez, o Director-geral do SERNIC diz que em breve haverá mudanças, com a revisão da lei que cria a instituição a que está afecta, e a elaboração do plano estratégico, dois instrumentos que irão orientar a definição de acções programáticas da instituição contra os fenómenos criminais.

“A nossa visão estratégica é redefinir e reorientar as nossas acções para uma implementação efectiva da autonomia do Serviço Nacional de Investigação Criminal que almejamos, de modo a ser cada vez mais actuante, habilitado e capacitado de conhecimentos científicos, meios e métodos modernos capazes de mitigar os fenómenos criminais, que se manifestam pelos seus modus operandi e meios de execução cada vez mais sofisticados e complexos”, disse Nelson Rego durante o seu discurso, apontando uma série de desafios que a instituição ainda enfrenta.

“Queremos reconhecer que ainda enfrentamos alguns desafios, tais como a fraca qualidade do corpo de delito nos processos-crimes instruídos, o que requer permanente actualização das capacidades técnica e táctica dos agentes”, disse.

Rego acrescentou ainda que “igualmente, reconhecemos outro desafio, ao qual reiteramos o nosso compromisso em continuar com o exercício interno profundo, visando, por um lado, identificar e expurgar os que colaboram com o crime e, por outro, melhorar os critérios de selecção de candidatos a integrar o Quadro de Pessoal do SERNIC”.

Os responsáveis falavam, esta terça-feira (15) na abertura da sétima Reunião Nacional da Procuradoria-Geral da República e do Serviço Nacional de Investigação Criminal, evento a decorrer nos dias 15 e 16 de Março.

Esta reunião acontece anualmente, com o objectivo de reflectir em torno da actuação das instituições que lidam com diversa tipologia criminal, seus desafios e perspectivar acções futuras para o combate ao crime organizado.

A Montepuez Ruby Mining (MRM) realizou, recentemente, uma consulta pública sobre o seu projecto de instalação da segunda planta de processamento e aumento da capacidade de armazenamento de combustível nas suas operações.

Para além de cumprir os requisitos legais, a consulta deu à MRM a oportunidade de compreender as opiniões das principais partes interessadas sobre o projecto e de responder a quaisquer questões que os membros da comunidade pudessem ter relativamente ao projecto.

A MRM, que explora rubis no posto administrativo de Namanhumbir, distrito de Montepuez, província de Cabo Delgado, tem um orçamento proposto para a nova estação de tratamento de USD 59,6 milhões.

“Este projecto terá um impacto significativo tanto na empresa como no país. Uma vez concluída, a nova estação de tratamento proposta deverá aumentar substancialmente a produção e a base de receitas da empresa. Por sua vez, isto levará a um aumento do imposto de produção e dos royalties a pagar ao governo moçambicano, além dos mais de 400 novos empregos que estão a ser criados”, disse Claudius Nhongonhema, Director-geral Adjunto da MRM.

A capacidade de produção actual da MRM é de 200 toneladas por hora e, com a infra-estrutura proposta instalada, espera-se o aumento de mais 400 toneladas por hora. A capacidade actual de armazenamento de combustível é de 130.000 litros, que se propõe aumentar para 300.000 litros.

Espera-se que o projecto gere mais de 400 novos postos de trabalho e, sempre que possível, a MRM vai recrutar localmente, nas comunidades dentro e em torno da concessão da MRM.

A consulta teve lugar no posto administrativo de Namanhumbir e contou com a participação, além da MRM, das autoridades a nível nacional e provincial de licenciamento ambiental, representantes dos governos distrital e local, bem como membros das comunidades locais.

Espera-se que o trabalho propriamente dito no terreno comece em Junho deste ano, os quais estão sujeitos a aprovações regulamentares.

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) alargou a Moçambique a adesão a um sistema digital de supervisão de dados conhecido como projecto RASME (Remote Appraisal Supervision, Monitoring, and Evaluation), tornando-o no sexto país africano a beneficiar-se da ferramenta que melhora a recolha de dados relacionados com os projectos em áreas remotas.

O RASME é uma parceria do BAD e da iniciativa Geo-Enabling do Banco Mundial para Monitorização e Supervisão e das equipas KoBoToolbox. O conjunto de ferramentas de recolha de dados digitais a ser utilizado para o projecto RASME baseia-se na plataforma KoBoToolbox, uma solução TIC de código aberto desenvolvida por investigadores afiliados à Iniciativa Humanitária de Harvard.

A iniciativa utiliza dispositivos móveis e computadores pessoais para permitir ao pessoal do Banco a recolha remota de dados digitais do projecto directamente do campo, em tempo real. O início da crise da Covid-19 acentuou a necessidade de ferramentas de recolha de dados à distância.

A vice-ministra da Economia e Finanças, Carla Louveira, e o gestor nacional do BAD, César Mba Abogo, lançaram oficialmente a iniciativa a 7 de Março corrente.

“A operacionalização da RASME irá reforçar a capacidade de supervisão e monitorização da implementação de projectos e apoiar um processo de tomada de decisão mais eficaz”, disse Louveira.

A implementação do RASME é impulsionada pelo departamento de IT Corporativo do BAD, em parceria com a equipa do Banco Mundial da iniciativa Geo-Enabling for Monitoring and Supervision (GEMS) – Fragility, Conflict, and Violence (FCV), e a fundação KoBoToolbox.

“O Banco Africano de Desenvolvimento está determinado a apoiar a África a reconstruir corajosamente, mas de forma inteligente, prestando maior atenção ao crescimento de qualidade. Isto força o Banco a reiniciar-se constantemente e a inovar para enfrentar os desafios que o continente enfrenta. O RASME faz parte deste reinício, deste espírito de inovação que caracteriza a nossa instituição e que, neste caso, é apoiado pela eficácia deste recurso que temos visto na experiência de outras instituições”, afirmou Abogo.

Após o lançamento, o pessoal de implementação do projecto em Moçambique recebeu três dias de formação presencial. Em Novembro de 2021, a RASME de Desenvolvimento Africano foi implantada em cinco países da região da África Central, nomeadamente, Gabão, Camarões, Chade, República Democrática do Congo (RDC) e República Centro-Africana (RCA).

O ciclone tropical Gombe passou, mas ficaram os danos. Nampula foi a província mais afectada, com um saldo de 15 óbitos. O Primeiro-Ministro diz que a prioridade é garantir água, energia e vias de acesso para os desalojados voltarem às suas casas.

João Amisse prende o martelo com a mão e bate nas chapas de zinco para tentar recuperar o que ainda dá. “Estou a desmontar chapas para essa mamã” – uma idosa que assistia ao processo, sentada nas proximidades de onde estava a sua casa que ficou reduzida, absolutamente, a nada.

O ciclone tropical Gombe passou e deixou milhares de famílias desalojadas. O distrito de Monapo, na província de Nampula, foi um dos mais afectados. Passam apenas três dias, mas parece uma eternidade para quem não tem onde dormir. É o caso de Rosa Cândido.

“Não sei como fazer para recuperar a casa. Não tenho marido, faleceu em 2013”, conta a mulher que se viu obrigada a carregar nos seus cinco filhos e ir abrigar-se na casa do irmão onde se juntam mais duas famílias.

Algumas escolas foram transformadas em centros de acolhimento temporário. Estivemos numa delas, arredores da vila-sede de Monapo. A lista no caderno é a prova do registo dos desalojados. Quando chega a hora de comer, ouve-se o ecoar da voz de controlo, chamando um por um para ter a refeição básica garantida pelo INGD: xima de farinha de milho ou arroz e feijão.

No meio ao desespero, surgem perguntas que não têm um destinatário concreto: “não penso nada. Não sei…o Governo é que vai pensar”, limita-se Mamo Ali.

O Governo até esteve por perto, na pessoa do Primeiro-Ministro, mas, neste momento, levava na manga o que pode ser pouco, mas preciosa: “estivemos lá com a população de Namige, para dar solidariedade”, disse Adriano Maleiane, Primeiro-Ministro que fez a sua primeira viagem nessa qualidade para fazer chegar a mensagem do Presidente da República.

“O que é importante, realmente, é repor aquilo que é básico: água, energia, vias de acesso e depois encontramos as soluções para as pessoas poderem voltar às suas casas”.

De resto, Nampula foi a província bastante assolada pelo “Gombe”, com todos os 15 óbitos registados naquele ponto do país.

A previsão do estado do tempo para esta terça -feira indica que se poderá  registar queda de precipitação, céu nublado, ventos e trovoadas nas cidades do norte e centro do sul do país.

Hoje, as temperaturas máximas poderão variar de 26 a 33 graus Celsius.

As cidades de Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilanculo, na zona sul do país, poderão registar temperaturas máximas de 26, 27, 32 e 30 e mínimas de 20, 22, 24 e 22 graus, respectivamente.

Para as cidades da Beira, Chimoio, Tete e Quelimane prevêem-se máximas de 32,30, 33 e 30 e mínimas de 24, 19, 24 e 23 graus Celsius, respectivamente.

As cidades da Nampula, Pemba  e Lichinga poderão registar máximas de 32, 29 e 26  e mínimas de 21, 22 e 18  graus, respectivamente.


O INGD foi forçado a efectuar esta segunda-feira, na localidade de Munhonha, o processo de resgate de mais de 50 famílias que estavam sitiadas nos bairros, devido à enchente de água causada pelo transbordo do rio Licuar. As casas das famílias ficaram inundadas, danificando bens.

Choveu torrencialmente ao longo da  noite  de domingo para segunda-feira em vários pontos da província da Zambézia. Na localidade de Munhonha, distrito de Nicoadala, as famílias tiveram noite e manhã amargas quando o caudal do rio, que dá nome ao povoado, transbordou e galgou terrenos. As casas ficaram inundadas.

A água atingiu níveis da janela das casas e as populações foram forçadas a recorrer às bermas da EN1 para se abrigarem. Igualmente, o Governo distrital activou a Escola Primária Josina Machel, como ponto de alojamento provisório. 

Ao todo, são mais de 150 famílias que se estima que tenham sido desalojadas das suas residências. Algumas estiveram sitiadas por várias horas. Umas aguardavam por socorro, outras foram renitentes aos apelos de abandonar as suas casas para se alojarem em pontos seguros, quando os primeiros sinais de inundações começaram a chegar à zona. Aliás, não é a primeira vez que tal situação ocorre. Sempre que chove e o rio Licuar transborda, a população de Munhonha vive por situação de drama. 

“A água chegou devido à chuva que está a cair aqui, em Nicoadala. À noite choveu muito e esta manhã por volta das oito horas, a situação começou a mudar radicalmente. De repente, as nossas casas começaram a registar a entrada de água. Nesta altura, eu estava na machamba e, quando regressei, vejo água no estado em que está. A minha casa ficou submersa, as coisas no interior não sei se estão lá ou não e, por isso, não sei como será”, disse Deolinda Vicente.

Seninho António, outro residente de Munhonha, fez saber que  a situação da água piorou ao longo das duas horas da madrugada.

“Não dava para prever que o rio Licuar iria transbordar. Consegui tirar algumas coisas da minha casa e socorri o meu vizinho. A coisa está feia aqui por causa da água”, deplorou.

Dado a gravidade da situação, o Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres foi forçado a desencadear uma operação de salvamento das famílias no fim da manhã e da tarde desta segunda-feira. Trata-se de um processo que serviu para resgatar as famílias sitiadas. Para a localização das famílias em vários locais, o INGD teve que lançar “drone” e, com o apoio da Polícia Costeira, Lacustre Fluvial, Cruz Vermelha e Serviço Nacional de Salvação Pública, foi possível a operação.

“Estamos aqui para apoiar. Vamos continuar a retirar as famílias até à última pessoa. A situação não é para menos, são muitas famílias temos aqui uma embarcação e respectivos marinheiros. Vamos ainda assegurar mais embarcações em caso de necessidade. Esperamos que a situação não piore”, disse Belém Monteiro, vice-presidente do INGD, que está na Zambézia a monitorar a situação. 

Adelina Tiroso, administradora de Nicoadala, fez saber que, ao nível local, o Governo está a fazer de tudo para que não falte abrigo, mantimentos e outras necessidades para as famílias. Dado ao número das famílias, foram activados postos de saúde.

“Temos, neste momento, pouco mais de 150 famílias e nós vamos dar tudo enquanto Governo, para minorar o sofrimento das famílias”, garantiu a administradora.

Na tarde desta segunda-feira, o vice-presidente do INGD esteve a trabalhar na localidade de Furquia, distrito de Namacurra, onde o caudal do rio Licungo esteve agitado. Até ao fecho desta reportagem, o caudal do rio Licungo estava acima do nível de alerta com oscilações de sete a oito metros. 

 

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