Skip to main content

O País – A verdade como notícia

Graça Machel considera insuficiente e ineficaz o esforço que o Governo e parceiros fazem para apoiar as crianças vítimas do terrorismo em Cabo Delgado, algumas das quais, nalgum momento, foram transformadas em crianças-soldado, instrumentalizadas pelos terroristas de diversas formas.

A activista, que esteve em Cabo Delgado há três semanas e visitou alguns distritos, conversou com as vítimas e autoridades locais, acompanhou de perto o sofrimento daquelas pessoas e descobriu que há muitas crianças que foram treinadas para cometer atrocidades e matar.

Disse que há crianças que ainda estão nas fileiras dos terroristas, são instrumentalizadas, doutrinadas e estão a ser radicalizadas incutido nas suas mentes ideias para que sintam ódio das instituições do Estado, para tratarem com desrespeito as crenças de outros baseadas noutras regiões e religiões.

Entretanto, o que deixou “Mama Graça” estupefacta é o facto de não haver um instrumento específico, para ajudar esses petizes, por isso defende a categorização do apoio psicossocial em sexo, idade e tipo de violência.

“Este é um grupo de extrema sensibilidade que nós podemos conhecer, mas eu não fui capaz de encontrar essa categorização de que estou a falar, não só para as crianças, sabemos que há graves violações contra as mulheres e raparigas, mas o tal apoio tanto vai para mulheres adultas como para crianças, esquecemos que a sensibilidades de uma menina e uma senhora é diferente”, criticou.

Graça Machel disse que a primeira coisa que constatou é que as pessoas com destaque para crianças estão a ser tratadas como números e não como pessoas que carregam várias marcas da guerra.

A fonte foi mais longe, sublinhou que há muito esforço a ser feito por várias organizações para minimizar o sofrimento das pessoas em Cabo Delgado, mas, para ela, o que se verifica é que o impacto dessas acções é ineficaz.

“A segunda constatação foi que muitas pessoas, que estão a trabalhar em Cabo Delgado, não conhecem as ferramentas aprovadas no sentido de proteger essas pessoas e há pouca incidência na protecção dos direitos civis, no geral, direitos das mulheres, raparigas e rapazes e direitos dos rapazes”, apontou.

A falta de Bilhetes de Identidade aos deslocados é outro problema. Alguns deslocados sem BI se encontram nos centros de reassentamento, o que para a activista social não faz sentido, porque, quando uma criança não tem BI, não é reconhecida como cidadão moçambicano.

“É fundamental identificarmos um sistema de identificação civil, principalmente para crianças”, instou para depois sublinhar: “todo esforço que até agora estamos a fazer lá, em Cabo Delgado, é insuficiente, independentemente dos grandes esforços, precisamos de nos organizar, precisamos de nos estruturar”.

A activista social falou ainda da necessidade da criação de mecanismos para acolher as pessoas que são libertas das mãos dos terroristas. O que acontece é que, sem esse mecanismo, as pessoas libertas se espalham, cada um vai para o seu lugar e perde-se a oportunidade de identificá-las e ver que tratamento cada um deve ter.

 

“HÁ UMA RESISTÊNCIA GRANDE EM RECONHECER QUE HÁ CAUSAS INTERNAS QUE FACILITAM A PENETRAÇÃO DOS TERRORISTAS”

A fonte disse que é precisa a criação de programas que permitam maior interacção entre os diversos grupos sociais que estão nos centros de deslocados, pois, da conversa que teve com algumas mulheres, percebeu que há divisões e clivagens fortes, que não podem ser menosprezadas.

Para Graça Machel, isso pode ter facilitado a penetração dos terroristas nas diversas comunidades e é preciso que haja um estudo para se conhecer melhor as causas internas que facilitaram a entrada dos insurgentes.

“Eu sei que há uma resistência grande em reconhecer que há causas internas que facilitam a penetração dos terroristas no seio das comunidades, mas é um facto. Não podemos pensar que é apenas a infiltração de fora, a infiltração de fora encontrou terreno para facilmente se espalhar como se fosse fogo. É preciso conhecermos essas causas e enfrentar com coragem e é isso que culminará com a paz duradoura e verdadeira”, afirmou.

A oradora não só criticou, como também deixou recomendações de que é preciso reforçar as instituições do Governo a nível provincial e distrital, pois não suportam com a pressão a que estão impostas e estão a “rebentar pelas costuras”, porque não têm capacidade de responder aos desafios.

“Mesmo o ADIN (Agência de Desenvolvimento Norte), parece-me uma resposta económica, muito pouco virada para sarar feridas e para o desenvolvimento humano, e isso tem um peso muito grande na construção da pessoa humana e a estrutura não me parece muito adequada”, destacou.

Sobre educação, em que desde 2018 há crianças que não vão à escola, disse que o plano de abarcar todas as crianças é “extremamente inadequado” e, por isso, deve-se instituir uma linha de alfabetização e educação de adultos vigorosa e o programa de educação deve ser reajustado, para que sejam abrangidos os adolescentes e mulheres num programa que inclua, não só o saber ler e escrever, mas também o desenvolvimento de actividades técnicas.

Graça Machel falava durante um evento sobre o Dia Internacional contra o Uso de Crianças-Soldado, assinalado esta segunda-feira, organizado pelo Unicef e que contou com a participação de representantes do Ministério do Género, Criança e Acção Social, Ministério da Defesa, Ministério da Justiça e outros parceiros do Governo e sociedade civil, reunidos na busca de estratégias para combater o recrutamento e uso da crianças na guerra.

 

SOBRE GUERRA NA UCRÂNIA: “NÃO VAMOS TOMAR NEM UM NEM OUTRO LADO”

Graça Machel concorda com a posição de Moçambique em se abster do voto de condenação ou não à Rússia no Conselho de Segurança da ONU. Segundo a activista, o Governo está a fazer muito bem, alegadamente porque há muitas questões não claras que estão por trás do conflito.

A fonte disse, por isso, que, enquanto esses interesses não forem levados “à mesa”, o país não deve tomar nenhum posicionamento, mesmo sob pressão de parceiros.

“Neste momento, para mim, o Governo está a fazer muito bem em não decidir e não é apenas o nosso país, o número de países nas Nações Unidas que se absteve está a aumentar à medida que temos mais consciência desses outros factores que não estão a ser postos em cima da mesa”, defendeu.

A interlocutora recordou-se dos tempos em que havia países “não-alinhados” (associação de países formada com o aparecimento dos dois grandes blocos opostos durante a Guerra Fria, liderados pelos EUA e URSS, ou União Soviética. Seu objetivo era manter uma posição neutra e não associada a nenhum dos grandes blocos) e defendeu que era importante reactivar o movimento em causa.

Machel reiterou ainda que ninguém deve obrigar o Governo a tomar uma posição e só pode fazê-lo dependendo dos interesses nacionais.

“Nós não somos forçados a estar ou ali ou lá e, aliás, nós afirmamos, como Frelimo e Governo de Moçambique, precisamente para dizermos que não somos aliados a ninguém para tudo, dependendo dos interesses nacionais em cada caso, vamos decidir a nossa posição, mas não somos obrigados. As pessoas que querem fazer parceria com Moçambique têm que respeitar as posições soberanas de Moçambique”, concluiu.

Os embaixadores da Alemanha e dos Estados Unidos da América já vieram a público pressionar o país a tomar uma posição.

A Rússia foi suspensa do Conselho dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas na última sexta-feira, após a medida ter sido aprovada por 93 países.

Há mais de 200 mil Bilhetes de Identidade que não são reclamados desde 2019, em todo o país. A Direcção Nacional de Identificação Civil diz que os titulares ignoram as suas notificações e há documentos prestes a expirar o prazo.

Durante anos tratar Bilhete de identidade era um autêntico martírio, caraterizado por filas longas, demora no atendimento e uma eternidade para a obter o documento.

Actualmente a situação inverteu. Os utentes contam que, apesar das constantes falhas técnicas e lentidão no sistema de pré-marcação ter o bilhete de identidade ficou mais fácil, pelo menos na Cidade de Maputo.

O “País” visitou alguns postos, nesta segunda-feira (11) e viu algumas filas de pessoas que procuravam tratar os seus bilhetes de identidade e outros que apenas corriam para levantar.

Zacarias Chambale estava num dos postos para levantar o seu último bilhete (vitalício). Para ele, houve uma grande melhoria no processo de emissão dos documentos, pois antes a pessoa podia até se esquecer de levantar de tanta demora.

“O que posso dizer é que o atendimento foi rápido. Depois de iniciar o processo, dois dias depois recebi a mensagem para ir levantar”, disse.

Porém o mesmo não ocorre para quem vive longe das capitais provinciais. Fernanda Martinho, natural da província da Zambézia, conta o outro lado.

“Aqui foi fácil ter o BI, mas não é fácil para quem está nos distritos. Lá nós pagamos 360 Meticais e muitas vezes demora muito para ser emitido e há grande possibilidade de o BI não sair e você ter que fazer de novo”.

Fernanda disse ainda que há pessoas que preferem viajar para as sedes distritais para tratar este tipo de documentos.

“Minha mãe, por exemplo, teve que sair do distrito para Quelimane e lá teve o BI, em um mês”.

Enquanto alguns enfrentam dificuldades, há quem, mesmo depois da notificação demorou três meses para ir levantar.

“Tratei em Janeiro. Dois dias depois fui notificado para vir levantar. Sucede, porém, que estava fora do país e não tinha como levantar. Mas assim que voltei vim efectuar o levantamento”, disse Samuel Johane, um utente que encontramos num dos postos de identificação.

Igual a Samuel existem mais de 200 mil utentes, em todo o país que não levantam os seus bilhetes, desde 2019.

“Estamos neste momento a trabalhar para reverter o cenário, uma das medidas por nós tomadas é a introdução do novo modelo de talão de Bilhete de identidade. Este difere do anterior, porque apenas tem dois elementos identificadores do cidadão, nomeadamente o nome e a data de nascimento. Este não permite que o cidadão possa realizar outras actividades que exijam o BI, seja no banco, escola e outros”, explicou Gilda Lameque, Porta-voz da Direcção Nacional de Identificação Civil, para quem a medida visa incentivar o cidadão a levantar o seu bilhete.

Questionada se a falta de levantamento do documento teria a ver com a demora no processo de obtenção do bilhete, que as pessoas já estão acostumadas, a gestora disse que “pode até ser verdade. Mas é preciso mudarmos este pensamento das pessoas, pois a demora já não ocorre. Sucede que as pessoas continuam com este pensamento e quando as notificamos, não comparassem, pensando que não seja verdade”, explicou a fonte.

A Direcção Nacional de Identificação Civil diz que os titulares ignoram as suas notificações e há documentos prestes a expirar o prazo. Para reverter o cenário a entidade avançou que tem “contado com o apoio das lideranças comunitárias para fazer chegar a mensagem aos cidadãos”.

A Cidade de Maputo, seguida de Nampula, província de Maputo e Zambézia são as que mais casos de bilhetes não reclamados apresentam.

São no total treze milhões, quatrocentos e noventa e oito mil, duzentas e quarenta e seis (13 498 246) pessoas que já foram vacinadas completamente contra a COVID-19 em todo o país, desde o início do processo a 08 de Março de 2021. Este número corresponde a 88% dos 15 208 538 cidadãos previstos no primeiro plano de vacinação que previa a imunização de pessoas a partir dos 18 anos. 

A pandemia da COVID-19 ainda não acabou no mundo, e em Moçambique em particular, continuam esforços para controlar a doença. Actualmente, não há registo de mortes e o número de infeções baixou. Ainda assim, o ministro da Saúde defende que é preciso continuar a vacinar.

Armindo Tiago apresentou o ponto de situação da campanha nacional de vacinação contra a doença. “Dos 15, 208, 538 previstos no nosso plano de vacinação até ontem (referindo-se a domingo), já tínhamos vacinado 13, 498,246 pessoas. Para dizer que estamos num bom caminho. Mas precisamos de alcançar a perfeição, por isso o nosso apelo vai, mais uma vez, para todos aqueles que, sendo elegíveis, ainda não se vacinaram”, referiu o governante que falava durante uma cerimónia de recepção de material médico.

O referido donativo é composto por kits de testes PCR para COVID-19 e quatro mil testes rápidos para malária doados por uma entidade privada, designada por Brandel. Na ocasião, o representante da empresa considerou que o apoio canalisado ao Ministério da Saúde fará diferença.

“Entregamos ao Ministério da Saúde testes PCR na quantidade de 10 080 para reforçar a capacidade de testagem do Ministério da Saúde. E, por último, porque estamos no mês de Abril, em que se inicia a celebração da luta contra a malária, gostaríamos de reforçar com a doação de cem mil testes para combate a malária”, disse Rui Ernesto, administrador da empresa.

Armindo Tiago defendeu que o material poderá ajudar nos esforços para minimizar o sofrimento das populações. “É um ganho considerável, é um ganho imensurável para o controlo da pandemia da COVID-19 e da endemia que é a malária no nosso país”, enalteceu.

Lembre-se que a malária constitui um dos maiores problemas de saúde pública no país, afectando mais as mulheres grávidas e as crianças menores de cinco anos. Esta doença continua a ser a principal causa de mortalidade infantil em Moçambique.

Anastácia Zita era a responsável máxima da Direcção do Trabalho Migratório e a ela caberá explicar os detalhes das operações que resultaram no saque de 113 milhões de Meticais da instituição. De Maria Helena Taipo, poucas respostas se teve, até porque a antiga governante disse que sobre questões operacionais, só a DTM podia explicar.

A audição desta terça-feira de tudo ou nada na constituição da prova em Tribunal, sobre como foi o esquema de desvio de dinheiro na Direcção do Trabalho Migratório.

Aquando da sua audição entre terça e quarta-feira da semana, Taipo deixou várias questões sem esclarecimento. Por exemplo, quando foi perguntada pelo procurador Armando Paruque por que não questionou ou impediu que os fundos da DTM fossem usados para pagamentos de empresas sem o contrato visado pelo TA, Taipo disse que “quem executava as actividades eram os sectores” e que, por isso, “cabe à DTM responder, caso isso tenha acontecido”.

A arguida foi confrontada com o facto de constar dos autos que a DTM fazia adiantamentos para mineiros à TEBA, às minas filiadas e a outras instituições e Parruque perguntou se a antiga governante tinha conhecimento, mas não deu nenhuma resposta esclarecedora. Disse apenas “prefiro não responder” a esta e outras questões, remetendo explicações à DTM.

É por isso que as expectativas agora estão viradas para a última arguida a ser ouvida esta terça-feira. Anastácia Zita, acusada de Peculato, Abuso de Confiança e Participação Económica em Negócio, não só era responsável máxima da Direcção do Trabalho Migratório, como também era uma das pessoas assinantes das contas nas quais se fizeram várias transferências e levantamentos.

Terá de explicar porque não houve visto do Tribunal Administrativo nos contratos da DTM, porque a instituição que dirigia transferiu cinco milhões de Meticais para a construção de uma dependência que se diz ser de Helena Taipo e porque a DTM teria fechado contratos não executados, mas que teria havido pagamento. E mais… por que razão o dinheiro dos mineiros teria sido usado para fins que não beneficiavam aos trabalhadores das minas. Será desta que o tribunal terá respostas? A ver vamos.

Assinalou-se, hoje, 11 de Abril, o Dia do Jornalista Moçambicano. Alusivo à efeméride, o Presidente da República, Filipe Nyusi, enalteceu o papel do profissional na cobertura do drama humanitário em Cabo Delgado. Já o Sindicato Nacional de Jornalistas saudou a bravura, ética e isenção que o jornalista tem demonstrado na cobertura sobre tragédias climáticas que ciclicamente abalam o país.

Num dia em que o país parou para celebrar o jornalista moçambicano, o Presidente da República dedicou parte da sua agenda para enaltecer o papel deste profissional na sociedade. Filipe Nyusi destacou a entrega dos profissionais na divulgação de informações úteis antes, durante e após ocorrência de eventos climáticos severos.

“A Comunicação Social moçambicana, como actor relevante da sociedade, tem dado o melhor de si, mostrando sempre o seu profissionalismo e sentido humanitário na divulgação de informações de aviso prévio sobre a aproximação de fenómenos meteorológicos que assolaram o país nos últimos tempos, contribuindo, assim, para se evitarem mais perdas de vidas humanas e destruição de bens das populações”, escreveu.

O Chefe de Estado destacou ainda a contribuição do jornalista na divulgação de informação credível sobre o terrorismo em Cabo Delgado.

“Os nossos profissionais de Comunicação Social, com a devida responsabilidade e sentido patriótico, têm feito conhecer à Nação moçambicana e ao mundo e com elevado nível de objectividade as notícias sobre as acções das nossas briosas Forças de Defesa e Segurança (FDS) contra o terrorismo e extremismo violento em alguns distritos da província de Cabo Delgado”, enalteceu.

Nyusi não deixou de destacar o papel que a Comunicação Social desempenhou e continua a desempenhar para garantir maior informação às populações sobre a COVID-19. “O jornalista moçambicano esteve sempre na linha da frente e foi um verdadeiro campeão na divulgação de informações sobre as medidas de resposta à pandemia da COVID-19 e sobre a sua evolução a nível interno e internacional.”

O Chefe de Estado encorajou ainda as empresas de media a continuarem a apostar em tecnologias para melhor servir ao cidadão cada vez mais exigente.

“Exortamos, igualmente, os profissionais da Comunicação Social moçambicana a não auto-excluírem-se do processo de desenvolvimento tecnológico, abraçando as mais modernas plataformas de informação e comunicação para a divulgação de conteúdos noticiosos e educativos da sociedade que contribuam, também, para elevar a condição económica, social e cultural do país”, terminou.

 

SNJ DESTACA PAPEL DOS JORNALISTAS NA COBERTURA DE DESASTRES NO PAÍS

O Sindicato Nacional de Jornalistas saúda a bravura com que os profissionais da comunicação social moçambicana que, com ética e responsabilidade, reportam, com fidelidade e isenção, as tragédias que têm estado a assolar as regiões centro e norte do país, provocadas por depressões tropicais, ciclones e terrorismo.

Porque a celebração do Dia do Jornalista Moçambicano coincide com a passagem dos 44 anos da criação do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ), a agremiação aproveitou a oportunidade para falar dos 44 anos de “luta permanente pela liberdade de imprensa, de expressão e da valorização e manutenção dos postos de trabalho”.

Num comunicado de imprensa, o sindicato destaca um dos papéis do jornalista, que é dar voz aos que não a têm, levar ao conhecimento de todos o dia-a-dia das pessoas que lutam pela sua sobrevivência, estudam e trabalham.

O organismo entende que, ao celebrar o Dia do Jornalista Moçambicano, deve-se revisitar os valores da ética e deontologia profissional, porquanto “a ética profissional que se exige ao jornalista continua a ser a mesma, mas as variáveis que a condicionam são múltiplas e muitas vezes contrárias à defesa dos direitos e interesses exigidos pela dignidade da pessoa, factos que não devem enfraquecer na nossa missão”.

 

JORNALISTAS: “FIGURAS INCONTORNÁVEIS NA CONSOLIDAÇÃO DA NOSSA DEMOCRACIA”

Na sua mensagem, alusiva ao Dia do Jornalista Moçambicano, o maior partido da oposição no país, a RENAMO, fala da importância dos jornalistas na consolidação da democracia em Moçambique e, particularmente, na luta pela liberdade de imprensa e defesa de outros direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos.

“Estamos convictos que nessa luta, os jornalistas têm sido autênticos heróis, porque nem sempre recebem a devida colaboração de outros actores sociais na busca de informação, matéria-prima para o bom desempenho da sua função jornalística”, lê-se na nota.

A RENAMO termina saudando os jornalistas moçambicanos e encoraja a todos a continuarem a erguer a bandeira da causa, a liberdade de expressão e de imprensa.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê céu nublado, ocorrência de chuvas, vento a soprar, por vezes, com rajadas e ocorrência de trovoadas  no norte, centro e sul do país.

Na região centro, as urbes da Beira, Chimoio, Tete e Quelimane poderão registar temperaturas máximas de 29, 24, 30 e 30 e mínimas e 23, 17, 23 e  23  graus Celsius, respectivamente.

As cidades de Nampula, Pemba e Lichinga, no norte do país, poderão atingir temperaturas máximas de 28, 30 e  23 e  mínimas de 21, 24 e 14 graus, respectivamente.

Para as cidades de Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilankulo, no sul do país, prevêem-se máximas de 25,27,27 e 27 e mínimas de 19, 22, 24 e 23

graus Celsius, respectivamente.

Há mais 13 indivíduos infectados pelo Coronavírus em Moçambique, resultantes de 414 testes realizados nas últimas 24 horas. O Ministério da Saúde diz que se trata de cidadãos de nacionalidade moçambicana.

Os infectados têm idades que variam de 14 a 50 anos. “A Taxa de Positividade e a Taxa de Positividade Acumulada, nas últimas 24 horas, situaram-se em 3.14% e 17.3%, respectivamente”, referem as autoridades.

Desde o início da pandemia, Moçambique diagnosticou 225.293 casos, sendo 224.924 de transmissão local e 369 importados. Neste momento, o país tem 42 casos activos da doença.

“Cumpre-nos informar que, nas últimas 24 horas, não registamos nenhum caso de paciente que se recuperou da COVID-19, assim como, nenhum paciente teve alta hospitalar”, anunciou a instituição, acrescentando que “no mesmo período, nenhum paciente foi hospitalizado”.

Assim, quatro pacientes continuam sob cuidados médicos em todo o país.

O país continua sem notificar óbitos causados pela COVID-19. Deste modo, mantém-se em 2.200 o cumulativo de mortes causadas pelo vírus.

Há três semanas que a travessia no rio Mutacaze, em Nampula, é feita de forma condicionada. Centenas de pessoas desafiam diariamente o leito do rio caminhando ou nos ombros de outras pessoas, porque a ponte foi arrastada pela corrente da água aquando da passagem do ciclone Gombe.

Fazem-se 70 km de estrada asfaltada recentemente inaugurada pelo Presidente da República e, em menos de uma hora, a ligação entre a cidade de Nampula e a vila-sede do distrito de Mogovolas fica estabelecida. Contudo, logo a seguir, para quem vai em direcção ao distrito de Angoche, a viagem muda de rumo quando chega ao rio Mutacaze, cuja ponte metálica foi arrastada pela corrente da água há três semanas, aquando da passagem do ciclone Gombe.

O leito do rio baixou. As pessoas, que estão nas duas margens do rio, atravessam o leito caminhando ou nos ombros dos biscateiros que viram uma oportunidade para ganhar dinheiro fazendo atravessar as pessoas sem se fazerem à água. Feliciano Caetano é um desses. Não tem a conta exacta do número de pessoas que carrega nos ombros por dia, só sabe afirmar que o movimento tem sido bom.

“O valor depende da negociação com o cliente. Há clientes que me pagam 30 Meticais, há outros que me pagam 20 ou 10 Meticais”.

Os dias são difíceis para muita gente. O rio isolou dois postos administrativos do distrito de Mogovolas, mas o grande prejuízo é sentido pela população dos distritos de Angoche e Larde que dependem muito da cidade de Nampula para abastecer em insumos do dia-a-dia.

Juvêncio Sapite desce do colo de um jovem que o fez atravessar e desabafa: “é complicado. É mais um gasto. Não temos muito e é mais um gasto. Só espero que isto se resolva o mais rápido possível”.

Até há esforços nesse sentido. A estrutura metálica da ponte de 30 metros que fora arrastada está a ser desmontada para ser recolocada entre os pilares. Mas a natureza foi tão forte que 15 metros não são aproveitáveis. Do lado dos encontros da ponte, numa das margens, há necessidade de reconstrução com betão e o prazo indicativo dos trabalhos é de 50 dias.

“O encontro existente cedeu e há necessidade de fazermos um novo encontro e lançarmos a ponte”, garantiu Manuel Benjamim, técnico responsável pela obra.

No local, um camião-cisterna de transporte de combustível que saía da cidade de Nampula em direcção a Angoche teve que terminar a viagem numa das margens e com recurso a uma motobomba e um tubo de mais de 50 metros de extensão foi bombeado o combustível para o outro camião-cisterna que estava na outra margem.

São alternativas possíveis perante uma crise de circulação causada pelos eventos extremos.

Cansado de esperar, o condutor de uma viatura ligeira decidiu desafiar o rio a quatro rodas. O carro de alta suspensão foi determinante para a travessia arriscada. Com ajuda da força humana, o mesmo conseguiu atravessar o rio com destino à cidade de Nampula para adquirir produtos de primeira necessidade de modo a alimentar o comércio no distrito de Larde.

“Tinha que arriscar. Estou aqui há três semanas. Vou à cidade de Nampula adquirir produtos. Volto amanhã. Não tinha como, porque tudo está fechado e os preços sobem do outro lado. Assim é para poder minimizar os preços, porque muita gente pode morrer à fome”, disse Gulamo Rajabo.

As embarcações a motor e canoas pararam de fazer a travessia, porque o caudal do rio está muito baixo.

Trabalhadores de segurança privada admitem estar despreparados para enfrentar os raptos. Dizem ainda que há seguranças cujas armas não funcionam. Entretanto, as empresas negam parte dos problemas arrolados.

Um vídeo de uma câmara de segurança retrata um rapto ocorrido em Fevereiro deste ano na zona baixa da Cidade de Maputo. Os raptores entraram disfarçados de clientes e levaram a vítima.

O estabelecimento até tinha um segurança que só aparece no fim, aparentemente em fuga e assustado. Aliás, ele mesmo reconheceu à STV que não tinha capacidade de resposta. “Pareceu tudo combinado, todos tinham armas e eu não sabia o que fazer”, contou o segurança.

E o que, então, são capazes de fazer os seguranças que vemos todos os dias, aparentemente, a proteger estabelecimentos, instituições públicas, privadas, entre outras?

Colocamos a questão ao Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de Segurança, que dá a mão à palmatória. “Os clientes caem muitas vezes num erro, eu arrisco em dizer que, em algumas empresas, aquelas armas não funcionam”, afirmou Boaventura Sibinde.

O secretário vai mais longe. Revela que as empresas de segurança não têm qualidade. Ao problema, adiciona-se o facto de vários seguranças trabalharem sem armas e, segundo, “mesmo com arma, o segurança não serve para nada”.

Mais grave ainda é que os próprios seguranças, responsáveis pela protecção de vários estabelecimentos, reconhecem que não estão preparados para responder aos raptos.

“Se formos a ver, muitos seguranças não têm treinamento, as empresas de segurança recrutam as pessoas sem seguir os trâmites legais”, revelou.

Ouvidos pela nossa reportagem, os profissionais de segurança dizem trabalhar com as mínimas condições existentes. “Por exemplo, os atiradores não têm contrato e muito menos seguro de vida. Que motivação para trabalhar?”, questionou um segurança.

Mas, de que forma pode reagir um segurança diante desta incapacidade?

“Eu tenho que criar condições de alertar a intervenção da minha empresa para vir até ao local, se não chegarem a tempo, tenho que me render”, respondeu outro segurança.

As empresas, que actuam na área de segurança, estão congregadas em associação, cujo representante diz que maior parte dessas fragilidades são registadas nas firmas que não estão filiadas à agremiação.

De acordo com o decreto 9/2007/ de 30 de Abril, o Ministério do Interior tem a obrigação de criar um centro de formação profissional para os seguranças.

“Nos últimos tempos, surgiram várias empresas de segurança que não cumprem com os procedimentos”, reconheceu o representante da Associação das Empresas Privadas de Segurança, Odair Bila.

O responsável diz não ter conhecimento da existência de empresas de segurança cujos trabalhadores possuem armas que não funcionam.

+ LIDAS

Siga nos

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE