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O País – A verdade como notícia

Está atrasada por 10 meses a obra de construção de alpendres para vendedores no mercado grossista do Zimpeto, em Maputo. O Município de Maputo diz que decorre um processo contra o empreiteiro por incumprimento de contrato.

O dia 6 de Junho de 2021 era o prazo estipulado para a entrega do galpão que albergaria parte dos mais de 400 vendedores no mercado grossista de Zimpeto, na Cidade de Maputo, uma obra que, segundo indica a placa, teria a duração de 8 meses. Sucede, porém, que quase um ano depois as obras continuam paradas.

Trata-se de uma infra-estrutura orçada em mais de 29 milhões de Meticais, dos fundos próprios do Município de Maputo, que fazem parte do projecto de requalificação do mercado.

No local, só é possível ver pilares e mais pilares, e os mais de 400 comerciantes que vendem ao relento e nestas condições, já perderam a esperança de ver os seus produtos protegidos.

“Trabalhar nestas condições é muito difícil. Aqui, quando chove o produto molha e quando há calor, igualmente, o produto sofre. Veja que nós vendemos vegetais, sensíveis ao calor e à chuva, mas não temos o que fazer. Neste mercado pagamos, diariamente, 150 Meticais pelo bilhete. Mesmo assim, não temos nada de bom aqui”, disse a vendedora Arsélia Nacudinba, que comercializa repolho e cenoura a grosso.

Com a chuva que se faz sentir, nos últimos dias, um pouco por todo o país, aqueles importadores usam lonas para proteger os seus produtos. É um salve-se quem puder, como disse, indignado, Xadreque Maculane.

“Haviam prometido que ainda este ano teríamos o alpendre, mas vemos a obra parada e não sabemos o que se está a passar. Quando há chuva nós esticamos lonas, sobrinhas e outras coisas para podermos proteger os nossos produtos, senão perderemos toda a mercadoria”.

Um outro importador contou ao “O País” que procurou saber sobre a conclusão da construção do galpão e soube que o empreiteiro responsável pela obra está a responder a um processo judicial.

“É um problema que há muito tempo preocupa-nos. Junto da administração e outras reuniões que temos com as estruturas, procuramos saber do ponto de situação da construção do alpendre. Mas parece que o empreiteiro está na barra da justiça, por isso não se avança aqui”, referiu o comerciante Abílio Marima.

Há que recordar que, em Abril de 2021, o Município de Maputo justificou o atraso da obra pelo facto de a cobertura da infra-estrutura estar a ser produzida na vizinha África do Sul. Mas, através de uma chamada telefónica, o Vereador para a área Desenvolvimento Económico Local, no Município de Maputo, Danúbio Lado, disse que o empreiteiro responsável pela obra, a Zaida Construções Limitada, demonstrou incapacidade em concluir a obra e, neste momento, decorre um processo administrativo por forma a encontrar uma solução para o impasse.

Questionado sobre o tipo de incapacidade apresentada pela “Zaida Construções Limitada”, Lado remeteu à construtora para obter mais detalhes, apenas tendo dito que “vê-se no terreno que nada ocorre e o contrato já venceu faz tempo, por isso o Conselho Municipal está a tomar medidas para garantir a conclusão das obras”.

O galpão em questão apenas tem a capacidade de albergar 78 viaturas, dependendo da arrumação e, para os outros, prevê-se a construção de mais um galpão e espera-se que seja lançado o concurso ainda este ano.

Contudo, enquanto não se resolve o impasse com o empreiteiro, os vendedores no mercado grossista do Zimpeto continuarão trabalhando ao relento, faça chuva, faça sol.

O preço de produtos alimentares importados da África do Sul poderá registar um agravamento nos próximos dias, no país, devido às inundações que já mataram pelo

A chuva intensa que cai já há alguns dias na vizinha África Sul, que já soma cerca de 400 mortes e destruição de infra-estruturas públicas e privadas, já começa a afectar as importações.

Segundo alguns importadores de produtos alimentares, está difícil trazer mercadorias para o país, principalmente a batata.

“Faz duas semanas que chove muito na África do Sul. Com isso já enfrentamos dificuldades para a compra da batata. Agora a batata vem da zona de Free State, bastante longe, isto porque em Mpumalanga está difícil adquirir. Sinto que haverá escassez da batata”, disse Abílio Marima

Por conta da escassez deste produto, os comerciantes prevêem agravamento dos preços.

“Os preços estão muito mais elevados. Agora estamos a comprar a batata entre 80 a 90 Rands, por saco. Devido à distância, o preço da batata, nos próximos dias, vai disparar”, acrescentou a fonte.

Actualmente, a batata é vendida entre 320 e 350 Meticais, no entanto poderá atingir 400 Meticais o saco de 10kg. A cebola está no mesmo caminho e os vendedores dizem que um agravamento poderá retrair os clientes, porém, não têm alternativas.

O agravamento dos preços destes produtos vem juntar-se às recentes subidas de produtos como óleo, açúcar, cebola e outros produtos alimentares básicos.

O país continua sem notificar óbitos causados pela COVID-19 e, por isso, o cumulativo continua de 2.200. Entretanto, sete indivíduos testaram positivo para o vírus nas últimas 24 horas.

Segundo o Ministério da Saúde (MISAU), trata-se de resultados extraídos de um universo de 321 amostras suspeitas testadas no período em causa, em que a Taxa de Positividade foi de 2.18%.

Os infectados são seis mulheres e um homem, todos de nacionalidade moçambicana e com idades entre 15 e 80 anos.

“Neste momento, o cumulativo nacional de amostras suspeitas testadas é 1.306.062, enquanto e o cumulativo de casos positivos é 225.323. Deste número, 224.924 são casos de transmissão local, 369 dos quais, importados”, refere o MISAU, acrescentando que há 48 casos activos da doença.

Não há registo de recuperados, assim como internados. De acordo com a Saúde, ainda nas últimas 24 horas, nenhum paciente teve alta. Assim, existem quatro pacientes sob cuidados médicos. “Importa referir que, desde o anúncio do primeiro caso de COVID-19, em Moçambique, em Março de 2020, já foram hospitalizadas no nosso país, 8.511 pessoas”, dizem as autoridades sanitárias.

Livrarias de venda de produtos religiosos, na Cidade de Maputo, estavam cheias, este sábado, de crentes que procuravam comprar bíblias, velas, vestes brancas e outros artigos para usar e presentear nesta Páscoa.

Na Livraria Paulinas, capital do país, na entrada havia uma fila de crentes que, há poucas horas para a celebração da Páscoa, tentavam ganhar tempo para comprar artigos religiosos, a serem usados numa das grandes festas da religião cristã.

Hermenegildo Chambal, que havia aguardado para entrar na livraria há mais de meia hora, contou ao “O País” que estava naquela loja porque procurava um presente para alguém que ia baptizar na noite de sábado.

“Vim comprar estas bíblias infantis para uma amiguinha da minha filha, só vim hoje porque só hoje tive tempo de o fazer, por isso tive de enfrentar a fila”, disse o crente, feliz por ter consigo fazer suas compras.

Dentro da loja, o movimento era intenso, eram tantas opções, que a escolha parecia difícil. Uns preferiam ler um trecho antes de levar o artigo e outros faziam chamadas para consultar o que comprar. Para quem sabia o que queria, o tempo dentro da loja foi mais curto.

“Levei uma bíblia infantil, levei também, o Evangelho do São Lucas, é este livro que fala das boas práticas morais para que ele cresça sabendo o que é certo e errado, seguindo os preceitos de Deus”, explicou a Jaiana Ramos.

Jaiana até podia ter saído em pouco tempo da loja, mas a fila para o pagamento também era longa, o que pressionava os livreiros, uns tratavam dos pagamentos, outros davam explicações sobre os artigos à venda e havia, também, os responsáveis por embrulhar os presentes.

Segundo a irmã Inês, responsável pela livraria, a pressão é vivida desde segunda-feira passada, mas este sábado foi pior, “parece que todos crentes da Cidade de Maputo decidiram vir à nossa loja para comprar esses artigos, como sabemos que as pessoas deixam tudo para última hora, decidimos estender o horário de funcionamento”.

Nas Paulinas, não eram procurados apenas livros, velas, vestes brancas estavam na lista de alguns crentes, pois há baptismo nesta Páscoa, e Serafim Gama, que até as 12:40 estava na fila para entrar na loja, quase perdia esses artigos para o baptismo do seu afilhado, segundo disse “seria um desastre, não consegui-los, pois seu afilhado baptizaria na noite de sábado”.

O mesmo assistia-se na casa bíblica, na zona do Ponto Final. Não havia filas de espera, mas as prateleiras já estavam vazias.

Bento Ubisse, responsável da loja disse ao “O País” que o cenário não se via desde a eclosão da pandemia e o movimento só veio reanimar as vendas da loja, que costuma fechar as 12 aos sábados, mas que neste dia em particular, o fecho estaria dependente do entra e sai dos clientes.

O ministro dos Transportes e Comunicações diz que os 80 autocarros movidos a gás estão parados porque aguardam pelo desfecho de processos burocráticos, o que contraria as declarações da vice-ministra do mesmo pelouro, segundo as quais espera-se por um concurso público.

Depois de uma promessa da compra de 100 autocarros falhada por um ano, chegaram em Fevereiro deste ano, 80 autocarros do número prometido e até hoje estão parqueados. No dia 10 de Abril, a vice-ministra dos Transportes e Comunicações disse que a circulação dos autocarros, movidos a gás, estava refém de um concurso público para a sua distribuição.

“Estamos constantemente a distribuir os autocarros e, no dia seguinte, estarmos com problemas de transportar pessoas. Está a se tentar perceber qual é a melhor saída e julgamos que a melhor saída é um concurso público e não distribuir as viaturas. Lança-se um concurso e quem ganha fica com um lote de viaturas e criar uma determinada rota. Provavelmente, isso pode nos ajudar e é um processo. Menos dia e mais dia nós isso vai acontecer. Já temos o processo de matrícula e dos seguros terminado”, explicou Manuela Rebelo, vice-ministra dos Transportes e Comunicações.

Enquanto a vice-ministra justifica que a circulação das viaturas está refém de um concurso público, o ministro dos Transportes tem um entendimento diferente sobre o mesmo assunto.

“Era preciso que aqueles que fabricaram viessem dar instruções aos operadores, por um lado. Por outro lado, há questões administrativas que têm a sua burocracia e levam o seu tempo. Infelizmente nós, também, como Governo, deparamo-nos, nalgum momento, com esta burocracia porque precisamos que as coisas sejam bem feitas para que não haja problemas no futuro. É esta burocracia que estamos a aturar até então”, justificou o ministro dos Transportes e Comunicações, Janfar Abulai.

Mas o problema não se cinge apenas aos processos burocráticos. “Estamos a tratar questões de seguros, a formação dos motoristas. São motoristas de diversos municípios e precisamos de seleccionar para depois formar para operar aquele tipo de transporte, embora seja autocarro, mas é movido a gás e tem as suas especificidades”, acrescentou o ministro dos Transportes e Comunicações.

Janfar Abdulai até fala de um concurso público, mas não para a distribuição dos 80 autocarros, ao contrário do que avançou a vice-ministra. “Nós estamos a ver a questão da concessão de rotas e a possibilidade de, futuramente, podermos lançar um concurso para uma entidade ou duas a três que possam operar os autocarros que serão adquiridos pelo Governo, mas paulatinamente, esta entidade privada pode criar a sua estabilidade e adquirir autocarros e que não seja sempre o Estado a fazê-lo. É preciso incentivar o privado para operar o transporte público”, avançou Janfar Abdulai.

Afinal, de que lado está a verdade? Facto é que os autocarros continuam parqueados e os beneficiários sujeitos a um autêntico calvário para fazer suas deslocações.

Sobre a retoma do projecto da ligação marítima entre as cidades de Maputo e Matola, para mitigar o congestionamento na EN2, Abdulai diz que o estudo vai consistir na avaliação do nível de adesão dos passageiros e, a posterior, a ideia será vendida ao sector privado.

“Numa primeira fase, nós queremos fazer um estudo para depois vendermos ao privado. Isto é uma espécie de criar apetite ao privado, dizendo que é viável praticar esta actividade de transporte público via marítima. Caso haja um certo desconforto do privado, aí o Estado verá como é que, dentro das suas capacidades, pode implementar esse transporte público de passageiros marítimo”, revelou o ministro dos Transporte e Comunicações.

O transporte marítimo entre Maputo e Matola tinha sido introduzido em 2010 e colapsou no ano seguinte.

Em Nampula, um carro transportando reclusos envolveu-se num acidente de viação do qual uma pessoa morreu e outras 18 contraíram ferimentos. Dois agentes penitenciários estão internados no Hospital Central de Nampula.

O acidente deu-se ontem, quando uma viatura que transportava reclusos do estabelecimento penitenciário provincial de Nampula seguia em direcção a um campo de cultivo, no distrito de Rapale. Consta que um recluso perdeu a vida logo depois de dar entrada no Hospital Central de Nampula.

A penitenciária provincial ainda não se pronunciou sobre o assunto. O “O País” sabe que um recluso terá fugido no local do acidente.

Duas pessoas morreram e oito ficaram feridas em resultado de um acidente ocorrido na noite de ontem, no distrito de Katembe, Cidade de Maputo.

Excesso de velocidade, aliado ao piso escorregadio por conta da chuva que caía durante a noite em Maputo, estiveram na origem do acidente, cuja viatura seguia no sentido Bela-vista-Cidade de Maputo.

Segundo Isildo Bule, porta-voz da Polícia de Trânsito na Cidade de Maputo, na viatura estavam 10 pessoas. Ao chegar numa curva, o condutor não conseguiu descrevê-la, tendo capotado.

Todos os ocupantes saíram feridos. Mas desses, um morreu no local, outro a caminho do hospital, segundo Simão Manhique, médico de Clínica Geral no Hospital Central de Maputo.

“Nos nossos serviços deram entrada sete pacientes do sexo masculino e um do sexo feminino, com idades compreendidas entre os nove aos 47 anos, destes cinco tiveram ferimentos ligeiros e receberam alta hospitalar e outros três ainda estão sob cuidados”, explicou o médico.

A paciente encontra-se em observação por trauma cervical que é um dano causado na região do pescoço à coluna. O outro paciente teve amputação da perna no local do acidente e o último encontra-se na sala de cuidados intensivos devido a um trauma craniano grave, conforme explicou Simião Manhique.

O jornal “O País” esteve no local do acidente, onde eram visíveis garrafas de bebida alcoólica.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê temperatura fresca  para este sábado. Entretanto, a instituição alerta para a concorrência de de chuvas e trovoadas em algumas urbes do país.

Em graus Celsius, as cidades da Beira, Chimoio, Tete e Quelimane  têm  temperaturas máximas de 31,28, 34 e 32 e mínimas de 26, 20, 25 e 20, respectivamente.

Para as cidades de Maputo,  Xai-Xai  e Inhambane e Vilankulo prevêem-se máximas de 26, 27, 29 e 29 e mínimas de 21, 23, 25 e 26 graus, respectivamente.

Em Pemba, Lichinga e Nampula esperam-se máximas de 31,30 e 25 e mínimas de 23, 25 e  14 graus, respectivamente.

Longas filas, foi o cenário vivido, hoje, na Estrada Nacional Número quatro, em direcção à Cidade de Maputo. O congestionamento chegou a atingir mais de sete quilómetros junto à fronteira de Ressano Garcia, facto que causou embaraço na transitabilidade.

A 30 de Março do ano em curso, o ministro dos Transportes e Comunicações, Janfar Abdulai, inaugurou, em Ressano Garcia, o terminal de minérios para reduzir o intenso tráfego de camiões de transporte de carga como o ferro crómio, que circulam pela Estrada Nacional Número quatro. Vale recordar o que disse o dirigente nessa altura. “Com esta inauguração o camião passará a manusear cerca de 2.1 milhões de toneladas de minérios por ano, o que corresponde a cerca de 180 mil toneladas por mês retirando cerca de 170 camiões da Estrada Nacional Número quatro, por dia”.

Verdade ou não, o facto é que estes camiões que transportam minérios, da África do Sul para o Porto de Maputo, hoje permaneceram durante muito tempo na EN4, em filas de mais de sete quilómetros.

Domingos Manhique é camionista e diz que a recém-inaugurada infra-estrutura está a quem de responder à demanda. “Essa fila é muito longa, estão a diminuir os camiões aos poucos. Outro assunto é que aquele porto que inauguraram recentemente e o mesmo cria mais congestionamento para nós. Aquela infra-estrutura é pequena para tantos camiões”.

Para dois camionistas sul-africanos, abordados pelo “O País” a burocracia e a aparente morosidade é que contribuem para esta situação quando se faz o desembaraço aduaneiro, como sustentou Xadreque.

“O tráfego nesta na EN4 não está tão mau. No entanto, eu penso que as autoridades sul-africanas e moçambicanas devem tentar melhorar a situação, porque assim não está bom. Devem, por isso, arranjar uma melhor solução”. As mesmas palavras foram apoiadas por Siyambonga dizendo que os automobilistas perdem muito tempo e dinheiro na estrada só à espera de tramitar documentos.

A situação melhorou por volta do  meio-dia, desta sexta-feira, com a intervenção da Polícia de Trânsito.

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