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O País – A verdade como notícia

O Conselho Superior de Magistratura Judicial (CSMJ) ilibou Efigénio Baptista das acusações feitas pela Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM), que acusava o magistrado de ser tirano e ter um comportamento de ataque contra os advogados no julgamento do “caso dívidas ocultas”. Os analistas do programa Noite Informativa têm opiniões divergentes sobre o assunto, sendo que um dos quais defende demissão da direcção da OAM por ter acusado o juiz sem provas.

Tudo começou na tenda da B.O. quando, numa das sessões, houve um “bate-boca” entre o juiz da causa e os advogados Salvador Nkamate e Jaime Sunda, que entediam que Efigénio Baptista estava a conduzir o julgamento sem transparência e abertura. Nkamate até disse que não ia “tolerar actos de ignorância”, pelo facto de o juiz ter-se recusado a ouvir a fundamentação da rejeição pelos referidos advogados da audição do declarante Fanuel Paúnde, por sinal advogado, sem a devida autorização da OAM. Na ocasião, Efigénio Baptista defendeu que o declarante não estava a ser ouvido na condição de advogado, mas como representante de Ukanga Representações Ltda na compra de uma casa ao réu Renato Matusse, no valor de seis milhões de Meticais. Essa fundamentação não convenceu os advogados e gerou momentos de tensão.

Mas a coisa não ficou por aí. A OAM veio a público defender a classe do que chamou de comportamento tirano do juiz Efigénio Batista. “O juiz tem apresentado uma conduta tirana e um comportamento de ataque à classe de advogados, a quem não lhes deixa discutir as questões de forma livre nos termos da lei. A dada altura, dá impressão de que é a ordem que está ali a ser julgada e isso não está correcto”, repudiou, em conferência de imprensa, Duarte Casimiro, Bastonário da OAM.

Face a esse posicionamento, o organismo elaborou uma exposição e submeteu-a ao Conselho Superior de Magistratura Judicial, órgão de disciplina dos juízes, que, na última segunda-feira, deliberou nos seguintes termos: “Arquivar a exposição por versar sobre matéria de índole processual, impugnável por via de recurso, não se vislumbrando, com efeitos, a existência de elementos que indiciem o cometimento de infracções disciplinares pelo magistrado visado”, lê-se no documento.

Em reacção à decisão do Conselho Superior de Magistratura Judicial, os comentadores do programa Noite Informativa, da Stv Notícias, apresentaram posições distintas. Ismael Mussá defendeu que a demora na decisão do CSMJ foi sábia.

“Tem-se defendido, e eu concordo, que a Justiça tem que ser célere, mas, neste caso, acho que o Conselho Superior de Magistratura Judicial fez bem em reagir agora, porque, na altura em que as sessões estavam a decorrer, poderia haver mais confusão. Essa demora ajudou a que os ânimos voltassem a estar amainados e acreditamos que isso contribuirá para que, até finais de Agosto, período previsto para a leitura da sentença, tenhamos condições de ter um desfecho do processo num ambiente calmo”, defendeu.

Ismael Nhacúcue foi mais cáustico ao defender a demissão da actual direcção da OAM. “As palavras do bastonário naquela conferência de imprensa foram bastante pesadas. Para quem ouviu a conferência de imprensa ficou com a impressão de que Efigénio Baptista é o mais leviano dos juízes do mundo. A ser verdade que a OAM não apresentou provas concretas das suas acusações, acho que o bastonário e o seu elenco não têm condições de continuar.”

Já Américo Ubisse é mais ponderado e advoga que esse tipo de exercício é necessário, para o processo de democratização das instituições, pois “se nós vedarmos que isto aconteça, não será salutar, porque vamos construir uma sociedade só de consensos e não deve ser assim. O que a OAM fez faz sentido, se não, não teríamos como saber se houve ou não atropelos”, terminou.

O “O País” contactou a OAM que garantiu que irá reagir no momento oportuno.

Lembre-se que as crispações no julgamento levaram à expulsão definitiva dos advogados Salvador Nkamate e Jaime Sunda.

Hoje, Dia Internacional do Enfermeiro, o Presidente da República destacou o papel desta classe de profissionais da saúde na luta contra o novo Coronavírus e para que a situação sanitária em Moçambique não atingisse magnitudes insustentáveis.

Numa mensagem publicada hoje, Filipe Nyusi refere que o enfermeiro “é um recurso inestimável no sector da Saúde, pelo seu papel conciliador, pois é ele que supervisiona e coordena todo o tratamento do doente, em todas as especialidades de saúde”.

No contexto da emergência sanitária que Moçambique atravessa, provocada pela COVID-19, “tivemos, no enfermeiro, um verdadeiro herói, que, mesmo com toda a pressão, soube entregar-se de corpo e alma para que a situação em Moçambique não atingisse magnitudes insustentáveis”, refere o Chefe de Estado.

Nyusi termina a mensagem reconhecendo a “coragem, entrega, tenacidade e, sobretudo, o amor à profissão do nosso enfermeiro, mesmo no meio de muitos desafios”.

O prognóstico do Instituto Nacional de Meteorologia ( INAM), para esta quarta-feira, aponta para  ocorrência de tempo fresco. A cidade Tete poderá registar a temperatura mais elevada de hoje, de  33 graus.

Assim, as cidades de Maputo, Xai-xai, Inhambane e Vilankulo poderão registar máximas de 29, 29, 30 e 28 graus Celsius, e mínimas de 16,16,18 e 16, respectivamente.

Para as cidades da zona centro do país, Beira,Chimoio, Tete e Quelimane, a previsão é de máximas a atingirem 28, 26,33 e 29 e mínimas de 19,15,20 e 21 graus, respectivamente.

Já para a cidades na região nortenha de Moçambique, prevêem-se máximas de  28,30 e 26  e mínimas de 17,20 e 10 graus Celsius, respectivamente.

O Tribunal Judicial da Cidade de Nampula iniciou o julgamento de um funcionário do Município de Nampula que, em Abril do ano passado, atropelou mortalmente um adolescente e não prestou socorro à vítima.

Lopes da Silva perdeu o filho mais velho em Abril do ano passado, vítima de um acidente de viação. O veículo envolvido no sinistro é um camião de recolha de resíduos sólidos do Conselho Municipal da Cidade de Nampula, cujo motorista não terá prestado socorro ao sinistrado, nem a edilidade se aproximou à família do finado, o que causou choque e indignação.

“Espero que a justiça realmente seja feita. Para mim, já é uma esperança que renasce em mim, que a justiça seja feita, porque do Município [de Nampula] não senti nenhum conforto, o que senti foi um abandono, um desprezo e arrogância até do próprio motorista”, disse Lopes da Silva, pai de Agnaldo José António Lopes da Silva, adolescente de 13 anos de idade que perdeu a vida no dia 20 de Abril de 2021, quando a motorizada em que seguida, que era conduzida pelo primo de 16 anos, se envolveu num acidente de viação com o camião do Município de Nampula.

Fátima Julieta Lopes da Silva, irmã do malogrado, revela tédio por não contar mais com o seu filho mais velho, que era um companheiro de todos os momentos. “Uma foto só serve para eu me lembrar dele, saber que ele existe, existiu aqui, que já esteve ao meu lado, mas é muito difícil.”

E o Tribunal Judicial da Cidade de Nampula iniciou, esta quarta-feira, o julgamento deste caso, tendo como réu o motorista envolvido no acidente e o adolescente que conduzia a motorizada na qual seguia o filho do senhor Lopes que está na qualidade de declarante.

“Demonstrando que o arguido Amade Tauacal conduzia em excesso de velocidade uma vez que não conseguiu imobilizar a sua viatura no espaço à sua frente,m de modo a evitar o sinistro, até porque a morte da vítima foi breve e, mesmo com a omissão de socorro da vítima, a morte teria ocorrido imediatamente”, disse, na leitura da acusação, o Valdemiro Macucule, magistrado do Ministério Público.

Dentre os crimes da acusação consta o de acidente de viação que resultou em morte, assim como as contravenções ao Código da Estrada, como o excesso de velocidade, não apresentação do seguro contra terceiros, entre outras.

 

O Conselho Nacional de Defesa e Segurança (CNDS) anunciou, hoje, que cessaram, definitivamente, as hostilidades militares na região centro do país.

“Sobre o Teatro Operacional Centro, o órgão notou com satisfação a cessação definitiva das hostilidades e a consolidação da paz, fruto da desarticulação da auto-proclamada Junta Militar da Renamo”, aponta uma nota da Presidência da República.

Sendo assim, o órgão apelou às populações para intensificarem a vigilância nas suas comunidades, com vista a evitarem situações que possam pôr em causa a segurança e a ordem públicas naquela região que foi, durante anos, afectada por ataques militares.

“O órgão apelou ao Governo para continuar o acarinhamento do processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração dos desmobilizados da auto-proclamada Junta Militar da Renamo”, indica o comunicado de imprensa.

Estas informações saíram da IX Reunião Ordinária do CNDS, evento dirigido pelo Presidente da República e Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança, Filipe Nyusi, em Maputo, que analisou a situação da ordem e segurança públicas.

“O órgão saudou os esforços das Forças de Defesa e Segurança e de seus parceiros internacionais pela consolidação da segurança nos distritos afectados pelas acções terroristas na província de Cabo Delgado, facto que tem contribuído para o retorno progressivo das populações às zonas de origem”, refere o documento.

Por outro lado, o órgão instou as autoridades político-administrativas a acelerarem as acções conducentes à integração condigna das populações regressada, com destaque para a reposição dos serviços públicos e a prestação de assistência humanitária.

Pouco mais de 12 mil pessoas foram afectadas pela chuva, em consequência da inundação de duas mil e quatrocentas casas, na Cidade de Maputo, na passada época chuvosa (2021-2022), que este ano se prolongou até ao mês de Abril.

Os dados apresentados, esta quarta-feira, pela vereadora de Saúde e Acção Social do Município de Maputo, Alice de Abreu, retratam um problema recorrente, em todas as épocas chuvosas, em vários bairros da capital do país, onde sempre que chove estradas, casas e machambas ficam inundadas e famílias desalojadas.

Conforme explicou, por conta da situação, foi elaborado um plano de contingência para assistir às vítimas desses eventos climáticos extremos.

“Dentro deste plano, o Conselho Municipal de Maputo garantiu assistência a famílias, através de um apoio alimentar a um total de 1187 famílias, apoio em 66 kits de material de construção e 357 kits de protecção”, mencionou.

A vereadora avançou ainda que, durante a época chuvosa, foram distribuídas um total de 27 mil máscaras para a prevenção da COVID-19 e foram realizadas actividades, como palestras para a prevenção e mitigação de eventos extremos em 38 bairros, tendo abrangido 2283 munícipes.

Uma vez que o Município de Maputo conhece e “bem” o problema que advém sempre que chove, decidiu, esta quarta-feira, realizar o primeiro seminário municipal de desenvolvimento de acções para redução de riscos e desastres.

Dos debates, várias soluções foram apresentadas, e o edil de Maputo, Eneas Comiche, destacou algumas.

“Já há muito tempo, devíamos ter investigado os materiais de construção mais adequados para as nossas condições climáticas e que existam no nosso país, que eu saiba até agora não conseguimos efectivar isso, continuamos a usar materiais importados”, apontou, exemplificando que, nalgumas províncias afectadas pele ciclone Gombe, algumas infra-estruturas “precárias” resistiram por conta do material usado, em detrimento das infra-estruturas “de grande imponência” derrubadas pelo ciclone.

Outra solução apontada por Comiche foi a necessidade de o Município de Maputo trabalhar em coordenação com os chefes de quarteirão, secretários de bairro e chefes de 10 casas para proibirem a construção em locais não autorizados.

No seminário, estiveram presentes, para além de quadros do Município de Maputo, organizações não-governamentais que actuam na área do ambiente e o Instituto Nacional de Gestão de Riscos de Desastres.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê temperatura fresca, céu nublado, ocorrência de chuvas fracas e vento em algumas capitais provinciais.

Na região centro, as urbes da Beira, Chimoio, Tete e Quelimane poderão registar temperaturas máximas de 28, 26, 34 e 30 e mínimas e 20, 16, 19 e  20  graus Celsius, respectivamente.

As cidades de Nampula, Pemba e Lichinga, no norte do país, poderão atingir temperaturas máximas de 28, 30 e  25 e  mínimas de 18, 20 e 12 graus, respectivamente.

Para as cidades de Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilankulo, no sul do país, prevêem-se máximas de 30,28,29 e 29 e mínimas de 16, 15, 20 e 19 graus Celsius, respectivamente.

O INGD diz que já não existem moçambicanos nos centros de acomodação no Malawi e que os mais de 2000 mil deslocados já retomaram a sua vida normal. Entretanto, a informação não bate com a que é avançada pelo Cônsul-Geral de Blantyre, André Matusse, que garante que os deslocados continuam nos centros e vivem um verdadeiro drama humanitário.

Um mesmo Estado, duas versões sobre o mesmo assunto. Em causa, está a situação dos deslocados moçambicanos que foram vítimas da depressão tropical Ana. Segundo o porta-voz do INGD, a situação voltou à normalidade, pois os centros já foram encerrados.

“Há três semanas, tivemos a visita da nossa contraparte do Malawi que vinha oferecer ao país 30 toneladas de feijão manteiga aos deslocados do terrorismo em Cabo Delgado. Nessa ocasião, tivemos o ponto de situação dos nossos concidadãos que foram afectados pela depressão tropical Ana, que estiveram em Nsanje. A informação que temos é que quase todos os centros de acomodação já foram desactivados e as populações tendem a voltar à sua vida normal”, disse Paulo Tomás, porta-voz do INGD.

CÔNSUL DE BLANTYRE DIZ QUE CENTROS ESTÃO ABERTOS

Entretanto, essa versão não bate com a que é avançada pelo Cônsul-Geral de Moçambique em Blantyre, no Malawi, que recentemente participou no Conselho Coordenador do Ministério dos Negócios Estrangeiros. André Matusse garante que os moçambicanos continuam nos centros.

“O certo é que continuam lá [nos centros] e alguns já tiveram a possibilidade de regressar às suas zonas de origem, mas constataram e, segundo contam, ainda há níveis elevados de água. O que posso garantir é que, até o dia 1 de Maio, as pessoas continuavam nos campos”, contrariou o cônsul que vive naquele país.

Diferentemente do que vinha sendo noticiado, o INGD diz não ser verdade que os deslocados moçambicanos fugiram de Morrumbala e Mutarara devido à depressão tropical Ana. Paulo Tomás reconhece que as populações foram, sim, afectadas pelo fenómeno, mas já viviam do lado malawiano há bastante tempo.

“Há uma equipa que se deslocou ao Malawi na zona fronteiriça entre o Chire e Nsanje. Esta missão foi liderada pela presidente do INGD, que se fez acompanhar pelos delegados provinciais do INGD de Tete e da Zambézia. Também estiveram os chefes da localidade e as lideranças tradicionais para que pudessem fazer o reconhecimento das populações e constatou-se que não eram pessoas que se haviam deslocado naquele momento, devido à depressão Ana, mas já estão do outro lado (Malawi) há bastante tempo”, disse Tomás, uma versão que não é confirmada pelo cônsul que garante que “maior parte deles são de Mutarara, posto administrativo de Chire.

“Pensamos que terá havido dois ou três casos de deslocados provenientes de Mutarara. Há muitos que são naturais de Mutarara, mas são residentes em Morumbala.”

Para justificar que a situação dos deslocados é prevalecente, o cônsul diz que os apoios continuam a ser mobilizados. “Todas as entidades que intervêm no apoio entregam ao Departamento de Gestão de Desastres do Malawi. Como consulado, nós temos vindo a solicitar apoio de organizações locais e, tudo o que conseguimos, encaminhamos às autoridades malawianas que são responsáveis por garantir a entrega desses apoios.”

INGD NÃO CONFIRMA DOENÇAS NOS LOCAIS

Daquele país vizinho, vêm relatos de casos de desnutrição crónica em crianças, cólera e sarampo nos centros. O INGD não confirma, mas o cônsul diz ser provável que existam casos.

“Na altura, quando falei com o administrador de Nsanje, que por sinal é médico, procurei saber somente da situação da cólera, não posso dar detalhes sobre o sarampo e a desnutrição. Provavelmente possa haver situações de cólera, uma vez que houve a eclosão desta doença naquele distrito, e as condições de alimentação naqueles locais não são das melhores”, terminou Matusse.

Apesar de as populações estarem a viver há bastante tempo do lado malawiano, Paulo Tomás diz que a Organização Internacional das Migrações, no Malawi, já se prontificou a dar kits para que os concidadãos possam viver do lado moçambicano.

“Estamos a fazer a sensibilização desses nossos concidadãos para que passem para o lado moçambicano. Há um trabalho de levantamento que está a ser feito para termos o número de moçambicanos que queiram regressar a Moçambique. Há um kit previsto que a Organização Internacional das Migrações está predisposta a alocar. Já nos distritos, há um plano de recepção, que envolve kits de abrigos para que possam reiniciar as suas vidas”, disse.  

Vinte e oito de Julho de 2022 é a data para leitura da sentença do julgamento do caso de desvio de fundos da Direcção de Trabalho Migratório (DTM), que envolve a antiga ministra do Trabalho, Helena Taipo, e outros 10 arguidos. A data foi anunciada esta terça-feira, depois da sessão reservada às alegações finais, na qual os advogados de defesa acusaram o Ministério Público (MP) de estar a violar a lei, por ignorar algumas provas apresentadas pela defesa.

Será o culminar de um processo de produção de provas, que durou cerca de dois meses, durante os quais os intervenientes processuais tiveram a oportunidade de reunir e apresentar todo o tipo de informação que pudesse provar a culpa (MP) ou a inocência (defesa) dos implicados no desvio do dinheiro dos mineiros, alegadamente para o pagamento de festas, cabazes e compra de motorizadas.

A sessão desta terça-feira foi reservada às alegações finais. Concedida a palavra, o Ministério Público, depois de recordar os crimes dos quais os réus são acusados, alegou ter ficado claro, durante as audições, a culpa de cada arguido e pediu condenação máxima dos implicados.

“São bastantes os factos: incumprimento de procedimentos, emissão fraudulenta de facturas e recibos, transferência de valores para contas pessoais, tudo para defraudar o Estado. É preciso que a justiça seja feita, por isso o Ministério Público pede pela prisão efectiva na sua máxima pena e que os réus paguem multas correspondentes ao prejuízo”, declarou o Ministério Público.

Este facto foi imediatamente rebatido pelos advogados de defesa que, em diversos momentos, acusaram o Ministério Público de violar a lei, por não considerar as provas que foram com os processos em defesa dos seus constituintes.

O defensor de Hermenegildo Nhantave disse que o MP sequer conseguiu provar que o seu constituinte recebeu algum valor, fruto do desvio, o que, aliado ao facto de ele não ser funcionário público, deita por terra a acusação do crime de peculato.

O mesmo posicionamento é defendido pelos advogados de Sheng, Dalila e Issufo, implicados na  construção de um centro de formação profissional em Malema.

“O senhor Sheng não pode ser acusado de peculato, pois não é funcionário público. Por ter recebido valores na sua conta pessoal, cinco milhões, podia até ser acusado de enriquecimento ilícito, porém tal igualmente não se aplica. Será que o Ministério Público não sabe disso?”, questionou.

Foram vários os questionamentos aos pronunciamentos do MP, tal como o advogado da arguida Maria Helena Taipo.

“Na acusação, o MP disse que, na DTM, houve desvio de 113 milhões de Meticais. Assim sendo, qual é a distribuição do recebimento do valor, para que se determine a pena de cada um? E sobre a dependência de quem pede apreensão, identifique-nos o local, o contrato, o titular do espaço, o projecto e licença, para que tudo fique claro. Se existe essa informação, por quê se esconde?

Com estes questionamentos, a defesa disse que há muitas lacunas na acusação, para o crime de peculato, por não indicar o valor encaixado para preencher o crime, muito menos para a participação económica em negócios, uma vez que não se apresentou nenhum negócio específico, por isso pediu absolvição.

Sidónio Manuel, indiciado de ter recebido 200 mil Meticais da DTM, de forma fraudulenta, teve a sua defesa também a desmerecer as alegações do MP.

“O Ministério Público usou como prova uma cópia de guia de entrega, com uma assinatura falsificada do réu Sidónio, mesmo depois de este ter solicitado que se trouxesse a original e sabendo que, por lei, não se podem usar cópias como prova.”

Na sua vez, a defesa da então directora nacional do Trabalho Migratório, Anastácia Zita, foi perentória em afirmar que a sua constituinte não tem nada a ver com o desvio de dinheiro da DTM e que ficou claro em cada audição aos 10 arguidos no processo.

“O digno Magistrado não conseguiu explicar sobre o destino do valor supostamente desviado. Mas, se tivesse havido desvio, teria havido muito barulho dos mineiros por falta de pagamentos, mas não foi, tanto que a própria TEBA esteve aqui e enalteceu o trabalho desta equipa.”

E disse mais: “Não ouvimos, aqui, o MP, nas suas alegações, a referir-se ao desvio dos 113 milhões, da compra das 50 motorizadas, bicicletas, cabazes, nem do 202 milhões que foram reembolsados pela TEBA, apenas se refere a um milhão de Meticais.”

Apelava-se, desta forma, para a reposição da justiça aos 11 arguidos do caso DTM, tendo a Juíza marcado para 28 de Julho do ano em curso a leitura da sentença.

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