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O País – A verdade como notícia

Persistem as manifestações causadas por supostos espíritos nos alunos da Escola Secundária Franciscana em Marracuene. Entretanto, os especialistas dizem tratar-se de histeria colectiva e as alunas não padecem de nenhuma doença.

As alunas continuam a ter manifestações no recinto da Escola Secundária Franciscana. As autoridades a nível do distrito de Marracuene já tomaram conhecimento do caso e levaram os alunos para uma unidade sanitária para exames médicos e já há resultados preliminares das investigações em curso. Uma das constatações é que há histeria colectiva, como avança o médico e a psicóloga clínica que estão à frente do caso.

“A medicina pode explicar aquele tipo de fenómeno, mas o que pudemos constatar ontem parecia ser mais um quadro de histeria colectiva”, explicou o médico Ryyan Bhikaque.

Por seu turno, Ester Bispo, psicóloga clínica, avança que é preciso identificar a causa da histeria colectiva. “Bom, primeiro, temos que encontrar as causas desse comportamento.”

Élio Mudendere, psicólogo, diz que, depois de se constatar que é histeria colectiva, é preciso encontrar solução “através de actuação espiritual como a reza, mas também através da actuação psicológica ou mesmo através da intervenção da medicina tradicional em alguns casos, é possível controlar, porque essas alterações são periódicas, não levam muito tempo e sempre passam”.

Entretanto, o sector da Educação em Marracuene diz que as alunas entram em crises emocionais, porque não querem fazer provas e exames referentes ao fim do primeiro trimestre. Justino Cuna, director do Serviço Distrital de Educação Juventude e Tecnologia, diz que há casos de alunas que se manifestam e, quando são presentes ao médico, recuperam-se voluntariamente antes de manter contacto com o clínico.

“Como sector de Educação, temos consciência de que aquelas alunas nunca perderam avaliações, portanto há manifestações, mas no mesmo dia elas mesmas já estão a requerer para realizar a prova, quando estão recompostas, voltam a fazer a avaliação”, referiu.

Histeria colectiva, também conhecida por histeria em massa, é o fenómeno sociopsicológico definido pela manifestação dos mesmos sintomas por mais de uma pessoa.

A previsão do estado do tempo para esta quinta-feira indica que se poderá  registar queda de precipitação, temperatura fria a fresca, céu nublado, ventos  e trovoadas em algumas capitais provinciais.

Hoje, as temperaturas máximas poderão variar de 21 a 31 graus Celsius.

As cidades de Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilanculo, na zona sul do país, poderão registar temperaturas máximas de 28, 26,27 e 29 e mínimas de 16, 18, 20 e 18 graus, respectivamente.

Para as cidades da Beira, Chimoio, Tete e Quelimane prevêem-se máximas de 27,22, 31 e 27 e mínimas de 22, 14, 23 e 23 graus Celsius, respectivamente.

As cidades da Nampula, Pemba  e Lichinga poderão registar máximas de 28, 29 e 21 e mínimas de 21, 23 e 14  graus, respectivamente.

O ranking da corrupção é liderado pela Polícia da República de Moçambique (PRM), segue-se o sector da Justiça e, em seguida, o da Educação. Não obstante as perdas, o Estado moçambicano recuperou, no ano passado, cerca de 734.5 milhões de Meticais resultantes do crime. O montante é referente a bens como viaturas, imóveis e de dinheiro.

A corrupção continua uma pedra no sapato das autoridades judiciárias, porque os funcionários e agentes do Estado continuam a beneficiar-se de facilidades para dilapidar o erário público em prejuízo do país. Em resultado disso, ano passado, houve aumento de casos de corrupção, o que lesou o Estado em mais de 300 milhões de Meticais.

“Continuamos a registar um número significativo de processos envolvendo servidores públicos, que, valendo-se das suas funções, obtêm benefícios indevidos ou apropriam-se de recursos materiais e financeiros colocados sob a sua administração, em prejuízo do interesse público. Analisados os processos tramitados, constatamos que, no ano de 2021, o sector da Polícia da República de Moçambique foi o que registou maior número de processos, com 73, seguido do sector da Justiça, com 42; da Educação, com 39; da Saúde, com 24; do Serviço Nacional de Migração (SENAMI), com 17; e da Autoridade Tributária de Moçambique (AT), com 14. Em resultado de actos de corrupção, além de prejuízos para a imagem e credibilidade, no período em análise, o Estado foi lesado em cerca de 303. 445.601, 7 MT (Trezentos e três milhões, quatrocentos e quarenta e cinco mil, seiscentos e um meticais e sete centavos), contra 556. 293.879, 01 (quinhentos e cinquenta e seis milhões, duzentos e noventa e três mil, oitocentos e setenta e nove meticais e um centavo)”, referiu.

RECUPERADOS MAIS DE 700 MILHÕES DE METICAIS DAS MÃOS DE CRIMINOSOS 

Não obstante o rombo sofrido, o Estado conseguiu recuperar activos resultantes do crime. São eles bens imóveis, viaturas e valores monetários. “No ano 2021, o Gabinete Central de Recuperação de Activos (GCRA) recebeu 10 pedidos de intervenção, que deram lugar a igual número de processos de investigação patrimonial e financeira. Somados aos cinco processos transitados do período anterior, totalizaram 15, tendo sido concluídos quatro, e 11 continuam em investigação”, disse a procuradora para, em seguida, detalhar que “no âmbito dos processos-crime tramitados, a nível nacional, apreendemos 104 viaturas, 44 imóveis, valor monetário de 205.842.003,22 Meticais e outros bens. Do total dos bens apreendidos, foram avaliadas 18 viaturas, em 10.035.925,00 Meticais, 17 imóveis, em 481.712.900,00 Meticais e outros bens em 36.980.480,00 Meticais. Prossegue o processo de avaliação das restantes 86 viaturas e 27 imóveis”, detalhou.

Beatriz Buchili referiu que, em resultado do funcionamento do Gabinete Central de Recuperação de Activos, houve aumento de bens apreendidos, sendo que “em 2021, o valor total dos bens apreendidos foi de 734.571.308,22 Meticais contra os 614.932.008,85 Meticais, do ano 2020, representando um aumento em 19 por cento”.

ADVOGADOS E MAGISTRADOS ENVOLVIDOS NOS RAPTOS DO PAÍS, DIZ PGR

Sobre os raptos, a Procuradora-Geral mostrou preocupação com o aumento de casos, o que coloca em causa a imagem do país e retrai o investimento estrangeiro.

“Essa situação tem criado um sentimento de insegurança para os cidadãos, em especial as vítimas que continuam reféns, mesmo após a sua libertação física, sendo constantemente chantageadas para pagamento de valores como de uma dívida se tratasse, especialmente nos casos em que não tenham pago na totalidade o valor de resgate. Durante o ano passado, registamos 14 processos contra 18 do igual período do ano anterior, verificando-se uma redução de quatro processos.”

Sem apresentar números, Buchili trouxe a novidade da participação de advogados e outros actores do judiciário neste tipo de crime, o que torna a investigação mais difícil e complexa. “O envolvimento de alguns membros da corporação, ou sectores ligados ao tratamento desta matéria, tais como o SERNIC, PRM, advogados e até magistrados, bem como de outros actores do judiciário, cria fragilidades na investigação e instrução dos respectivos processos, além de perigar a segurança daqueles servidores públicos que estão comprometidos com o combate ao crime. Nos estabelecimentos penitenciários, registam-se situações de funcionários que facilitam a introdução e uso de telemóveis ou outros aparelhos electrónicos pelos reclusos, alguns dos quais envolvidos em raptos”.

AGENTES DO SENAMI AJUDAM ENTRADA DE CRIMINOSOS, DIZ BUCHILI

Beatriz Buchili apontou, ainda, a corrupção de agentes e as fragilidades das fronteiras como causas do recrudescimento da criminalidade no território nacional.

“A violação das nossas fronteiras, por cidadãos estrangeiros, alguns dos quais munidos de passaportes e até de Bilhetes de Identidade, emitidos pelos serviços de migração e de identificação civil, com recurso a esquemas de corrupção, concorre para o aumento do crime organizado, colocando em causa a soberania do nosso Estado. Esse crime vem ganhando expressão no nosso país, tendo como principais portas de entrada as províncias de Tete e Cabo Delgado, recorrendo, normalmente, às vias terrestres e marítimas, respectivamente. Mais grave ainda é o envolvimento de funcionários públicos e uso de viaturas do Estado para o transporte ilegal de imigrantes na tentativa de escaparem do controlo as autoridades. Estas condutas podem contribuir, sobremaneira, para a entrada de indivíduos ligados à criminalidade violenta e organizada, como o tráfico de armas, de droga, imigração ilegal e drogas, imigração ilegal e terrorismo, comprometendo a paz, a soberania nacional e o desenvolvimento socioeconómico.”

Quanto ao terrorismo no país, disse que, no ano passado, foram registados 354 processos-crime, sendo 23 com 57 arguidos em prisão preventiva e quatro, com igual número de arguidos, em liberdade. Os restantes 327 processos correm contra desconhecidos.

 “Em conexão com as acções terroristas, foram detidos 57 indivíduos, dos quais 46 homens e 11 mulheres, cuja faixa etária varia dos 19 a 65 anos de idade, sendo 54 moçambicanos, um burundês, um etíope e um tanzaniano. Foram julgados e condenados 48 arguidos, em quatro processos, sendo 12 de nacionalidade iraniana e 36 moçambicanos, tendo sido aplicadas penas que variam de 10 a 24 anos de prisão. O combate ao terrorismo pressupõe a prevalência de medidas preventivas sobre as reactivas, envolvendo diversos segmentos da sociedade, como instituições financeiras e entidades não financeiras, confissões religiosas, estruturas comunitárias e organizações da sociedade civil.”

Beatriz Buchili anunciou que há novos arguidos num outro processo autónomo sobre as “dívidas ocultas” e reiterou que a Procuradoria-Geral da República continuará a lutar para extraditar Manuel Chang para Moçambique.

“No que se refere ao outro processo autónomo, registado sob o n.º 372/11/P/2020, contra outros agentes suspeitos de se terem beneficiado de dinheiro ou bens relacionados com as dívidas em causa, prossegue a instrução preparatória, na Procuradoria-Geral da República – Cidade de Maputo, com sete arguidos já constituídos, os quais se encontram em liberdade, sendo que quatro, em parte incerta. Reiteramos o nosso posicionamento inicial de que Moçambique é o único país com jurisdição para exercer acção penal sobre o caso em apreço e que, consequentemente, todos os envolvidos devem responder perante as autoridades moçambicanas. Por isso, tal como acima referido, a extradição de Manuel Chang e de outros arguidos, que temos estado a solicitar, reveste-se de extrema importância, por se tratar de sujeitos processuais fundamentais para o esclarecimento dos factos, dada a sua participação no caso em investigação”, precisou.

Ainda no informe, Beatriz Buchili mostrou preocupação com o aumento de processos contra magistrados, oficiais de Justiça e assistentes de oficiais de Justiça do Ministério Público e dos tribunais.

O ex-administrador financeiro da ANLABA não sabe se Gregório Leão era accionista daquela empresa, pois nunca teve acesso aos títulos das acções e tudo o que fazia na instituição era intermediado pelo réu António Carlos do Rosário. Bilal Sidat nega, ainda, ter participado na venda dos imóveis da ANLABA que o Ministério Público solicita seu arresto.

Era mais uma sessão para discutir o arresto de bens no âmbito das dívidas ocultas e que o Ministério Público pede o seu arresto preventivo.

Na audição desta terça-feira, foi ouvido Bilal Sidat, ex-administrador financeiro da ANLABA Investiments, empresa que, segundo o Ministério Público, foi criada por Gregório Leão para camuflar as riquezas adquiridas através do dinheiro do calote. Mas Sidat desconhece os accionistas daquela entidade.

“O meu vínculo com a ANLABA foi por via de António Carlos do Rosário. Nunca tive contacto com o Dr. Gregório Leão, porque eu recebia instruções escritas ou verbais única e exclusivamente de António Carlos do Rosário”, revelou Bilal Sidat, ex-director financeiro da ANLABA Investments.

Bilal Sidat não só desconhecia os accionistas da ANLABA Investiments, como também nega que a empresa tenha recebido valores provenientes da Privinvest. “A ANLABA não recebeu nenhum fundo, pelo menos na conta bancária da Previnvest. Os valores que a ANLABA recebeu, salvo o erro, tal como a Txopela, foi do tesouro”, afirmou, a duvidar, Bilal Sidat.

A ANLABA Investiments tinha três imóveis que foram vendidos a terceiros e que o Ministério Público solicita o seu arresto. Segundo consta dos autos, Bilal Sidat fez parte daqueles que assinaram acta da venda das casas, mas ele negou tudo.

“Nunca estive envolvido na venda do imóvel, por isso não tenho informações sobre como é que se processou a sua venda e como é que foram feitos os respectivos pagamentos”, desmentiu o ex-administrador financeiro da ANLABA Investments.

Alinhou-se à negação de ter participado da venda dos imóveis da ANLABA Taiob Cadangue, também ex-administrador da empresa, apesar de ter assinado muitos documentos.

“Apesar de muitas vezes o senhor António Carlos do Rosário ter ligado para mim a informar que estava a mandar um documento, eu só assinava, mas a assinatura nesta acta não é minha”, declinou Taiob Cadangue, ex-administrador da ANLABA Investments.

Entretanto, Abdul Carino, comprador de um dos imóveis da ANLABA, confirma a compra da casa no valor de pouco mais de 10 milhões de Meticais em Maio de 2019 e diz que verificou a autenticidade da acta da qual consta os nomes de Bilal Sidat e Taiob Cadangue no cartório.

“Eu fui fazer a verificação da acta no cartório. Depois de reconhecer a assinatura de Bilar, não falei com mais ninguém da empresa. Deixei assim”, disse Abdul Carino, comprador de um dos imóveis da ANLABA.

Abdul Carino não buscou detalhes sobre a compra da casa número 602, registada em nome da sua esposa, Fátima Bibi Abdul, e que está a ser arrendada a 100 mil Meticais.

“Não sei quem foi descontar os cheques e são do meu sogro. Não me lembro muito bem; o senhor Adiel foi uma das pessoas que me ligou e foi uma das que foi levantar o cheque, que eu me lembre”, avançou Abdul Carino.

Ainda para esta terça-feira, estava previsto que fosse ouvido o advogado  Imran Issa, mas foi impossível sob pretexto de sigilo profissional, embora o juiz Efigénio Baptista tenha esclarecido que não é bem assim.

“As decisões no processo, quem toma é o juiz. Se formos por esse entendimento de que a Ordem dos Advogados é que autoriza o advogado a vir ou não prestar depoimentos no tribunal, significa que quem está a tomar decisões no processo é Ordem e não o Tribunal”, observou o Efigénio Baptista, acrescentando que, se o juiz entender que é de todo o interesse ouvir o advogado, “levanta um incidente, manda para o Tribunal Superior do Recurso, pode ouvir a Ordem e pronuncia-se sobre o pedido, depois toma ou não a decisão de levantar o sigilo”.

A audição sobre o arresto de bens retoma na próxima terça-feira, dia 03 de Maio, e serão ouvidas outras testemunhas do processo de venda de imóveis da empresa ANLABA.

 

EFIGÉNIO BAPTISTA ESTRANHA DESAPARECIMENTO DE DOCUMENTOS

A ideia da sessão de hoje era produzir a prova sobre se Gregório Leão era accionista da ANLABA Investiments e, no meio disso, o juiz das “dívidas ocultas” constatou um fenómeno que considerou preocupante – o desaparecimento de alguns documentos.

“Por ser uma sociedade anónima, não vêm escritos os nomes dos accionistas, mas foram colocados na certidão integral os nomes de três membros do conselho fiscal, que são Gregório Leão, António Carlos do Rosário e Imran. Mais tarde, quando era para publicar no Boletim da República, retiraram os nomes. Foi publicado sem os nomes e, porque foi registado no Balcão de Atendimento Único, tinha que haver BI dessas pessoas que foram lá constituir a empresa, mas os documentos desapareceram”, afirmou Efigénio Baptista, num tom de espanto.

E disse mais: “Um acto curioso é que pedimos à Imprensa Nacional para dar-nos BR, a instituição deu uma certidão integral que não tinha os nomes do Conselho Fiscal nem tinha o nome do requerente. Não sei por que a Imprensa pratica esse tipo de acto. É vergonhoso”, lamentou Efigénio Baptista.

Na audição de hoje, Alexandrina Macuacua, então chefe dos Recursos Humanos, no Instituto Nacional de Hidrografia e Navegação, negou ter tido qualquer tipo de contacto com os quatro funcionários “fantasmas”, remetendo a culpa a Lurdes Manhiça, na altura dos factos, chefe da gestão do pessoal nos Recursos Humanos.

O segundo dia das audições aos arguidos do caso de pagamento ilícito de salários a quatro funcionários “fantasmas”, no Instituto Nacional de Hidrografia e Navegação, serviu para a confirmação das acusações feitas pela ré Rosa Marcos às suas colegas Lurdes Manhiça e Alexandrina Macuácua.

A audição do primeiro arguido do caso INAHINA começou com factos adiantados, ou seja, de 2014, quando a ré Rosa Marcos cedeu contas bancárias dos seus familiares para passar a receber salários, porém, segundo os registos, o caso começou em 2012, aquando da abertura de um concurso público para contratação de pessoal, processo gerido pela arguida Alexandrina Macuácua, então chefe dos Recursos Humanos.

Consta dos autos que foram avaliados quatro candidatos a oficiais de navegação, tendo dois sido aprovados e os restantes reprovados. Mas, tempos depois, apareceram os quatro funcionários com contratos assinados.

“O expediente foi tramitado pelo sector de repartição da gestão do pessoal, mas em nenhum momento eu vi esses documentos. Foi tudo feito pelos meus colegas. Eu não conheço esses funcionários”, respondeu Alexandrina Macuacua.

Ora, como responsável pelo sector, cabia a si o controlo da efectividade do pessoal, incluindo dos quatro funcionários em causa.

“Já não me lembro da informação que terei enviado ao sector das finanças sobre eles. Nem sempre mandávamos a efectividade do pessoal e, quando era assim, assumia-se que estava tudo bem e a contabilidade procedia ao pagamento dos salários”, referiu.

Apesar de não conhecer todo o processo da fraudulenta contratação, Alexandrina recebia, constantemente, valores monetários de Rosa Marcos, para entregá-los à senhora Lurdes Manhiça, por esta não poder receber directamente devido aos descontos bancários e tantas outras contas até 2018.

Lurdes Manhiça era, na altura dos factos, assistente do gabinete, portanto subordinada da arguida Alexandrina. A ré é apontada como responsável pela elaboração dos contratos e recolha das assinaturas, mas nega a responsabilidade.

“Eu fazia o que a minha chefe mandava. Eu não conheço as pessoas, mas recebi um protocolo para preencher os contratos e fi-lo. Eu não achei estranho este processo, pois era normal no INAHINA contratar funcionários e só mais tarde regularizar a situação. Eu só recebia ordens, pois era uma simples auxiliar”, defendeu-se Lurdes Manhiça.

E sobre as contas que Rosa Marcos diz ter solicitado, para ajudar dois colegas, a ré Lurdes respondeu nos seguintes termos: “É mentira. Eu nunca pedi nenhuma conta e isso só podia acontecer na contabilidade a que Rosa estava afecta e não nos Recursos Humanos. As transacções monetárias nas contas de Laura, Rosa e Joaquim eram fruto de negócios, pagamento de dívidas e xitique.”

Ainda na sessão desta quarta-feira, o juiz do caso INAHINA, Fernando Macamo, ouviu os arguidos Nádia Guamba, que na altura estava afecta ao sector de contabilidade, que declarou ter cumprido o seu trabalho no processamento de salários, por não ver alguma irregularidade.

“Era parte do meu trabalho processar os salários de todos os funcionários. Como muitos, não os conhecia pessoalmente”, explicou.

Questionada sobre a proveniência dos nomes e números de conta dos falsos funcionários, a arguida disse que a relação dos nomes e números de conta era recebida dos Recursos Humanos e não havia como saber ou atestar se eram falsos ou verdadeiros. A si apenas cabia processar salários.

Júlio Tomás, também ouvido esta quarta-feira, era técnico profissional de Recursos Humanos. Disse não conhecer os quatro contratados, nem de vista, nem pelos nomes e distancia-se do processo.

No entanto, conta que “em Novembro de 2018, a minha então chefe de departamento, Sandra Chaves, solicitou que, de forma discreta, investigasse a existência de funcionários ‘fantasmas’. Eu iniciei com as buscas, porém nada encontrei, tendo informado a minha superior”.

Ela insistiu, dizendo existir e mostrando a necessidade de uma investigação mais exaustiva. E assim o fez. “Depois de um trabalho exaustivo, na capitania do Porto e nos navios de B Bazaruto e tantos outros, descobri a existência de quatro nomes que não eram conhecidos pelos capitães dos navios.”

Sobre os beneficiários dos salários desviados para os funcionários não afectos à instituição, Júlio Tomás diz nunca ter conseguido esta informação.

O director-adjunto da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Martin McLaughlin, e o secretário permanente do Ministério da Saúde, Grilo Lubino, entregaram, hoje, uma unidade de produção de oxigénio fabricada nos  EUA ao Hospital Distrital de Monapo, província de Nampula.

Para além da assistência rápida e contínua e de uma doação de mais de 4,5 milhões de vacinas de dose única da Johnson & Johnson, esta unidade de produção de oxigénio é mais um recurso para o sistema de saúde para ajudar a tratar e prevenir infecções da COVID-19.

“Esta nova unidade de produção de oxigénio é um símbolo físico do que a parceria entre os EUA e Moçambique pode construir em conjunto”, disse McLaughlin durante a cerimónia de entrega.  “Investimos mais de 94 milhões de dólares na assistência da COVID-19 a nível nacional, incluindo em Nampula, para construir capacidade dos trabalhadores de saúde e reforçar o sistema de saúde. Continuaremos a trabalhar em conjunto, porque um Moçambique saudável e resiliente conduz a um mundo saudável e resiliente.”

A unidade de produção de oxigénio PSA no Hospital de Monapo tem capacidade para tratar, em simultâneo, 25 pacientes com COVID-19 graves e até 150 com necessidades de oxigénio ligeiras a moderadas.

Este investimento, que custou um milhão de dólares, incluiu a unidade PSA, os materiais necessários e a sua construção para assegurar que as instalações estivessem prontas para receber a unidade.  A USAID também prestou assistência técnica sobre o funcionamento da instalação.  A unidade de PSA produz oxigénio de qualidade médica a partir do ar atmosférico e pode encher cilindros de oxigénio para serem distribuídos a outras unidades do distrito.

Este aumento no fornecimento de oxigénio permite a Moçambique prestar cuidados que salvam vidas aos pacientes com COVID-19, bem como construir capacidade para outras necessidades médicas como o tratamento de pneumonia infantil, partos seguros, e muito mais.  A inauguração desta unidade foi possível graças a um trabalho colaborativo entre o Ministério da Saúde, USAID e parceiros de implementação como JHPIEGO e Chemonics.

A Agência Metropolitana de Transportes de Maputo criou uma comissão de inquérito para investigar os recorrentes acidentes envolvendo os autocarros de transporte de passageiros. A equipa deverá apresentar as causas dos sinistros e as respectivas soluções.

Não foi uma nem duas vezes em que os autocarros de transporte de passageiros se envolveram em acidentes de viação e/ou pegam fogo. A Agência Metropolitana de Transportes de Maputo está preocupada com os acidentes envolvendo estes autocarros e quer perceber o que está por trás.

“Para apurar as causas deste novo fenómeno e propor as melhores soluções, nos próximos 10 dias, foi constituída uma Comissão de Inquérito, formada por quadros da Direcção Nacional dos Transportes e Segurança do MTC, AMT, Fundo do Desenvolvimento dos Transportes e Comunicações e peritos na área de manutenção”, revelou a Agência Metropolitana de Transportes de Maputo em comunicado de imprensa enviado à nossa Redacção.

Enquanto não se apuram as causas dos acidentes, a Agência Metropolitana diz estar a reforçar medidas de segurança em autocarros que movimentam pessoas no Grande Maputo.

“De imediato, a AMT reforçou a implementação de medidas de segurança dos passageiros que usam este serviço, nomeadamente a fiscalização dos operadores sobre o cumprimento das medidas de segurança operacional, como submeter os autocarros à inspecção periódica obrigatória, habilidade dos condutores (reciclagem) para o exercício da actividade de transporte público de passageiros, disponibilidade de extintores de incêndio a bordo, mecanismos de evacuação dos passageiros, entre outras medidas”, lê-se no documento.

A Agência Metropolitana exorta todos os operadores do serviço de transporte urbano de passageiros a uma observância das medidas de segurança para a proteção dos passageiros e do equipamento alocado para este serviço e avisa que os prevaricadores serão severamente responsabilizados.

Arranca, esta manhã, a segunda ronda da campanha de vacinação contra a poliomielite. Nesta fase, serão abrangidas todas as crianças menores de cinco anos, nas províncias de Manica, Sofala, Tete e Zambézia, Nampula, Cabo Delgado e Niassa.

O processo, que vai durar por quatro dias, de 28 a 1 de Abril, pretende abranger perto de cinco milhões de crianças, o que corresponde ao universo das abrangidas na primeira fase, segundo avançou o director Nacional da Saúde Pública, Quinhas Fernandes.

“De salientar que, na primeira ronda, a meta foi superada e, portanto, o grupo-alvo da segunda fase foi ajustado. Importa também realçar que os resultados da monitoria independente pós-campanha também confirmaram altas coberturas”, disse, na esperança de que, nesta fase, sejam alcançados os mesmos resultados.

Segundo explicou, para esta fase, foram mobilizados cerca de 4,5 milhões de dólares, provenientes dos parceiros de cooperação e a maior parte do Governo e os valores foram alocados ao nível distrital e provincial.

Quinhas Fernandes salientou que pelo menos 41 mil pessoas estarão a trabalhar no processo, entre vacinadores, mobilizadores, registadores, supervisores, digitadores de dados, logísticos, monitores independentes, motoristas e outros profissionais.

“As nossas equipas, desde o primeiro dia, irão passar de casa em casa para fazer a vacinação das crianças. Para além disso, a vacinação também irá ocorrer nos postos fixos em locais de concentração populacional pré-estabelecidos e nas zonas fronteiriças com Malawi e teremos equipas especiais para o contacto e coordenação com aquele país”, mencionou.

Recorde-se que a campanha de vacinação contra a pólio acontece pelo facto de terem sido identificados, no ano passado, dois casos nas províncias de Nampula e Cabo Delgado e um no Malawi a 17 de Fevereiro deste ano.

Para evitar duplicações ou falhas e permitir uma avaliação pós campanha, as crianças que forem vacinadas serão marcadas na unha do dedo mínimo da mão esquerda com tinta indelével, ou no dedo do pé.

Esta segunda ronda de vacinação coincide com a Semana Africana de Vacinação, que, segundo a fonte, tem o objectivo de reforçar o programa de imunização na região africana.

“É uma oportunidade para reforçar a sensibilização sobre os benefícios da vacinação e o engajamento das lideranças locais na promoção da vacinação. Este ano, a Semana Africana de Vacinação celebra-se sob o lema “Uma Vida Longa para Todos”, referiu.

Algumas crianças, maioritariamente do sexo feminino, da Escola Secundária Franciscana, no distrito de Marracuene, Província de Maputo, estão a ser tomadas por supostos espíritos, o que, segundo a direcção da instituição, está a perturbar o decurso normal das aulas.

Não se sabe ao certo de que fenómeno se trata. O facto é que alguns alunos da Escola Secundária Franciscana, localizada no bairro Momemo, em Marracuene, se atiram ao chão, emitem sons e até palavras imperceptíveis.

Dona Argélia é mãe de uma adolescente de 13 anos de idade que estava a ser ajudada  pelos colegas e professoras para se reerguer depois de ela se ter manifestado. “Todos os dias é isso, eu tenho que ser guarda, tenho que vir com ela aqui, porque sempre está a manifestar-se”, lamentou a encarregada de educação, cujas palavras foram confirmadas por uma das professoras que falou em anonimato.

Alison Alicideoa, aluno da 11ª classe, disse que ainda não tinha visto situação igual. “Nunca tinha acontecido isto, mas, agora, está a acontecer com as alunas da oitava que entram de manhã”, referiu.

Na comunidade, a situação está a tornar-se preocupante, visto que acontece desde a semana passada e, até agora, não há solução. Inocência Djedje é uma das moradoras que falou do fenómeno que assola aquele estabelecimento de ensino e pediu a intervenção das autoridades competentes para a solução do caso.

A Direcção da Escola Secundária Franciscana, o Conselho de Escolas e as autoridades locais estiveram reunidos, esta quarta-feira, para encontrar solução dos casos que estão a deixar a comunidade escolar em pânico.

A Direcção Provincial da Educação de Maputo e a da Saúde ainda não foram oficialmente informadas desta situação.

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