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O País – A verdade como notícia

A Ministra da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos assumiu que o sector que dirige é o segundo mais corrupto, concordando, assim, com a procuradora-geral da República. Entretanto, diz que já há processos crimes e disciplinares para impedir que mais casos aconteçam.

No seu informe sobre o estado da justiça e legalidade, na última quarta e quinta-feira, Beatriz Buchile tocou em uma ferida, há muito conhecida, a corrupção. Apontou o sector da justiça, como o segundo mais corrupto. A chefe da pasta da justiça no país ouviu, reconheceu e lamentou.

“É com alguma tristeza por sabermos que o sector da justiça é aquele que deve zelar e garantir que situações dessas não aconteçam”, entretanto, para governante os dados apresentados pela procuradora mostram que já há trabalhos a serem feitos, que culminaram com a identificação dos casos e posterior responsabilização.

Helena Kida frisou que nenhum sector está imune à corrupção, mas que também não há sector que esteja acima da lei, por isso, a intenção, e o que está acontecer é a existência de mecanismos a fazer face a situação e desencorajar mais actos corruptos.

“Já identificamos muitas pessoas envolvidas, há processos disciplinares, há processos crimes já em curso, porque a corrupção é crime, então isso serve como um processo dissuasor para desencorajar os que estão directamente envolvidos no sector da justiça, mas também noutro sectores, como serve igualmente, para punir os infractores”, referiu.

No seu informe, a procuradora-geral da República falou também da superlotação das cadeias, um assunto que há muito deixou de ser novidade. As cadeias nacionais têm capacidade para cerca de oito mil reclusos, mas recebem mais de 21.800 presos.

Por isso, Buchile alertou que esses locais podem servir como um centro de recrutamento de terroristas e falando ao “O País” Kida acrescentou que a superlotação dificulta a gestão dos estabelecimentos prisionais, por conta do rácio agentes penitenciário-recluso, que está muito aquém do desejado, o que dificulta o controlo dos presos, assim, para além de haver possibilidade de juntar-se a grupos terroristas, eles podem “formar-se” na prática de outros tipos de crime.

“Temos o caso de reclusos, que cometeram crimes leves por exemplo que por conta da convivência com os que cometeram crimes graves pode haver uma espécie de “up grade”, por isso estamos sim a busca de soluções para esse problema”, explicou a governante.

Uma das soluções apresentadas por Buchile foi a construção de mais estabelecimentos penitenciários. Para Kida, não vale a pena “aumentar só por aumentar” pois mesmo tendo mais estabelecimentos prisionais o número de presos sempre vai aumentar, por isso, apontou o cumprimento, na íntegra, do código de execução de penas como uma das soluções.

Para Kida a celeridade processual, para além de reduzir o número de reclusos nos centros prisionais, também evitaria que inocentes ficassem detidos e por isso, prometeu mais trabalho nesse sentido.

Ainda assim, concordou com a construção de mais estabelecimentos prisionais nos distritos, no âmbito da campanha um distrito um tribunal condigno, mas clarificou que o trabalho deve ser conjunto e não apenas do ministério de dirige.

O Centro de Saúde da Matola Santos vai reabrir as portas aos pacientes, próxima semana, depois do encerramento forçado pela água da chuva, que inundou pátio. A garantia da reabertura é do director de Saúde na Província de Maputo.

Na última semana era impossível, por terra, aceder ao recinto do Centro de Saúde da Matola Santos devido a água da chuva que tinha inundado todo perímetro da unidade sanitária, incluindo os principais acessos.

Neste momento, há trabalhos em curso envolvendo o Município da Matola, a comunidade local, a estrutura do bairro, assim como da Direcção Provincial de Saúde convista a retirada da água. Os trabalhos incluem jornadas de limpezas.

Daniel Chemane, director Provincial de Saúde, garante que com o ritmo actual do trabalho que está a decorrer tudo indica que para a semana o centro estará disponível para os utentes. “O trabalho que está a ser feito agora é para colocação de inertes que vai igualmente elevar a cota da superfície, o que pode permitir que mesmo em época chuvosa não volte a inundar. E com os trabalhos de limpeza em curso vamos ter acesso e uso da unidade sanitária já na próxima semana”.

Afinal, debaixo desta água que cerca a unidade sanitária da Matola Santos existe um sistema de colecta e  drenagem de águas pluviais, que, segundo as autoridades da província de Maputo, a tubagem foi bloqueada pela população, impossibilitando o escoamento da água da chuva para o mar. “Será necessário a substituição do sistema de drenagem, colocando uma nova tubagem, mas mais do que isso já temos um parceiro que se prontificou em apoiar na reposição desse sistema de colecta e drenagem das águas pluviais.

O Centro de Saúde da Matola Santos está projectado para beneficiar 65 mil utentes.

Diversos bairros dos municípios de Maputo e Matola continuam com as residências cheias de água nos quintais. As ruas também continuam com transitabilidade condicionada. A situação está a preocupar os moradores que receiam pela eclosão de doenças hídricas.

A chuva parou já há uma semana, mas a água não escorre para qualquer lado, nem é absorvida pela terra. Por isso,  Sandra  Coelho, munícipe da Matola, residente no Bairro da Machava 15, diz ser insuportável viver nesta condições. “Nos queremos que a água saia da casa das pessoas, todos os anos vivemos esta situação e não temos nenhuma solução”.

A água da chuva inundou quintais e ruas, daí que circular só é possível colado ao muro de vedação e por cima de pedras.

Penina Manusse tinha horta no quintal e tudo foi alagado. Uma semana passou desde que a última chuva caiu, mas água se mantém e obrigou um inquilino a abandonar a casa. Consequentemente, a proprietária perdeu a sua fonte de sobrevivência.

“Os inquilinos saíram, fiquei só e sem o que fazer, fiquei apenas eu, Penina, nesta casa”.
Estás situações prevalecem em bairros como Liberdade, Machava e Nkobe, no Município da Matola.

O drama repete-se, também, na Cidade de Maputo, onde várias casas em bairros como Hulene, Magoanine, Mapulene e Costa do Sol ainda estão inundadas pela água da chuva. Famílias continuam com dificuldades para se fazerem aos quintais, bem como circular pelas ruas. Grita-se pelo socorro.

“Estamos desavindos entre vizinhos, só estamos juntos porque chegaram vocês da televisão. Estamos desavindos e nem nos saudamos devido à água da chuva que inundou as casas e alguns aqui abandonaram as suas casas e estão a arrendar”, disse uma munícipe da cidade de Maputo.

O Delegado do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), na província de Maputo, Amir Ibraimo, diz que o trabalho de assistência das famílias com casas dentro de Água, na Matola, deve ser feito pela edilidade da Matola.

O Conselho Municipal da Cidade da Matola diz que está a intervir para minimizar o sofrimento a que as famílias estão sujeitas. ” Neste momento temos equipas e máquinas que estão a trabalhar no tereno, estivemos a trabalhar também no quilometro 15 na limpeza de valas, portanto estamos a fazer algum trabalho”, explicou Firmino Guambe, porta-voz do Município.

O entrevistado avança, ainda, que a solução definitiva é a construção de valas de drenagem, mas a materialização desse plano depende da existência de dinheiro. “A solução definitiva passa por implementar aquilo que é o plano director, portanto a construção definitiva do sistema de drenagem da Cidade e, parra isso, precisamos de recursos para avançarmos de forma integral, neste momento estamos a fazer de forma faseada”.

Informação avançada em conjunto pelo INGD na Cidade de Maputo e o Município dá conta que a chuva que caiu afectou 2.436 famílias das quais nove estão ainda nos centros de trânsito. Ainda de acordo com as autoridades municipais da Cidade de Maputo, as famílias que continuam no meio da água recusaram-se sair e até ao momento a edilidade não equaciona reassentar ninguém.  

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê céu nublado, ocorrência de chuvas, vento a soprar, por vezes, com rajadas e ocorrência de trovoadas  em algumas capitais provinciais.

Na região centro, as urbes da Beira, Chimoio, Tete e Quelimane poderão registar temperaturas máximas de 31, 25, 33 e 29 e mínimas e 20, 13, 21 e  23  graus Celsius, respectivamente.

As cidades de Nampula, Pemba e Lichinga, no norte do país, poderão atingir temperaturas máximas de 27, 30 e  24 e  mínimas de 19, 21 e 12 graus, respectivamente.

Para as cidades de Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilankulo, no sul do país, prevêem-se máximas de 30,29,29 e 30 e mínimas de 19, 20, 20 e 20 graus Celsius, respectivamente.

A ADIN rebate as críticas de Graça Machel e diz que não é sua missão fazer mais do que já faz no terreno em relação à recuperação de Cabo Delgado. Segundo a Agência, as populações continuam a voltar às suas zonas de origem por haver ambiente de paz.

Graça Machel foi a Cabo Delgado e a impressão com que de lá saiu é a de que o apoio que está a ser prestado às vítimas do terrorismo é insuficiente para a magnitude do estrago que viu no terreno

Em reacção, a ADIN entende que a crítica não é direccionada a si, mas a quem desenha o pacote completo de recuperação de Cabo Delgado e assistência às vítimas do terrorismo.

O porta-voz da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte falava, esta sexta-feira, na segunda sessão de balanço das actividades, que foi presidida pelo ministro da Economia e Finanças, Max Tonela.

No total, o número de deslocados ascende a mais de 850 mil pessoas devido ao terrorismo. Em termos de reconstrução dos distritos afectados, a ADIN garante que continua a procurar completar os 300 milhões de dólares que são necessários para o efeito.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê temperatura fresca  para esta sexta-feira . Entretanto, a instituição alerta para a concorrência de de chuvas e trovoadas em algumas urbes do país.

Em graus Celsius, as cidades da Beira, Chimoio, Tete e Quelimane  têm  temperaturas máximas de 28,25, 30 e 29 e mínimas de 21, 15, 20 e 22, respectivamente.

Para as cidades de Maputo,  Xai-Xai  e Inhambane e Vilankulo prevêem-se máximas de 32, 30, 28 e 28 e mínimas de 2

18, 22, 23 e 23 graus, respectivamente.

Em Pemba, Lichinga e Nampula esperam-se máximas de 26,30 e 21 e mínimas de 19, 21 e  11 graus, respectivamente.

O Conselho Municipal da Cidade de Nampula e a Associação dos Transportadores Rodoviários de Nampula (ASTRA) chegaram a um acordo de criação de um grupo conjunto que vai medir as distâncias nas diversas rotas que vai servir de base para a proposta de aumento a ser levada à Assembleia Municipal.

Tal como tinha sido agendado, os transportadores semi-colectivos de passageiros sentaram-se esta quinta-feira com o elenco do Conselho Municipal da Cidade de Nampula para discutirem o assunto relativo à proposta de aumento da tarifa do transporte, de 10 para 15 meticais. Depois de horas reunidos à porta fechada no salão nobre do Conselho Municipal, as partes falaram à imprensa, tendo anunciado o entendimento alcançado nesta fase.

“Criarmos uma equipa composta por técnicos do Conselho Municipal e técnicos da ASTRA para definirmos as distâncias. Esses colegas estarão munidos de instrumentos de medição para sabermos, por exemplo, quantos quilómetros são, do mercado de Waresta a Enia para ver o que isso significa em termos de pagamento porque está definido que o passageiro pode pagar um metical de setenta e cinco centavos por quilómetro. Portanto, a ASTRA vem com a proposta de 15 meticais por passageiros e nós dissemos que queremos entender em termos matemáticos em relação aos extremos da nossa cidade”, disse Paulo Vahanle, edil de Nampula.

Com efeito, a equipa conjunta deverá até sexta-feira da próxima semana concluir o trabalho de medição das distâncias em todas as rotas. Atendendo que está prevista a introdução da tarifa intermédia nos troços das rotas considerando um metical e setenta e cinco centavos por cada quilómetro, é previsível que seja submetida à Assembleia Municipal uma proposta diferenciada.

“A proposta final que julgamos apresentar ao Conselho Municipal será na próxima sexta-feira que depois o executivo Municipal levará à Assembleia Municipal. Até aqui ainda não foi aprovada a nova tarifa que os transportadores da cidade de Nampula aguardam”, esclareceu Luís Vasconcelos, presidente da ASTRA.

O que equivale dizer que a tarifa em vigor contínua de 10 meticais em todas as rotas. Mas a proposta de revisão da tarifa de transporte de passageiros em Nampula deverá abranger, igualmente, os operadores de táxi convencional e de mototáxi, só que o que mais se fala neste momento é apenas sobre o transporte em carros.

Outra questão que foi apreciada pelas partes tem a ver com o horário de circulação do transporte semi-colectivo de passageiros na cidade de Nampula que deverá terminar às 22 horas e não 21 horas como tem acontecido até aqui. E nesta discussão sobre a aprovação ou não da nova tarifa, a edilidade dirigida por Paulo Vahanle não tem alternativa, atendendo que aquela cidade não tem um serviço público de transporte.

A Procuradoria-Geral da República detectou irregularidades em 13 contratos celebrados entre o INATRO e empresas privadas. Face a isso, a PGR solicitou uma auditoria extraordinária para o apuramento dos crimes e consequente responsabilização dos implicados. A informação foi avançada, hoje, pela Procuradora-geral no Parlamento.

No segundo e último dia da presença da Procuradora-Geral da República no Parlamento, Beatriz Buchilli respondeu a perguntas de insistência dos deputados. Em relação à vulnerabilidade dos agentes do SERNIC, Buchili garantiu que haverá maior filtragem dos candidatos para evitar recrutamento de indivíduos com má conduta.

“Temos vindo a alertar, em várias ocasiões, sobre a capacidade do crime organizado de infiltrar-se nas instituições, quer públicas, quer privadas, fazendo com que os funcionários, em troca de determinadas vantagens, pratiquem ou deixem de praticar actos, que favorecem essas organizações criminosas, designadamente, falsificação de documentos, fornecimento de informações classificadas, elaborando e executando promoções ou decisões ilegais. A nível do SERNIC, como fizemos referência, está em curso a adopção de um novo modelo para o recrutamento de novos investigadores, que inclui a submissão dos mesmos a um curso técnico específico para o ingresso, à semelhança do que sucede com os magistrados e técnicos de outras carreiras profissionais, exigindo-se, nesse processo, maior rigor na sua selecção”, prometeu.

PGR RENDE-SE À SOFISTICAÇÃO DOS CRIMINOSOS  

Sobre os raptos, a Procuradora-Geral reconheceu que os criminosos têm actuações cada vez mais sofisticadas e que superam a acção das autoridades de investigação do país. “Os criminosos têm estado a adoptar novos métodos para a concretização dos seus intentos, nomeadamente, quanto às formas de execução, grupos intervenientes, locais que servem de cativeiro das vítimas, bem assim aos mecanismos usados para contactar, exigir e receber o valor do resgate. Estas situações desafiam a investigação criminal no que respeita à recolha da prova, porquanto, algumas envolvem, por exemplo, o uso de plataformas das tecnologias de informação e comunicação sedeadas no estrangeiro”, detalhou para depois reconhecer que “a complexidade e natureza transnacional deste crime dificultam a nossa acção em relação aos mandantes, que, muitas vezes, não se localizam no país onde o crime é executado, mesmo para se furtar a acção da justiça, daí que, para a responsabilização dos mandantes, temos estado a articular com outros países, no âmbito da cooperação policial e judiciária.”

BUCHILI ALERTA PARA USO DE ONG E IGREJAS PARA FINANCIAR TERRORISMO

Em relação ao terrorismo, Beatriz Buchili voltou a alertar os deputados sobre a necessidade de regulamentar o financiamento de associações, partidos políticos e até igrejas, pois podem ser usadas como instrumentos para financiamento ao terrorismo.

“Os mecanismos de financiamento e recrutamento apresentam-se sob diversas formas, incluindo o recurso às associações, organizações não-governamentais, partidos políticos, confissões religiosas, entre outras. Sobre estas situações, alertamos, em informações anuais anteriores, quanto à necessidade urgente de aprovação de instrumentos legais que regulem o financiamento dos partidos políticos, bem como de organizações não-governamentais e de confissões religiosas, de modo a que estas não sejam usadas como veículo de financiamento ao crime e, em especial, ao terrorismo. Congratulamos o Governo pela aprovação da proposta de Lei de Liberdade Religiosa, instrumento que muito poderá contribuir na regulamentação do funcionamento destas entidades.”

PGR DÁ DETALHES DO CASO VUMA E RAÚL NOVINTE

Os deputados quiseram saber sobre o alegado envolvimento do edil de Nacala-Porto, Raúl Novinte, na violação sexual de uma menor e do alegado envolvimento do deputado Agostinho Vuma no crime de roubo de uma viatura que culminou com a morte de um cidadão sul-africano em Maputo.

“Relativamente ao abuso sexual de uma menor, no Município de Nacala-Porto, importa referir que foi instaurado o processo n.º 545/0317/P/021, com um arguido, indiciado da prática do crime de actos sexuais com menores, em instrução preparatória, na Procuradoria Distrital da República – Nacala-Porto. No âmbito da assistência à menor, o Ministério Público, como representante dos menores, tem estado a acautelar a observância de todos os direitos que se assistem a menor, tendo, ainda, o pai se constituído em assistente. Relativamente ao caso de furto de uma viatura na África do Sul e homicídio de um cidadão, que se fazia transportar na mesma, ocorrido no distrito da Moamba, na Província de Maputo, foi instaurado o processo n.º 45/10/P/2022, com dois arguidos, que se encontra em instrução preparatória, na PPR-Maputo”, detalhou.

PGR NEGA QUE PROCESSO DAS DÍVIDAS OCULTAS RESULTE DE CLIVAGENS ENTRE PRESIDENTES

Beatriz Buchili respondeu, igualmente, ao deputado Muchanga que defendeu que o julgamento da “caso dívidas ocultas” é resultado de divergências entre o actual Presidente da República e o anterior.

“O seu equívoco prende-se com os pressupostos erróneos e falaciosos que coloca, designadamente, a pressão da comunidade internacional e o que designou de desentendimento de comadres, como simples objectivo de deturpar a opinião pública. Lamentamos o posicionamento de S.Excia Deputado sabe, perfeitamente, como é que se desencadeia o procedimento criminal no nosso ordenamento jurídico. Em nenhum momento tivemos pressão internacional para a investigação do processo, antes pelo contrário, temos envidado todos os esforços, no sentido de obter, junto das autoridades centrais de outros países, no âmbito da cooperação internacional, informações relevantes para o processo e fizemos referência, em informações anteriores, que estamos a aguardar as respostas dos pedidos de outros países.”

PGR ALERTA PARA POSSÍVEL RADICALIZAÇÃO DE DETIDOS NAS PENITENCIÁRIAS

Sobre a sobrelotação das cadeias, disse que a situação provoca a falta ou ineficiência das acções de ressocialização e de reinserção social dos internos. Sendo que as autoridades têm constatado que alguns autores de crimes são reclusos julgados e condenados em processos anteriores, que, tendo sido restituídos à liberdade, voltam a praticar a mesma actividade criminosa.

“Por isso, devemos apostar no fortalecimento das acções de reeducação e ressocialização dos reclusos, o que passa, necessariamente, pelo reforço da capacidade de internamento para o efeito instalada nos estabelecimentos penitenciários. A superlotação dificulta também o controlo dos estabelecimentos penitenciários, podendo ser fonte de recrutamento de indivíduos para a preparação e prática de crimes, como já foi demonstrado. E, agora, com o internamento de indivíduos associados ao crime de terrorismo, há riscos de instrumentalização dos reclusos que, posteriormente, poderão ser usados para a prática de actos terroristas.”

DETIDOS 4 AGENTES DA PRM EM CONEXÃO COM TUMULTOS EM MOLUMBO

Buchilli detalhou que há detidos em resultado dos tumultos em Mulumbo, na Zambézia, que culminaram com a morte de duas pessoas que contestavam a proibição do uso da moeda malawiana Kwacha. “Sobre os tumultos ocorridos no distrito de Molumbo, província da Zambézia, está em curso o processo-crime n.º 29/0421/2022, autuado no dia 14 de Março de 2022, portanto, no presente ano, com cinco arguidos, sendo quatro membros da PRM e um funcionário de um serviço distrital, indiciados da prática dos crimes de abuso de cargo, prisão ilegal, ofensas corporais e homicídio involuntário.”

Quanto à alegada venda de uma casa do genro de Manuel Chang para o funcionamento do Tribunal Judicial de Inhambane, Buchili esclareceu que se trata de construção e não de aquisição de uma casa, sendo que “Não se deve confundir o empreiteiro com um eventual e inexistente vendedor. Todavia, tendo havido, na eventualidade, algum ilícito ou irregularidade no âmbito do processo de contratação de empreitada da obra pública em alusão, o Ministério Público, na sua função de fiscal da legalidade, terá, em devido tempo e foro, a oportunidade de ajuizá-la. Por outro lado, a realização das despesas públicas, como é a construção e aquisição de imóveis, obedece ao estabelecido na lei, e existem mecanismos de fiscalização interna e externa das despesas públicas.”

PGR DIZ QUE IRÁ PUNIR CASO HAJA CRIMES NO USO DOS FUNDOS DA COVID-19

Sobre o uso indevido dos fundos de combate à COVID-19, detalhou que, depois da auditoria feita a 133 entidades, foi dado ao Governo, na qualidade de entidade auditada, para o exercício do contraditório. “Neste momento, o relatório preliminar da auditoria, incluindo o contraditório, está a ser apreciado pelo Tribunal Administrativo que, em devido tempo, vai pronunciar-se. Havendo matérias que indiciem infracções de natureza criminal ou financeira, o Ministério Público desencadeará, nos termos da lei, os competentes procedimentos para a responsabilização dos gestores públicos infractores”, esclareceu.

PGR DETECTA IRREGULARIDADE EM CONTRATOS NO INATRO

Quanto à polémica dos contratos do INATRO com outras instituições, a PGR diz ter detectado irregularidades e há um processo. “O Gabinete Central de Combate à Corrupção, em Dezembro de 2020, o processo N° 67/2011/2020 contra um antigo dirigente daquela instituição que está em instrução preparatória. No que concerne à responsabilização administrativa, a Procuradoria-Geral da República recebeu uma solicitação de intervenção no INATRO, tendo procedido à análise de 13 contratos administrativos celebrados entre a instituição e empresas privadas, tendo constatado a existência de irregularidades, na sequência foi solicitada a realização de uma auditoria extraordinária pelo Tribunal Administrativo e pela Inspecção-Geral das Finanças para o apuramento dos factos e responsabilização dos gestores”, terminou.

Falando na abertura da conferência alusiva à celebração do “Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho”, que se assinalou esta quinta-feira, 28 de Abril, sob o lema “Agir em conjunto para construir uma cultura de segurança e saúde positiva”, a ministra do Trabalho e Segurança Social, Margarida Talapa, disse que a questão da segurança e saúde no trabalho ainda é um enorme desafio para os Governos a nível global e, especialmente, para Moçambique.

No entanto, a governante acredita que, com esforços conjuntos, envolvendo o Governo, os empregadores e os trabalhadores, o país poderá garantir o desenvolvimento pleno de uma cultura de segurança e saúde no trabalho.

“Aliás, este fórum é um dos mecanismos através do qual pretendemos elevar a consciência dos empregadores e trabalhadores sobre a importância da promoção da segurança e saúde no trabalho, tanto para o empregador, quanto para o trabalhador, assim como para toda a sociedade”, afirmou Talapa.

Segundo a ministra, as estimativas da Organização Internacional do Trabalho indicam que os acidentes de trabalho custam cerca de 4% do PIB mundial, em termos de dias perdidos, gastos com saúde, pensões, reabilitação e reintegração dos trabalhadores no mundo social e laboral.

“Como podemos notar, o custo para a reparação dos danos aos trabalhadores acidentados e os que contraem doenças ocupacionais é extremamente alto, daí que exortamos, de forma reiterada, para que continuemos a investir e multiplicar em acções de prevenção tanto dos acidentes, quanto nas doenças ocupacionais”, enfatizou a governante, reforçando que o ministério que dirige recebe, em média anual, 525 notificações sobre a ocorrência de acidentes de trabalho. E, no ano passado, a instituição recebeu a comunicação da ocorrência de mais de 600 acidentes de trabalho em 325 empresas, os quais resultaram em 22 mortes, 471 casos de incapacidade temporária, 91 casos de incapacidade permanente parcial e 18 casos de incapacidade permanente total.

Contudo, segundo a ministra, os números acima apresentados estão muito longe de corresponder à realidade, o que quer dizer que ainda há um longo caminho a percorrer para o país assegurar que todos os trabalhadores usufruam dos respectivos direitos.

“É tempo de termos consciência de que, para além do trabalhador exposto aos diferentes riscos profissionais, os seus dependentes que, em consequência dos acidentes de trabalho e doenças ocupacionais vitimam os seus entes queridos, vêm os seus sonhos serem interrompidos, por não mais poderem contar com o apoio daquele que sustenta a família”, exortou.

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