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O País – A verdade como notícia

A ministra da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Helena Kida, diz que há espaço para que se melhore a proposta de lei que fixa o pagamento de taxas pelas confissões religiosas.

A proposta foi aprovada há pouco mais de um mês pelo Conselho de Ministros, tendo, depois, algumas confissões religiosas e fiéis mostrado o seu desagrado pela ideia. Por isso, Helena Kida assegurou, esta segunda-feira, que a proposta não é algo acabado.

Disse que ainda vai à Assembleia da República (AR), onde as comissões irão analisar e esclarecer alguns aspectos sobre a proposta de lei e que há espaço para a sociedade civil apresentar as suas preocupações e contribuições.

“O Parlamento representa todas as sensibilidades, às vezes há uma proposta que é fechada e, quando chega à AR, já não é aprovada do jeito que entrou como proposta, isto para tranquilizar e dizer que ainda há espaço para melhorar este instrumento”, tranquilizou a governante.

Disse que a intenção é que haja um regulamento que seja de consenso para que seja cumprido por todos. E as confissões religiosas deverão, se for aprovado, pagar, cada uma, de acordo com o que recebe dos crentes, quer por via do ofertório ou dízimo, quer por outras formas.

“O facto é que existe uma proposta de lei para se colectar, no caso, daquelas igrejas que recebem e estas vão pagar uma taxa correspondente ao que se recebe, mas isto ainda vai ao Parlamento e vamos ver se o instrumento final será aprovado como estamos a propor ou se haverá alguma alteração”, explicou Helena Kida.

O pagamento de taxas pelas confissões religiosas consta da proposta da Lei da Liberdade Religiosa que o Governo submeteu, recentemente, à AR, com vista a regular o sector.

Retomou, hoje, a impressão das cartas de condução provisórias nas cidades de Maputo e Matola após duas semanas de suspensão devido a problemas no sistema. Os utentes estão satisfeitos com a retoma do serviço, mas queixam-se do crónico problema de demora no atendimento por parte do Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO).

Voltaram longas filas para impressão das cartas de condução provisórias nos edifícios do Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários nas cidades de Maputo e Matola. A porta abre-se. Uma voz chama as pessoas que, há muito tempo, aguardavam pelas suas cartas e, agora, têm-nas em suas mãos.

“Finalmente consegui. Eu tentava renovar a minha carta de condução desde quinta-feira da semana passada”, disse Jossias Cossa, num tom de alívio por a sua situação estar resolvida.

Foram duas semanas sem o serviço de impressão das cartas de condução e a vida dos condutores tornou-se complicada. “Quase que não se pode circular em Moçambique com uma carta caducada. É claro que temos aquele período de um mês. Há sempre uma complicação da Polícia quando se circula com a carta fora do prazo”, referiu Jossias Cossa.

Utentes mexem o celular. Ajeitam-se onde podem. Um exercício de paciência. É que a impressão das cartas de condução provisórias retomou, mas os crónicos problemas de morosidade no atendimento continuam no Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários.

“Fiquei quase uma hora e passaram mais de seis grupos que lavaram suas cartas de condução e eu parado. São pessoas que vieram comigo e foram-se embora. Foram atendidas primeiro e deixaram-me aqui”, queixou-se Luís Armando, secundado por um outro utente que não quis revelar o seu nome, ao afirmar que “sofro mesmo com dinheiro. Todos os que chegaram comigo às 06h30 foram atendidos primeiro. Para conseguir a minha carta, tive que mostrar o crachá do serviço e queixei-me de não estar a ser atendido. Passei por quatro balcões. É quando uma senhora levou o meu BI e viu que o meu documento já tinha saído”.

E as cartas biométricas não estão a ser impressas desde Janeiro deste ano, porque o INATRO ainda não pagou à Brithol Michcoma a dívida de 40 milhões de Meticais referentes à impressão de mais de cem mil cartas entre Julho e Novembro de 2021.

O Ministério da Saúde (MISAU) comunicou, esta segunda-feira, a recuperação de 124 indivíduos. Os casos ocorreram na Cidade de Maputo e nas províncias de Gaza, Inhambane e Sofala.

No mesmo período, foram testadas 121 amostras, das quais 17 tiveram o resultado positivo para a COVID-19. A capital do país, Maputo, com 16 casos (91.11% do total de casos de todo o país) foi a região com mais contágios.

“Todos os 17 novos casos são de indivíduos de nacionalidade moçambicana”, esclarece o MISAU, explicando que as idades dos infectados variam entre 01 e 92 anos.

Deste modo, Moçambique tem um cumulativo de 226.480 casos positivos, sendo 226.111 de transmissão local e 369 importados. Há, actualmente, 487 casos activos do vírus.

Nas últimas 24 horas, foram registadas duas altas hospitalares e três novos internamentos, contabilizando, agora, 13 pacientes sob cuidados médicos devido ao Coronavírus. “Dos 13 internados, cinco estão nos cuidados intensivos, sob oxigenoterapia”, acrescentou a Saúde, em comunicado de imprensa.

Não há registo de óbitos por COVID-19, pelo que o total continua 2.206.

Mateus Magala é o novo ministro dos Transportes e Comunicações, nomeado, hoje, pelo Presidente da República, Filipe Nyusi. Substitui Janfar Abdulai, exonerado também, hoje, num contexto de problemas na instituição, entre os quais o das cartas de condução biométricas que deixaram de ser impressas.

É a segunda chamada a Mateus Magala, quadro do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). Desta vez, é convidado para salvar o Ministério dos Transportes e Comunicações, mergulhado em problemas críticos, com destaque para a não impressão de cartas de condução biométricas desde Janeiro último.

Na primeira vez, Magala foi chamado ao país para imprimir reformas na Electricidade de Moçambique (EDM), onde ocupou o cargo de Presidente de Conselho de Administração (PCA) entre 2015 e 2018. Antes da EDM, Mateus Magala era representante do Banco Africano de Desenvolvimento no Zimbabwe.

Em 2018, o novo ministro dos Transportes e Comunicações foi nomeado vice-presidente dos Recursos Humanos e Serviços Institucionais do BAD, pelo seu empenho no aumento das receitas da Electricidade de Moçambique de 150 milhões de dólares para 500 milhões em pouco tempo.

Magala é mestre em Economia e Econometria, mestre em Economia e Gestão de Transportes e tem o mesmo grau em Gestão de Empresas, todos pela Universidade de Sydney na Austrália. Tem, ainda, mestrado em Engenharia Mecânica pela Academia de Brno da República Checa e doutoramento em Economia pela Universidade australiana de Victoria.

No novo cargo, Mateus Magala substitui Janfar Abdulai, exonerado, hoje, após ocupar a função durante dois anos e seis meses. Chegou o fim da linha não só para si, mas também para a vice-ministra dos Transportes e Comunicações, Manoela Rebelo, que ocupava a posição há mais de 10 anos.

Mateus Magala herda da direcção dos seus antecessores um Ministério dos Transportes que tem por resolver não só problemas da carta de condução, mas também do transporte rodoviário de passageiros e a respectiva segurança nas estradas; da ligação ferroviária entre o Norte e o Sul do país há muito desejada, da sustentabilidade da cabotagem marítima relançada há dois anos, do transporte aéreo e das telecomunicações, bem como a conclusão do processo de migração digital.

Mateus Magala é empossado, amanhã, pelo Chefe de Estado, Filipe Nyusi, segundo um comunicado da Presidência da República, numa cerimónia em que também é empossado o novo vice-ministro dos Recursos Mineiras e Energia, António Saíde, recentemente nomeado.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, exonerou, hoje, Janfar Abdulai do cargo de ministro dos Transportes e Comunicações.

Filipe Nyusi destituiu, igualmente, Manuela Joaquim Ribeiro do cargo de vice-ministra dos Transportes e Comunicações.

As exonerações ocorrem ao abrigo da alínea a) do número 2 do artigo 159 da Constituição da República.

A decisão do Presidente da República surge dois dias depois de o Instituto Nacional de Transportes Rodoviários (INATRO) ter falhado, na sexta-feira, a retoma dos serviços de emissão de cartas de condução e de atribuição de matrículas em Maputo e Matola.

O ministro dos Transportes e Comunicações prometia para esta segunda-feira a retoma dos serviços, pelo que aconteceu. O INATRO retomou a impressão de Cartas de Condução e serviços de atribuição de matrículas.

Há quase uma semana que não estavam a ser emitidas cartas de condução provisórias, nem estão a ser atribuídas matrículas a novas viaturas em algumas cidades do país, com destaque para Maputo e Matola. O INATRO, instituição responsável, veio a público explicar que as restrições devem-se à paralisação do sistema que permite a prestação dos serviços.

Três pessoas foram decapitadas e outras foram raptadas pelos supostos terroristas na aldeia Intutupue, ao longo da Estrada Nacional Número 1 (EN1) que dá acesso à cidade de Pemba, capital da província de Cabo Delgado.

O grupo armado foi visto a circular na aldeia na sexta-feira e a cidade de Pemba recebeu, sábado, centenas de deslocados.

A maior parte dos últimos deslocados que chegaram à cidade de Pemba vem das aldeias Intutupe e Nipataco, que fica a cerca de 50 quilómetros da capital da província de Cabo Delgado.

“Estou a sair de Intutupue por causa da guerra. Nunca tínhamos sofrido desses ataques e suportamos quase uma semana, mas hoje decidimos sair, porque algumas pessoas foram raptadas nas machambas, por isso viemos aqui para descansar”, disse Bendita Saidila, deslocada de Intutupue

“Não sei se a minha mãe conseguiu fugir; decapitaram três pessoas lá”, contou Bissaia Amade, também deslocada de Intutupue.

Uma parte dos deslocados que chegou a Pemba vem de Intutupue e Nipataco, vivia na vila-sede do distrito de Ancuabe, onde saíram depois do assalto armado à aldeia Nanduli.

“Hoje não dormimos em Ancuabe e fugimos para Intutupue e, quando chegamos, vimos pessoas a fugir, porque houve uma informação de ataque, em Natupili, e acabamos por vir até aqui”, explicou Fernando Salate, camionista em Pemba.

Até à tarde deste domingo, 12 de Junho, todos que quisessem entrar ou sair da cidade de Pemba deviam estar acompanhados de uma coluna militar devido aos ataques terroristas registados próximo à capital da província de Cabo Delgado.

Centenas de viaturas estiveram retidas desde as primeiras horas até cerca de onze horas de ontem, no posto de controlo de Muepane, distrito de Metuge.

O ataque do sábado sucede a outro em menos de uma semana. Um grupo de terroristas atacou, domingo, 5 de Junho, a aldeia de Nanduli, no distrito de Ancuabe, a 100 Km da província de Cabo Delgado, incendiando casas e pilhando bens da população local e outras circunvizinhas.

Estes ataques, perpetrados a 30 Km do entroncamento entre a EN1 e EN380 (conhecido como “Silva Macua”) não só criaram pânico entre os populares, como também forçaram as comunidades a pernoitarem nas matas.

Houve registo de movimentação da população que saiu em debandada da aldeia em busca de abrigo e segurança na sede do distrito.

O facto foi confirmado um dia depois do ataque pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, que falava à margem de uma reunião virtual entre a Frelimo e o secretário-geral do Partido Comunista de Vietnam. Filipe Nyusi começou por dizer que o terrorismo não termina, acrescentando ainda que os terroristas atacaram uma aldeia perto de Ancuabe, província de Cabo Delgado, com o objectivo de assaltar comida.

“Por vezes, pensamos que terminou, mas o terrorismo não termina. Mesmo aqui há sinais. Sentimos alguma movimentação nesta mesma semana. Ainda ontem, atacaram uma aldeia perto de Ancuabe, chamada Nhanduli. Esse ataque foi porque eles se movimentaram e as nossas forças controlaram. As pessoas saíram em debandada, mesmo assim, foi-lhes explicado que eram movimentos das Forças de Defesa e Segurança. Mais tarde, eles apareceram. Têm estado a fazer esses ataques, por vezes, à procura de comida”, explicou o Presidente da República, Filipe Nyusi.

Os dados indicam que, de 2017 a 2022, os terroristas mataram mais de duas mil pessoas no Norte de Moçambique, e até aqui, acima de 850 pessoas já ficaram deslocadas por causa da insurgência e a situação ainda está longe do fim.

Para controlar a situação, Filipe Nyusi diz que o país precisa de melhorar a sua capacidade operativa. Para já, a prioridade é a reconstrução das zonas já recuperadas, que, há alguns meses, estavam nas mãos dos terroristas.

“O Governo aprovou um plano de reconstrução daquelas zonas que foram recuperadas na província de Cabo Delgado. Estamos a desenvolver um programa de reconstrução, porque há um regresso tímido das populações, apesar de continuarmos a dizer que precisamos de consolidar a segurança na região e, depois, para haver um regresso mais sustentável”, disse o Chefe de Estado.

Os casos da COVID-19 voltam a subir no país. Há cerca de um mês, isto é, a 10 de Maio, pessoas com vírus activo eram 55 e, até ontem, já somávamos 594. Significa que houve um aumento de cerca de 544 casos. Enquanto isso, na Cidade de Maputo, as pessoas quase esqueceram-se da máscara em locais fechados e com aglomerados e da lavagem das mãos.

O quotidiano da Cidade de Maputo mostra uma capital do país cuja azáfama toma conta das avenidas e dos passeios. Uns entram nas lojas, outros saem. Mas há, no meio da lufa-lufa, algo que mudou: não mais existem as filas para permitir que não sejam muitas pessoas a entrar de uma só vez na loja. As únicas filas, aliás, são dos vendedores que frustraram a edilidade e fazem dos passeios uma montra para a venda informal.

Os que vão ao formal (lojas) o fazem sem máscaras de protecção facial.

“Entrei sem máscara porque estou engripada e é difícil ficar com ela”, justificava uma das munícipes da Cidade de Maputo, Olga Marcos, que a interpelamos à saída de uma loja, na zona baixa da Cidade de Maputo.

À entrada das lojas, nem há água para a lavagem das mãos. As torneiras montadas lembram apenas as épocas de escassez de chuva em que nelas, pelo menos nas casas, a água não jorra. Mas aqui não se trata de falta deste líquido. É, sim, o desleixo sobre medidas de prevenção.

Enfim, deixemos de lado os que se colocam no risco de ir à loja para de lá sair com a COVID-19. Olhemos ao transporte de passageiros: o mesmo.

“As medidas mandam colocar máscara em locais fechados. Eu havia-me esquecido”, justificava Armindo Nhaquile, passageiro que viajava a Bobole num dos autocarros de transporte de passageiros.

Os transportadores nem se preocupam com quem entra no carro sem máscara. A viagem segue. Seguem aumentando os casos da COVID-19.

A 10 de Maio, havia 55 infectados activos, num dia em que houve 10 casos positivos. O número de novos casos vinha mesmo rondando entre cinco e 20 por dia e não havia registo de novos óbitos. O país chegou mesmo a permanecer com um internado pelo novo Coronavírus.

Até ontem, 12 de Junho, isto é, totalizamos 594 casos activos da doença, quiçá mercê do descuido na prevenção. Os novos infectados por dia variam entre 80 e mais de 100 e, na cama do hospital, estão 12 pessoas.

“A tendência de aumento de casos é global, embora em alguns países esteja a ocorrer uma tendência de declínio. Moçambique começou com o aumento tardiamente. É por isso que podemos dizer que o aumento de casos activos era expectável. O que devemos fazer é garantir duas coisas: manter a possibilidade de usar as medidas que conhecemos para controlar a COVID-19”, diz o ministro da Saúde, Armindo Tiago, que apela para adesão à vacinação contra a COVID-19.

Apesar da subida de casos, o ministro da Saúde diz que a iminente quinta vaga poderá ser a menos grave relativamente às mortes e a pessoas internadas, ainda que os números sejam elevados.

E num contexto de ameaça pela Varíola dos macacos, Tiago diz que as medidas de prevenção são basicamente as mesmas que as da COVID-19: higiene.

A Secretária Permanente do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), Nilsa Miquidade, defende que a transformação digital é incontornável na condução dos  processos e procedimentos na administração pública.

Nilsa Miquidade, que falava durante a palestra   subordinada ao tema Gestão, Preservação e Conservação de Documentos e Arquivos da Administração Pública vs a Digitalização, realizada recentemente, em Maputo, destacou a necessidade da transformação digital na administração pública, como mecanismo para prestação de serviços aos cidadãos.

Para a dirigente, a transformação digital consubstancia-se num processo de substituir as tradicionais formas manuais trabalhar e realizar negócios pelas mais recentes soluções digitais.

Na sua intervenção, Miquidade referiu que a transformação abrange todos os aspectos relacionados com a maneira como as pessoas vivem e as instituições operam e, não apenas à tecnologia.

“Trata-se, pois, de uma mudança radical de mentalidades, comportamentos e modelos de negócios, incorporando uma cultura e processos digitais com o objectivo de ganhar produtividade e qualidade”, disse.

Assim, o Governo aposta na transformação digital com objectivo de melhorar a prestação de serviços ao cidadão em vários domínios de actividades, através do uso seguro das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e da Internet.

A Secretária Permanente salientou que a transformação digital traz muitas vantagens para a sociedade, desde a facilidade dos cidadãos acederem à serviços diversos de interesse público, a melhoria de circulação de informação de utilidade pública e maior promoção de inclusão social.

Outrossim, recordou que a emergência no mundo da pandemia do novo Coronavírus (COVID-19) mediatizou a importância e o papel estratégico das TIC e da Internet na condução da vida política, socioeconómico e cultural, por força da Era Digital que o mundo e o nosso país vivenciam.

Espera-se que a palestra contribuirá para a contínua consciencialização da sociedade, em particular os Funcionários e Agentes do Estado (FAE’s), sobre a importância da gestão de documentos e arquivos do Estado; a capacitação dos FAE’s em matérias de gestão de documentos e arquivos da Administração Pública; a divulgação da Plataforma de Gestão Documental e Ficheiros; e a melhoria do processo de gestão de documentos e arquivos nos órgãos e instituições do Estado.

Para o palestrante Renato Augusto Pereira, explicou que os arquivos se referem ao conjunto de documentos acumulados ou espaço onde os mesmos são preservados, acrescentando que os critérios usados na avaliação de documentos é valor primário e secundário.

Renato Pereira apontou que a gestão de documentos e arquivos deve respeitar o ciclo de vida de documentos nomeadamente: a fase corrente, intermediária e permanente.

Na palestra informou que o Sistema Nacional de Arquivos do Estado aprovou os instrumentos de gestão de documentos necessários para a recuperação de informação para a tomada de decisões na administração pública.

A edilidade da Matola diz que a falta de dinheiro faz com que a sinalização nas estradas seja colocada em segundo plano, sendo primordial a construção de mais vias. Tendo razão ou não, o facto é que a situação contribui para a ocorrência de acidentes, que provocam mortes de peões, principalmente por atropelamento.

Maria Mabutane foi vítima de atropelamento quando tinha 18 anos, em 1996. 26 anos depois, ela ainda se imagina de sapato alto todos os dias. Mas isso nunca mais será possível, porque, para andar, precisa de uma bota ortopédica.

“Eu estava a atravessar a estrada quando um camião me atropelou e desmaiei de imediato. Levaram-me ao hospital onde fiquei um mês em coma e mais três meses internada. Quando despertei, os médicos disseram que fraturei a coluna e que ia precisar de usar uma bota ortopédica. Fiquei triste e chorava todos os dias”, recorda.

A bota que Maria usa deve ser trocada de três em três meses e custa 1800 Meticais. Sem poder trabalhar e com dois filhos por sustentar, a nossa entrevistada depende da ajuda dos seus pais para quase tudo.

“Tenho dois filhos – o menino está no ensino primário e a menina, a mais velha, já terminou o ensino secundário. Mas não tenho como custear um curso superior para ela. Quanto à alimentação, costumamos ir à casa dos meus pais para passar as refeições”, contou Maria Mabutane.

A história de Maria é apenas um exemplo do perigo que há nas estradas nacionais. Só no primeiro trimestre deste ano, 41 pessoas morreram vítimas de acidente de viação na Província de Maputo e, deste número, 13 foram por atropelamento.

 

“Tivemos uma subida do índice de acidentes e suas consequências, isto porque, durante o primeiro trimestre deste ano, registamos 39 casos de acidentes de viação contra 21 casos em igual período do ano passado, que provocaram 41 óbitos contra 28 do ano passado, uma subida de 13 oitos. No que diz respeito à tipicidade dos acidentes, tivemos, em primeiro lugar, os atropelamentos, com 13 casos”, detalhou o porta-voz da Polícia de Trânsito, Rodrigues Tchabana.

A Polícia de Trânsito aponta a má travessia de peões como a principal causa dos atropelamentos, o que se agrava quando a estrada não está devidamente sinalizada.

“A falta de sinalização contribui, em grande medida, para os acidentes de viação. Em algumas zonas, a sinalização perdeu a qualidade, já não está em boas condições. O peão não se apercebe se ali tem uma passadeira ou não ou o condutor não sabe a que velocidade deve andar”, explicou Tchabana.

Na cidade da Matola, algumas estradas não estão sinalizadas, sendo sete nas estatísticas das autoridades policiais, mas acredita-se haver mais.

A estrada que liga os bairros Zona Verde e Khongolote é disso exemplo. A via é estreita, com curvas e contracurvas, o que tem originado vários acidentes. “Isto não é alcatrão, é pedra cimento e área. Camiões e carros de vários tipos passam por aqui à alta velocidade, por isso as lombas já não aguentam”, explicou um dos moradores.

Em 2019, depois de três crianças, sendo duas da mesma família, terem sido atropeladas, moradores uniram-se para construir lombas e pôr fim aos recorrentes acidentes naquela via. Augusto Benedito, que fez parte da equipa de moradores que colocou a mão à massa, lamenta o silêncio do Município da Matola.

“Um mês depois de construir lombas, vieram para dizer que iam demolir estas para construir outras com material próprio, mas, até hoje, nada dizem”, disse.

As poucas placas que existem na via que liga Zona Verde a Khongolote estão a perder cor e clamam por reabilitação. Noutro ponto da via, parte da vedação de uma agência funerária foi demolida quando um carro despistou e embateu.

Segundo a Polícia de Trânsito, em locais próximos a escolas, os sinais devem ser conjugados, ou seja, as passadeiras devem ser acompanhadas de placas que indicam a presença de estabelecimentos de ensino. Mas não é o que se verifica tanto na via Zona Verde – Khongolote, como naquela que liga Zimpeto a Muhalazi. Há passadeira, mas não há nenhuma placa, o que coloca os alunos em risco.

Shelcia Manhiça, que tem nove anos e frequenta a quarta classe, presenciou o atropelamento de uma colega. Ainda traumatizada, a criança relata que “ela estava a atravessar a estrada e não viu que o carro vinha pela sua esquerda. O carro bateu nela, mas o motorista parou e levou-a ao hospital”.

No caso da colega de Shelcia, o acidente não foi mortal, mas há relatos de mortes naquela via. As autoridades do bairro dizem que já relataram o caso, porém não obtiveram nenhuma resposta, por isso pedem a quem de direito a construção de lombas em locais próximos a escolas.

“Pedimos a construção de lombas, porque temos escolas ao longo da estrada e placas que indicam a redução de velocidade”, clamou Augostinho Manhiça.

A sinalização, os passeios e as valas de drenagem fazem ou deviam fazer parte de um projecto de construção de uma estrada, mas, no Município da Matola, muitas são entregues sem uma nem outra, pior a sinalização. A edilidade reconhece o problema, mas diz que não tem dinheiro para sinalizar estradas.

“Pode ser que, em alguns pontos, a sinalização esteja desgastada e é preciso renovar. O grande desafio que temos é a mobilização de recursos. Se os tivéssemos, se calhar nem estaríamos aqui a falar de sinalização”, justificou o vereador para a Área de Infra-estruturas no Conselho Municipal da Cidade da Matola, Firmino Guambe,tendodepois falado das prioridades municipais.

“Em algum momento, temos que olhar para a questão do custo e benefício. Há zonas onde, quando chove, mesmo tendo viatura, as pessoas não conseguem sair de casa. Qual seria o critério para definir prioridades quando o dinheiro que se tem não permite avançar com todas as acções numa só vez? É uma questão de prioridades em função da disponibilidade financeira”, palavras que se resumem em dizer que a sinalização não é tão prioritária quanto à construção de estradas.

De acordo com os dados da PRM, os acidentes rodoviários mais frequentes são do tipo atropelamento, choque entre carros, despiste e capotamento.

 

De acordo com um estudo feito pela Associação Moçambicana de Assistência às Vítimas de Acidentes de Viação (AMVIRO), só no primeiro trimestre deste ano, em cada acidente, uma pessoa morreu.

A nível mundial, os traumatismos por acidentes rodoviários são responsáveis por, aproximadamente, 13 milhões de mortes e custam aos países pobres até cerca de 5% do PIB, refere o relatório da OMS sobre a segurança em África.

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