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O País – A verdade como notícia

O Ministério da Saúde assumiu uma postura de “mão dura” e “tolerância zero” contra casos de mau atendimento, cobranças ilícitas e roubo de medicamentos nas unidades sanitárias do país. O anúncio foi feito pelo Ministro da Saúde, Ussene Isse,  na abertura do 51º Conselho Coordenador do setor, realizado na Bahia.

Visivelmente preocupado com as denúncias que circulam nas redes sociais e na comunicação social, o governante questionou os profissionais sobre a imagem que o sector tem passado à população.

“Quando a gente abre a televisão ou o telefone, nas redes sociais, há sempre notícias sobre  cobrança ilícita, mau atendimento, maus tratos, roubo de medicamentos, falta disso, falta daquilo. Colegas, ficam satisfeitos com isso? Querem ser conhecidos como o grupo de mau atendimento, o grupo das cobranças ilícitas?”, perguntou Isse.

O Ministro foi categórico ao afirmar que não haverá espaço para conivência. “Colegas, vamos ser muito implacáveis nesta componente. Mão dura contra os autotres. E quando esta componente de mau atendimento, das cobranças ilícitas, do roubo de medicamentos tiver rosto, não haverá piedade. Tolerância zero”, declarou.

O titular da Saúde lembrou que a mudança depende do compromisso de cada profissional. “A saúde de Moçambique está na dedicação de cada um, na bravura de cada um, na procura de soluções. Se cada um fizer isto, vamos vencer esta batalha”, afirmou.

Dados apresentados durante o encontro indicam que, em 2025, 54 profissionais foram expulsos em todo o país por envolvimento em desvio de medicamentos, cobranças ilícitas e mau atendimento. O Ministro admitiu sentir vergonha perante o cenário atual.

“Eu sinto alguma vergonha quando sou confrontado com esta questão do atendimento ao povo moçambicano. Por isso, colegas, o nosso compromisso é que temos que ser reconhecidos como o contingente ou o grupo que acabou com o mau atendimento”, concluiu.

 

A população afectada pelo ataque insurgente que deslocou pelo menos 2.700 pessoas e destruiu um acampamento turístico associado ao treinador luso-moçambicano Carlos Queiroz, na província de Niassa, começou a regressar às suas casas, foi hoje anunciado

Regista-se um ambiente calmo, a população de Marangira regressou às suas casas”, afirmou hoje o secretário de Estado no Niassa, Silva Livone, durante as celebrações do Dia da Vitória.

Em causa está o ataque de quinta-feira à Coutada de Marangira, na Reserva Especial do Niassa, durante o qual insurgentes destruíram um acampamento turístico da Mozambique Wild Adventures (MWA), associado a Carlos Queiroz, além de outras infraestruturas locais, provocando pelo menos um morto.

O dirigente apelou, contudo, ao reforço da vigilância comunitária para evitar novas infiltrações de grupos armados.

“Queríamos pedir e apelar a toda a nossa população para continuarmos a agudizar a vigilância, porque muitas das vezes os `modus operandi´ dos terroristas [fazem com que] eles cheguem nas nossas aldeias e enganem as nossas irmãs, os nossos irmãos e os nossos pais para poder deixá-los entrar na aldeia”, declarou.

No sábado, Silva Livone indicou que o número de deslocados provocado pelo ataque à localidade de Marangira tinha subido para cerca de 2.700 pessoas, acima da estimativa inicial de 2.000. Também no sábado, o comando provincial da Polícia da República de Moçambique confirmou o rapto de 11 pessoas durante a incursão armada.

As autoridades moçambicanas apontam que os atacantes terão partido da vizinha província de Cabo Delgado, rica em gás e epicentro da insurgência armada que afeta o norte do país desde 2017.

Também hoje, a governadora de Niassa, Judite Massengele, manifestou reconhecimento pelo trabalho das Forças de Defesa e Segurança no combate aos grupos armados naquela província.

“Queremos endereçar às Forças de Defesa e Segurança o nosso reconhecimento pelo sacrifício que diariamente fazem em defesa da soberania, da integridade territorial e da segurança das nossas populações”, afirmou.

No sábado, os Estados Unidos alertaram os seus cidadãos para evitarem viagens à província moçambicana de Niassa, após ataque insurgente ao acampamento turístico associado ao ex-treinador luso-moçambicano.

Em alertas das embaixadas norte-americanas em Moçambique e na África do Sul, a que a Lusa teve acesso e que se mantêm em vigor desde o ataque de quinta-feira, Washington refere estar ciente da incursão a estância de caça, na fronteira entre as províncias de Niassa e Cabo Delgado, no norte de Moçambique, acrescentando que as Forças Armadas de Moçambique decorrem operações na área.

Os avisos recomendam por isso aos cidadãos dos EUA que evitem a zona fronteiriça entre Niassa e Cabo Delgado e que “não viajem para a Reserva Especial do Niassa por qualquer motivo”. Na sequência do ataque, referem ainda que três turistas norte-americanos foram evacuados da área.

Um funcionário do Conselho Municipal de Xai-Xai é acusado de liderar um esquema de burlas que terá lesado vários munícipes, envolvendo a venda de terrenos e licenças de actividades económicas, mediante cobranças de 20 a 25 mil meticais por processo. Após os pagamentos, as vítimas dizem ter recebido documentos alegadamente falsos e que o funcionário se colocou em fuga. O município confirma e anuncia medidas no caso.

Dezenas de munícipes denunciaram ao Município de Xai-Xai terem sido alvo de um esquema de burla de terrenos e licenças de actividades económicas, alegadamente liderado por um funcionário afecto à Vereação de Actividades Económicas.

Entre as vítimas está uma jovem de 30 anos de idade e as suas quatro irmãs, que dizem ter perdido mais de 60 mil meticais num esquema de aquisição de terrenos nas zonas da Praia e de Inhamissa, em Xai-Xai. Segundo as vítimas, o dinheiro foi entregue ao referido funcionário na expectativa de obter os respectivos terrenos. De acordo com a vítima, depois de receber o dinheiro, o funcionário deixou de aparecer, tendo-se colocado em fuga para parte incerta. As irmãs ficaram sem os terrenos e sem o valor entregue.

“Gastámos mais de 65 mil meticais para adquirir terrenos para cada uma de nós, mas, quando chegou a vez de nos apresentar os terrenos e a documentação, começou a dar voltas e nunca mais conseguimos recuperar o dinheiro”, denuncia.

O caso não será isolado. No Posto Administrativo da Praia, pelo menos oito pessoas terão apresentado queixas contra o mesmo funcionário, segundo o chefe daquela unidade administrativa.

“Confirmamos os casos. São, até aqui, oito casos, e estamos preocupados em saber como isto aconteceu”, avançou Jamaldine Matsinhe.

O Gabinete Jurídico do Município de Xai-Xai confirma a existência das denúncias e diz que já recebeu pelo menos oito casos, mas admite que o número de vítimas pode aumentar.

“Neste momento, temos cerca de oito casos que já recebemos no município, mas não descartamos também a possibilidade de existirem outros.”

Uma outra jovem afirma ter pagado 25 mil meticais pela aquisição de um terreno no Posto Administrativo de Inhamissa. Na sequência do pagamento, recebeu um Direito de Uso e Aproveitamento da Terra, DUAT, que posteriormente descobriu ser falso.

As denúncias abrangem também a emissão de falsas licenças para o exercício de actividades económicas, aumentando a dimensão do caso, avançou o chefe do Gabinete Jurídico, Simão Simbine.

“Por enquanto, temos dois tipos, temos em maior número a falsificação de licenças ou títulos de uso e aproveitamento do solo ou da terra. Temos também o caso de falsificação de licença para o exercício de actividade económica.”

O responsável revela ainda que os documentos apresentados pelas vítimas ostentam assinaturas falsificadas.

“Os munícipes têm apresentado aqui um DUAT com uma assinatura falsificada, que não confere com a assinatura do presidente do Município de Xai-Xai. Tanto os DUAT, como também as próprias licenças que apresentaram os munícipes estão na mesma situação.”

Perante as acusações, o Município de Xai-Xai diz ter tomado medidas administrativas contra o funcionário e aberto uma investigação para apurar o eventual envolvimento de outros funcionários dos sectores de terra e actividades, incluindo líderes locais.

“Nós, como município, desencadeamos alguns procedimentos administrativos internamente, para apurar-se a responsabilidade deste nosso funcionário, e também participámos junto das autoridades para a investigação.”

O município admite ainda a possibilidade de envolvimento de outros funcionários no esquema.

“O processo está em instrução, que é para apurar quem está envolvido, quais são os mecanismos que usavam para poder chegar a estes intentos.”

Enquanto aguardam esclarecimento do caso, as vítimas pedem justiça e intervenção da polícia.

O caso surge num contexto de crescentes problemas na gestão de terras no município. Só nos últimos dois meses, a edilidade diz ter detectado 100 casos de DUAT duplicados, na sequência da introdução do sistema electrónico de actualização de dados.

O Presidente da República reafirmou, nesta segunda-feira, o compromisso do Estado moçambicano com a valorização dos combatentes da Luta de Libertação Nacional, destacando a necessidade de preservar a memória histórica e de transformar o legado da geração que conquistou a independência em inspiração para a construção de um país mais próspero, justo, unido e soberano.

O Chefe do Estado falava na Ponta Vermelha, durante a Gala Nacional dos Combatentes, realizada no âmbito das celebrações do 7 de Setembro, Dia da Vitória, que reuniu veteranos provenientes de diferentes províncias do País.

Pelo segundo ano consecutivo, a residência oficial do Presidente da República abriu as suas portas para acolher os combatentes da Luta de Libertação Nacional, num momento de confraternização e reconhecimento pelos sacrifícios feitos durante a luta.

Na sua intervenção, o Presidente da República destacou a presença de veteranos provenientes de diferentes pontos do País. 

Segundo o Presidente, o encontro permitiu aos combatentes recordar as longas marchas, missões, combates e sacrifícios que marcaram a sua juventude durante a luta pela libertação nacional.

“Em nome do povo moçambicano, hoje, Dia da Vitória, muito, muito, muito obrigado”, declarou o Chefe do Estado, dirigindo-se aos combatentes e, através deles, a todos os veteranos espalhados pelo País.

 

PONTA VERMELHA COMO SÍMBOLO DA DESCOLONIZAÇÃO

 

O Presidente da República explicou que a escolha da Ponta Vermelha para acolher a gala tem também um significado histórico, uma vez que o local faz parte da história colonial do País.

Recordou que, há cerca de 52 anos, muitos dos combatentes presentes na gala não tinham autorização para entrar naquele espaço. Hoje, afirmou, esses mesmos homens e mulheres entram pela porta principal, são recebidos com honra e sentam-se à mesma mesa na residência oficial do Chefe do Estado.

Para o Presidente, esta transformação representa uma das dimensões da independência nacional.

“Isto significa que nós descolonizámos a Ponta Vermelha”, afirmou, defendendo que a residência oficial do Presidente da República deve ser entendida também como “a casa de todos os moçambicanos”.

“Caros combatentes, sejam bem-vindos à vossa casa e à casa do povo”, acrescentou.

 

7 DE SETEMBRO COMO DIA DA VITÓRIA

 

Ao abordar o significado da data, o Presidente da República recordou que o 7 de Setembro de 1974, com a assinatura dos Acordos de Lusaka, marcou uma etapa decisiva no caminho para a independência nacional, proclamada a 25 de Junho de 1975.

Para o Chefe do Estado, o 7 de Setembro não deve ser visto apenas como mais uma data do calendário nacional, mas como “o dia da nossa vitória”.

O Presidente aproveitou igualmente a presença dos jovens na gala para apelar à valorização dos testemunhos dos combatentes.

Pediu à juventude que aproveite a oportunidade para conversar com os veteranos, conhecer as suas histórias e compreender como foi possível acreditar num Moçambique livre numa altura em que a independência ainda parecia distante.

Na sua perspectiva, a preservação da memória histórica é fundamental para o futuro do País. “Um país que preserva a memória dos seus heróis fortalece também a sua capacidade de construir o futuro”, afirmou.

 

Governo destaca medidas de apoio aos combatentes

O Presidente da República apresentou igualmente algumas das medidas tomadas pelo Governo para apoiar os combatentes durante os primeiros 18 meses de governação.

De acordo com os dados apresentados, foram distribuídos cerca de 3500 cartões de identificação dos combatentes e prestada assistência médica e medicamentosa a perto de 15 mil combatentes.

O Governo concedeu ainda subsídios de funeral a mais de mil famílias e atribuiu 426 bolsas de estudo a descendentes dos combatentes, entre outras acções.

O Chefe do Estado reconheceu que estas medidas estão a ser implementadas num contexto financeiro difícil, mas defendeu que a valorização dos combatentes não pode limitar-se a discursos.

“Valorizar o combatente não se faz apenas com palavras, mas também com acções concretas”, sublinhou. Na gala, 11 combatentes, representando as 11 províncias do País, receberam brindes das mãos do Presidente da República, num gesto simbólico de reconhecimento.

 

PROCESSO DE FIXAÇÃO DE PENSÕES

Outro dos pontos destacados pelo Presidente da República foi a situação das pensões dos combatentes. O Chefe do Estado manifestou preocupação com o facto de o número de combatentes registados continuar a crescer, enquanto o processo de fixação de pensões permanece por concluir. Segundo afirmou, trata-se de um processo que se arrasta há mais de 40 anos.

Perante esta situação, anunciou que o Governo decidiu encerrar o processo de fixação de pensões dos combatentes. Para o Presidente, esta decisão está igualmente relacionada com a necessidade de garantir maior rigor na identificação dos verdadeiros combatentes. “Valorizar o verdadeiro combatente é também purificar as suas fileiras”, afirmou.

 

Preservar o legado e conquistar a independência económica

Na parte final da intervenção, o Presidente da República defendeu que as celebrações de datas históricas devem levar o País a realizar um exercício de reflexão sobre o passado, o presente e o futuro. Segundo explicou, é necessário olhar para o passado “com orgulho e admiração”, encarar o presente com responsabilidade e perspectivar o futuro “com ambição e esperança”.

A primeira responsabilidade, acrescentou, é honrar os combatentes e preservar a memória daqueles que participaram na Luta de Libertação Nacional. O Presidente recordou ainda a cerimónia realizada durante a manhã na Praça dos Heróis Moçambicanos, sublinhando que iniciativas semelhantes tiveram lugar nas províncias e distritos.

Para o Chefe do Estado, honrar os combatentes significa também cuidar deles e garantir que o seu contributo seja reconhecido através de medidas concretas.

Na sua mensagem final, o Presidente afirmou que Moçambique não esquece os que tombaram durante a Luta de Libertação Nacional, nem aqueles que sobreviveram, às famílias que se sacrificaram e todos os homens e mulheres que acreditaram na liberdade quando esta ainda parecia impossível. “A vossa vitória deu-nos uma pátria”, declarou.

Segundo o Presidente, cabe à actual geração transformar essa conquista numa Nação cada vez mais próspera, justa, unida e soberana.

“A vossa geração cumpriu com honra a missão que a história lhes confiou. Cabe-nos honrar esse legado, cumprindo a nossa missão de conquistar a independência económica”, afirmou. O Chefe do Estado encerrou a intervenção reiterando a necessidade de preservar o legado dos combatentes e saudando a Gala Nacional dos Combatentes, o Dia da Vitória e Moçambique.

A venda ilegal de combustíveis continua a ser praticada em alguns bairros da cidade de Tete, apesar das medidas de fiscalização já levadas a cabo pelas autoridades.

O fenómeno, recentemente denunciado pelo “O País”, mereceu, esta segunda-feira, a reacção do Director do Serviço Provincial de Infraestruturas, Otávio Semba, que anunciou a criação de uma equipa multissectorial, que deverá intensificar as acções de fiscalização e adoptar medidas para travar a comercialização clandestina de combustíveis.

A iniciativa surge numa altura em que alguns cidadãos continuam a recorrer ao mercado informal para adquirir gasolina e gasóleo, sobretudo nos bairros onde o abastecimento nas bombas de combustível não tem sido regular, como é o caso do bairro Mateus Sansão Muthemba. 

Sobre a escassez de combustíveis que afectou a província nos últimos meses, o responsável garantiu que a situação tende a normalizar.

Segundo o Director, as bombas de combustível já voltaram a receber o produto, estando o fornecimento a decorrer de forma regular.

Entretanto, nas ruas, a gasolina e o gasóleo continuam a ser comercializados a preços significativamente superiores aos praticados nas bombas. Em alguns casos, o combustível chega a custar cerca de 140 a 160 meticais por litro, quase o dobro do preço oficial, situação que tem preocupado os consumidores e reforçado os apelos para o combate à venda clandestina.

A bacia de retenção de água de Maxaquene “C”, na Cidade de Maputo, voltou a transbordar com as chuvas do último domingo. Os munícipes esperam resposta definitiva para o problema das inundações, na mesma proporção que o município está a responder na zona baixa do centro da Cidade de Maputo.

“Não precisa de chover muito para encher”, descreveu Rafael Maposse, morador de  Maxaquene “C” ao “O País” nesta segunda-feira.

As chuvas do último domingo e madrugada de segunda-feira foram suficientes para inundar a bacia, e condicionar a circulação. A água tomou conta de toda a via, impondo um desafio que apenas veículos robustos conseguem vencer.

Enquanto os camiões avançam sem dificuldade, para os outros condutores, o caminho termina vencido pela força das águas e precisa de atrevimento para seguir.

“É difícil passar. Os carros são obrigados a voltar, dificultando a ligação norte-sul. enquanto as pessoas, para passar, desafiam água que chega até à cintura”, explicou uma idosa no local.

A bacia de retenção da água é, para os municípios, uma defraudação de expectativa construída em suas mentes ao longo da implantação da infra-estrutura, que se previa que fosse aliviar o problema de inundações.

“Pedimos ajuda sempre ao nosso município, mas nenhuma coisa aconteceu”, desabafou Fernando Gove, morador do bairro.

As enchentes acontecem numa altura em que no centro da cidade decorrem obras de reabilitação do sistema de drenagem das águas, por isso os munícipes exigem equilíbrio nas decisões do município.

“Se é que na cidade se está a organizar, esperamos que um dia também se possa organizar aqui, onde estamos, para não estarmos a passar esta situação de água”, pediu Rafael Maposse.

Moradores apontam falta de luz, ausência de posto policial e patrulhamento deficiente como causas do aumento da criminalidade na zona de expansão da Beira.

A zona de Matadouro, no bairro de Inhamízua, vive dias de medo. Só neste ano, já foram registadas cinco vítimas mortais, devido à criminalidade. Moradores denunciam roubos durante o dia e à noite, e apontam a ausência de iluminação pública e a falta de um posto policial como principais factores que favorecem a ação dos malfeitores, naquela que é uma das áreas de expansão da cidade.

De dia, ninguém está seguro, segundo os residentes, que denunciam que adolescentes circulam em grupos, fingindo conversar na rua, enquanto escolhem as vítimas.

À noite a situação agrava-se. A escuridão total e a proximidade com a linha férrea tornam o local propício para assaltos violentos.

“Às vezes nós levamos cliente aqui, para podermos entrar nessa zona. No fim de tudo, por falta de iluminação aqui, na zona, acabamos por sofrer roubo de moto, ser assaltado. Isso já está a ser uma coisa frequente”, contou  Lucas Mauro.

Para os moradores, dois problemas estão na base do problema: a falta de luz e o fraco patrulhamento policial. “Eu já vi aqui a polícia fazer patrulha, mas são raras as vezes. Também eles são seres humanos, e onde não há luz é um pouco difícil patrulhar. Para piorar, nesta  zona de expansão de Matadouro, não existe sequer um posto policial. Havendo uma possibilidade de ter um posto policial, seria louvável”, defendeu  Luciano Nhantumbo.

O único acesso para entrar e sair de Matadouro é um pequeno troço que cruza a linha férrea que liga Beira a Dondo. É precisamente nesse ponto que a maioria dos crimes acontece.

Os números assustam. Só neste ano, cinco pessoas já perderam a vida. A última vítima foi um jovem do bairro, morto no último fim-de-semana e que deixou três filhos pequenos.

“Era biscateiro, mas conseguia qualquer coisa para os filhos comerem. Agora os três filhos menores e a esposa estão desamparados. Como vão conseguir viver?”, questionou Marta Titos, uma residente de Matadouro.

Há ainda críticas ao trabalho dos membros comunitários. “Eu sei que a PRM não tem efectivos adequados, mas também tem uma faixa de membros comunitários. Eles já conhecem a operação daqui, mas não estão a fazer produção, estão lá preocupados a fazer biscates, lavar viaturas na sede do bairro. Não estão aqui”, lamentou Brasil Carlos, igualmente residente em Matadouro. 

Perante o cenário, os moradores pedem socorro urgente às autoridades. Exigem a instalação imediata de iluminação pública, reforço do patrulhamento policial e a construção de um posto policial para travar o avanço da criminalidade e devolver a segurança à população.

A Polícia da República de Moçambique prometeu pronunciar-se sobre as denúncias populares nesta terça-feira.

A reabilitação da EN1, na zona baixa de Nguluzane, em Xai-Xai, aproxima-se, mas encontra um impasse entre a Administração Nacional de Estradas, famílias e comerciantes instalados no local, a dois meses do início das obras. A ANE garante que os trabalhos vão avançar e fixa em 30 mil meticais o apoio para a retirada. Os afectados contestam os valores e recusam-se a abandonar a zona do bairro 8.

Oito meses depois das cheias de Janeiro, a baixa de Nguluzane, na Estrada Nacional Número Um, em Xai-Xai, continua com marcas da destruição provocada pelas águas e com a transitabilidade condicionada. A situação preocupa os munícipes, que apelam à intervenção das autoridades para melhorar as condições da via, sobretudo numa zona que fica frequentemente alagada.

“Pelo menos fazer qualquer coisa. Porque aqui, como é um sítio que sempre fica cheio de água, quando vem a chuva, vai estragar muita coisa”, alerta Melita Chaúque, munícipe de Xai-Xai.

Por ser um troço considerado crucial para a ligação rodoviária entre o Sul e o resto do País, a baixa de Nguluzane está entre as prioridades da primeira fase de reabilitação pós-cheias. Contudo, a dois meses do arranque previsto das obras, persiste o impasse sobre a retirada das famílias e comerciantes que ocupam as bermas da estrada.

Os afectados contestam as condições apresentadas para a sua retirada e defendem uma compensação que consideram justa.

“É que nós queremos uma indemnização justa”, afirma Mércia, comerciante na baixa de Nguluzane.

Omar Abdul, residente na mesma zona, diz que vive no local há muitos anos e considera insuficiente qualquer compensação que não tenha em conta as condições de habitação.

“Estamos a viver aqui há séculos e séculos. Além de nos pagarem uma indemnização para sair desta casa, a gente precisa de 50 a 60 milhões de meticais”, afirma.

A situação, segundo os residentes, também tem provocado perdas financeiras. Clementino Feliciano diz que, desde Fevereiro, deixou de obter rendimentos regulares com o negócio que desenvolvia no local.

“Por mês, uns 15 mil saíam, porque diariamente fazemos 500 meticais. […] Estamos assim, sem nenhum rendimento aqui, em casa. Não sabemos como vamos sobreviver”, lamenta.

A Administração Nacional de Estradas, na província de Gaza, mantém a posição de que os ocupantes estão numa área de protecção parcial de estradas e considera que o apoio para a retirada não deverá ultrapassar os 30 mil meticais.

Nelson Horácio, chefe do Departamento de Planificação da ANE em Gaza, explica que a província já disponibilizou cerca de 390 mil meticais para apoiar as famílias abrangidas.

É precisamente nos valores que se concentra o principal ponto de divergência. Enquanto a ANE considera os 30 mil meticais apoio para a retirada, as famílias e comerciantes consideram o montante insuficiente.

“Os 30 mil meticais, não vou assinar”, afirma Melita Dulobo, residente na zona baixa de Nguluzane.

A ANE diz, entretanto, que o processo de diálogo continua e que algumas famílias já aceitaram os termos propostos.

“Seis já concordaram, já assinaram alguns termos”, revela Nelson Horácio.

Entre os afectados, porém, permanece a insatisfação. Edson Pombal, residente na baixa de Nguluzane, considera insuficiente o valor proposto para a retirada.

“Prometeram esses 30 mil, que acho uma miséria. Não dá mesmo para muito tempo se passar. Nada do que prometeram está a acontecer”, queixa-se.

Além da revisão dos valores, os ocupantes defendem a atribuição de terrenos e bancas em áreas consideradas seguras.

O impasse ocorre numa altura em que a ANE prevê avançar com as obras de reabilitação do troço, numa zona onde a ocupação das áreas de protecção rodoviária não se limita à baixa de Nguluzane.

Em Gaza, mais de 50 infra-estruturas, incluindo estabelecimentos comerciais, encontram-se embargadas por violação da área de protecção de estradas. Limpopo, Xai-Xai, Bilene e Chibuto estão entre os distritos apontados como mais críticos.

A XVI edição do Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares terminou, este domingo, em Inhambane, deixando uma responsabilidade que ultrapassa as medalhas conquistadas durante seis dias de competição: garantir que os talentos descobertos não desapareçam quando os estudantes regressarem às suas províncias. O Governo quer criar uma ligação mais efectiva entre escolas, clubes, federações e selecções nacionais, melhorar infra-estruturas e formar treinadores. No encerramento, foi igualmente anunciado que a caravana dos Jogos Escolares seguirá para a Zambézia, que acolherá a próxima edição, em 2028.

Durante seis dias, Inhambane deixou de ser apenas uma das principais referências turísticas de Moçambique para se transformar num enorme palco do desporto escolar. Jovens provenientes de diferentes pontos do país entraram nos campos, pistas e outros espaços de competição carregando as cores das suas províncias, procurando medalhas, afirmação e, em muitos casos, uma oportunidade para mostrar um talento que até aqui era conhecido apenas na escola, no distrito ou na comunidade onde vivem.

Houve vencedores, derrotados, lágrimas, celebrações e novos campeões. Houve também jovens que não chegaram ao pódio, mas que podem ter feito, em Inhambane, a competição capaz de mudar o rumo das suas carreiras. É precisamente por isso que o encerramento da XVI edição do Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares colocou uma questão que vai muito além da classificação final: o que acontecerá, a partir de agora, aos talentos descobertos durante a competição?

Para o Governo, o fim dos Jogos não pode significar o fim do acompanhamento dos atletas. A orientação deixada no encerramento é para que os estudantes que demonstraram talento ou capacidades excepcionais continuem a ser observados quando regressarem às respectivas províncias e encontrem mecanismos que lhes permitam desenvolver aquilo que revelaram em Inhambane.

A Primeira-Ministra, Benvinda Levi, defendeu que o potencial identificado durante a competição deve ser acompanhado através de uma ligação mais forte entre escolas, clubes, federações e selecções nacionais. A intenção é construir um sistema capaz de identificar os talentos ainda na base e conduzi-los progressivamente para outros níveis da prática desportiva.

O desafio recupera uma das principais mensagens deixadas pelo Presidente da República, Daniel Chapo, quando abriu a competição. Na altura, o Chefe do Estado defendeu que as escolas devem funcionar como um verdadeiro viveiro de talentos e como uma ponte para que clubes e federações consigam encontrar jovens com potencial nas diferentes modalidades.

Se na abertura a prioridade foi descobrir, no encerramento o discurso mudou para aquilo que talvez seja mais difícil: não perder aquilo que foi descoberto.

Caifadine Manasse, Ministro da Juventude e Desporto, considera que é precisamente nas escolas, comunidades e outros espaços onde crianças e jovens começam a praticar desporto que deve nascer o futuro da alta competição em Moçambique. É aí que, segundo o governante, podem ser identificadas vocações e criadas as primeiras condições para que aqueles que demonstram maior capacidade prossigam o percurso.

“Não devemos olhar para estes Jogos apenas como uma competição que termina hoje. Devemos encará-los como uma etapa de um processo mais amplo de desenvolvimento do desporto escolar e de construção do futuro do desporto moçambicano”, defendeu Caifadine Manasse.

A dimensão desta responsabilidade torna-se maior quando o próprio Governo admite que entre os estudantes que competiram em Inhambane podem estar futuros representantes de Moçambique nas grandes competições nacionais, regionais, continentais e internacionais. Mas chegar a esses palcos dependerá de muito mais do que o talento revelado durante os Jogos.

Caifadine Manasse defende que esse potencial terá de ser acompanhado por trabalho, disciplina, formação académica e apoio institucional. Para o ministro, uma medalha conquistada enquanto estudante não deve ser vista como ponto de chegada, mas como uma indicação de capacidades que precisam de continuar a ser trabalhadas.

É justamente neste ponto que o Festival deixa de ser apenas uma competição e coloca à prova o próprio sistema de desenvolvimento do desporto nacional.

Um estudante pode destacar-se numa pista em Inhambane e, poucos dias depois, regressar a uma escola onde não dispõe das mesmas condições de treino. Pode revelar enorme capacidade no futebol e voltar para um distrito onde não existe um clube capaz de o acompanhar. Pode conquistar uma medalha e, terminado o festival, deixar de ter acesso regular a um treinador. É para evitar que situações desta natureza interrompam a evolução dos jovens que o Governo coloca agora responsabilidade também sobre as estruturas locais.

Benvinda Levi chamou municípios e distritos a preservarem espaços destinados à prática desportiva nas comunidades. Defendeu igualmente que sejam planificados recursos para a reabilitação e manutenção das infra-estruturas e que se aposte na formação de treinadores e agentes desportivos em todo o território nacional.

A mensagem significa que o legado de Inhambane 2026 não será medido apenas pelo número de medalhas distribuídas ou pela capacidade demonstrada durante a organização. Uma das avaliações mais importantes deverá ser feita mais tarde, quando for possível perceber quantos dos estudantes identificados conseguiram continuar a treinar e quantos encontraram uma estrutura que os conduzisse para clubes, federações e eventualmente selecções nacionais.

Mas o Governo deixou também uma condição aos jovens que começam a olhar para o desporto como possível profissão: nenhuma carreira deve ser construída à custa do abandono da escola.

Caifadine Manasse advertiu que educação e desporto devem caminhar juntos. Mesmo os jovens que demonstrarem capacidade excepcional e perspectivas de chegar à alta competição devem manter a formação académica. Na visão apresentada pelo ministro, o país precisa de atletas que consigam transformar talento em competência, mas também de cidadãos preparados para servir a sociedade.

Benvinda Levi reforçou a mesma orientação. A Primeira-Ministra defendeu que Moçambique deve procurar campeões nas pistas e nos campos, mas também jovens capazes de pensar, inovar e participar no desenvolvimento do país. Para o Governo, a verdadeira excelência deverá resultar da combinação entre competência desportiva, conhecimento, disciplina e carácter.

A inclusão foi outro dos legados que o Executivo procurou colocar em evidência no balanço dos seis dias de competição.

A participação de estudantes com deficiência foi apontada pela Primeira-Ministra como demonstração de que o princípio de inclusão, que integra o lema desta edição, deve ultrapassar o discurso e materializar-se no acesso efectivo à prática desportiva. O XVI Festival decorreu sob o lema “Desporto Escolar inclusivo, promovendo o patriotismo, o talento e a solidariedade”.

Para Benvinda Levi, uma escola verdadeiramente inclusiva deve reconhecer o potencial dos estudantes independentemente do género, condição social, origem geográfica ou deficiência. Rapazes e raparigas devem igualmente encontrar oportunidades para competir e desenvolver as suas capacidades.

A concretização desta visão volta, porém, à mesma questão estrutural que atravessou parte importante do discurso de encerramento: condições.

Não basta identificar um jovem com talento se não existir onde treinar. Não basta abrir uma competição a estudantes com deficiência se, depois do festival, as condições para a prática desportiva desaparecerem. Não basta descobrir capacidades excepcionais se treinadores, escolas, clubes e federações não tiverem mecanismos para continuar a desenvolvê-las.

É por isso que o Governo reiterou o compromisso de melhorar infra-estruturas, valorizar professores de Educação Física, aperfeiçoar treinadores e desenvolver mecanismos mais eficazes de acompanhamento dos talentos. Benvinda Levi reconheceu, contudo, que essa responsabilidade não pertence exclusivamente ao Executivo e chamou escolas, famílias, clubes, federações, sector privado, parceiros e os próprios jovens a participarem no processo.

O encerramento dos Jogos serviu também para colocar sobre a mesa problemas que aparentemente estão distantes dos resultados desportivos, mas que afectam directamente a vida e o futuro dos estudantes.

A Primeira-Ministra defendeu que a escola deve ser um lugar seguro e de realização dos sonhos das crianças e jovens e chamou os diferentes intervenientes do sistema educativo a prevenir e combater formas de violência que atingem os alunos.

Benvinda Levi apontou especificamente o assédio e abuso sexual no meio escolar e familiar, os casamentos prematuros e o consumo de álcool e drogas como problemas que devem merecer atenção. Alertou igualmente para a necessidade de prevenir o vandalismo e a destruição das infra-estruturas.

Ao dirigir-se directamente aos estudantes, a governante deixou uma das mensagens mais incisivas da cerimónia.

“O talento é um bem precioso. Protejam-no com estudo, carácter e valores. Não troquem a vossa dignidade por promessas fáceis. O sucesso verdadeiro constrói-se com trabalho, nunca com atalhos”, afirmou Benvinda Levi, desafiando os jovens a continuarem a estudar e treinar.

A mensagem acrescenta outra dimensão ao conceito de campeão que o Governo procurou defender ao longo do festival. Ganhar continua importante, mas a formação do jovem não pode terminar na capacidade de superar adversários dentro do campo.

Caifadine Manasse lembrou aos medalhados que a vitória deve ser recebida com orgulho, mas também com humildade e responsabilidade. Aos estudantes que não conseguiram alcançar os resultados pretendidos, deixou a indicação de que uma derrota não define o seu valor nem determina o seu futuro.

É uma leitura que ajuda a compreender outro resultado dos Jogos que não aparece no quadro de medalhas.

Durante seis dias, jovens de diferentes províncias partilharam espaços, competiram, conviveram e conheceram realidades diferentes das suas. Para Benvinda Levi, esta aproximação constituiu uma das principais conquistas do Festival porque contribuiu para consolidar a unidade nacional.

Os estudantes entraram nos campos representando as respectivas províncias, mas, fora da competição, conviveram como integrantes da mesma nação. Professores e treinadores tiveram também a oportunidade de transmitir princípios de ética, moral e fair play, enquanto os jovens reforçaram o sentimento de pertença ao país.

Caifadine Manasse considera que essa capacidade de aproximar jovens separados pela distância geográfica é uma das grandes forças do desporto. Em Inhambane, estudantes de diferentes pontos do país competiram uns contra os outros e, simultaneamente, construíram amizades e partilharam experiências.

Para uma província que teve de receber milhares de participantes, o desafio foi igualmente logístico e organizacional. No balanço do evento, o Governo considerou que Inhambane demonstrou capacidade para acolher uma competição de dimensão nacional.

A Primeira-Ministra destacou a hospitalidade das autoridades, comunidades e população e considerou que o legado da competição não se resume aos vencedores e às medalhas. Inclui estudantes que descobriram novas capacidades, professores que encontraram outras formas de motivar os jovens, treinadores que identificaram talentos e comunidades que viveram o desporto como espaço de união.

A organização em Inhambane chega ao fim, mas a história dos Jogos Escolares não termina aqui.

No encerramento, Benvinda Levi anunciou oficialmente que a província da Zambézia vai acolher a próxima edição do Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares, em 2028. A província recebe, assim, o testemunho de Inhambane e o desafio de elevar os níveis de organização, participação, inclusão e valorização dos talentos da juventude.

Até lá, o maior desafio não estará na preparação da próxima cerimónia de abertura.

Estará nas escolas e comunidades para onde regressam os jovens que passaram por Inhambane. Estará na capacidade dos distritos e municípios de preservar espaços desportivos. Estará nos professores que terão de continuar a identificar capacidades, nos treinadores que precisarão de desenvolver os atletas, nos clubes e federações que deverão abrir portas e nas instituições que terão de garantir que um jovem não deixe de evoluir simplesmente porque nasceu longe dos grandes centros.

Os vencedores regressam com medalhas. Outros levam a experiência da derrota. Muitos carregam novas amizades e todos voltam às províncias depois de uma competição que lhes permitiu medir capacidades diante de estudantes de todo o país.

Alguns podem nunca voltar a disputar uma competição desta dimensão. Outros poderão estar apenas no início de um percurso que os levará aos principais palcos do desporto nacional e internacional.

É essa possibilidade que transforma o encerramento dos Jogos numa espécie de ponto de partida.

Inhambane descobriu talentos. Zambézia prepara-se para receber os próximos Jogos. Entre uma edição e outra, caberá agora ao país provar que consegue fazer algo ainda mais difícil do que encontrar jovens promissores: impedir que eles se percam pelo caminho.

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