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O País – A verdade como notícia

A Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, iniciou este sábado uma visita de trabalho à província do Niassa, onde permanecerá até ao próximo dia 7 de Junho, no quadro das celebrações do Dia Internacional da Criança e de um vasto programa de acções sociais destinadas à promoção do bem-estar das comunidades.

A deslocação decorre sob o lema “Proteger a Criança é Responsabilidade de Todos”, escolhido para assinalar o Dia Internacional da Criança, celebrado a 1 de Junho. Durante a visita, a esposa do Presidente da República irá liderar e participar em diversas iniciativas de sensibilização voltadas para a defesa dos direitos da criança, com especial enfoque na educação, saúde, protecção e desenvolvimento integral dos menores.

As actividades programadas incluem encontros com crianças, jovens, idosos, estudantes e outras personalidades influentes da província, criando espaços de diálogo sobre os desafios e oportunidades para o desenvolvimento das comunidades locais.

A agenda contempla igualmente a realização de comícios populares, que servirão de plataforma para a transmissão de mensagens de sensibilização sobre a protecção da criança, a valorização da família e a importância do envolvimento colectivo na construção de comunidades mais inclusivas e solidárias.

No âmbito da sua deslocação, Gueta Selemane Chapo manterá também encontros de trabalho com membros dos Órgãos de Governação Provincial, delegados sectoriais, directores distritais de Educação, Juventude e Tecnologia, bem como com responsáveis de estabelecimentos de ensino. Os encontros visam recolher contribuições e discutir soluções para questões ligadas à educação, ao empoderamento da juventude e à melhoria das condições de aprendizagem.

A visita insere-se no compromisso contínuo do Gabinete da Primeira-Dama de promover iniciativas de desenvolvimento humano e social, com particular atenção às camadas mais vulneráveis da população.

Através desta deslocação ao Niassa, Gueta Selemane Chapo procura reforçar a mobilização de instituições, famílias e comunidades em torno da protecção da criança, da valorização da juventude e do respeito pelos idosos, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e solidária.

A província de Gaza poderá enfrentar uma das mais graves crises alimentares dos últimos anos após as cheias que devastaram campos agrícolas, destruíram meios de subsistência e comprometeram a recuperação de milhares de famílias rurais. O alerta foi lançado pelas autoridades provinciais, que admitem um cenário de fome aguda caso não haja uma resposta urgente para restaurar a capacidade produtiva das comunidades afectadas.

Os números revelam a dimensão da tragédia. Mais de 270 mil hectares de culturas diversas foram destruídos pelas enxurradas, enquanto cerca de 168 mil famílias produtoras perderam sementes, equipamentos agrícolas e acesso às suas machambas. Em muitos casos, as áreas de cultivo continuam submersas meses após as inundações.

“A nossa província experimentou mais uma vez problemas ligados às mudanças climáticas e grande parte dos afectados continua a viver em situações dramáticas. Falta abrigo e muitas das terras onde deveriam produzir encontram-se alagadas. Este ano a nossa província vai enfrentar problemas sérios de fome”, alertou o Secretário de Estado na província de Gaza, Jaime Neto.

O governante defende que o país deve investir em mecanismos de adaptação climática e em soluções de longo prazo para garantir a sustentabilidade alimentar das populações vulneráveis.

Segundo a Direcção Provincial da Agricultura e Pescas, a recuperação da produção enfrenta dificuldades devido à insuficiência de insumos agrícolas. Das cerca de 168 mil famílias afectadas, apenas parte deverá receber apoio imediato para retomar o cultivo.

“Estamos a receber os insumos e vamos apoiar cerca de 127 mil produtores. Ainda teremos um défice significativo de famílias que necessitam de assistência”, explicou a directora provincial da Agricultura e Pescas, Ercília Cau.

 

Insegurança alimentar agrava-se

A situação na província surge num contexto nacional já marcado por elevados níveis de insegurança alimentar. Dados recentes do Programa Mundial de Alimentos indicam que cerca de 2,7 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar em Moçambique, enquanto as cheias registadas no início de 2026 afectaram aproximadamente 700 mil pessoas em várias regiões do país.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura estima que as inundações tenham afectado mais de 313 mil hectares de terras agrícolas em todo o território nacional, sendo Gaza a província mais atingida, com mais de 182 mil hectares inundados. A organização alerta que a destruição de culturas como arroz, milho e cana-de-açúcar ameaça agravar a escassez de alimentos e a perda de rendimentos nas zonas rurais.

 

Famílias já enfrentam dificuldades

Nos distritos do norte da província, a crise já é visível. Na comunidade de Bingo, localizada a cerca de 39 quilómetros da vila de Massingir, mais de 240 famílias lutam diariamente para garantir alimentação.

A perda das colheitas e dos meios de produção reduziu drasticamente a capacidade de sobrevivência de muitas famílias.

“Perdi dez cabeças de gado de um total de quinze. Agora trabalhamos as machambas apenas com as mãos. Depois da perda do gado não temos capacidade de produzir nem condições para comprar alimentos”, relatou Manuel, criador de gado afectado pelas cheias.

Outro produtor, Pedro, afirma que perdeu todo o efectivo bovino.

“Não tive qualquer apoio. As dez cabeças de gado foram arrastadas pelas águas”, contou.

Dados do Ministério da Agricultura indicam que as cheias provocaram também a perda de centenas de milhares de animais em todo o país, afectando sobretudo os distritos de Massingir, Guijá e Chibuto.

 

Governo e parceiros procuram resposta

Perante o agravamento da situação, o Governo e parceiros internacionais estão a implementar programas de recuperação agrícola e reforço da resiliência comunitária.

Entre as medidas previstas estão a distribuição de sementes, a formação em agricultura de conservação e o apoio técnico aos agricultores afectados.

“Os desastres estão a aumentar e os recursos para apoiar os afectados estão a diminuir. Precisamos olhar para soluções locais e reforçar a capacidade das comunidades para responder a estes choques”, afirmou Geoffrey Kibigo, parceiro do Governo em programas de recuperação pós-cheias.

A intervenção em curso na província de Gaza está estimada em cerca de 15 milhões de meticais.

Para o administrador distrital de Massingir, Sérgio Costa, a rapidez na distribuição de sementes será determinante para evitar perdas ainda maiores.

“Sabemos que ainda existe humidade nos solos e a única forma de aproveitá-la é lançar imediatamente à terra as sementes que estamos a receber”, afirmou.

 

Mudanças climáticas aumentam vulnerabilidade

Moçambique continua entre os países mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, enfrentando regularmente ciclones, secas e inundações. Segundo o Programa Mundial de Alimentos, os fenómenos extremos têm contribuído para a deterioração das condições de vida de milhões de pessoas, sobretudo nas zonas rurais dependentes da agricultura familiar.

Com mais de 300 mil pessoas afectadas pelas cheias apenas na província de Gaza e diante do aumento dos preços dos combustíveis e dos alimentos, autoridades e organizações humanitárias alertam que os próximos meses serão decisivos para evitar uma crise alimentar de maiores proporções.

Sem apoio rápido e consistente à recuperação agrícola, milhares de famílias poderão enfrentar uma situação prolongada de escassez alimentar numa região já severamente fragilizada pelos efeitos dos eventos climáticos extremos.

Trezentos mutuários do Fundo de Desenvolvimento Local (FDEL), na Cidade de Maputo, receberam, neste sábado, cheques para o arranque das suas actividades. O presidente do Conselho Municipal de Maputo, Razaque Manhique, apelou aos beneficiários para evitarem desvios na aplicação dos fundos.

Hortência Guambe, técnica de enfermagem geral, teve de aguardar mais de cinco anos para conseguir um financiamento destinado a impulsionar o seu projecto de confeitaria. Ao longo desse período, candidatou-se a vários programas de apoio a iniciativas juvenis, mas nunca chegou a ser seleccionada.

“É uma boa experiência, porque concorri pela primeira vez, depois pela segunda, e agora, à terceira tentativa, consegui”, afirmou Hortência Guambe, beneficiária do fundo.

À semelhança de Hortência Guambe, outros 300 mutuários do Fundo de Desenvolvimento Local, na capital do País, receberam das mãos do presidente do Município de Maputo os cheques correspondentes ao desembolso de fundos destinados a impulsionar os seus projectos.

Na ocasião, Razaque Manhique apelou ao uso responsável dos recursos disponibilizados, advertindo contra quaisquer desvios de aplicação.

“O dinheiro deve servir para o propósito para o qual foi atribuído e deve ser usado com responsabilidade. O dinheiro que hoje receberam pertence ao povo moçambicano. Este valor é concedido sob a forma de empréstimo. A partir do momento em que começam a empreender, devem fazê-lo com responsabilidade, lembrando-se de que, após o período estabelecido, o dinheiro deverá ser reembolsado para que possa beneficiar outras pessoas”, afirmou o edil de Maputo.

Na Cidade de Maputo foram alocados pouco mais de 13 milhões de meticais, a serem distribuídos pelos sete distritos municipais.

Cada distrito receberá os fundos de acordo com a dimensão da população, a extensão territorial e o índice de pobreza multidimensional.

O edil reiterou que o fundo deve ser aplicado como instrumento de combate à pobreza urbana.

“Aquele que vai empreender a partir do FDEL poderá empregar outros jovens. Assim, estaremos a combater a pobreza urbana e a produzir a riqueza que todos desejamos. É possível, se estivermos determinados e formos consequentes. É possível, se estivermos unidos e coesos enquanto munícipes desta cidade”, acrescentou.

A cerimónia de entrega dos cheques teve lugar no bairro de Nhlamankulu e contou com a apresentação de diversas expressões artísticas, que atraíram ao local pessoas de várias faixas etárias.

A Agência Nacional da Qualidade Ambiental (AQUA) emitiu, desde 2025 até ao presente momento, 225 avisos de multa, avaliados em cerca de 166 milhões de meticais. Contudo, deste montante, apenas 33 milhões de meticais foram efectivamente arrecadados.

O país continua a registar diversas infrações cometidas por empresas que operam no sector dos recursos minerais, situação que resulta em prejuízos significativos para o Estado.

De 2025 até esta data, a Agência Nacional da Qualidade Ambiental (AQUA) emitiu 225 avisos de multa a empresas infractoras, num valor global de 166 milhões de meticais. No entanto, apenas cerca de 33 milhões de meticais deram entrada nos cofres do Estado.

No âmbito da fiscalização florestal, a AQUA intensificou igualmente as suas acções para travar a exploração ilegal e a pilhagem dos recursos florestais. Como resultado das multas aplicadas neste sector, foram arrecadados perto de 22 milhões de meticais no mesmo período.

Os dados foram apresentados à margem da Primeira Reunião Nacional da AQUA, realizada na província da Zambézia. O encontro terminou esta sexta-feira e foi orientado pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino.

Pacientes denunciam aplicação de medicamentos fora do prazo, há quatro meses, no Centro de Saúde de Chigubo, em Gaza. No entanto, a Direcção Provincial de Saúde diz que sector tem stock de medicamentos para os próximos 14 meses e diz que as acusações são infundadas, mas admite investigar o caso.

O Centro de Saúde de Ndindiza, no distrito de Chigubo, mais a norte da província de Gaza, é acusado de administrar medicamentos fora do prazo de validade aos pacientes. O caso mais recente ocorreu em Abril deste ano.  Elias Chaúque, de 56 anos de idade, alega que na sequência de uma consulta hospitalar recebeu um medicamento cujo prazo de validade era Dezembro de 2025.

A aplicação, entretanto, ocorreu no dia 21 de Abril, quatro meses após o limite estabelecido pelo fabricante. 

O administrador do distrito de Chigubo, Almeida Guelume confirma a denúncia, na qual  são indiciados de negligência vários gestores da unidade sanitária de Chigubo, incluindo a Directora Distrital de Saúde.

“Tomamos conhecimento através das redes sociais, da circulação de uma informação, dando conta que há um paciente que foi administrado medicamento fora do prazo no Centro de Saúde. À luz daquilo que preconiza o funcionamento da administração pública, nós estamos a fazer um trabalho interno para se apurar a veracidade destes factos e, se concluir, haver alguma culpabilidade dos nossos colegas que atenderam ou estiveram naquele dia em que o paciente se fez ao Centro de Saúde, iremos tomar as devidas medidas administrativas em função àquilo que emana o Estatuto Geral, os funcionários agentes do Estado e demais leis que orientam o funcionamento da administração pública”, declarou Almeida Guelume, Administrador de Chigubo. 

Após ingerir o medicamento, o paciente que deu entrada com quadro diarreia começou a registar alergias, por isso, exige responsabilização aos implicados.

Reagindo, a Direcção provincial de Saúde avançou que o sector tem stock de medicamentos para os próximos 14 meses e que a denúncia é infundada e não há evidências de que o paciente tenha sido realmente administrador um fármaco no centro de saúde de Chigubo.

O Médico Chefe diz, no entanto, que decorre uma averiguação aprofundada cujo resultado será anunciado nos próximos dias.

Enquanto aguarda pelos resultados da investigação do sector da saúde, o paciente submeteu o caso à procuradoria distrital de Chigubo.

Cerca de 250 agentes, dos 600 admitidos no último concurso de ingresso ao Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), participam do I curso básico de investigação criminal. O curso terá a duração de seis meses.

A cerimónia de abertura será dirigida pelo Procurador-Geral, Américo Letela, neste sábado, em Moamba, província de Maputo.

Segundo o comunicado do Ministério Público, o Serviço Nacional de Investigação Criminal reafirma, com a iniciativa, o seu compromisso com o reforço da capacidade

institucional e a modernização dos instrumentos de investigação criminal, ao serviço da legalidade e da defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos.

O Presidente do Município de Maputo, Rasaque Manhique, entrega, neste sábado, cheques aos beneficiários do Fundo do Desenvolvimento Local (FDEL), no campinho de Mafalala, no distrito municipal de KaMaxakeni. No mesmo local decorrem feiras de saúde, de gastronomia, de empreendedorismo e serviços de emissão de bilhetes de identidade e pagamento de impostos e taxas municipais. 

Segundo o comunicado do Municipal, serão beneficiados 300 cidadãos dos sete distritos municipais de Maputo. 

 

Na cidade de Inhambane, as autoridades intensificaram a fiscalização aos transportadores semi-colectivos de passageiros, numa operação que visa promover maior segurança rodoviária e garantir o cumprimento das regras na actividade.

Logo nas primeiras horas da manhã, agentes reguladores de trânsito estiveram posicionados nas principais vias da cidade, com o objectivo de verificar as condições de segurança das viaturas e a legalidade da actividade de transporte.

A acção também teve como foco o combate ao agravamento ilegal de tarifas e ao encurtamento irregular de rotas, práticas que têm motivado reclamações por parte dos passageiros.

Segundo o Conselho Municipal de Inhambane, mais de 80 viaturas foram fiscalizadas no âmbito da operação, tendo sido aplicadas 15 multas por diferentes tipos de infracções, no quadro do reforço da disciplina e da regularização do sector.

Moçambique continua empenhado em garantir o acesso universal à energia eléctrica até 2030, porém os desafios para alcançar este objectivo permanecem significativos, sobretudo nas zonas rurais, onde milhares de famílias vivem ainda sem acesso à corrente eléctrica.

O assunto esteve em análise durante o seminário alusivo ao Dia da Energia, promovido pela Electricidade de Moçambique (EDM), evento que reuniu representantes do Governo, académicos e especialistas do sector energético.

Durante o painel dedicado aos desafios da universalização da energia eléctrica, o pesquisador da Universidade Eduardo Mondlane e Bastonário da Ordem dos Engenheiros, Alberto Tsamba, recomendou o regresso às aldeias comunais como forma de facilitar a distribuição da corrente eléctrica e de outros serviços básicos nas comunidades rurais.

Segundo o académico, a concentração populacional em aldeias organizadas poderá reduzir custos de infra-estruturas e tornar mais eficiente a expansão da rede eléctrica nacional.

Por seu turno, a Universidade Pedagógica desafiou o Ministério dos Recursos Minerais e Energia a criar condições que facilitem a aquisição de material de electrificação por parte de particulares, considerando que tal medida poderá contribuir para acelerar a expansão da energia eléctrica no País.

Na mesma ocasião, o Ministério dos Recursos Minerais e Energia apresentou informações sobre o estágio da fábrica de painéis solares na Província de Maputo, assegurando igualmente a retoma das actividades do projecto.

Apesar dos progressos alcançados nos centros urbanos, o acesso universal à energia eléctrica continua a exigir soluções inovadoras e sustentáveis para responder às necessidades das populações das zonas rurais.

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