O País – A verdade como notícia

Uma família composta por cinco membros foi resgatada de cima de uma árvore, após dois dias de espera, na localidade de Chiguedela, distrito de Chibuto, província de Gaza. 

Não foi necessário ir longe para ver do alto os estragos provocados pela fúria das águas. Plantações totalmente submersas, estradas cortadas e várias famílias que continuam a alimentar a esperança enquanto aguardam por resgate. Na localidade de Xigidela, no distrito de Chibuto, a equipa de salvamento retirou 79 pessoas só na primeira hora de sobrevoo.

Numa imagem a que o nosso jornal teve acesso mostra o momento em que a equipa de salvamento efectuou o resgate de cinco pessoas da mesma família que permaneceu dois dias em cima de uma árvore. Já em local seguro, a emoção misturava-se com o sentimento de alívio. As famílias retiradas de cenários críticos em Chibuto estão a ser encaminhadas para um posto administrativo considerado mais seguro, de onde as pessoas anteriormente sitiadas clamavam por intervenção.

“Não há lenha, não há carvão para a gente cozinhar”, lamentou uma das pessoas que se encontrava no centro de acolhimento.

As autoridades locais afirmam ter soado o alarme, mas as pessoas resistiram em abandonar as zonas de risco. 

Neste momento, o processo de salvamento que prevê abranger, para  além de Chibuto, locais como Chokwé e Guijá, é feito com recurso a dois helicópteros e o INGD fala da chegada de mais dois a qualquer momento. 

A Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, manifestou consternação pelo falecimento da antiga Primeira-Ministra de Moçambique, Luísa Dias Diogo, ocorrido esta sexta-feira, vítima de doença.

Numa mensagem de condolências dirigida à família enlutada, Gueta Selemane Chapo afirma que a partida de Luísa Dias Diogo representa uma perda profunda para Moçambique e, em particular, para as mulheres que nela encontraram uma referência de coragem, competência e liderança ao serviço do bem comum.

A Primeira-Dama sublinha que Luísa Dias Diogo foi uma mulher de visão e de princípios firmes, que exerceu com elevado sentido de responsabilidade os cargos de Ministra das Finanças e de Primeira-Ministra, contribuindo de forma decisiva para a consolidação económica do país e para o fortalecimento do papel da mulher na governação.

Na mensagem, Gueta Chapo destaca ainda que o exemplo de dedicação e integridade de Luísa Dias Diogo continuará a inspirar gerações de moçambicanas e moçambicanos, descrevendo-a como uma líder que soube unir competência e sensibilidade, abrindo caminhos e deixando marcas profundas no país e além-fronteiras.

A Primeira-Dama realça que o legado de Luísa Dias Diogo transcende a sua acção governativa, permanecendo vivo como inspiração para as novas gerações de mulheres e raparigas moçambicanas, a quem abriu caminhos de participação, liderança e serviço à pátria.

No final, Gueta Selemane Chapo expressa solidariedade à família enlutada e a todos os moçambicanos, manifestando votos de conforto e serenidade neste momento de dor, e reiterando que a memória de Luísa Dias Diogo continuará a iluminar o percurso de Moçambique.

As águas já invadiram a cidade de Chókwè, na província de Gaza. Pelo seu volume, em apenas oito horas, o município estará submerso.

A fúria das águas invadiu o coração de Chókwè por volta das 15 horas desta sexta-feira, deixando centenas de famílias sitiadas na ponte que liga a cidade ao distrito de Guijá.

Quase todos os bairros estão inundados, incluindo várias instituições do Estado, e alguns proprietários de estabelecimentos comerciais começam a retirar bens alimentares das lojas.

A cidade está agitada, mas a qualquer momento será bloqueada pela corrente das águas. Contudo, há quem prefere deixar tudo para trás para salvar a sua vida.

Enquanto isso, há pessoas que saqueiam alguns produtos nas viaturas.

No distrito de Guijá, mais de 10 mil pessoas estão sitiadas.

Sem gravar entrevista, o director regional do INGD garantiu estarem em curso acções para o resgate das famílias sitiadas.

O Absa Bank Moçambique manifestou profundo pesar pelo falecimento de Luísa Diogo, antiga Presidente do Conselho de Administração da instituição e membro do Conselho de Administração do Grupo Absa na África do Sul.

Em comunicado, o banco destaca Luísa Diogo como uma referência incontornável da liderança em Moçambique, sublinhando o papel determinante que desempenhou em momentos-chave de transformação no Absa Bank Moçambique. Segundo a instituição, a sua actuação deixou uma marca duradoura na cultura organizacional, na forma de liderar e no compromisso com o desenvolvimento económico e social do país.

Reconhecida pela sua visão estratégica, integridade e sentido de missão, Luísa Diogo é descrita como “uma líder que inspirou equipas, elevou os padrões de governação e contribuiu de forma decisiva para o fortalecimento da banca em Moçambique e no continente africano”.

Neste momento de luto, o Absa Bank Moçambique “endereça as suas mais sentidas condolências à família, amigos e a todos aqueles que tiveram o privilégio de trabalhar e aprender com a Dra. Luísa Diogo, reafirmando o compromisso de honrar o seu legado, mantendo-se fiel aos valores de liderança responsável, integridade e impacto positivo que marcaram o seu percurso”.

O Presidente da República, Daniel Chapo, manifestou “profundo pesar” pelo falecimento da antiga Primeira-Ministra de Moçambique, Luísa Dias Diogo, ocorrido hoje, vítima de doença.

Em mensagem endereçada à família enlutada, o Chefe do Estado afirmou ter recebido “com profunda tristeza” a notícia da morte de Luísa Dias Diogo, sublinhando que o país perde “uma filha ilustre, cuja dedicação à causa pública e ao desenvolvimento do nosso país ficará para sempre na memória de todos nós”.

Luísa Dias Diogo exerceu importantes funções governamentais, tendo sido Ministra das Finanças entre 2000 e 2005 e Primeira-Ministra de 2004 a 2010. Segundo o Presidente da República, o seu percurso foi marcado por uma liderança firme e visionária, com especial destaque para a área económica e para a promoção da igualdade de género.

Na mensagem presidencial, Daniel Chapo realça ainda que o legado da antiga governante ultrapassa as fronteiras nacionais, lembrando que Luísa Dias Diogo foi reconhecida como uma das figuras femininas mais influentes do mundo pela revista Forbes e incluída entre as 100 personalidades mais influentes pela Times Magazine, em reconhecimento do seu papel na economia, na liderança e na defesa da igualdade de género, bem como da sua participação em importantes painéis das Nações Unidas.

O Presidente da República sublinha que Luísa Dias Diogo deixa um exemplo inspirador de integridade, competência e serviço à pátria, que continuará a motivar gerações futuras de moçambicanos.

“Neste momento de dor, expresso, em nome do Governo, do povo moçambicano e em meu próprio, a todos os moçambicanos e à família enlutada os meus sentimentos de pesar, rogando a Deus que conforte os corações entristecidos e acolha a alma da nossa saudosa compatriota”, conclui a mensagem.

A Administração Regional de Águas do Sul (ARA-Sul) alerta para o risco de inundações nos bairros Fiche, 25 de Setembro, Tedeco e Mazambanine, no distrito de Boane, galgamento das pontecas de Umpala, Mazambanine e Mafuiane e condicionamento da transitabilidade rodoviária da Estrada Nacional nº2  (EN2) no troço entre Boane e Matola. 

A informação foi partilhada através de um comunicado enviado ao “O País”, segundo  qual “face as chuvas intensas que continuam a registar nos países a montante e localmente e o nível de enchimento das albufeiras (acima de 90%), prevê-se para as próximas 24 horas o incremento gradual na Barragem dos Pequenos Libombos podendo ultrapassar os 1000 m3/s”. 

Desta forma, a ARA-Sul apela à sociedade para a retirada de pessoas e bens nas áreas de inundação das bacias Umbelúzi, Incomáti, Limpopo e Save para zonas seguras, e tomada de medidas de precaução ao se fazerem aos rios

Quarenta e oito reclusos evadiram-se das celas da cadeia distrital de Gondola, na província de Manica. O caso ocorreu na tarde desta quinta-feira. Entre os fugitivos estavam condenados e outros em situação de prisão preventiva.

Os moradores dos bairros Mucessua, Eduardo Mondlane, Francisco Manhanga e 3 de Fevereiro viveram momentos de pânico na tarde desta quinta-feira, quando 48 reclusos evadiram-se da cadeia distrital de Gondola.

Os residentes temem agora por dias piores em termos de criminalidade, com a fuga dos reclusos da cadeia.

As autoridades já trabalham para recapturar os reclusos, segundo avançou o administrador de Gondola, que pede aos fugitivos que regressem de forma voltaria.

Perdeu a vida, nesta sexta-feira, a antiga primeira-ministra, Luísa Diogo, vítima de doença, em Portugal. 

Luísa Diogo, economista e política, nasceu a 11 de Abril de 1958, na província de Tete. Luísa Diogo foi a primeira mulher a chefiar um Governo em Moçambique.

Ocupou vários cargos no Governo, tendo sido ministra do Plano e Finanças, entre 1999 e 2005. Tornou-se Primeira-Ministra, em Fevereiro de 2004, acumulando esta pasta com a de ministra do Plano e Finanças.

Filha de um enfermeiro e de uma doméstica, Luísa Diogo fez os seus estudos em Tete. Posteriormente, em Maputo, onde frequentou o curso de Contabilidade no Instituto Comercial até 1979.

Em 1983, obteve o bacharelato em Economia pela Universidade Eduardo Mondlane e concluiu o Mestrado em Economia Financeira em 1992, à distância, pela Universidade de Londres.

Em 1980 foi admitida no Ministério das Finanças, como técnica do Departamento dos Sectores Económicos e de Investimento. Um ano depois, em 1984, tornou-se Chefe-Adjunta do mesmo departamento.

Mais tarde, em 1986, foi nomeada Chefe do Departamento do Orçamento do Ministério das Finanças e, entre 1989 a 1992, Directora Nacional do Orçamento.

Além de desempenhar vários cargos no Governo, entre 1993 e 1994, Luísa Diogo foi Oficial de Programas no Banco Mundial em Moçambique.

Ocupou, também, cargos de topo em várias empresas. Em 2012, tornou-se Presidente do Conselho de Administração do Barclays Bank de Moçambique, actual Absa Bank Moçambique, SA. 

Em 2018, a antiga governante foi nomeada presidente do Parque Industrial de Beluluane.

Na área académica, Luísa Diogo lançou, em 2013, o livro “A Sopa da Madrugada”. A obra fala sobre as suas memórias nos bastidores da governação em Moçambique, entre 1994 e 2009, e foca-se nos desafios pós-guerra, reformas económicas e o papel da mulher na governação.

No ramo político, foi membro sénior da Frelimo, partido no poder, desde 1975.

Foi pré-candidata nas eleições internas da Frelimo, em 2014, tendo sido vencida na segunda volta pelo ex-Presidente da República, Filipe Nyusi.

 

O Conselho de Ministros decretou, na manhã desta sexta-feira, o alerta vermelho em todo o território nacional, devido às inundações registadas na cidade  e província de Maputo, Gaza, Inhambane e Manica.  A decisão, que foi tomada numa sessão extraordinária, visa minimizar o sofrimento das pessoas afectadas pelas cheias. 

Como resultado das chuvas, pelo menos 103 pessoas morreram, desde Outubro passado, mais de 173 mil pessoas foram afectadas, quatro mil casas inundadas e 1 103 residências foram totalmente destruídas em todo o país.  

O Governo decidiu ainda alocar alguns ministros para acompanhamento e assistir às províncias afectadas.  Neste momento, pelo menos 88 pessoas estão situadas em Mapai, na província de Gaza, e o Governo diz estar a mobilizar recursos,  sobretudo aéreos, para resgatar as pessoas para zonas seguras.

 

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