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O País – A verdade como notícia

Foi, hoje, raptado mais um empresário na Cidade de Maputo. A vítima é proprietário dos Armazéns Atlântico Comercial que foi interpelado pelos raptores quando saía da sua casa para o local de trabalho. No acto, houve tiroteios e dois dos seus seguranças foram baleados.

Entre disparos e gritos de desespero, mais um empresário foi raptado na manhã deste sábado, na Avenida Ho Chi Min, na Cidade de Maputo, capital do país.

Chama-se Mohammad Calu, empresário de 70 anos de idade e proprietário dos Armazéns Atlântico comercial.

À saída da sua residência, o empresário foi interpelado por um grupo de raptores empunhando armas de fogo, que neutralizou os seus seguranças, arrastou a vítima para a sua viatura e efetuou disparos para impedir a aproximação de qualquer pessoa que pudesse socorrer a vítima.

No grupo dos supostos raptores, estava um indivíduo que trazia vestes da religião muçulmana.

No local, ainda eram visíveis as marcas do crime. Balas disparadas espalhadas pelo chão, sangue na viatura do empresário raptado e ainda defronte ao obstáculo para onde os raptores colocaram.

Na tentativa de socorrer o seu patrão, dois seguranças do empresário foram baleados.

A Polícia da República de Moçambique e o Serviço Nacional de Investigação Criminal chegaram ao local do crime quase uma hora depois. Isolou a área, recolheu os vestígios do crime e ouviu testemunhas.

Uma das pessoas ouvidas pelo SERNIC é parte da equipa de segurança do empresário que esteve presente no momento do rapto e que foi proibido de prestar qualquer tipo de declarações à imprensa.

Minutos depois, a testemunha foi levada na viatura do Serviço de Investigação Criminal.

No seio de trabalhadores e familiares do empresário reina o medo e exigem justiça.

Informação a que o Jornal O País teve acesso, dão conta de que esta é a segunda vez que o empresário é raptado.

O Presidente da República afirma que o juiz conselheiro José Cardoso morreu enquanto o país ainda contava com a sua contribuição. Filipe Nyusi considera, no entanto, que o falecido cumpriu a sua missão. Família, amigos, colegas e público, em geral, despediram-se de Cardoso esta sexta-feira, no salão nobre do Conselho Municipal de Maputo.

O juiz conselheiro José Luís Cardoso perdeu a vida no dia 15 de Janeiro em curso, vítima de acidente de viação. O velório teve lugar no salão nobre do Conselho Municipal de Maputo.

Durante o funeral oficial, o Presidente da República enalteceu as qualidades do malogrado, que aos 17 anos de idade ingressou nas Forças de Defesa e Segurança, para depois se juntar ao Sistema de Administração da Justiça.

“Em 2003, através de despacho presidencial, foi nomeado juiz conselheiro e, à mercê da elevada competência revelada no exercício das suas funções, o Dr. José Luís Cardoso foi, em 2012, por despacho presidencial, nomeado presidente da secção do contencioso administrativo e, em 2020, foi eleito membro do Conselho Superior da Magistratura Judicial Administrativa, funções que exerceu até à data da sua fatídica morte. O país ainda contava com a sua nobre contribuição, porque a capacidade e a competência estavam presentes em si. Siga com o sentido de missão cumprida. Sua alma descanse em paz.”

O chefe de Estado apela aos juízes mais novos e à sociedade, como um todo, para se inspirarem no legado deixado por José Cardoso.

“Neste momento de dor, despedimo-nos do seu corpo, mas a extraordinária memória e o legado exemplar, que peço aos colegas e todos os mais novos que sigam, foram aqui bem detalhados. Sua vida e obra permanecerão sempre no seio dos seus colegas do Tribunal Administrativo, no Conselho Superior da Magistratura Judicial Administrativa, da família do Sistema da Administração da Justiça e de todos os moçambicanos.”

Já a presidente do Tribunal Administrativo, Lúcia do Amaral, destacou a contribuição do colega e lamentou a não conclusão de seus projectos.
“Sabemos que é um paradoxo em vida, e com sabor amargo, com consequências imprevisíveis, algumas das quais têm a ver com o facto de, lamentavelmente, muitos dos projectos planificados juntos, nomeadamente, no plano corporativo do tribunal, já não poder ter a participação do nosso venerando juiz conselheiro Cardoso. Não teremos como pô-los em marcha como ele próprio os concebeu.”

Dor, luto e consternação foi o ambiente que caracterizou a despedida ao juiz conselheiro do Tribunal Administrativo, José Luís Maria Pereira Cardoso. A família, inconsolável, deixou ficar as memórias vividas com o seu ente querido, que garantiu que jamais se apagaram. Através de uma mensagem, a esposa do malogrado garantiu que nem a morte os separou.

“Hoje eu sei que nem mesmo essa morte é capaz de separar o nosso amor, comparsa de todas as horas, meu companheiro de vida. O luto dói, mas estou em paz, porque a nossa história de amor foi a melhor e maior experiência por mim vivida. Hoje, o paraíso abre as portas para receber um homem incrível, um marido maravilhoso e um companheiro fantástico.”

Já os filhos, através de uma mensagem lida por Merina Cardoso, elogiaram os anos vividos na companhia pai.

“Pai, qualquer um dos teus filhos que a este mundo trouxeste ou conquistaste nesta terra, primos, cunhados, dirão sem hesitar que foste um herói em nossas vidas desde que nelas entraste. Ao longo do nosso crescimento, testemunhámos o teu exemplo de homem íntegro, de princípios magníficos, generoso, amoroso e bem humorado.”

Os colegas da Faculdade de Direito da Universidade Eduardo Mondlane e os da Magistratura Judicial Administrativa também teceram largos elogios ao percurso do juiz conselheiro.

Os restos mortais do juiz conselheiro foram cremados no cemitério de Lhanguene, em Maputo.

O juiz deixa viúva e cinco filhos.

A Autoridade de Aviação Civil de Moçambique diz que chuvas fortes e ventos cruzados intensos condicionaram a aterragem da aeronave sul-africana que despistou no aeroporto de Pemba.

A aeronave da Airlink, de modelo Embraer 135 Regional Jet, saiu de Joanesburgo, na vizinha África do Sul, com destino à cidade de Pemba, na província de Cabo Delgado.

Chegado ao aeroporto de Pemba, a aeronave deparou-se com condições adversas caracterizadas por Chuvas fortes e ventos cruzados e intensos.
Em comunicado de imprensa, a Autoridade de Aviação Civil de Moçambique explica que a tripulação fez duas tentativas de aterragem, mas sem sucesso.

Na terceira tentativa, além de ter tocado a pista entrou numa situação de aquaplaning (condição que pode existir quando uma aeronave é aterrada numa superfície de pista contaminada com água parada), que culminou com um overrun (ultrapassagem do limite da pista) no fim da pista 17.
Apesar do incidente, não há registo de feridos.

A Autoridade de Aviação Civil já notificou a Airlink para o envio de técnicos de modo a liberar a aeronave para o serviço de voo.

Subiu para 10 o número de mortes registadas na província de Nampula, em consequência das intempéries registadas desde o início da época chuvosa e ciclónica 2023-2024.

Há também o registo de mais de 20 pessoas feridas e destruição de três unidades sanitárias e mais de trezentas casas, refere à Rádio Moçambique.

Os dados foram divulgados pela delegada do Instituto Nacional de Gestão e Redução de Riscos e Desastres, Analecta Botão, na primeira sessão ordinária do Comité Operativo de Emergência Provincial.

O secretário de Estado em Nampula, Jaime Neto, citado pela RM, apelou ao reforço das equipas operativas de emergência do governo provincial e dos parceiros para reduzir o impacto negativo das intempéries.

Iniciou-se, na quarta-feira, na Segunda Secção do Tribunal Judicial de Inhambane, o julgamento de dois arguidos acusados de raptar três pessoas no posto administrativo de Mapinhane, distrito de Vilankulo, em casos ocorridos entre 2022 e 2023.

Os detidos são ainda acusados de crimes de homicídio agravado, transporte e tráfico de armas de fogo, constrangimento de menor para abandonar a casa dos pais/tutores e roubo agravado em bombas de combustível, escreve o “Notícias”.

O processo, registado sob o número 3/2024, do Ministério Público (MP) e conduzido pelo juiz David Fóloco, envolve os arguidos Manuel Sebastião Mungue e Jacinto Alfiado Vilanculos,  este último apontado como mandante dos raptos.

Outros três cidadãos, nomeadamente Maiga Manuel, Lírio Fernandes e Sérgio Gabriel foram também arrolados como arguidos, para além de 18 declarantes.

Os acusados foram neutralizados pela população, no dia 7 de Janeiro de 2023, em Mapinhane, quando Manuel Mungue tentava raptar mais uma vítima.

Segundo a acusação lida pelo magistrado do Ministério Público, Marílio de Sousa, os factos ocorreram no dia 13 de Dezembro de 2022, quando Mungue entrou em contacto com a vítima, Olga Augusto Lele, e a convenceu a sair de casa, refere a mesma fonte.

Munícipes de Maputo queixam-se de dificuldades em tomar transporte, na avenida Zedequias Manganhela, na baixa da cidade, devido à lama e à água da chuva. O Município diz que o problema se deve ao fraco escoamento das águas nas valas e promete soluções.

Já não é novidade que o terminal de autocarros da Avenida Zedequias Manganhela, na Cidade de Maputo, está com a via degradada, há muitos meses.

Os buracos tomaram conta de todo o asfalto e, quando chove, a situação torna-se complicada para os transportadores e passageiros. 

No local, a estrada encontra-se lamacenta, com poças de água em todo o lado e mistura de lixo espalhado.

“É preciso que se veja a situação desta estrada, porque está muito estragada. Os passageiros sofrem muito, porque têm tido dificuldades em atravessar, pois está cheio de água e lama”, lamentou Angélica Glória. 

No terminal de autocarros da Avenida Zedequias Manganhela, é quase impossível passar sem manter contacto com a lama.

O Município de Maputo reconhece o problema crónico desta avenida e diz que tudo se deve à deficiência das valas de drenagem e ao mau uso da estrada.

“Os problemas existentes na Avenida Zedequias Manganhela não são somente dali. Aquele é apenas um dos mais críticos, sendo consequência de vários factores. O grande problema que nós temos é a drenagem, porque [as valas] estão completamente entupidas. Então, as águas escorrem, mas não se consegue fazer escoamento”, disse Saturnino Chembeze, vereador de Infra-estruturas Urbanas, no Município de Maputo. 

Para já, Saturnino Chembeze disse que nada se pode fazer devido à época chuvosa em curso, mas há em vista um projecto de grande vulto.

“Quando as condições estiverem criadas, vai ter de se fazer uma intervenção de grande vulto. Nem tudo podemos fazer à mesma altura ou velocidade que todos desejam. Por exemplo, neste momento, estamos na época chuvosa e o que podemos fazer é mitigar. As obras de grande vulto, que implicam trabalhar a sério, só quando terminar o período chuvoso”.

O troço entre a Praça dos Combatentes e a Praça da Juventude, na Avenida Julius Nyerere, é outro que não passa despercebido aos olhos dos munícipes. 

Há uma semana, a nossa equipa de reportagem noticiou algumas queixas de demora na entrega da estrada, por parte dos automobilistas, entretanto Chembeze explicou que “a obra está em curso. Durante a época festiva, houve alguma pausa, mas já retomámos”, disse Chembeze, que na mesma ocasião desmentiu as queixas de má qualidade do trabalho.

“Por exemplo, da ponte de Ferroviário até à rua da Beira, o troço ainda não está concluído. Foi feito um trabalho de base, no final será a recelagem, mas há quem já se vem queixando de buracos. Não é assim, há um processo próprio.”

Apesar das queixas, Saturnino Chembeze garante que tudo será feito para que o trabalho seja concluído até finais de Junho deste ano.

A reabilitação da Estrada Nacional Número Um (EN1), a espinha dorsal na ligação rodoviária entre as zonas Sul, Centro e Norte, arranca em Maio, garantiu ontem, em Tete, o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Carlos Mesquita.

Para já, estão assegurados pelo menos 400 milhões de dólares norte-americanos, mobilizados junto do Banco Mundial, para a primeira fase do projecto, concretamente nos troços Inchope-Nicoadala e Pemba-Metoro, correspondentes a 508 quilómetros, escreve o “Notícias”.

Segundo Carlos Mesquita, foram concluídas todas as negociações e assinado o contrato com o consultor que vai trabalhar no projecto conceptual da obra.

As vítimas das cheias de Boane, reassentados na localidade de Estevel, Município de Boane, viveram, na noite de quarta-feira, um pesadelo devido aos ventos fortes que sopraram, causando a destruição total de 25 tendas e parcial de 24, ou seja, todas as 49 famílias reassentadas tiveram suas tendas destruídas.

Conforme contaram ao jornal O País, os ventos começaram por volta das 21 horas. Inicialmente, parecia algo sem muita expressão, mas, em menos de cinco minutos, suas tendas foram abaixo, deixando mulheres e crianças ao relento e debaixo da chuva.

Naquele momento, não foi possível tirar quase nada, fugiram para uma escola próxima à busca de abrigo.

“Já estávamos a preparar-nos para dormir, as crianças até já estavam deitadas, de repente ouvimos o som do vento e sentimos a tenda a estremecer. Foi algo tão rápido que só vimos a tenda por cima de nós. Tudo o que vivemos há um ano, aquando das cheias, veio a minha memória e até perguntei por que tenho que sofrer sempre?! Não consegui dormir, só pensei nos bens que conquistei durante este período e que ia perder mais uma vez”, desabafou Sónia Fernando.

Mas nem todos fugiram para escola, Vitória Comé ficou em casa com as suas três crianças, pois a sua tenda ficou parcialmente destruída. Contou que, durante a noite, ficou acordada e em pé a segurar a tenda para que os seus filhos conseguissem pelo menos dormir nas cadeiras sentadas para que não ficassem sufocadas.

Ainda assim, os seus filhos não conseguiam dormir, pois entrava água e soprava muito; tudo dentro da sua tenda molhou e, na manhã de hoje, não tinham nada para comer.

“Aqui, estou desesperada, não sei o que vai acontecer, o que vamos comer, molhou tudo, farinha, arroz, roupa, tudo, não sei se ainda vou conseguir recuperar alguma coisa, para além dos reservatórios de água e do fogão que são coisas plásticas e de ferro”, lamentou Vitória.

Uma mistura de sentimentos tomou conta das 49 famílias, que vivem naquela localidade: dor, tristeza e angústia.

Já passavam mais de 12 horas depois de a “desgraça” ter batido a sua porta mais uma vez, mas parecia não acreditar no que via. Sentada com um olhar perdido num bidão, mesmo em frente à sua tenda, acompanhava jovens voluntários a reerguerem a sua tenda. A sua filha, ao lado e deitada num colchão molhado, comia o único pedaço de pão que não molhou com a chuva.

Das 49 tendas, 24 ainda eram reaproveitáveis, eram essas que estão a ser erguidas, mas, ainda assim, as condições não eram das melhores, muitas estavam rasgadas e o material, nesse caso, os ferros que apoiam a tenda para que esteja intacta, já não tem qualidade.

“Estas tendas já não vão durar muito tempo. Esta é a terceira vez que isso acontece, agora estamos a usar paus para poder sustentar, e qualquer outro vento que vier, vai fazer a mesma coisa. Esta população precisa de algo com mais qualidade”, disse um jovem voluntário e nativo da localidade, Hélio José.

O edil da vila de Boane, Jacinto Loureiro, disse que entende a revolta da população, mas não tem condições para fazer muito mais, pois o Município gastou muito dinheiro para reconstruir e repor as infra-estruturas destruídas pelas cheias.

“Estas famílias devem tentar reerguer-se por si só, nós não temos condições para construir casas, a não ser que tenhamos algum apoio de alguma organização de boa vontade, fizemos as casas de banho, demos água e também estamos a apoiar outras famílias que estão noutros pontos que também sofreram com as cheias. Há muita coisa que ficou a cargo do município e tivemos despesas extras com as cheias. Queremos ajudar, mas não temos como.”

Entretanto, o INGD na Província de Maputo e o Município da Vila de Boane disponibilizaram 25 tendas novas, 10 quilos de arroz e dois litros de óleo para cada família e 10 sacos de diversos tipos de roupa.

Avião da companhia sul-africana Airlink saiu da pista ao pousar no Aeroporto de Pemba, na tarde desta quinta-feira. A aeronave transportava 32 passageiros e três tripulantes. Ninguém ficou ferido.

Em comunicado publicado no sítio da internet, a AIRLINK explica que o despiste foi motivado pela pista que estava molhada.

Todas as pessoas a bordo desembarcaram do avião pela entrada principal da frente. A Airlink e o pessoal do aeroporto de Pemba estão a cuidar dos passageiros e da tripulação.
A companhia sul-africana notificou as autoridades competentes de Moçambique e da África do Sul.

Assim que a pista reabrir será enviado um avião de apoio para Pemba e uma equipa de recuperação que ajudará a recuperar o avião, que aquaplanou para fora da pista.

A Airlink esclarece que, como país de ocorrência, a Direção de Investigações de Acidentes Aéreos de Moçambique conduzirá a investigação formal da ocorrência

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