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O País – A verdade como notícia

A tempestade tropical “Filipo” que está a fustigar algumas províncias da região Centro e Sul do país continua a causar danos no sistema eléctrico, interrompendo o fornecimento de energia eléctrica em vários pontos do país. Contudo, a empresa Electricidade de Moçambique garante que a corrente eléctrica está a ser reposta gradualmente.

“No balanço das actividades de reposição realizadas pelo Comité Operativo da EDM, até ao meio dia de hoje, constatou-se a redução do número de clientes sem corrente eléctrica, que passou de 98.756 clientes anunciados até as 13:00 horas de ontem, 12 de Março, para os actuais 11.256 clientes afectados”, refere a EDM, em comunicado enviado à nossa redacção.

Na Região Sul cerca de 5.000 pessoas dos distritos de Machanga e Mambone continuam sem energia eléctrica, enquanto que, no Centro, cerca de 2.000 pessoas das localidades de Savane e Muanza continuam desprovidas da corrente eléctrica.

Na Cidade de Maputo, estão desprovidos da corrente eléctrica os bairros Chamanculo, parte do bairro Triunfo, Mapulene, Ferroviário, Magoanine, Bagamoyo, 25 de Junho e Hulene. 

Já na província de Maputo, registam-se perturbações do sistema eléctrico na vila de Ressano Garcia, Ilha de Inhaca, bem como nos Municípios da Matola, Matola Rio, Boane e Manhiça.

Na Região Norte, a interrupção do fornecimento de energia afecta 4.256 pessoas do distrito de Eráti (Postos Administrativos de Namapa e Alua).

A EDM avisa que equipas técnicas estão no terreno, intervindo na rede para a reposição gradual do sistema. “Entretanto, as condições atmosféricas e a inacessibilidade de alguns locais têm sido os maiores obstáculos e concorrem para a demora na reposição do fornecimento da corrente eléctrica”, lamenta.

O Governo diz que a revisão das leis da Polícia da República de Moçambique e do Serviço Nacional de Investigação Criminal é um dos caminhos para o combate aos crimes organizados e transnacionais. 

Sem apontar os aspectos a serem revistos nas referidas leis, o primeiro-ministro, que respondia a perguntas dos deputados na Assembleia da República, disse que a revisão vai reforçar os órgãos no combate aos crimes de raptos, sequestros, terrorismo e outros.

Chamado a intervir, o ministro do Interior reforçou o discurso do chefe do Governo e acrescentou que é necessário aumentar a capacidade da PRM e do SERNIC, para que possa fazer face à tipologia do crime. 

Pascoal Ronda diz que os  praticantes dos crimes de raptos usam métodos sofisticados, por isso urge que a Polícia se actualize. De acordo com o governante, apesar das dificuldades, sobretudo tecnológicas, a Polícia tem andado ao encalço dos criminosos e já tem resultados.

“De Janeiro de 2023 a Março de 2024, foram registados 9 casos de raptos consumados e 6 frustrados. Dos consumados, 7 foram esclarecidos, tendo três vítimas sido resgatadas dos cativeiros. Em conexão com os crimes, foram detidas 42 pessoas, sendo 3 sul africanas e 39 moçambicanas”, avançou.

Ronda disse, ainda, que foram apreendidas 4 armas de fogo, 4 viaturas e desmantelados dois cativeiros.

O ministro do Interior avançou ainda a necessidade de criação de uma lei especial contra o crime de rapto e sequestros, para que haja uma punição exemplar.

Respondendo à preocupação da bancada da Frelimo sobre o nível de reabilitação da estrada Nacional número quatro (EN4), o ministro das Obras Públicas e Recursos Hídricos, explicou que as obras acontecem em duas fases, sendo a primeira, de alargamento, que vai terminar em março.

 A segunda, que compreende a construção de duas serventias, sendo uma em cada lado da estrada, cujas obras serão concluídas até Novembro deste ano.

De acordo com Carlos Mesquita, a fase de alargamento, em curso na EN4, está a trazer melhorias significativas na transitabilidade. 

Já sobre a Estrada Nacional Número Um , Mesquita diz que a reabilitação já iniciou, vai durar dois anos e tem um contrato de manutenção de oito anos.

O chefe do pelouro das Obras Públicas explicou que as empresas responsáveis pelas obras já se encontram no terreno, a  realizar estudos de viabilidade, para depois iniciar as obras.

O ministro diz que o “sector de estradas exige uma planificação cuidadosa”, por isso  a necessidade de se trabalhar com todo rigor nesta fase inicial.

Contudo, Mesquita diz que há troços com reabilitação em curso, com destaque a estrada Nicoadala-Namacurra, na província da Zambézia.

As Linhas Aéreas de Moçambique cancelaram todos os voos programados para a manhã desta quarta-feira, devido à passagem da tempestade Filipo que está a afectar algumas províncias do Sul e Centro do país.

“Os mesmos serão realizados, provavelmente, no período da tarde, logo que as condições meteorológicas mostrarem melhorias assinaláveis”, explica a companhia aérea, garantindo que irá “permanentemente manter informados os passageiros afectados por esta situação sobre as remarcações dos voos”.

Ainda devido às condições climáticas, a LAM cancelou alguns voos desta Terça-feira.

A tempestade Filipo forçou uma aeronave da companhia a aterrar num destino alternativo. 

O balanço preliminar dos danos causados pela tempestade Filipo na província de Inhambane, Sul do país, aponta para um morto, sete feridos e 500 famílias desalojadas e várias infraestruturas destruídas.

Ouvido pela Rádio Moçambique, o delegado do Instituto Nacional de Gestão e Redução de Risco de Desastres, Gilberto Miguel, disse que, neste momento, decorre o trabalho de transferência das vítimas para zonas mais seguras.

“Temos um total de 510 infraestruturas das populações destruídas de forma parcial. É preciso recordar que a maior parte dessas infraestruturas são de construção precária, daí que temos que trabalhar mais na vulnerabilidade das nossas populações”, explicou Gilberto Miguel.

A tempestade Filipo também destruiu ainda 14 unidades sanitárias, seis  escolas e 30 salas de aula naquela província.

Um total de 98.756 pessoas estão sem energia elétrica devido à tempestade tropical severa “Filipo” que afecta o país. O anúncio foi feito pela Eletricidade de Moçambique (EDM).

“A tempestade está a criar danos no sistema eléctrico das regiões afectadas, com registo de situações de queda de postes, alagamento de equipamentos e rompimento de cabos elétricos”, refere a EDM, num comunicado.

Na região sul de Moçambique, em Inhambane, pelo menos 83.000 pessoas dos distritos de Mabote, Morrumbene, Mapinhane, Massinga, vila de Jangamo, Ligogo e cidades de Vilanculos e Inhambane estão sem corrente eléctrica.

No centro, a EDM contabiliza 11.500 pessoas sem energia em Tambara, Chemba, localidade de Savane e Muanza, bairros da Cerâmica, Inhamizua, Matadouro, Munhava, Matope, Ngangau, Six Miles, Ndunda e Zona Industrial.

Já no norte, a tempestade causou a interrupção do fornecimento de energia eléctrica a um total de 4.256 clientes do distrito de Eráti, acrescenta o documento da EDM.

A EDM garante que estão no terreno equipas técnicas para a reposição gradual do sistema, referindo, entretanto, que as condições atmosféricas e a dificuldade de acesso a algumas regiões têm sido os maiores obstáculos e concorrem para a demora na reposição do fornecimento da corrente elétrica, escreve a DW.

Um homem, que aparentava ter 40 anos de idade, e que se dedicava ao câmbio informal de moeda estrangeira, foi morto a tiros na noite de segunda-feira, na Cidade da Matola. Em conexão com o caso, está detida uma mulher de 27 anos de idade. Os presumíveis criminosos estão ainda a monte.

O bairro Bunhiça, no Município da Matola, viveu momentos de terror na noite da última segunda-feira, devido ao tiroteio ocorrido naquela área residencial.

Testemunhas contam que entraram em pânico quando indivíduos desconhecidos começaram a disparar contra um cidadão, que viria a perder a vida no local do crime.

Os moradores dizem que  até tentaram ajudar, mas  foram intimidados pelos supostos criminosos, ameaçando-os de morte.

“Os bandidos vieram primeiro e estacionaram um pouco distante do carro da vítima. Ele recebeu uma ligação e atendeu, não sabemos se era ligação dos bandidos. E, de repente,  começamos a ouvir tiros”, contou um morador que não quis ser identificado.
“Ele conseguiu escapar e entrou numa casa que estava perto do carro onde havia estacionado. A moça estava a gritar muito e ele teve medo. Achou que estivessem a bater nela e foi quando voltou e veio apanhar a morte.”

Quando o crime ocorreu, o homem estava na companhia de uma mulher que diz ser amiga íntima da vítima.

À imprensa, contou que estava no interior do carro a conversar com o seu amigo e,  de repente, foram surpreendidos por dois homens empunhando armas de fogo, que  exigiram chaves do carro, telefones e dinheiro. Perante a resistência do homem, os supostos criminosos acabaram por matá-lo, sem levar nenhum dos seus pertences.

“Quando saiu, com aquelas pessoas,  encontrámo-lo já estatelado no chão após levar  tiros. Quando chegámos,  ele ainda estava a respirar.  Daí,  quando saí do carro dele, eu tinha a sua pasta e a minha. Saí e fui à minha casa deixar as duas pastas que eu trazia, e, quando voltei, começámos a ligar para a Polícia para aparecer”, contou a indiciada que se encontra detida na quinta esquadra da PRM, na Machava.

A Polícia, no entanto, rebate a versão da detida e considera que é uma das principais suspeitas. Aliás, as autoridades dizem ter recuperado o valor de 20 mil rands,  o equivalente a 60 mil Meticais e mais 20 mil em moeda nacional.

“Ela, no momento da execução do acto, apoderou-se dos bens da vítima e foi para a sua residência. Depois de a Polícia ter tomado conhecimento do crime,  fez  as diligências e, neste momento,  temos a cidadã de 27 anos de idade como a principal indiciada pela  autoria do crime”, avançou Juarce Marins, porta-voz do Comando Provincial da PRM em Maputo.

O homem, segundo apurou o “O País”, era casado e morava no bairro de Khongolote, deixando viúva e dois filhos.

A Comissão Nacional dos Direitos Humanos diz que ainda é preocupante a violação dos direitos humanos em algumas zonas de Cabo Delgado, devido à acção dos  terroristas.

A preocupação foi manifestada, há dias, pelo respectivo presidente da Comissão, Albachir Macassar, após ter mantido uma audiência conjunta com o secretário de Estado, Jaime Neto,  e o governador de Nampula, Manuel Rodrigues.

Albachir Macassar disse  ainda que, por conta das acções terroristas, muitos cidadãos daquelas regiões estão a ser privados dos seus direitos, principalmente de busca de meios de sobrevivência, pese embora o trabalho das Forças de Defesa e Segurança no terreno.

“O que nós vimos, em Cabo Delgado, é uma situação preocupante, realmente. Mas não se está a deixar de fazer a sua acção. Há uma natureza que é preciso ver deste conflito, que é um novo rumo. Aquilo que acontecia, antes de 2023, e se estiverem lembrados, foi um ano muito atípico em termos de ataques, quase até se pensou que tivesse parado. Isso deixou, de alguma forma, a própria força desarmada, o que propiciou este tipo de ataques que estão a acontecer neste momento. Então, as tropas estão a tentar refazer-se ao que, como eu disse, foram atacados de surpresa”, começou por dizer Albachir Macassar.

Albachir Macassar esclareceu, igualmente, que a Comissão Nacional dos Direitos Humanos não teve acesso a alguns distritos devido aos ataques havidos há dias.

“Em Cabo Delgado, nem conseguimos ir aos distritos, porque estavámos a pensar em ir a Metuge e foi exactamente no dia em que aconteceu. A informação que tivemos é que a situação não está nada boa, principalmente porque as pessoas estavam a regressar e voltam agora para os centros.”

Macassar abordou, depois, a questão da população ver-se privada de assistência e acesso e de se movimentar livremente.

“Relativamente a outro tipo de violência que está a acontecer, como dissemos em momentos anteriores, é que uma situação de conflito sempre propicia violação de direitos humanos de uma parte ou de outra. Violação de direitos humanos não é apenas matar pessoas, mas é não fornecer mantimentos e assistência necessária quando a população precisa. A violação de direitos humanos tem muito a ver com aquilo que é de determinados direitos das pessoas. E situações de conflito tem natureza própria desse conflito. E isso podemos dizer, mais uma vez, e claramente incluindo essas respostas, quando voltarmos de Eráti teremos mais respostas.”

Em Quissanga, há relatos de os terroristas permanecerem naquela vila há mais de uma semana, e   supostamente não haver uma acção das Forças de Defesa e Segurança.

“Eu não sei se não há uma acção. É como disse, nós não chegámos de ir aos distritos. Recebemos a informação de que, realmente, eles entraram em Quissanga e Quirimba. A informação que nós tivemos é que havia uma acção que estava a ser preparada esta acção. Neste momento, podemos dizer que há sim uma violação dos direitos humanos dessas pessoas que estão lá porque não conseguem movimentar-se. De certeza, já não há muita comida. O que nós podemos dizer é que, neste momento, pode consubstanciar em violação dos direitos humanos”, frisou.

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) apresentou, hoje, um indivíduo de 44 anos de idade, indiciado de ter participado na preparação do rapto de uma cidadã, no ano passado, na Cidade de Maputo.

Cerca de quatro meses depois de o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) ter registado um caso de rapto de uma cidadã de origem asiáica, no bairro da Sommerchield, na Cidade de Maputo, um indivíduo de 44 anos foi apresentado como um dos integrantes da quadrilha que praticou a acção criminosa.

O SERNIC diz que o detido foi encontrado na posse de chapas de matrículas gravadas numa viatura que teria sido usada para o rapto.

“Aquando da detenção de três indivíduos, indiciados no rapto ocorrido no dia 20 de Janeiro do ano em curso, esses três cidadãos foram surpreendidos e detidos na posse de duas chamas de matrícula, que tinham sido cravadas na viatura usada no rapto ocorrido no dia 01 de Novembro, de que foi vítima uma cidadã”, disse Hilário Lole, porta-voz do SERNIC.

No entanto, o detido acusado da prática deste crime que forçou vários empresários a abandonarem o país nega as acusações que pesam sobre si.

“Eu não estou envolvido em nenhum rapto. Não tenho passagem pela Polícia, nunca estive em situação de detido. Sou um cidadão normal, que trabalha. Procuro o meu pão no dia-a-dia”, disse.

Em relação ao rapto registado na semana passada, na rua Augusto Macamo, na capital do país, o Serviço Nacional de Investigação Criminal diz estar a efectuar diligências para o seu esclarecimento.

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