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O País – A verdade como notícia

A Administração Regional de Águas Sul alerta para que se evite a travessia dos rios Umbelúzi, Incomáti, Limpopo e Maputo nas próximas 24h, devido às fortes correntes de água causadas pelos altos níveis de escoamento devido às chuvas fortes das últimas 48 horas.

As fortes chuvas, causadas pela tempestade severa Filipo, incrementaram os níveis de escoamento da água, causando fortes correntes nos leitos dos rios, tornando-os perigosos para a travessia com recurso a qualquer tipo de barco.

A precipitação atingiu o seu pico, na ordem de 220 milímetros em todo o território. Mas espera-se que, nos próximos dias, tudo volte à normalidade.

A Administração Regional de Águas Sul esclarece que os níveis altos de água não significam, ainda, sinónimo de cheias, contudo, exorta a população a estar em alerta.

A Associação Nacional dos Municípios juntou todas as autarquias do país para uma reflexão em torno dos desafios destas, tal como o crescimento populacional, a melhoria de infra-estruturas, recolha e tratamento de resíduos sólidos, arrecadação de receitas, entre outros pontos.

Rezam os estatutos da Associação Nacional dos Municipios de  Moçambique (ANAMM),  que em cada cinco anos se realiza congresso ordinário, com o objectivo claro de reflectirem em torno da dinâmica social e económica das autarquias.

Calisto Cossa, presidente da Associação Nacional dos Municípios de Moçambique, manifestou o desejo de, durante os dois dias do encontro, saírem do mesmo ideias que possam ser implementadas no processo de dinamização e desenvolvimento dos municípios.

“Esperamos que, ao longo destes dois dias, o nosso congresso traga debates que possam fortificar a nossa associação. Os nossos munícipes e a sociedade, no seu todo,  têm muita expectativa em torno da nossa actividade.”

Os parceiros internacionais da ANAMM, representados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), reconhecem o papel desta associação para a consolidação do processo de  descentralização.

Por isso, apelam para mais reflexão na canalização de recursos aos municípios, tal como salientou Edo Stork, representante residente do PNUD em Moçambique.

“É importante que trabalhemos juntos para aumentar esses fundos e encontrarmos soluções conjuntas com as autoridades para se cumprir com a nova lei que foi aprovada”, frisou.

O Ministério da Administração Estatal e Função Pública aponta desafios como melhoria da rede de transportes, infra-estruturas,  entre outros sectores.

“Moçambique tem desafios no sector de crescimento urbano, o acesso limitado à terra,  habitação condigna, alto custo dos meios de transporte, investimento reduzido nas infra-estruturas.  E, para a solução destes problemas, contamos com o trabalho activo dos membros da ANAMM, mas também dos diferentes parceiros e do Governo”, disse  Inocêncio Impisse,  vice-ministro da Administração Estatal e Função Pública.

O V congresso da Associação Nacional dos Municípios vai culminar com eleição de novos órgãos directivos da agremiação.

Famílias cujas casas estão alagadas passaram a noite numa barraca em obras, no bairro de Maxaquene, na Cidade de Maputo. Os Munícipes sentem-se abandonados pela Edilidade de Maputo, que se mostrou incapaz de preparar um centro de abrigo.

A noite da terça-feira foi caótica para Helena e família, mas foi só o início.

Sim, foi o início, porque, com a água que entrou na sua casa e alagou também as ruas, ficou impossível lá chegar, ainda que, no mínimo, fosse para ver o estado das coisas. Seu novo endereço tornou-se a rua. Na rua até encontraram um abrigo, no qual estão mais de dez famílias.

“Somos muitos, porque ninguém se salvou aqui, no meio. As coisas ainda estão péssimas; algumas crianças nem à escola foram, porque não deu tempo de salvar, ao menos, cadernos. Perderam-se coisas!”, lamentou Helena, uma das vítimas da tempestade severa Filipo.

O primeiro abrigo em que Helena e os vizinhos se fixaram foi uma barraca. Segundo ela, veio, depois, o secretário do bairro, que pediu que fosse abrigar-se na escola que dista uns metros daqui. Só que lá as famílias se sentiram abandonadas. “Disseram que devíamos permanecer lá até que a água baixasse, mas, das 8h00 até agora – ontem à noite -, não fosse alguém que nos obsequiou com marmita, não teríamos comido nada de casa. Desde de manhã até agora sem comer nada. Sofres e ficas sem comer?”, queixou-se.

Para piorar, o guarda da escola disse que as famílias teriam de acordar antes das 04 horas porque, a seguir, a escola seria usada para o processo de ensino-aprendizagem. Nisso, preferiram voltar à casa, aliás, à barraca.

“É vida isto? Ninguém nos prestou socorro, mas, quando chegar a época eleitoral, precisarão dos nossos votos e em nada nos prestam socorro; sempre que chove, esta é a nossa vida”, mostrou-se indignada Joana Luís.

E, por ser assim sempre, Joana e seus vizinhos pedem, primeiro, que as autoridades lhes retirem do bairro de Maxaquene.
“Se não nos quiserem tirar, que nos coloquem vala de drenagem, não queremos sua comida. Talvez, ao ver-nos aqui, pensem que queremos comida, como aquele um quilograma com que nos enganam, não é isso que queremos. Disseram que poriam vala de drenagem, e até agora nada. A água sempre encheu aqui, mas, desde que construíram a bacia, tudo ficou pior. Quando não havia bacia, era melhor do que isto e não precisávamos de dormir nas ruas como isto, mas desde que temos bacia, a água está acima da média.”

A bacia de retenção foi construída no primeiro semestre de 2021 a custo de 23 milhões de Meticais. Não resolveu o problema. Naquela altura mesmo, a edilidade disse que ia construir valas de drenagem, que são essas que a população pede até agora.

Em bairros como 25 de Junho e Munhuana, as ruas e as casas continuam alagadas, mas os residentes que estão em zonas mais altas deram abrigo aos que estavam em situação de não ter onde passar as noites.

Uma agente da Polícia está detida, acusada de burlar cinco pessoas com promessas de emprego, na cidade de Tete. A  indiciada  conseguiu arrecadar mais de 500 mil meticais.

A história repete-se. Há dias, reportamos a detenção de uma pessoa na cidade de Maputo indiciada de enganar pessoas com promessas de emprego em Portugal. Desta vez, uma agente da Polícia, afecta ao Comando Distrital de Changara, em Tete, é apontada num caso de burla a cinco pessoas com promessas de vagas de emprego.  Uma das vítimas terá pago 200 mil meticais com promessas de ser professora.

As outras vítimas foram enganadas com garantias de serem  contratadas  como agentes de serviço na Direcção Provincial da Educação. 

A indiciada, de 29 anos de idade, nega ter sido ela quem enganava as pessoas. Diz-se também burlada pelo amigo, que está  foragido.

Neste momento, o Serviço Nacional de Investigação Criminal trabalha para localizar outro integrante do grupo, tido como cabecilha.

O caso já foi submetido ao Ministério Público.

A tempestade tropical moderada “Filipo” saiu, na manhã de ontem, do continente para o mar, na Baía de Maputo, e está a deslocar-se para sudeste, afastando-se gradualmente da terra firme. 

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, “Filipo” é agora uma tempestade tropical moderada e espera-se que se intensifique rapidamente para a fase de tempestade tropical severa ou mesmo de ciclone tropical e depois perca as suas características tropicais nas próximas 48 horas.

Contudo, espera-se a continuação da ocorrência de chuvas moderadas e ventos de 90 quilómetros por horas e rajadas de até 120 quilómetros por horas, para a zona costeira de Maputo e Gaza.

O INAM diz estar a monitorar a evolução deste sistema e “apela a população para que continue a acompanhar a informação meteorológica e os avisos difundidos pelas autoridades nacionais competentes”.

A direcção decidiu cortar os contratos com os médicos do Hospital Central de Nampula que davam aulas práticas, em 2021, e os estudantes de Medicina Geral estão sem aulas práticas desde Novembro do ano passado. O ministro do Ensino Superior está em Nampula e vai se inteirar dos problemas.

A Universidade Lúrio, abreviadamente conhecida por Unilúrio, está a braços com uma crise que coloca em rota de colisão, principalmente, os estudantes do curso de Medicina Geral, a direcção da Faculdade de Ciências de Saúde (FCS) e a reitoria.
Desde Novembro do ano passado os estudantes do curso de Medicina Geral não estão a ter aulas práticas inseridas no estágio parcial porque a direcção da universidade decidiu em 2021 cortar os contratos que vinha celebrando com médicos especialistas do Hospital Central de Nampula que assistiam os estudantes a partir do terceiro ano.

Nos dois anos seguintes foi havendo uma gestão da parte da FCS que ia pedindo compreensão e bom sendo da parte dos regentes de estágios no HCN onde decorre 80% da formação dos futuros médicos. No entanto, os mesmos acabaram decidindo, em Novembro do ano passado, abandonar definitivamente os estudantes e passaram a estar à deriva.

“É fundamental o estudante ter um estágio num local adequado porque vai lhe beneficiar no seu futuro profissional, que é o Hospital Central de Nampula. O que tem acontecido, há sensivelmente quatro anos, é que estamos a enfrentar problemas quanto ao campo de estágio. A Faculdade não tem disponibilizado o campo de estágio por falta de pagamento”, denunciou em anonimato uma estudante de Medicina Geral na Unilúrio.

A reitora da Unilúrio assumiu a direcção daquela instituição pública em 2020 e no seu entender, não faz sentido a celebração de contratos com os especialistas do Hospital Central de Nampula porque sendo este um hospital-escola faz parte da sua responsabilidade assistir os estudantes de medicina.

Por outro lado, os estudantes do sexto ano do curso de Medicina não estão a receber o subsídio de estágio.
“Imagina só, depois de terminarmos os nossos cursos todo o nosso stress vamos descarregar nos nossos alunos”, desabafou outro estudante de Medicina Geral/Unilúrio.

No último sábado, a reitora Leda Hugo posicionou-se nos seguintes termos: “neste momento a Unilúrio está a criar capacidade para averiguação, auditorias, consultas e até inquéritos para se apurar a verdade. Quando a verdade vier à tona, saberão”.
E esta quarta-feira foi a vez do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, que se encontra em Nampula, pronunciar-se sobre o assunto.

“Tomamos conhecimento deste assunto há mais ou menos uma semana e meia e o que temos estado a fazer é nos apercebermos melhor sobre o problema e as soluções que estão a ser empreendidas ao nível da Unilúrio e nesse sentido, esta oportunidade que temos de estar aqui na província de Nampula faremos questão de visitar a Unilúrio para podermos nos inteirar melhor do problema”, assegurou Daniel Nivagara que assegurou que vai se reunir igualmente com os estudantes afectados.

O Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários afirma que está a prestar apoio o Moçambique na resposta aos estragos provocados pela tempestade tropical Filipo, que atingiu as regioes centro e sul do país.

Numa nota publicada esta quarta-feira na sua página, a organização afirma ter enviado equipas de coordenação às províncias de Sofala e Inhambane para o exercício de levantamento das necessidades de ajuda humanitária, após a passagem da tempestade tropical aFilipo.

Através do programa de coordenação de ações humanitárias, a Organização das Nações Unidas está a apoiar os esforços de preparação e resposta aos efeitos da tempestade que desalojou mais de quinhentas mil pessoas.

A tempestade está a trazer fortes chuvas para o centro e sul do país, que também têm sido afetadas por uma seca induzida pelo El Niño desde o mês de outubro passado.

Em zonas onde a tempestade tenha criado situações de inundações, a ONU diz ter posicionado equipamento de salvamento de vidas, incluindo barcos e drones, mas reconhece haver outras mais urgentes, tais como, acesso a água e assistência educativa.

O Plano de Resposta Humanitária da ONU para Moçambique é de pouco mais de 5% do orçamento destinado, com cerca de 22 milhões de dólares recebidos dos 413 milhões de dólares necessários.

Cidade da Matola na sua totalidade está alagada, com maior parte das vias de acesso com transitabilidade condicionada, escolas encerradas, sem transporte público. E há também 50 famílias que precisam de assistência.

As ruas do bairro da liberdade transformaram-se em riachos e é assim sempre que chove nos últimos anos. E, se para muitos há danos a reportar com a passagem da depressão tropical Filipo, para outros jovens é uma oportunidade para ganhar dinheiro, dois homens cobram 15 meticais a cada pessoa que sobe o “tchova” que é carinha de atracção manual, para sair ou entrar à sua casa, uma vez que as ruas encontram-se intransitáveis.

Também Alexandre Manhiça com o seu “txova” enfrenta a fúria da água que quase o derruba no meio do leito, mas ele diz que assim o faz para garantir a renda. Alexandre é transportador de mercadorias e a meio da manhã desta quarta-feira debaixo da chuva levava ração que serviria para alimentar pintos. Para ele, há riscos sim, mas é preciso trabalhar. “Fazer o quê? Tenho que passar daqui porque não tem outro sítio para passar, passei daqui carregado de sacos, estava cheio. Assim que voltar, escorreguei um pouco ali porque bate numa pedra”.

Mas a chuva resultante da passagem da depressão tropical Filipo fez estragos, alagou casas, algumas foram abandonadas pelos seus donos e as vias de acesso na Matola estão quase todas inundadas, o testemunho é de Bicaire Moreira que com seu carro ligeiro entrou para sua residência para depois sair para falar à reportagem do Jornal O País. “Pedimos à edilidade que nos volte a abrir a vala antiga para que essa água possa passar, porque esta água vive conosco desde o ano 2000 e sempre que chove tende a ficar pior”.
Os bairros da Machava e Nkobe também não escaparam. A estrada regional número 807 ficou com a transitabilidade condicionada devido a chuva, o cruzamento de Machava quilometro 15 e Nkobe estava igual um lago.

Os serviços sociais como Escolas ficaram encerradas por precaução. Do lado do bairro Tsalala a Reportagem do Jornal O País escalou a Escola Básica 8 de Março onde frequentam 4500 alunos, com salas convencionais e sem nenhuma turma ao relento, mas não havia aulas.

“Mesmo por questões de precaução preferimos preferimos dispensar os alunos por duas razões. Porque primeiro a caminhada de casa para escola não é fácil e tomando em conta que a previsão é que o pico seja ainda hoje aqui na Matola preferimos dispensar os alunos” explicou Lourenço Matusse Director da Escola.

O Serviço público de transporte ficou seriamente afectado, aliás os autocarros ficaram estacionados durante todo o dia, não circularam e as paragens estiveram diga-se inundadas de gente. Muitas das pessoas atrasaram ao serviço, outras andaram a pé como o caso da Arlete Alexandre que como última esperança tinha de apanhar na paragem de 15 e mesmo assim não havia lá autocarros.

O presidente do Município da Matola, Júlio Paruque, visitou os vários pontos afectados na autarquia onde estavam a ser feitas intervenções pontuais e fazendo o ponto de situação diz haver para já 50 famílias afectadas.

“Números preliminares ainda, até este momento posso falar de 50 famílias afectadas e que precisam de assistência. A Matola toda ela está bastante afectada temos impactos sobre a transitabilidade, vias de acesso bastante alagadas, vias de acesso com transitabilidade condicionada, temos famílias que foram forçadas a abandonarem suas habitações, temos serviços sociais, equipamentos sociais, nomeadamente de educação e saúde também afectados estamos a aprimorar os danos sobre a Matola, estamos no terreno para minimizar o sofrimento das famílias”.

No vale do Infulene, na zona limítrofe entre as Cidades de Maputo e Matola os canteiros onde se produz hortícolas estavam submersos.

“Abílio Cuna, de 40 anos, cidadão moçambicano, foi considerado culpado e condenado pelo Tribunal de Crimes Comerciais de Mbombela na segunda-feira, 11 de Março de 2024, depois de ter sido preso pela polícia de fronteira de Lebombo”, refere-se em comunicado divulgado ontem pela Polícia Sul-Africana (SAPS).

O comunicado da unidade de investigação policial de crimes prioritários (HAWKS, na sigla em inglês) de Nelspruit, na província sul-africana de Mpumalanga, que faz fronteira com Moçambique, salientou que o tribunal condenou o cidadão moçambicano a dois anos de pena de prisão ou multa de 200 mil rands.

O motorista moçambicano foi detido às 03h20, do dia 04 de Novembro de 2023, no lado sul-africano (Lebombo) da fronteira de Ressano Garcia, a mais movimentada com o vizinho Moçambique, quando transportava, num veículo longo pesado com dois reboques basculantes, mercadoria de contrafacção estimada em 5 973 200 de rands, adiantou a nota a que a Lusa teve acesso.

“O acusado foi detido, a mercadoria falsificada, o camião e os reboques, foram confiscados e apreendidos no entreposto aduaneiro”, disse uma porta-voz provincial do Hawks.

De acordo com as autoridades sul-africanas, a empresa moçambicana Transporte Mussa Mussa (TMM), proprietária do veículo pesado e dos dois reboques, foi condenada a pagar uma multa e taxas de armazenamento na alfândega da Autoridade Tributária da África do Sul (SARS) no valor de 135 mil rands.

Há duas semanas, um motorista moçambicano foi detido na mesma fronteira da África do Sul com Moçambique, por contrabando de calçado de contrafacção no valor de 1,8 milhões de rands, anunciou a polícia sul-africana.

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