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O País – A verdade como notícia

As chuvas que caíram há dias na cidade de Maputo, causaram vários estragos, e no leque das vítimas, estão os pequenos agricultores da Associação Agrícola Samora Machel no bairro Ferroviário.

Os campos que carregam rastros de destruição após inundações, tinham sido lançados diversas plantações de hortícolas que, para já, serão necessários  mais 45 dias para voltarem a estar prontas.

Otilia Djindji é uma das mais de 450 mulheres pertencentes à associação que viram a chuva lhes roubando o sossego.

“Fomos todos assolados pelas chuvas e neste momento estamos a procurar ver de que forma recuperamos o pouco que sobrou, o difícil é não termos nenhum apoio.” Lamenta Otília.

Sem apoio para fazer face aos prejuízos, os 650 agricultores estão angariando pequenos fundos para recuperação do que foi perdido, incluindo o escritório da associação.

“Estamos a tentar pelo menos de novo organizar valas para que as águas passem normalmente para de novo começarmos a semear, tentar recuperar o que escapou que não é lá grande coisa”, afirmou Ângelo Manhiça  presidente da associação.

A intensidade das águas que vem invadindo as machambas, é motivada por esta conduta inacabada construída pela CFM em 2013, que nos últimos anos tem sido motivada pelo desabamento de residências.

Os moradores e agricultores pedem ações urgentes de quem é de direito para a solução do problema.

Foram hoje a enterrar no cemitério em Chimoio os restos mortais de Manuel Tomé. Colegas, familiares e amigos destacaram os feitos do político, jornalista e músico, ao mesmo tempo que apelaram para o seguimento dos seus ideais.

Familiares, amigos e colegas de trabalho prestaram este Sábado última homenagem  ao cantor, jornalista, académico, activista e político.

Para a família, o vazio deixado por Manuel Tomé será difícil de preencher.

No velório em que esteve presente o Presidente do partido Frelimo, o secretario geral, Roque Silva destacou as qualidades de Manuel Tomé.

Dirigentes e políticos a vários níveis presentes na cerimonia apelaram para o seguimento dos ideais de Manuel Tomé.

Manuel Tomé, cujos restos mortais foram a enterrar no cemitério de Chissui neste Sábado, nasceu a 20 de Novembro de 1952

Subiu de 11 para 18 o número de mortos na sequência do ciclone Gamane, que atingiu Madagáscar na quarta-feira.
De acordo com o Gabinete Nacional de Gestão de Riscos e Catástrofes, mais de 20.000 pessoas estão deslocadas, para além de casas que foram arrastadas.

Ventos violentos derrubaram árvores e correntes de água invadiram aldeias quando o ciclone Gamane, que inicialmente se esperava que passasse ao largo de Madagascar, no leste da África Austral, mudou de rota e atingiu o norte deste país na quarta-feira.

De acordo com o Gabinete Nacional de Gestão de Riscos e Catástrofes, 18 pessoas morreram, sendo que algumas morreram afogadas e outras morreram devido ao desabamento de casas ou à queda de árvores. O ciclone deslocou-se lentamente, o que amplificou os seus efeitos destrutivos, levando mais 20 mil pessoas a se deslocarem. Há mais de 5 mil casas afectadas, para além de que muitas estradas e pontes ficaram inundadas, isolando algumas regiões de Madagáscar.

No local devastado pelo ciclone, os habitantes afectados não têm o que comer e beber, necessitam de assistência. O ciclone Gamane foi actualizado para tempestade tropical e já se dissipou naquele país, segundo os meteorologistas. A época de ciclones no sudoeste do Oceano Índico dura normalmente de Novembro a Abril, com uma média de 12 fenómenos por ano.

Cristãos na cidade de Maputo celebraram a sexta-feira santa,  em cultos de comunhão carregados de mensagens de amor e sensibilização para o fim dos ataques em Cabo Delgado.  A mesma mensagem é replicada pelas famílias. 

É um dia carregado de grande simbolismo para a comunidade cristã em todo o mundo, e em Moçambique não foi diferente.

Em cânticos e louvores, os crentes reuniram-se nas igrejas para recordarem a morte de Jesus Cristo. 

Na Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério Tlavana, o culto começou pontualmente às 12 horas e 30 minutos.  Prostrados, os crentes suplicavam pela paz.

“O que nós desejaríamos é que houvesse paz, primeiro nos nossos corações e depois paz também ao nível dos país. Neste dia de hoje a Igreja Evangélica Assembleia de Deus alinha-se a todos que são pela paz”, afirmou Inoque Zavala membro da Igreja localizada no bairro do aeroporto. 

O mesmo cenário de cânticos, assistiu-se na Igreja Metodista Evangélica de Moçambique do bairro do Jardim. Por aqui, homens e mulheres, crianças e idosos impunham perdão como reflexão do dia.

A comunidade cristã entende que o país atravessa desafios que vão para alem do cenário religioso com destaque para o terrorismo em Cabo delgado, seca e inundações. por isso a necessidade de angariar ajuda para os necessitados.

Na Sé catedral na cidade de Maputo, a missa foi caracterizada pelos ensinamentos de lembrança do caminho percorrido por Jesus até a morte, um símbolo de perdão pela humanidade.

“Ele é bom. você chega a esta fase de perdão porque Deus é bom, porque ele me pega a sua mão para me tirar de lá debaixo eu do meu nada” prosseguiu ensinando o arcebispo de Maputo dom João Carlos. 

Para o conselho cristão de Moçambique, o momento de páscoa é próprio para a recuperação dos valores morais e união, num momento em que a nação necessita.

“Estamos neste momento a fazer de tudo para a angariarmos diversos produtos para que possamos ajudar os nossos irmãos assolados pelo terrorismo e as últimas chuvas que inundaram alguns pontos da cidade e província de Maputo. estamos em comunicação com o INGD, a entidade que viabiliza os processos”, garantiu o presidente do conselho cristão de Moçambique Orlando Dambo.

Os cultos e as missas de páscoa, continuam até o dia de domingos, o dia da ressurreição.

As obras de reposição da ponte metálica sobre o rio Muririmue, que liga Nametil e Chalaua, em Nampula, danificada a 5 de Janeiro passado, estão atrasadas devido às intensas chuvas que caem na região. A Administração Nacional de Estradas (ANE) promete reposição da transitabilidade para finais de Abril e não para o mês de Março. 

A 5 de Janeiro passado, um camião que transportava carga pesada destruiu a ponte metálica sobre o rio Murririmue, que liga Nametil e Chalaua, na província de Nampula, interrompendo assim a circulação. 

Em comunicado, a ANE prometeu que as obras de reposição da ponte durariam apenas o mês de Março, no entanto houve mudanças, devido às intensas chuvas na região.

“…As obras em curso de reposição da ponte metálica sobre o rio Muririmue, inicialmente previstas para para durar um mês, serão prolongadas até o final do mês de  Abril próximo, caso as condições climatéricas sejam favoraveis”, refere o comunicado.

De acordo com a ANE, já foi concluída a estrutura da ponte, estando em curso trabalhos do aterro dos acessos que têm sido limitados pela elevada umidade dos solos. 

Devido à chuva que continua a cair, o desvio feito para permitir a transitabilidade ficou inundado, obrigando os automobilistas a usarem a estrada N104, Nampula/Nametil/Boila, uma volta que encarrece a vida das populações e prejudica o transporte de pessoas e bens.

O ministro dos Recursos Minerais e Energia, Carlos Zacarias, garante que até esta sexta-feira será reposta a rede de fornecimento de energia eléctrica, que foi danificada pelas chuvas intensas registadas esta semana, no Sul do país.

Carlos Zacarias refere que, neste momento, decorrem trabalhos de reparação dos danos causados pelo mau tempo.

“Desde a primeira hora, decorrem trabalhos com vista a reposição. Nos locais onde o fornecimento de energia foi afectado, o sistema foi desligado na maior parte das vezes devido a questões de segurança. Uma vez que tínhamos postos de transformação tombados, alagados e por forma a evitar que houvesse choques eléctricos e outras consequências, o sistema foi desligado. Por força disso, somente 150 famílias foram afectadas mas espera-se que tudo seja reposto ”, disse o ministro dos Recursos Minerais e Energia, citado pela Rádio Moçambique.

A fonte explica que, para a reposição das infra-estruturas danificadas, a empresa Electricidade de Moçambique (EDM) está a investir pouco mais de seis milhões de meticais.

O Governo do Japão disponibilizou cerca de 1,7 milhões de dólares para ajuda humanitária aos afectados pelos ataques terroristas e mau tempo na província de Cabo Delgado.

Falando durante o lançamento do projecto de apoio aos meios de subsistência para retornados na província de Cabo Delgado, o embaixador do Japão referiu que “prevê-se que o projecto de financiamento beneficie 16.750 pessoas vulneráveis que fugiram à violência armada na província”, sobretudo nos distritos de Quissanga, Mocímboa da Praia e Palma, entre os mais atingidos pelas incursões terroristas que desde 2017 têm assolado aquela província do norte do país.

O apoio de Japão visa garantir que as pessoas tenham novos meios de subsistência baseados na agricultura e melhorar a segurança alimentar e nutricional e será implementado por três agências das Nações Unidas, nomeadamente a Organização Internacional para as Migrações (OIM), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Alto-Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

“O apoio do Japão permite abordar directamente as necessidades urgentes dos retornados em Cabo Delgado, com o objectivo de reconstruir e melhorar os meios de subsistência baseados na agricultura, com enfoque na produção de culturas e pescas, melhorando a segurança alimentar e nutricional destas comunidades, especialmente entre mulheres e crianças”, destacou Keiji Hamada.

A comunidade ruandesa diz que se sente ameaçada, já que poderia haver o risco de opositores irem para a lista de extradição, sem critérios legais objectivos. Cleophas Habiyareme, presidente da Associação dos Ruandeses Refugiados em Moçambique, disse, em entrevista à DW, que a comunidade ruandesa se sente ameaçada, já que poderia haver o risco de opositores irem para a lista de extradição, sem critérios legais objectivos. Também defende que organizações de direitos humanos, como a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), deveriam estar atentas a estes acordos.

A comunidade ruandesa em Moçambique sente-se mais ameaçada com o acordo de extradição?

Sim, a comunidade ruandesa se sente ameaçada, porque o Governo pode aproveitar-se deste acordo para pôr na lista todos os que ele considera opositores em Moçambique.

O Governo de Moçambique justifica que o acordo visa, por exemplo, impedir que o país acolha pessoas desonestas ou criminosas. Concorda com a justificação?

Não posso fazer comentários sobre uma decisão do Governo, do ministro, ou de membros do Governo. Mas os governos de Chissano de Guebuza negaram-se a assinar este acordo. Hoje, o Governo de Nyusi, sim, assinou este acordo. Nesse caso, para não haver abuso, pedimos que o mesmo instaure um mecanismo objectivo. Antes de entregar uma pessoa, ele deve ter conhecimento de que essa pessoa que está a entregar não está na lista porque é opositor, mas sim porque realmente cometeu este crime de que está a ser acusado.

De que forma a comunidade ruandesa pretende proteger-se de uma possível perseguição, no contexto deste acordo?

Em qualquer país do mundo, a protecção do refugiado tem de ser assumida pelo país que o recebeu. Nós fomos recebidos pelo Governo de Moçambique. Isso significa que esse deveria ser o primeiro a assumir a nossa protecção. Hoje, assinar um acordo para começar a entregar os refugiados… fugimos [do nosso Governo] por questões de segurança. Nesse caso, acho que só podemos gritar para a comunidade internacional, à sociedade civil, para exigir que não haja a entrega dos refugiados ao Governo que está a pedir para assinar este acordo.

Acha que o Governo moçambicano traiu a comunidade ruandesa?

Eu não posso afirmar que traiu. Até que ponto, até hoje, o Governo de Moçambique ainda não entregou nenhum refugiado, se o acordo aprovado… O acordo foi aprovado, mas Moçambique ainda não entregou refugiados. Vamos esperar para ver como esse país tratará [o tema] quando chegar o tempo de entregar os refugiados ao Governo de Kigali.

Ponderam apelar para a intervenção de algum organismo internacional de protecção ao refugiado ou exilado, como o  ACNUR, por exemplo?

Nem é preciso pedir. Eu penso que é um dever da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) ficar atenta a estes acordos. E não apenas essa organização, mas todas as demais instituições de [defesa] dos direitos humanos. Elas precisam ficar atentas para ver como Moçambique porá em prática este acordo.

A antiga primeira-ministra, Luísa Diogo, diz que os ataques terroristas protagonizados em Cabo Delgado podem colocar em causa a integridade territorial, assim como  a  unidade nacional. Luísa Diogo defende, ainda, investimento na mulher e nos jovens para a consolidação da unidade nacional.

Luísa Diogo foi convidada pela Universidade Joaquim Chissano, antigo Instituto Superior de Relações Internacionais, para proferir a aula inaugural de abertura do ano lectivo 2024. Perante uma plateia repleta de estudantes, docentes e outros convidados,  a antiga primeira-ministra falou sobre “subsídios para a consolidação da unidade nacional.”

Na sua alocução, Diogo, que também já foi ministra das Finanças, disse que Moçambique não existe sem a unidade nacional.
“Quem fomenta a desunião em Moçambique está a fomentar a extinção de Moçambique como país, como povo. Então, Moçambique é unidade nacional. Sem unidade nacional, não existe Moçambique”, defendeu Diogo.

Luísa Diogo entende, também, que há desafios que podem colocar em causa este bem comum.

“São riscos que têm a ver,  primeiro,  com segurança e ordem públicas, têm a ver com a integridade territorial, que são os aspectos visíveis que podem ser postos em causa quando nós temos guerras e ataques. Isso faz estremecer  a unidade nacional. Em segundo lugar, a maneira como nós pensamos. Precisamos de consolidar como nós pensamos, como moçambicanos e onde estivermos e sabermos quem somos.”

Para a  antiga governante, a juventude e a mulher são essenciais para a consolidação da  unidade nacional, porque, segundo o seu entendimento, se a mulher for deixada na periferia de desenvolvimento, a unidade nacional será frágil.

“Se nós abordarmos a mulher de uma determinada maneira, ela, sendo mais de 50% da população, se hoje abordamos de determinada maneira, deixando-a na periferia do desenvolvimento, então a nossa unidade nacional será precária, porque não investimos em mais de 50% da nossa população, independentemente do género”, considerou Diogo.

E, tendo sido candidata vencida nas eleições internas do partido Frelimo, em 2014,  para candidato a Presidente da República, não perdemos a oportunidade para questionar se este ano voltará a candidatar-se. Diogo manteve-se no silêncio, dirigindo-se à sua viatura protocolar.

Para a Universidade Joaquim Chissano, a palestra atingiu os resultados que se esperavam, tal  como fez  questão de sublinhar o respectivo reitor, José Magode.

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