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O País – A verdade como notícia

O Governo diz que as pessoas já estão a receber kits de alimentação e higiene e que a situação humanitária ainda não justifica a decretação de Estado de Emergência.

A intensificação do terrorismo continua a gerar medo e fazer aumentar o número de deslocados em Cabo Delgado. Ao fim da sessão do Conselho de Ministros desta semana, o Executivo anunciou que a nova onda de ataques já levou à deslocação de mais de 60 mil pessoas.

“Nesta altura, nós falamos 67 321 deslocados, o que corresponde a 14 200 famílias que são consideradas como chegadas à província de Nampula e outros sítios tidos como mais seguros para os deslocados dentro da própria província de Cabo Delgado”, avança, Filimão Suazi, porta-voz do Conselho de Ministros, acrescentando que “estão num centro provisório de emergência no distrito de Eráti (província de Nampula) e está a ser feito todo um trabalho para que, nas escolas em que as pessoas se foram refugiar ou nas casas de familiares em que as pessoas estão, sejam melhoradas as condições de alojamento.”

No entanto, o Executivo já avança que se assiste, também, a um movimento de retorno da população recentemente deslocada às suas zonas de origem, conforme a melhoria das condições de segurança nas aldeias e postos administrativos onde foram registadas incursões terroristas nos últimos dias.

Os números sobem, mas ainda estão longe dos mais de um milhão de deslocados que o conflito já provocou desde o início. É por isso que o Governo entende que a situação humanitária não justifica Estado de Emergência.

“Foi entendido ainda não terem sido criadas as condições para que se decrete Estado de Emergência ou Estado de Sítio em Cabo Delgado. Não é esse ainda o caso”, sentenciou. Esta resposta surgiu na sequência de uma resposta dada pelo primeiro-ministro, Adriano Maleiane, segundo a qual o Governo não tem dinheiro suficiente para assistência aos deslocados e que iria ser analisada na sessão de ontem do Conselho de Ministros a necessidade ou não de decretação de Estado de Emergência. Maleiane dissera: “vamos discutir na sessão do Conselho de Ministros qual é a melhor (opção), mas enquanto isso não acontece estamos no terreno. O INGD está no terreno a funcionar  para, pelo menos, as questões humanitárias serem acauteladas”.

Aos novos deslocados, está a ser prestada assistência em kits alimentares e de higiene. O Conselho de Ministros pondera ainda um calendário escolar dedicado àqueles que estão a perder aulas. Por outro lado, foi decidido, esta terça-feira, pela decretação de um alerta amarelo preventivo em relação à época chuvosa e ciclónica.

Na mesma sessão, foram aprovadas três resoluções sobre acordos de transferência de reclusos entre Moçambique e Malawi, Zâmbia e Zimbabwe, matérias a serem apreciadas pelo Parlamento.

Pelo menos 13 pessoas foram burladas com promessas de emprego em Portugal. Pagaram valores que variam entre 20 e 60 mil meticais a um desconhecido com a promessa de seguir viagem a terras lusas. O caso remonta desde Outubro do ano passado. Em conexão com o caso, está detido em Maputo um indivíduo de nacionalidade portuguesa.

Dois jovens moçambicanos mantêm sonhos de trabalhar em Portugal. Para o efeito, tiveram contacto de alguém que supostamente ajuda pessoas interessadas a viajarem para aquele país europeu. Não chegaram a conhecer a pessoa, mantinham contacto telefónico e o dinheiro foi pago via transferência. Há dois meses neste processo, a viagem não chegou a acontecer e depois de sucessivos contactos, descobriram que estavam diante de uma burla.

“Peguei no dinheiro e enviei e ficámos assim, onde é que começa a história, onde começa o real motivo de nós descobrirmos que isto trata-se de uma burla, ele não dizia quando é que seria a viagem só falava que o seu superior vem ora está cá. Sempre que ligava dizia que estou reunido e não posso falar agora, então, acabamos vendo que isto aqui é uma burla”.

Outra vítima diz já ter sido burlada no passado num outro negócio e desta vez tentava sorte para viajar e trabalhar em terras lusas, viagem essa que não aconteceu e só ficou o arrependimento.

“Me precipitei tanto por acaso porque eu estava a trabalhar aqui mas por isso fui denunciar meu contrato, assim não estou a trabalhar porque a tal pessoa me garantiu que devia ter viajado a 10 de Janeiro passado para Portugal, mas, até ao momento estou aqui. A mensagem que eu gostaria de deixar para os outros é só ter muito cuidado quanto a isso”.

Neste esquema foi detido pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal um indivíduo de nacionalidade portuguesa que está em Moçambique há menos de dois anos. Diz ser consultor e dono de empresa de recrutamento, aliás, diz que já mandou para Lisboa 9 moçambicanos e nega que seja burlador.

“As pessoas desesperadas já pagaram bastantes ao Senhor Hermínio. Não é verdade, eu não sou burlador, não burlo ninguém, as pessoas vem me procurar, eu estou no meu escritório tranquilo, trabalho no ponto final, vieram ter comigo, eu não burlo ninguém”.

Na posse do indiciado, foram encontrados 13 passaportes moçambicanos e livros de recibos. O SERNIC diz estar à procura de mais envolvidos.

“Este indivíduo ter-se-á juntado a outros dois cidadãos moçambicanos e esses por sua via iam aliciando alguns cidadão interessados em ingressar no mercado de emprego de preferência em Portugal. Então aliciavam as vítimas exigindo o pagamento de valores monetários de forma faseada que variam entre 20 a 60 mil meticais por cada cidadão” explicou Hilário Lole porta-voz do SERNIC.

As vítimas pretendiam trabalhar no sector de construção civil, hotelaria e turismo.

Rasaque Manhique diz que  é ridículo fazer adjudicação de obras públicas com preços especulados. O edil de Maputo diz que vai cancelar todas as empreitadas nestas situações.

Foi durante a tomada de posse do novo vereador de Infra-estruturas e Salubridade, secretário municipal, director jurídico e de Comunicação que o edil de Maputo, Rasaque Manhique, mostrou-se preocupado com irregularidades na adjudicação de obras públicas, ao que chamou de ridículo. 

Rasaque Manhique diz que não tem escolha senão cancelar todas as adjudicações com indícios de viciação do orçamento. 

Sobre a atribuição de bancas erguidas no silo auto de Maputo aos vendedores informais, a edilidade diz que decorrem trabalhos de coordenação com a Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento.

Em relação à  recolha de lixo, Rasaque Manhique reconhece a dívida com as empresas e promete soluções em breve, mesmo sem mencionar datas.

A Polícia desmantelou, na cidade da Beira, uma suposta quadrilha que se dedicava ao contrabando de mercadorias usando documentação e matrículas falsas. As mercadorias eram roubadas em armazéns localizados fora do recinto portuário e eram encaminhadas para o mercado interno.

De entre os documentos falsos estão cartas de condução, livretes de viaturas, Bilhetes de Identidade e declaração de cargas.
Não se sabe há quanto tempo a suposta quadrilha operava, mas uma equipa multissectorial, num trabalho de rotina, descobriu o esquema, e um dos motoristas detido afirmou que não era a primeira vez que prestava serviço aos supostos proprietários das mercadorias, ora fugitivos.

“Tiraram-me fotografias e disseram para eu ficar aqui ate ao nosso regresso e depois vamos dar o programa de como tudo vai decorrer”, contou o motorista detido, acrescentando que depois de algum tempo de espera “vieram novamente e fizeram este trabalho de mudança de matricula e outras coisas”.

Num camião contendo mais de 600 fardos de roupa usada, a suposta quadrilha, para além de falsificar a matrícula, tapou as escritas originais do veículo e colocou outras. Os dois motoristas, detidos, encaixariam 50 mil Meticais.

Outro motorista envolvido contou a sua versão dos factos. “Para mim disseram que tinham tudo controlado e até matricula e timbre do camião e não sei onde tiraram essas coisas”, contou.

A Polícia disse que está perante um “concurso de infracções”, e a mais grave para a corporação é a falsificação de documentos.
De acordo com Dércio Chacate, porta-voz da Polícia da República de Moçambique na província de Sofala, trata-se de “um esquema devidamente articulado e há todo um trabalho de inteligência que segue com vista a descontinuar esta acção destes indivíduos”.

Chacate acrescentou ainda que há mais quatro membros envolvidos neste esquema e que encontram-se ainda à monte, “mas queremos assegurar que a PRM está a trabalhar com vista a detenção dos mesmos”.

Os mais de 660 fardos de roupa usada tinham como destino a cidade de Maputo, mas seriam descarregados no Município de Dondo, na província de Sofala.

Cento e vinte cinco mil e trezentos hectares de culturas diversas estão totalmente perdidos devido à insuficiência da chuva e pragas que afectaram os campos de produção agrícola, nos distritos da região sul da província de Tete.

A situação afecta mais de 100 mil e seiscentas famílias produtoras, segundo o chefe do Departamento da Agricultura e Segurança Alimentar na Direcção Provincial da Agricultura e Pescas, António Mourinho, entrevistado pela Rádio Moçambique.

 

 

Continua em cativeiro o dono dos Armazéns Atlântico, empresário raptado a 20 de Janeiro do ano em curso na baixa da Cidade de Maputo. Entretanto, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), apresentou, esta segunda-feira, dois indivíduos suspeitos de envolvimento na execução do mesmo rapto e num outro ocorrido a 1 de Novembro de 2023.

O porta-voz do SERNIC na Cidade de Maputo disse a jornalistas que há complexidade para o esclarecimento deste tipo legal de crime, uma vez que quem executa o rapto não é o mesmo que transporta a vítima e é diferente do interveniente que fica no cativeiro com a vítima.

Hilário Lole, porta-voz do SERNIC, diz que há esforços com vista a trazer o empresário de 70 anos ao convívio familiar, mas lamenta que não tenha sido resgatado até agora.

“Infelizmente, essa vítima ainda se encontra em cativeiro, mas, conforme referenciamos aqui, temos três indivíduos que, a princípio, são participantes neste caso de raptos e com as informações que vamos colhendo no âmbito das investigações e suas declarações acreditamos que, em breve, podemos chegar ao seu cativeiro.”

Hilário Lole garante que o SERNIC trabalha para o esclarecimento de todos casos de rapto, e é por isso que foram apresentados os dois indivíduos de 45 e 33 anos de idade, que supostamente estiveram envolvidos na execução de dois raptos. Negam que sejam raptores, mas dizem conhecem indivíduos envolvidos nos raptos.

“No segundo rapto, de 20 de Janeiro, eu estava cá, mas eu não sei nada de raptos. Eu ligava sempre a um amigo que tem esse comportamento e já esteve peso, e eu liguei insistentemente para ele na quinta feira, porque eu já estava de viagem para a África do Sul”, explicou um dos indiciados.

O outro fez declarações segundo as quais os agentes do SERNIC o detiveram porque interceptaram a sua chamada a conversar com um familiar de um suspeito de raptos.

“Localizaram-me através do meu número e disseram-me que o meu número caiu no telefone dele porque o meu amigo, Anselmo, usou o telefone do irmão para falar comigo, e é esse irmão que é procurado pela Polícia.”

Foram encontrados na posse dos indiciados duas chapas de matrículas de viaturas que alegadamente usavam durante as suas incursões. O SERNIC explica que chegou a estes suspeitos através de denúncias.

“O SERNIC não só trabalha com denúncias, mas também com informações e a triangulação dessas informações, com base em outras que temos colhido com base nas investigações que têm sido feitas.”

Desta vez, o SERNIC não chegou aos cativeiros. A vítima raptada a 1 de Novembro de 2023, uma cidadã de nome Zakia Dassat, filha de um conhecido agente económico, Ahmad Rfik, foi resgatada 51 dias depois, e encontra-se no convívio familiar.

O calor intenso destruiu extensas áreas de culturas agrícolas e criou prejuízos para os camponeses no município da Matola, província de Maputo.

Trata-se de uma situação que poderá agudizar, nos próximos dias, a escassez de hortícolas nos principais mercados da Cidade e da província de Maputo.

Das culturas mais afectadas pelo calor intenso naquela parcela do país, o destaque vai para a alface e a couve, nas zonas baixas, incluindo o milho e o amendoim, nas zonas altas.

O presidente da União das Associações de Agricultores nas Zonas Verdes da Matola, Alexandre Honwana, disse que, devido ao fenómeno, há escassez de hortícolas nas ‘machambas’.

Sublinhou que, por conta destas perdas, alguns agricultores enfrentam dificuldades para relançar as culturas.

Há equipamento avariado nos serviços de lavandaria do Hospital Central de Nampula. Falando durante um encontro com deputados do MDM, o ministro da Saúde diz que iniciou a reparação e que o Governo vai tercerizar os serviços.

Trata-se de um encontro em que o MDM e o Governo pretendiam fazer a radiografia de alguns hospitais, com destaque para o Hospital Central de Nampula.

Sobre esta unidade sanitária, o Movimento Democrático de Moçambique diz que a taxa de ocupação está acima de 100% e que as máquinas da lavandaria não funcionam.

“A avaria das máquinas de lavagem hospitalar, as máquinas de esterilização… há uma taxa acima de 100% e há problemas também de exiguidade orçamental para o funcionamento diário do hospital, alimentação, aquisição de bens e serviços, dívidas em alguns hospitais. Decidimos vir colocar estas questões enquanto deputados e ver a forma de encontrar uma solução conjunta”, apontou Fernando Bismarque, deputado da bancada do Movimento Democrático de Moçambique.

O ministro da Saúde, Armindo Tiago, conhece bem os problemas e diz que a conclusão do Hospital Geral de Nampula é uma das soluções.

“O Hospital Central de Nampula é o único hospital especializado naquela província, razão pela qual a nossa abordagem para a solução é a sua conclusão, que vai aumentar a capacidade na cidade de Nampula. Das 550 que existem, mais 400, passaremos para mais de 900 camas”, respondeu Armindo Tiago, ministro da Saúde.

Sobre o equipamento da lavandaria, Tiago diz que decorrem trabalhos de manutenção.

“O nosso pensamento é de terceirização dos nossos serviços de lavandaria, mas até lá vamos fazer a reparação do material existente. Por isso, já mandámos uma equipa de electrotécnicos para fazer o trabalho”, avançou.

Quanto à disponibilidade de medicamentos, o sector da saúde diz que há stock disponível para três meses em todo o país.

Cerca de 500 pescadores beneficiaram-se, esta segunda-feira, 26 de Fevereiro, de insumos destinados a actividades de promoção da pesca artesanal e melhoria da renda dos pescadores. A oferta está inserida no programa ProAzul, implementado pelo Ministério do Mar, Águas Interiores e Pescas.

Os insumos entregues esta segunda-feira pelo governador de Sofala, Lourenço Bulha, fazem parte de uma iniciativa que visa promover a pesca artesanal e a sua cadeia de valor, no que toca à captura, processamento, transporte e comercialização do pescado. Entre os bens entregues, estão congeladores, “kits” de painéis solares, motores para barcos de pesca, balanças, geradores, entre outros.

Cada beneficiário comparticipou com 20% e o Governo, com o apoio do Banco Mundial, entrou com 80%.

O governador de Sofala reconheceu a demora no processo, mas diz que o Governo está empenhado em apoiar várias iniciativas com vista ao desenvolvimento das actividades dos pescadores, e não só.

ProAzul é um programa desenhado como um mecanismo de financiamento em regime de comparticipação, não reembolsável, a pescadores artesanais, e tem como um dos principais objectivos melhorar o nível de renda dos pescadores tradicionais de forma sustentável.

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