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O País – A verdade como notícia

A reabilitação da Avenida Dom Alexandre, no distrito de Marracuene, província de Maputo, está atrasada há sete meses. O INGD, responsável pela empreitada, só na última semana lançou o concurso público para a contratação de um fiscal independente.

O arranque das obras de construção da Avenida Dom Alexandre foi cancelado pelo Banco Africano de Desenvolvimento devido a falhas no processo.
O Instituto Nacional de Gestão e Redução de Desastres revelou ao “O País” que a contratação de um fiscal independente foi uma das situações que travaram o arranque das obras.

Na última semana, a instituição tornou público o concurso para a contratação de um fiscal independente.

Depois de receber a informação, a empresa contratada para executar a obra revelou através de um documento enviado ao INGD que está a arcar com encargos e a somar prejuízos.

Os embaixadores da Espanha e Portugal em Moçambique, Teresa Orjane e António Costa Moura, respectivamente, defendem que o país tem a oportunidade de não repetir os erros cometidos pelos europeus na protecção costeira. Os diplomatas entendem que, para o crescimento sustentável do turismo,  Moçambique deve evitar todo o tipo de construções que perturbam o ambiente ao longo da orla.

Moçambique tem mais de 2700 quilómetros de costa, sendo que o sector do  turismo contribui com quase 9% do Produto Interno Bruto (PIB).

Grande parte do turismo praticado em Moçambique é de sol e praia, uma prática  muito apreciada mundialmente. Para que o país continue como um dos melhores destinos turísticos, a embaixadora da Espanha em Moçambique, Teresa Orjane,  diz que o país deve evitar os erros cometidos pelos europeus.

“Olhando para aquilo que foi o turismo na Espanha, nos anos 60, nós estamos agora constantemente a corrigir. Quero dizer que a costa tem de ser preservada. Nós só fizemos tarde a protecção da costa, a protecção das dunas, a protecção dos mangais. Tem de ser um projecto bem feito, porque os parceiros europeus vão querer saber qual é o futuro da costa”, elucidou Teresa Orjane.

A mesma posição é defendida pelo embaixador de Portugal em Moçambique,  que cita como exemplo o investimento errado feito no Algarve.

“Temos de evitar a repetição dos erros. Não há necessidade nenhuma de estarmos a estragar as dunas, derrubar o ambiente, perturbar o ecossistema, estragar a natureza, quando isso é que é o verdadeiro atractivo que traz os turistas. Os turistas vão a um sítio porque ali existe uma coisa única. E, muitas vezes, essa coisa única que é procurada pelos turistas é a paz, a ausência do betão, de perturbação da paisagem, silêncio, paz interior e sossego para poder ler um livro em paz, por exemplo. Isso vale ouro”, notou António Costa Moura.

O diplomata diz, ainda, que o país deve encontrar um equilíbrio entre o desenvolvimento e a protecção do ambiente.

“Nós não podemos ser fundamentalistas do ambiente ao ponto de colocar em causa o desenvolvimento económico, mas também não podemos ser tão ambiciosos desmesuradamente, ao ponto de querer ganhar e estragar aquilo que nos pode dar sustentabilidade a longo prazo. É este justo equilíbrio e este bom senso que se dirige a quem manda e toma opções.”

Os diplomatas falavam na cidade de  Inhambane, onde participam no fórum de negócios e no diálogo de parceria entre Moçambique e Europa.

Falta de informação e limitações no acesso à educação barram a participação dos jovens na tomada de decisões importantes nos processos eleitorais. A constatação é do Instituto para Democracia Multipartidária, que fala da necessidade do empoderamento político dos jovens.

A participação dos jovens na vida política, sobretudo na tomada de decisões relativas aos processos eleitorais, continua aquém do desejado, de acordo com o Instituto para Democracia Multipartidária.

A organização fala da existência de barreiras que dificultam o empoderamento político deste grupo social.

“Além de desafios políticos que têm a ver com a questão de intolerância e violência política nas eleições, temos igualmente desafios económicos, porque, muitas das vezes, os jovens, no sector informal, por exemplo, estão preocupados com o seu ganha-pão diário e não participam de forma activa na política, e existem também desafios sociais”, explicou Victor Fazenda, representante do Instituto para Democracia Multipartidária.

Com as eleições gerais daqui a cerca de quatro meses, o IMD defendeu, na ocasião, que há que buscar estratégias urgentes de envolvimento de mais jovens nos processos políticos.

“É importante que os órgãos eleitorais e os partidos políticos reforcem a integridade eleitoral, para que os jovens possam confiar plenamente nos processos eleitorais e, assim, participar activamente na vida política.”

Por sua vez, o presidente da Comissão Nacional de Eleições entende que a preocupação deste grupo social é legítima. Carlos Matsinhe refere que só com a inclusão é possível garantir a integridade dos processos eleitorais.

“Os órgãos eleitorais reconhecem o valor da participação dos jovens na construção de uma sociedade desenvolvida, sustentável, inclusiva e mais justa para todos os moçambicanos, para o exercício de uma cidadania responsável, por ser a força motriz da sociedade. Pelo que encorajamos esta camada a continuar com os esforços no sentido de buscar mais engajamento como actores-chave, não só de processos eleitorais, mas também na dinâmica deste país”, disse Matsinhe.

Os intervenientes falavam durante um encontro de busca de soluções para a fraca participação dos jovens na política. O evento contou com a participação de mais de 100 jovens representantes de ligas juvenis de partidos políticos, órgãos eleitorais, sociedade civil e missões diplomáticas.

Membros supostamente do partido Renamo devolveram, ontem, camisetas e bandeiras do partido como forma de repudiar a reeleição de Ossufo Momade como presidente do partido e candidato às eleições de 9 de Outubro.

O facto que nos últimos dias tem se replicado em diversos pontos do país, viveu-se na Cidade de Maputo, onde por volta das 11 horas desta quinta-feira, um grupo de pelo menos 30 jovens, cantando “Ossufo Momade Traidor”, “Ossufo Momade fora” e “Lambe-botas… Lambe-Botas” os jovens se dirigiam à sede da Renamo na Cidade de Maputo, ostentando artigos do partido para, conformem disseram devolverem.

“Em Alto Molócuè, no Congresso, o jovem foi desprezado, não ouviram a vontade dos jovens e por conta de interesses pessoais escolheram Ossufo Momade. Momade nunca foi nosso candidato preferencial, eles estão a matar a Renamo porque são Lambe-botas”, disse, indignado, Juvêncio Ernesto, um dos manifestantes.

Na verdade, a preferência por Venâncio Mondlane é que esteve por detrás da fúria dos jovens manifestantes. É que, eles segundo contaram, acreditam que Mondlane seja a pessoa ideal para representar a Renamo nas eleições de 9 de Outubro, pois “ele está preocupado com o povo”.

E porque Mondlane foi excluído do processo, eles nao tem mais motivos para fazer parte do partido, pois “ficou provado que estão preocupados em comer com a Frelimo” e dizem que a continuar assim a apoiar a Renamo “vão continuar a sofrer, como sofrem desde a Independência do país”.

“Estamos aqui porque já não queremos fazer parte da Renamo, viemos devolver os cartões de membro, as camisetas, as bandeiras e tudo que recebemos deste partido, porque já não nos é útil, nós agora, vamos para onde o nosso libertador Venâncio Mondlane for”, disse Tucha Bernardo.

“O País” entrou em contacto com o delegado da Renamo na Cidade de Maputo que disse, sem gravar entrevista, que os manifestantes não fazem parte do partido, por isso não foram devolvidos cartões de membros porque estes não tem.

Devolveram apenas 28 camisetas, 2 bandeiras, 2 Chapéus e um vestido distribuídos a quando das marchas realizadas em protesto aos resultados das eleições autárquicas.

Na Vila de Marromeu, em Sofala, o cenário vivido esta manhã foi igual. Alguns simpatizantes também não querem Ossufo Momade, por isso, invadiram a sede do partido, rasgaram as assinaturas recolhidas para a candidatura de Ossufo Momade e outros documentos e o chefe provincial da Mobilização de Sofala foi agredido.

Quatro pessoas morreram, este ano, no Parque Nacional de Mágoè, em Tete, vítimas de ataques por elefantes. A administradora daquela área de conservação, Júlia Mwito, diz que o desafio é sensibilizar as 27 comunidades que vivem no interior do parque a procurarem outros locais de abrigo.

Por sua vez, Pedro Muagura, administrador do Parque Nacional da Gorongosa, defendeu a união de forças para acabar com o mal.

A Biofund investiu dois milhões de dólares na conservação da biodiversidade, sobretudo na componente de formação, tendo beneficiado pouco mais de 300 jovens.

Estes dados foram partilhados no quadro da celebração de 22 de Maio, Dia Internacional de Conservação da Biodiversidade, evento que juntou na Unizambeze, em Chimoio, diversos actores.

O Parque Nacional de Mágoè é rico em biodiversidade, mas, porque o homem e o animal procuram partilhar o mesmo espaço naquela área de conservação, há registo de “conflitos”.

Os Estados Unidos da América entendem que a inclusão de técnicos e agentes de trânsito reformados na definição de políticas e construção de estradas pode garantir maior qualidade das vias e reduzir acidentes, dada a experiência que possuem. São ideias partilhadas na Conferência Africana sobre Tecnologias dos Transportes, que decorre na Cidade de Maputo.

Responsáveis das áreas de estradas e transporte de Moçambique, África do Sul e Estados Unidos da América estiveram num frente-a-frente, na Conferência Africana sobre Transferência de Tecnologias dos Transportes, a debater soluções para a qualidade de vias de acesso e redução de acidentes de viação.

Na partilha da sua experiência, a Administração de Estradas Federais dos EUA disse estar a usar conhecimentos do passado para resolver problemas actuais, envolvendo técnicos e agentes reguladores de trânsito reformados.

“Incluímos regularmente a força policial. Além disso, contratei um agente da Polícia reformado para trabalhar comigo e com a minha equipa durante muitos anos. O que fizemos, com o tempo, foi percorrer os Estados Unidos, reunindo-nos com polícias de todo o país e ensinando-lhes as contramedidas de engenharia”, conta Patrick Hasson, quadro da Administração de Estradas Federais Norte-Americanas.

Além da preservação das vias, segundo Patrick Hasson, do Centro Norte-Americano de Recursos de Administração Federal de Estradas, com a adopção desta medida, reduzem-se também os acidentes de viação.

“Com ou sem dados sobre acidentes, podemos olhar para as nossas estradas e compreender como foram executadas, porque temos hoje um conhecimento tão grande em comparação com há 25 anos. Sabemos muito mais sobre as infra-estruturas rodoviárias e a forma como contribuem para os acidentes, pelo que podemos ir para as estradas, analisar essas características, compreender onde os riscos são elevados e resolver o problema”, adverte o representante americano.

Já da África do Sul, Simphiwe Nene, do Departamento de Transporte em Kwazulu-Natal, disse que o seu país tem reservado cinco por cento do orçamento anual para a segurança rodoviária. “A proposta vem acompanhada de uma condição que diz que temos de reservar 5% dos orçamentos para tratar apenas de questões de segurança rodoviária. Depois, temos de fazer uma avaliação e apreciação da segurança rodoviária.”

A IX Conferência Africana de Transferência de Tecnologia dos Transportes junta dirigentes e técnicos na área. O evento termina esta sexta-feira.

Vinte e seis estudantes bolseiros estão a cursar medicina na Cidade da Beira, financiados pela edilidade, no âmbito da iniciativa um bairro um médico.

Durante a campanha eleitoral das eleições autárquicas do ano passado, o edil da Beira, Albano Carige, prometeu financiar bolsas de estudo na área de medicina para atender as necessidades de saúde ao nível dos 26 bairros da urbe.

O projecto, denominado “um bairro, um médico”, tem como objectivo garantir atendimento em primeiros socorros de qualidade aos munícipes nos seus bairros antes de se dirigirem às unidades sanitárias.

O município da Beira revelou que os primeiros 26 bolseiros, com idades entre os 18 e os 23 anos, já estão em formação na Universidade Católica de Moçambique.

“Daqui a sete anos, temos 26 médicos para igual número de bairros. Ainda este mês, pagámos todo o ano”, disse Albano Carige, edil da Beira.

Os beneficiários, visivelmente emocionados, enaltecem o Conselho Municipal da Beira e garantem aplicar-se nos estudos.

“Queremos agradecer, do fundo do coração, pela iniciativa. E esperamos que o presidente possa ter mais iniciativas do genéro que beneficiem a população”, maniestou Antónia Castigo, uma das beneficiárias.

Carige falava à imprensa no âmbito dos primeiros cem dias de governação. Na ocasião, lembrou que o concurso para a construção do muro de protecção costeira, uma das suas promessas, já foi lançado.

“Isto significa que, ainda este ano, se tudo der certo as obras de protecção costeira vão arrancar na nossa cidade.”

Em relação as valas de drenagem, o edil da Beira garantiu que a segunda fase é uma realidade, pois, já foi encontrado o empreiteiro, que é um grupo de engenheiros chineses.

” Este empreeteiro vai executar as obras de reabilitação, requalificação e construção da segunda bacia de retenção. Estas obras vão decorrer nas Palmeiras 2, Macúti, Matacuane, Macurungo, Chota e Estoril”, precisou Albano Carige.

O edil da Beira falou, igualmente, da construção da praça da saúde e do início do pagamento das indeminizações aos antigos trabalhadores da extinta empresa dos Transportes Públicos da Beira.

Nos últimos quatro meses, quatro mototaxistas foram assassinados, no município de Dondo, em Sofala. Todas ás vitimas foram violentados por um grupo de jovens, entre eles uma mulher, que se faziam passar por passageiros. As motas eram posteriormente vendidas nas cidades da Beira e Chimoio.

Oito jovens, residentes nos município de Beira, Dondo, Chimoio e Gondola, foram detidos pelo SERNIC, indiciados de roubo e assassinato de quatro mototaxistas.
A rede de malfeitores opera ao longo do corredor da Estrada Nacional Número Seis. Entre eles, estão os que atraem os mototaxistas, fazendo-se passar por passageiros, usando algumas mulheres.

Os criminosos indicam um destino e, a meio do percurso, simulam que pretendem satisfazer uma necessidade biológica, exactamente no lugar onde estão outros elementos do grupo, que violentam os mototaxistas, tal como contou um sobrevivente.

Houve 10 situações desta natureza que resultaram em 4 vítimas mortais.

O país poderá melhorar a capacidade de investigação geológica, através do uso de métodos modernos a serem implementados pelo Instituto Karpinsky, uma organização russa que vai formar estudantes e pesquisadores moçambicanos, no Museu Nacional de Geologia.

É o início de uma parceria que vai dotar os estudantes moçambicanos de técnicas mais avançadas para a pesquisa de minérios no país.
Para o efeito, foi assinado ontem um memorando de entendimento no qual o Instituto russo Karpinsky se compromete a formar estudantes moçambicanos em matéria de investigação geológica.

A directora nacional de Geologia e Minas, Luísa Mahocha, considera que “nós olhamos para esta parceria como sendo aquela que vai trazer melhor capacidade para o uso de instrumentos na área geológica, e esperamos que as classes que vão ser formadas nesta parceria sejam capazes de replicar o conhecimento e fazer colectas representativas para a exposição aqui, no Museu Nacional de Geologia”.

Por sua vez, os especialistas russos comprometem-se a trazer os modelos mais avançados de ensino sobre minérios para o país.

“No âmbito do projecto das classes Karpinsky, ofereceremos aos estudantes e especialistas de Moçambique os resultados das mais recentes pesquisas de cientistas excepcionais do Instituto, mostrando modelos metodológicos e a esfera das tecnologias de informação”, garantiu Pavel Khimchenko, responsável do Instituto Russo Karpinsky.

O Museu Nacional de Geologia diz ainda que os conhecimentos russos, a serem partilhados com estudantes e pesquisadores moçambicanos, respondem às necessidades da instituição na busca de mais visibilidade de recursos minerais existentes no país.

Por outro lado, os estudantes, presentes no acto, louvaram a iniciativa e esperam poder ajudar o país a saber mais sobre as suas riquezas. “É gratificante ter essas novas oportunidades, por isso vai ajudar a catapultar os nossos conhecimentos. Será uma boa oportunidade para complementar os nossos conhecimentos em algumas cadeiras, como é o caso dos métodos de pesquisa”, destacaram.

Para além de capacitar alunos e pesquisadores, segundo os intervenientes, a assinatura do memorando, com duração de dois anos simboliza a fortificação dos acordos bilaterais entre a Rússia e Moçambique, nas diversas áreas de cooperação.

 

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