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O País – A verdade como notícia

Depois de um tempo de crise do gesso no país, a Central de Medicamentos e Artigos Médicos faz a distribuição de cerca de 50 mil rolos de ligadura gessada, enquanto se espera outra quantidade de 500 mil que deverão chegar até o fim de Agosto.

O processo de carregamento da ligadura gessada iniciou segunda-feira e durante cinco dias, uma quantidade de cerca de 50 mil rolos foi enviada aos Centros Provinciais, para o abastecimento dos Hospitais Centrais, Provinciais e Gerais do país.

Depois de uma crise enfrentada devido a ausência deste material hospitalar nos últimos meses, o MiSAU diz ter conseguido uma quantidade para aguentar pelo menos até os próximos 40 dias.

“A quantidade que deu entrada vai suprir o abastecimento para cerca de 40 dias e também está prevista a conclusão de toda a quantidade de 500 mil rolos gessados, até meados do mês de Agosto”, avançou Leila Monteiro,Directora Geral da Central de Medicamentos, que informou ainda que há esforços por parte do Governo, no sentido de garantir a aquisição de uma quantidade do gesso para suportar o Sistema nacional de Saúde por mais quatro meses. “Não termina apenas com essa quantidade já merecida e distribuída pelos Hospitais do país, nós vamos continuar a executar os contratos que estão vigentes e isso é que vai permitir a estabilização do stoque”, explica a fonte.

Recorda-se que nos últimos meses as unidades sanitárias do país registaram ausência do gesso, o que dificultou por um período o tratamento de casos de fraturas e correção dos membros. A província de Nampula foi um exemplo disso, no entanto, os paciente eram submetidos a tratamentos com base em papelão, colocando em risco a saúde pública.

O MISAU garante disponibilidade de fármacos para o abastecimento do Sistema Nacional de Saúde, não obstante faltarem alguns medicamentos de especialidade. Segundo a Central de Medicamentos e Artigos Médicos a ruptura verificada em alguns hospitais centrais aconteceu devido às desistências de alguns fornecedores.

Desconhecidos têm-se dedicado ao roubo de mercadorias durante a noite no Mercado Grossista do Zimpeto. Os malfeitores chegam a retirar até 50 sacos de batata ou cebola de uma só vez.

Quando amanhece, é preciso correr para despachar a mercadoria no Mercado Grossista do Zimpeto, porque, caso não seja vendida, há quem está pronto para ir roubá-la à calada da noite.

“É normal tirarem 30 sacos por dia, e tu acabas por te questionar de onde é que saiu essa mercadoria e com quem saiu?”, revelou uma vendeira anónima ao “O País”.
São questões que, até ao momento, não têm respostas. A verdade é que os vendedores têm sofrido roubos sistemáticos de indivíduos desconhecidos, mas que, supostamente, conhecem bem o mercado.

“Quando chegamos ao mercado nas manhãs, a mercadoria está devidamente coberta por lonas, mas, quando abrimos para conferir, notamos sempre que faltam muitos, muitos sacos. E agora adoptaram o sistema de tirar números exatos, que é para nós não percebermos de onde é que retiraram os sacos”, explicou mais um vendedor anónimo do grossista.

O mercado tem guardas e a segurança é reforçada por agentes da Polícia da República de Moçambique, entretanto, para os vendedores, parece que estes sempre se demitem das suas funções.

“O que nós sabemos é que o mercado tem guardas e polícia que vigia toda a noite, mas, mesmo assim, há muitos roubos”, disse.

No sector das batatas, o cenário é mais crítico, segundo conta Nelson, que já viu o seu patrão perder cerca de 100 sacos numa única investida dos ladrões.

“Você arruma a banca hoje, mas no dia seguinte percebe que roubaram 50 a 100 sacos de batata. Isso já não é roubo, é sabotagem”, denunciou Nelson.

Até os armazéns trancados com cadeado e com chave única são estranhamente “visitados” pelos ladrões, que roubam sem deixar nenhum vestígio.

Carlitos Zunguze já levou um caso à Polícia, mas voltou mais furioso, porque lhe foi dito que o único ladrão só podia ter sido a sua esposa, pessoa com quem partilha a chave.

“O que me deixa mais furioso é que a Polícia alega que a minha mulher, que tem acesso às minhas chaves, e que tem vindo abrir o armazém na calada da noite. Mas como é que uma pessoa que vive comigo na Machava Socimol sai até aqui durante a noite sem o meu conhecimento?”, questionou Zunguze.

A Associação dos Vendedores diz que pegou em flagrante cerca de cinco guardas envolvidos nos esquemas e tratou de os expulsar, mas, por falta de responsabilização, continuam livres.

“A polícia só faz ocorrência, depois dizem que aqui, no mercado, não abrem processos, transferem para vigésima quarta esquadra, mas, por causa da alegada insuficiência de matéria criminal, os indiciados são soltos e voltam a aterrorizar o mercado”, rematou Custódio Feliciano, presidente da Associação dos Vendedores.

O “O País” contactou o porta-voz da PRM na Cidade Maputo, Leonel Muchina, que, sem gravar entrevista, assumiu que a Polícia já tem conhecimento dos roubos, tanto que há diligências para neutralizar os malfeitores.

A responsável pelo Programa Nacional de Combate a Infecções de Transmissão Sexual, Aleny Couto, diz que apenas 87 por cento das cerca de 2,2  milhões de pessoas com HIV/SIDA beneficiam de tratamento anti-retroviral no país. 

O aumento de unidades sanitárias com condições para o combate a infecções de transmissão sexual está a contribuir para o aumento das pessoas que têm acesso ao tratamento no país.

Embora a implementação da I Diretriz Nacional de Melhoria da Qualidade dos Serviços de Prevenção, Cuidados e Tratamento do HIV esteja a surtir efeitos, a taxa das pessoas que acedem ao tratamento das doenças continua abaixo dos 90 por cento previstos para o ano passado.

De acordo com Aleny Couto, no início do projecto, em 2016, apenas 27 por cento dos hospitais disponibilizavam o medicamento, taxa que passou para 44 % até fim de 2023.

Entretanto, o sector da Saúde tem o desafio de reduzir para menos de cinco por cento a taxa de bebés que nascem com a doença, o que passa por acelerar as acções para manter as mulheres grávidas em  TARV.

A Maior agência de viagens de Moçambique, Cotur, diz que o apagão do sistema da Microsoft condicionou alguma parte dos seus serviços durante as primeiras horas da manhã. O Banco Comercial de Investimentos também registou limitações em algumas transacções.

Falhas no sistema de transporte aéreo, limitação de transações bancárias, limitação nos serviços de comunicação e negócios, foram os principais problemas reportados na França, Espanha, Alemanha entre outros países da Europa e nos Estados Unidos, onde milhares de voos foram cancelados.

Em Moçambique, nenhum aeroporto foi afectado, por estar a usar um sistema de computador diferente do Windows 10, mas  a agência de viagens, Cotur, anunciou em comunicado que sentiu algum impacto negativo do apagão.

“Serve o presente para informar que hoje, 19 de Julho de 2024, entre o período das 8h00 às 11h00 (hora local de Maputo), por dificuldades técnicas causadas por uma falha informática a nível global, houve um acesso muito limitado ao sistema de reservas, que causou atrasos nas respostas e no tratamento dos pedidos. Neste momento, apesar de ainda se sentirem dificuldades e alguma lentidão no sistema, o acesso parece estar a normalizar e o serviço normal a ser restabelecido”

À semelhança da Alemanha, Moçambique registou limitações no sistema bancário. O Banco Comercial de Investimentos (BCI), reportou em comunicado, algumas dificuldades em realizar transferências e levantamentos de dinheiro.

“Como é do conhecimento geral, registam-se, à escala internacional, perturbações a nível informático, que afetaram alguns sistemas periféricos no BCI. Importa salientar que os canais digitais do BCI (eBaking/APP/WhatsApp), assim como os POS e as ATM encontram-se a funcionar para lhe permitir efectuar as suas transacções bancárias, com toda a comodidade. Estamos a acompanhar a situação de perto e a implementar todas as medidas necessárias para garantir a habitual qualidade do serviço que oferecemos aos nossos clientes” lê-se.

A Microsoft já anunciou a correção da falha, que causou apagão cibernético global, mas os sistemas ainda podem demorar para voltar ao normal.

A Ordem dos Advogados dá razão aos juízes que querem no dia 9 entrar em greve. Segundo a ordem as reclamações não são fúteis, pois eles reclamam os subsídios que lhes foram tirados de forma injusta e ilegal.

O posicionamento foi manifestado através de um comunicado de imprensa que deixa claro que os juízes estão dentro dos seus diretitos.

Eles começam por dizer que a esta altura a discussão não deve ser entender se a greve é ou não inconstitucional, mas olhar para a motivação e as procurar soluções.

“Discutir esta greve deste ponto de vista é esquivar do problema de fundo e manobras demagógicas e tendenciosas, afectam gravemente a dignidade dos Juízes, enquanto valor de ordem estruturante da função”, lê-se.

Os juristas dizem mais e tocam a ferida concordando que é tudo culpa da Tabela Salarial única, que retirou aos magistrados subsídios importantes, que correspondem a 60% do salário base e o de exclusividade que corresponde a 50%.

“Como se constata, esta reivindicação dos Magistrados Judiciais não é fútil, tendo utilidade, até porque, mais do que reivindicarem novos direitos, reclamam o que lhes foi injusta e ilegalmente retirado. A coerência é necessária neste caso. Já dissemos no passado, governar é escolher prioridades, e reduzir direitos não é o caminho de qualquer governação com sentido de responsabilidade e de Estado”.

Por isso, como solução a ordem entende que é preciso que o governo e os magistrados judiciais dialoguem o mais rápido possível e está disponível para fazer parte das conversações como forma de encontrar soluções para resolver o diferendo.

Embora reconheça que o momento escolhido para a greve não seja próprio por conta da época eleitoral, os juristas dizem que abraçam os juízes.

“Estamos profundamente solidários com os juízes nesta luta pela reconquista dos seus direitos violados, e tudo faremos para que a sociedade não saia prejudicada deste anúncio de greve. Enquanto um dos pilares essenciais à administração da justiça, estaremos atentos aos sempre expedientes intimidatórios e persecutórios para perseguir pessoas, ao invés de solucionar os problemas”, le-se no documento.

 

O Município da Matola reconhece atraso na conclusão da construção dos 24.5 quilómetros de estradas, mas nega que a obra esteja paralisada. A edilidade revelou que os mais de 900 milhões de Meticais do projecto estão ainda a ser mobilizados.

Quase duas semanas depois de “O País” ter reportado o atraso na conclusão da construção dos 24.5 quilômetros de estradas na Matola, o Município veio à público para dar a conhecer a sua versão.
O Conselho Municipal da Matola começa por reconhecer que a conclusão das obras já vai tarde, mas nega que o projecto tenha sido interrompido.

“Esta questão tem a ver com o prazo de execução, eu tenho que reconhecer que nós já vamos atrasados à semelhança de outros projectos, naturalmente, por conta de várias situações que não nos permitem, em parte, poder fazer os desembolsos à altura da execução ou progresso das obras, mas as obras não estão paradas. Isso é que nos encoraja. Nós temos estado a comunicar com os matolenses e temos feito este esforço junto do nosso empreiteiro para que não haja paralisação”, revelou Firmino Guambe, vereador de infra-estruturas no Município da Matola.

O sinal de que as obras não estão paradas, explica o vereador de infra-estruturas no Município da Matola, é a entrega progressiva de alguns troços do projecto.

“Nós temos 24.5 quilómetros de estradas divididos em cinco troços e três desses foram entregues, sendo que dois foram entregues num intervalo de seis meses. Nós reconhecemos que há algumas interrupções, mas as obras não estão paradas. Não temos essa informação nem do lado do fiscal nem do lado do empreiteiro de que as obras estão paradas. Recentemente, terminamos um troço e o empreiteiro está no terreno a trabalhar. Ele não deve estar, necessariamente, com as máquinas no terreno, mas as obras estão a andar”, explicou Firmino Guambe.

E as interrupções, que ditam o atraso das obras, têm a ver com a falta de pagamento por parte do executivo municipal da Matola.

“Nós temos estado a desembolsar os valores para fazer face a este projecto e o sinal disso é, há duas semanas, termos feito o desembolso e vamos continuar a pagar à medida da nossa capacidade de mobilização de recursos tendo em conta os desafios que vamos enfrentando. Recentemente, tivemos a tempestade Filipo. E isso, de alguma forma, obriga-nos a ter que reorientar a nossa capacidade sob ponto de vista financeiro para fazer face a estes desafios”, justificou o vereador de infra-estruturas no Município da Matola.

Isto significa que os mais de 900 milhões de Meticais estampados nestas placas não existem. Significa que o concurso público foi lançado, houve visto do Tribunal Administrativo e as obras arrancaram, mas sem o dinheiro necessário.

“É assim que funciona o plano e o orçamento para qualquer instituição pública. Nunca se planifica a execução de uma obra com o dinheiro guardado em gaveta, mas sim em função daquilo que é o plano de arrecadação da própria receita. É assim. Sobretudo para grandes investimentos desta natureza, nós planificamos para ser executada em um ano e meio e esperávamos que, dentro deste período, tivéssemos dinheiro. Tudo é em função das previsões”, esclareceu Firmino Guambe.

Acerca dos pronunciamentos da Federação Moçambicana de Empreiteiros, segundo os quais, o empreiteiro deste projecto não terá recebido sequer 15 por cento do que devia ser pago, a edilidade desconhece a fonte da informação.

“Não vou me ater aos comentários. Eu não sei de onde é que esses números foram buscar. O que sei é que nós como executivo conversamos com as partes e temos estado a fazer desembolsos. Eu não sei se o presidente da Federação está a par disso. Os pagamentos não estão interrompidos. Um pouco antes dessa reportagem, se calhar no intervalo de uma semana ou um pouco antes disso o executivo fez o desembolso”, garantiu Firmino Guambe.

Sobre a degradação de alguns troços entregues no âmbito deste projecto, a edilidade diz que poderá exigir explicações da equipa de fiscalização, um ano depois da entrega de todas as estradas.

 

Trinta estudantes beneficiaram de bolsas de estudo para os cursos de engenharia da Universidade Eduardo Mondlane. É uma iniciativa da Mozal e enquadra-se no projecto “Mulher na Indústria”.

Dessas bolsas, 20 são para raparigas, cinco para rapazes e outras cinco para estudantes com deficiência.

Com esta iniciativa, a Mozal espera contribuir para a melhoria da igualdade de género na indústria e da qualidade de vida das raparigas da comunidade local.

Segundo o Presidente do Conselho de Administração da Mozal, a contribuição visa “mudar o paradigma que se vive na indústria, no geral, e, em particular, na nossa empresa, em que a indústria é vista como um lugar apenas para homens. Por isso, Samuel Samo Gudo explica que a empresa tem trabalhado com as raparigas desde o ensino secundário e com as famílias por entender que “elas desempenham um papel importante” na inclusão.

Desde o início da implementação do projecto, em 2018, 390 pessoas beneficiaram de bolsas e, destas, mais de 140 na UEM. A Universidade fala de resultados visíveis. “Nos últimos anos temos estado a verificar o cada vez mais crescente número de raparigas que acedem ao ensino superior na UEM. As nossas estatísticas mostram, quer quanto ao acesso, quer na graduação e até na premiação de melhores estudantes”, revelou Manuel Guilherme Júnior, reitor da Universidade Eduardo Mondlane.

Manuel Guilherme Júnior entende que iniciativas como as da Mozal reforçam a paridade de género e também a resposta a um dos objectivos de desenvolvimento sustentável.

Laisa da Cruz, uma das beneficiárias da bolsa, diz-se feliz e com objectivo muito claro. “Estou feliz e muito emocionada por ter recebido a bolsa, porque o material vai ajudar-me muito. Agora é só estudar”.

“Sinto-me maravilhado. Através desta bolsa, vou poder guiar-me nos meus estudos. Passava dificuldades para obter as matérias, mas agora terei a minha vida minimamente resolvida”, disse Valdemir Jopela, um outro beneficiário.

As bolsas incluem o pagamento de propinas até ao fim do curso, subsídio mensal para transporte e computadores portáteis.

O Primeiro-Ministro, Adriano Maleiane, apela para que os jovens sejam participativos na busca de soluções que garantam a coesão social e consolidação da Unidade Nacional. Maleiane falava, esta quinta-feira, durante a abertura da Cimeira Nacional de Juventude, Paz e Segurança.

O chefe do governo moçambicano, entende que a consolidação da Unidade Nacional exige que “cada moçambicano promova e implemente acções conducentes à manutenção da paz e da reconciliação nacional”.

Para o alcance desse desiderato, diz Maleiane, é imprescindível que se cultive o respeito pela diversidade biológica , partidária, lingística, religiosa e racional.

“Se cada um de nós xultivar, no seu dia-a-dia, esses princípios e valores estará a contribuir para a consolidação da unidade nacional, que se alicerça na defesa da moçambicana, espírito patriótico, solidariedade, inclusão, respeito mútuo e convivência pacífica”, disse o Primeiro-Ministro.

Explicou também que os jovens constituem o grupo etário maioritário, por isso, “o Governo tem implementado medidas de acções para capitalizar este dividendo demográfico, através da capitalização deste grupo etário, em prol do desenvolvimento económico e social do país”.

Nesse sentido, o Governo tem apostado na consolidação de associativismo juvenil, garantam o acesso a educação e ensino técnico-profissional e acesso ao financiamento para potenciar as iniciativas juvenis geradoras de renda, com vista “a maior participação juvenil na busca de soluções que garantam a coesão social e consolidação da unidade nacional”.

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