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O País – A verdade como notícia

O mau estado das vias de acesso dos bairros da Manga e Inhamízua, na cidade da Beira, província de Sofala, tem dificultado a circulação de pessoas e bens. Como consequência disso, os moradores destes bairros enfrentam um autênctico calvário para terem acesso ao hospital, assim como água potável.

Diante da situação, pedem uma intervenção por parte do Conselho Municipal da Beira. Segundo realatam, a degradação das estradas contribui também para as inundações em período chuvoso.

“Aqui a situação está mal, não passa carro, temos hospital aqui perto, temos FIPAG aqui perto, mas aqui não passa carro. Eu e minha vizinha tentamos intulhar para pessoas poderem passar, está mal essa via”, diz Flora Tambuca.

Flora não é a única que se queixa das vias de acesso, Riaze Ismail, residente do bairro de Manga, apela a intervenção da edilidade, visto que as estradas são também usadas por ambulâncias que transportam doêntes.

“Semana passada, uma ambulância enterrou, eu é que tive que mandar meu carro para vir rebocar ambulância, porque não tinha como sair. Então queria pedir ao presidente do município que olhasse muito para esta situação”.

A situação torna-se ainda agravante quando chove, aliás, ha zonas que mesmo sem chuva há mais de um mês continuam alargadas. “Drenagem aqui não temos, está lá linge, mas está tampado, ninguém faz limpeza nas valas. Aqui água não tem saída, quando enche na rua, encheu”, acrescenta.

As águas paradas têm, além de prejudicar a circulação, provocado doenças como a Filária nas crianças e malária.

A edilidade diz estar ciente dos problemas que afectam os bairros de Manga e Inhamízua, e garante que está a ser feito um trabalho para os solucionar. Gentúlio Manhique, vereador para a Área de construção e Urbanização, explica que no âmbito do Projecto de Desenvolvimento Urbano e Local, financiado pelo Banco Mundial, já há termos de referência prontos para o lançamento de concursos para estudos e projectos, no bairro da Manga.

Há cerca de 10 mil famílias que não têm acesso à água potável em Mahubo, Boane, província de Maputo, o que as obriga a consumir água dos charcos. As famílias até estão cientes das várias doênças a que estão expostas, mas dizem não ter outra opção.

Para se ter água potável em Mahubo, as famílias teriam de percorrer mais de 15 quilómetros. Porque não conseguem, os charcos são a “salvação”, recorrendo a água literalmente suja para o consumo e outros afazeres.

A caminhada para a busca do precioso líquido não é longa, mas chega a ser penosa, muitas vezes, é feita com crianças carregadas nas costas, e no meio do mato.

A chegada, um ritual quase que regra, mas que não muda nada, os recipientes são lavados para dar espaço a água do charco. Virgínia Enoque, residente de Mahubo, diz que mesmo não sabendo da origem da água do charco, não tem outra opção senão usa-la.

“Esta água é da chuva que se concentra aqui, não sabemos de onde vem, mas porque não temos alternativa é esta que usamos”.

O charco é usado por morradores de todo o bairro, não se sabe ao certo por quantas famílias, e a cada minuto chegam mais pessoas que dependem exclusivamente daquele local para ter água em casa.

Os homens também não estão isentos desta realidade. Julião Manuel, residente de Mahubo, é dos muitos que também usa a água dos charcos para o consumo. “Tiro esta água por conta do sofrimento, venho de Mahubo 24 para aqui, dependemos apenas desta água. Estamos todos, desta zona, a sofrer por causa de água”.

Cientes das impurezas que a água contém, os morradores de Mahubo adoptaram alguns métodos para a purificação de água. Xavier Vasco diz que usa cinza para tratar a água. “Estou a colocar cinza na água para purificar, para matar os micróbios, porque esta água é imprópria. Bebemos por causa da pobreza”.

Depois de aparentemente tratada, a água é usada para o consumo, para servir as crianças, afinal a caminhada para a escola é longa, e elas precisam de água para ajudar a aguentar o percurso.

Por um lado estão as crianças, por outro, idosos como a vovó Carline João, que não consegue andar e vive sozinha. Devido a sua condição física os outros vizinhos é que trazem água para o seu consumo, que também é tirada dos charcos.

Os morradores de Mahubo também usam água da chuva para o consumo, entretanto, já há muito tempo que não chove.

Mas afinal por que esta população tira água deste charco para fazer as suas actividades e até para beber?

Quem responde a essa pergunta é Carlos Maquingua, residente de Mahubo, que conta que o problema da falta de água não é uma novidade no bairro. “O Problema da falta de água não é recente, já há muito sofremos devido a falta de água, quando fazemos uma pequena manifestação, queimamos pneus na estrada, eles abrem e a água jorra nas nossas torneiras, mas depois fecham, porque a água não é do estado é de um fornecedor privado e ele faz o que quiser”.

Depois de mais de quatro meses sem água, na última quarta- feira jorrou um pouco nas torneiras, mas apenas de madrugada, quem chegou tarde não apanhou nada.
“Fecharam a água por volta das oito horas, não consegui tirar nem um bidon, por isso estou aqui, porque nem dinheiro para ir tirar a Boane e tirar água no Umbeluzi não tenho”, contou Carlos Maquingua.

É isso mesmo, quem quer ter água potável aqui, é percorrendo cerca de 15 km até a vila de boane, mas as contas não batem e é isso que fazem quando este charco seca, por falta de chuva.

Mahubo faz parte do município de Boane e a presidente reconhece o problema.

As bombas foram concertadas, mas este ano, com a passagem da tempestade Filipo as mesmas bombas voltaram a sofrer.

Ainda não há datas para que o projecto conjunto da FIPAG e o Município com financiamento do banco mundial possa efectivar-se, mas a edil garante que com o projecto os problemas serão ultrapassados, mas enquanto isso não acontece, as cerca de 10 mil famílias, de todo boane, incluindo mahubo, continuaram a sofrer.

 

O embaixador do Japão diz que a imprensa é essencial para a divulgação do conhecimento e da cultura pelo mundo. A informação foi divulgada hoje pelo embaixador nipónico, que efectuou uma visita às instalações do Grupo Soico.

O recém acreditado embaixador extraordinário e plenipotenciário do Japão em Moçambique, Kiije Hamada, visitou, esta sexta-feira, as novas instalações do grupo Soico, localizadas na Katembe.

Acompanhado pelo Presidente do Conselho de Administração do Grupo, Daniel David, Hamada conheceu cada detalhe da produção de programas noticiosos e de entretenimento.

Mas o que queria mesmo era agradecer ao Grupo pela qualidade da informação que presta, incluindo notícias sobre o Japão. E não perdeu a oportunidade de dizê-lo.

“Estou aqui para me apresentar, porque sou recém-chegado, e também para agradecer ao Grupo Soico pelos vários apoios, porque sempre esteve presente nos nossos eventos, que a Embaixada promove. Então, agora nós acabamos de discutir com o PCA do Grupo Soico futuros projetos”.

A promoção da cultura japonesa é uma das prioridades da embaixada e Hamada quer o apoio do Grupo Soico.

“Infelizmente, em Moçambique, ainda menos conhecida a nossa cultura, a cultura do também do Japão. Então, nesse sentido, para nós é importante fazer divulgação, disseminação da nossa cultura. Nesse sentido, é necessário mesmo ter muitas colaborações do grupo Soico”.

A presença de Kiije Hamada em Moçambique como embaixador com plenos poderes foi confirmada a 2 de Fevereiro, pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, com a recepção de cartas credenciais do diplomata.

Uma missão de avaliação pré-eleitoral da SADC está em Moçambique desde o dia 19 de Junho, e durante 11 dias, irá manter encontros com vários actores eleitorais com o objectivo de apurar o nível de prontidão para o escrutínio em outubro.

Denominada Missão de Boa Vontade de Avaliação Pré-eleitoral do Conselho Consultivo na região da SADC, a comitiva foi recebida esta sexta-feira pela ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo. Durante a estadia no país, a missão vai ouvir os principais actores envolvidos no processo eleitoral de 9 de Outubro próximo.

“Estes encontros vão alimentar a produção do relatório da Missão que será entregue ao presidente do órgão da SADC, uma vez recebido, o documento pelo presidente da Zâmbia, este por sua vez irá partilhar com o estadista moçambicano e a Comissão Nacional de Eleições”, disse Jennifer Chiringa, chefe da delegação da SADC.

Pela segunda vez consecutiva, Moçambique volta a realizar eleições gerais em ambiente de insegurança em Cabo Delgado, e é por isso, que a Missão vai também, manter encontros com os órgãos de segurança nacionais.

“Durante o encontro a ministra lembrou-nos acerca da situação de insegurança política que o país está vivendo no momento, por isso que vamos dentro destes encontros, ainda hoje ouvir a polícia incluindo o Ministério da Defesa, esses todos detalhes farão parte da reunião”.

Neste contexto, a SADC vai também destacar uma missão que vai supervisionar as próximas eleições eleições gerais marcadas para outubro próximo.

 

A ministra da Administração Estatal e Função Pública diz que há, ainda, alguns funcionários públicos fora dos seus locais de trabalho devido à insurgência em alguns pontos de Cabo Delgado. Ana Comuana garantiu que os mesmos voltarão quando a segurança for garantida.

Apesar de alguma tendência à normalidade, a insegurança em Cabo Delgado continua a preocupar as autoridades e, no sector da Administração Estatal e Função Pública, não é diferente. Conforme esclareceu hoje a respectiva titular, os funcionários públicos poderão voltar ao trabalho quando a segurança for restabelecida.

“Desde que os responsáveis pela segurança das pessoas e bens confirmem a existência de condições, os funcionários retomam.”

A ministra referiu, igualmente, que os funcionários mais afectados são de Quissanga e Pemba.

Numa outra abordagem, Ana Comoana esclareceu que os funcionários públicos afectos aos municípios ainda não estão a receber os seus salários com base na TSU.

“Nós temos municípios em que o seu quadro salarial, se calhar, é diferente do que funciona a nível central. Então, imagine o que é misturar funcionários. É um processo chegarem lá. Nós ainda não temos os funcionários das autarquias no sistema da Tabela Salarial Única, TSU.”

Em relação a alguns municípios do país com problemas salariais, como são os casos de Namaacha, Nacala, Nampula e outros, a ministra da Administração Estatal e Função Pública diz que a situação está a ser regularizada.

Todos os postos administrativos do distrito de Macomia, na província de Cabo Delgado, estão parcialmente abandonados devido aos ataques terroristas. O Governo continua a funcionar de forma improvisada devido à insegurança na zona, situação que foi confirmada pelo secretário permanente do distrito, Cristóvão Alberto.

Quase todas as aldeias e instituições do Governo dos três postos administrativos de Macomia foram abandonadas e grande parte da população e dos funcionários públicos estão concentrados na sede do distrito.

“Todos os postos administrativos de Macomia, refiro-me a Mucojo, Quiterage e Chai, ainda estão na sede, porque a situação de segurança é para controlar e, daí, avançamos. Depois de termos controlo de todo o posto e distrito, vamos retomar a administração nestes postos. A população ainda está connosco na sede”, explicou o secretário permanente do distrito, Cristóvão Alberto.

Depois do ataque terrorista à vila de Macomia, no dia 10 de Maio último, uma parte da população e funcionários do Governo foram obrigados a abandonar a sede do distrito para as zonas seguras e, até ao momento, a situação de segurança continua a ser considerada crítica.

“Enquanto a segurança estiver a trabalhar, nós estamos deslocados por um tempo, mas estamos a fazer idas e voltas. Isto até que a segurança nos diga voltem em definitivo. E, como dizia, até que a estrutura superior da província diga para voltarmos para o distrito, iremos fazer isso.”

Os três postos administrativos de Macomia estão abandonados há quase dois anos. Actualmente contam apenas com a presença de Forças de Defesa e Segurança.

Ivete Maibaze, ministra da Terra e Ambiente, diz que crescimento populacional, queimadas, desmatamento, mineração e infra-estruturas colocam ecossistemas nacionais em perigo. Maibaze explicou ainda que estes ecossistemas desempenham um papel crucial para a maioria da população rural.

O país possue, pela primeira vez, um mapa histórico actualizado e detalhado de vegetação bem como uma avaliação dos estados dos seus ecossistemas. A ministra da Terra e Ambiente explicou que o mapa enquadra-se no projecto de mapeamento e identificação de áreas-chave para a diversidade e lista vermelha de espécies e ecossistemas, i,plementado em três fases, num periodo de cinco anos, a partir de 2019.

O mapa, esclareceu Ivete Maibaze, contém 162 sistemas mapeados, ricos em biodiversidade, e fundamentais para a subsistência da maioria da população rural. No entanto, há ainda algumas dificuldades como crescimento populacional, queimadas, desmatamento, mineração e infra-estruturas que colocam quatro po cento deles criticamente em perigo, nove por cento, em perigo, 32% em estado vulnerável.

Estes ecossistemas desempenham um papel crucial na retenção de água, combatendo a seca, para além de regularem inundações e protegerem contra temperaturas e ciclones que têm fustigado o nosso país, por isso que a sua proteção constitue um imperativo nacional.

 

Foram registadas 20 mortes na província de Manica, nos primeiros meses do ano, resultantes de acidentes de viação. O instituto Nacional de Transportes Rodiviários (INATRO) diz que a condução sob efeito de álcool é uma das principais causas da sinistralidade rodiviária na província.

Os números de acidentes em Manica só aumentam, de Janeiro a esta parte, os números apresentados pelo INATRO revelam um quadro sombrio. Célia Macamo, delegada do INATRO em Manica, avança que foram registados, nos primeiros quatro meses de 2024, 24 casos de acidente de viação, contra 14 do ano anterior, e 20 mortes, contra 15, no mesmo período de 2023.

Como forma de previnir casos de acidente, particularmente dos que resultam de consumo de álcool, foi intensificada a fiscalização rodoviária, o que resultou na apreensão de várias cartas de condução.

“Em cinco meses apreendemos mais de 100 cartas de automobilistas que conduziam sob efeito de álcool, só esta semana entraram, por via da polícia de trânsito, acima de 30 cartas”, disse a delegada do INATRO.

Os dados foram partilhados no acto de entrega, pelo Secretário de Estado de Manica, de uma viatura de fiscalização ao INATRO.

Fernando Bemane, secretário de Estado em Manica, diz que a viatura é uma amostra da preocupação do governo com o trabalho de fiscalização. “E o governo está preocupado para que os nossos fiscalizadores tenham condições para melhor fiscalizar, melhor cumprir com as suas actividades, e esta viatura vai permitir que isso aconteça”.

A viatura de fiscalização entregue está dotada de tecnologia para emitir Cartas de Condução, lançamento e pagamento de multas, e outros serviços que ocorrem ao nivel das delegaçoes do INATRO, por essa razão, será uisada para campanhas móveis nos distritos.

A Associação Moçambicana de reciclagem, organização fundada em 2009 por ambientalistas e especialistas em reciclagem, lançou, esta terça-feira, na cidade da Beira, um projecto que visa remover mil toneladas de resíduos sólidos costeiros em seis municípios de quatro províncias do país, no período de Janeiro de 2024 a Dezembro de 2025.

O projecto “Resiliência aos Resíduos Costeiros em Moçambique” é financiado pelo governo do Reino Unido, em parceria com o ORRAA (Ocean Risk Resilience Action and Alliance) e pretende remover lixo nas praias desses municípios localizados nos municípios de Maputo, Inhambane, Vilankulo, Beira, Pemba e distrito de Palma, gerando rendas às comunidades envolvidas e em parceria com OSC locais.

De acordo com Stephane Temperman, director da Associação Moçambicana de Reciclagem, esta é uma resposta às preocupações das populações desses municípios. “Há várias questões ambientais que nos preocupam. Pensar nesse projecto, para nós, é pensar nessas questões”, começou por dizer, no acto do lançamento do projecto, para depois acrescentar que”, de forma concreta, começamos nisso, quando chegou a mim uma inquietação por parte de algumas pessoas, que uma vez pescaram camarões com muito lixo”, disse.

Para Stephane Temperman, essa foi uma situação “muito triste”, facto que motivou a criação deste projecto.

Por seu turno, Fernando Mavome, em representação do Conselho Municipal da Beira, disse que o projecto ora lançado vai ajudar a materializar os objectivos de muitas autarquias e populações que combatem os resíduos sólidos na zona costeira do país.

“É uma boa iniciativa e nós, como município da Beira, estamos preparados para dar a nossa assistência, para que, ao nível da nossa autarquia, este projecto possa ter sucesso”, disse  Fernando Mavome.

O dirigente autárquico acrescentou que é desejo da autarquia da Beira que o trabalho em conjunto ajude a melhorar o ambiente nas praias. “Que as pessoas estejam mais sensibilizadas em relação a este aspecto, pois uma praia limpa, ou ambiente limpo, é um lugar seguro para todos nós”, acrescentou Mavume.

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