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O País – A verdade como notícia

Um jovem está detido em Manica indiciado de falsificar a nova série do metical. A detenção do suspeito ocorreu quando tentava comprar máquinas de barbear num estabelecimento comercial na cidade de Chimoio.

A nova série do metical foi lançada há pouco mais de uma semana e em paralelo, um jovem na cidade de Chimoio decidiu também produzir as suas. O jovem escolheu mil Meticais e produziu nove notas falsas.

Conforme contou, a sua primeira experiência de transação comercial foi feita numa loja onde pretendia usar quatro notas mas não conseguiu.

Revelou também que as notas falsas foram produzidas em seu local de trabalho e garantiu que fê-lo sozinho e sem conhecimento dos seus patrões.

A Polícia diz que o mesmo foi detido em flagrante numa loja onde o suspeito pretendia comprar máquinas de barbear, o dono tendo se apercebido denunciou à Polícia.

A se provar a falsificação das notas, o indiciado poderá incorrer em uma pena de 8 a 12 anos de prisão.

Reintegrar ex-terroristas nas comunidades é um problema complexo que precisa ser consensual e aprofundado concordam os analistas Moisés Mabunda, Fernando Lima e Samuel Simango. Os mesmos defendem igualmente que o que interessa neste momento é como será feita esta reintegração que algumas comunidades recusam.

Receber os ex-integrantes dos grupos terroristas não de forma discriminatória, da forma mais sustentável possível para evitar que voltem e a necessidade do perdão são as três fundamentações que sustentam a criação do programa de reintegração social de pessoas que fizeram parte dos grupos terroristas no país.

Em seguimento do recente decreto presidencial, o anúncio foi feito pelo Secretário de Estado da província de Cabo Delgado, António Supeia,  que apesar de reconhecer que há discordância das comunidades, pelo menos as de Nangade e Palma, onde houve recusa em receber os “ex-terroristas”, o mesmo reforçou que a medida é necessária, pois que não existem “cadeias suficientes para todos”.

A ideia foi recebida por António Matimula, Juiz presidente do Tribunal Judicial de Cabo Delgado que defendeu ser imperiosa a participação da comunidade neste processo de reintegração.

A ser possível reintegrar os ex-terroristas, o Conselho Cristão de Moçambique denunciou o desaparecimento de alguns reintegrados e disse que estes estarão expostos a uma ameaça tripla da parte das comunidades, das Forças de Defesa e Segurança e também dos próprios terroristas, ou seja, não estarão seguros.

Sobre a “insegurança dos ex-terroristas” causada pela chamada “tripla ameaça”, Moisés Mabunda disse que é legítimo que se sintam ameaçados pois cometaram os “piores crimes” contra as comunidades e é mesmo das comunidades onde esse processo de reintegração deveria partir.

Deste pressuposto, Mabunda disse que o anúncio do presidente foi “precipitado” e começou de “frente para trás”, por ter anunciado a medida sem referir como será feita a sua execução.

“Não é só as pessoas reaparecerem. Devia haver primeiro um guião de como é que se faz para apresentar um grupo que estava no terrorismo as comunidades. Este guião ser consensual onde deve-se saber de quem é a responsábilidade, ao contrário do papel que o SGE de Cabo Delgado está a assumir (de questionador), sobre o que se faz?. A questão não é o que mas como se faz?, porque o que o chefe do Estado já disse, devemos perdoar.”

É um assunto que Mabunda considera “muito complexo” e é urgente que seja consensual e aprofundado. Mesmo com vista ao aprofundamento do processo de reintegração, sugeriu que  o primeiro passo deve ser o perdão público dessas pessoas diante das comunidades. “Para se perdoar alguém que nos ofende é preciso que a pessoa confesse e dê a dimensão do arrependimento”, disse.

Fernado Lima concordou com Mabunda, porém, trouxe outros elementos e um dos quais a razão que leva as pessoas a se juntarem aos grupos radicais, que segundo defendeu, “cerca de 70% das pessoas que se juntam ao terrorismo são forçadas”, entre si mulheres e crianças, grupos que deverão ter um tratamento diferenciado.

Outro ponto avançado por Lima, que sustenta a ideia de implementação do programa de reintegração é que “as prisões são lugares que podem efectivar a radicalização”.

Já Samuel Simango, alertando que o processo não deve servir aos interesses políticos secundou também que o processo é “complexo”, por conseguinte deve envolver a todos os actores da sociedade moçambicana.

Ao contrário de Lima e Mabunda que não sabem qual é o melhor modelo de reintegração entre a passagem directa para as comunidades e a reintegração por via de um centro transitório, Simango disse que é contra devido a falta de informação clara sobre “como e quem” vai gerir os centros de reintegração.

Perdeu a vida, na madrugada de hoje, Jennifer Chude Mondlane, filha do fundador da Frelimo, Eduardo Mondlane, vítima de doença. 

Jennifer Chude Mondlane estava internada numa clínica em Joanesburgo, na vizinha África do Sul, a receber cuidados médicos, mas não resistiu à doença.
Perdeu a vida na madrugada de hoje, aos 66 anos de idade.

Seguia a carreira artística. Passava a vida entre Moçambique, África do Sul e os Estados Unidos da América. Desenvolvia a sua vida profissional em Moçambique na indústria da música como cantora, artista performática e promotora musical.
Chude Mondlane era formada em Antropologia e Estudos Africanos.

 

Três pessoas de idades compreendidas entre 18 e 22 anos, morreram no início da noite deste domingo, no bairro Ndunda, na cidade da Beira, quando um engenho explosivo que encontraram num antigo paiol, e que tentavam abrir, explodiu.

Para além dos três mortos, outras três pessoas, com menos de 25 anos, ficaram feridas com gravidade e estão neste momento internadas e a receberem cuidados intensivos no Hospital Central da Beira.

O “O País” sabe que todas as vítimas eram adolescentes e jovens que estavam ao longo da tarde a jogar a bola, num desafio entre bairros naquela zona.

Há cerca de 10 mil famílias que não têm acesso à água potável em Mahubo, Boane, província de Maputo, o que as obriga a consumir água dos charcos. As famílias até estão cientes das várias doênças a que estão expostas, mas dizem não ter outra opção.

Para se ter água potável em Mahubo, as famílias teriam de percorrer mais de 15 quilómetros. Porque não conseguem, os charcos são a “salvação”, recorrendo a água literalmente suja para o consumo e outros afazeres.

A caminhada para a busca do precioso líquido não é longa, mas chega a ser penosa, muitas vezes, é feita com crianças carregadas nas costas, e no meio do mato.

A chegada, um ritual quase que regra, mas que não muda nada, os recipientes são lavados para dar espaço a água do charco. Virgínia Enoque, residente de Mahubo, diz que mesmo não sabendo da origem da água do charco, não tem outra opção senão usa-la.

“Esta água é da chuva que se concentra aqui, não sabemos de onde vem, mas porque não temos alternativa é esta que usamos”.
O charco é usado por morradores de todo o bairro, não se sabe ao certo por quantas famílias, e a cada minuto chegam mais pessoas que dependem exclusivamente daquele local para ter água em casa.
Os homens também não estão isentos desta realidade. Julião Manuel, residente de Mahubo, é dos muitos que também usa a água dos charcos para o consumo. “Tiro esta água por conta do sofrimento, venho de Mahubo 24 para aqui, dependemos apenas desta água. Estamos todos, desta zona, a sofrer por causa de água”.

Cientes das impurezas que a água contém, os morradores de Mahubo adoptaram alguns métodos para a purificação de água. Xavier Vasco diz que usa cinza para tratar a água. “Estou a colocar cinza na água para purificar, para matar os micróbios, porque esta água é imprópria. Bebemos por causa da pobreza”.

Depois de aparentemente tratada, a água é usada para o consumo, para servir as crianças, afinal a caminhada para a escola é longa, e elas precisam de água para ajudar a aguentar o percurso.
Por um lado estão as crianças, por outro, idosos como a vovó Carline João, que não consegue andar e vive sozinha. Devido a sua condição física os outros vizinhos é que trazem água para o seu consumo, que também é tirada dos charcos.

Os morradores de Mahubo também usam água da chuva para o consumo, entretanto, já há muito tempo que não chove.

Mas afinal por que esta população tira água deste charco para fazer as suas actividades e até para beber?

Quem responde a essa pergunta é Carlos Maquingua, residente de Mahubo, que conta que o problema da falta de água não é uma novidade no bairro. “O Problema da falta de água não é recente, já há muito sofremos devido a falta de água, quando fazemos uma pequena manifestação, queimamos pneus na estrada, eles abrem e a água jorra nas nossas torneiras, mas depois fecham, porque a água não é do estado é de um fornecedor privado e ele faz o que quiser”.

Depois de mais de quatro meses sem água, na última quarta- feira jorrou um pouco nas torneiras, mas apenas de madrugada, quem chegou tarde não apanhou nada.

“Fecharam a água por volta das oito horas, não consegui tirar nem um bidon, por isso estou aqui, porque nem dinheiro para ir tirar a Boane e tirar água no Umbeluzi não tenho”, contou Carlos Maquingua.

É isso mesmo, quem quer ter água potável aqui, é percorrendo cerca de 15 km até a vila de boane, mas as contas não batem e é isso que fazem quando este charco seca, por falta de chuva.
Mahubo faz parte do município de Boane e a presidente reconhece o problema.

As bombas foram concertadas, mas este ano, com a passagem da tempestade Filipo as mesmas bombas voltaram a sofrer.

Ainda não há datas para que o projecto conjunto da FIPAG e o Município com financiamento do banco mundial possa efectivar-se, mas a edil garante que com o projecto os problemas serão ultrapassados, mas enquanto isso não acontece, as cerca de 10 mil famílias, de todo boane, incluindo mahubo, continuaram a sofrer.

O Município de Maputo vai gastar acima de 10 milhões de Meticais com a festa do Dia da Independência. O valor é quase duas vezes maior do que o usado na compra de motobombas para aliviar o sofrimento de vítimas das inundações.

No dia 25 de Junho, o país pára para celebrar o Dia da Independência. É uma festa que vai pressionar as contas do Município de Maputo, que espera gastar mais de 10 milhões de Meticais com actividades diversas, entre elas, um espectáculo musical.

“É um festival recheado de vasto leque de actividades, um megaespectáculo que conta com cerca de 30 artistas de grande peso”, explicou o vereador da Juventude e Criação de Conhecimento, Nércio Duvane, durante uma conferência de imprensa, este domingo.

De acordo com a edilidade, o valor em causa resulta de parcerias que tem com empresas nacionais de renome.

“O evento tem um grande suporte dos nossos parceiros. Estamos a falar de uma grande estrutura, estamos a falar dos nossos músicos que merecem, de facto, ter um espaço para a apresentação daquilo que são as suas criações artísticas. Estamos a falar de estrutura em termos de palco e de apoio. Teremos feirantes, teremos também sanitários públicos, teremos iluminação, então, são vários elementos, e o Conselho Municipal não está sozinho”.

Questionado sobre a racionalidade do uso desse valor para uma festa, enquanto persistem vários problemas, como o de inundações urbanas e de estradas, a edilidade respondeu que o Município não existe apenas para resolver problemas.

“O equilíbrio de uma cidade passa necessariamente também por criar espaços de confraternização para que as nossas famílias também possam desfrutar de momentos de lazer, momentos de socialização e momentos de intercâmbio cultural.”

As celebrações dos 49 anos da Independência Nacional terão lugar na Praça da Independência, das 10 às 20h, e as entradas são gratuitas.

Para além de diversão, estão previstos locais para tratar alguns documentos, até para pagamento de impostos.

Foi detido o homem indiciado de matar a esposa, o suposto amante e sua família no distrito de Macate, província de Manica. O suspeito foi neutralizado na família da falecida esposa, quando tentava reaver o seu dinheiro de lobolo alegadamente porque a finada o traía.

Confesso, o responsável do crime é um jovem de 23 anos de idade, que movido por ciúme, com recurso a uma catana, não hesitou em tirar a vida da sua esposa. Já o suposto amante foi incendiado em sua casa junto de sua esposa e dois filhos.

“Ouvi que ela me traía, de lá da África do Sul, por isso voltei e a matei com com catana. O homem tem uma esposa e dois filhos, mas eu não consegui encontrá-lo sozinho”, confessou.

Depois de matar as cinco pessoas, o indiciado dirigiu-se ao distrito de Sussundenga para ameaçar a família da falecida a devolver o valor que gastou no lobolo, revelou Mouzinho Manasse, porta-voz da PRM em Manica.

“Foi graças a colaboração da Polícia com a família da falecida esposa, onde foi cobrar o valor do lobolo, que foi possível a sua neutralização.”

O valor do lobolo que o indiciado exigia após matar a esposa era de 50 mil meticais.

Cerca de cem casas ainda estão alagadas em Ricatla, no município de Marracuene, Província de Maputo. A edilidade local aposta no reassentamento como parte da solução.

Pedro Mulhanga foi a Ricatla pela primeira vez em 1977 e, nesse ano, viu que o local era propenso a inundações, mas, mesmo assim, arranjou um terreno e construiu a sua casa. Hoje, a água já atingiu o seu quintal, onde, nos tempos livres, se dedica à pesca.

O benefício da pesca não é nada comparado à questão da segurança, pelo que Mulhanga quer sair para um local seguro. “Aqui havia um caminho que não estava fechado, passavam pessoas para o outro lado e a chuva de agora veio encher. Havendo possibilidade do nosso Governo, não tenho como negar sair”, disse.

É uma vista que, de longe, atrai a atenção de quem passa, mas, para quem fica ou vive por cá, conhece a preocupação de perder tudo. Francisco Chabana tem o muro da sua residência alagado e diz estar a ver o perigo a espreitar. “Estão todos preocupados. É preocupante o que acontece aqui. Tenho um primo que abandonou a sua casa e foi arrendar numa área segura. Meus vizinhos também fugiram de suas casas, mas nós estamos nisto.”

Algumas das famílias que receberam terrenos em locais seguros, estranhamente, voltaram. Um desafio que as autoridades devem resolver, pois, para já, o reassentamento é a solução para as famílias que têm suas casas inundadas. O edil de Marracuene diz que Matalana é o local identificado para o reassentamento.

“Já conseguimos 97 terrenos para as populações da baixa de Ricatla, demos cimento, chapas de zinco e outro material de construção, ajudamos as populações a mudarem-se para e lá e vamos demolir tudo. Existe sempre aquela resistência, há pessoas que acham que ali onde há água há muito dinheiro e dizem que o Governo quer vender aquela área. Nós não queremos vender espaço nenhum. Aquilo é uma baixa onde morreram pessoas.”

Os moradores de Ricatla pedem às autoridades para garantirem segurança naquela zona, porque, para além de pescadores, há crianças que brincam e dão mergulhos, e isso representa perigo.

Os moradores dos bairros São Dâmaso e Machava Bedene, no município da Matola, vivem em meio a erosão extrema, provocada pelas últimas chuvas. A situação arrasta a vedação de uma escola local e vias de acesso, colocando em perigo as residências.

Os sinais estão visíveis por todos os lados. Pequenas dunas no interior do bairro, murro da escola escavado, postes de energia eléctrica caídos são alguns dos danos provocados pelasúltimas chuvas que assolaram o município da matola, há três meses. Vários bairros foram afectados, dentre os quais temos os bairros de Machava Bedene e São Dâmasso, que meses depois vivem sequelas em meio a erosão extrema.

Os sinais da destruição lenta e dolorosa são visíveis a todos os níveis. Ângela Escarne viu o seu estabelecimento comercial escavado até desabar.

“Eu tinha no interior da minha residência um estabelecimento comercial que foi reduzido a nada pela erosão que advém das últimas chuvas. A minha vizinha quase que teria seu carro soterrado, no dia da chuva, a sua garagem desabou e recuperou o seu empreendimento por pouco. Neste momento, a única coisa que nos resta é esperar pela ajuda do município que nunca chega.” lamenta a cidadã.

Consternada e revoltada com a destruição provocada pelanatureza, Cecília Pelembe é outra munícipe que pede a intervenção do governo local para a busca de soluções. “Estamos praticamente abandonados, há três meses,reportamos esta situação inclusive à Empresa Electricidade de Moçambique para a retirada dos postes que caíram, porém continua com electricidade. Nem eles, nem o município pisaram neste local desde as últimas chuvas”.

Na ligação entre os bairros São Dâmaso e Machava Bedeneestão localizadas três escolas das quais uma é a Secundária de Machava Bedene 2001. Neste centro de ensino não faltam sinais de destruição. Um exemplo claro disso é a cantina daescola, não resistiu à erosão.

O Chefe do quarteirão 50 do bairro São Dâmaso afirma que, junto de outros líderes locais, já participaram o caso as estruturas superiores, mas até aqui o que houve é o trabalho de levantamento dos prejuízos, há três meses.

Já houve uma equipa que veio para cá com objectivo de fazerem o estudo e avaliação da situação, chegado aqui tiraram fotografias e prometeram retornar na semana seguinte, mas nunca mais lhes vimos, explica Artur Muculumad, Chefe do Quarteirão 50 no bairro São Dâmaso.

O Jornal O País entrou em contacto com a porta-voz do município da Matola tendo prometido pronunciar-se oportunamente. Entretanto, sem gravar a entrevista, uma fonte próxima à edilidade assegurou que há intervenções em curso em quase todos os bairros, e é mediante a gravidade da situação.

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