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O País – A verdade como notícia

O Instituto Comercial de Maputo abriu um furo de água subterrânea sem autorização e parecer técnico da entidade competente, revela a Administração Regional das Águas do Sul, ARA Sul, entidade do Governo responsável pela emissão de licenças.

Fora da lei. É como o Instituto Comercial de Maputo terá aberto um furo de água subterrâneo, fez saber, esta segunda-feira, a Administração Regional das Águas do Sul, ARA Sul. Lizete Dias, chefe do Departamento de Recursos Hídricos e porta-voz, explica os contornos.

“Nós, neste momento, mandamos uma carta para o Instituto Comercial a dizer para se aproximar a nós para pedir autorização para a abertura de furo. Então, aguardamos a resposta deles. Nós, quando nos apercebemos que está a aparecer, vimos que é ilegal, não pode fazer furo sem autorizacão da ARA. Então, nós, quando identificamos alguém que está ilegalmente a executar uma acção, nós mandamos um ofício, obrigamos a pessoa a aproximar-se de nós para ver se há condições para fazer o furo. Porquê disto? Porque a pessoa pode fazer o furo vai gastar muito dinheiro e não sabe em que condições em que aquela água se encontra. Nós temos de olhar não só para a quantidade, mas também para a qualidade de água.”

O Instituto Comercial de Maputo já está a regularizar o processo de abertura do furo, segundo assegura Daniel Mafumo, director daquela instituição, que diz que a água ainda não está em uso.

“Sim, eles entregaram uma nota que dizia ao Instituto Comercial para aproximar à ARA Sul de forma a proceder à regularização do furo dentro de sete dias. Estamos a regularizar o furo e, neste momento, já temos o relatório do empreiteiro sobre o furo. O que nos falta são os resultados laboratoriais”.

Enquanto isso, há proliferação de furos subterrâneos privados por quase todo o país e sem a autorização prevista na lei, diz a  ARA  Sul.

“Para autorização da abertura de um furo, submete-se o pedido à ARA Sul, que, por sua vez, autoriza a abertura do furo e a pessoa faz o furo e tem de apresentar o relatório técnico, tem que apresentar o relatório sobre a qualidade de água, o que quer dizer que não devemos só olhar para a quantidade de água, temos de olhar para a qualidade de água e, tratando-se de uma escola, é muito importante observar esse requisito.”

E há também recomendações técnicas que devem ser observadas rigorosamente.

Por exemplo, não se deve fazer um furo numa distância inferior a 100 metros de uma fossa séptica, latrina ou foco de lixo, não se pode, podem perguntar porquê? Se por exemplo é uma zona de dunas, onde temos areia, se chover, vai haver infiltração de água arrastando areia e a pessoa não sabe, bomba aquela água e bebe directo, o que não é recomendável.

O Decreto 17/2012 de 5 de Julho, no Artigo 43, determina, dentre várias infracções administrativas, os seguintes actos:

Executar obras ou actividades de pesquisa e exploração de água subterrânea sem a devida autorização ou licença;

Não apresentar o relatório técnico final no prazo determinado;

Manusear, depositar ou armazenar quaisquer produtos ou substâncias junto das captações de água subterrânea que ponha em risco os aquíferos.

E sobre as sanções, a lei prevê, dentre outras medidas:

Multa variável entre um a vinte salários mínimos;

Embargo provisório, por prazo determinado para execução de obras.

Embargo definitivo, com revogação da autorização de pesquisa, licença emitida, conforme o caso, com a obrigação de repor no seu anterior estado o local da captação.

De acordo com a ARA Sul, há, neste momento, quatro mil furos de água subterrânea licenciados na região Sul, havendo ainda muitos ilegais.

Trinta e nove reclusos fugiram do estabelecimento penitenciário de Alto Molócuè, na província da Zambézia, este sábado. A evasão envolveu 44 reclusos, dos quais um foi alvejado mortalmente e quatro já foram recapturados pelas autoridades.

Segundo o Serviço Nacional Penitenciário, o caso ocorreu no último sábado, no Estabelecimento Penitenciário Distrital de Alto Molócuè, na província da Zambézia.

A evasão envolveu um grupo de 44 reclusos que se encontravam em privação de liberdade nas celas, quando, por volta das 15h30, devidamente armados, escalaram e abriram o portão do pavilhão para o fornecimento de água para o consumo dos reclusos e agrediram os guardas penitenciários.

Durante a incursão, um dos prisioneiros foi atingido mortalmente na tentativa de impedir a fuga, o segundo foi neutralizado no momento e outros três condenados foram recapturados, em coordenação com as Forças de Defesa e Segurança e as autoridades comunitárias.

Assim sendo, são 39 reclusos que se encontram em parte incerta.

No local, os guardas penitenciários foram feridos, um dos quais com gravidade.

Dos reclusos envolvidos na evasão, que são acusados de cometer os crimes roubo, homicídio, tráfico de drogas e outros delitos graves, 20 já haviam sido condenados e encontravam-se a cumprir penas e 19 aguardavam os respectivos julgamentos.

Em comunicado emitido pelo Serviço Nacional Penitenciário, esta segunda-feira, a instituição garante estar a realizar operações de busca intensiva para capturar os reclusos que continuam a

monte e que está a realizar inquéritos para apurar as reais circunstâncias da evasão, além de ter reforçado a segurança no Estabelecimento Penitenciário.
O SERNAP apela à população para que ajude na partilha de qualquer informação que possa ajudar na recaptura dos reclusos fugitivos.

O académico Nataniel Ngomane diz que a superlotação de salas de aula no país, associada à falta de professores, se deve a falhas na planificação ao longo dos anos. O académico alerta para os perigos no processo de ensino-aprendizagem e defende que se deve repensar o Sistema Nacional de Educação.

O problema da superlotação de salas de aula não é de hoje e agrava-se a cada ano. Reagindo ao facto de haver turmas que chegam a ter mais de 100 alunos, o professor universitário, Nataniel Ngomane, defendeu que a solução está na planificação.

“Somos cerca de 32 milhões de habitantes e é possível prever o crescimento populacional, pelo menos de forma aproximada. Por associação, pode-se prever as necessidades e associar-se a uma planificação. Talvez tenhamos perdido a possibilidade ou a noção da importância de um plano preciso que projecta as actividades futuras”, explicou o académico, alertando que deste problema surgem consequências negativas que resultam num péssimo aproveitamento pedagógico.

“Dificilmente os alunos prestam atenção, aliás, são mais propensos a distrair-se, inclusive em conversas entre eles. Talvez escutem mal a voz do professor. Portanto, a quantidade de alunos em cada sala de aula tem de ser reduzida.”

Mas como reduzir o número de alunos por turma se há falta de professores?

“Nós temos de meter a mão na massa. Não podemos ficar à espera de donativos para pagar aos professores. Vamos fazer as projecções do crescimento da nossa população, ver quantas escolas são necessárias em função do desenvolvimento da mesma, particularmente da população escolar, que valores serão necessários. Vamos programar isso atempadamente e devemos envolver-nos directamente”, explicou Ngomane, que disse mais: “Temos de criar gabinetes técnicos para pensarem somente nestes assuntos e tentarem dar respostas através de propostas concretas sobre essa matéria.”

Para Nataniel Ngomane, não basta que uma educação de qualidade seja a prioridade do Governo somente na escrita. Há que buscar estratégias de materialização.

A primeira-dama da República, Isaura Nyusi, é desde hoje, Doutora Honoris Causa pela Universidade Rovuma. A atribuição foi feita pelo seu papel no empoderamento de mulheres e raparigas.

A distinção da esposa do Presidente da República está inserida no âmbito da realização pela UniRovuma do III Fórum sobre Acção Humanitária e Responsabilidade Social, sob o lema “Pela Acção Humanitária e Responsabilidade Social, Juntos Podemos”.

Durante a atribuição, foi destacado o papel de Isaura Nyusi no empoderamento da rapriga, com ênfase na área de educação. Onde se fez a menção do projecto “Sou Capaz”, que capacitou mulheres e raparigas na área da educação.

O reitor da Universidade Rovuma, Jorge Brito dos Santos, disse que o título foi atribuído como forma de reconhecimento do trabalho feito pela primeira-dama para aliviar o sofrimento da população.

“Em celebração do trabalho humanitário  e responsabilidade social, decidimos que seria relevante reconhecer quem já está a fazer muito nesta área, com acções concretas que salvam vidas e aliviam o sofrimento das nossas populações”, disse.

Isaura Nyusi contou com o apadrinhamento da Doutora Benigna Zimba, da Universidade Eduardo Mondlane, para a atribuição do título honorífico, e o professor Doutor Armindo Ngunga foi presidente da comissão ad-hoc de juri de avaliação criada para analisar e decidir pela atribuição do título.

Ao tomar a palavra, a Doutora Honoris Causa destacou alguns dos seus compromissos na área da educação da mulher e saúde, que abraçou ao longo dos últimos 10 anos.

“É esta visão que enquadra os programas ‘Eu Sou Capaz’, campanhas de vacinação, campanhas de rastreio do colo do útero e da mama, nas mulheres, e do cancro da próstata, nos homens, e campanhas em defesa da população idosa. Minhas senhoras e meus senhores, o ponto central do desenvolvimento social, no âmbito das nossas acções, é a figura da mulher e da rapariga.”

Um jovem não habilitado para conduzir é acusado de matar uma pessoa e deixar outras cinco feridas, no distrito de Dondo, província de Sofala. O indiciado nega as acusações, mas a Polícia afirma não haver dúvidas de que o jovem tenha sido o autor dos acidentes.

Na noite de sexta-feira, o jovem acusado, supostamente, levou, sem autorização dos pais, o carro da família e fez-se à rua, mesmo não possuindo a carta de condução.

Depois de alguns minutos, o jovem terá perdido o controlo da viatura que, devido ao excesso de velocidade, se despistou e embateu violentamente contra um outro carro, que seguia no sentido contrário, depois de ter atropelado mortalmente uma pessoa.

“Depois de embater nesses seis indivíduos, o jovem não conseguiu imobilizar a viatura, pois tentou colocar-se em fuga, mas, no meio de essa fuga, colidiu com um outro veículo que se encontrava imobilizado ao longo da via pública, causando, assim, uma sequência de acidentes de viação”, explicou Dércio Chacate, porta-voz da PRM.

Todavia, o suposto autor do sinistro nega que seja responsável e diz que quem, na verdade, conduzia o veículo era um amigo. “Não era eu quem estava a conduzir a viatura. Um amigo meu é que conduzia, porque eu não tenho carteira.”

A polícia classifica as declarações do jovem como uma forma de ludibriar a opinião pública. “Temos de ter atenção à sua narrativa, que, de longe, mostra que é uma tentativa de desconstruir a realidade dos factos. E nós, como Polícia da República de Moçambique, não temos dúvidas de que este indivíduo esteve a conduzir esta viatura, mesmo sabendo que não tinha as devidas credenciais para o efeito”, disse Chacate.

No interior da viatura, havia garrafas de bebidas alcoólicas, o que sugere que os seus ocupantes estariam a consumi-las.

A província de Maputo vai lançar uma campanha de vacinação contra a cólera, num momento em que o boletim clínico mostra menos entradas de pacientes com a doença nos hospitais. Moamba, Ressano Garcia e Xinavane são os locais que registaram maiores incidências.

A província de Maputo é um dos pontos que apresentou mais casos de cólera nos últimos três meses, e registou três óbitos. Para que se tenha uma ideia, o distrito de Moamba chegou a registar mais de 40 casos e um óbito durante o mês de abril, e daí seguiram também Ressano Garcia e Xinavane.

A direcção provincial de saúde está preocupada e quer, através de vacinação, erradicar a doença, embora afirme que o gráfico tende a decrescer, no que diz respeito a novos casos. Daniel Chemane, director provincial de saúde, avançou que em breve vão iniciar as campanhas de vacinação na província de Maputo.

“Em dias poderemos começar o processo de vacinação contra a cólera, porque já temos as vacinas na província. Então, achamos que os próximos passos hão-de ser a tomada de atitude da comunidade em relação às medidas de saneamento do meio e higiene indivídual”, disse.

O processo de vacinação vai abranger cerca de 113 mil pessoas em Moamba, Ressano Garcia, Xinavane e 3 de Fevereiro, e surge em resposta a morte de três pessoas devido à cólera, na província de Maputo

“Neste momento, não estamos numa situação alarmante, pois não temos nenhum paciente internado, desde que registamos os três óbitos na província. Portanto, sentimos que a situação tende a estabilizar-se, mas não diminuiu a nossa preocupação, porque ainda há factores de risco que precisam ser controlados. Vamos fazer a vacinação, no entanto, a nossa preocupação é que comecemos a ter consciência sobre a higiene individual e colectiva, para evitar futuros surtos”, acrescentou Chemane.

Para evitar a extensão da vaga da cólera a direção de saúde garante que os Hospitais províncias e centros de saúde de referência estão aptos para intervir em qualquer situação, entretanto, a população pode evitar o pior.

De acordo com o boletim médico a que “O País” teve acesso, 14 pessoas estavam internadas e recebiam cuidados intensivos no Hospital distrital de Moamba.

Homens e mulheres arriscam suas vidas em percursos longos nos veículos de transporte de carga na Estrada Nacional Número 1 (EN1), em Quelimane, província da Zambézia. O perigo é ainda maior porque os mesmos viajam em cima das suas próprias mercadorias.

Na EN1, em Quelimane, homens e mulheres enfrentam constantemente um cenário que pode levar a fatalidade em caso de um pequeno incidente.

Desta vez, não é por apenas às condições da estrada, mas pelo iminente perigo que os comerciantes são obrigados a passar para conseguir escoar os seus produtos agrícolas.

Assim, os produtores dos distritos de Mocuba, Namacurra e Maganja da Costa, viajam em cima de produtos como a mandioca, batata-doce, entre outros, com destino a Cidade de Quelimane.

As mães e pais de família reconhecem que se expõem ao perigo mas justificam que há falta de transporte, tal como diz Olga Rui. “O problema é a falta de transporte, por isso subimos na carga como passageiro. Estou a sair do Mali onde ia comprar mandioca e batata para vender no Mercado da Fé”, disse.

Feliz Antonio, ajudante de carro, está acostumado a enfrentar o perigo nas alturas, mas também diz que ele e os comerciantes não tem opções melhores. “Estou aqui para controlar em caso de cair alguma carga e devemos ficar aqui com os donos das cargas. Se ficamos aqui não é porque não sabemos dos riscos”, disse.

Os passageiros, também ficam em cima das mercadorias, pelo mesmo motivo, a falta de transporte. Encontrado também em cima das cargas, Timóteo Casa Nova, do distrito da Maganja, justificou, ” sou passageiro. Subi porque não estava a vir nenhum carro”.

Quando os motoristas dos carros se aproximam dos postos de fiscalização da Polícia de Trânsito, descarregam os passageiros e os esperam fora do alcance das vistas das autoridades.

O Centro de Saúde da Matola-Gare, na pronvíncia de Maputo, continua fechado desde as chuvas de Abril. Só agora o Governo provincial anunciou que está à procura de dinheiro para construir um novo hospital.

A semelhança do Centro de Saúde da Matola Santos, Centro de Saúde do Bedene e Centro de Saúde Língamo, o Centro de Saúde de Matola-Gare foi também obrigado a encerrar, devido às inundações do primeiro trimestre deste ano, no município da Matola.

Com capacidade para assistir cerca de 400 doentes por dia, o centro que beneficiava aos vários bairros circunvizinhos, como sãos exemplos de Matlemele, Matibjanana, Mukupe, entre outros, está há três meses com as portas fechadas.

Enquanto a unidade sanitária não reabre, a comunidade vai recebendo atendimento em um centro provisório, criado para assegurar alguns serviços mínimos, mas com dificuldades.

No centro provisório não há casas de banho, muito menos sombras para que os pacientes se escondam enquanto aguardam por atendimento.
Uma vez que o novo cenário de atendimento não alberga serviços da maternidade, a comunidade tem de percorrer longas distâncias.

E para responder à demanda, a direcção provincial de saúde equaciona transferir a unidade sanitária para um local seguro e sem riscos de inundações. Para tal, segundo Daniel Chemane, diretor provincial de Saúde, precisa-se de cerca de 27 milhões meticais.

Enquanto isso não acontece, Chemane diz que o actual centro de saúde será reaberto dentro de uma ou duas semanas, e deverá funcionar enquanto se buscam condições para a construção da nova infra-estrutura.

O trabalho de identificar o local condigno para implantação do novo centro sanitário está ao cargo da comunidade. Só depois disso é que o governo irá mobilizar parceiros para o arranque das obras.

O bairro da Matola-Gare alberga mais de 100 mil habitantes, um número de população que se entende que seja atendida em um Hospital.
Para além de Matola-Gare, o centro de saúde de Machava Bedene é outro que continua a beneficiar de alguma requalificação pós-devastação provocada pelas últimas inundações.

Além de faltarem condições materiais, há também abandono de posto no hospital em Matola-Gare. Por exemplo, no dia da realização desta reportagem, até aprxoximadamente 13 horas, quase todos os agentes em serviço já haviam saido.

 

 

Passageiros com viagem marcada para Moçambique ficaram retidos por dois dias no aeroporto Internacional de Lisboa, em Portugal. O voo das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), devia ter partido às 19 horas desta terça-feira (23) mas só na tarde de ontem os passageiros conseguiram embarcar.

Por dois dias o Aeroporto Internacional de Lisboa testemunhou um verdadeiro “caos” e a razão é que o voo dos 300 passageiros com destino a Maputo não aconteceu e sequer houve qualquer comunicação.

O desespero dos passageiros começou um pouco antes das 19 horas de terça-feira, hora de partida do voo, e se prolongou por mais de 48 horas.

Angustiados com a longa incerteza de poder viajar, os passageiros foram obrigados a manifestar-se e a resposta chegou quase duas horas depois da hora do voo, ou seja, depois das 21 horas.

Não foi a primeira, a segunda, nem a terceira vez, que os passageiros da LAM ficaram retidos no Aeroporto Internacional de Lisboa.

Alguns dos 300 passageiros revelaram que para sair de Portugal “foi preciso um voo alternativo, que só foi disponibilizado na tarde de quinta-feira (25).

Sem avançar datas, a empresa Linhas Aéreas de Moçambique prometeu esclarecer o assunto “oportunamente”.

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