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O País – A verdade como notícia

O antigo ministro dos Recursos Minerais e Energia diz que, para além de investir em actividades comerciais, é preciso potenciar a actividade produtiva para o alcance do desenvolvimento do país. Já o primeiro-ministro defende, mais uma vez, a aposta no trabalho como forma de se sair da pobreza. As personalidades falavam após a cerimónia dos 49 anos da Independência Nacional, na Praça dos Heróis.

49 anos depois da independência, 67 por cento da população moçambicana vive no limiar da pobreza, de acordo com a estratégia nacional de desenvolvimento 2025-2044. Questionado sobre as possíveis soluções, o primeiro-ministro diz que só o trabalho pode tirar as pessoas da pobreza.

“O importante é trabalhar”, disse, referindo que qualquer trabalho, físico ou intelectual, que não viole as leis fundamentais, que traga recursos às pessoas, é fundamental para ajudar as pessoas a resolverem os seus problemas.

Uma outra figura que reagiu a esta efeméride foi o antigo ministro dos Recursos Minerais e Energia, Castigo Langa. Ele defende que o país deve encontrar-se, sobre qual é o seu programa económico de desenvolvimento e seguir, fielmente, essa política.

“Nós temos muita actividade, mas mais voltada para o comércio, compra e venda disto. Mas nós temos que potenciar a actividade produtiva. E a actividade produtiva precisa de um pouco mais de conhecimento específico sobre como funciona, um tipo de organização específica, sobretudo porque a actividade produtiva, hoje, não é isolada, estamos num contexto regional, global, e temos que ter uma economia competitiva, para que o nosso país e todos os agentes envolvidos possam ter vantagens.”

O terrorismo em Cabo Delgado é também uma mancha para a paz, de acordo com o provedor de Justiça e a presidente da Assembleia da República, que estiveram presentes nas celebracoes da efemeride.

“Há vários outros desafios na arena económica e social, mas o importante é que nós, enquanto moçambicanos, devemos continuar a lutar para construirmos um país cada vez melhor, um país cada vez mais inclusivo, um país em que todos os moçambicanos se sintam parte desse país”, referiu Isaque Chande.

Já Esperança Bias apela a todos para continuarem a lutar, “através do seu trabalho nas diferentes frentes, para que Moçambique continue a beneficiar dos frutos da independência, mais acesso à água, mais acesso à educação”.

Ouvimos o general na reserva, António Hama Thai, sobre os desafios de Moçambique independente, ao que nos respondeu que o país ainda está em busca do tão sonhado desenvolvimento.
“A meta de desenvolvimento de uma nação nunca é cortada, tem distintas etapas.

Se vos lembrar, um dos parágrafos do programa de 1962 estabelecia que era preciso construir o Moçambique, de país subdesenvolvido para um país desenvolvido, um país industrial, econômico, próspero e forte. Sucede, efectivamente, que Moçambique ainda não é esse país desenvolvido. Daí que olho para os 49 anos com muita esperança, no sentido de que a juventude, podendo capacitar-se, sobretudo, ter o domínio técnico-científico daquela área das ciências que nos pode permitir promover esse desenvolvimento”, defendeu.

Já o ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, chamou a juventude a dar o seu contributo na resolução de problemas, até de transporte.

“Problemas existem, temos que reconhecer isso, mas não são os desafios que vão determinar a intensidade do nosso desejo e a nossa aplicação para atingir o melhor para todos. Nós acreditamos que com o empenho e envolvimento de todos, principalmente da juventude, vamos encontrar soluções para os nossos problemas de transporte”.

E o caminho, de acordo com o secretário-geral interino da Frelimo, é a independência económica.

“Em 25 de Junho de 1975, a independência foi proclamada, mas foi mais uma independência política e como países africanos continuamos a depender do apoio externo, sobretudo para o nosso orçamento do Estado. Achamos que é fundamental continuarmos a fazer investimentos, sejam públicos ou privados, com o objectivo de alcançarmos a nossa independência econômica”, defendeu.
Além de políticos, participaram na cerimónia central do Dia da Independência titulares de órgãos de soberania, diplomatas, sociedade civil, entre outros.

O município de Pemba, a capital da província de Cabo Delgado, não tem dinheiro para reabilitar as ruas da cidade, algumas das quais, estão intransitáveis, há vários anos. A situação é considerada grave e mais crítica na baía da cidade, a zona histórica da baía, onde algumas ruas construídas na época colonial estão a desaparecer.

“Aqui na cidade velha há ruas que nunca foram reabilitadas desde que foram construídas por volta de 1956, quando Pemba passou a ser considerada cidade. Algumas já nem são usadas, há muito tempo, e a cada dia que passa estão a desaparecer por falta de manutenção. Essa que vai ao porto de Pemba, por exemplo, é uma via importante para economia da cidade, mas hoje está em péssimas condições e tudo indica que um dia vai ficar intransitável”, alertou Abdul Anza, um residente de Pemba.

O problema de vias de acesso é antigo e afecta todos os bairros da cidade, onde quase todas ruas têm buracos, no entanto, a situação é considerada ainda mais grave nos subúrbios da baía, onde todas vias de acesso são de terra batida, e são ainda piores do que as do centro da cidade.

“Aqui em expansão, por exemplo, todas ruas deviam ter pavê, assim como lá o centro da cidade, mas até hoje só tem terra batida, e nem sabemos se um dia vamos ter asfalto ou pavê”, reclamou Rosa da Silva, residente de um dos subúrbios de Pemba.

Para evitar o agravamento da situação e garantir a circulação de pessoas e bens na cidade, a autarquia teve de recorrer aos parceiros. Estes disponibilizaram material e equipamentos que, actualmente, estão a ser usados para pequenas intervenções de emergência nas vias consideradas críticas.

“Nós planificamos cerca de quinze quilômetros entre urbanas e periurbanas para minimizar o problema. Nas vias urbanas asfaltadas, tapamos alguns buracos com cimento enquanto se aguarda pelos fundos para aquisição de asfalto. Nas periurbanas estamos a fazer a reposição de solos e terraplanagem. Tudo isso, estamos a fazer com ajuda de parceiros que se juntaram ao município para melhorar a mobilidade urbana e mudar um pouco a imagem da cidade” revelou Silvetre Macie, Vereador de Infraestruturas.

Alguns cidadãos reconhecem melhorias nas vias de acesso quando comparado com a época chuvosa, e estão conformados com o tapamento de buracos e a terraplanagem, mas outros, especialmente os que vivem nos subúrbios da cidade, continuam inconformados e pedem asfalto ou pavê.

“Todos os anos raspam as estradas, mas pouco tempo depois voltam a ter buracos. O que queremos agora é pavê ou asfalto, assim como esta acontecer na cidade de Montepuez, onde está tudo bonito”, exigiu Agostinho Sabao, residente de Pemba que, para além do mal estado das vias, já não suporta mais a poeira levantada pelas viaturas que circulam nos subúrbios da cidade.

Quase todas pessoas que vivem em Pemba querem asfalto ou pavê, para os subúrbios deixarem de ser subúrbios, mas o maior sonho da população, e a estrada ANE CHUIBA, um projecto adormecido mas que se for concluído será a mais larga e longa avenida construída na baía desde a independência de Moçambique, em 1975.

“Todos nós que vivemos aqui na expansão estamos a espera da estrada ANE CHUIBA, mas desde que começou nunca acaba, e o pior de tudo é que a estrada está fechada, há muito tempo”, disse Aniceto Mucaveia, residente do bairro Eduardo Mondlane.

As obras da estrada ANE CHUIBA estavam avaliadas em 400 mil dólares norte americanos, desolados pelo Instituto Nacional de Petróleos, e caso seja concluída, além de ser a mais longa, será também a primeira avenida com quatro faixas e dois sentidos a ser construída em Pemba depois da independência de Moçambique.

Silvestre Macie, Vereador de infraestruturas do Conselho Autárquico de Pemba, prometeu que, em breve, o governo se vai pronunciar em relação a estrada ANE CHUIBA.

“Com relação a estrada ANE CHUIBA, ainda há um processo em curso em termos de procedimentos administrativos e vamos nos pronunciar oportunamente ainda estamos a trabalhar com o governo ao nível provincial e central, a quem cabe junto do município avaliar a viabilidade deste projecto, mas por sermos um governo e com responsabilidades, pedimos a população para nao perder a esperança porque as coisas vão acontecer , o problema agora é saber quando e como vamos fazer as coisas”.

A solução do problema de vias de acesso em Pemba está muito longe do fim, e o município esta numa situação considerada complicada, afinal prometeu melhorar as ruas da cidade, mas ate hoje, não tem dinheiro, nem para continuar com as obras paralizadas, muito menos para manter as poucas que existem, algumas das quais construídas há quase cinquenta anos.

Foram manuseados no Porto da Beira, de Janeiro a Maio deste ano, 161 mil contentores, contra 102 mil, em igual período do ano passado. Na carga geral, foram manuseadas 1.6 milhões de toneladas, contra 1.4, do primeiro semestre do ano passado, um crescimento considerado robusto pelo gestor do Porto da Beira, a Cornelder de Moçambique.

A conclusão da reabilitação da primeira fase da terminal de mineiros, aquisição de equipamentos modernos para transporte de cargas e uso de tecnologias de ponta e dos recursos humanos são factores que estão a contribuir na melhoria do manuseamento de cargas no Porto da Beira, que já atingiu números recordes, segundo Jan De Vries, Administrador delegado da Cornelder de Moçambique(CdM), entidade gestora do porto da Beira.

“A Cornelder de Moçambique estabeleceu um recorde de produtividade no manuseio de minério de crómio, por exemplo, alcançando uma produtividade bruta, com a média diária de 14.446 toneladas, uma melhoria de 40% em relação ao recorde anterior de 10.400 toneladas por dia”, garantiu Jan De Vries.

Acrescentou também que “a excelente produtividade é resultado do forte investimento na capacidade de manuseamento de minérios. A CDM acaba de concluir a primeira fase da construção do Terminal de Minérios que inclui 4 hectares de área de armazenamento para diversos minérios em à granel e ensacados, onde estes podem ser manuseados de forma eficiente”.

Como fruto destas melhorias, há novas linhas de navegação intercontinentais que escalam o Porto da Beira, que foi reconhecido, nos últimos dois anos, como a terminal mais eficiente.

Neste ano, haverá novos investimentos para responder a demanda dos países do Interland.

“No terminal de contentores, dentro de duas semanas, iremos iniciar a remoção de um dos antigos armazéns e, no seu lugar, garantir a expansão de quase 4 hectares de um novo parque. Ainda no âmbito da modernização das infra-estruturas, iremos adquirir 4 novas gruas modernas. As que temos actualmente são as maiores no país, mas não estamos satisfeitos dada a demanda dos nossos serviços na região e no mundo. Um estudo de engenharia realizado recentemente indicou-nos que temos capacidade para acomodar gruas para atender navios com capacidade para transportar, numa única viagem, 10 mil contentores”, referiu o administrador delegado da Cornelder.

Além disso, a CdM recebeu, este ano, uma nova frota de escavadoras de 35 toneladas e Pás, Carregadoras com baldes de 7m³ de capacidade, que servem para fazer o carregamento de banheiras para granéis, em tempo recorde, sendo transportados até ao cais por uma frota renovada e ampliada de tratores de terminal.

Toda a movimentação de equipamentos é monitorada pela organização reestruturada do Terminal de Carga Geral, fazendo uso do novo Sistema Operacional do Terminal, bem como do Sistema de Monitoramento de Equipamentos.

A Cornelder de Moçambique está, entretanto, preocupada com a melhoria dos acessos no Porto da Beira, que impactam de forma negativa na fluidez das cargas.
“Os volumes que temos hoje são dez vezes maiores em relação há 25 anos e, infelizmente, as estradas são as mesmas, o que cria um enorme constrangimento para a fluidez de cargas na entrada e saída do Porto da Beira. Acreditamos que uma maior articulação entre os vários utentes do Porto da Beira, incluindo o governo, sector privado e município, pode se encontrar uma solução a curto prazo”.

Refira-se que o município da Beira sempre defendeu a construção de uma estrada que dá acesso directo ao Porto da Beira, e que tem estado à procura de investimentos para a sua construção.

A província de Manica poderá registar escassez de tomate nos próximos dias. O produtor António Pacanate alerta que a situação decorre do fenómeno geada, que se caracteriza, no inverno, pela descida de temperatura até abaixo de zero graus, afectando culturas tropicais, como o tomate.

António Pacanate produz uma área de cerca de três hectares de tomate, onde, em cada época, colhe mais de 1500 caixas, ou seja, perto de sete toneladas de tomate, o que o torna um dos maiores produtores na província de Manica.

Com o frio que já se regista, a sua produção está tremida.

“Estamos a prever essa escassês porque estamos no inverno, sabemos que no inverno há vários fenómenos que afectam a produção de tomate, é o caso de geadas”.

O engenheiro agrónomo, Iqbal Vilishane, explicou que a cultura de tomate é afectada no inverno devido às baixas temperaturas, sobretudo, o fenómeno geadas, que causam danos severos às plantas, destruindo folhas, flores e frutos.

“O tomate é uma cultura sensível e precisa de cuidados consoante o período de produção. para esse tempo de frio, precisamos aplicar produtos que possam combater as doenças, porque é o período propício para eclosão de doenças, visto que temos tido mudanças de temperaturas: de dia faz calor, e a noite, drasticamente, arrefece, isso é, condição necessária para aparecimento de doenças”.

Entreanto, Vilishane insta os produtores a não entrarem em desespero, pois, já existem soluções para evitar perdas de culturas, sobretudo o tomate no inverno.

“Nós, na Bayer, temos um produto chamado atracool, quando há geadas, forma cacimba, e ele combate para que as folhas não sequem com a cacimba”, explicou.
Em Manica, Vandúzi e Sussundenga são os distritos onde mais tomate se produz, abastecendo os mercados das regiões centro e norte do país.

 

Os moçambicanos ainda estão longe de ter o país que sonham, pois persistem os mesmos desafios de quando a independência foi proclamada. Quem o disse é o antigo presidente da República, Joaquim Chissano, durante as comemorações dos 49 anos da independência nacional.

O sonho “está longe”, mas a luta deve continuar e o investimento deve ser centrado no “homem e na mulher”. Parece um discurso filósfico mas o antigo dirigente explicou que o “homem e a mulher” devem acompanhar o desenvolvimento do tempo.

“Desenvolver o homem e a mulher é um desafio permanente, porque a ciência, a tecnologia, a forma da administração, de governação e tudo evolui com o tempo, portanto, o homem deve ser desenvolvido, queremos que o homem e a mulher moçambicana estejam ao nível mundial.”

Chissano entende igualmente que vencer o terrorismo é outra prioridade, visto que é também um dos factores que atrasam a “marcha do desenvolvimento”.

O “insucesso” nem sempre siginifica “fracasso”, portanto, Chissano também elogiou os moçambicanos e os chamou de “grandes”.

“Nós temos um grande povo, porque no meio das adversidades conseguimos resultados desejados por todo o mundo.”

O primeiro ministro que acompanhou o presidente nas cerimónias centrais, também considerou o terrorismo como uma “mancha negra” para o desenvoilvimento do país, e apelou a unidade nacional como forma de se alcançar o desenvolvimento e a paz.

Morreu, hoje, em Portugal, aos 88 anos de idade, o arquitecto José Forjaz, vítima de doença. Forjaz foi coordenador na criação da Faculdade de Arquitectura da UEM, na qual foi director entre 1990 e 2008.  

José Forjaz nasceu em 1936, em Coimbra, Portugal e radicou-se em Moçambique nos anos 50, onde começou a trabalhar como desenhador nos Serviços Provinciais de Obras Públicas, na condição de estagiário, com o arquitecto Pancho Guedes. 

Desde 1968,  Forjaz actua noutros países de África, com destaque para Suazilândia, Botswana e África do Sul.  

Em Moçambique, Forjaz exerceu vários cargos governamentais. Trabalhou no Ministério das Obras Públicas e Habitação como técnico do Gabinete de Estudos até 1977; como Diretor Nacional de Habitação de 1977 a 1983; representou Moçambique na Conferência do Habitat, em Vancouver (1978), no Focal Point UN HABITAT (1979 a 1985) e no Focal Point UNEP (1979 a 1985); exerceu, ainda, o cargo de Secretário de Estado do Planeamento Físico de 1983 a 1986.

José Forjaz é autor de uma vasta gama de obras de aquitectura, a última das quais carrega o título: “Pensar Aquitectura”. 

Forjaz deixa filho e esposa.

O Presidente da República diz que “o país está relativamente em paz”, embora alguns distritos da província de Cabo Delgado estejam a ser assolados pelo terrorismo. Filipe Nyusi apela, por isso, para a união dos moçambicanos, “fórmula que acabou com o colonialismo”.

Moçambique celebrou, ontem, 49 anos da sua independência, proclamada a 25 de Junho de 1975. A proclamação foi feita pelo primeiro Presidente da República, Samora Machel, ao fim de uma luta que durou entre 1964 e 1974, altura em que se assinaram os Acordos de Lusaka, que passavam a Soberania de Moçambique à Frelimo, na altura partido único em Moçambique. No ano seguinte, Machel fez a proclamação no Estádio Nacional da Machava.

Ontem, 49 anos depois, Filipe Nyusi, o 4º presidente de Moçambique, dirigiu as cerimónias centrais da celebração de mais uma data. “Ao comemorarmos essa data, celebramos os valores mais nobres que caracterizam a nação moçambicana, o patriotismo, a democracia multipartidária, o primado da lei, a cultura de trabalho, o respeito mútuo entre outros”.

Apesar de Moçambique ter alcançado a sua soberania, ao içar da bandeira no Estádio da Machava, pelo primeiro Presidente do país, Samora Machel, a 25 de Junho de 1975, o país vivenciou 16 anos de guerra civil intensa, entre 1977 e 1992, acto que foi só teve fim com o diálogo entre a Frelimo e a Renamo. Ainda assim, o Presidente da República faz um balanço positivo.

“O país está relativamente em paz. Depois de 16 anos de conflito entre irmãos decidimos sentar à mesma mesa para restabelecer a paz perene. Hoje, todas as batalhas políticas são travadas nas urnas”, disse Filipe Nyusi.

Fazendo uma radiografia dos 49 anos de independência, o Chefe de Estado voltou no tempo, visualizou e descreveu para os moçambicanos o que via e deu nota positiva.

“Nestes 49 anos de independência, o país desenvolveu, em todos os sentidos, ganhos que, quando olhamos para o período percorrido até aqui, orgulham todos os 33 milhões de moçambicanos quase em todos os sectores, nomeadamente, na saúde, agricultura, educação, artes e cultura, funcionalismo público, justiça, na energia eléctrica, diplomacia e tantas outras áreas”, detalhou Nyusi.

Embora tenham sido registados avanços, o país debate-se com o terrorismo em Cabo Delgado, que está a desestabilizar alguns distritos daquela província, segundo avançou o Presidente da República.

“Sobre este desafio, temos a firme convicção de que, se estivermos unidos, vamos vencer”, disse Nyusi.

“DDR ESTÁ NUMA FASE MUITO AVANÇADA”
Dados apresentados pelo Presidente da República indicam que, dos 5221 antigos guerrilheiros da Renamo abrangidos pelo processo até ao dia 20 de Junho, 4273 já tinham as suas pensões fixadas e, destas, 3547 já estão em pagamento.
Só não está finalizado porque há quem não está a facilitar. Por exemplo, os homens da Renamo que ainda não reclamaram as suas pensões. Por isso mesmo, Filipe Nyusi apelou aos cerca de 948 antigos guerrilheiros da Renamo abrangidos pelo DDR, que ainda não se apresentaram a equipa conjunta, para o fazerem com a maior brevidade de modo a que o processo possa ser encerrado.

NYUSI AVANÇA E LANÇA FESTIVIDADES DOS 50 ANOS
Mesmo sabendo que já não estará na condução dos destinos do país, Filipe Nyusi parece querer deixar tudo agendado para o seu sucessor. Lançou, por isso, as festividades dos 50 anos da Independência Nacional.
A festa começa já este ano mesmo. No dia sete de Setembro, Dia da Vitória, haverá a festa da celebração dos 50 anos dos Acordos de Lusaka, que, na verdade, abriram espaço para a proclamação da independência. No mesmo mês, dia 25, será feita uma outra grande festa, a celebração das Forças Armadas de Defesa de Moçambique.
A 7 de Abril, Dia da Mulher Moçambicana, será lançada a tocha com chama da unidade nacional, que deverá percorrer todas as províncias de Moçambique, partindo de Cabo Delgado até à Cidade de Maputo. Espera-se que ela chegue a 25 de Junho de 2025, quando será feita a grande festa dos 50 anos da independência.

O Presidente da República admite que há desafios no funcionamento da Função Pública, no entanto defende que estas não devem ser razão para más práticas no sector. Filipe Nyusi falava na manhã desta segunda-feira, por ocasião da saudação dos funcionários públicos pela passagem do Dia Internacional da Função Pública.

O mundo celebrou, no domingo, 23 de Junho, o Dia Internacional da Função Pública e nesta segunda-feira, funcionários e agentes do Estado dirigiram uma saudação ao Presidente da República, por ocasião da data.

Cientes dos seus compromissos, os funcionários públicos disseram estar atentos às reclamações e exigências dos cidadãos, por isso fizeram promessas.

“Afirmamos que continuaremos a manter o nosso compromisso em prestar cada vez melhores serviços ao cidadão, não apenas como um lema, mas como uma forma de ser e estar, conforme somos chamados a adoptar”, disse a representante dos funcionários públicos.

Filipe Nyusi ouviu, agradeceu pelo gesto e usou da oportunidade para reconhecer os funcionários que não se desviam, mesmo perante vários desafios.

“Somos todos conscientes de que o professor, enfermeiro, o escriturário, o notário, sempre há alguma dificuldade que tentamos limar ou resolver, mas, mesmo assim, o país nunca parou. Muitos são os funcionários e agentes de Estado que, na sua actuação, continuam a pautar por uma postura ética, íntegra, profissional, exercendo com competência a sua actividade e procurando sempre servir melhor a nossa população”, disse Nyusi, destacando o facto de, em muitos casos, haver críticas ao sector porquanto há pequenas falhas, num universo de muitos acertos, mas considerou normal.

No entanto, o chefe de Estado exigiu mais dos funcionários públicos, principalmente por considerar tratar-se de um sector importante para o desenvolvimento do país.

“O nosso objectivo é facilitar o acesso aos serviços públicos, para atrair os investidores nacionais e estrangeiros, aumentar a competitividade empresarial, melhorar o ambiente de negócios, estimular a criação de postos de emprego que os jovens que tanto precisam. Moçambique tem de continuar a posicionar-se como um estado com uma administração moderna, eficiente e catalisadora do desenvolvimento da economia nacional e da prosperidade do seu povo”.

Empossados novos reitores e vice-reitores
Ainda nesta segunda-feira, o Presidente da República, Filipe Nyusi, conferiu posse a reitores e vice-reitores das universidades Save, Púnguè, Licungo e Rovuma.
São eles Mário dos Santos, para reitor da Universidade Rovuma, Boaventura José Aleixo, reitor da UniLicungo, Emília Afonso Nhalevilo, reitor do UniPúnguè, e Catarina Nhampossa, reitora da Universidade Save.

Os vice-reitores, também empossados, são Brígida Singo, vice-reitora da UniLicungo, Hipólito Sengulane e Albino Simione, ambos vice-reitores do UniSave, Hibrahino Mussagi e José Baptista, ambos vice-reitores da UniRovuma.

Nyusi, que fez questão de destacar o facto de as nomeações serem resultado de eleições internas (nas universidades), exigiu deles uma educação de qualidade.

“Queremos um ensino superior que promova o desenvolvimento do país, através da formação do capital humano e social nacional, bem de cidadãos proactivos, detentores de culturas de trabalho e de solidariedade, patriotismo, paz e unidade nacional.”

O Presidente da República apelou, ainda, aos empossados para mobilizarem recursos e fazerem parcerias benéficas às instituições, bem como evitarem participar em palestras ou conferências que em nada beneficiam as universidades que dirigem.

As universidades, no seu entender, devem ser mais competitivas e dinâmicas na resolução de problemas locais, leccionando cursos, programas e adoptando currículos actuais e não podem temer em “descontinuar cursos que não estejam a dar resultados imediatos” ou estejam desactualizados aos contextos locais, nacionais ou internacionais.

Os alunos da primeira classe já começaram a receber os livros escolares. Os professores dizem que os manuais vão facilitar o seu trabalho e avançam que a leccionação dos conteúdos não vai começar pela primeira página. Já os alunos da segunda classe, ainda vão continuar a usar os cadernos de actividade.

Cinco meses depois do arranque das aulas, os alunos da primeira classe têm, finalmente, os livros escolares em suas mãos.
Os manuais começaram a chegar semana passada, depois de os professores terem trabalhado todo o primeiro trimestre e arrancado o segundo nas piores condições pedagógicas possíveis de se imaginar.

“Usávamos mais o caderno. Então, nós tínhamos de chamar a cada criança e dar o trabalho de escrever no seu próprio caderno e elas poderem copiar. É meio complicado, mas trabalhamos assim mesmo e conseguimos produzir alguma coisa”, explicou Fenias Saete, professor da primeira classe, na Escola Primária Completa Unidade 18.

Rosita Zeca, professora na Escola Primária Completa das FPLM, sublinha as palavras do seu colega de profissão: “Havia actividades, que eram difíceis de a criança perceber. Então, há necessidade de se ter o livro porque temos ali palavras e objecto, tendo em conta que estamos numa fase inicial e elas (as crianças) precisam de aprender a ver”.

E trabalhar com os alunos da primeira passa a ser mais fácil com a recepção dos livros escolares.

“Com o livro, tudo levamos a realidade do aluno. Cada um tem o seu material, onde vê, recebe a explicação do professor e, assim, acaba percebendo facilmente.

E mais: “Aquilo que o professor fala, mostramos no livro. Eles (os alunos) vêem no concreto. Que, afinal de contas, essa gravura ilustra o professor, as frutas e que muitas as crianças nunca viram”, acrescentou Florência Lázaro, professora da primeira classe.

E a recepção do material escolar não significa que os professores vão começar a dar aulas do zero.

“Nós vamos continuar com aquilo que eram as nossas actividades. Vamos começar o segundo trimestre. Então, as actividades que já passaram, eles vão exercitar com o novo livro. Vão servir como um conteúdo para consolidar aquilo que foram as aulas passadas, porque, de lá para cá, também tivemos algumas crianças que não desenvolveram bem as suas habilidades educativas e o livro poderá auxiliar nesta vertente”; explicou Rosita Zeca, professora da primeira classe.

As direcções das escolas confirmam a recepção dos livros escolares da primeira classe e que já foram distribuídos para todos os alunos. “Já recebemos os livros da primeira classe. Temos 290 alunos com igual número de livros de Potuguês e Matemática. Ainda aguardamos a recepção dos livros da segunda classe”, afirmaram Dulce Vilanculos, directora pedagógica da Escola Primária Completa das FPLM, e Alzira Basílio, directora da Escola Primária Unidade 18.

Estão matriculados para a primeira e segunda classes cerca de seis milhões de crianças. Os alunos da segunda classe vão continuar a usar o caderno de actividades impresso pela Académica Limitada.

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