Skip to main content

O País – A verdade como notícia

O Governo conseguiu  tomar o controlo do posto administrativo de Mucojo, na província de Cabo Delgado,  uma zona que foi ocupada pelos supostos terroristas por quase quatro anos. O facto foi confirmado pelo governador da província de Cabo Delgado, Valige Tauabo.

Mucojo fica no distrito de Macomia, na zona  Norte  da província de Cabo Delgado,  e  foi reocupado em Agosto último, depois de uma operação conjunta das Forças Armadas de Moçambique e da República do Ruanda, que apoiam o país  na luta contra o terrorismo, fenómeno que se regista desde 2017.

“Na zona de Mucojo, nós não aconselhamos a população a fazer-se presente neste momento, porque ainda estamos a restabelecer um bom ambiente através das nossas Forças de Defesa e Segurança e as suas congéneres do Ruanda e Força Local. Primeiro, temos de deixar que se faça uma limpeza porque, como podem notar, os extremistas podem não estar lá onde fazem ataques mas podem colocar engenhos explosivos e causarem danos. É esse o trabalho que está a ser feito. É uma limpeza total. Nos próximos tempos, a nossa população vai começar a retornar  a Mucojo”, disse Valige Tauabo.

A população não só não pode voltar a Mucojo porque, além da suspeita da existência de  material de guerra escondido ou abandonado, segundo explicou o governador de Cabo Delgado, o grupo armado continua a protagonizar ataques terroristas o distrito de Muidumbe.

“Com a perseguição que está a acontecer, através das nossas Forças de Defesa e Segurança, Força Local, Força da Tanzânia e do Ruanda, coloca os terroristas encurralados. E, quando passam nas comunidades durante a perseguição, a população denuncia e há uma pronta intervenção das forças para que eles sejam estancados. Nos próximos momentos, vamos ter alguns destes a serem julgados em tribunal para que digam, exactamente, o que estavam a fazer.”

O posto administrativo de Mucojo foi ocupado pelo grupo armado em 2020, depois de um ataque terrorista.

Um funcionário afecto ao Serviço Distrital de Saύde, Mulher e Acção Social, de Ribáuè, em Nampula, foi expulso este ano, devido ao seu envolvimento no desvio e venda de medicamentos do Sistema Nacional de Saύde.

A informação foi tornada pública pela directora do Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social de Ribáuè, Isabel Muanga, que indicou que o caso foi descoberto depois de se detectar um desfalque de fármacos no depósito distrital e, na circunstância, o referido funcionário encontrava-se a exercer as suas actividades.

Isabel Muanga repudia este tipo de comportamento e apela para uma maior vigilância no controlo de medicamentos, que são providenciados para diferentes unidades sanitárias do distrito.

Aquela responsável informou que, neste momento, uma equipa de técnicos do sector da saύde tem realizado a supervisão e fiscalização de locais de venda de medicamentos, com destaque para as feiras.

Dois indivíduos estão detidos em Gondola, província de Manica, por extracção e comercialização ilegal de ouro. Junto a eles, foram apreendidos 125 gramas de ouro, 117 800 Meticais, uma motorizada e instrumentos de mineração artesanal.

Há anos que a mineração artesanal é apontada como a principal causa dos problemas ambientais na província de Manica. A prática tem provocado enormes prejuízos à biodiversidade, como a poluição dos rios e cursos de água.

Tendo noção disso, a Polícia em Manica está a “apertar o cerco” contra a extracção ilegal de recursos naturais e, em resultado das suas linhas operativas, deteve, ontem, dois homens que tentavam comercializar 125 gramas de ouro.

“Do trabalho feito, apreenderam-se 125 gramas de ouro, uma moto e 117 mil Meticais”, disse Eunice Faustino, porta-voz da Polícia, que reiterou que “a corporação está implacável quando o assunto é ilegalidade nos recursos naturais”.

A Província de Maputo, no Sul de Moçambique, registou um total de 18 441 pensionistas, desde 2015 até Maio do ano em curso – o que corresponde a um incremento de 142,5 por cento – afirma o Presidente da República, Filipe Nyusi.

Nyusi avançou os dados durante a cerimónia de inauguração do novo edifício da delegação do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) no distrito de Magude, Província de Maputo, acto que teve lugar esta segunda-feira.

Anunciou que, em 2015, a Província de Maputo tinha pelo menos 6559 contribuintes. Até Maio último, conta com um total de 20 226 contribuintes.

“O número triplicou, e isso é bom, porque significa mais gente menos vulnerável no futuro, depois da sua carreira”, disse.

Relativamente aos beneficiários, no mesmo período, a província tinha um universo de 228 655 beneficiários, tendo actualmente um total de 512 300, um crescimento de 124 por cento.

Até ao primeiro semestre do ano corrente, a Província de Maputo inscreveu no sistema de segurança social pelo menos 6039 trabalhadores por conta própria (TCP).

O Chefe do Estado fez saber que, actualmente, além de outras profissões, os músicos têm contribuído para o sistema de segurança social, apelando, de seguida, para que qualquer cidadão que tenha um rendimento financeiro mensal contribua para o seu bem no futuro.

Falando sobre Magude, Nyusi referiu que, de acordo com dados do primeiro semestre, o distrito conta com 294 contribuintes, 9117 beneficiários, 114 trabalhadores por conta própria e 316 pensionistas.

“Já estamos a andar. Com aquilo que se produz [no distrito], acredito que com a explicação das vantagens estes números vão disparar na positiva”, afirmou.

O crescimento da cobertura e abrangência do serviço de segurança social na província, em particular, e no país, o geral, é, em parte, explicado pelo crescimento sustentável da economia que, segundo Nyusi, catapultou a produção, e, por conseguinte, o maior número de contribuintes.
“Sem economia, não há produção e ninguém vai descontar”, disse, referindo que o aumento de empregos condignos contribuiu na renda e numa maior justiça social.

O Governo está expectante em ver o INSS a dar um salto quantitativo e quantitativo, expandir-se mais, sobretudo no número de contribuintes e beneficiários inscritos, dado que Magude possui um potencial económico, com destaque para o ramo agro-pecuário.

“Queremos usar esta oportunidade para exortar à contínua observância dos valores de integridade, ética, celeridade, transparência e inovação”, disse Nyusi.

Subordinado ao Ministério do Trabalho e Segurança Social, o INSS atingiu, no quinquénio 2020-2024, a marca dos 2 610 356 beneficiários e 179 797 contribuintes em todo o país.

No mesmo período o INSS também conseguiu superar em quase 10 mil contribuintes a meta de TCP.

Duas pessoas morreram e igual número teve ferimentos, após ataque de animais selvagens na província de Manica. Búfalos, elefantes e crocodilos estão entre os animais que semeiam terror na província.

Dados do sector de terra e ambiente em Manica indicam que os ataques de animais constituem uma realidade e que começam a atingir contornos alarmantes.

Os casos registados na última semana, refere-se, são reveladores de um cenário que urge resolver.

“Tivemos dois mortos, sendo que um foi no distrito de Tambara, vítima de ataque de um elefante, tendo havido ainda o registo de um ferido grave que se encontra internado no Hospital Provincial de Chimoio. Tivemos, também, o caso de uma criança que foi atacada por um crocodilo e veio a perder a vida. No distrito de Macossa, tivemos dois feridos, um dos quais se encontra em estado grave e que se encontra hospitalizado. Tudo isso é resultado do conflito homem-animal”, explicou Rafael Manjate, director da Terra e Ambiente em Manica.

Os ataques de animais têm explicação, segundo Rafael Manjate. “Neste momento, estamos com problema de carga, falo, concretamente, de falta alimentação e água para os animais, devido ao fenómeno El Niño que vem assolando o nosso país e não só. A região Austral de África está a enfrentar este fenómeno. Os animais vão migrando à procura de alimentos e água e a população faz o mesmo. É neste momento que registamos casos de ataques”, explicou.

O último caso de um ataque de elefante a pessoas em Báruè, Manica, deu-se quando uma pessoa tentava fotografar o animal com seu telemóvel, tendo sido morta.

Dos 14 distritos, apenas quatro é que têm o quadro completo destes profissionais, nomeadamente Vilankulo, Massinga e cidades de Inhambane e Maxixe.

Os restantes necessitam de, pelo menos, mais um magistrado – é uma informação partilhada na manhã de hoje, pelo Magistrado Pompílio Xavier.

Falando numa mesa sobre o papel do Ministério Público, sua evolução e desafios, Pompílio Xavier indicou que, devido ao número reduzido de magistrados, a tramitação processual não satisfaz as necessidades.

O magistrado Pompílio Xavier, um dos oradores na mesa redonda, destacou outros desafios da Procuradoria-Geral da República.

Um suposto criminoso morreu na cela de uma esquadra na cidade da Beira, depois de ter sido, alegadamente, torturado por elementos da polícia que estavam sob sua responsabilidade. A certidão de óbito indica morte violenta por trauma com agente contundente e líquido fervente.

A vítima, com o nome Tomás Eugénio, morreu nas celas de uma esquadra, cerca das 22h00 da passada sexta-feira, depois de ter sido detido quando participava numa cerimónia fúnebre de um vizinho.

O corpo da vítima foi entregue aos familiares, esta terça-feira, num momento carregado de dor, para os últimos preparativos para o funeral.

Os familiares contam que encontraram o corpo com sinais de agressão. “O corpo apresentava sinais de tortura. Os braços estavam inflamados. Por outro lado, deparámo-nos com uma situação de queimaduras de dois graus. Nós não sabemos como é que tudo isto aconteceu. A cara não apresenta sinais de agressão e muito menos inflamação”, descreveu Ângelo Domingos, um dos familiares da vítima.

De acordo com os familiares, depois da detenção, só no dia seguinte é que os mesmos souberam que o finado estava nas celas da segunda esquadra, entre sexta-feira e sábado de manhã. Foi precisamente na manhã de sábado, contam, que tomaram conhecimento da morte do seu ente querido e que não chegaram a ter contacto com o mesmo.

Contudo, diariamente, levavam refeições e os agentes da polícia pediam comprimidos para a vítima.

“Todo o tempo que fui à esquadra, não me disseram nada. Somente pediam comprimidos. Lá, na esquadra, não há nenhum enfermeiro. Eram apenas polícias civis que pediam comprimidos.”

Tomás Eugénio foi sepultado, esta terça-feira, mas os familiares ainda não sabem quais são as reais causas que levaram à sua detenção e as circunstâncias da morte. A certidão de óbito que os familiares partilharam com o “O País” aponta como causa básica da morte trauma com agente contundente e líquido fervente.

“Fomos à Procuradoria nas primeiras horas. Quando nos disseram para ir ao hospital, informaram-nos que devíamos tratar o cartão de óbito primeiro. Voltámos à Procuradoria e entregámos. Eles disseram para fazermos o funeral, primeiro, e depois é que iríamos tratar do assunto”, precisou.

A polícia reagiu a este caso e, numa conferência de imprensa, indicou que a vítima pertencia supostamente a uma quadrilha indiciada de roubo agravado e que, neste momento, decorrem investigações para apurar as circunstâncias da sua morte.

“Há uma comissão de inquérito que foi criada que vai trazer ao detalhe tudo o que aconteceu com este indivíduo. Trazer informação de forma precipitada ou preliminar podia inutilizar todo o trabalho que esta comissão está a realizar”, disse Dércio Chacate, porta-voz da PRM em Sofala.

A ministra da Educação e Desenvolvimento Humano diz que há pais que ensinam corrupção aos seus filhos. Carmelita Namashulua explica que alguns destes encarregados levam o ano todo sem conhecer a porta da sala do seu filho, mas, quando o mesmo é reprovado, eles vão negociar para inverter o resultado, ou até pior: mandam o próprio filho perguntar ao professor o que ele quer para negociar.

A corrupção é um crime já infiltrado em quase todos os sectores da sociedade moçambicana.

Esta terça-feira, a ministra da Educação disse estar preocupada, porque há alunos, nas escolas, que já dominam esse mal que, no seu entender, deve ser combatido.

“Nas nossas escolas, pratica-se aquilo que é a corrupção. Às vezes, nós toleramos quando um menino negoceia a sua nota. Essas acções parecem ser pequenas, mas depois crescem. Incutem no menino que, negociando, ele pode ganhar ou pode satisfazer os seus intentos”, apontou Carmelita Namashulua, ministra da Educação e Desenvolvimento Humano.

Mais agravante, para a ministra, é a existência de pais e encarregados que ensinam tais actos aos seus filhos.

“Nós temos pais no sistema que não conhecem a porta da turma do seu menino e só aparecem quando o menino vai, no fim do ano, dizer que chumbou e aí o pai aparece para ir negociar. Até manda o seu próprio filho perguntar ao professor ‘o que ele quer para poder-te deixar passar’. O menino vai, todo orgulhoso, e cumpre. Essas acções também devem ser severamente combatidas”, disse Namashulua.

Aliás, as escolas têm sido, segundo a procuradora-geral da República, um campo preferido pelos grupos criminosos para ensinar práticas de crime organizado de vária ordem aos jovens.

“É com grande preocupação que notamos que o crime continua a ser uma grande realidade no seio das nossas comunidades, afectando tanto os indivíduos quanto as instituições que almejam garantir o bem-estar e o desenvolvimento do nosso país. Para lograr os seus intentos, os criminosos tudo fazem para infiltrar-se em todos os segmentos da nossa sociedade, afectando principalmente os jovens, adolescentes e até crianças, fazendo das escolas um campo preferencial para realizar as suas incursões”, afirmou a procuradora-geral da República, Beatriz Buchili.

Face ao cenário, a Procuradoria-Geral da República e o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano assinaram, esta terça-feira, um memorando de entendimento que visa reforçar a educação comunitária e dos alunos sobre a prevenção contra o recrutamento dos jovens para as fileiras da criminalidade.

“Estes programas irão capacitar, igualmente, os professores, oferecendo ferramentas eficazes para identificar sinais de risco e prevenir a criminalidade, com enfoque para a corrupção, branqueamento de capitais, extremismo violento, tráfico e consumo de drogas”, referiu Buchili.

O memorando rubricado pela ministra da Educação e pela procuradora-geral da República vai, também, permitir a criação de núcleos escolares e resiliência comunitária que terão a missão de garantir um ambiente escolar seguro e saudável.

O bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique diz que a decisão do parlamento de não discutir e aprovar as novas leis da Polícia foi sábia e democrática. Carlos Martins alerta para pressões que possam surgir.

No mês passado, o parlamento retirou do debate a revisão das leis da Polícia e do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) sem explicações sobre a decisão. Passados mais de 30 dias, o bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique, Carlos Martins,  diz que as leis são um atentado à democracia e aos direitos fundamentais. 

“A recente proposta da Lei da Polícia, que o parlamento sabiamente não aceitou discutir e, por consequência, aprovar, é um exemplo paradigmático do que invocamos. Era um autêntico perigo à democracia e aos direitos fundamentais, pois não se pode retirar as diretrizes de independência e ponderação que uma investigação e processo acusatório exigem”, disse. 

Carlos Martins alertou ainda que quando a justiça se distancia dos seus princípios fundamentais, toda a sociedade perde, pois “a garantia de um processo justo e equilibrado dificilmente será sindicado, nem pelos tribunais”.

Para Martins é preciso respeitar os poderes normativos de cada um dos órgãos de soberania, porque do contrário será um retrocesso democrático. 

Carlos Martins falava na abertura da IV Conferência dos Advogados. 

 

+ LIDAS

Siga nos

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE