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O País – A verdade como notícia

A única sobrevivente que estava no carro de Elvino Dias, na passada sexta-feira, diz que não conhecia os malogrados. Segundo disse, esta quarta-feira, entrou no carro porque pediu boleia e não viu os rostos dos atiradores. Adácia Macuácua falava hoje, durante uma visita feita a si pelo Presidente da República.

Adácia Macuácua trabalha no Mercado 4 de Outubro, mais conhecido por Pulmão da Malhangalene, e conta que não conhecia nem Elvino Dias e nem Paulo Guambe, mas quis o destino que, naquele dia, estivesse no carro errado, na hora errada e com pessoas erradas.

“Pediram boleia para mim, com uma colega, porque saí tarde, às 23 horas. Eu estava à espera do meu marido, mas ele demorou chegar. Pediram boleia e ele (Elvino) disse que vai até Magoanine. Ele disse que ia me deixar em Magoanine e entrei”.

Antes de entrar, o que não sabia é que aquela boleia custaria-lhe tiros na cabeça e nos membros superiores.

Segundo contou, naquela noite, ela “já queria ir para casa porque a minha filha não estava bem”.

Adácia Macuácua fez estas revelações durante uma visita feita a si, pelo Presidente da República, no Hospital Central de Maputo, onde disse que não se recorda do que aconteceu no factídico momento.

“Eu vinha mais para lhe ver, desejar rápidas melhoras. Estamos todos solidários para contigo, incluindo aqueles que nos deixaram”, disse Nyusi, acrescentando que as autoridades de tudo estão a fazer para esclarecer o caso.

Os médicos asseguram que o estado de saúde da paciente é estável e que a mesma terá alta nos próximos dias.

 

Um cidadão moçambicano, de 47 anos de idade, foi detido pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), em conexão com a tentativa frustrada de rapto de um empresário, há duas semanas, na baixa da Cidade de Maputo. O indiciado aceita que forneceu uma falsa chapa de matrícula usada na viatura do crime, mas não assume o seu envolvimento no caso.

Trata-se do crime contra o empresário raptado e abandonado na via pública pelos criminosos, há duas semanas, na baixa da cidade.
O Serviço Nacional de Investigação Criminal diz que o indiciado foi responsável pela emissão de uma chapa de matrícula falsa usada na viatura envolvida no crime.

“Até agora, quanto a este caso do rapto frustrado que referenciamos, temos apenas este detido, que foi responsável pela identificação da matrícula, matrícula essa que é preciso de referir que não é pertencente ou não é do registo daquela viatura, é de uma outra viatura. Primeiro, eles fizeram o trabalho de identificar uma matrícula que pudessem usar nesta viatura e depois criar condições ou artifícios fraudulentos para poder produzir essa chapa de inscrição e colar naquela viatura para a execução do rapto. Até agora, temos este indivíduo detido e, por via deste indivíduo, conseguimos ter informações de outros indivíduos que, a qualquer momento, poderão ser capturados pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal”, apontou Hilário Lole, porta-voz do SERNIC na Cidade de Maputo.

Hilário Lole diz que o crime foi preparado com antecedência e, provavelmente, não seria o único a ser executado.

“Este processo que eles tiveram para até conseguirem ter aquela chapa de inscrição, assim como outras chapas de inscrição que foram encontradas naquela mesma viatura, que acreditamos nós que seriam usadas para outras ocasiões, já vinham correndo diligências desde o mês de Agosto até à data dos factos. Eles tiveram um tempo de preparo para conseguir ter as chapas de matrícula, a aquisição da viatura e outros recursos para poder efectivar o rapto”, disse Lole.

O indiciado assume que produziu a placa de matrícula por se tratar do seu trabalho há mais de 25 anos, mas recusa qualquer envolvimento no crime.

“Alguém me ligou e pediu para fazer as chapas de matrícula e eu fiz e fui-lhe entregar, no dia 12 de Outubro, e, no dia 16 de Outubro, vieram-me buscar, pelo SERNIC, e disseram que eu fiz as chapas para ele. Eu, de facto, não neguei. Ele mandou uma letra e disse que me mandaria o documento logo de seguida. Confiei e depois pedi a alguém para fazer as chapas. Eu não sei nada disso. Eu, verdadeiramente falando, não sei nada disso”, sacudiu o capote o indiciado.

Já o SERNIC não tem dúvidas de que este cidadão é culpado e que cumpriu ordens de um cadastrado que está em parte incerta.
O SERNIC garante que está a trabalhar para esclarecer este e mais outros crimes de rapto que assolam a Cidade de Maputo.

Realizaram-se, hoje, os velórios de Paulo Guambe e Elvino Dias, na Cidade de Maputo. O mandatário nacional do PODEMOS, Paulo Guambe, foi velado na capela do Hospital Central de Maputo, onde amigos e familiares prestaram as suas homenagens, recordando os seus feitos. Já o velório do advogado Elvino Dias foi realizado na Igreja Nossa Senhora do Rosário, no Bairro Laulane.

Durante as cerimónias fúnebres, calaram-se as vozes e apagaram-se os sorrisos no rosto de familiares, amigos, colegas e admiradores. Nos dois locais do adeus, a tristeza confirmou a dor da perda de Paulo Guambe e Elvino Dias.

Porque Paulo Guambe foi assassindo quando exercia o cargo de mandatário do PODEMOS, e Elvino Dias, de represetante legal do candidato presidencial Venâncio Mondlane, o Presidente do partido daquele disse que a duas mortes não deverão ser em vão. Albino Forquilha, mais uma vez, pelou à polícia para esclarecer rapidamente o assassinato de Paulo Guambe e Elvino Dias.

O enterro de Elvino Dias foi também realizado em Maputo, no Cemitério de Michafutene. Quanto a Paulo Guambe, o seu corpo será transladado para o Distrito de Jangamo, Província de Inhambane, onde será sepultado, já na quarta-feira da próxima semana.

Quatro dias depois da morte de Elvino Dias e Paulo Guambe, o Presidente da República reagiu e repudiou os assassinatos, exigindo que as instituições competentes esclareçam o ocorrido. 

Filipe Nyusi disse, há instantes, que ninguém tem o direito de tirar a vida de outrem independentemente das razões.

O chefe de Estado e do Governo manifestou a sua solidariedade para  com as famílias enlutadas e endereçou  rápidas melhoras a Adassa Macuacua, mulher que foi igualmente baleada com Evino e Paulo.

Em relação às manifestações, Nyusi, a semelhança do que disse o porta-voz do Conselho de Ministros, ontem, disse que foi ilegal. 

“Os moçambicanos têm o direito à manifestação e liberdade de expressão, mas esta tem que ser feita em observação a lei”, disse Nyusi, que depois apelou para que os líderes políticos sejam o exemplo.

“É responsabilidade dos líderes políticos ou todos aqueles que querem dirigir o país dar exemplo”, disse. 

De acordo com Filipe Nyusi, os contornos causaram ferimentos aos agentes da polícia e dezenas de cidadãos que foram levados aos hospitais para receberem cuidados médicos.

Face à tensão política que se verifica no país, o Presidente da República apelou para que todos ficassem calmos e serenos, uma vez que “o processo eleitoral ainda está em curso e decorre em simultâneo a parte executiva e judicial”.

“Estou a receber chamadas de amigos e empresários. Inquieta saber que no dia 24 e 25 voltaremos a manifestação”, disse Nyusi manifestado preocupação em relação a manifestação marcada pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane para dos dias 24 e 25 deste mês.

A SADC exorta as autoridades moçambicanas a trabalharem de forma afincada, para o esclarecimento do crime que levou à morte Elvino Dias e Paulo Guambe, assassinados a tiros na madrugada de sábado. 

Em uma carta assinada pela Estadista Tanzaniana, Samia Suluhu, na qualidade de presidente do órgão, para defesa e cooperação em materiais de segurança,  o colectivo dos países da região Austral de África exigiu da Polícia da República de Moçambique (PRM) uma investigação apurada e esclarecimento do crime bárbaro contra Elvino Dias e Paulo Guambe, mortos a tiros na madrugada do último sábado.

“Na sequência do infeliz incidente da morte do Sr. Paulo Guambe, representante do partido político PODEMOS, e do Sr. Elvino Dias, advogado do partido, a 19 de outubro de 2024, a SADC apela às autoridades policiais da República de Moçambique para que tomem todas as medidas necessárias, para garantir a realização de uma investigação”, lê-se no documento.

Ademais, a SADC pede calma e contenção a população Moçambicana, para que as investigações ocorram sem sobressaltos.

“Apelamos também a todas as partes interessadas para que usem de contenção, enquanto as autoridades competentes efectuam as investigações”, apela a líder em nota pública também  partilhada em uma rede social da organização.

Face às manifestações registadas na segunda-feira em todo o país, o colectivo dos 16, entende que a população e os candidatos devem esperar o pronunciamento oficial dos órgãos eleitorais e evitar quaisquer desordem.

“A SADC observou que, de um modo geral, as eleições na República de Moçambique decorreram de forma pacífica. É este espírito que a SADC insta todos os intervenientes a manterem no período antes e depois do anúncio oficial dos resultados eleitorais. Como tal, apelamos a todos os intervenientes para que garantam que a paz e a estabilidade em Moçambique continuem a prevalecer”, adverte.

Não obstante a isto, a SADC caracteriza como pacíficas e ordeiras as sétimas eleições gerais realizadas no último dia 9 de Outubro.

 

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) garante que já estão a ser feitas as auscultações dos indivíduos que estiveram no local do crime e que tiveram algum contacto com Elvino Dias e Paulo Guambe antes do assassinato. O porta-voz do SERNIC, Hilário Lole, disse ainda que todas as evidências do crime foram recolhidas por agentes do SERNIC.  

Em conferência de imprensa, o porta-voz do SERNIC diz que não são verdadeiras as informações que circulam nas redes sociais sobre a má gestão do local da ocorrência do crime, por parte da polícia. 

 “Isto só para elucidar algumas opiniões que circulam nas redes sociais e em algumas imprensas de que houve má gestão do local de facto. De que houve recolha por parte de indivíduos, que não fazem parte da gestão do local de crime, que recolheram alguns invólucros ou outros instrumentos que pudessem servir como vestígios daquele facto criminal, não constitui a verdade”, esclareceu

Hilário Lole afirmou que todos os vestígios e materiais que estavam no veículo e em volta do local de crime foram recolhidos pelo SERNIC. Além disso, Lole avançou que foi feito um trabalho de auscultação de indivíduos que presenciaram os factos e de outros que tiveram contacto com as vítimas, antes da ocorrência do crime. 

“Estão sendo feitos trabalhos de inteligência, junto com os vestígios encontrados naquele local e também estão a ser feitas  buscas, naquilo que são as câmeras de vigilância, em alguns locais daquele ponto, que pudessem dar uma visualização conducente”, disse o porta-voz. 

 

As manifestações desta segunda-feira, no país, e que culminou com confrontos entre populares e a polícia, foi vista em quase todo o mundo. O destaque na imprensa internacional é a forma agressiva como a polícia abordou os manifestantes

Após a repercursão da noticia do assassinato a tiros de Elvino Dias e Paulo Guambe, sexta-feira, Moçambique voltou a chamar atenção do mundo, só que, desta vez, devido à repercussão da manifestação pública ocorrida segunda-feira.

A acção do público e a forma como a polícia dispersou os manifestantes, foi assunto na imprensa internacional e mereceu debate em alguns programas televisivos além-fronteiras. Por exemplo, a CNN Portugal, destacou: “Violência marca período pós-eleitoral em Moçambique. Candidato da oposição teve de fugir de disparos”.

A imprensa alemã, a DW, também noticiou a manifestação de Maputo. “A Polícia carrega sobre manifestantes no centro de Maputo”. Esta foi a manchete da agência Lusa, que destacou ainda a agressão à imprensa por parte da polícia.

A Euronews também destacou as incidências da manifestação em Moçambique, cuja tónica foi a capital do país. “Manifestantes e polícia em confrontos durante o protesto em Maputo”, escreve.

A actuação da polícia foi também notícia no Canadá. A televisão local, “CP 24”, noticiou o drama vivido em Maputo, tendo levando o assunto a breve análise.

A “Al Jazeera” dedicou uma reportagem de quase dois minutos a descrever o terror vivido nas ruas de Maputo.

Não era para menos, a comunidade francesa também recebeu incidências de Maputo. A “France 24” descreveu o choque entre a população e a Polícia da República de Moçambique.

 

No Centro de Apoio à Velhice no Distrito de Chongoene, Provincia de Gaza, cerca de 27 idosos passam fome. A direcção da instituição reconhece crise, mas alega falta de dinheiro para normalizar a situação.

Figura no topo das inquietações apresentadas, nesta terça-feira, pelos idosos do Centro de Apoio à Velhice em Chongoene, a falta de alimentos.

As chamadas “bibliotecas vivas” abriram-se para exigir do governo, uma intervenção urgente, para melhoria, entre outros, da assistência médica.

A Direcção do Centro reconhece a crise institucional. Maria Fiela Boa revelou que o incumprimento resulta da falta de recursos financeiros, mas, garantiu trabalhos coordenados em curso em vias de assegurar o básico.

 

 

Muitas ruas e avenidas da Cidade de Maputo estiveram bloqueadas nas primeiras horas desta terça-feira, após os tumultos resultantes da greve geral convocada por Venâncio Mondlane. A polícia e agentes de limpeza do Município de Maputo tiveram de remover, hoje, as barricadas e os pneus queimados, para permitir a circulação normal de pessoas e viaturas.

Depois da Avenida Joaquim Chissano, que foi o epicentro dos tumultos de segunda-feira, os bairros de Maxaquene e Polana Caniço, na Cidade de Maputo, é que mais casos de bloqueio de ruas e queima de pneus registaram e, quase 24 horas depois, os rastos continuavam evidentes. Viam-se pedras de todo o tipo e tamanho usadas para bloquear as vias, estilhaços de vidro e ainda o pavê pintado de preto em quase toda a extensão das avenidas Vladimir Lenine, Milagre Mabote e um pouco em Acordos de Lusaka. Foi um cenário assustador, referiu um munícipe.

A polícia foi mobilizada para desbloquear as vias e, no interior dos bairros, o cenário não era diferente.

Há, nos bairros de Maxaquene e Polana Caniço, ruas que estiveram intransitáveis durante toda a segunda-feira. Isso obrigou a edilidade a mobilizar equipas, logo nas primeiras horas de terça-feira, para remover o que resultou da fúria popular.

Em algumas ruas, o congestionamento era inevitável. Maria Nhaca, administradora do distrito KaMaxaquene, diz que os tumultos não causaram a destruição de bens públicos.

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