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O País – A verdade como notícia

Morreu, na segunda-feira, o antigo Juiz Conselheiro do Conselho Constitucional, Orlando António da Graça, aos 82 anos de idade.  A informação foi tornada pública em uma nota de condolências do Conselho Constitucional. 

Orlando António da Graça nasceu em Quelimane, Província da Zambézia, a 14 de Maio de 1942. É formado em Direito pela Universidade Eduardo Mondlane e iniciou as suas funções no Conselho Constitucional no dia 3 de Novembro de 2003, até 20 de Agosto de 2014, tendo terminado dois mandatos.

Além de ter sido advogado, foi Deputado e Membro da Comissão Permanente da Assembleia da República, de 1994 até 1998. Foi também jurista na Direcção Nacional de Impostos e Auditoria, coordenando a Revista Fiscal, da qual foi Director (1989 a 1992).

 

Seis pessoas morreram e outras cinco ficaram gravemente feridas num acidente de viação que ocorreu na noite de domingo, na cidade da Matola. Testemunhas apontam o consumo de álcool e o excesso de velocidade como as causas do sinistro.

A noite de domingo foi trágica na cidade da Matola. Um acidente de viação matou e feriu pessoas no bairro Matola “A”, na paragem conhecida como BIC.

O sinistro resultou do embate entre duas viaturas, que faziam o sentido Cidade de Maputo-Cidade da Matola, e uma delas despistou-se, tendo colhido de surpresa as pessoas que se encontravam a vender e à espera de transporte público.

Com um profundo suspiro, voz trémula e ainda em choque, Celeste António descreve o que viu no local do acidente.

“Eu estava sentada na minha banca a conversar com o meu filho mais velho e vimos dois carros a virem em alta velocidade e colidiram. Um deles perdeu a direcção e, na paragem, havia dois vendedores. As outras pessoas, que ficaram feridas, estavam a caminho da paragem e a acompanharem-se”, contou Celeste António, uma das vendedeiras que escapou do acidente.

Depois disso, ela só viu pessoas estateladas no chão, algumas mortas e outras feridas. Celeste escapou por um golpe de sorte. “Depois de verem o carro a seguir para a direcção de onde eu estava sentada, algumas pessoas tentaram fugir para salvarem as suas vidas, mas morreram. O facto mesmo é que o carro perdeu a direcção e, pelo que vi, eram 11 pessoas”, revelou Celeste António.

Quem também escapou por um golpe de sorte foi uma adolescente que fala na condição de anonimato. “De repente, ouvi barulho de carro quando quer travar e, quando olho para frente, só vejo pessoas a correrem. Eu levantei e comecei a correr, também, e caí no chão. Quando me levanto, vejo pessoas ao redor. Vi muitas pessoas caídas e feridas. Tentam levantar uma senhora e a perna dela caiu. Muita gente estava gravemente ferida”, narrou a adolescente.

Segundo testemunhas no local do acidente, houve mais mortes porque o socorro chegou tarde. “Nós tentamos ligar para as linhas de apoio, mas não houve sucesso. Quando pensamos em ligar para TRAC, atendeu a nossa ligação e trouxe-nos uma ambulância, mas era pequena para o número de feridos. Conseguiram levar os que estavam gravemente feridos. Depois, chegaram carros da polícia e levaram as outras pessoas, mas muita gente morreu porque não houve socorro”, observou Edilson, testemunha no local do acidente.

Presume-se que o consumo de álcool e excesso de velocidade estejam na origem do acidente.

“Houve um despiste, porque o carro estava em alta velocidade. Tudo dava a entender que os jovens estavam sob efeito de álcool. Tinham garrafas de cerveja no carro. A viatura tentou evitar o embate, mas falhou e deu umas reviradas e foi parar numa árvore”, referiu Arnaldo Mathe, também testemunha.

No local, há uma placa que proíbe a venda e nunca fez muito sentido como agora.

“Vamos tentar encaixar-nos noutro lado. O acidente que aconteceu foi muito grave. Nós perdemos os nossos produtos. Já não temos nada. Ainda não sabemos quando é que voltaremos”, avançou uma vendedeira.

As vítimas do acidente de viação deram entrada no Hospital Provincial da Matola.

“Foram, no total, 11 pacientes, dentre os quais, há seis óbitos. Três óbitos foram extra-hospitalares e três foram intra-hospitalares, pelo seu estado de gravidade. Foi feita a tentativa de reanimação e todas as medidas estavam ao nosso alcance, mas sem sucesso. Temos três internamentos no Hospital Provincial da Matola e duas transferências para o Hospital Central de Maputo”, revelou Vinício Muchave, médico do Hospital Provincial da Matola.

O jornal O País sabe que o condutor da viatura causadora do acidente é um jovem de 20 anos de idade, que fugiu, depois do ocorrido, sem prestar socorro às vítimas.

O comandante-geral da PRM justifica que a Polícia não se organiza em associações e, por isso, considera a AMOPAIP ilegal.

Silêncio total! Buzinas e caravanas pararam, o país está em pausa e reflete sobre em quem vai confiar o voto no dia 9, cada vez mais próximo. A Polícia deverá garantir segurança e proteção neste dia importante. Este era o tema central da formatura da Unidade de Intervenção Rápida, que o Comandante-Geral da PRM dirigiu, na manhã desta segunda-feira, na capital do país. Mas, no discurso de Bernardino Rafael, fez entender que não reconhece a Associação Moçambicana dos Polícias, (AMOPAIP).

“Nós não estamos organizados em associações, aliás, as Forças de Defesa e Segurança são proibidas, constitucionalmente, de se organizar em associações. Aquela Associação não representa a Polícia. A Polícia não se organiza em associações”, afirmou.

O Comandante-geral da PRM acrescentou, na sequência, que considera também, fora da lei, que a AMOPAIP use símbolos da Polícia.

“Não é quando ser expulso, ou quando ser exonerado, ficar descontente e criar associações(…) Usar emblemas da Polícia é ilegal, porque a Polícia usa emblemas dentro da farda. Não é pegar coletes ou qualquer coisa e timbrar cores da Polícia”, concluiu Bernardino Rafael.

Na formatura geral desta segunda-feira, Bernardino Rafael deixou instruções sobre a protecção e garantia da ordem pública no dia de votação e fez saber que “haverá réplica das formaturas de desdobramentos dos efectivos para as mesas de votação”.

Uma mulher está detida, acusada de tentar vender os próprios filhos, na cidade de Tete. As duas crianças seriam vendidas por um milhão de Meticais.

A acusada tem trinta e seis anos de idade e foi detida na semana passada, através de uma denúncia, quando, supostamente, pretendia negociar a venda dos menores. No entanto, a indiciada nega as acusações e alega que era apenas uma brincadeira.

O irmão da indiciada disse estar preocupado com a atitude da irmã e alega que a mesma nunca demonstrou comportamento desviante. “Esse tipo de negócio, ela nunca fez, mesmo lá na zona onde ela vivia. É uma senhora que está a sofrer e não tem nada, mas nunca fez isso”, afirmou.

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) em Tete diz não haver dúvidas de que a mãe pretendia vender as duas crianças.

“Segundo ela, estava a sofrer, por causa da extrema pobreza que a assola. Uma vez conseguido este negócio de vender os seus filhos, poderia melhorar as suas condições de vida. Depois desta informação, o SERNIC accionou as suas linhas operativas, o que culminou com esta detenção, em flagrante e delito”, disse Celina Roque, porta-voz do SERNIC em Tete.

Celina Roque acrescentou que o SERNIC está a trabalhar para localizar o suposto comprador e outros integrantes envolvidos na negociação.

Ainda nesta segunda-feira, o SERNIC apresentou agentes de uma empresa de segurança privada, acusados de roubar uma viatura da mineradora Vulcan. A viatura já foi localizada e entregue à empresa.

Um casal está detido pelo assassinato de uma menor de um ano e três meses, no distrito de Nhamatanda, em Sofala. Os acusados são a mãe e o padrasto da menor, que, com recurso a uma corda, teriam enforcado e extraído a pele e as unhas da criança.

“Com recurso a uma corda, estes dois senhores que estão aqui apresentados asfixiaram e, a posterior, começaram, com um objecto não identificado, a retirar parte do corpo desta menor. De forma detalhada, eles começaram a retirar as suas unhas e a retirar a sua pele”, disse o porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Sofala, Dércio Chacate.

Depois de cometer o crime, segundo a polícia, o casal que vive junto há apenas três meses tentou ocultar o cadáver da criança no meio do mato, entretanto a comunidade local descobriu e denunciou à polícia.

Dércio Chacate disse, ainda, que há indícios de se tratar de um caso de tráfico de órgãos humanos, e, no momento, está em andamento o processo de averiguação.

“Por esta altura, os nossos órgãos e oficiais desdobram-se para aferir para onde estas unhas e esta parte da pele deveria ser comercializada. Daquilo que foi a interacção preliminar que tivemos com estes dois indivíduos, observa-se de antemão que o móbil do crime haveria de ser o enriquecimento indevido”, explicou o porta-voz da Polícia.

A mãe da vítima acusou o marido, dizendo que foi ele quem planificou tudo e quem conhecia o comprador. “Eu não teria coragem para matar a minha filha. Foi o meu marido que a matou e depois tirou as unhas nas duas mãos e a pele da mão esquerda”, disse.

O marido, por sua vez, nega que tenha participado no crime, e diz que encontrou a rapariga já morta, quando regressou do serviço.

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) está em diligências para encontrar o presumível comprador dos órgãos humanos.

O presidente da Comunidade Islâmica de Moçambique diz que não há terrorismo em Cabo Delgado, mas há, na verdade, interesses comerciais. Para Abdul Rashid, a instabilidade naquela província deve-se ao facto da população nativa não ter sido directamente envolvida nos grandes projectos de exploração dos recursos. 

Já passam sete anos desde o início do terrorismo em Cabo Delgado. Falando ao Jornal o País, Abdul Rashid disse que falta boa vontade dos governantes e dos dirigentes, visto que não há nenhum terrorismo em Cabo Delgado. 

“Praticamente ali há algumas oportunidades, alguns interesses pessoais e comerciais. A nossa juventude está desamparada, e a juventude desamparada, sem educação, sem saúde e sem oferta de um emprego, é motivada, é cativada por alguns interesses externos, através de algum dinheiro ou oferta”, explicou. 

Quanto ao facto de já existirem supostos líderes do terrorism já conhecidos, o presidente da Comunidade Islâmica de Moçambique  respondeu: “não sei se estes terroristas são terroristas mesmo, ou são agentes de algum consórcio ou de algumas empresas multinacionais. Eles fazem-se de terroristas só para distrair o povo moçambicano. Houve uma altura em que se dizia que os muçulmanos é que estavam envolvidos e provou-se que não era isso. E nós, a comunidade, estivemos em Cabo Delgado para ajudar e vimos que afinal de contas são pessoas que estão a ser financiadas para fazer esse trabalho”. 

Para Abdul Rashid, o grande problema é que Moçambique permitiu que os estrangeiros explorassem as terras sem vantagens para, pelo menos, a população local. 

Luísa Marufo, docente universitária, por sua vez, diz que, uma vez que já se conhecem os nomes de alguns líderes do terrorismo, o Governo deveria optar pelo diálogo para resolver a situação. Marrufo defendeu também a capacitação das Forças de Defesa e Segurança e apetrechamento em meios de trabalho. 

As declarações foram feitas durante a celebração do dia da paz, uma cerimónia orientada pela SE de Sofala

O General na reserva, António Hama Thai, diz que o terrorismo em Cabo Delgado não é uma situação definitiva e com mais esforço é possível promover o desenvolvimento daquela província. Bernardino Rafael, por sua vez, apela à união de todos os Moçambicanos para que se alcance a paz.

Falando à margem das celebrações dos 32 anos da assinatura dos acordos gerais de paz, António Hama Thai disse que é preciso que haja mais esforço para travar a situação em Cabo Delgado. “A situação em Cabo Delgado não é definitiva, para ser modo de vida dos moçambicanos, é uma situação que, com um pouco de atenção e esforço, é possível aquietar e promover o desenvolvimento da província em todo o território nacional”.

Hama Thai felicitou ainda aos moçambicanos, dizendo que foram altamente competentes em reconhecer o sofrimento dos moçambicanos.

“Significa que os moçambicanos foram altamente competentes, no sentido de que compreenderam a difícil situação que o povo vivia, e as partes decidiram que era possível uma reconciliação, era possível o entendimento, que culminasse com a paz. O que é importante é a preservação da paz e fundamentalmente a promoção do desenvolvimento para que o povo moçambicano alcance os desideratos mais altos do bem estar, isso é que pode trazer cada vez mais estabilidade ao país”, disse Hama Thai.

O comandante Geral da Polícia, Bernardino Rafael, por sua vez, diz que os 32 anos de celebração dos Acordos Gerais de Paz significam estabilidade e bem estar de todos os moçambicanos, apesar das diferenças, pois há muita coisa conquistada.

Para que os ganhos de 4 de Outubro não sejam perdidos, Bernardino Rafael apela que haja união de todos os moçambicanos. “Nós temos que estar unidos, a união faz a força. Primeiro é pensar na união dos moçambicanos, é essa união dos moçambicanos que vai marcando a diferença, para ganharmos cada vez mais e consolidarmos as conquistas”.

O Arcebispo de Maputo diz que a paz em Moçambique é bastante frágil e precisa de ser constantemente cultivada, através da reconciliação e aceitação das diferenças. Dom João Carlos falava, hoje, em Maputo, num encontro inter-religioso, que visava orar pela paz em Moçambique.

A celebração dos 32 anos de paz em Moçambique reuniu, esta sexta-feira, em Maputo, várias confissões religiosas para orar pelo bem-estar do povo. O Arcebispo de Maputo, Dom João Carlos vê uma paz constantemente beliscada e que precisa de ser protegida.

“No nosso país enfrentamos nossos próprios desafios da paz. Além disso, a nossa história recente nos mostra que a paz é frágil e deve ser constantemente cultivada e protegida. Imaginar a paz é um exercício de esperança e de fé. Devemos visualizar um mundo, um país, onde a dignidade humana é respeitada, onde as diferenças são celebradas e onde a justiça prevalece”, apontou o Arcebispo de Maputo, Dom João Carlos.

O conflito em Cabo Delgado está entre os problemas que mancham a paz. Para a comunidade mahometana, a união de todos moçambicanos pode ser um caminho ideal para resgatar a tranquilidade.

“No nosso país, em Cabo Delgado, enfrentamos o desafio de violência onde famílias e comunidades são forçadas a abandonar suas casas. O nosso querido amado profeta disse para nós que nenhum de vós é verdadeiramente crente até que deseje para o seu próximo aquilo que deseja para si mesmo. Devemos nos unir como um só corpo para apoiar as vítimas de violência e restaurar a paz e a dignidade das pessoas afectadas.”

A paz não é um princípio apenas dos cristãos, mas de todas as religiões, por isso, Nuro Tuque, da Comunidade Mahometana diz, “o Islam nos encoraja a buscar soluções baseadas no diálogo e na mediação. A paz não é algo que vem do alto, mas deve ser trabalhada e cultivada entre todos nós” exortou.

Na mesma perspectiva de preservar a paz, a comunidade Hindu recomenda que cada moçambicano colabore com o amor ao próximo.

“Pôr de lado o que divide e procurar o que nos une. Que do 4 de outubro, venha uma lição sempre actual de continuar a aplicar e fazer render o empenho de todos. A paz deve ser construída na atitude de cada um. É no individual que começa a paz coletiva e efectiva. Que a paz e a harmonia estejam no coração de cada um de nós” disse Samuel Levy, em representação a comunidade hindu.

O encontro inter-religioso organizado pela comunidade de Santo Egídio de Moçambique, esteve subordinado ao “lema: imaginar a paz”.

Manuel de Araújo abandonou a Praça dos Heróis, em Quelimane, durante o discurso da Secretária de Estado, alusivo às comemorações dos 32 anos da assinatura dos Acordos Gerais de Paz. A atitude foi motivada pela exclusão do edil no programa das festividades.

A cerimónia que marca os 32 anos do AGP na cidade de Quelimane “tinha tudo para dar certo”, já lá estavam reunidos na Praça da Paz, partidos políticos, religiosos, Forças de Defesa e Segurança, governantes e a população que afluiu massivamente para assinalar a data.

Chegados à fase dos discursos, foi apenas, anunciada, Cristina Mafumo, Secretária de Estado, para tomar a palavra. Desagradado, o edil de Quelimane tomou a decisão de abandonar o local e saiu acompanhado com em sua marcha com os membros e simpatizantes, também, da Frelimo.

“Paz significa inclusão. Quando não há inclusão não há paz. O programa de hoje não tinha nenhuma referência a aqueles que dirigem a cidade de Quelimane. Que fiquem com a cerimônia deles e nós vamos fazer a nossa”, disse Araújo.

Em seu discurso, Cristina Mafumo apelou respeito e tolerância entre os moçambicanos. “Precisamos continuar a construir uma sociedade onde o homem prevaleça, onde haja respeito, onde há sentimento de solidariedade. Não podemos promover a intolerancia”.

Com o encerramento do discurso da Secretária de Estado, encerrou-se igualmente a cerimónia.

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