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O País – A verdade como notícia

O livro escolar para o próximo lectivo poderá ser produzido em Moçambique, segundo o primeiro-ministro, Adriano Maleiane, que explicou ao O País que esta poderá ser uma forma de evitar os constrangimentos vividos este ano e melhorar a qualidade na produção.

Adriano Maleiane falou ao “O País” após ser questionado sobre o estágio do processo de produção do livro escolar para 2025. O governante começou por explicar que o país está num processo de transição: a produção do livro deixar de ser feita no exterior e passará a ser feita aqui e porque “o processo não é linear, foi registrado o atraso”.

Maleiane faz esses pronunciamentos, numa altura em que há um mês para o fim do ano lectivo, ainda existem alunos sem o livro escolar de distribuição gratuita.

O governante, garantiu, entretanto, que tudo está a ser feito para melhorar a produção do livro escolar e a solução passa por produzir o livro internamente, o que pode acontecer a partir do próximo ano.

“Já temos uma capacidade para produção, já temos as impressoras com capacidade para produzir, porque é muito livro, a gente não foi sempre para fora por questões de gosto é que realmente a capacidade instalada ainda não tínhamos para produzir tanto livro”, explicou.

Outro motivo que Maleiane levantou é o facto de o livro, ter sido, por muito tempo, produzido devido ao apoio externo, por isso, falou da necessidade de ser o país a produzir com seus fundos, sem depender de parceiros.

O Primeiro-Ministro disse que a ideia não é recusar o apoio que possa vir, mas é preciso garantir que 100 por cento do orçamento para a produção do livro escolar seja do Estado. Isso, no entender do Governante, vai garantir qualidade dos próprios manuais.

Falta do livro escolar, turmas numerosas, dívidas de horas extras e baixos salários, estão entre as principais reclamações dos professores, neste dia em que a classe celebra o 12 de Outubro.

As lamentações da classe foram feitas na Praça dos Herois em Maputo, após a deposição de coroa de flores.

Segundo os professores, a classe até passa por uma boa formação, mas faltam condições para melhor transmitir conhecimento e isso vai afectar negativamente a qualidade de ensino.

“Hoje, por exemplo, estamos quase no fim do ano e estamos a trabalhar sem o livro escolar, sem esses materiais é difícil ter os resultados desejados. Eu dou a terceira-classe na Escola Primária do Alto-maé e não temos livros ainda, só estamos a trabalhar, só”, lamentou, a professora Ester José.

A preocupação é multiplicada por tantos outros professores, mas há outras preocupações, que afectam também, que lecciona no ensino secundário. A falta de laboratórios equipados e bibliotecas.

O Secretário-Geral da Organização Nacional dos Professores (ONP) Teodoro Muidumbe, disse que a classe, sonha com dias em que as suas condições de trabalho serão melhoradas, que os professores terão melhor integração nas carreiras profissionais e melhores salários.

“Esta profissionalização que a política do professor apregoa deve ser implementada, mas também já estão a passar cinco anos desde que a ONP se transformou de Organização para Sindicato mas o governo ainda não reconheceu esse sindicalização embora exista a lei e ainda não temos nenhuma explicação, mesmo com o diálogo permanente que temos tido”, lamentou.

Outra reclamação, tem que ver com as horas extras, que levou centenas de professores a entrarem em greve, por conta das dívidas que o governo tem para com eles. Muidumbe disse que o governo não se abre para fornecer os dados e dar informações em torno do assunto.

O governo que lá esteve, representado pelo Vice-ministro da Educação e Desenvolvimento Humano, Manuel Bazo, reconheceu que parte dos problemas, como as horas extras, só pode ser resolvida com a redução do rácio aluno-professor, que, neste momento, a média é de 65 alunos por professor.
“Esta situação resolve-se gradual e progressivamente, isto implica a construção de mais salas de aulas, formação e admissão de mais professores e o incremento da quantidade de material escolar”.

O vice – ministro garante que o pagamento das horas extras em dívida ainda está em curso e garante que todas as dívidas serão pagas.

Mesmo com dificuldades a classe garante de tudo fazer para ensinar seus alunos e é gratificante ser professor e não há dinheiro que pague, por isso, pedem que sejam reconhecidos.

Um cidadão de origem asiática foi raptado, na manhã de hoje, na rua Joe Slovo, na Baixa da Cidade, por indivíduos armados, segundo relato de testemunhas. O porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) na cidade de Maputo avançou que os raptores abandonaram o carro com a vítima, após serem encurralados pelos agentes da PRM e, neste momento, está em curso o trabalho de buscas. 

“Tivemos uma situação de rapto, por volta das oito horas, de um empresário moçambicano, de cerca de 50 anos de idade, que foi interceptado justamente quando ia escalar o seu estabelecimento comercial. Depois de atravessar essa avenida, onde teria deixado primeiro a sua viatura, e ao atravessar para aceder a loja a que fiz referência teria sido abordado por, pelo menos, três indivíduos”, disse Leonel Muchina, porta-voz da PRM na Cidade de Maputo. 

Muchina avançou ainda que houve cruzamento de informações entre todas as unidades que fazem fronteira com a cidade de Maputo, o que possibilitou o “plaqueamento” das viaturas que possuíam as descrições do carro dos supostos raptores. “Estes miliantes ao sentirem-se encurralados, já na província de Maputo, na zona de Matola Gare, teriam abandonado a viatura, junto desta vítima”. 

No momento, segundo disse o porta-voz da PRM na cidade de Maputo, estão a decorrer buscas por todo o bairro de Matola Gare, para capturar os bandidos. “A vítima está numa das nossas unidades policiais e goza de boa saúde”, acrescentou.

Um individuo de 24 anos de idade está detido, na segunda Esquadra da Polícia da República de Moçambique (PRM), por porte ilegal de uma arma de fogo, em Xai-Xai, província de Gaza. 

“Este jovem foi detido na posse de uma arma de fogo, quando se encontrava a ingerir bebidas alcoólicas, no bairro Patrice Lumumba. O indiciado alega ter comprado a pistola, na vizinha África do Sul para defesa pessoal”, esclareceu o porta-voz, Júlio Nhamussua.

O indiciado é confesso e, diz ter adquirido a arma de fogo, há cinco anos. “Comprei a arma na África do Sul, no valor de seis mil rands. Nunca cometi crime” 

A polícia avança suspeitas de que a arma apreendida, contendo 6 munições, estivesse a ser usada em diversos assaltos registados na cidade.

“Nos últimos dias, temos registados muitos crimes com recurso a armas de fogo em Xai-Xai, e estamos a fazer um trabalho de base para averiguar se esta terá sido usada para fins obscuros”, finalizou. 

Este é o quarto caso registado, nos últimos nove meses em Gaza.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, exortou, hoje, os moçambicanos a afluírem às urnas nas eleições gerais que se realizam esta quarta-feira, em todo o território nacional.

Nyusi apelou, por outro lado, aos eleitores para pautarem pelo civismo e serem responsáveis durante o acto.

“Exortamos todos os cidadãos eleitores a exercerem o seu direito de voto, afluindo às mesas de votação, criadas para o efeito. As assembleias de voto abrem-se pontualmente às 7 horas e encerram-se às 18 horas no território nacional e às 21 horas na diáspora. Após a votação, os eleitores deverão retirar-se dos locais e aguardar serenamente o decurso da contagem dos votos e anúncio dos resultados preliminares”, apelou Nyusi.

Aos órgãos da administração eleitoral, Filipe Nyusi pediu para que os mesmos assegurem a criação de todas as condições para que o processo decorra da melhor forma.

“Aos órgãos de administração eleitoral, apelamos para a garantia de toda a logística eleitoral, e que o processo seja conduzido com transparência, eficácia e eficiência, para que os resultados sejam a expressão inequívoca da vontade do povo moçambicano.”

Nyusi apelou à Polícia da República de Moçambique para que garanta a ordem e tranquilidade públicas, assegurando, ainda, a protecção dos eleitores e aos órgãos de administração eleitoral. “Aos agentes da Lei e Ordem, recordamos o seu papel fundamental na manutenção da ordem e protecção dos eleitores e dos órgãos de administração eleitoral, encorajando-os a agir dentro dos parâmetros da Lei. A todos intervenientes directos no processo eleitoral, incluindo, os órgãos de comunicação social, organizações da sociedade civil, observadores nacionais e internacionais e a população eleitoral em geral, entre outros, apelamos para uma participação activa, exemplar, íntegra, sempre guiada pelos princípios previstos na Lei, e a pautarem pelo civismo, rumo ao reforço da nossa jovem democracia, da paz, tolerância e convivência pacífica e espirito de reconciliação entre os moçambicanos.”

Foi lançado, esta segunda-feira, o terceiro volume da trilogia “O eco da sua voz”, obra que contém cartas de correspondência entre Eduardo Mondlane e sua esposa, Janet Mondlane, durante os 13 anos de convivência. Na obra, a viúva de Mondlane descreve o marido como um lutador pela causa do seu país e pelo mundo.

Janet Rene Mondlane foi casada com Eduardo Mondlane entre 1956 e 1969 e guarda memórias dos 13 anos de convivência com o arquitecto da unidade nacional e fundador da Frente de Libertação de Moçambique.

Aos 89 anos de idade, Janet Mondlane decidiu voltar a abrir os anais da história familiar e dar a conhecer ao mundo através das cartas de correspondência entre o casal. No terceiro volume da trilogia “O eco da sua voz”, a viúva de Mondlane traz memórias vividas entre 1953 e 1957, com a figura tida como quem detinha perspectiva própria e futurista para o bem dos povos.

“Eduardo Mondlane, com algum punhado de indivíduos que faziam uma guerrilha, tinha a ousadia de querer ter um ponto de vista que fosse próprio. Nós, na maneira como vivemos, como nos relacionamos com as instituições internacionais, com o mundo exterior, parece que nós não temos um ponto de vista nosso. Não temos nenhuma base moçambicana a partir da qual reivindicar o diálogo com os outros. E me parece que esta ousadia, este auge, para dizer em latim, é uma das características mais importantes que a gente pode descelar na Frelimo de então e trazido à volta de Eduardo Mondlane como personalidade”, afirma Severino Ngoenha.

A escritora esteve ausente, porém retratada pelo apresentador da obra na sua locução. O reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Manuel Guilherme, carregava a mensagem da Janet Mondlane.

“Os milagres são acontecimentos que não têm uma explicação lógica. A existência de Mondlane foi um milagre porque, sob o ponto de vista lógico, não se compreende como é que um pequeno rapaz africano, nascido com uma herança de opressão e de pobreza, podia estar tão determinado a ter uma formação académica e, posteriormente, libertar o seu povo ao ponto de dar a sua vida por esse povo”, lê-se em algumas das cartas de correspondência do casal.

Várias figuras acompanharam atentamente a cerimónia.

Para o antigo Presidente da República e presidente honorário da Frelimo, Joaquim Chissano, as memórias de Mondlane inspiram força.
“É um livro que terá que ser lido várias vezes, porque em cada página, em cada carta, encontramos uma história e encontramos uma força”, disse Chissano na saída do local do evento.

Para os filhos, a obra traduz-se numa oportunidade para dar a conhecer ao mundo a história dos seus progenitores. Nyeleti lembra que “Não havia WhatsApp na altura, portanto tivemos a sorte da mamãe Janete ter recolhido e guardado todas as cartas, a maior parte das cartas que trocaram entre si durante o tempo que estiveram nos Estados Unidos da América e além. O que a família regozija-se a dizer neste.”

Na sequência do lançamento das obras, que decorreu na Cidade de Maputo, houve vários painéis de debate sobre a vida e obra do casal Mondlane.

A família Mondlane diz não caber a si fazer quaisquer comentários sobre a estátua requalificada de Eduardo Mondlane. A filha do arquitecto da unidade nacional, Nyeleti Mondlane, diz que a família aguarda o resultado da avaliação técnica que está a ser feita pelo Ministério da Cultura e Turismo.

Requalificada e inaugurada a 25 de Setembro, a nova estátua do arquitecto da unidade nacional tem sido motivo de debate na sociedade, com mais agravante nas redes sociais, onde a qualidade da imagem que retrata Eduardo Mondlane foi bastante contestada, com alegações de que não condiz com a realidade.

O facto levou o Governo, através do Ministério da Cultura e Turismo, a destacar uma equipa técnica para avaliar e emitir parecer sobre as supostas falhas cometidas, entretanto ainda não há datas para o início dos trabalhos.

Esta segunda-feira, o jornal O País questionou a família Mondlane, na pessoa de Nyeleti Mondlane, sobre a interpretação que a mesma faz em torno do referido debate público.

Nyeleti diz que a família não tem nada que comentar, não obstante avança que “temos a certeza absoluta de que Sua Excelência, o Presidente da República, tinha e tem a certeza de que queria edificar uma estátua à maneira, em homenagem a Eduardo Mondlane. Agora, estamos a constatar que a sociedade está dividida. Algumas pessoas estão felizes, outras não. Não cabe à família pronunciar-se sobre isso”.

Apesar da indiferença no debate, a família Mondlane diz estar expectante quanto ao resultado da equipa técnica constituída pelo Ministério da Cultura e Turismo para avaliar o retrato. “Há órgãos de direito que vão… Aliás, ouvimos, acompanhamos que Sua Excelência, a Ministra da Cultura, vai criar uma comissão, e nós vamos aguardar. O povo é que sabe”, disse Janet Mondlane.

Nyeleti Mondlane sabe que a gestão do património cultural, incluindo as estátuas, são pertenças do Estado, mas sem colocar em causa o valor familiar da figura retratada. O jornal O País questionou a terceira filha de Mondlane se o debate incomoda a família.

Numa reacção tímida, Nyeleti afirmou: “É uma pergunta muito difícil de responder. Estamos a falar sobre Eduardo Mondlane hoje. As estátuas, que eu saiba, em qualquer Estado, não são da pertença da família.”

Para além de se apontarem falhas na concepção da imagem real do arquitecto da unidade nacional, outras críticas têm a ver com a má colocação da estátua e o local, que se entende não constituir praça.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê bom tempo em quase todo o país, para o dia 09 de Outubro. Entretanto, há pequena possibilidade de ocorrência de chuviscos ao longo da província de Maputo, Gaza e Inhambane, a sul, e províncias de Cabo Delgado e Niassa, a norte do país.

As temperaturas máximas previstas variam de 28 a 30º C, nas províncias de Maputo, Gaza, Inhambane e Sofala. Para as províncias de Tete, Zambézia, Nampula e Cabo Delgado as máximas previstas são de 28 a 30º.

O INAM continua a monitorar o estado do tempo. Assim, apela-se à população para que continue a acompanhar a informação meteorológica e os avisos difundidos pelas autoridades nacionais competentes.

 

Cinco indivíduos, dos quais duas professoras e três estudantes, estão detidos, na cidade de Xai-Xai, por, alegadamente, terem sequestrado uma menor de 10 anos de idade, à porta da Escola Primária Anexa do Instituto de Formação de Professores Eduardo Mondlane, no posto administrativo de Ndambine 2000, em Gaza.

“Confirmo que foi um sequestro, e a menor foi levada para a zona de Macanwine, na praia. Confesso que não conhecia o local, mas tive orientação da minha irmã para comprar bolachas, sumos e dois pães para alimentar a menor”, explicou um dos detidos.

Entretanto, questionados sobre seu envolvimento no caso, as supostas mandantes optaram pelo silêncio. Em sua defesa, dois dos indiciados disseram estar implicados no crime, sem culpa, e explicam que os seus dados foram usados à revelia, pelos raptores para o registo do contacto usado para exigências dos valores de resgate junto à família da menor.

“Apoderam-se dos meus telefones para falsificar os dados. Quero que elas falem a verdade, porque não as conhecemos nem elas nos conhecem”, terminou o indiciado.

Já o último indiciado, confessou e descreveu o roteiro do crime e, que pelo serviço receberia 50 mil Meticais.

O Serviço Nacional de investigação Criminal (SERNIC) em Gaza esclarece que os raptores exigiram 500 mil Meticais pelo resgate. Zaqueu Mucambe apontou que decorre investigação, para apurar o paradeiro da viatura usada no crime, assim como outros possíveis envolvidos.

“A criança foi resgatada no bairro B Macanwine. Eles teriam arrendado uma casa. É deste local que emitiam pedidos de resgate, no valor de 500 mil Meticais. As mentoras deste crime são professores”, por sinal colegas da mãe da vítima, concluiu o porta-voz.

A menor de 10 anos, raptada no dia 3 de Outubro, em Xai-Xai, já se encontra em convívio familiar e goza de boa saúde.

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