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O País – A verdade como notícia

Dentro de 15 dias, os professores poderão paralisar actividades por incumprimento no pagamento das horas extras. O problema se arrasta a um ano e meio. A ANAPRO diz que o Governo faltou com a verdade ao anunciar que os valores já estavam a cair nas contas.

Duas semanas é tempo dado pelos professores ao Governo para regularizar o pagamento do subsídio de horas extraordinárias referentes aos anos 2022, 2023 e 2024 corrente.

Na Província de Gaza, professores reiteram o desagrado face ao incumprimento de todas as promessas do Executivo e dizem haver inverdades à volta dos pagamentos recentemente efectuados.
A classe ameaça não divulgar as notas do trimestre em curso e inviabilizar a realização dos exames escolares agendados para Novembro.

O Governo, por seu turno, reitera impossibilidade de satisfazer a principal inquietação dos professores, tendo em conta os custos orçamentais envolvidos.

Na Província de Manica, a pobreza tem contribuído para que muitas raparigas se casem precocemente, sujeitando-se à situação de maior vulnerabilidade ao HIV/SIDA. Para travar o fenómeno, o Governo e parceiros estão promover formação vocacional e incentivo ao empreendedorismo para maior independencia financeira das raparigas.

Em Manica, é comum as raparigas casarem-se com homens mais velhos, que têm um risco maior de serem portadores do vírus causador da SIDA.

A falta de poder de decisão dessas meninas nos casamentos torna mais difícil para elas adotarem medidas de prevenção, como o uso de contraceptivos, aumentando assim o risco de contaminação.

Para estancar o problema, a ANDA, através do projecto Chenguetai Wana, adoptou uma estratégia que inclui a formação vocacional e o incentivo ao empreendedorismo, permitindo que as meninas tenham maior independência financeira e possam evitar uniões prematuras.

Na província, há um grupo de raparigas que foram formadas em Culinária, Hortiocultura, Pintura e Colagem de Mosaicos, Ornamentação, Confeitaria e Serralharia Mecânica.

Em paralelo, segundo a Governadora de Manica, há esforços de reabilitação, como a reintegração escolar e o suporte psicossocial para meninas resgatadas de casamentos precoces. Segundo Francisca Tomás, 204 raparigas vítimas de uniões prematuras foram reintegradas nas escolas e há apoio a mais de quinhentas raparigas para que se tornem empoderadas com recurso ao empreendedorismo.
A governante avançou que as acções visam acabar com uniões prematuras, numa província onde quase metade das mulheres casam antes de 18 anos.

O Ministério da Defesa Nacional (MDN) diz, em comunicado, serem falsas as notícias veiculadas na imprensa internacional, segundo as quais as Forças de Defesa e Segurança estão a cometer atrocidades em Afungi, distrito de Palma, na província de Cabo Delgado.

“O Ministério da Defesa Nacional lamenta e refuta, categoricamente, as alegações mencionadas no referido artigo. As acusações de que as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) estariam envolvidas em actos de tortura, violência e outras atrocidades contra civis não relatam elementos factuais que as sustentem”, refere na nota.

Segundo o MDN, as referidas alegações “são veiculadas num momento em que os esforços das nossas forças, conjugados com os das forças aliadas, visando estabilizar a segurança e restaurar a normalidade, mostram progressos assinaláveis, com as populações a regressarem às zonas de origem, o processo de reconstrução e de retoma de actividades socioeconómicas a decorrer a contento.”

No mesmo documento, o Ministério da Defesa Nacional esclarece que alguns distritos da província de Cabo Delgado têm sido alvo de ataques terroristas, causando a perda de vidas, a destruição de infra-estruturas e a deslocação das populações das suas zonas de origem. “As actividades das FADM em Cabo Delgado têm sido exclusivamente focadas no combate aos actos terroristas, na protecção das populações e dos seus bens, assim como na garantia da segurança nas áreas ameaçadas pelos terroristas. Desde 2021, as FADM e forças aliadas têm alcançado grandes progressos na estabilização da segurança das zonas afectadas pelo terrorismo na província de Cabo Delgado, através de operações que resultam na neutralização de várias células terroristas”, lê-se no comunicado de imprensa do MDN, que refere, ainda, que “o compromisso dos membros das Forças de Defesa e Seguranca, em geral, com a preservação da integridade territorial e o respeito pelos direitos humanos mantém-se inabalável.”

O Presidente do Tribunal Supremo e do Conselho Superior de Magistratura Judicial exige que haja mais celeridade na tramitação dos processos judiciais sem comprometer a qualidade que as instituições de justiça devem oferecer ao público. Adelino Muchanga falava logo após o empossamento dos novos 18 membros dos órgãos, dos quais exige honestidade, auto-controlo, discrição e prudência.

O Presidente do Conselho Superior de Magistratura Judicial diz que os tribunais estão cada vez mais pressionados pelo número de processos que recebem, por isso exige uma nova dinâmica de actuação dos juízes.

“Sabemos que a demora processual é uma das maiores causas de insatisfação e desconfiança no sistema judicial. O Conselho tem um papel preponderante na promoção e tomada de medidas para uma justiça mais rápida, sem comprometer a qualidade. Teremos designadamente que assegurar o comprimento das metas quantitativas e qualitativas na actuação dos tribunais, igualmente, teremos que promover a formação contínua dos nossos juízes e oficiais de justiça e tomar medidas concretas para a elevação da qualidade da prestação jurisdicional”, apontou Adelino Muchanga.

Tal celeridade, segundo Muchanga, não pode comprometer a qualidade que se deseja oferecer ao público.

“A sociedade espera de nós uma justiça que não seja apenas célere, mas também justa. Uma justiça que seja capaz de responder aos anseios dos cidadãos, uma justiça que promova a paz social e contribua para o desenvolvimento do nosso país. Estou certo de que, com o vosso compromisso, com a vossa dedicação e sabedoria, juntos conseguiremos consolidar os valores e princípios que sustentam a magistratura judicial e, consequentemente, fortalecem o Estado de direito democrático”, disse Muchanga.

O conselho que tomou posse esta segunda-feira é desafiado, também, a garantir que os tribunais sejam instituições independentes.

“Privilegiar o equilíbrio entre a protecção dos direitos e garantias dos juízes e oficiais de justiça e o cumprimento das responsabilidades que lhes são conferidas, de forma independente, na função jurisdicional. O conceito de independência não se esgota apenas na ausência de pressões externas, mas inclui a necessidade de termos os juízes livres de quaisquer constrangimentos internos que possam comprometer a sua imparcialidade”, concluiu.
Para Adelino Muchanga, o Judiciário só poderá se afirmar se os magistrados forem sensíveis com os princípios éticos e regras de conduta que regem as suas actividades.

 

 

 

A Associação Nacional dos Enfermeiros disse estar em desacordo com a ordem dos enfermeiros, devido a penalização dos enfermeiros não inscritos na ordem e pelo facto dos actuais dirigentes estarem fora do mandato, que teve o seu início em 2017 e deveria ter findado em 2021, quatro anos depois. 

Falando, hoje, à imprensa, Raul Piloto, Presidente da Associação Nacional dos Enfermeiros,  disse que caso sejam penalizados os enfermeiros não inscritos na ordem, a classe, a nível nacional, vai entrar em greve.  

Piloto avançou que, até aqui, três mil enfermeiros estão inscritos na associação e cerca de 19 mil enfermeiros estão registados na base de dados do Ministério da Saúde. 

Refira -se que Ordem dos Enfermeiros é a entidade reguladora da profissão no país, enquanto que a Associação dos Enfermeiros é a agremiação que luta pelos direitos da classe profissional e defende seus interesses

Afinal, sete das oito vítimas mortais do acidente de viação ocorrido na última sexta-feira, em Maluana, no distrito de Manhiça, eram atletas e dirigentes do rugby em Inhambane. A equipa estava a caminho de Maputo para participar numa competição.

Trata-se de cinco atletas e dois dirigentes, dos quais um professor de educação física e um técnico da repartição de desporto do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Desporto da Maxixe, que tinham como destino a Cidade de Maputo, onde tencionavam participar numa competição.

Em comunicado de imprensa, a Federação Moçambicana da modalidade, que, desde o primeiro minuto, afirma estar presente e a prestar apoio necessário, lamentou o facto.

“É com profundo pesar e consternação que a Federação Moçambicana de Rugby vem a público lamentar o trágico acidente de viação que ceifou a vida de cinco valorosos atletas e de dois dirigentes do rugby de Inhambane. Neste momento de dor imensurável, enviamos as nossas mais sinceras condolências às famílias, amigos e a toda a comunidade do rugby, que se vê abalada por essa perda irreparável”, lê-se no documento, que não avança com detalhes a referida prova que os atletas pretendiam participar, entretanto, a FMR busca formas de apoio às vítimas.

O acidente ocorrido na última sexta-feira chocou o país e o Presidente da República Filipe Nyusi, também lamentou a ocorrência na sua rede social Facebook.

A FMR diz que, para além de apoio, vai tudo fazer para que a honra dos atletas que tombaram na tragédia seja imortalizada, vincando que, “o legado dos que partiram permanecerá em nossos corações, e honraremos suas memórias através do amor e da paixão que sempre dedicaram ao rugby. Que nos possamos unir como uma grande família que somos, buscando consolo e solidariedade no meio desta brutal tragédia. A todos os afectados, a nossa solidariedade e apoio incondicional. Juntos, superaremos este momento de dor.”

O jornal O País sabe que, após o acidente, a Federação Moçambicana de Rugby destacou uma equipa técnica que facilitou o trabalho de reconhecimento dos corpos, para além de assistência a mais dois atletas feridos e hospitalizados no Hospital Central de Maputo. Neste domingo, houve uma reunião para a determinação do nível do apoio às famílias das vítimas.

Além dos desportistas, uma oitava pessoa perdeu a vida, para além de dois feridos graves que seguem em observação na maior unidade sanitária do país.

Há agravamento de preços dos produtos de primeira necessidade no país, desde o passado mês de Setembro. O óleo, sabão e ovos, por exemplo, tiveram uma subida que varia entre 50 a 200 Meticais. O Instituto Nacional de Estatísticas diz que, em setembro, os preços de bens e serviços de primeira necessidade registaram um crescimento de 2,75%, comparativamente ao mesmo período do ano de 2023. 

Este é o momento em que vendedores e compradores partilham a mesma dificuldade provocada pelo agravamento de preços dos principais produtos alimentares. É que desde o passado mês de Setembro, a esta parte, os cidadãos da Beira, Chimoio e Maputo, por exemplo, tiveram que gastar mais dinheiro para adquirir a mesma quantidade de produtos, que custavam menos, no mesmo período do ano passado. 

Por exemplo, o sabão em pó, que antes era comprado a 230 meticais, hoje é vendido entre 250 e 270 meticais.   O mesmo ocorre com o óleo de cozinha, antes a 550, por cada 5 litros, agora, subiu para 590 meticais.

A caixa de Ovos passou dos anteriores  1700, para 1950.

A situação é confirmada pelo Instituto Nacional de Estatística que fala de um aumento de preços de 5,29%, sendo que a divisão de alimentação e bebidas não alcoólicas foi a que registou a maior subida de preços, tendo a cidade de Quelimane tido a maior subida de preços, com cerca de 3,95%, seguida de Xai-Xai com 3,18%. A cidade da Beira aumentou 3,14%, cidade de Maputo 2,32% e em Chimoio 2,28%.

O INE diz ainda que os preços de bens e serviços de primeira necessidade registaram um crescimento de 2,75% em Setembro findo, em comparação com o mesmo período de 2023.

Um vídeo amador posto a circular nas redes sociais agitou a  província de Gaza. Da sala de aula da Escola Secundária Maguiguana, em Chibuto, as câmeras flagraram um professor que agredia fisicamente  um aluno de 16 anos de idade, entretanto, ao todo, quatro alunos foram agredidos.

“Ele  [professor] agrediu-nos em número de quatro colegas. Segurou-me  e jogou-me no chão”, disse um dos alunos agredidos.

A mãe da vítima lamenta o sucedido e exige justiça. “Angustiou-me bastante ver as imagens  que retratam a agressão do professor para com o meu filho”, disse. 

O Sector da educação em Gaza reconhece os actos praticados pelo professor e avança algumas medidas, que serão tomadas. 

 “Houve a decisão de dispensar o professor daquelas turmas, enquanto responde os dois processos”, disse Ferrão Bambo.

Devido a recorrência deste tipo de  casos na sociedade, a comunidade de Maguiguana mostra a sua indignação.“Se cometeu alguma irregularidade, aquele deve ir à cadeia “, finalizou o encarregado de educação.

Refira-se que a província de Gaza tem uma rede de 885 escolas, assistidas por 1200 professores.

 

O livro escolar para o próximo lectivo poderá ser produzido em Moçambique, segundo o primeiro-ministro, Adriano Maleiane, que explicou ao O País que esta poderá ser uma forma de evitar os constrangimentos vividos este ano e melhorar a qualidade na produção.

Adriano Maleiane falou ao “O País” após ser questionado sobre o estágio do processo de produção do livro escolar para 2025. O governante começou por explicar que o país está num processo de transição: a produção do livro deixar de ser feita no exterior e passará a ser feita aqui e porque “o processo não é linear, foi registrado o atraso”.

Maleiane faz esses pronunciamentos, numa altura em que há um mês para o fim do ano lectivo, ainda existem alunos sem o livro escolar de distribuição gratuita.

O governante, garantiu, entretanto, que tudo está a ser feito para melhorar a produção do livro escolar e a solução passa por produzir o livro internamente, o que pode acontecer a partir do próximo ano.

“Já temos uma capacidade para produção, já temos as impressoras com capacidade para produzir, porque é muito livro, a gente não foi sempre para fora por questões de gosto é que realmente a capacidade instalada ainda não tínhamos para produzir tanto livro”, explicou.

Outro motivo que Maleiane levantou é o facto de o livro, ter sido, por muito tempo, produzido devido ao apoio externo, por isso, falou da necessidade de ser o país a produzir com seus fundos, sem depender de parceiros.

O Primeiro-Ministro disse que a ideia não é recusar o apoio que possa vir, mas é preciso garantir que 100 por cento do orçamento para a produção do livro escolar seja do Estado. Isso, no entender do Governante, vai garantir qualidade dos próprios manuais.

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