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O País – A verdade como notícia

Pelo menos 22 corpos foram recuperados, depois do naufrágio de um barco, que transportava dezenas de pessoas, na Nigéria. A informação foi confirmada, neste sábado, pela Agência de Gestão de Emergências do estado do Níger, para onde se dirigia a embarcação.

Segundo o porta-voz da Agência, Ibrahim Husseini, citado por agência EFE, a embarcação viajava, na noite de quinta para sexta-feira, do estado central de Kogi, no sentido norte, para o estado de Níger, quando naufragou no rio homónimo.

“Até ao momento, foram recuperados 22 corpos. A operação de resgate continua, com os nossos parceiros em Kogi”, declarou o responsável à agência espanhola Efe, ao precisar que os passageiros eram, na sua maioria, mulheres comerciantes e artesãs, que se dirigiam para um mercado.

Segundo o porta-voz, ainda não se conhecem as causas do acidente. Segundo Baba Arah, cerca de 50 pessoas viajavam na embarcação, apesar de vários media locais e internacionais reportarem mais de 200, e pelos menos oito pessoas foram resgatadas.

Naufrágios de barcos, frequentemente causados por sobrecarga das embarcações e má regulação do transporte aquático, são comuns em toda a Nigéria, onde os passageiros muitas vezes não usam coletes salva-vidas, o que agrava a mortalidade nos acidentes.

Recorde-se que no dia 14 de Setembro, pelo menos 41 pessoas morreram noutro naufrágio de uma embarcação no estado de Zamfara (noroeste), enquanto a 01 de Outubro um acidente semelhante deixou pelo menos 40 mortos também no estado de Níger.

 

Milhões de moçambicanos continuam a recorrer às farmácias para comprar medicamentos, sem nenhuma recomendação médica. Nas farmácias, sobretudo as privadas, os doentes compram os fármacos e iniciam a automedicação, colocando em risco a sua saúde. 

A venda de fármacos sem receita médica ocorre normalmente no país, apesar da lei dos medicamentos impor que todas as farmácias públicas e privadas não façam a venda nessas condições, particularmente, quando se trata de antibióticos e outros medicamentos de especialidade. 

“Estas práticas são consideradas perigosas e muito prejudiciais à saúde e as consequências são a morte. O problema da resistência aos antimicrobianos é um problema global e não é só do sector de saúde, é um problema de todos. Nós como profissionais de saúde, como Serviço Nacional de Saúde, onde fazem parte as farmácias privadas, clínicas privadas e instituições públicas, temos que colaborar para um uso racional dos antimicrobianos”, disse Ana Rambique, responsável pela assistência farmacêutica.

 MAS AFINAL, QUAL O RISCO DE USO IRRACIONAL DE ANTIBIÓTICOS?

“Medicamentos antibióticos e outros agentes se tornam ineficazes às infecções, Tornam-se deficientes ou impossíveis de serem tratadas, aumentando o risco de disseminação de doenças no seu agravamento e, portanto, morte. A resistência antimicrobiana é directamente responsável por 1,3 milhões de mortes e contribui para outros 5 milhões de mortes em todo o ano”, explicou Ana Tambo, directora clínica do Hospital Central Beira.

Ana Tambo explicou ainda que o uso irracional de antibióticos é também “uma  ameaça ao futuro económico, com um custo anual global estimado até 3,4 milhões até 2030. E ainda contribuirá para que 28 milhões de pessoas sejam empurradas para a pobreza até 2050”. 

As nossas fontes, que falavam do curso do primeiro simpósio de resistência antimicrobiana e referiram que algumas farmácias já foram sancionadas e apeladas para a venda e uso racional de medicamentos.

“Tenham consciência do quão grave é dispensar esses antibióticos sem receita médica, mas a população também tem que ter essa consciência, porque a responsabilidade não é só da parte da saúde, como nós dissemos, tem que ser consciente”, alertou Ana Rambique. 

Com este simpósio, o sector da saúde pretende consciencializar e melhorar a compreensão do problema e promover as melhores práticas de saúde.

As morgues do Hospital Central de Maputo, Hospital Geral José Macamo e do Cemitério Municipal de Michafutene estão lotadas, devido ao facto de várias famílias não terem conseguido realizar enterros de seu ente-queridos, devido às manifestações.

“Nós temos, a nível da cidade, a morgue do Hospital Central, José Macamo, Mavalane e do cemitério municipal de Michafutene. Todas estas morgues estão lotadas porque as famílias não conseguiram, durante este período, fazer os seus enterramentos”, partilhou a vereadora para a área de saúde e acção social do Município de Maputo, Alice de Abreu. 

A vereadora partilhou que, hoje, está a ser realizado o processo de remoção de corpos da morgue anexa do Hospital Central de Maputo para o cemitério de Michafutene, visto que esta tem uma capacidade maior.  

Partilhou ainda que devido aos enterros que estão a acontecer a nível do Cemitério de Michafutene, estão disponíveis câmaras, para receber cerca de 34 corpos, retirados, esta manhã para o cemitério. 

“Isto foi possível igualmente porque, a nível do Cemitério de Michafutene, diferente do que é habitual, foram realizados um pouco mais de 34 enterramentos. A média de enterramentos que temos a nível do Cemitério de Michafutene é de 12, mas hoje vamos realizar aproximadamente esse número”, afirmou.

Alice de Abreu partilhou ainda que estão a ser envidados esforços para garantir que todos enterros possam acontecer, pois “há muita pressão”. “Temos equipas organizadas para garantir que as famílias realizem as cerimónias aqui, ou em Michafutene, ou qualquer outro cemitério”, explicou. 

A vereadora para a área de saúde e acção social do Município de Maputo acrescentou ainda que os últimos três dias “criaram constrangimentos muito sérios, pela pressão de conservação dos corpos”. 

Refira-se que o Cemitério de Michafutene tem uma média de seis enterros diários, mas hoje, segundo partilhou a vereadora para a área da saúde e acção social do Município de Maputo, tem marcado 10 enterros. 

 

As forças de Defesa e Segurança afirmam haver um aproveitamento do direito à manifestação pelos autores morais, para criar desordem no país.

Dizem ainda que estás manifestações têm sido apoiadas e financiadas por algumas organizações da Sociedade Civil e pessoas estrangeiras, entre nacionais e internacionais, com fins “obscuros”.

É por isso que apelam “aos cidadãos estrangeiros residentes no país que se abstenham de qualquer intervenção ou participação em actos que configurem violação à lei e intromissão nos assuntos internos do Estado moçambicano”.

Estás informações foram avançadas após uma reunião entre os ministros do Interior e da Defesa.

Há falta de passageiros no Terminal Rodoviário Interprovincial da Junta, na cidade de Maputo, devido aos protestos contra os resultados eleitorais divulgados pela CNE. Os transportadores dizem que levam dois dias de Maputo para Inhambane e chegam a contrair dívidas para abastecer viaturas.     

Os transportadores interprovinciais consideram anormal a situação que vivem, desde que iniciaram os protestos contra os resultados eleitorais. Há falta de clientes e a escassez é pior que os tempos da COVID-19. 

Esta sexta-feira, viaturas, poucos ou nenhum autocarro de transporte interprovincial de passageiros saiu do Terminal da Junta. 

Vendedores também se queixam da falta de clientes e até falam de pouca movimentação no interior do terminal. 

Os operadores que conseguem levar passageiros, falam de dificuldades durante o seu percurso. 

Feitas as contas, o negócio não compensa, disse Gulamo, transportador de passageiros.

Esta é a situação a que os transportadores interprovinciais de passageiros na capital do país estão sujeitos, por conta de protestos contra os resultados eleitorais. 

E outros sectores, não poucos, podem estar a experimentar as mesmas dificuldades.

 

   

 

  

 

 

 

O distrito de Massingir, na província de Gaza, passa, desde esta sexta-feira, a contar com um edifício do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), construído de raiz, no âmbito da expansão da cobertura de serviços à população.

A inauguração da infra-estrutura do INSS foi feita pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, no âmbito da visita de trabalho àquele distrito situado a norte da província de Gaza.

Neste contexto, já foram inaugurados, igualmente pelo chefe de Estado, os edifícios onde funcionam as delegações distritais de Metuge, em Cabo Delgado, que foi o primeiro deste modelo, de Namaacha e Magude, na província de Maputo, Moatize, em Tete, Malema, na província de Nampula, Milange, na província da Zambézia e Nhamatanda, na província de Sofala.

Na sua conta Facebook, o Presidente da República escreveu, a propósito do evento, que “Gaza avança na segurança social. Massingir recebe hoje um sinal claro de progresso e inclusão com a entrega do edifício para o funcionamento da Delegação Distrital do INSS. Esta moderna infraestrutura traz proximidade, eficiência e dignidade no acesso aos serviços de segurança social”.

Na mesma página oficial do Facebook, Nyusi acrescenta que ao encurtar distâncias e melhorar o atendimento, “reafirmamos o nosso compromisso com o bem-estar e o futuro dos trabalhadores moçambicanos. Que esta obra seja cuidada por todos como parte do caminho para um país mais justo e desenvolvido”. .

André Mulungo defende que a actuação da polícia é que tem contribuído para que haja violência nas manifestações. Para o comentador do programa Noite Informativa da STV, as pessoas atingiram um “alto nível de saturação”. O mesmo pensamento é partilhado por Elídio Mendes, que diz que a gestão das manifestações é feita de forma errada 

Um parecer que buscava responder como parar com a violência nas manifestações. O comentador André Mulungo apontou para o alto nível de saturação das pessoas, em relação ao Governo do dia, aliado à “má actuação” da polícia, como o impulso para o alto nível de violência, nas manifestações pós-eleitorais. 

“O Governo da Frelimo sempre usou a polícia para partir para cima das pessoas e chegou-se a um nível de saturação em que as pessoas demandam mudança mesmo. Por isso, chegamos ao ponto em que chegamos. As pessoas fazem aquilo porque, provavelmente, acham que o Governo não as ouve, e pensam que sentar e dialogar [não trará solução]”, disse Mulungo. 

Para André Mulungo, as instituições não funcionam e precisam que lhes seja feita pressão para que funcionem como devem. 

“As instituições não funcionam. A Comissão Nacional de Eleições, que nos criou os problemas ano passado, que continua a criar problemas, ainda é a mesma. O Conselho Constitucional continua a ser a mesma coisa, os tribunais continuam a ser a mesma coisa, o Ministério Público continua a fazer a mesma coisa (…). O ponto mesmo é que o povo chegou a um ponto de saturação (…), o povo precisa de mudanças e acredito que, por esta via, provavelmente, consigam mudar as coisas”, explicou. 

Elídio Mendes, também comentador do programa Noite Informativa, acrescenta que  a gestão das manifestações está a ser feita de forma  errada. “Estamos a dizer que a reacção da polícia está a funcionar como uma espécie de gasolina, no meio da população”. 

Mendes explica que já há uma “cólera, uma insatisfação colectiva”, que está a ser mal acolhida pela polícia. 

O comentador sublinhou que não é a presença da polícia que provoca a violência, mas a reacção das Forças de Defesa e Segurança. 

 

O ministro dos Transportes e Comunicações lançou, hoje, o projecto Internet Para Todos, que visa expandir o acesso à internet para todos os moçambicanos  até 2030. Mateus Magala diz que não faz sentido que até hoje apenas 7.8 milhões de moçambicanos tenham acesso a internet.

O projecto Internet para todos é lançado poucos dias depois de se terem registado restrições de internet devido a onda de protestos pós-eleitorais.    

Mateus Magala avança que a ideia é tornar a internet um direito de cada cidadão, independentemente da sua origem.

Residentes de alguns bairros da vila sede distrital de Chongoene, em Gaza, clamam por corrente eléctrica para iluminação e execução de outras actividades dependentes deste recurso.

A situação compromete, inclusive, o único sistema de abastecimento de água, instalado na zona que, actualmente, depende de paineis solares para seu funcionamento. 

“O funcionamento do nosso sistema depende da irradiação solar, sem a qual não há água. Por exemplo, ‘hoje’, não tivemos água durante o período da tarde porque as baterias não acumularam carga suficiente para assegurar o funcionamento do sistema”, diz Marcos Mahumane, operador privado do sistema de abastecimento de água. 

Face à falta de corrente elétrica da rede pública, assim como Marcos Mahumane, residentes de quatro bairros de Ngonwanine chegam a percorrer quase quatro quilómetros para carregarem as baterias dos telemóveis.

Enquanto aguardam pela execução da fase dois do projecto “Energia para todos” cujo arranque estava previsto para Janeiro do ano em curso, assim vivem pelo menos 10 mil famílias que passam dificuldades.

“Praticamente, o nosso bairro não se desenvolve por falta de energia”, sublinhou um dos moradores.

Contatado pela O País, o administrador de Chongoene, Artur Macamo, esclareceu que o atraso na implementação da fase dois do projecto fica a dever-se ao incumprimento das garantias de parceiros no desembolso dos fundos para o efeito.

“ Na verdade, a execução desta actividade estava prevista para Janeiro passado, entretanto, com o atraso no desembolso dos fundos, por parte do nosso parceiro financeiro, a mesma passou para finais deste ano”, esclareceu Macamo.

No distrito de Chongoene, a taxa de cobertura da rede elétrica é de cerca de 59% para uma população estimada em 121 mil habitantes.

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