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O País – A verdade como notícia

O Presidente da República, Filipe  Nyusi, atribuiu, esta sexta-feira, através de decreto presidencial, a “Ordem Eduardo Chivambo Mondlane, do 1.º Grau” à Universidade Eduardo Mondlane.

A “Ordem Eduardo Chivambo Mondlane” é a mais alta condecoração da República de Moçambique, e foi criada com o objectivo de valorizar os actos e sacrifícios extraordinários consentidos na luta pela unidade nacional e libertação económica, social e cultural, contra o colonialismo e o racismo, pela paz, amizade, solidariedade e progresso da humanidade.

Em Decreto Presidencial separado, o Chefe do Estado atribuiu a “Ordem Samora Moisés Machel, do 1.º Grau”, à Academia Militar Marechal Samora Machel, em reconhecimento dos actos excepcionais de coragem, sacrifício, empenho pessoal e institucional, dinamismo de direcção demonstrado em prol da Pátria Moçambicana.

 O Presidente Nyusi atribuiu igualmente a “Ordem Militar 25 de Setembro, do 1.º Grau” à Academia de Altos Estudos Estratégicos. 

A “Ordem Militar 25 de Setembro” foi criada com o objectivo de valorizar os actos extraordinários de heroísmo, de abnegação, de valentia e de coragem consentidos na luta de libertação nacional e na defesa da Pátria.

A primeira dama da República diz que o envolvimento de crianças nas manifestações violentas revelam a degradação dos valores morais na nossa sociedade. Isaura Nyusi exorta, por isso, os pais e encarregados de educação para controlarem as crianças.

Isaura Nyusi esteve no centro de saúde de Muhala Expansão, em Nampula, esta sexta-feira 13, e teve a sorte de interagir com parturientes que deram à luz neste dia e ofereceu enxovais.

A agenda da primeira dama da República tinha como ponto principal a participação no encontro de reflexão sobre a prevenção do HIV no contexto do mês de luta contra esta doença e o público-alvo eram adolescentes e jovens.

Atenta ao clima de manifestações que se tem registado um pouco por todo o país, Isaura Nyusi manifestou preocupação e lançou um apelo.

A primeira dama mostrou-se ainda preocupada com a prevalência do HIV em adolescentes e jovens.

Falar abertamente sobre saúde sexual e reprodutiva é para Isaura Nyusi uma prioridade para que aumente a consciência sobre a prevenção do HIV.

Atraso na conclusão das obras da Doca Chongoene compromete escoamento de mais 270 mil toneladas de minérios processados nas areias pesadas de Chibuto. O Governo diz que problemas no terreno obrigaram o reajuste dos prazos de entrega para Fevereiro de 2025. 

Pelo menos duas das unidades de processamento de areias pesadas de Chibuto operam desde finais de Dezembro de 2022 “Neste percurso a produção esteve acima de 270 mil toneladas. Entretanto, o volume de exportação esteve abaixo, conferindo um encaixe anual de 17 milhões de meticais para os cofres do estado”, disse Jerónimo Mutisse, porta-voz do serviço provincial de infraestruturas.

Mais de 270 mil toneladas de ilmenita e zircão estão “retidos” em Chibuto, em resultados dos elevados custos de transporte rodoviário até ao porto de Maputo, de onde seguem para o mercado asiático.

“Recentemente, os responsáveis da Dingsheng anunciaram-nos que cerca de 270 mil toneladas de Zircão e Ilmenite, produzidas nas Areias Pesadas de Chibuto, aguardam por exportação. Sem especificar o período em que a produção se encontra armazenada, avançam dificuldades enfrentadas por causa dos altos custos de transporte rodoviário até ao Porto de Maputo”, acrescentou Mutisse.

A situação ficaria ultrapassada com a entrada em funcionamento do terminal de escoamento de Chongoene. O facto é que as obras da última fase de construção da doca deveriam ter sido concluídas em Agosto do presente ano, mas tal não aconteceu e o Governo passou a apontar o mês de Dezembro como a data limite. No terreno, a execução das obras é de 80%.

Artur Macamo esclarece que o atraso se deve a problemas no terreno, que obrigaram o reajuste dos prazos “para Fevereiro de 2025”, garantiu o administrador do distrito de Chongoene, Artur Macamo.

 A doca de Chongoene orçada em 20 mil milhões de meticais vai exportar 8 milhões de toneladas de areias pesadas por ano.

Reduziu para 26% o nível de armazenamento de água da Hidroeléctrica de Cahora Bassa.  Segundo a Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos, a situação é crítica e não é verificada nos últimos trinta anos.   

A situação é considerada crítica pela Direcção Nacional de Gestão de  Recursos Hídricos e caso prevaleça  pode causar uma crise energética no país. 

“Cahora Bassa está com um nível extremamente baixo de água. se calhar nos últimos 30 anos não verificamos situação similar. Está com nível de armazenamento de 26% (…) isto significa, no período igual, só para termos ideia, estávamos com cerca de 78% de armazenamento, neste momento estamos com 26”, disse Agostinho Vilanculos, hidrólogo. 

Na barragem de Kariba, em Zambézia, a situação já é crítica, a capacidade de armazenamento reduziu para 3%.  

“Produz energia para Zâmbia e Zimbabwe está com 3% do nível de armazenamento, sinal de que estamos perante uma crise energética”, explicou Vilanculos. 

Faltando menos de 24 horas para o ciclone Chido atingir o canal de Moçambique, Agostinho Vilanculos fala de algumas consequências. 

De acordo com a Direção Nacional de Recursos Hídricos, Pemba está num alto risco de inundações urbanas e ocorrência de erosão.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) alerta que o ciclone Chido, que vai afectar as províncias de Nampula e Cabo Delgado, no domingo, é da dimensão do Idai e Kennet. O INAM pede as pessoas que fiquem em zonas seguras.

A onda de manifestação está a ganhar contornos alarmantes na província de Zambézia,  com destruição de infraestruturas e mortes de civis e agentes da polícia. Por isso, os líderes comunitários, na Zambézia, defendem diálogo entre os políticos e o Estado  para a pacificação do país.

As manifestações que estão em curso no país preocupam sobre maneira os líderes comunitários ao nível da província da Zambézia.  Este grupo social defende diálogo entre as entidades governamentais e políticas para pôr fim ao actual estágio de conflito pós-eleitoral.  

Silva Gemuce é líder comunitário do distrito de Luabo, diz que, no Posto administrativo de Chimbazo manifestantes mataram e sequestraram pessoas. 

Por conta das manifestações, ao nível da província da Zambézia algumas empresas privadas já encerraram suas portas depois de vandalizadas pelos manifestantes. 

 

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) alerta que perante a aproximação do ciclone tropical Chido ao norte do país, os ventos podem chegar até 220 quilómetros por hora (km/h) a partir de sexta-feira. Entretanto, o norte será mais afectado no domingo

É mais um aviso de alerta vermelho que é lançado pelo Instituto Nacional de Meteorologia INAM que reforça a chegada do ciclone Chido ao país, que evoluiu nas últimas horas desta quinta-feira para o estágio de “intenso”.

O ciclone aproxima-se do canal de Moçambique, devendo entrar ao final do dia de hoje, sexta-feira, com o epicentro previsto para a costa moçambicana dentro de 72 horas.

A entrada em terra do ciclone de categoria 3, o terceiro mais elevado numa escala de 1 a 5, é esperada nos distritos de Memba, província de Nampula, Chiúre ou Mecúfi, na província de Cabo Delgado, “com ventos de 200 quilómetros por hora e rajadas até 220 quilómetros por hora, segundo as projeções actuais”, refere o aviso do INAM.

O mesmo adverte ainda que “face à ocorrência de ventos fortes, trovoadas e chuvas muito fortes, recomenda-se a tomada de medidas de precaução e segurança”.

O aviso, válido até às 24:00 do dia 15 de Dezembro, define como áreas de risco vários distritos de Cabo Delgado e a capital provincial, Pemba, bem como de Nampula e a sua cidade capital provincial.

 

Ciclone pode afectar cerca de 500 mil pessoas

Entretanto, num encontro havido esta quinta-feira entre o Instituto Nacional de Meteorologia, o Instituto Nacional de Gestão de Desastres Naturais e o sector de saúde, foi revelado que muitas pessoas poderão ser afectadas pela chegada do ciclone Chido.

De acordo com Ana Cristina Manuel, do INGD, mais de 500 mil pessoas ficarão afectadas nas províncias de Cabo Delgado e Nampula e disse que vão precisar que sejam socorridas com base nos cenários que foram vistos no encontro.

“Primeiro, tendo em conta as medidas que devem ser intensificadas, a difusão de informação, a questão do abrigo, da população, a evacuação, o provimento de meios alimentares são necessários. Nós achamos que poderíamos usar a plataforma integrada, que já integra vários meios de difusão de informação, desde as mensagens curtas, a partir das telefonias móveis, a partir das rádios comunitárias que já estão a trabalhar no terreno na difusão de informação, comités locais de gestão de risco”, disse, como formas de prevenção.

E para casos de emergência, Ana Cristina Manuel disse que existem centros de acomodação activos e disponíveis para que possam acolher as pessoas. “Na região norte temos 68 e temos também os meios para apoiar na busca e salvamento, o mapeamento das zonas afectadas, que são os drones, temos os pilotos e também temos os telefones satélites que possam nos apoiar em caso de colapso do sistema de comunicação naquela região”, revelou.

Outrossim, o Instituto Nacional de Gestão de Desastres diz que tem meios de bens alimentares, de abrigo, água e saneamento e também meios para apoiar os grupos vulneráveis, destacando meios específicos como mantas, kits de cozinha, redes mosquiteiras, kits de família, colchões, esteiras e roupas.

Os intervenientes no encontro propõem o destacamento de equipas de nível central que possam apoiar, equipas mínimas que possam apoiar as províncias de Cabo Delgado e Nampula, que são as que se mostram neste momento com alguma preocupação em relação ao impacto dos ciclones.

Por seu turno, Agostinho Vilankulo disse que esta chuva também pode trazer alguns impactos positivos para além das consequências que pode trazer. E apresentou três cenários que podem ser verificados com a queda das chuvas.

“O primeiro cenário é aquele que estamos a falar, que o ciclone entre da província de Nampula e nós temos cerca de 2 milhões de pessoas que estão dentro do risco. Atenção, há uma diferença e neste momento nós estamos falando de pessoas que estão em risco, são aquelas pessoas que vão sentir o efeito, ou de chuva, ou do vento, ou de caudal. Mas dentro desses, nós aplicamos um coeficiente de certeza, com uma probabilidade muito maior, que 10% daquela população pode precisar de assistência. E nós estamos a falar de cerca de 200 mil pessoas, esses podem precisar de assistência. É 10%, mas podemos ter um pouco mais. O universo daqueles que vão sentir o impacto por causa deste fenômeno, são cerca de 2 milhões de pessoas”, disse.

O segundo cenário, de acordo com Agostinho Vilankulo, é do ciclone entrar, por Nampula, mas antes de chegar, provocar impacto nas vias rodoviárias. No caso há vias que podem ser afectadas com destaque os que ligam alguns distritos.

“Este é o cenário costeiro. Se nós formos entrar para o interior, porque também há uma probabilidade de chuvas muito intensas. É certo que o vento vai também diminuindo, mas as chuvas vão continuar a ser intensas”, referiu.

Por fim, o último cenário, onde o ciclone pode entrar, por exemplo, da região de Mecufi ou Pemba, onde existem outras bacias que estão em consideração.

“Em termos de impactos, nós estamos a prever aqui, aqui os impactos são relativamente diferentes, temos cerca de 1 milhão e 400 mil pessoas, e certeza que se o sistema tiver aquela trajetória, mais ou menos cerca de 150 mil a 200 mil pessoas também podem precisar de assistência. Nós temos que, o extremo é cerca de 1 milhão de pessoas, mas aquelas que aparentemente devem ser assistidas, nós estimamos em 10% daquele valor. E também fizemos aqui um exercício sobre a ocorrência de cheias urbanas”, explicou Agostinho Vilankulo.

Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas no mundo, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.

O período chuvoso de 2018/2019 foi dos mais severos de que há memória em Moçambique: 714 pessoas morreram, incluindo 648 vítimas dos ciclones Idai e Kenneth, dois dos maiores de sempre a atingir o país.

Já na primeira metade de 2023, as chuvas intensas e a passagem do ciclone Freddy provocaram 306 mortos, afetaram no país mais de 1,3 milhões de pessoas, destruíram 236 mil casas e 3.200 salas de aula, de acordo com dados oficiais do Governo.

A fome está a fustigar a província de Gaza, devido à seca prolongada que se verifica, em particular, no distrito de Limpopo. Apesar disso, o administrador nega a existência de bolsas de fome.

A seca agravada pelo fenómeno El Niño afecta severamente a província de Gaza. Famílias procuram saídas para escapar à fome extrema em Chicumbane no distrito de Limpopo.

João Conjo, residente em Chicumbane, uma das localidades do distrito de Limpopo, é exemplo da falta de alimentos e vive a situação da fome de perto. Diz que é uma ginástica fazer a divisão do dinheiro que consegue adquirir por dia para alimentar a família. “Cada dia eu levo 30 pães para vender, só ganho 30 meticais. Por exemplo, hoje só consegui vender 15 pães, restaram 15. Assim também é difícil preparar alimentos”, disse.

Ermelinda Justino 46 anos é mãe de 3 filhos, narra que estiagem arrasou tudo no seu pedaço de terra, e para alimentar a sua família tem feito trabalhos domésticos na sua comunidade. “Tive uma solicitação para fazer um trabalho na comunidade e recebi 35 meticais. É com esse dinheiro que consigo sustentar a minha família”, disse Ermelinda Justino.

A divisão desse valor exige um esforço bastante aturado, segundo conta Ermelinda Justino, que avança que “tirei parte do dinheiro e comprei cacana. Com os outros 20 meticais, vou comprar farinha para preparar a refeição”, sugere.

Para Ermelinda esta é uma situação que provoca sofrimento e incomoda as crianças. “As crianças vivem chorando, por falta de alimentos, por isso, fazemos o que podemos para aliviar a sua fome, e conseguir ter sono durante a noite”, revela.

Agricultora há mais de 30 anos, Florinda Almeida, diz ter perdido cerca de 4 hectares de culturas diversas, na última campanha agrícola. Infelizmente não conseguiu colher o que quer que seja, uma vez que nada encontrou.

“Vinha colher folhas de mandioca, mas infelizmente está tudo seco. Não temos comida”, lamenta, destacando ainda que a situação não tem sido boa nos últimos meses.

Mas há mais pessoas e famílias a viverem na extrema pobreza. É o caso do casal Júlio Bila e Maria Matusse que socorrem-se de mangas para contornar a fome.

Produtor de natureza, Júlio lamenta as perdas que teve. “Infelizmente, tivemos perda de culturas”, disse Júlio, confirmando que acabam recorredo a mangas para alimentar-se: “sim, alimentamo-nos de mangas. Do contrário, nada temos para comer”.

Entretanto, o administrador Virgílio Muchanga diz que o distrito de Limpopo não regista bolsas de fome. “Realmente a seca que se faz sentir afecta a todos, mas asseguramos estar garantida a segurança alimentar no nosso distrito. Sobre a existência de bolsas de fome no distrito de Limpopo, temos a dizer que não há registo. O nosso distrito é autosuficiente na produção de outras culturas”.

A Seca extrema arrasou mais de 150 hectares de culturas diversas no Limpopo em Gaza.

 

Há cada vez mais funcionários públicos a envolverem-se em actos de corrupção no país. Só neste ano, o Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) diz que já recebeu 125 casos.  Correm , actualmente, no ministério público, 1 734 processos-crime de vários tipos de corrupção. 

O combate à corrupção é um dos maiores desafios do Ministério Público no país, e parece que o número de processos não para de subir. 

A nível dos gabinetes de combate à corrupção, as Procuradorias da República registaram 1 093 processos entrados que, adicionados aos 641 transitados do período anterior, totalizaram 1 734 processos. Destes processos, já findaram 743 processos, dos quais 551 por acusação e 192 por arquivamento ou outros motivos”, explicou Romualdo Jhonam, Porta-Voz do Gabinete Central de Combate a Corrupção. 

Jhonam refere ainda que  o maior número de processos envolve funcionários públicos.  

  A corrupção passiva para o acto ilícito foi a que registou maior número, com 125 processos. A corrupção activa, com 56 processos. O peculato, com 155 processos. O abuso de cargo ou função, com 49 processos” apontou. 

Romualdo Jhonam, acrescentou que “relativamente ao igual período do ano passado, houve um aumento de cerca de 55 processos entrados. Quer dizer, há uma tendência de mais denúncias de casos de corrupção em 2024 “, concluiu. 

E para mudar o quadro, o Procurador-geral da República, Américo Letela diz que  é preciso o envolvimento de todos, em especial dos jovens. 

Estes [os jovens] possuem a energia, a criatividade e a determinação para actuar como agentes de mudança, com o dever de construir uma sociedade mais íntegra. Além disso, os jovens vivem numa era marcada por ferramentas tecnológicas poderosas, como as redes sociais e o acesso à informação, que amplificam as suas vozes e a sua capacidade de mobilização. Em Moçambique, onde a juventude representa a maior porcentagem da população, o envolvimento dos jovens é fundamental, pois são susceptíveis à prática de crimes, incluindo a corrupção. A juventude de hoje, mais conectada e informada do que nunca, tem a obrigação de contribuir na criação de lideranças mais transparentes e responsáveis” disse o Recém empossado Procurador-Geral da República, Américo Letela. 

Os dados foram partilhados, esta quinta-feira, em Maputo, durante as actividades alusivas à passagem do dia Internacional da Luta Contra a Corrupção, celebrado a 9 de Dezembro.

 

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