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O País – A verdade como notícia

O Instituto Nacional de Meteorologia de Moçambique (INAM) alertou para a possibilidade do ciclone tropical Chido afectar o norte e centro do País, a partir de sábado. 

De acordo com um aviso do INAM, o sistema tropical intensificou-se durante a manhã de quarta-feira e passou à categoria de ciclone tropical de categoria 3, o terceiro mais elevado numa escala de 1 a 5.

As projeções actualizadas indicam que o ciclone continua “a intensificar-se”, podendo, desta forma, “começar a afectar as regiões costeira e continental de Madagáscar”, a partir de sexta-feira.

“As projeções indicam ainda que, há fortes possibilidades do sistema meteorológico atravessar a região norte de Madagáscar e entrar para o canal de Moçambique a partir do dia 14/12/2024, podendo afetar as regiões norte e parte do centro”, lê-se no aviso.

Moçambique é ciclicamente afectado por alterações climáticas. Em 2018 e 2019, mais de 600 pessoas morreram e outras 2,5 milhões foram afectadas, devido aos ciclones tropicais Idai e Kenneth, segundo dados da UNICEF. Em 2023, o ciclone Freddy causou 165 óbitos e deixou 511 pessoas feridas. 

Os mais de 150 professores da Escola Secundária da Manga, que decidiram boicotar a correcção de exames das 10 e 12ª classes, disseram, há dias, que o administrador da Beira faltou à verdade ao afirmar que os mesmos estão a receber, gradualmente, os seus subsídios de horas extras relativos aos últimos dois anos.

Os professores da Escola Secundária da Manga anunciaram, na segunda-feira, o boicote da correcção de exames do nível médio. Os profissionais voltaram a chamar a imprensa para mostrar a sua indignação em relação aos pronunciamentos do administrador da Beira, segundo a qual os subsídios de horas extras de 2023 e deste ano estavam a ser pagos de forma gradual.

Os professores indicaram que alguns colegas estão sem receber subsídios de horas extras desde 2020. A Associação Nacional dos Professores juntou-se a esta reivindicação, considerando que as reclamações são justas.

Os professores ponderam, por isso, não fazer horas extras a partir do próximo ano lectivo, tendo garantido que a sua reivindicação vai continuar até serem pagos.

 

A administradora da Cimentos da Beira, nomeada pelo Tribunal Judicial da Província de Sofala, no âmbito de um processo de insolvência, está a usar um Boletim da República falso para ter acesso às contas bancárias da empresa. O SERNIC confirma a falsidade do documento e, segundo avançou ao “O País”, o caso está a ser investigado pelas autoridades.

Em Outubro do ano passado, o Tribunal Judicial da Província de Sofala decretou uma insolvência na fábrica Cimentos da Beira, na sequência de um processo que decorria há mais de um ano, de acordo com uma sentença na posse do jornal O País. A sentença decidiu, entre outros pontos, afastar a antiga administração e nomear uma administradora da insolvência.

Dias depois, o Serviço Nacional de Investigação Criminal recebeu uma denúncia indicando que a administradora estava a usar um Boletim da República falso para ter acesso às contas da empresa, assim como firmar acordos para a operacionalização da fábrica.

Nesta terça-feira, 10 de Dezembro, o SERNIC confirmou que o Boletim da República é mesmo falso. De acordo com um documento da Imprensa Nacional, assinado pelo presidente do Conselho de Administração, decorre, na instituição, um processo de averiguação para apurar a falsidade do Boletim da República. Pretende-se, igualmente, identificar os autores.

O caso já está na posse do Gabinete Provincial de Combate à Corrupção. A mesma denúncia indica que a administradora garantiu aos trabalhadores, na altura em que foi nomeada, que os seus postos de trabalho não estavam em risco. No entanto, a actual administração rescindiu o contrato com um dos antigos trabalhadores seniores e indemnizou-o, por razões desconhecidas.

A empresa deixou de produzir há mais de um mês, por falta de matéria prima, facto que está a contribuir para a crise de Cimentos na Beira, e os trabalhadores temem pelos seus postos de trabalho.

A Polícia da República de Moçambique (PRM) exige a devolução das armas roubadas por supostos protestatários. Segundo o porta-voz do Comando-Geral da Polícia, trata-se de armas subtraídas durante a invasão de subunidades policiais durante os protestos.

A exigência foi feita, nesta terça-feira, por Orlando Mudumane, em conferência de imprensa sobre a situação do país no período pós-eleitoral. 

“Algumas armas que tinham sido roubadas já foram recuperadas. Neste momento, decorrem diligências no sentido de recuperar uma e outra, que ainda estejam nas mãos destes indivíduos malfeitores, porque nenhum manifestante político se atreve a atacar uma unidade ou subunidade policial. Neste momento, estão em curso diligências no sentido de neutralizar esses indivíduos, porque a Polícia da República de Moçambique tem imagens e vídeos que identificam esses indivíduos”, disse.

O porta-voz do Comando-Geral da PRM disse que foram registrados, no último domingo, 69 casos de perturbação da ordem pública no país, que culminaram com a detenção de dez indivíduos.

Alguns cidadãos defendem que o diálogo para a pacificação do país deve incluir figuras influentes de diversas áreas, como antigos presidentes e líderes religiosos. 

Muitas vozes ouvem-se em relação à actual crise política que o país atravessa, marcada pelos protestos pós-eleitorais. O diálogo continua sendo a melhor solução para a resolução do problema. 

Segundo Amiel Gonçalves, o referido diálogo não deve apenas envolver o Presidente da República, Filipe Nyusi e o candidato presidencial suportado pelo PODEMOS, Venâncio Mondlane, mas sim outros intervenientes.

“O diálogo pode envolver também algumas figuras influentes, como é o caso dos dois antigos presidentes da República, Joaquim Chissano e Armando Guebuza”, sugere Amiel Goncalves. 

Mas a lista não termina por aí, sugere também a inclusão de figuras como Oscar Monteiro, Feliciano Gundana, António Hama Thai, Tobias Dai e os líderes religiosos. 

Já Pedro Nawela entende que o Presidente da República deve dar o primeiro passo para o diálogo. 

“O Presidente da República, na qualidade de pai da nação, tem a autonomia de dar o primeiro passo para o diálogo. Ele deve criar todos os mecanismos de convidar o Venâncio Mondlane onde quer que esteja dialogarem. Acredito que isso vai acontecer nos próximos dias”, anota. 

Os quatro candidatos presidenciais são, também, na sua opinião elementos fundamentais  na busca de soluções para a paz, razão pela qual devem fazer parte da mesa de diálogo. 

 

Professores da Escola Secundária Eduardo Mondlane, na Cidade de Maputo, estão a boicotar a realização dos exames da segunda chamada e correção dos primeiros exames. Já em outras escolas o processo de avaliação decorre sem sobressaltos.

Num ambiente tranquilo e livre de distrações, os alunos da décima e décima-segunda classes realizaram, esta quarta-feira, os exames da segunda chamada.

Foi assim na Escola Secundária Francisco Manyanga.

Os alunos da Escola Secundária Eduardo Mondlane foram transferidos para a Escola Secundária Francisco Manyanga, para realizarem os exames da segunda chamada, pois os professores decidiram boicotar a realização dos exames e a correção das primeiras avaliações.

Já na Escola Secundária da Polana, os alunos foram submetidos aos exames da segunda chamada e todos estiveram presentes.
Naquela escola, os exames da primeira chamada estão a ser corrigidos pelos professores e o processo decorre sem sobressaltos.

A Ordem dos Enfermeiros de Moçambique  apela à sensibilidade e ponderação dos actores envolvidos nas manifestações, para facilitarem a circulação dos profissionais de enfermagem, no trajecto das suas casas até às unidades. 

Grácio Fenias Guambe, vice-bastonário, da Ordem dos enfermeiros explicou que vários profissionais não atendem aos seus turnos, gerando sobrecarga de trabalho, devido às dificuldades para se fazerem as unidades sanitárias. Guambe disse ainda que é fundamental garantir, de forma contínua, os cuidados de saúde dos cidadãos. 

“Reconhecer que o direito aos cuidados de saúde aos cidadãos deve ser garantida de forma contínua, sobretudo, para os pacientes internados e os que se encontram nos serviços de emergência”, explicou. 

O bastonário diz ainda que o pedido torna-se urgente e necessário, considerando os numerosos casos de profissionais que não atendem aos seus turnos, “comprometendo a continuidade e o início da prestação de cuidados, nos serviços de urgência”. 

A ordem, continuou, destaca que o uso de crachás deve ser reconhecido como identificação válida, para garantir acesso e mobilidade dos profissionais de enfermagem, durante a vigência dos protestos.

Em Gaza, cerca de três mil reservas turísticas foram canceladas, no contexto das manifestações pós-eleitorais. Por isso, operadores turísticos, em Xai-Xai, temem fechar as portas. Mais de 100 trabalhadores podem perder o emprego.

Quando faltam , apenas, duas semanas para a quadra festiva, operadores turísticos, em Gaza, registam uma onda de cancelamentos de reservas, associados ao medo das manifestações em curso no país. O cenário de prejuízos ganha corpo e formato e quem vive o drama confirma.

“Infelizmente, com a onda de manifestações que, em algum momento, se tornaram violentas, e com aquelas ameaças que pairavam, no sentido das pessoas não poderem sair de casa, o sector do turismo foi, naturalmente, afectado. Houve muitos cancelamentos e vários pedidos de informação sobre as reservas”, explicou um operador turístico.

Construída há cerca de 38 anos, a Halley é uma das mais antigas e emblemáticas instâncias turísticas da capital de Gaza, Xai-Xai. Por aqui, reúnem-se incertezas, após o cancelamento das reservas turísticas.

“O turismo já enfrentava desafios devido à pandemia e à sazonalidade, e, agora, com as manifestações, a situação piorou, são mais 16 reservas canceladas e muita incerteza”, afirma Rosália Souza, gerente de instância turística.

Em apuros está também a Go Wild, uma das unidades turísticas de referência localizadas numa das zonas mais nobres de Xai-Xai. Aqui são mais de 80 reservas canceladas.”

“Os visitantes, especialmente estrangeiros, evitam regiões próximas a Maputo, por medo de se verem em meio a conflitos. Isso os levou a cancelarem as reservas”.

Popular entre turistas nacionais e internacionais, o Reef Resort está a experimentar uma queda histórica de reservas, o gestor diz que os turistas receiam deslocar-se para áreas próximas à capital.

“Até Junho, já tínhamos a situação das reservas concluídas e tudo apontava para uma quadra festiva lucrativa, mas, desde Outubro, que vivemos um fenómeno de cancelamento de reservas e outros prejuízos decorrentes dos protestos violentos”. 

Operadores turísticos em Xai-Xai dizem-se sufocados e sem condições para manter os postos de trabalho.

“O sector  está em apuros na província. Nós temos uma grande parte de hotéis que poderá  fechar, porque os custos fixos são elevados e não há produção. parte dos nossos trabalhadores podem ser afastados devido a falta de dinheiro para o pagamento de salários”, concluiu.

Refira-se que Gaza tem cerca 300 empreendimentos turísticos, compostos por mais de 3500 quartos. De acordo com a Direcção Provincial da Cultura e Turismo, pelo menos 3 mil reservas foram canceladas em Gaza.

As primeiras horas do penúltimo dia das manifestações pós-eleitorais foram calmas e sem muita agitação ao longo das principais avenidas da cidade de Maputo, não obstante a ausência de transporte de passageiros. Na ausência dos operadores, os mototaxistas aparecem como alternativa.

As primeiras horas foram caracterizadas por ambiente calmo, avenidas e paragens vazias na capital do país. Ao contrário dos últimos dias, no sétimo e último dia da presente fase de manifestações convocadas por Venâncio Mondlane, viu-se pouco barramento de trânsito ao longo das principais vias, os carros particulares eram quase os únicos vistos em circulação.

Pela Guerra Popular, homens e mulheres chegavam ao centro da cidade, após caminhar longas distâncias a pé.

“Eu trabalho em Mavalane, vou até a baixa. Vou ao trabalho, por obrigações profissionais tenho que estar lá, tem umas certas situações que eu tenho que desbloquear. Então, saí de casa depois das oito e não tinha como ter o meu transporte, por isso estou a caminhar. Nos dias anteriores o lema é acordar cedo, chegar até a baixa da cidade antes das oito horas para não passar por situações dessa natureza, porque até essa hora consegue-se circular”, relata Anifa Mulima.

Anifa não é a única que foi obrigada a caminhar até chegar ao posto laboral, Carlos Machava saiu do bairro Patrice Lumumba até a baixa da cidade.

“Com o destino a baixa da cidade, acho que essa é a quarta ou a quinta água só para poder refrescar e recuperar as forças. Já tem sido assim nos últimos dias, temos que nos esforçar para poder chegar ao destino, o que não está a ser fácil devido a essa situação, não há transporte, não há nada e estamos neste caos”, relata Carlos Machava, após percorrer quase 10 quilómetros até ao seu local de trabalho

Apesar da circulação normal das viaturas, nenhum transporte de passageiros entrou em circulação durante as primeiras horas, e os mais afectados pedem trégua.

“Eu penso que o problema já está iminente, as partes devem sentar e discutir uma melhor solução para o povo, porque não vale a pena termos o egoísmo, acharmos que não podemos resolver, sentarmos com o trem, mas o que está em jogo é a vida de toda uma nação, vale a pena sentarmos e discutirmos o problema do povo.

A normalmente movimentada paragem, 24 de Julho, esquina com a Guerra Popular, está vazia, sem carros e sem passageiros. Aliás, os únicos passageiros que buscavam transporte dentro da cidade recorreram ao mototáxi. Não era habitual no centro da cidade, mas com a ausência dos transportes de passageiros, os mototaxis ganharam lugar.

“É um pouco através desses problemas de falta de chapa, então nós conseguimos carregar daqui para o mercado Adelina e cobramos a partir de cinquenta meticais em vez de ser meticais, mas cobramos consoante o destino do passageiro, também evitamos ir para lugares mais distantes por temer os manifestantes” explica Jorge mussa, operador de Mototaxi.

Aliás, os únicos transportes que conseguiram entrar na capital do país permaneceram parados até depois das quinze horas, e os operadores falam de maus dias. Estes relatam que devido a situação das manifestações só fazem por dia três viagens.

A pouca fluência de pessoas nos últimos dias no centro da cidade está a penalizar os vendedores de bens e serviços. Alguns estabelecimentos comerciais e serviços permaneceram fechados e os que abriram funcionaram a meio gás.

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