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O País – A verdade como notícia

O Presidente da República endereçou uma mensagem a toda a comunidade  muçulmana de Moçambique por ocasião do início do mês sagrado  do Ramadan.

Na mensagem, Daniel Chapo considera o Ramadan um período  de devoção, marcado pelo jejum, pela oração e pelo fortalecimento  da relação com Deus, mas também de solidariedade e  compaixão para com os mais necessitados. Mais adiante, sublinha  que neste mês sagrado, os valores do sacrifício, da humildade e do  amor ao próximo são vividos de forma intensa, promovendo a paz  interior e o bem-estar colectivo. 

“Em Moçambique, somos um povo abençoado pela nossa diversidade  cultural e religiosa, que constitui um dos pilares da nossa unidade  como nação. O espírito de convivência pacífica e respeito mútuo entre diferentes crenças fortalece-nos como povo e inspira-nos a  caminhar juntos rumo a um futuro de progresso, harmonia e  desenvolvimento sustentável”, lê-se na mensagem. 

Neste período de introspecção e crescimento espiritual, o Chefe de  Estado exorta a todos para que reforcem os laços de fraternidade e  solidariedade, valores que considera essenciais para a construção de  um país mais justo e inclusivo. 

“Que o exemplo de dedicação e disciplina demonstrado durante o  jejum do Ramadan seja um estímulo para todos nós na promoção da  paz, do entendimento e da justiça social. Que este mês sagrado traga  a cada família moçambicana bênçãos, saúde e prosperidade. Que os  sacrifícios e as orações sejam aceites, e que a fé de cada um se  fortaleça ainda mais”, afirma o Presidente, que  termina desejando, em nome do Governo da República de  Moçambique e em seu próprio, um Ramadan Mubarak.

Os protestos populares forçaram a suspensão de aulas em 20 escolas, afectando mais 50 mil alunos em três distritos. Além disso, sete escolas foram vandalizadas e 500 livros de distribuição gratuita queimados.

A Direção Provincial da Educação e Cultura em Gaza, revelou, esta sexta-feira, que os protestos populares forçaram  a suspensão de aulas em 20 escolas  nos distritos de Chókwè, Bilene e Chibuto. 

Em Chókwè, por exemplo, o edifício onde funcionava o Serviço Distrital de Educação foi vandalizado, e mais 500 manuais de distribuição gratuita da quinta classe  que se encontravam no seu interior  foram queimados, no auge dos  protestos que paralisaram a cidade por uma semana.

Já nos  distritos de Chicualacuala e Chibuto as inundações isolaram mais de  20 escolas, condicionando a mobilidade de mais dois mil alunos.

São quase 60  mil alunos afectados pelos impacto das protestos violentos, bem como por inundações na província de Gaza

A tempestade tropical severa denominada “HONDE” evoluído para a categoria de ciclone tropical, entretanto, o seu epicentro já está fora do Canal de Moçambique.

Não obstante a sua localização geográfica, o Instituto Nacional de Meteorologia prevê a continuação de ventos moderados a fortes, podendo ocasionar a agitação marítima e ondas de alturas até 4 metros, a sul do paralelo 23 graus sul.

A primeira-dama de Moçambique diz que as mulheres podem desempenhar um papel importante, para a pacificação do país e redução dos actos de vandalismo. Falando à margem do lançamento das cerimónias do mês da mulher, Gueta Chapo apontou o analfabetismo como um dos desafios da mulher Moçambicana.

O país vive momentos de tensão e vandalização, devido aos protestos violentos, e a primeira-dama de Moçambique não tem dúvidas de que a mulher pode ajudar no alcance da paz .

“Hoje, mais do que nunca, devemos reflectir o papel da mulher na pacificação do nosso país.  O nosso Moçambique enfrenta tempos difíceis. As manifestações que tomam as ruas, as tensões sociais, a destruição de bens e infra-estruturas, os encerramentos de empresas e a perda de emprego ameaçam o bem-estar das nossas famílias, a educação dos nossos filhos, a segurança dos nossos lares. Acima de tudo, vidas humanas estão sendo perdidas”, afirmou Gueta Chapo.  

O futuro de Moçambique depende da entrada de todos, disse a primeira-dama,  que desafiou as mulheres a serem líderes e pacificadoras.

“Que ergamos as nossas vozes, não para o confronto, mas para o diálogo. Que eduquemos os nossos filhos, não para a revolta, mas para a solução. Que trabalhemos juntas para acalmar os corações e reconstruir a confiança entre as pessoas. O futuro de Moçambique precisa de mulheres pacificadoras, mulheres líderes, mulheres que transformam a dor em esperança”, acrescentou. 

Falando à margem do lançamento das cerimónias do mês da mulher, que vão desaguar na comemoração do dia 7 de Abril, a esposa do Presidente da República  reconheceu os avanços no empoderamento do género, mas apontou o analfabetismo como o grande desafio.

“A taxa de analfabetismo reduziu de mais de 90%, em 1975, para 38%, em 2022, sendo 49,20% nas mulheres e 25, 9% nos homens, o que nos desafia a reforçar as acções de alfabetização e educação para todos, em particular, para as mulheres e raparigas”, sublinhou a primeira-dama.   

No local, a representante das Nações Unidas, Catherine Sozi, manifestou apoio para a concretização da agenda do género em Moçambique.

“Vamos continuar a trabalhar juntos, para apoiar as instituições nacionais e colocar as mulheres e raparigas, homens e meninos,  sua inclusão, representação, direitos, status social e económico, igualdade e protecção no centro de tudo o que fazemos”, disse Sozi

A poesia e dança foram convidados para abrilhantar a cerimónia que abre a janela de várias actividades em todo o país. Este ano, o lema é: 50 anos empoderando a Mulher, construindo a Igualdade de género.

Há surto de conjuntivite bacteriana, na província de Cabo Delgado. A informação foi partilhada, esta sexta-feira, pelo Ministério da Saúde,  depois de ter registado mais de mil casos, em menos de duas semanas. Enquanto isso, o país está agora livre do surto de sarampo. 

A província de Cabo Delgado registou de 16 a 27 de Fevereiro 1 108 casos de conjuntivite bacteriana e, por isso, foi declarado o surto da doença naquele ponto do país.  Na sua maioria, os casos estão concentrados no distrito de Chiure e as crianças estão entre os mais infectados

O MISAU diz haver risco de alastramento da conjuntivite bacteriana para outros pontos do país, devido à mobilidade e por ser uma doença de fácil propagação. 

A Rede Viária de Moçambique (Revimo) vai suspender contratos com mais de 300 trabalhadores das portagens vandalizadas durante os protestos pós-eleitorais. A suspensão está prevista para Março e serão directamente afectados trabalhadores das portagens que estão inoperacionais.

A vandalização de portagens durante os protestos pós-eleitorais ocorreu em vários pontos do país. Só na Cidade de Maputo e em Gaza, 12 portagens da Rede Viária de Moçambique tiveram vários danos materiais e, por isso, continuam inoperacionais.

Segundo informações de fontes ligadas à Revimo, a que tivemos acesso, a situação vai afectar mais de 300 trabalhadores, que terão os seus contratos suspensos a partir do mês de Março.

A decisão, que vai afectar directamente os trabalhadores das portagens que se encontram inoperacionais, resulta da situação financeira vulnerável em que a instituição diz encontrar-se,  devido à vandalização das portagens e à não cobrança das taxas.

Apesar de a suspensão dos contratos ser temporária, não há previsão de data para o retorno dos funcionários aos seus postos de trabalho. Entretanto, a nossa fonte garantiu que os afectados serão chamados de forma gradual, assim que as condições estiverem criadas.

A Revimo tem, na sua gestão, 16 portagens, das quais apenas quatro estão em funcionamento. Sobre as portagens inoperacionais, a Revimo diz não haver data prevista para o início dos trabalhos de reposição.

Mais de 130 quilos de abalone, um marisco raro e altamente valorizado, foram apreendidos pelas autoridades em Inhambane. Contrabandeado da África do Sul, o produto estava a caminho do Porto da Beira e teria como destino final o mercado asiático.

O abalone, um molusco muito procurado no mercado asiático, conhecido pela sua raridade e valor económico elevado. Na África do Sul, a pesca ilegal deste marisco tem gerado uma crise ambiental e económica, colocando a espécie em risco de extinção. 

O produto foi trazido para Moçambique de forma ilegal, sem qualquer documentação oficial, e estava em trânsito com destino ao Porto da Beira. A partir de lá, o abalone seguiria para mercados na Ásia, onde é vendido a preços elevados.

A apreensão foi motivada também pela falta de inspeção sanitária, uma vez que, qualquer produto alimentar que entre em território moçambicano deve ser previamente avaliado para garantir a segurança do consumidor.

O abalone é altamente apreciado no mercado asiático, onde é utilizado em pratos sofisticados e na medicina tradicional e cada quilo pode atingir preços superiores a 500 dólares. O contrabando deste produto é impulsionado pela sua escassez e pela alta procura internacional.

A empresa Águas da Região Norte (AdRN) garante que tem produtos químicos para o tratamento de água para a cidade de Nampula, assegurando, ainda, que o nível de turvação que se verifica nalguns pontos da urbe está dentro dos parâmetros legais.

A AdRN chamou a imprensa, nesta quinta-feira, para mostrar o processo de produção de água a partir da Estação de Tratamento de Água, que fica junto da barragem sobre o rio Monapo, a 12 km da cidade de Nampula, depois de informações postas a circular indicando que havia falta de produtos químicos para o tratamento de água.

Emerson Chembene, director para a Área Operacional de Nacala, fez uma demonstração  de todo o processo. “Como podem ver, estamos com turvações de água bruta, neste caso água do rio, próximo de mil MTUS. É muito elevada. Quando assim acontece, é um parâmetro muito fundamental para a operacionalização do sistema, que é o processo de alcalinidade. É isto que se está a determinar. Este processo diz qual é o nível de capacidade que a água do rio está a trazer para neutralizar os ácidos. Com esta informação, nós já conseguimos perceber, mais ou menos, em que moldes o sistema deve operar. Como vimos, anteriormente, o processo de coagulação e o processo de adição do sulfato de alumínio e cal hidratada. Tudo isto está em função deste parâmetro operacional”, explicou.

A produção de água para o consumo humano é regulada pelo diploma ministerial n.º180/2004, de 15 de Setembro que define os parâmetros físicos e químicos para que a água seja considerada potável ou não.

“Ele vai-nos dizer, a cada etapa, qual é a quantidade óptima em função da turvação da água bruta que nós temos de adicionar ao sistema para  termos a qualidade de água que é exigida tanto pela OMS quanto pela AUARA. A cada amostra de água tratada,  levamos ao laboratório e fazemos um ensaio.”

Mas, afinal de contas, a empresa tem ou não produtos químicos para o tratamento da água na cidade de Nampula? Esta foi a questão que o “O País” colocou a Ermelindo Bonifacio,  director para a Área Operacional em Nampula.

“Temos a informar que mantemos todos os stocks adequados e, neste preciso momento, temos stocks que vão até sete dias. E, dentro de três dias, iremos receber uma quantidade superior, para mais de trinta dias.”

Em alguns casos, a água que sai nas torneiras tem alguma turvação. A empresa admite que alguns casos têm a ver com a infiltração de água imprópria, devido à vandalização da tubagem, sobretudo nos bairros suburbanos.

Durante mais de dois meses, mais de 13 mil moçambicanos estiveram refugiados no Malawi.  Chegaram ao país vizinho em Dezembro do ano passado, na sequência dos protestos pós-eleitorais. E, nesta quinta-feira, 27 de Fevereiro, chegou a hora de regressarem às suas casas, para retomarem as suas vidas.

Para o efeito, diversas equipas conjuntas de trabalho de  Moçambique, Malawi e organizações internacionais estiveram a trabalhar, nos últimos dias, no sentido de criar  condições para este processo.

Justamente no momento em que devia iniciar-se o repatriamento, choveu muito, o que causou o transbordo do rio Chire, que faz fronteira com Moçambique, através do distrito de Morrumbala.

“Será por esta via que vai decorrer o transporte de moçambicanos ao país. Nós, aqui, no Malawi, posicionámos dois camiões com capacidade de cinco toneladas, que é para poder movimentar as pessoas e bens. Do outro lado, também temos o mesmo número, portanto, temos dois camiões, que é para poder movimentar as pessoas. Em termos de embarcações, temos quatro, uma com capacidade para 20 pessoas e as outras três com capacidade para 12. Portanto, todas essas embarcações podem transportar de uma só vez 56 pessoas. Choveu muito nos últimos dois dias, portanto, todas as águas que vêm a montante vão escorrendo em direcção ao rio. O rio, neste momento, está cheio. É só ver que a água transbordou, mas também a água que vem a montante, toda ela se acumula aqui”, explicou um dos responsáveis do ING.

Adiante, a  fonte referiu que “o cenário que nós pudemos ver de manhã, por volta das oito horas, quando estivemos cá, revelava que tende a baixar consideravelmente”.

Das mais de 13 mil pessoas que deviam ser repatriadas, segundo dados fornecidos pelo Governo malawiano, até esta quinta-feira a parte moçambicana já tinha contabilizado mais de 7 mil, provenientes de Morrumbala e Milange, na Zambézia, e Doa e Mutarara, em Tete. Alguns cidadãos que falaram ao “O País”, manifestaram que estavam ávidos em regressar às suas casas.

“Estou muito satisfeito por regressar. Quando saí de lá para cá, ouvi dizer que já não tenho casa, porque destruíram. Então, não sei quais são as condições que o nosso Governo criou. Não sabemos para onde vamos”, disse um dos repatriados.

Outro repatriado ouvido pelo nosso jornal indicou que “recebi a informação de que  a minha casa estava destruída”.

O ministro do Interior, Paulo Chachine, esteve no centro de refugiados para dialogar com as autoridades locais, mas fundamentalmente, com os moçambicanos. Chachine voltou a garantir que as condições para o repatriamento estavam criadas.

“Estiveram aqui por alguns meses. Viveram aqui, neste campo, com todas as dificuldades. Sempre tiveram alguma coisa, mesmo não sendo muito, mas sempre tiveram alguma coisa, porque, no meio de dificuldades, não é o muito que interessa, é aquele pouco, para nos mantermos. Agora, neste momento, meus irmãos moçambicanos, chegou o tempo de voltarmos para casa. Chegou o tempo de recomeçarmos as nossas vidas em casa.”

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