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O País – A verdade como notícia

A Primeira-ministra diz que o maior impacto da suspensão do apoio americano em Moçambique poderá ser sentido no sector da saúde. Benvinda Levi recomendou, nesta segunda-feira, que se espere pela decisão definitiva dos EUA.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos da América congelou quase toda a assistência estrangeira em todo o mundo, com efeito imediato, incluindo para Moçambique. Sobre o assunto, a primeira-ministra disse que se deve esperar, enquanto se faz a gestão interna. 

“Já tivemos outras situações preocupantes e conseguimos gerir. Então, eu acredito que também, desta vez, vamos conseguir gerir com os nossos recursos internos”, disse Benvinda Levi, acrescentando que  o apoio dos Estados Unidos era extremamente importante nas áreas sociais. 

Levi apontou a área da saúde como a que poderá sentir os maiores impactos da suspensão do apoio americano, pois “o principal apoio é para área da saúde, mas há outros sectores que têm apoios menos significativos”. 

 

O ex-Comandante-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Bernardino Rafael, diz que “deixa a polícia” com sentimento de tristeza, devido à destruição causada pelos protestos pós-eleitorais. 

Falando à margem do empossamento do novo Comandante-Geral da PRM, Bernardino Rafael pediu que a nova liderança continue com o seu trabalho, mas lamentou a destruição causada pelos protestos. 

“Eu deixo a polícia com instalações destruídas por aquelas manifestações subversivas, deixo a polícia com alguns 187 membros feridos por manifestantes, deixo a polícia com 17 famílias que perderam seus entes-queridos, por manifestantes. Deixo com 77 Comandos Distritais completamente destruídos”, disse. 

Bernardino Rafael afirmou que deixa a polícia com sentimento de tristeza, pois “é uma conquista que levou muitos anos, para nós alcançarmos”. Contudo, acrescentou estar optimista que a nova liderança fará de tudo para recuperar o que foi perdido.

Há mais de um ano que está atrasado o arranque das obras de pavimentação da Avenida Dom Alexandre, no município de Marracuene. O INGD, dono da obra, aponta a complexidade de contratação do fiscalizador como causa do atraso

Trata-se de uma via bastante movimentada que liga os município de Maputo e Marracuene. Uma ligação rodoviária de 10 quilómetros feita em más condições.

O arranque das obras de melhoria da estrada degradada e, por vezes, até intransitável, estava previsto para Setembro de 2023 e inserem-se no âmbito de um fundo do Banco Africano de Desenvolvimento para o projecto de Seguro, Financiamento e Resiliência Climática. Ao todo são 47 milhões de dólares, parte dos quais destinados à melhoria da via, porém as obras nunca arrancaram.
São 10 quilómetros da estrada nas mãos do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres.

Em Setembro de 2023, o INGD prometeu aos munícipes de Marracuene uma via melhor.

No terreno, o cenário é o oposto de uma via melhor. Buracos, poças de água e montão de areia são situações comuns encontradas na avenida.

A via continua desgastante para os automobilistas.
“É muito triste viver nestas condições, há vários anos que está estrada prejudica nossas vidas”, reclamou Tomás, automobilista.

Os que dependem da via para fazer o seu negócio ficam limitados sempre que chove. É o caso da comerciante de frutas, dona Amélia, que fica sem trabalhar sempre que a chuva cai.

Passa já um ano e quatro meses depois do prazo estabelecido para o início das obras de reabilitação da avenida Dom Alexandre em Marracuene, ou seja, o INGD não construiu nem a metade do que prometeu aos munícipes. No ano passado justificou que as obras estavam reféns da contração de um fiscal.

Confrontado, uma vez mais, o porta-voz do INGD traz a mesma justificação.

A contratação do fiscal poderá ser concluída até Fevereiro e o INGD garante o início das obras ainda este ano.

“Neste momento, a avaliação das propostas técnicas foram submetidas para a não-objeção e acreditamos nós que, tendo em conta aquilo que é o cometimento de todas as partes envolvidas neste processo, que dentro da próxima semana possamos ter também a não-objeção deste relatório técnico que foi submetido ao financiador”, justificou Paulo Tomás, porta-voz do INGD.

A contratação do fiscal poderá ser concluída até Fevereiro e o NGD garante o início das obras ainda este ano.

“E tendo em conta também, se tudo ocorrer dentro da normalidade, possamos ter até meados de Fevereiro o contrato assinado, que é para esta empresa de fiscalização iniciar com aquilo que são os trabalhos previstos nos termos de referência, mas como já existe um trabalho preliminar, não poderá levar muito tempo e temos fé que ainda este ano as obras possam iniciar”, avançou.

Saindo da Avenida Dom Alexandre, não é preciso ir longe. Logo à entrada da rua Rua da FAO, na via CMC-FACIM, amontoados de areia confundem-se com lombas que engoliram aquela estrada.

Com uma extensão também de 10 quilómetros, a via de acesso de terra batida está em más condições e os condutores dizem que vão somando prejuízos nas suas viaturas.

Segundo os munícipes, até houve promessa de construção de uma estrada por parte das autoridades locais.

 

 

 

Há estâncias turísticas que poderão fechar durante três meses devido à destruição que sofreram aquando da passagem do ciclone Dikeledi, na província de Nampula.

A zona de Chocas Mar é a principal área turística no distrito de Mossuril, na província de Nampula. Mossuril foi o epicentro do ciclone Dikeledi, no dia 13 de Janeiro corrente. Por isso, há muitas estâncias turísticas destruídas.

No Coral Lodge, as casas de hóspedes de que dispõe, algumas foram destruídas, forçando uma paralisação temporária. São 48 empregos que estão em causa. 

E enquanto pensa-se no futuro, é o presente que se revela desafiador para o gestor da outra estância turística, Anibal de Oliveira Carlos, de Carrusca Mar e Sol.

As infra-estruturas que estão a ser restauradas para o mais breve possível voltarem a receber turistas nacionais e estrangeiros. Mas no imediato, há algo que é inevitável: uma paralisação por pelo menos três meses.

As lamentações ampliam-se a cada vez que escalamos os estabelecimentos turísticos e hoteleiros na Chocas Mar. Para Selemane Sábado, do Complexo Turistico Namarralo a situação vivida traduz uma equação difícil para os proprietários. O Complexo Turístico Namarralo é o mais antigo na região, com mais de 30 anos de existência.

 

Dez pessoas morreram e outras treze ficaram feridas na presente época chuvosa, vítimas de descargas atmosféricas, na província de Tete. Entre as vítimas, duas são da mesma família.

A Província de Tete regista, nos últimos dias, chuvas intensas, acompanhadas de ventos  e trovoadas. Entretanto, na sequência dos fenómenos, pelo menos dez pessoas, incluindo uma criança, morreram, após terem sido atingidas por descargas atmosféricas. 

As mortes aconteceram nos distritos de Tsangano, Angónia e Cahora Bassa. Entre as vítimas, duas são da mesma família.

Na ocasião, a delegada do INGD fez saber que quatrocentas famílias cujas as machambas ficaram afectadas pelo fenómeno El Nino nos distritos de Doa e Mutarara, estão sem  assistência alimentar devido  à intransitabilidade das vias.

 

Os munícipes de Maputo queixam-se do abandono da Praça da Juventude pela edilidade. No local, há muito capim alto a crescer e falta de limpeza, o que a torna perigosa para se estar

 

Inaugurada há cerca de um ano, pelo então edil de Maputo, Eneas Comiche, após a sua requalificação, a Praça da Juventude não apresenta um bom aspecto. O capim alto mancha o local. 

O local até já atraía muitos jovens, por possuir internet grátis, mas desde Novembro de 2024 que o capim está alto, o que repele os visitantes. Para um munícipe ouvido por este jornal, a praça já não merece o nome que carrega, disse Ângelo Tomo. 

Para outro munícipe, que preferiu não revelar a sua identidade, a praça está completamente abandonada e já não dignifica os jovens.

Mesmo assim, há quem ainda frequenta o local, para ter acesso à internet, mas clama por intervenção da edilidade. É o caso de Tristeza Lhalha.  

No recinto da Praça da Juventude, além do capim que já engole os assentos, este jornal captou imagens de várias garrafas de vidro abandonadas, pavês destruídos, o que a torna pouco atraente para os jovens, devido à sua perigosidade.

Os apelos dos munícipes ficam para a edilidade, de quem se aguarda uma solução para salvar a praça cuja requalificação custou cerca de 18 milhões de Meticais, grande parte do valor proveniente dos cofres do Município de Maputo.

 

Tudo começou no passado dia 11 de Janeiro, quando vídeos amadores começaram a circular nas redes sociais, em que alegadamente populares da Ilha de Bazaruto expulsavam turistas, no âmbito das manifestações convocadas por Venâncio Mondlane.

Na verdade, os vídeos retratam o momento em que a comunidade exigia a saída do arquipélago, de alguns trabalhadores de alguns complexos hoteleiros.

Os jovens ouvidos pelo “O País” e que estavam no momento em que tudo aconteceu, dizem que se queixam de uma série de problemas que vivem na Ilha e que pretendem ver resolvidos.

Entre os problemas está a falta de oportunidades de emprego para muitos membros das comunidades nos complexos hoteleiros, pois sempre que solicitam recebem informações de que não há vagas para trabalhar, mas tempos depois percebem que novas pessoas de fora da Ilha foram contratadas, factos que lhes deixa inquietos.

Diante da situação, eles ficaram furiosos e por isso decidiram mandar embora da Ilha, aqueles que segundo eles é que promovem tal situação. Relatam que entre os visados que fazem a gestão de recursos humanos dessas empresas, há quem solicita valores monetários ou favores sexuais, como contrapartida para trabalhar nos hotéis.

Américo Santos é um dos jovens ouvidos pelo “O País” e contou que estas inquietações já foram apresentadas ao governo local, que entretanto não deu atenção aos mesmos para resolver e como forma de chamar atenção das autoridades decidiram expulsar aqueles trabalhadores.

Gaspar Alberto é outro jovem que conversou com a nossa reportagem e esclareceu que a comunidade não tem problemas com turistas que podem continuar a visitar o Arquipélago, pois reconhecem que é deles que vem boa parte da ajuda que recebem para melhorar a vida dos ilhéus.

Depois do episódio do dia 11 de Janeiro, as lideranças locais dizem que foi constituído um grupo de trabalho, que servirá de elogio entre as comunidades e as estâncias hoteleiras, no sentido de serem eles que vão levar aos Hoteis todas as preocupações das comunidades e será com eles que serão discutidas as propostas de soluções do problema.

O “O País” apurou que durante a confusão do dia 11 de Janeiro, a comunidade não invadiu e nem vandalizou nenhum complexo hoteleiro, como também não atacou nenhum turista. Aliás, no momento em que tudo aconteceu, havia no local turistas que assistiram o cenário e em nenhum momento foram ameaçados, segundo apuramos com os gestores de vários hotéis.

Um desses hotéis é o Anantara Resort, por sinal o maior do arquipélago, para falar com o gestor que disse que tem o hotel tem prestado apoio às comunidades desde a construção de salas de aula, apetrechos a unidade sanitária ou socorro a doentes graves para o continente, atribuição de bolsas de estudo a membros das comunidades das Ilhas para continuar a formação na zona continental, aquisição de uniformes escolares entre outras modalidades de apoio.

Christian Sanchez revela que dos cerca de 170 trabalhadores do Hotel, 109 são nativos das Ilhas e que estão em diversas áreas de actuação.

Devido às manifestações pós-eleitorais e a confusão criada em Janeiro deste ano, a empresa já perdeu cerca de 100 milhões de meticais. Segundo Sánchez, apenas este mês a empresa Já deixou de encaixar cerca de 40 milhões de meticais com a ausência quase total de turistas e entre os meses de Outubro a Dezembro do ano passado, a empresa deixou de encaixar para os seus cofres, cerca de 90 milhões, uma vez que a taxa de ocupação não era igual a de anos anteriores.

O nosso entrevistado revela ainda que os cancelamentos chegam todos os dias e com as incertezas políticas, chegam também as incertezas sobre a presença de turistas nos próximos meses. É que a empresa tem custos operacionais elevados e sem entrada de dinheiro fica difícil suportar custos como eletricidade, salários, manutenções entre outros, que chegam a ser de mais de 10 milhões de meticais por mês.

O administrador do Parque de Bazaruto diz que de forma imediata estão a trabalhar com as comunidades para encontrar soluções para o problema, a fim de que a situação volte à normalidade.

Armando Nguenha diz que é seguro viajar para Bazaruto, pois não há nenhum ataque a estâncias hoteleiras e nem a turistas.

 

Uma semana depois de uma tragédia que vitimou mortalmente quatro pessoas, por desabamento de uma mina de ouro em Gondola, na Província de Manica, as mineradoras artesanais retomaram as suas actividades. Estes dizem que não vão vergar, uma vez ser esta sua principal fonte sustento

Fanuel Antonio Oliveira, 38 anos de idade, foi uma das quatro vítimas mortais após o desabamento de uma mina de ouro na região de Metuchira, posto administrativo de Amatongas, em Gondola. Deixou viúva e dois filhos menores.

O irmão de Oliveira António e as outras vítimas mortais estavam no poço, local onde buscavam pela segurança após encontrar quantidade não especificada de ouro. 

Após a tragédia, o governo decidiu interditar a exploração artesanal de ouro naquele ponto do país. 

O jornal O País deslocou-se ao local este Sábado e constatou que o que parou é o comércio e outras actividades, sendo que a mineração está a ser praticada normalmente, aliás uma situação que o próprio governo já previa.

Trata-se de ouro pela vida ou vida pelo ouro. Em Manica, os garimpeiros praticam a actividade em poços que chegam a atingir 30 metros de profundidade sem o mínimo de protecção.  

 

Uma suposta quadrilha perigosa foi neutralizada pela polícia, em Chimoio, na província de Manica. A Polícia República de Moçambique (PRM) suspeita que o grupo de quatro indivíduos encontrado na posse de uma arma de fogo é o mesmo que recentemente assaltou um Banco no distrito de Macanga, em Tete.

 É um grupo composto por dois moçambicanos e igual número de Malawianos. Segundo a polícia, dedicava-se a assaltos a mão armada e com recurso a instrumentos contundentes. Foi, de acordo com a PRM, colocado fora da acção quando se preparava para assaltar um Banco em Chimoio.

Estes que se encontram detidos nas celas da segunda esquadra em Chimoio, dizem ser inocentes e que simplesmente apanharam uma boleia da Beira até Chimoio do carro em que foram neutralizados.

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